terça-feira, 14 de julho de 2009

Fora Sarney VIII - o cerco aperta

Flagrado com funções administrativas no estatuto da Fundação Sarney, que recebeu verba de patrocínio da Petrobrás para organização do acervo e repassou parte a empresas fantasmas, Sarney tem que enfrentar duas novas frentes de combate: a acusação por queda de decoro parlamentar e a investigação da sua fundação pelo Ministério Público.

Sarney está desesperado vendo ruir o seu império de 50 anos, construído às custas do Maranhão ser hoje um dos estados mais miseráveis do Brasil, mesmo sendo potencialmente rico. Primeiro, instalou a CPI da Petrobrás para tentar acalmar os opositores no Senado, que querem a sua cabeça para justificar toda a bandalheira e manter tudo como está, com o seu sacrifício. Ontem anulou os "atos secretos", o que trará mais e mais denúncias, já que o organismo vivo da burocracia do Senado retaliará tal ato, podendo sobrar para muito mais gente. Por fim, o PMDB, que assinou o pedido de CPI da Petrobrás para pressionar o governo Lula a criar a estatal do pré-sal e entregá-la aos seus feudos, sairá enfraquecido do processo com a possível queda ou continuada desmoralização de Sarney, sendo obrigado a atuar na CPI para blindar seu presidente de honra sem nenhuma condição de exigir vantagens do governo Lula.

Cabe ressaltar a hipocrisia que cerca o processo. O Senado, se vier a cassar Sarney, será porque ele mentiu ao negar sua participação ativa na Fundação Sarney, e não pelo "conjunto da obra" de apropriação do patrimônio público ao longo de sua carreira, onde apenas uma pequena parte está sendo exposta agora. Isso não acontecerá, porque lhe restará a alternativa de renunciar antes, e depois voltar a se eleger pelo infeliz estado do Amapá, onde mantém um endereço eleitoral frio, mais uma das suas armações, já que a memória do povo é curta e o dinheiro para eleição é grande.

sábado, 11 de julho de 2009

Brasília (DF) - 50 anos em 2010

Brasília completará 50 anos em 21 de abril de 2010. Além das festividades que poderão incluir um show da banda U2, vários eventos deverão marcar o aniversário da cidade cartão-postal. Brasília foi uma espécie de PAC do Juscelino Kubistchek. Sua construção buscou a interiorização do desenvolvimento. O investimento foi caríssimo, a toque de caixa, para inaugurar no curto espaço de tempo de um governo, com dinheiro correndo solto, para deleite das empreiteiras e crescimento da dívida pública. A ocupação foi feita com a migração forçada do funcionalismo público a partir da antiga capital no Rio de Janeiro.


Hoje a cidade, apesar dos altos custos, principalmente de moradia, é uma ilha da fantasia, onde não se encontram os principais problemas das demais cidades brasileiras. Apesar dos esforços dos especuladores, o plano diretor de Lúcio Costa resiste, mas está defasado perante os 1,1 milhão de automóveis que não foram previstos para o Distrito Federal. As fotos do site http://www.geocities.com/augusto_areal/minis_pc.htm mostram que do nada surgiu uma cidade. Muito interessante.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

G5+G8 : Obama quer Lula mediando programa nuclear do Irã

Nos jornais a foto das ruínas da cidade de L'Aquila, na Itália, devastada por um terremoto e visitada pelo presidente americano, Barack Obama, e por Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano, merecia um balão de pensamento, tipo história em quadrinhos, apontado para a cabeça de cada um deles, com o texto: "A economia do meu país está igualzinha". No primeiro dia só o G8 se reuniu. Hoje e amanhã permitirão que a segunda divisão da economia mundial, o G5 (Brasil, India, China, África do Sul e México), se integre ao grupo.

A turma do G5 quer que o G8 assuma a responsabilidade pela crise mundial e suas consequencias, na forma de ajuda aos países que estão na pindaíba por conta da jogatina especulativa dos ricos. O Brasil já decretou que o G8 morreu, e defende que as soluções para a crise venham do G20, incorporando outros países do terceiro mundo. Uma espécie de "executiva ampliada da ONU". Também querem que os países do G8 reduzam drasticamente as emissões de carbono para a atmosfera e um novo padrão monetário internacional, que substituia o dólar.

Em meio a esse clima tenso, Lula distribuiu camisas autografadas da seleção para os presidentes de todos os países que o nosso time derrotou na Copa das Confederações, inclusive para Obama, que viu a seleção americana perder depois de estar à frente por 2 x 0 e agora levou gozação do presidente brasileiro. Se fosse FHC, entregaria também a seleção e o resto do país...

Como retaliação, Obama pediu a Lula para mediar junto ao Irã a crise nuclear, já que os EUA não encontram canais para diálogo com o regime dos Aiatolás. Essa missão impossível está sendo delegada a Lula porque o Brasil mantém boas relações econômicas com o Irã. O interessante é que a revista "Isto É" acusou o governo brasileiro de fazer um "acordo secreto" com o Irã que viabilizaria até a fabricação de armas nucleares, algo que se fosse realmente sério não passaria às vistas sempre atentas do serviço de inteligência de Tio Sam. Só queria ver como ficariam as mídias de direita brasileira e pró-direita israelense, que fazem campanha contra o encontro de Lula com o presidente iraniano Ahmadinejad, se "O Cara" conseguir algum avanço. E olha que o Brasil reprovou o discurso de Ahmadinejad que minimizou a existência do holocausto!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cyberterrorismo : ameaça real no ambiente virtual

Ontem os sites na internet dos governos americano e sul-coreano foram atacados por hackers, além do Pentágono e da bolsa de valores de Wall Street. Anteontem, um jornal israelense anunciou que Israel poderá usar meios virtuais para sabotar o programa nuclear do Irã. Organizações criminosas, terroristas e governos recrutam os melhores hackers para invadir sistemas de outros países, bancos, empresas, tanto para sabotar como para roubar segredos ou chantagear. Isso está ficando cada vez mais frequente. Muitos desses ataques são abafados pelas próprias empresas e governos, para não comprometerem suas credibilidades. Simples programas anti-virus não bastam mais, sendo necessários equipamentos especializados, criptografia, soluções de segurança de automação, etc.



O fato é que as vulnerabilidades são grandes, e, paradoxalmente, as empresas não consideram o gasto em segurança de TI um investimento, nem a possibilidade de irem à falência por espionagem industrial ou sabotagem dos seus produtos e serviços. À medida que se integram cadeias produtivas e se faculta o acesso externo a processos internos, aumenta o risco. Por exemplo, há 20 anos as empresas que tinham seus processos industriais informatizados, certamente usavam uma linguagens simples, e não tinham a preocupação com invasão, já que cada parte do processo estava isolada. Muitos desses ataques são abafados pelas próprias empresas, para não comprometerem suas credibilidades.


Com a integração de cadeias produtivas, tais sistemas foram interligados, e conectados à internet, permitindo, por exemplo, que um hacker penetre numa parte vital do sistema de automação e altere uma variável. Exemplo: parar um oleoduto, alterar parâmetros de segurança como temperatura ou pressão de controle de caldeiras, causando danos de grandes proporções aos equipamentos e colapsos na logística. Teoricamente é possível fazer disparar mísseis nucleares, parar os sinais de trânsito de uma cidade, desligar a energia de toda uma região, suspender o controle de tráfego aéreo, fazer um satélite de comunicações cair, desligar o suprimento de água, enfim, todo tipo de maldade.

Podemos voltar à Idade da Pedra a um "enter" no teclado, instantaneamente. A ficção, infelizmente, pode dar lugar a uma trágica realidade. Acha que é exagero? O livro "One Second After", ainda não publicado no Brasil, leva ao extremo as possibilidades apocalipticas do cyberterrorismo. A guerra virtual é mais real que a gente pensa.

FHC quer reconhecimento

Vez por outra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sai do merecido ostracismo para implorar alguma forma de reconhecimento pela sua obra política. A última foi nas comemorações dos 15 anos do Real, plano feito pela equipe do economista Edmar Bacha que fez FHC surfar e ganhar duas eleições, mesmo a um alto custo de endividamento. Recomendo a leitura do pertinente texto do também sociólogo, como FHC, Emir Sader, entitulado "Os reconhecimentos a FHC", disponível neste link.

Nota tímida do PT pede afastamento de Sarney

"Dr. Sarney, se não for incômodo para o senhor, a gente pede por gentileza que, num ato de grandeza, tire uns dias para descansar. Em nenhum momento a gente quer se indispor com o companheiro Lula, que já nos pediu numa boa para aceitarmos a sua pessoa à frente das investigações e medidas saneadoras. Mas, pense com carinho na nossa proposta. A gente promete que na sua ausência vai cuidar direitinho das providências para varrer para baixo do tapete toda essa "coisa miúda" que a imprensa inventa e jogar na culpa dos funcionários que nos ajudaram em cada ato que achamos de natureza legal, mas a mídia tacha de imoral uso de dinheiro público. Muito obrigado, e a gente promete que não vai decepcioná-lo."

Essa é mais ou menos a síntese da nota que a bancada do PT no senado soltou hoje. Tímida, envergonhada, inútil. Pelo tipo de texto, trata-se de uma autêntica "resolução de bispo", um tipo de escrita onde ninguém bate em ninguém e todos leem como querem, puxando sardinhas para cada brasa, por estar a bancada com sérias divisões e, principalmente, centralizada burocraticamente por Lula e Dilma. Se não era para marcar uma clara diferenciação com a posição de Lula e dizer que o PT não aceita Sarney porque quer a moralização, nem precisavam gastar tempo de reuniões e redigindo nota para mostrar submissão ao governo. Já foi tempo que o PT reivindicava, exigia, impunha alguma coisa.

Apagão da Engenharia: técnicos podem parar PAC por reajuste de 100%

Mesmo com os visíveis interesses políticos envolvidos no PAC, o governo parece não perceber que os engenheiros, arquitetos e geólogos que trabalham no sufoco para analisar e fiscalizar os projetos de infra-estrutura não ficarão nos seus cargos com salários desestimulantes, já que o mercado está com a demanda elevada pela crônica falta de técnicos. Agora a ANEINFRA - Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infra-Estrutura informa que os técnicos estão se mobilizando para paralisar as atividades por reajustes salariais de até 100%, o que certamente trará atrasos ao PAC. O indicativo de greve já foi aprovado, e os técnicos podem cruzar os braços a qualquer momento.

Quando o governo se deu conta do apagão da engenharia, por décadas de descaso com a formação de novos profissionais e pela demanda de obras pela retomada do desenvolvimento, criou a carreira de analista em infraestrutura. Fez um concurso com 16 mil candidatos, para 600 vagas, e aprovou 535. Destes, apenas 453 continuam nos cargos, sendo a evasão justificada pelos baixos salários. Os que ficaram têm a responsabilidade pela execução orçamentária de boa parte do contigente do PAC (R$ 650 bilhões) e de outros projetos e obras de infraestrutura de grande porte.

São responsáveis por um conjunto de projetos que podem chegar a até 20 bilhões cada um, como é o caso do TAV - Trem de Alta Velocidade Rio-SP, além de milhares de projetos dos programas de Integração de Bacias do Rio São Francisco, Luz para Todos, Programa Minha Casa, Minha Vida, Inclusão Digital - GSAC, e da proposição de novos projetos como o das estradas vicinais na Amazônia.

O pessoal da infra-estrutura segue o exemplo dos técnicos da Caixa Econômica Federal, que fizeram greve de 51 dias por melhores salários e conquistaram o salário inicial (retroativo a abril) de R$ 6.199,00 e de R$ 6.600,00 a partir de janeiro de 2010. Um bom começo para uma categoria que ficou por anos à mercê do sucateamento da máquina pública, de péssimos patrões e, principalmente, por falta de mobilização na luta pelos seus direitos.

Anistia a imigrantes ilegais:Brasil dá exemplo

Em época de crise, onde as oportunidades de trabalho e negócios minguam, a mesquinhez humana aguça preconceitos numa "ética de bote salva-vidas", onde a regra é: eu me salvo, você, não! É o caldo cultural onde os fascismos prosperam, e a história nos mostra que o ápice da direita como ideologia aconteceu após a 1a grande guerra, reforçado pela crise do capitalismo de 1929. Hoje na Europa o tema que tem elegido direitistas a cada urna aberta é a restrição a estrangeiros. A França tem cotas de expulsão mensais. A Itália incentiva a deduragem de estrangeiros com a aprovação de uma nova lei que criminaliza a imigração ilegal.

No Brasil, temos uma elite tão retrógrada quanto a que deu o golpe agora em Honduras, e que se manifesta no cotidiano espumando seu ódio ao "iletrado" presidente Lula, às cotas das políticas de afirmação racial e às transferências governamentais como o bolsa-família, Prouni, etc. E temos um governo que, apesar do grande defeito de não ter avançado mais nas conquistas sociais e de ter sucumbido aos defeitos da política tradicional, acaba de sancionar a anistia a cerca de 50 mil imigrantes ilegais que se encontravam no país até fevereiro de 2009, humanizando o problema migratório. Na contra-mão da discriminação, o Brasil se mostra como país acolhedor de imigrantes, dando exemplo ao mundo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Honduras : suspense e truculência ao vivo

Do jeito que os golpistas desprezaram o repúdio da OEA e dos 191 países-membros da ONU à quartelada do outro domingo, era mais que previsível que fechariam o aeroporto para impedir a chegada do presidente constitucional Manuel Zelaya ontem. Até ficou barato, porque poderiam derrubar o avião.

Para galvanizar o público interno que vê Zelaya como marionete de Chavez, alardearam que a Nicarágua estaria mandando tropas para a fronteira para intimidar a soberania de Honduras. O país foi base dos "contras" na revolução nicaraguense, e base de apoio dos Estados Unidos na região, daí o receio dos nicaraguenses entre as elites.

O bispo de Tegucigalpa publicou nota pedindo que Zelaya não retornasse, para evitar derramamento de sangue, atitude coerente com o apoio que os bispos católicos vêm dando ao governo ilegal. Já o gorila-mor das forças armadas ordenou que os soldados do aeroporto disparassem contra a multidão que se aglomerava junto ao aeroporto. Nada mais previsível numa república de bananas onde o triunvirato latifúndio-militares-igreja se uniu para evitar qualquer indício de reforma social.

Para ter idéia do nível de gente que deu o golpe, o ministro das relações exteriores do "governo" Michellet, Enrique Ortez, reclamando da intromissão americana nos assuntos hondurenhos, disse que " esse negrinho não sabe de nada". Também esculachou com o primeiro-ministro da Espanha, Zapatero, mandando-o "cuidar dos seus sapatos". O governo americano, depois do episódio de ontem, disse que não vai receber nenhum representante do governo golpista. Se os Estados Unidos e a Espanha resolverem fazer um embargo aos produtos de Honduras, a economia não resistirá. Um sinal disso é que ontem, na transmissão do frustrado retorno de Zelaya, foi noticiado pela Telesur que os empresários de Honduras retiraram o apoio ao governo.

Zelaya criou um fato político mundial, pois toda a ação foi acompanhada ao vivo pela equipe da televisão venezuelana Telesur, que tinha repórteres no avião venezuelano que o transportou, e equipes no aeroporto. Tudo foi transmitido em tempo real, inclusive os tiros do exército na população civil, matando e ferindo pessoas desarmadas. Todos viram também a colocação de caminhões na pista para impedir o pouso, e como as forças armadas locais desprezaram a ordem de Zelaya para permitir o pouso. Acabou pousando em Manágua, na Nicarágua.

Honduras é o segundo país mais pobre da América Central, que vive da agricultura, em especial do café e da banana, e tem nos Estados Unidos o principal comprador dos seus produtos (70%), e também principal parceiro nas importações de bens manufaturados, já que a indústria local é incipiente. Tem 50,7 % da população abaixo da linha de pobreza, e menos de 8 milhões de habitantes. Sua história é marcada de violência militar e caudilhesca, sendo a democracia formal uma exceção, e não se diferencia muito da história de outros países da América espanhola. Só está nas manchetes porque golpes de estado são considerados anacrônicos hoje.

Lula, embora ache inaceitável o golpe e mantenha a posição de não reconhecer o governo golpista, considerou um erro o retorno de Zelaya agora, e quer que a OEA medie a questão. Já Cristina Kirchner, presidente da Argentina, e Fernando Lugo, presidente do Paraguai, estavam a postos para ir a Honduras apoiar Zelaya. Chávez apostou pesado, dando o avião e a equipe de TV, e , claro, muito palpite na mídia, um verdadeiro "Xou do Xavez" de verborragia incontida. Numa entrevista em meio à crise, Chavez disse que o responsável por tudo seria o imperialismo americano. Depois disse que Obama não tinha nada a ver com isso, porque seria refém do império...

domingo, 5 de julho de 2009

Spaceport America - começa o turismo espacial


Está em construção no deserto do Novo México, estado do sul dos Estados Unidos, o Spaceport America, primeiro espaçoporto comercial do mundo. Com previsão para conclusão e operação em 2010, com custo total de US$ 500 milhões, possibilitará que os milionários terrestres paguem US$ 20 milhões por uma semana de estadia na Estação Espacial Internacional ou US$ 200 mil por um vôo de seis minutos fora da órbita da Terra. O empresário inglês Richard Branson, dono da Virgin Galactic, empresa que produz espaçonaves como a White Knight 2 e a Space Ship 2, é o principal parceiro do empreendimento.
O objetivo do espaçoporto é incentivar as tecnologias que encoragem a consciência ambiental, melhorem a qualidade de vida na Terra e crie um futuro mais brilhante para todos, diz a missão do empreedimento. Entendendo que o do ambiente de livre mercado e competição, estimula a inovação , eles acreditam que o o acesso comercial, mais barato e rotineiro, abrirá caminho para avanços em áreas como transportes, comunicações, medicina, agricultura, educação energia e exploração espacial. O espaçoporto está sendo construído dentro das mais modernas tecnologias de racionalização e sustentabilidade, dizem os realizadores no seu site.
O governo do Novo México aposta no espaçoporto para consolidar o estado como polo de desenvolvimento de tecnologias ligadas à indústria aerospacial. Fica em Novo México a base de Roswell, onde em 1947 teria sido escondido no hangar 51 uma nave alienígena cujo mito até hoje povoa de mistérios os aficcionados por discos voadores.

QR Code - Novo código de barras



Apesar de inventado em 1994 e largamente usado no Japão para fins de logística nas indústrias, o QR Code, ou código de barras bidimensional, agora está começando a ser usado no Brasil. Sua capacidade de informação é muito maior que a do código hoje amplamente utilizado, para o qual há leitoras em lojas que dão informações básicas, como o preço da mercadoria. O QR code pode ser reconhecido por softwares instalados até em celulares, que fazem a leitura pela câmera até em baixa resolução, fazendo aparecer o link da página da internet onde há mais informações.

Outra aplicação já vem sendo vista no jornal Correio Braziliense, de Brasília, onde o selo QR Code pode ser usado para acessar links de integração com outras mídias, como a página do jornal na Internet. Assim pode-se ver mais fotos, gráficos e ter links com mais informações. Como o serviço de telefonia tem avançado muito, e o QR Code é aberto para uso e sua patente não é praticada para uso pela Denso-Wave, sua inventora, é esperada a ampla difusão nos próximos anos. O programa para criação de códigos pode ser baixado gratuitamente da sua página na internet. Isso não vai substituir a necessidade de informações básicas e acessíveis ao consumidor nas mercadorias ou prateleiras.

Hoje é muito difícil comparar, por exemplo, duas embalagens do mesmo refrigerante, para saber o que é mais em conta. Em geral, as embalagens maiores têm menor custo unitário do produto, o que é vantajoso ao consumidor, mas nem sempre isso ocorre. E entre produtos iguais de marcas e embalagens diferentes a coisa é pior, porque as indústrias têm recorrido à malandragem de diminuir a quantidade oferecida e manter o preço. Chocolates são um exemplo disso. Há algum tempo, todos tinham barras de 200 gramas. Hoje tem de 190, 180, 170 e até 160 gramas, todos na mesma faixa de preços. Apesar da legislação existente exigir clareza nas informações, não há referência a esse importante dado, mas há iniciativas para tornar obrigatória a exibição. Na foto, de uma etiqueta de farmácia de Buenos Aires (Argentina), abaixo do preço há o valor por unidade, e isso tem em todos os produtos, facilitando a comparação.





sábado, 4 de julho de 2009

Praia de Coqueirinho (PB)

Se a praia já é bonita com chuva, imagino com sol. Coqueirinho fica a uns 5 km de Jacumã e a uns 30 de João Pessoa, e tem um acesso razoável a partir da estrada asfaltada. Tem boa infra-estrutura de barracas de praia, que oferecem principalmente comidas do mar. Mar tranquilo, água quente, muito bom.






Praia de Jacumã (PB)


Fica a 25 km ao sul de João Pessoa (PB), e é o local com infra-estrutura mais próximo da praia de nudismo de Tambaba. Litoral de falésias (escarpas), tem muitas boas pousadas, restaurantes e belo visual. A Prefeitura de Conde praticamente abandonou esse distrito, deixando quase sem acesso boa parte das pousadas por causa das ruas esburacadas de terra .
Carapibus, Coqueirinho e Tabatinga são praias vizinhas, a caminho de Tambaba, que merecem visitação por suas paisagens ímpares. Ficamos na pousada Enseada do Sol (foto), que tem boas instalações, localização privilegiada e uma boa relação custo x benefício (R$ 100 por pernoite)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pragmatismo de Lula salva Sarney

Desde a bandalheira do mensalão, o PT perdeu a moral até com Lula, que governa independente, ao sabor das engenharias políticas que saem da sua cabeça. Agora no episódio da fritura de Sarney, o PT até ensaiou pedir a Sarney para sair, mas o Planalto (Lula e Dilma) bateu na mesa e mandou salvar o coronel maranhense para manter a governabilidade, como se o mundo fosse acabar com a queda dele.

Lula faz o discurso como um refém de uma chantagem. Uma crise com o PMDB pode comprometer a eleição de Dilma, pensa ele. Por outro lado, uma ruptura do PMDB a essa altura do campeonato significará deixar um bando de governadores da sigla sem obras para inaugurar, já que todos dependem de verbas federais, e alguns milhares de cargos na máquina pública entregues a um ano das eleições de 2010. Para o PMDB, romper com o PT agora seria um desastre. Além do mais, hoje o candidato da direita mais à direita, José Serra, já tem o apoio de um bando de dissidentes do PMDB, como Jarbas Vasconcelos.

A operação de salvamento de Sarney está desviando o foco para o papel do DEM como operador da bandalheira, já que a 1a Secretaria do Senado está sob controle desse partido desde o tempo que era PFL, há 14 anos. E é de lá que parte toda a administração das contratações, os "atos secretos", os contratos superfaturados com fornecedores, enfim, toda a corrupção. E as vestais do DEM, com Agripino Maia à frente com uma cara de pau envernizada, dizem que não têm nada a ver com Sarney, que só botaram ele na presidência, mais nada...

O pragmatismo de Lula é a subestimação do poder que detém e da popularidade que goza. Nunca na história deste país foi tão fácil colocar em questão a instituição Senado, que tem como papel conservador o bloqueio ao poder do presidencialismo. Deixar Sarney sair e puxar uma forte campanha de moralização do Senado seria uma forma do PT angariar respeito e entregar à opinião pública toda a bandalheira, já que o partido tem pouco a dever. Mais ou menos como naquela definição de poder: ser poderoso é manter mais preso o rabo dos outros que o seu próprio. Isso o PT pode fazer, porque de bandalheira, a direita é secular no Senado.

Hipocrisia popular

Aqui e ali a gente encontra uma dessas figuras que reclamam de tudo, publicamente, fazendo qualquer aglomeração de platéia para suas verborragias. Via-de-regra, a culpa é do governo, da empresa, do colega, até para justificar os próprios fracassos. Falam como donos da verdade, com enorme coragem de espinafrar, mas na hora que se aproximam de autoridades, ficam mansinhos e se mostram bajuladores. Acho que todo mundo conhece alguém assim.

Ontem estava numa fila de loteria e um senhor roubou a cena ao apelar ao senso comum e à indignação para esculachar o senado, o Sarney, o governador, toda a classe política, etc. Disse que Lula tinha comprado uma fazenda de 900 milhões, que Lulinha comprou outra por 50 milhões, e as pessoas na fila aparentemente não discordavam de nenhum dado, já que é senso comum que políticos metem a mão, mesmo que as cifras cheguem a quase bilhão.

Depois de abrir até alguns diálogos, fechou com chave de ouro a discussão: disse que a saída seria o filho dele ser candidato a vereador e meter a mão também, no que teve até alguns acenos de concordância da fila. Impressionante que, a uma classe política vil, corresponda uma fração de pessoas que, no fundo, não acham ruim tomarem o que é de todos, mas invejam estar fora da boquinha...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fora Sarney VII - Ato público no Congresso

As 70 pessoas que compareceram ao Congresso Nacional agora há pouco para pedir a saída de Sarney certamente não serão as responsáveis pela sua desejável renúncia ou licença, mas tiveram a sensação de terem feito algo para isso, permitindo que outras coisas se sucedam e aumentem de intensidade. Minha curiosidade estava na organização do evento pelo sistema de mensagens Twitter, e, de fato, as pessoas com quem conversei disseram que compareceram articuladas por ele.

Não havia lideranças. Aqui e ali as pessoas se organizavam em torno da equipe do programa CQC, das redes de TV que filmavam, do bandeirão do Brasil e de alguns cartazes. Foi difícil o trabalho de reportagem, pois normalmente visam os líderes para entrevista. Não havia megafone, carro de som, nada: só o gogó!

De mais velhos por lá só tínhamos eu e a minha mulher. Claro, também os repórteres, câmeras e os "personal policemen", já que tinha mais polícia que manifestante. Eles não se envolveram, apenas se deslocaram para barrar eventual invasão do Senado pelo grupo. Também estavam lá os famosos olheiros infiltrados, procurando informações e batendo fotos.

Na minha experiência de movimentos sociais nunca vi nada parecido. Em geral, os atos políticos têm uma ordem, um esquema conhecido. As palavras de ordem de hoje eram "Sarney, ladrão, político sem noção". Também faltaram coisas essenciais, como faixas dizendo o que a gente fazia ali.

Descemos com a bandeira até a beira do lago que protege a rampa do Congresso. Isso no escuro, já que o local não tem iluminação, daí as fotos precárias. De lá, subimos para a pista, e toda vez que o sinal em frente ao Ministério da Justiça fechava, todo mundo corria para a faixa de pedestres e gritava "Fora Sarney", o que era acompanhado pelo côro de buzinas dos carros, que certamente era ouvido lá do Senado.

Presenciei um diálogo interessante entre um ativista e o pessoal da Juventude do PDT. O rapaz pediu a eles para não colocarem a bandeira do partido na frente das filmagens, já que o movimento era apolítico. Não foi atendido, mas a preocupação demonstra que esse tipo de ato não comporta os esquemas partidários tradicionais, de aparelhar o ato e promover candidatos embrionários "dos jovens".


Uma das fotos mostra um repórter do Estadão sentado no chão, como um escriba do século XXI, fazendo o "upload" da matéria possivelmente para o site do jornal. Notícia instantânea! E boa parte da turma estava fazendo filmagens para o Youtube com certo grau de organização e equipamentos. Quanto aos resultados, esperamos que Sarney entregue o cargo após conversar com Lula nesta quinta. Até o PT já disse "pede prá sair" a ele.










Ricos pagam metade dos impostos dos pobres

A mídia ontem publicou em uma só voz que "os pobres trabalham duas vezes mais que os ricos só para pagar impostos". Considerando que a tributação brasileira é composta em 2/3 de impostos indiretos, que incidem sobre os produtos e dos quais o pobre não pode escapar, e que 1/3 são sobre a renda e ganhos de capital, a informação poderia também ser escrita como "ricos pagam metade dos impostos dos pobres". O sistema tributário brasileiro é arcaico, e deixa brechas para que os mais ricos escapem aos impostos. E são justamente eles que mais reclamam da carga tributária...

BB tem maior valorização do semestre nas Américas

Os maiores bancos brasileiros se destacaram no ranking de valorização do semestre, mas o surpreendente foi ver o Banco do Brasil contrariar os agouros do mercado e estar em primeiro na pesquisa, acima do Morgan Stanley. Desde o final do ano passado, o governo percebeu que não teria o apoio da banca privada para oferecer crédito em meio à crise, e passou a intervir no BB, culminando com a destituição da sua diretoria por resistir às demandas governamentais.

O mercado esperneou, dizendo que o governo não podia fazer isso, porque não respeitava os acionistas, etc e tal. E o governo agora quando se refere ao BB o coloca no mesmo patamar de "banco público", junto com a CEF que o é de fato e de direito. O BB vem baixando juros, abrindo linhas de crédito de maior risco, e agora vai operar um fundo garantidor de R$ 1o bi, o que permitirá maior alargamento do crédito. E o mesmo mercado que temeu pelo desastre é o que agora compra ações do BB e o valoriza. Quem explica?

Plano Real : trocando inflação por dívidas

Há exatos 15 anos, a equipe do economista Edmar Bacha fazia valer o chamado Plano Real, que criava uma moeda provisória, a URV, e o próprio Real. O plano aproveitou que o país, após a queda de Collor, estava recuperando o fluxo de entrada de capitais, e bancou a retenção da inflação com a supervalorização da moeda, criando dívidas cobertas por esses fluxos. Era a chamada "âncora cambial".

Com a moeda valorizada, a princípio mantendo a paridade com o dólar e por um tempo mais apreciada que a moeda americana, as exportações caíram, e as importações passaram a ditar os preços internos, havendo muita quebradeira na indústria nacional. O déficit comercial crescente também virou dívida. Por fim, para continuar atraindo capitais, mesmo em meio à crise asiática e depois a russa, passou-se a praticar no Brasil as maiores taxas de juros, atraindo capitais especulativos e gerando mais dívidas.

Tudo isso fez parte da chamada "herança maldita" que Lula pegou em 2003. Com os bons ventos do exterior, com muita sorte e principalmente credibilidade, o governo Lula desmontou esse modelo que tirava a capacidade de investimento público e os recursos para programas sociais. Hoje há superávits comerciais consistentes, fluxos de investimentos diretos para a produção e a menor taxa de juros da história, em meio a programas sociais extensos, investimentos em infra-estrutura e a relação dívida x PIB também é das menores. O Brasil pagou o que devia ao FMI, e lhe emprestou US$ 10 bi das reservas internacionais, que são em volume superior ao montante da dívida externa.

O Plano Real serviu politicamente ao estelionato eleitoral que elegeu FHC. Sem ele, Lula teria vencido as eleições em 1994, já que as pesquisas mostravam sua vantagem na ordem de 41% a 4% sobre FHC em maio. Assim que saiu o Plano Real, o governo Itamar surfou no zeramento instantâneo da hiperinflação, que fez o poder de compra dos salários subir e levou a classe média ao paraíso do consumo, inclusive viagens ao exterior, aproveitando a moeda forte. Elegeu FHC, que manteve a relação real x dólar até a sua reeleição. Depois, explodiu, e a moeda americana chegou a valer R$ 4 pouco antes da posse de Lula. Hoje está a R$ 2, e caindo.

FHC também vendeu barato o Brasil para dar fôlego ao seu modelo, e não adiantou muita coisa. Deu a Vale, a telefonia, a energia e só não passou adiante a Petrobrás e o Banco do Brasil porque houve forte resistência. Hoje deve estar morrendo de raiva ao gritar ao vento que foi o "pai do Real", e ver que Lula conseguiu fazer muito melhor que ele.

Fora Sarney VI - Protestos hoje

O movimento Fora Sarney cresce, à medida que começa a sair do Senado o cheirinho de pizza, misturado a outros odores desagradáveis. Numa instituição onde todos são cúmplices, seja por ação, por omissão ou por tática política, Sarney não é melhor nem pior que ninguém, mas serve de bode expiatório para que se deixe tudo como está. Daí eu entender que a luta não para com a queda do Sarney.

Deve ser questionado o Senado como um todo. Por que manter essa representação retrógrada, conservadora, que tem a função de barrar as reformas mais importantes para destravar o país e melhorar as condições de vida da população, além de ser mais um balcão de troca de favores para aprovação de projetos legislativos. Basta a Câmara dos Deputados e, mesmo assim, com grandes reformas para dar legitimidade à representação popular.

As pessoas estão começando a se organizar fora do campo viciado dos partidos, através da internet. Isso é bom, porque esperar de qualquer parte desse sistema podre uma ação que ameace os privilégios é utopia. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer, já dizia o refrão de Vandré sobre a necessidade de deixar a passividade característica da nossa cultura política.
Aí vão as manifestações agendadas em vários lugares do país, coletadas de diversas fontes da Internet, como Twitter, Facebook, Orkut, etc. Como parecem ser espontâneas as manifestações, a quantidade de gente pode ir de gatos pingados a multidões.
Rio – 01/07, 13h, na Cinelândia.
São Paulo – 01/07, 19 h, MASP.
Belo Horizonte – 01/07, 14h, Praça da Liberdade.
Porto Alegre – 01/07, 12h30mim, Praça da Matriz.
Curitiba – 05/07, 15h, Praça Tiradentes.
Florianópolis – 01/07, 19h, Assembléia Legislativa.
Campo Grande – 01/07, 18h Praça do Rádio.
Natal – 01/07, 15h, Praça Cívica
Manaus – 01/07, 19h, Parque dos Bilhares.