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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Defesa Civil : Mídia tenta derrubar ministro com enxurrada de críticas.

Os políticos defendem a brasa para suas sardinhas desde que o mundo é mundo. Quando se trata de uma tragédia como a de Pernambuco e Alagoas, que deixou quase 20 mil pessoas desabrigadas e destruiu várias cidades, o ministro é pernambucano, o estado tem um governador da base aliada e principalmente tem os projetos prontos na mão para pedir verbas que estão lá esperando que alguém faça isso, a coisa fica bem mais evidente. Nessa enxurrada de críticas ao Ministro sobre o uso de boa parte da verba de defesa civil com Pernambuco só não vimos uma coisa : outro estado reclamando que ficou sem verba.

No ano passado, na temporada anual de desgraças naturais (potencializadas pelas humanas) do primeiro trimestre, foi um escândalo verificar que as verbas para prevenção não haviam sido usadas. Tanto assim que o governo do Estado do Rio pegou parte da grana e passou à Fundação Roberto Marinho para fazer um museu na zona portuária do Rio. Após a tragédia em Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, o governo federal repassou recursos para a recuperação dos estragos e prevenção. Saldo: prefeitos afastados por desviar essas verbas, e muito pouco se fez.

Aí vêm Pernambuco e Alagoas, que não dormiram no ponto, e apresentam projetos para construir milhares de casas populares e barragens para prevenir novas tragédias. O ministro concede, com o apoio de todo o governo. As obras começam. O estado de Alagoas, que tem como governador o tucano Teotônio Vilela, recebeu do governo federal cerca de R$ 300 milhões para a reconstrução de infra-estrutura (na verdade, construção, porque o que tinha não prestava), cerca de 15 mil casas populares, barragens, etc. Dilma garantiu que essas casas serão gratuitas. Nisso, ninguém fala.

Cadê a mídia que não fala que o governo Lula / Dilma jogou mais dinheiro em Alagoas, de governo do PSDB, que em Pernambuco, da base aliada, no socorro a vítimas e prevenção? Falam do programa anti-enchente, mas não tocam na imensa quantidade de dinheiro federal, de programas como o Minha Casa, Minha Vida, que chegou para socorrer as vítimas das tragédias.

A mídia também não fala da incompetência do estado de São Paulo em apresentar projetos para gastar os R$ 31 milhões previstos em orçamento federal para a construção de "piscinões" na capital. Bem, para quem pouco fala de qualquer mazela em São Paulo e Minas, de governos tucanos, isso é um mero detalhe que não contribui para o principal: derrubar ministros e tentar implodir o governo Dilma. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Indústria da chuva faz a alegria da corrupção

Desde criança nas aulas de geografia ouvi falar na tal "indústria da seca", processo de enriquecimento de oligarquias nordestinas através da interceptação de recursos públicos destinados a solucionar ou amenizar os problemas causados pelas longas estiagens. Até recursos destinados pelo governo à agricultura deixavam de ser aplicados, e depois havia o seguro para a perda total do que sequer foi feito. Ainda havia o ganho político: a necessidade extrema virava votos nas eleições a partir de pequenas migalhas concedidas pelos poderoros.

Hoje temos a "indústria da chuva", que ganhou espectro nacional. Prefeituras fazem vistas grossas à ocupação irregular em áreas de risco. Uma visão quase malthusiana, entendendo que a natureza fará o seu papel de eliminar os mais vulneráveis, reduzindo a população. Aí vêm as chuvas, que desde os tempos mais primórdios caem com maior ou menor frequência e as pessoas sabem os efeitos que produzem. Mesmo as maiores já tiveram alguma antecedente há muito tempo.

Tudo previsível. Encostas que todos sabiam que iriam cair vêm abaixo. Canais que todos sabem que não têm dimensões para escoar os fluxos de água simplesmente cumprem sua parte, transbordando. Galerias não são limpas, e lixo que deveria ter sido recolhido entope tudo, porque a prefeitura resolveu economizar dinheiro de garis. Centenas de mortos, milhares de desabrigados criam as condições emocionais para a solidariedade e, principalmente, para a chegada de dinheiro para ações emergenciais e de longo prazo. Passa a chuva. Chega o dinheiro. Some o dinheiro. Nada é feito entre uma temporada e outra. Vem outra chuva e destrói o pouco que foi feito. Políticos e outros espertos dizem que o dinheiro foi todo empregado, mas nada adiantou, e que precisam de mais.

Como estão Nova Friburgo, Teresópolis, Branquinha e outras cidades arrasadas no ano passado? Na mesma. Ontem em Friburgo já houve uma grande chuva. Muitos municípios de Minas também já estão novamente se afogando. Enquanto milhares sofrem novas privações e correm risco de morrer, alguns poucos já fazem as contas de quanto vão lucrar em cima dos mortos e desabrigados neste verão.