Mostrando postagens com marcador Siria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Siria. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Diplomacia brasileira : Se correr, o bicho pega...

A mídia decididamente não sabe para que lado tenta empurrar o governo brasileiro. Num dia inflam a opinião de uma ONG que critica o governo brasileiro pelo seu posicionamento em relação ao governo da Síria, insinuando alinhamento com o ditador Bashar al Assad. Noutro, inflam a declaração do governo iraniano sobre o rompimento da linha diplomática que o Brasil tinha em relação ao programa nuclear iraniano. Agora querem que Dilma receba oposicionistas na sua visita em breve a Cuba.

Não há nenhum paradoxo entre as diversas intenções da mídia, pois o objetivo é um só: desgastar o governo independentemente de qualquer decisão que tome. Isso dá voto? Isso derruba governo? A vida tem mostrado que não. Lula apoiou o Irã, não recebeu dissidentes cubanos e foi para a história como o governo de maior aceitação. Dilma vai pelo mesmo caminho, mudando aqui e ali alguma visão sobre política externa. Tomara que continue a tarefa de mandar para o saco essa mídia medíocre de direita. 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Siria : Qual a verdade?

Ontem houve atentados suicidas em Damasco, capital da Síria. Mais de 40 funcionários do governo morreram, e houve muitos feridos. Um fato, duas "verdades": o governo sírio culpa a Al Qaeda: a oposição, o próprio governo, como forma de "provar" que combate gente perigosa associada ao terrorismo internacional. O atentado coincidiu com a chegada de observadores da Liga Árabe ao país, os primeiros depois de muitas negociações para fazer parar a guerra civil que já teria matado, segundo as potências imperialistas, mais de 5 mil pessoas, e segundo outras fontes, cerca de 1500.

Guerra civil? Possivelmente sim. Novamente, duas "verdades": a dos oposicionistas, que dizem tratar-se de massacre de civis desarmados, e, a exemplo da Líbia, atrair a proteção das grandes potências através de intervenção militar, e a do governo, que fala em combates contra grupos armados. A proposta de intervenção seria especialmente atrativa às potências imperialistas, porque lá tem petróleo, porém o momento não é o mais apropriado para países em crise financiarem uma nova guerra. A Líbia nem começou ainda a dar o retorno do capital investido...

A tal comissão de observadores é composta por pessoas indicadas por governos nada democráticos, também preocupados com a possibilidade de rebeliões nos seus quintais. Terá algum compromisso com a verdade, ou agirá politicamente, justificando de alguma forma a repressão do governo? Daí também não saberá a verdade.

Que governos armam para passar suas versões, isso tem vários exemplos históricos. Hitler invadiu a Polônia mandando soldados alemães vestirem fardas polonesas, atravessarem a fronteira e de lá matarem soldados alemães. Os nazistas tocaram fogo no parlamento (Reichstag) para dizerem que aquilo era parte de um complô de comunistas e judeus, e justificar superpoderes para o Füher e baixar a repressão em todo mundo. Aqui mesmo, quantas armações não foram feitas para reprimir os movimentos sociais, manipular eleições, etc? E agora, a orquestração de mídia para esconder fatos e proteger criminosos envolvidos numa quadrilha que roubou o país na privatização? Até bolinha de papel vira pedra, dependendo da careca que atinja...

Na Síria a versão dos opositores é vendida como verdade para todo o mundo pela mídia do petróleo. Fica difícil acreditar que um governo mande indiscriminadamente matar sua população desarmada, quando há outros instrumentos para reprimir manifestações. Cinco mil pessoas então, é um número tão forte que questiono por que não houve mais pressões que as até aqui feitas.

Bashar al Assad é um ditador, igual a tantos outros do Oriente Médio, truculento na repressão. Joga com o fato de que toda urna que se abre nos países que derrubaram ditadores trazem muitos votos para os grupos islâmicos, e se a ditadura síria cair, Israel terá mais um país imprevisível nas sua fronteiras. Isso os submissos norte-americanos não querem. Assad sabe que Obama não irá falar mais em guerra até se reeleger, e tentará segurar a onda de protestos até o fim do ano que vem. Dizer que o atentado foi da Al Qaeda, caracterizando-a como inimiga do seu governo e usando-a como argumento para mais repressão é bastante inteligente. Assad decretou que quem vender armas para terroristas será punido com pena de morte,e o discurso anti-terrorista soa como música nos EUA. É aquela coisa: numa guerra, a primeira a morrer é a verdade.

domingo, 7 de agosto de 2011

Mesma foto, diferentes leituras

Ligue a TV, sem som. Aparece uma imagem de um tanque no meio de uma cidade, atirando contra civis. Escombros. Fumaça. Pessoas mortas. Onde será isso?


Pode ser na Libia. Na Síria. Na faixa de Gaza. É tudo igual: força desproporcional contra civis, precariamente armados ou desarmados. Milhares de mortos em chacinas. Centenas de milhares em campos de refugiados. Por que então as notícias são feitas de formas diferentes?

Na Líbia, é a ditadura de Kadafi garantindo seus interesses. Deve ser derrubado. OTAN nele.
Na Síria é a ditadura de Bashar Assad garantindo seus interesses. Deve ser derrubado. Sanções nele.
Na Faixa de Gaza, é Israel garantindo seus interesses. Estão "lutando pela sua segurança". Azar dos palestinos.

Hipocrisia. Do lado dos mortos, sempre estão os mesmos: pessoas que querem viver melhor, e vão às ruas manifestar descontentamento contra os opressores. O morto palestino não é menos morto que o líbio ou o sírio, mas parece que os quase 4.000 mortos pelas forças de repressão de Israel e os 7 milhões de refugiados não chamam muito a atenção, numa mídia preconceituosa em relação aos árabes e islâmicos, que têm o azar de viverem em cima de grandes reservas de petróleo.

Todos cometem crimes contra os povos. Deveriam ser alvo do Tribunal de Haia por crimes contra a humanidade, a exemplo de Kadafi, rapidamente condenado. Por que Israel tem permissão para matar, sem sofrer sanções? Que isso seja levado em consideração pela ONU em setembro, no reconhecimento do Estado Palestino com as fronteiras de 1967.