Como São Pedro continua castigando São Paulo, Serra resolveu apelar a Madona para que Jesus faça alguma coisa. Na falta de prestígio com as instâncias divinas, recebeu mesmo a cantora Madonna, que tem como namorado Jesus Luz, que não faz milagres nem em apagões.
Já que está difícil a ajuda celestial, o adequado seria lançar um programa tipo "Balsa Família" para ajudar os submergentes das enchentes a tornarem-se emergentes, na falta de políticas de habitação e de saneamento que resolvam os problemas. Kassab também pode ceder a capital para as filmagens de "Waterworld II", pois há áreas onde serão necessários meses para baixar as águas.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
SP : Balsa Família e Waterworld
IRPF: Mordida menor sobre os salários
O trabalho assalariado e em especial a classe média foram extremamente onerados na era FHC, com o congelamento das tabelas do Imposto de Renda. Se o salário sobe, mas o limite de isenção fica o mesmo, cada vez mais gente leva a mordida do Leão, que também cresce para quem já pagava. De 1996 a 2002 o teto de isenção ficou congelado em R$ 10.800,00, tendo reajuste de 17,5 % em 2002, ano eleitoral. A inflação de 1996 a 2002 foi de 67,55%, havendo um forte confisco sobre os salários por aumento da carga tributária.
Quando começou o governo Lula, o valor do teto de isenção era de R$ 12.696,00. Para a declaração 2010/2009, o valor será de R$ 17.215,08 e a Receita Federal promete para a declaração 2011/2010 o teto de R$ 22.487,25, ou seja, 30,6% maior, diante de uma inflação prevista de 4,5% para 2010.
A inflação medida pelo INPC no governo Lula (2003 a 2010), considerando-se 4,5% para 2010, deverá ser de 54,12%. O reajuste na tabela de isenção, no mesmo período, ficará em 77,12%, ou seja, menos imposto será pago pelo trabalhador assalariado e pela classe média, havendo, portanto, aumento na renda. Menos 5 milhões de pessoas declararão o imposto de renda em 2010.
A redução da carga tributária sobre os salários é mais um golpe sobre a oposição de direita, que sempre defende a desoneração do capital. Eles deveriam ser mais autênticos e botar a sua mídia para combater mais esse "ato perdulário" do governo, que poderá, no entender deles, causar desequilíbrio fiscal, aumento da inflação, taxa de juros, terremotos e tsunamis. Como é ano eleitoral, fica difícil fazerem isso sem perderem os seus já minguados votos.
Eleições : Serra desiste de privatizar CESP, por ora
Está na Folha de São Paulo de hoje que o governador de São Paulo e pré-candidato à presidência da república José Serra desistiu de privatizar a Companhia Energética de São Paulo, provavelmente para evitar a exploração da privataria pela campanha de Dilma. Ou de Mercadante, caso Serra venha a desistir da candidatura para pleitear a reeleição.
Em 2006 Alckmin perdeu muitos votos quando a população enxergou o desejo predatório dos tucanos em relação às empresas estatais e públicas, que já vem de FHC, quando se torrou imenso patrimônio público em troca de merrecas.
Serra também teria mandado a CESP começar um lento plano de investimentos. Pelo jeito, o desejo de jogar a CESP fora a preço de banana não acabou : vai deixar passar a eleição e, quem sabe, ele mesmo ou seu sucessor tucano terminarem o "trabalho" de doar aos capitalistas mais essa "oferenda".
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
30 anos de PT, o partido que mudou a história do Brasil
Hoje alguns comemoram a criação do PT há 30 anos. Resultado de uma ousada e democrática fusão de movimentos, tendências e pequenos partidos de esquerda, o PT surgiu como uma nova forma de organização, democrática nas suas instâncias a começar pelos núcleos, independente da burocracia estalinista que dominava a esquerda através dos partidos ditos comunistas, e com forte base no movimento operário e camponês. Num de seus primeiros documentos condenava a ditadura estalinista polonesa e apoiava o movimento Solidariedade, demarcando com a esquerda tradicional pró-soviética.
Hoje também outros espumam de raiva contra a criação do PT há 30 anos, por motivos que vão da criação de massa crítica entre os mais pobres contra a exploração do capital, à rejeição a um governo que, por mais que nós da esquerda critiquemos como reformista, centrista e de colaboração com o capital, é herético ao redistribuir renda, construir a soberania nacional com projeção externa, fortalecer o estado contra a dilapidação neoliberal, e criar oportunidades a quem antes estava fadado à vida sem opções de melhoria.
O PT, em pouco tempo, tinha a cara das greves e das lutas no campo contra o latifúndio. O petista era o chato, o que cobrava as coisas certas e combatia as coisas erradas. Propositalmente, o partido era "dos trabalhadores", da classe trabalhadora, antagônica à classe patronal, que tinha os partidos tradicionais. Era o "partido sem patrões". A estrela vermelha impôs o respeito a quem antes era desprezado nos grandes acordos das elites. O militante equivalia a "mil e tantos", e era o elemento-chave para o desdobramento das ações partidárias que multiplicaram o PT rapidamente por todo o país, com presença em prefeituras e legislativos sempre crescente.
Reconhecido pela sua vitalidade na condução das lutas contra a ditadura, que estava nos seus momentos finais mas não menos forte, como na condução da luta de classes, presente em sindicatos e oposições e depois na fundação da CUT, o PT até hoje é hostilizado pela direita, mesmo abrindo mão de várias de suas bandeiras mais radicais e do expurgo de diversos grupamentos de esquerda, que vieram a constituir o PSTU, o PCO, o PSOL e outras pequenas legendas. Não fosse o episódio do mensalão, que criou a oportunidade para a direita difundir uma imagem corrupta nivelando o partido aos demais, o PT hoje seria um partido fortíssimo.
Apesar de toda a guinada à direita, no rumo da social-democracia, o PT ainda tem força suficiente para dominar o movimento social organizado, constituindo-se no principal trunfo para que Lula governasse praticamente sem contestação, já que a direita não tem base social capaz de mobilizar amplas massas, preferindo as investidas golpistas. Nos 7 anos de governo Lula, o PT freiou o movimentos sindical e os demais movimentos sociais, impedindo o avanço de reivindicações mais radicais, e cedendo espaços à manutenção de grupamentos políticos tradicionalmente corruptos no poder. Esse foi o diferencial de Lula com o apoio do PT: governar abafando a luta de classes, num pacto social implícito.
Na falta de opção, e por considerar que política não se faz em mesa de boteco, nem na crença em utopias dependentes de um messias que libertará os oprimidos, continuo filiado ao PT, como um inquilino chato e indesejável, cobrando atitudes coerentes com o que pretendemos na sua fundação. Para ver o que era o PT nas origens, reproduzo a Carta de Princípios publicada em 1° de maio de 1979, antes do Manifesto de Fundação, de 10/02/80, disponíveis no site do partido, um documento histórico que mostra a conjuntura onde tudo começou:
"Carta de Princípios
A idéia da formação de um partido só dos trabalhadores é tão antiga quanto a própria classe
trabalhadora.
Numa sociedade como a nossa, baseada na exploração e na desigualdade entre as classes,
os explorados e oprimidos têm permanente necessidade de se manter organizados à parte,
para que lhes seja possível oferecer resistência séria à desenfreada sede de opressão e de
privilégios das classes dominantes.
Mas sempre que as lideranças dos trabalhadores e oprimidos se lançam à tarefa de construir
essa organização independente de sua classe, toda sorte de obstáculos se contrapõe a seus
esforços.
Essa situação vivida milhares de vezes em todos os países do mundo vem acontecendo
agora no Brasil. Começando a sacudir o pesado jugo a que sempre estiveram submetidos,
os trabalhadores de nosso país deram início, em 12 de maio do ano passado (greve da
Scania), a sua luta emancipadora. Desde então, o operariado e os setores proletarizados de
nossa população vêm desenvolvendo uma verdadeira avalanche pela melhoria de suas
condições de vida e de trabalho. A experiência dessas lutas tem como resultado um visível
amadurecimento político da população trabalhadora e o crescimento, em quantidade e
qualidade, de suas lideranças.
Esse rápido amadurecimento político pode ser visto claramente no aprimoramento das
formas de luta de que os trabalhadores têm lançado mão. O início das lutas é marcado por
um período de greves brancas nas fábricas. Já os embates mais recentes, dos quais a greve
geral metalúrgica do ABCD é o melhor exemplo, mostram a retomada, em toda a linha, das
formas clássicas de luta: grandiosidade das assembléias gerais, a ação decisiva dos piquetes
e dos fundos de greve.
Os trabalhadores entenderam ao longo desse ano de lutas que suas reivindicações mais
sentidas esbarravam em obstáculos cada vez maiores, e é por isso, dialeticamente, que vão
sendo obrigados a construir organizações cada vez mais bem articuladas e eficazes.
Diante da força da greve do ABCD, os patrões e o governo precisaram dar-se as mãos para
impedir o fim da política do arrocho salarial e o fim das estruturas semifascistas que
tangem nossos sindicatos. Os patrões usam de todos os meios a seu alcance para quebrar a
unidade dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que se recusam a reconhecer os acordos
obtidos no período das greves fabris. O governo desencadeia sua repressão: os sindicatos
são invadidos e suas direções destituídas oficialmente, enquanto nas ruas a polícia persegue
os piquetes e tenta impedir, pela violência, que os trabalhadores consigam local para se
reunir.
Por seu lado, o apoio que os metalúrgicos conseguem dos demais trabalhadores, embora
seja suficiente para impedir que a repressão se aprofunde e faça produzir um recuo parcial,
carece de maior conseqüência, devido, é claro, não à inexistência de um espírito de
solidariedade, mas sim devido às limitações do movimento sindical e à inexistência de sua
organização política. Tanto isso é verdade que as lideranças da greve são obrigadas a se
escorar no apoio, muitas vezes duvidoso, de aliados ocasionais, saídos do campo das
classes médias e da própria burguesia.
Não puderam os trabalhadores expressar de modo mais conseqüente todo o seu apoio aos
grevistas do ABCD, e essa impotência tenderá a continuar enquanto eles mesmos não se
organizarem politicamente em seu próprio partido.
É por isso que a idéia de um partido dos trabalhadores, ressurgindo no bojo das greves do
ano passado e anunciado na reunião intersindical de Porto Alegre, em 19 de janeiro de
1979, tende a ganhar, hoje, uma irresistível popularidade. Porque se trata, hoje, mais do que
nunca, de uma necessidade objetiva para os trabalhadores.
Cientes disso também é que setores das classes dominantes se apressam a sair a campo com
suas propostas de PTB. Mas essas propostas demagógicas já não conseguem iludir os
trabalhadores, que, nem de longe, se sensibilizaram com elas. Esse fato comprova que os
trabalhadores brasileiros estão cansados das velhas fórmulas políticas elaboradas para eles.
Agora, chegou a vez de o trabalhador formular e construir ele próprio seu país e seu futuro.
Nós, dirigentes sindicais, não pretendemos ser donos do PT, mesmo porque acreditamos
sinceramente existir, entre os trabalhadores, militantes de base mais capacitados e
devotados, a quem caberá a tarefa de construir e liderar nosso partido. Estamos apenas
procurando usar nossa autoridade moral e política para tentar abrir um caminho próprio
para o conjunto dos trabalhadores. Temos a consciência de que, nesse papel, neste
momento, somos insubstituíveis, e somente em vista disso é que nós reivindicamos o papel
de lançadores do PT.
O povo brasileiro está pobre, doente e nunca chegou a ter acesso às decisões sobre os
rumos do país. E não acreditamos que esse povo venha a conhecer justiça e democracia sem
o concurso decisivo e organizado dos trabalhadores, que são as verdadeiras classes
produtoras do país.
É por isso que não acreditamos que partidos e governos criados e dirigidos pelos patrões e
pelas elites políticas, ainda que ostentem fachadas democráticas, possam propiciar o acesso
às conquistas da civilização e à plena participação política a nosso povo.
Os males profundos que se abatem sobre a sociedade brasileira não poderão ser superados
senão por uma participação decisiva dos trabalhadores na vida da Nação. O instrumento
capaz de propiciar essa participação é o Partido dos Trabalhadores. Iniciemos, pois, desde
já, a cumprir esta tarefa histórica, organizando por toda parte os núcleos elementares desse
partido.
1. A sociedade brasileira vive, hoje, uma conjuntura política altamente contraditória e, sob
muitos aspectos, decisiva quanto a seu futuro a médio e longo prazos.
Vista do ângulo dos interesses das amplas massas exploradas, desde sempre marginalizadas
material e politicamente em nosso país e principais vítimas do regime autoritário que vigora
desde 1964, a conjuntura revela tendências extremamente promissoras de um futuro de
liberdades e de conquistas de melhores condições de vida. Dentre as tendências auspiciosas,
destaca-se a emergência de um movimento de trabalhadores que busca afirmar sua
autonomia organizatória e política face ao Estado e às elites políticas dominantes.
Esse é, sem dúvida alguma, o elemento inovador e mais importante da nova etapa histórica
que se inaugura no Brasil, hoje.
Contudo, a par dos dados auspiciosos da conjuntura política, coexistem também perigosos
riscos, que podem levar as lutas populares a novas e fragorosas derrotas. Aqui, cabe
destacar que o processo chamado de abertura política está sendo promovido pelos mesmos
grupos que sustentaram e defenderam o regime hoje em crise.
Com a evidente exaustão de amplos setores sociais com o regime vigente no país e com a
crise econômica que abalou a estabilidade dos grupos dominantes que controlam o aparelho
de Estado, os detentores do poder procuram agora, e até este momento com relativo êxito,
reformar o regime de cima para baixo. Vale dizer, pretendem reformar alguns aspectos do
regime, mantendo o controle do Estado, a fim de evitar alterações no modelo de
desenvolvimento econômico, que só a eles interessa e que se baseia, sobretudo, na
superexploração das massas trabalhadoras, através do modelo econômico do qual sobressai
o arrocho salarial.
Já está demais evidente que o novo governo militar pretende manter a continuidade dessa
mesma política econômica ditada pelo capital financeiro internacional, agravada agora
pelos planos de austeridade e recessão que já se esboçam. Isso significa que o sofrimento, a
miséria material e a opressão política sobre a população trabalhadora tenderão a se manter e
aprofundar.
O que significa Estado de Direito com salvaguardas? O que pretendem com anistia restrita?
O que visam com a propalada reforma da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] e a da
Lei de Greve, urdidas secretamente? Qual o sentido da diminuição das penas previstas na
Lei de Segurança Nacional e da preservação do espírito que informa essa mesma Lei?
Esses e tantos outros fatos indicam que o regime busca reformar-se tentando atrair para seu
campo de apoio setores sociais e segmentos políticos oposicionistas, com vista a impedir
que as massas exploradas explicitem suas reivindicações econômicas e sociais e, o que é
mais importante, sua concepção de democracia.
Em poucas palavras, pretendem promover uma conciliação entre os de cima, incluindo a
cúpula do MDB, para impedir a expressão política dos de baixo, as massas trabalhadoras do
campo e da cidade.
2. Essas afirmações não ignoram o fato de que o MDB foi utilizado pelas massas para
manifestar eleitoralmente seu repúdio ao arbítrio. Tampouco pretendem ignorar a
existência, entre seus quadros, de políticos honestamente comprometidos com as lutas
populares.
Isso, no entanto, não pode impedir e não nos impede de apontar as limitações que o MDB –
partido de exclusiva atuação parlamentar – impõe às lutas populares por melhores
condições de vida e por um regime democrático de verdadeira participação popular.
O MDB, por sua origem, por sua ineficácia histórica, pelo caráter de sua direção, por seu
programa pró-capitalista, mas sobretudo por sua composição social essencialmente
contraditória, em que se congregam industriais e operários, fazendeiros e peões,
comerciantes e comerciários, enfim, classes sociais cujos interesses são incompatíveis e nas
quais, logicamente, prevalecem em toda a linha os interesses dos patrões, jamais poderá ser
reformado. A proposta que levantam algumas lideranças populares de “tomar de assalto” o
MDB é muito mais que insensata: é fruto de uma velha e trágica ilusão quanto ao caráter
democrático de setores de nossas classes dominantes.
Aglomerado de composição altamente heterogênea e sob controle e direção de elites
liberais conservadoras, o MDB tem-se revelado, num passado recente, um conduto
impróprio para expressão dos reais interesses das massas exploradas brasileiras. Está na
memória dos trabalhadores a conduta vacilante de parcelas significativas de seus quadros
quando da votação da emenda Accioly, da lei antigreve e de outras medidas de interesse
dos trabalhadores.
Apegado a uma crítica formalista e juridicista do regime autoritário, o MDB tem-se
revelado impermeável aos temas sociais e políticos que tocam, de fato, nos interesses das
massas trabalhadoras.
Amplos setores das elites políticas e intelectuais das camadas médias da população têm
afirmado que “não soou a hora” de se dividir a oposição articulada no interior do MDB,
afirmando que a democracia não foi ainda conquistada.
Rechaçamos com veemência tal argumento. Primeiro, porque em momento algum podemos
aceitar a subordinação dos interesses políticos e sociais das massas trabalhadoras a uma
direção liberal conservadora, de extração privilegiada economicamente. Segundo, porque
não podemos aceitar que a frente das oposições se mantenha à custa do silêncio político da
massa trabalhadora, único e verdadeiro sujeito e agente de uma democracia efetiva.
Tampouco consideramos que a existência de partidos políticos populares venha a contribuir
para romper uma efetiva frente da luta dos verdadeiros democratas. O PT considera
imprescindível que todos os setores sociais e correntes políticas interessados na luta pela
democratização do país e na luta contra o domínio do capital monopolista unifiquem sua
ação, estabelecendo frentes interpartidárias que objetivem conquistas comuns imediatas e
envolvam não somente uma ação meramente parlamentar, mas uma verdadeira atividade
política que abranja todos os aspectos da vida nacional.
3. O Partido dos Trabalhadores denuncia o modelo econômico vigente, que, tendo
transformado o caráter das empresas estatais, construídas pelas lutas populares, utiliza essas
empresas e os recursos do Estado, em geral, como molas mestras da acumulação capitalista.
O Partido dos Trabalhadores defende a volta das empresas estatais a sua função de
atendimento das necessidades populares e o desligamento das empresas estatais do capital
monopolista.
O Partido dos Trabalhadores entende que a emancipação dos trabalhadores é obra dos
próprios trabalhadores, que sabem que a democracia é participação organizada e consciente
e que, como classe explorada, jamais deverão esperar da atuação das elites privilegiadas a
solução de seus problemas.
O PT entende também que, se o regime autoritário for substituído por uma democracia
formal e parlamentar, fruto de um acordo entre elites dominantes que exclua a participação
organizada do povo (como se deu entre 1945 e 1964), tal regime nascerá débil e
descomprometido com a resolução dos problemas que afligem nosso povo e de pronto será
derrubado e substituído por novas formas autoritárias de dominação – tão comuns na
história brasileira. Por isso, o PT proclama que a única força capaz de ser fiadora de uma
democracia efetivamente estável é a das massas exploradas do campo e das cidades.
O PT entende, por outro lado, que sua existência responde à necessidade que os
trabalhadores sentem de um partido que se construa intimamente ligado com o processo de
organização popular, nos locais de trabalho e de moradia. Nesse sentido, o PT proclama
que sua participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão a seu
objetivo maior, que é estimular e aprofundar a organização das massas exploradas.
O PT não surge para dividir o movimento sindical, muito ao contrário, surge exatamente
para oferecer aos trabalhadores uma expressão política unitária e independente na
sociedade. E é nessa medida que o PT se tornará, inevitavelmente, um instrumento decisivo
para os trabalhadores na luta efetiva pela liberdade sindical.
O PT proclama também que sua luta pela efetiva autonomia e independência sindical,
reivindicação básica dos trabalhadores, é parte integrante da luta pela independência
política desses mesmos trabalhadores. Afirma, outrossim, que buscará apoderar-se do poder
político e implantar o governo dos trabalhadores, baseado nos órgãos de representação
criados pelas próprias massas trabalhadoras com vista a uma primordial democracia direta.
Ao anunciar que seu objetivo é organizar politicamente os trabalhadores urbanos e os
trabalhadores rurais, o PT se declara aberto à participação de todas as camadas assalariadas
do país.
Repudiando toda forma de manipulação política das massas exploradas, incluindo,
sobretudo as manipulações próprias do regime pré-64, o PT recusa-se a aceitar em seu
interior, representantes das classes exploradoras. Vale dizer, o Partido dos Trabalhadores é
um partido sem patrões!
As tentativas de reviver o velho PTB de Vargas, ainda que, hoje, sejam anunciadas “sem
erros do passado” ou “de baixo para cima”, não passam de propostas de arregimentação dos
trabalhadores para defesa de interesses de setores do empresariado nacional. Se o
empresariado nacional quer construir seu próprio partido político, apelando para sua própria
clientela, nada temos a opor, porém denunciamos suas tentativas de iludir os trabalhadores
brasileiros com seus rótulos e apelos demagógicos e de querer transformá-los em massa de
manobra para seus objetivos.
O PT não pretende criar um organismo político qualquer. O Partido dos Trabalhadores
define-se, programaticamente, como um partido que tem como objetivo acabar com a
relação de exploração do homem pelo homem.
O PT define-se também como partido das massas populares, unindo-se ao lado dos
operários, vanguarda de toda a população explorada, todos os outros trabalhadores –
bancários, professores, funcionários públicos, comerciários, bóia-frias, profissionais
liberais, estudantes etc. – que lutam por melhores condições de vida, por efetivas liberdades
democráticas e por participação política.
O PT afirma seu compromisso com a democracia plena, exercida diretamente pelas massas,
pois não há socialismo sem democracia nem democracia sem socialismo.
Um partido que almeja uma sociedade socialista e democrática tem de ser, ele próprio,
democrático nas relações que se estabelecem em seu interior. Assim, o PT se constituirá
respeitando o direito das minorias de expressar seus pontos de vista. Respeitará o direito à
fração e às tendências, ressalvando apenas que as inscrições serão individuais.
Como organização política que visa elevar o grau de mobilização, organização e
consciência de massas, que busca o fortalecimento e a independência política e ideológica
dos setores populares, em especial dos trabalhadores, o PT irá promover amplo debate de
suas teses e propostas de forma a que se integrem nas discussões:
• lideranças populares, mesmo que não pertençam ao partido;
• todos os militantes, trazendo, inclusive, para o interior do debate partidário proposições de
quaisquer setores organizados da sociedade e que se considerem relevantes com base nos
objetivos do PT.
O PT declara-se comprometido e empenhado na tarefa de colocar os interesses populares na
cena política e de superar a atomização e dispersão das correntes classistas e dos
movimentos sociais. Para esse fim, o Partido dos Trabalhadores pretende implantar seus
núcleos de militantes em todos os locais de trabalho, em sindicatos, bairros, municípios e
regiões.
O PT manifesta alto e bom som sua intensa solidariedade com todas as massas oprimidas
do mundo.
A Comissão Nacional Provisória
1º de Maio de 1979"
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
CONFEA : Combate à corrupção na área de engenharia
De 22 a 26 de fevereiro o CONFEA promoverá o 5° Encontro de Lideranças, com a presença de pelo menos seis ministros,e do presidente do STF e o do TCU. Na pauta está prevista a palestra “Combate à corrupção na área de engenharia” – movimento liderado pela Federação Mundial de Organizações de Engenharia (WFEO/FMOI) e que conta com o apoio do Confea. Não poderia haver um momento mais oportuno para essa discussão, dada a retomada do crescimento com muitos projetos de engenharia em marcha, mais a Copa e a Olimpíada, que movimentarão bilhões em investimentos de infra-estrutura.
Lucros de bancos continuam obscenos
Com a menor taxa básica de juros da história, mas mesmo assim descabida frente à inflação, os bancos continuam ganhando muito dinheiro às custas da concentração de renda cobrando juros absurdos nas suas operações e emprestando dinheiro caro e sem risco ao governo. E também metendo pela goela do povão elevadas tarifas por serviços bancários, em troca de atendimento cada vez mais precário. Enquanto no mundo todo o sistema financeiro rala para sair do vermelho, no Brasil a nova temporada de balanços promete resultados incríveis, como o do Itaú Unibanco, que teve crescimento de 29% no lucro líquido em 2009. Os oito principais bancos apresentaram, em média, 24% de crescimento de lucros. O Brasil tornou-se a terra prometida da usura.
Enquanto isso a economia real come o pão que o diabo amassou para escapar à falência e ter uma rentabilidade na ordem de 10%. E o poderoso lobby dos bancos, que patrocina praticamente todos os telejornais da mídia nacional, planta seus "releases" em colunas de economia afirmando que a inflação vai voltar a subir e os juros precisarão ser aumentados para conter o consumo, o que é uma falácia, já que similares baratos podem ser importados a preços de banana para conter os preços internos. Meireles, presidente do sindicato nacional dos bancos, vulgo Banco Central, já anda dizendo que continuará no cargo até o fim do governo Lula, o que representa um enorme alívio à banqueirada.
Lula existe? A direita e a Teoria do Ponto-Morto
Ao ser alçado a dimensões de divindade por tantos prêmios que o reconhecem como estadista mundial, Lula tem encontrado cada vez mais bicos e olhos grandes dos tucanos e da direita em geral negando sua existência política. O olho gordo pode ter provocado o piripaque de pressão alta que Lula teve, ficando impedido de receber o título de Estadista Global. Para a direita, tais honrarias são injustas, descabidas, uma usurpação e roubo ao trabalho brilhante da equipe que o antecedeu, responsável por tudo, segundo eles. Em resposta a essas "falsidades", cada vez mais a mídia planta textos e matérias jornalisticas no sentido de mostrar que o governo de Lula nada mais foi que a continuidade de FHC e que o mundo todo cresceu enquanto o Brasil cresceu, ou seja, apenas surfou numa realidade favorável.
A crer nessas teses, poderíamos fazer uma analogia onde FHC e a economia globalizada e neoliberal fizeram um imenso esforço para colocar o Brasil no topo de uma ladeira e, no momento de descê-la, Lula ocupou o volante e foi descendo na banguela, com a velocidade do crescimento aumentando e sentindo a brisa de todas as benesses que vieram a partir do trabalho dos outros. Ou seja, desde 1° de janeiro de 2003 o Brasil não tem presidente, já que o país é um teleguiado, programado para seguir seu rumo sozinho. Crises se resolvem sozinhas, a partir dos sólidos fundamentos deixados por FHC. Programas sociais e intervenção do estado na economia são parte das aspirações dos liberais que programaram o país para o futuro, só agora revelados.
Prá quê eleger um novo presidente? É só deixar o Brasil seguir seu rumo por inércia, no ponto-morto... Com presidente ou sem ele, o Brasil vai sozinho no rumo ao futuro traçado por FHC... Para eles, a "teoria do ponto-morto" explica como um iletrado, nordestino, migrante da seca, sindicalista, conseguiu chegar a 80% de popularidade com o Brasil num de seus melhores momentos.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Rio : gambiarra carnavalesca na Rio Branco
Quem conhece o Rio sabe que a Av. Rio Branco tem nas suas calçadas um dos trânsitos de pedestres mais intensos da cidade, por ser a principal artéria de comércio e serviços. Na época de carnaval, serve de passarela a desfile de blocos, daí a Prefeitura montar algum tipo de decoração carnavalesca.
A deste ano é sustentada em cabos, apoiados por estruturas metálicas que ficam nas bordas das calçadas, e estaiadas por cabos que devem estar ancorados nos pisos. Essa solução cria um problema de segurança, pois o cabo estaiado fica inclinado, podendo provocar acidentes aos pedestres. Aí alguém teve a brilhante idéia de meter manilhas de 1,5m de diâmetro protegendo as ancoragens, tumultuando o fluxo de pedestres que já têm que se desviar de bancas de jornais, vendedores ambulantes e vários outros obstáculos. Essa gambiarra pode ser maior, se as manilhas servirem de ancoragens, ou seja, se servirem de âncoras ao sistema, o que não deu para ver. Essas fotos foram tiradas às 8:30h, quando a cidade está vazia.
Rio : Maracanã humilha torcedores
A foto ao lado mostra que o torcedor tem que se ajoelhar se quiser comprar ingresso. Isso, claro, depois de passar por um corredor de grades estreito, cercado por cambistas que tentam passar ingressos de estudantes por valores um pouco abaixo dos de valor integral, nas barbas da polícia, guarda municipal, etc.
Se dos cambistas quase nada é exigido para comprar ingressos de "meia", para quem chega com um filho com carteira de estudante e tudo é exigida a apresentação de identidade e que se mostre a cara para verificação ao caixa da bilheteria. Claro, ajoelhado ou na posição que Napoleão perdeu a guerra.
Depois vem a entrada, onde um arrastão de pessoas certamente colocada pelos clubes já pede de cara para ver se o ingresso é de estudante. Depois, vem o "sacode" da polícia, com a obrigatoriedade de levantar a camisa para mostrar que o torcedor não tem arma. Aí é que vem a roleta.
Dentro do estádio, os preços de alimentos e bebidas estão abusivos. Cerveja sem álcool, refrigerante, cachorro-quente, quase tudo está tabelado a R$ 4,00. Copinho de água mineral, R$ 2,00. Isso depois de pagar R$ 40,00 por entrada "inteira" de arquibancada de canto num jogo de meio de semana que nem era clássico (Flamengo x Americano). E ninguém pode levar nada para comer ou beber no estádio, sendo obrigado a pagar esses preços escorchantes.
Rio : banheiros públicos de mentirinha
Está na calçada da Rua Uruguaiana, em frente ao Mercado Popular (Camelódromo), um banheiro público de linhas arrojadas, em aço inox, tendo na face exposta para a rua a propaganda alusiva à campanha Rio 2016, que trouxe as Olimpíadas para a cidade, e, do outro lado, uma porta trancada, com botões de controle já arrancados e superfície depredada por cartazes colados, com os dizeres bem escritos "de fábrica", com a mensagem:
"EQUIPAMENTO AGUARDANDO A INSTALAÇÃO DA REDE DE ÁGUA E ESGOTO"
Em suma: o banheiro é de mentirinha, apenas um caro outdoor, que o pessoal do COI (Comitê Olímpico Internacional) deve ter visto passando de carro pela rua, e deve ter ficado achando que era uma coisa séria.
O amadorismo da prefeitura e do governo estadual vai além, com a provável contratação do ex-primeiro-ministro inglês Tony Blair como consultor para captar investimentos para a olimpíada. Logo de cara o pacífico escritor Paulo Coelho, que junto com Lula, Pelé e algumas outras pessoas de forte imagem externa, jogou pesado no lobby junto aos membros do COI para trazer os jogos para o Rio, pegou pesado contra o governo estadual. Coelho passou a esculachar publicamente a tal "consultoria" criticando Blair como assassino, que enganou os ingleses para mandar tropas ao Iraque a mando de Bush, causando a morte de muitos soldados.
Enquanto a cidade não dispuser de sanitários públicos, gratuitos e permanentes, a ação de "caça aos mijões" da Prefeitura do Rio será mais uma peça de pura demagogia. No centro da cidade as pessoas têm que ir a restaurantes, que também inibem o uso dos seus equipamentos, porque não há opção.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Rio : Vila Olímpica de Vila Isabel abandonada

No Pan-Americano de 2007 diversos investimentos foram feitos pela cidade do Rio de Janeiro a título de incentivar o esporte amador. Entre esses estava a Vila Olímpica de Vila Isabel, do programa Brasil No Esporte de Alto Rendimento, do governo federal, onde teriam sido investidos R$ 4.410.011,38 pelo Ministério das Cidades, via Caixa Econômica Federal. Na época, a prefeitura estava nas mãos de Cesar Maia (DEMO).

O que o matagal existente no local permite ver é uma pequena quadra poliesportiva, cercada por uma pista de atletismo. Muito pouca obra para os mais de R$ 4 milhões que se diz ter gastado ali, e o que tem está se perdendo por falta de manutenção da prefeitura. Até para fotografar fica sinistro, já que o local é dominado por traficantes, usuários e simpatizantes. Entrei rapidinho e saí mais rápido ainda para tirar essas fotos. O que deveria ser um belo lago está tomado por sujeira, e é um enorme foco de mosquitos.

Esse parque é o antigo Jardim Zoológico, aquele criado pelo Barão de Drumond que inventou o jogo do bicho para arrecadar recursos para a sua manutenção. Fica na base do Morro de São João e do Morro do Macaco, áreas tomadas por facções criminosas que em recente conflito
com a polícia derrubaram um helicóptero. Parece que as autoridades têm medo de andar por lá...
Zé Dirceu bota Tasso Jereissati na conta de Ciro Gomes
Não morro de amores pelo Zé Dirceu por uma série de questões, mas ao ver o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, espumando e estrebuchando contra ele, pensei logo: deve ter feito alguma jogada pesada. E fez: na recente visita ao Ceará, Zé Dirceu armou os esquemas eleitorais das coligações, com o apoio do PT à reeleição de Cid Gomes, e o apoio à candidatura do empresário Eunício Oliveira, do PMDB, a uma das vagas do senado. E disse que o PT não lançaria candidato para a segunda vaga ao senado, que hoje está com Tasso Jereissati, amigo, guru, capa-preta e chefe de Ciro Gomes.
Deve ter deixado nas entrelinhas que a "oferta" da vaga para o senado exigiria a contrapartida da desistência da candidatura de Ciro à presidência. Se não fosse assim, Ciro não abriria seu bocão para mandar Zé Dirceu "pastar". Conhecendo a base do PT do Ceará, acho que a proposta do "chefão" Dirceu não deve ter caído bem entre a militância, que odeia Tasso Jereissati por tudo que ele significa na política do estado, e de tudo faria para fazê-lo perder seu mandato de senador. Até lançar o nome do atual ministro da previdência, José Pimentel, para tomar essa vaga. É um nome forte, com potencial, e pode tirar de cena o coronel Tasso depois de 24 anos de usufruto das benesses do poder.
Bolsa Família : Oposição teme a verdade
A nova campanha eleitoral das organizações Globo traz à luz um texto burocrático, uma instrução interna repassada pelo Ministério do Desenvolvimento Social às prefeituras, onde estabelece regras e procedimentos para 2010, e fala o óbvio sobre 2011, ou seja, que quem estiver à frente do Bolsa Família no período determinará as regras. A Globo deu amplos espaços ao desesperado presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e ao filho do Cesar Maia, do DEM, para dizerem que isso é terrorismo eleitoral.
Longe de ser terrorismo, é a verdade. O Bolsa Família é uma ação do governo Lula, bem sucedida, e que certamente será lembrada eleitoralmente, pois melhorou a vida de muita gente e botou crianças na escola. Por ser uma política de um governo, e não de estado, pode ser alterada a qualquer momento, ou mesmo extinta. Faz parte da democracia formal que um governo altere ou elimine medidas administrativas de gestões anteriores e implante as suas, arcando com o preço político por isso.
O que a direita teme é que lhe seja cobrada a coerência com o discurso do estado mínimo, que prevê a redução dos programas sociais para que todo o recurso alavanque a economia do setor privado e a partir da concentração venha a distribuição via "mão invisível" do mercado. Passaram 7 anos chorando a cada ampliação do Bolsa Família, do PROUNI e de um grande elenco de medidas que transferiram recursos governamentais aos mais pobres, e agora querem fazer demagogia, tipo "vamos melhorar o Bolsa Família"? Papo furado: na primeira oportunidade vão acabar com tudo que beneficiou os mais pobres no período Lula, e isso tem que ser dito não num texto burocrático, mas abertamente a todo mundo. Vamos começar por aqui : SERRA VAI ACABAR COM O BOLSA FAMÍLIA!!!! Espalhem.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
SP : Nem Noé resolve ...
Depois de 42 dias de chuva, São Paulo continua sem arca e com o dilúvio implacável afogando e parando tudo. Que pecados teriam cometido os paulistas? Diz a mitologia bíblica do Genesis que Deus, cansado de tanta decadência, teria dito a Noé que inundaria todo o mundo para começar tudo de novo, e lhe deu a missão de fazer uma arca onde colocaria um casal de cada espécie para repovoar a Terra após o dilúvio. E assim teria sido, e após 40 dias de chuvas, o tempo se abriu e em seguida terra firme foi avistada.
No caso de São Paulo, nem um casal de tucanos teve tempo de pegar a arca, que não foi construída porque privatizaram tudo. Kassab cortou gastos com a mão-de-obra da limpeza de tubulações de águas pluviais e córregos. Serra não fez obras de grande porte para inibir os alagamentos. Talvez o pecado dos paulistas que tenha despertado a ira divina tenha sido exatamente o de levar ao poder políticos que fizeram da progressista São Paulo um estado de calamidade pública.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Ciro Gomes : plano "B" da direita para 2010?
Dois dados interessantes da conjuntura: nas últimas pesquisas sobre candidatos à presidência em 2010, a pré-candidata Dilma Roussef, do PT, chega mais perto do pré-candidato José Serra, do PSDB, e isso é uma tendência que aponta para o empate técnico em breve. A outra notícia é a recusa do pré-candidato Ciro Gomes, do PSB, de retirar sua candidatura, apesar dos sucessivos pedidos da base aliada e do Planalto, para forçar a polarização situação x oposição.
José Serra tem uma penca de defeitos políticos, mas não é nem nunca foi burro. Sabe que se houver a polarização e se Dilma encostar mais, ninguém tira dela a eleição. E ele tem pesquisas que mostram sua tranquila reeleição ao governo de São Paulo, que em termos de orçamento e poder é pelo menos 1/3 do governo federal. Disse que confirmará sua candidatura até abril. E se até lá acontecer a aproximação mais forte de Dilma, Serra irá para a derrota certa, ou optará pela reeleição tranquila?
É aí que entra a candidatura de Ciro Gomes, que nasceu politicamente na Arena, foi criado pelo coronelismo feudal cearense e formado pelo neocoronelismo urbano da escola de Tasso Jereissati, de quem é mais que pupilo e amigo pessoal: é aliado político. Com essa trajetória e tendo no currículo um governo no Ceará onde mostrou desprezo pelos pobres e pelos movimentos sociais, está credenciado a aceitar o apoio do DEM, PSDB, PPS e de toda a banda que ficará fora do poder caso Dilma emplaque a eleição.
Ciro é perigoso. Dotado de uma lábia de vender geladeira até no polo norte, de se fazer de santinho em meio a um rosário de pecados políticos cometidos ao longo da carreira, pode encantar no discurso um eleitorado como o de Collor, que o veja como salvador da pátria, e um anti-Lula. Com o apoio da direita, Ciro poderia emplacar. Vamos ver o que vem por aí nos próximos dias.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Fla 5 x 3 Flu : o Cuca é nosso!
Jogo emocionante, mais pela falha dos técnicos que pelas jogadas em si. No primeiro tempo, o Flamengo jogou muito mal armado, e deixou o Fluminense criar chances de gol que só não emplacou no primeiro tempo por ruindade mesmo. Fred não jogou, coisa e tal, e esperar de Conca grandes coisas é querer milagres. Fecharam o 1° tempo em 3x1, com o Flamengo livrando unzinho porque teve um pênalti imbecil sobre Adriano, que bateu e marcou.
No segundo tempo, Andrade deu uma reforçada com Willians e o nosso grande conhecido Cuca, o retranqueiro, tentou administrar a diferença recuando o time. Em vez de sair consagrado do Maracanã com uma goleada esculachante sobre o Mengão, Cuca cometeu o erro de sempre, e acabou vendo uma fila de gols do Flamengo, que desde os 17 do segundo tempo jogava com um a menos. Uma virada histórica, que contou com os talentos de Adriano, Wagner Love e a burrice do Cuca, para a nossa felicidade. E a galera comemora: esse Cuca é nosso!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Flamengo vence mas decepciona
Fui ao Maracanã ver goleada. O Americano, time de Campos, perdeu de 5 para o time do Olaria, por que não tomaria uma saraivada do melhor time do Brasil, com Adriano, Wagner Love, Pet e grande elenco? Encontrei por lá até uns militantes de esquerda que também foram ver o Americano se lascar. E o que vimos foi uma atuação pífia, displicente, desorganizada e medíocre do Flamengo, com alguns lances geniais que valeram o ingresso de R$ 40,00 da arquibancada. Um deles foi o do terceiro gol, numa tabelinha de grandes craques a partir do meio de campo entre Adriano e Wagner Love, concluida com um golaço por este.
Mesmo considerando que o juiz parecia fazer parte do outro time, expulsando sem critério o jogador Leo Moura e tendo dois pesos e duas medidas na marcação de faltas, nada explica, por exemplo, o comportamento e posicionamento de Juan, onde morria boa parte das jogadas por falta de iniciativa do jogador. A defesa, mesmo jogando bem, permitiu o segundo gol numa bobeada geral. E a torcida não merecia passar pelo sufoco do fim do jogo, quando no último minuto o Americano quase empatava o jogo, fazendo um gol anulado por impedimento.
Alguns acharão exagero, afinal, o Mengão ganhou todas as 4 partidas que disputou, e é forte candidato ao título, daí a minha visão parecer perfeccionista. O fato é que em todas as partidas a torcida passou por sofrimento. Hora de rever as táticas, e de observar o técnico Andrade, que até aqui vem dando a sorte de contar com uma equipe de ótimos talentos e que se auto-organiza. Foi um 3 x 2 com gosto de derrota.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Venezuela : turbulência à vista
Aparentemente os distúrbios de rua mostram conflitos entre simpatizantes e opositores de Hugo Chavez por causa do fechamento da principal emissora de TV da oposição na Venezuela. Paralelamente, acontece a licitação para a exploração das reservas de petróleo pesado da Bacia do Orenoco, com potencial para a extração de 1,2 milhões de barris diários, quase a produção brasileira inteira. Com a condução soberana pelo governo Chavez, as empresas terão que se enquadrar em quesitos que não seriam exigíveis caso o governo fosse mais "amigo" das multinacionais. Isso reduz lucros e tira poder dos cartéis. Heresia pura, para eles.
Com bases americanas na Colômbia, 7 mil "marines" no Haiti tomando conta de aeroportos e portos, mais essa licitação que será aberta no dia 28 envolvendo negócios da ordem de 20 bilhões de dólares, o fechamento da TV da oposição pode servir de argumento para "forças democráticas" fazerem uma aventura por lá. Como a direita venceu em Honduras, primeiro com o golpe sobre Zelaya e depois com a eleição de um presidente mais à direita, e depois no Chile, na eleição onde a esquerda se dividiu, a gorilada pode estar se animando, tendo no menu também a Argentina.
Vasco goleia o Botafogo e é favorito...
Com a vitória por 6 x 0 no último domingo, o Vasco tenta recuperar seu lugar de vice-campeão carioca, conquistado pelo alvinegro nos últimos 3 anos. Com o Flamengo partindo para o tetracampeonato do Rio, os dois tradicionais vices estão numa disputa acirrada pela honra do vice-campeonato inédito. O Botafogo não quer deixar barato e aposta na recuperação para sagrar-se tetra-vice.
domingo, 24 de janeiro de 2010
DF : Arruda e a Copa de 2014
Hoje saiu no O GLOBO uma reportagem com novas denúncias envolvendo o governador do DF, Arruda, desta vez com fatos estranhíssimos ocorridos na disputa de Brasília para ser uma das sedes da Copa de 2014. A matéria trata de um contrato sem licitação com uma pequena empresa de eventos, envolvendo pagamentos de R$ 9 milhões, para a promoção do evento do jogo Brasil x Portugal, no fim de 2008.
O governo Arruda é uma árvore de frutas podres esperando pela colheita. No mesmo episódio, uma grana pública do GDF muito maior foi usada para reformar o estádio do Gama, clube de natureza privada, que está na terceirona do campeonato brasileiro, e depois do evento não foi usado para mais nada de importante, e não será utilizado para a Copa, talvez para treinamentos. Essa reforma, orçada em R$ 30 milhões, teve seu valor aumentado por serviços complementares pedidos pelo próprio Arruda.
O Ministério Publico e o Tribunal de Contas do DF deveriam entrar no assunto com lentes mais possantes. A omissão no esclarecimento dos fatos envolvendo dinheiro para a Copa de 2014 pode afastar eventuais interessados em investir no evento.