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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Rio : Eleições ressuscitam até FHC

Brasília tem muita coisa boa, mas ter eleições a cada 4 anos não tem preço. No resto do Brasil as campanhas estão bombando. No Rio não é diferente. O cenário é amplamente favorável à reeleição do atual prefeito Eduardo Paes, do PMDB, que tem uma ampla aliança, inclusive com o PT, que não tem candidato a prefeito. Também conta com obras de impacto com recursos dos governos federal e estadual, e faz da sintonia com esses governos o seu trunfo para continuar suas obras. Tem Lula como cabo eleitoral nos seus programas.

No campo da oposição o principal candidato é Marcelo Freixo, do PSOL, que se tornou notório pelo combate às milícias, inspirando um personagem do filme Tropa de Elite. Conta com o apoio de petistas descontentes e é bem recebido na classe média. Está em segundo lugar nas pesquisas e pode ir ao segundo turno com Paes.

Há a coligação tudo de ruim: Rodrigo Maia, do DEMO, e Clarisse Garotinho, filha do ex-governador e da ex-governadora. Mais reacionário e suspeito, impossível. Rodrigo é filho do ex-prefeito César Maia, que tem como principal obra faraônica a Cidade da Música, um trambolho de concreto no meio das principais vias da Barra da Tijuca que consumiu quase uma reforma do Maracanã em recursos até aqui, e nunca ficou pronta. Sua vice é descendente de um casal de político que responde a diversos processos e dribla cassações de mandatos com liminares na justiça. Não têm a menor chance.

No campo do impossível também está o candidato do PSDB, Otávio Leite, que enterra a campanha de vez com a figura de FHC declarando seu apoio. Faz uma campanha patética batendo no governo federal, estadual e municipal.

Aspásia Camargo, do Partido Verde, faz campanha associando-se à de Marina Silva, que foi traída por Fernando Gabeira na eleição passada para presidente (apoiou Serra), enquanto Marina apoia Freixo.

Cyro Garcia faz campanha de demarcação pelo PSTU, assim como Antonio Carlos, do PCO. O engenheiro Fernando Siqueira, da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, é candidato pelo PSL.

Embora não vote, apoio o Freixo. O Rio precisa de uma alternativa que não seja de direita, como os Maia, Garotinho e o Gabeira. Se não ganhar a eleição, pelo menos trará oxigenação à política da cidade. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Rio : Chapa Maia / Garotinho é dose prá leão

Quando vejo notícias sobre a política do Rio, vem à cabeça uma antiga piada, aquela de alguém que questiona Deus por que deu a um pequeno lugar tantas belezas naturais, mar, sol, praias, montanhas, tudo de bom, e ele respondeu : "É porque ainda não viram os políticos que vou colocar lá". Só isso pode explicar por que, depois de tudo de ruim que já tivemos, aparece mais uma ameaça no ar com a dupla Rodrigo Maia para prefeito e Clarissa Garotinho para vice.

Parece uma anti-chapa. Sobre o primeiro pende a gestão desastrosa do seu pai, César Maia, que tem como monumento maior a inacabada Cidade da Música, um monstrengo inútil que já engoliu praticamente o valor de um desses estádios novos da Copa do Mundo, embora seja bem menor, e a bandalheira do PAN de 2007, nunca investigada seriamente. Sobre a segunda há todo um passivo familiar, que vai de denúncias de abuso de poder econômico em eleições, associação com milícias, propinodutos, combate às UPPs, etc.

Não que os demais sejam muito melhores, mas essa dupla conseguiu juntar o que havia de pior, justo quando o Rio, aos trancos e barrancos, começa a sair do atraso de 50 anos, desde que deixou de ser capital federal e depois de golpeado com a fusão ao antigo Estado do Rio, e esboça livrar-se do domínio territorial do tráfico. É nessas horas que a dupla Cabral / Paes parece mais simpática, apesar dos pesares...