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domingo, 26 de janeiro de 2014

Bater na Copa dá mídia. Já nos juros...

Manifestação contra a Copa - 25/01/14 - Brasília Shopping
Pegar carona em manifestações legítimas é mole. Difícil é construir um movimento. Os rolezeiros marcam um evento e vão 6 mil. O #nãovaitercopa marca um evento nacional e comparecem uns gatos pingados em todo o país. No ano passado o Movimento Passe Livre fez um grande trabalho de mobilização contra o aumento das passagens. Os surfistas de lutas alheias embarcaram com seus gatos pingados. A mídia também embarcou e fez campanha "vamos prá rua" buscando dividendos eleitorais, assim como os demais.

Agora começa 2014 com a farsa do "não vai ter Copa". Quem disse? Que legitimidade tem um grupelho de pseudo-anarquistas, neonazistas, coxinhas de direita e trouxinhas de esquerda para afirmar isso? Pior: a argumentação não resiste ao bom senso.

Por que eu deveria ir às ruas para melar a Copa, com praticamente todo o investimento já feito, justo na hora do retorno do capital gasto? Para ter um prejuízo quando poderia tirar lucro apenas para mostrar ao mundo nossos graves problemas sociais? Propaganda cara essa, até porque se há alguma perspectiva de retornar o que foi gasto e sobrar para saúde, educação, habitação, transporte depende do sucesso do empreendimento.

Enquanto se questiona R$ 8 bi gastos com estádios, somados a outro tanto em mobilidade urbana (transportes em geral) e mais outro terço em capacitação de pessoas, suporte ao turismo e segurança, ninguém fala que apenas em 27 dias de 2014 o Brasil já pagou R$ 35 bi de juros aos banqueiros e rentistas, esse segmento que nada produz, apenas ganha sem trabalho

O que são R$ 35 bi? Mais que todo o gasto com a Copa. Mais de 4 vezes o que se gastou em estádios. Mais de 1/3 de toda a verba para a saúde ou para a educação prevista para 2014. Mais de 2 vezes o valor de todos os programas sociais. E o que tivemos de volta? ABSOLUTAMENTE NADA! Da Copa ainda restarão estádios, aeroportos, portos, transportes urbanos, etc. Juros pagos só fazem enriquecer uma minoria.

Sabendo-se disso, cadê os anticapitalistas que não enxergam isso e preferem os espaços midiáticos do enfrentamento nas ruas com a truculência policial? Será porque bater em banqueiro não dá transmissão ao vivo de TV? Nem nunca vai dar, porque a mídia trabalha para eles.

Os movimentos anti-Copa que apelarem à violência ainda deixarão um enorme prejuízo à democracia. Está em andamento no Congresso Nacional um projeto de lei que endurece a repressão contra movimentos sociais. Ninguém quer votar isso, porque é polêmico, mas se houver convulsão por conta de protestos os políticos aprovarão "a pedidos" do povo. E se as coisas continuarem repercutindo mal como os atos de ontem, prejudicarão até os movimentos tradicionais dos trabalhadores.

domingo, 3 de novembro de 2013

Black Bloc : A busca pela origem da violência

Na semana passada o governo federal  chamou secretários de segurança estaduais para propor ações conjuntas contra a violência que vem esvaziando manifestações em algumas cidade, com atos de destruição de patrimônio público e privado, enfrentamentos com a polícia, etc.

Ao mesmo tempo que o governo federal diz não poder deixar de reprimir a violência, quer entender as raízes do  movimento para buscar soluções, segundo Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Presidência da República. Como dialogar com um grupo que não tem cara, não tem propostas e nem interlocutores? A questão parece ser bem mais complexa, e as ações violentas continuam sem que se busque soluções. E dão margem a qualquer grupo marginal se confundir com aqueles que realmente têm algo a protestar e não dialogam com a sociedade.

"“...A linguagem aparente, insisto, aparente, é muito da destruição, da negação. Agora nós precisamos de alguma forma ter alguma ponte. Estamos buscando com muita força esse diálogo para que consigamos achar uma saída eficaz porque a repressão é necessária, mas só reprimindo não vamos resolver na profundidade o problema”, disse.
Carvalho disse que concorda com a afirmação de algumas pessoas sobre a população ter ficado, de certa forma, “refém” do movimento. “O próprio esvaziamento das manifestações mostrou isso. A população começou a recuar frente à violência”, disse. “O que nós queremos é impedir a violência, mas, ao mesmo tempo, ir à raiz do problema para entender essa questão e tomar medidas que resolvam”"... (fonte: Agência Brasil)
De certa forma  a presidente Dilma parece estar chegando perto das origens. Seu repúdio à morte de um jovem negro, via Twitter, pode ter atingido o âmago da questão: a política de gueto que leva pretos e pobres ao desrespeito pelo Estado, em especial pela polícia:
"“Nessa hora de dor, presto minha solidariedade à família e aos amigos. Assim como Douglas, milhares de outros jovens negros da periferia são vitimas cotidianas da violência. A violência contra a periferia é a manifestação mais forte da desigualdade no Brasil”, escreveu a presidenta."
O conceito Black Bloc virou uma espécie de Bombril para todas as finalidades de contestação, inclusive por fascistóides, mas se formos atrás de como apareceram vamos voltar à repressão policial ao Movimento Passe Livre, em junho. Apanharam na terça, e na quinta houve a reação, sem cara, anárquica, porque o alto preço da passagem é mais uma componente que oprime os brasileiros do gueto. E o ódio à repressão policial serviu de combustível para o que veio depois. 
Se Dilma quer saber onde está o núcleo do problema deve seguir seu pensamento e atacar o problema na origem: a periferia não aceita mais passivamente, como os judeus nos guetos do nazismo, ser institucionalmente humilhados. Pouco adianta ter havido um ascenso social, que beneficiou grandes contingentes favelados das grandes cidades, se as pessoas não forem respeitadas como cidadãs. Seu governo tenta reverter 500 anos de desigualdade e violência contra a periferia, e buscar soluções para eliminar o muro invisível entre o asfalto e a favela seria cabível. 
No Rio, em especial, o crime organizado mantinha uma estrutura de confronto com o estado opressor. A polícia era recebida a bala, o crime organizado tinha tentáculos na estrutura policial, judiciária e até no legislativo, e fazia nos territórios ocupados a própria lei, igualmente opressora porém com aspecto de guarda-chuva protetor sobre os mais oprimidos. 
A política de pacificação, objetivando dar segurança ao Rio para grandes eventos como a Copa do Mundo, tirou poder territorial dos criminosos, tentou construir uma nova relação com as comunidades mas ficou no meio do caminho, porque o tratamento de gueto continua. Até as manifestações culturais foram proibidas, como o funk. O gueto já viu isso outras vezes, quando se criminalizou o samba, a capoeira, os cultos afro, etc. 
No Rio as ações anti-Copa parecem dizer que a cidade não pode ser segregada em áreas "dos cidadãos", áreas "pacificadas", áreas "dominadas pelo tráfico" e "áreas da milícia". A cobrança pela verdade no caso Amarildo, que ganhou o país e o mundo, é uma ferida aberta pela qual se enxerga o tratamento absurdo responsável por cerca de 6 mil "amarildos" todos os anos. O governador Sérgio Cabral é visto como o responsável maior por tudo isso, o que pode justificar a força do movimento "Fora Cabral", a ocupação da sua rua, etc. A denúncia da chacina na Favela da Maré, exposta em todos os viadutos da Avenida Brasil, também cobrou providências além da busca dos culpados, mas de respeito às pessoas das comunidades.


Dilma tem que entender esses sinais e atacar o problema de frente. Há uma dívida no campo dos direitos humanos em relação à população da periferia. É preciso rigor contra as torturas, as batidas policiais ilegais, as milícias, e respeitar o direito à organização sócio-cultural nas comunidades. A emancipação da periferia como parte cidadã no tecido social é o preço a pagar para a redução da violência em todos os sentidos. São 513 anos do mesmo, Dilma. A coragem para enfrentar e mudar essa realidade é a chave do sucesso. Não dá mais para fazer de conta que essa dívida não existe. 





segunda-feira, 17 de junho de 2013

Agnello : Demita seu Secretário de Segurança ou assuma a repressão no estádio!

Na sexta-feira o secretário de segurança do Distrito Federal, Sando Avelar, falou que haveria repressão no sábado à manifestação próxima ao estádio Mané Garrincha. Conforme prometido, o pau comeu e 26 pessoas foram feridas por balas de borracha. Não houve pudor em jogar gás lacrimogênio nas filas onde estavam os torcedores.

Tudo poderia ser pior se os manifestantes entrassem no anel interno do estádio, já que nos detetores de metal não se exigia que os ingressos fossem mostrados. Não entraram porque não quiseram.

Agora o secretário vem a público dizer que a ação da polícia foi perfeita, que agiu normalmente para evitar que os manifestantes entrassem no estádio, etc. Sem nenhum pudor quanto aos excessos ou aos feridos. Justificando até manifestante atropelado por um policial de moto como "um acidente".

Por ironia do destino, choveu no final do jogo e faltaram as capas de R$ 300 que o GDF iria comprar para o efetivo. Esse episódio causou a destituição do comandante da PM e não foi devidamente explicado. Agora vem o secretário de segurança e defende a repressão.

Governador, já que sua reeleição está cada vez mais difícil pela inoperância do seu governo, pelo menos não leve para o seu currículo nem para o PT a pecha de repressor igual ao Alckmin.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Mídia Bandida 0024 - Os jornais não vão dizer...

Sobre as manifestações contra o aumento de passagens em São Paulo, a ação truculenta da polícia e a parcialidade da mídia em defesa da repressão contra o direito de expressão:

"Os jornais não vão dizer que foram horas de manifestação pacífica, desde a Paulista até o terminal parque Dom Pedro.

Os jornais não vão dizer que a passeata seguiu o caminho praticamente delimitado pela força policial até ser encurralado em frente ao terminal.

Os jornais não vão dizer que após encurralar uma massa de 20 mil pessoas na frente do terminal, a incompetente força policial do estado de São Paulo atirou bombas de gás lacrimogênio no meio da multidão, gerando correria e colocando a vida de muitas pessoas em sério risco.

Os jornais não vão mostrar que o povo voltou cantando, unido, com apoio popular das janelas dos prédios, aplausos e tudo mais até a praça da Sé.

Eles não vão dizer que ao tentar se reunir novamente na praça da Sé, o povo foi atacado covardemente pela tropa de choque em frente à Catedral sem motivo algum aparente.

Nos jornais não vai aparecer que a partir daí a tropa de Choque realizou uma caça indiscriminada a qualquer transeunte, indo muito além do simples dispersar e controlar.

Nos jornais só vai aparecer que essa caça resultou na prisão de um repórter e de um fotógrafo da grande mídia.

Eles não vão contabilizar os manifestantes feridos, espancados pela polícia, machucados por estilhaços de bomba.

Os jornais só vão mostrar os policiais feridos, como se eles tivessem sido simplesmente atacados.

Esses jornais só vão falar de vandalismo, como se isso resumisse o ato, esquecendo toda a marcha.

Os jornais não vão mostrar que o povo fugiu novamente, agora da Sé, rumo à av. Paulista, já furiosos para serem atacados em frente ao MASP de forma covarde e com armadilhas preparadas nas ruas em volta, de forma que o povo não tivesse para onde fugir sem ser atingido pelos ataques da polícia.

Os jornais não vão dizer que todo o vandalismo se concentrou em bancos e propriedades que representam o Estado.

Eles só vão mostrar uma visão simplista, classificando os atos como puro vandalismo sem propósito, escondendo a real motivação de tanta revolta.

Eles nunca vão falar que se trata de uma juventude cansada da opressão do Estado e da ditadura do sistema financeiro.

Os jornais não vão dizer que a juventude não tem perspectiva de um futuro além de se amassar em caixotes com rodas todas as manhãs indo para um trabalho que não gostam, pagar caro por isso, em troca de um salário que mal paga habitação e alimentação.

Eles nunca vão dizer que a especulação imobiliária afastou o povo trabalhador do grande centro, obrigando a necessidade de horas de deslocamento até os locais de trabalho.

A mídia corporativa já não quer informar, quer manter a ordem do sistema vigente, o tão dito 'status quo'.

Violenta é a mídia que é incapaz de ver o ser humano quando isto não vai ao encontro de seus interesses corporativos.

Violenta é a mídia.
Violento é esse sistema doente."


Occupy Brazil

sábado, 23 de março de 2013

RIO : Selvageria da PM contra índios para a cidade

Hoje a desocupação do antigo prédio do Museu do Ìndio só não terminou em uma tragédia porque os manifestantes sabiam as limitações do ato de resistência e não se dispuseram à imolação. Apenas fizeram o papel de denunciar o quanto de atrocidades o poder público é capaz de fazer em nome de contratos com a FIFA, esse ente que consegue alterar as prioridades de investimento do poder público para fazer um espetáculo onde será a principal beneficiária.

Os índios de diversas etnias ocupam o prédio desde 2006. O principal eixo da luta foi a preservação do prédio, a reativação do museu, a resistência à sanha demolidora que está arrasando o entorno do Maracanã. Atingiu o Estádio Célio de Barros e outras instalações esportivas tradicionais, para as áreas virarem estacionamento. O governo do estado desistiu da demolição e irá fazer do prédio um Museu Olímpico.

Superada a questão da demolição, veio a da ocupação enquanto espaço indígena. Cheguei a ouvir alguém dizer que ali haveria um cemitério indígena, motivação que está presente em diversos movimentos para impedir a construção de prédios, barragens, etc.

A reintegração de posse, determinada pela justiça, deveria ser cumprida hoje. Houve negociações para arranjar áreas para o assentamento dos indígenas, para levar as pessoas a hotéis até a construção do novo espaço, etc. Parte das pessoas saiu pacificamente. De repente, a Polícia Militar invadiu o local, e transformou a Av. Radial Oeste numa praça de guerra, distribuindo gás lacrimogênio, spray de pimenta e bombas de efeito moral à vontade. A imprensa foi surpreendida. Parlamentares e defensores públicos foram atingidos. O trânsito deu um nó, pois essa via é a principal ligação entre o centro e os subúrbios.

O prédio foi desocupado, os pertences dos índios foram para a área escolhida, os militantes foram para casa, não sem antes fazer um novo movimento na Cinelândia, em frente à Câmara Municipal, onde houve nova repressão. Se a denúncia dos métodos do governo Cabral para executar os planos da FIFA a qualquer preço era o objetivo, foi plenamente atingido com a participação selvagem da polícia. No mundo inteiro hoje os noticiários mostram que a Copa de 2014 passa pela violência contra povos indígenas no Brasil, o que é péssimo para a imagem da FIFA e do país. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Pinheirinho e Rita Lee no mesmo saco?

Está muito difícil encobrir a ação truculenta da PM paulista na expulsão de 1700 famílias na área de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP) para devolver um terreno ao mega-especulador Naji Nahas. O caso já foi parar na ONU por abuso aos direitos humanos. Mesmo assim a mídia de oposição tenta minimizar. Hoje a Folha botou em destaque uma pesquisa de aprovação da expulsão dos cracudos em São Paulo, onde 82% aprovariam a repressão policial na região da Luz. Mesmo espalhando os viciados para toda a cidade. Isso alivia a PM.

Ontem, não tendo nada a ver com SP, houve um incidente no que seria o último show da cantora Rita Lee em Aracaju (SE). Tinha na platéia o governador de Sergipe, Marcelo Déda, e a vereadora Heloisa Helena (PSOL) entre outras figuras locais. Rita Lee teria visto policiais agredindo membros de um de seus fã-clubes e passou a hostilizar os policiais, mandando-os "fumar um baseadinho", chamando de "cachorros, filhos da puta" entre outras coisas. A polícia então cercou o palco e, ao final do show, levou a cantora para prestar depoimento numa delegacia por desacato (xingamentos a autoridade) e apologia ou incitação (mandar fumar maconha, que é ilegal). Depois de prestar depoimento, foi liberada. O assunto está entre um dos dez mais no Topic Trendings do Tweeter.

Não será surpresa se a grande mídia juntar uma coisa com outra no mesmo saco. Nivelar a truculência da PM do governo tucano com o episódio de Aracaju, porque lá a polícia é do governo do PT, e com isso tentar livrar a cara de Alckmin. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pinheirinho : Alckmin mostra sua cara sangrenta e cruel

Imaginem se o governador de São Paulo tivesse sido, por uma grande tragédia, eleito presidente do Brasil em 2006, diante das últimas ações truculentas que tem dirigido em São Paulo, desde a fracassada expulsão de sem-tetos na Cracolândia à violenta ação da polícia em São José dos Campos, na questionada desocupação de uma área ocupada chamada Conjunto Pinheirinho. Questionada porque a Justiça Federal não foi obedecida pela justiça estadual, controlada por Alckmin, e resolveu manter a desocupação com violência quando havia outras maneiras de tratar a questão. Alckmin imprimiu ao processo o seu estilo, e o defende nas entrevistas após o desastroso confronto entre polícia e moradores, expulsos como insetos do local.

Não é só a estupidez de um governo que confronta a falta de uma inteligência de seus órgãos de repressão. Em toda ditadura é assim. Qualquer militante mais ou menos informado sabe que São José dos Campos é uma das bases mais poderosas do PSTU, e que sua militância aguerrida estava apoiando os ocupantes, organizando a resistência. A polícia de Alckmin, que só conhece o PT como inimigo, errou ao achar que fariam as atrocidades e depois o governador e o governo federal fariam mais um conchavo PT / PSDB para jogar panos quentes em cima. A justiça paulista bancou a desocupação, a polícia atacou e deu no que deu: vários carros queimados, muita gente ferida, comércio fechado pelos distúrbios, e até a grande mídia, que normalmente faz vistas grossas sobre os erros de São Paulo, acabou noticiando.

O governo federal, que tem como meta derrotar o PSDB nas eleições deste ano, fugiu ao conchavo e o ministro da Justiça se disse surpreso e condenou a crueldade da ação policial. Isso fugiu à ordem. Hoje os conflitos continuaram, e tome mídia expondo Alckmin e sua barbárie. E o PT faturando em cima do trabalho do PSTU. Isso não vai acabar assim. Qual o motivo de tanto sangue derramado? A área do Pinheirinho era da empresa Selecta, que é da massa falida do mega especulador Naji Nahas, que deve estar devendo a gente importante de lá. Tanta desgraça, tanto sofrimento, para atender a interesses de credores da especulação. 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Siria : Qual a verdade?

Ontem houve atentados suicidas em Damasco, capital da Síria. Mais de 40 funcionários do governo morreram, e houve muitos feridos. Um fato, duas "verdades": o governo sírio culpa a Al Qaeda: a oposição, o próprio governo, como forma de "provar" que combate gente perigosa associada ao terrorismo internacional. O atentado coincidiu com a chegada de observadores da Liga Árabe ao país, os primeiros depois de muitas negociações para fazer parar a guerra civil que já teria matado, segundo as potências imperialistas, mais de 5 mil pessoas, e segundo outras fontes, cerca de 1500.

Guerra civil? Possivelmente sim. Novamente, duas "verdades": a dos oposicionistas, que dizem tratar-se de massacre de civis desarmados, e, a exemplo da Líbia, atrair a proteção das grandes potências através de intervenção militar, e a do governo, que fala em combates contra grupos armados. A proposta de intervenção seria especialmente atrativa às potências imperialistas, porque lá tem petróleo, porém o momento não é o mais apropriado para países em crise financiarem uma nova guerra. A Líbia nem começou ainda a dar o retorno do capital investido...

A tal comissão de observadores é composta por pessoas indicadas por governos nada democráticos, também preocupados com a possibilidade de rebeliões nos seus quintais. Terá algum compromisso com a verdade, ou agirá politicamente, justificando de alguma forma a repressão do governo? Daí também não saberá a verdade.

Que governos armam para passar suas versões, isso tem vários exemplos históricos. Hitler invadiu a Polônia mandando soldados alemães vestirem fardas polonesas, atravessarem a fronteira e de lá matarem soldados alemães. Os nazistas tocaram fogo no parlamento (Reichstag) para dizerem que aquilo era parte de um complô de comunistas e judeus, e justificar superpoderes para o Füher e baixar a repressão em todo mundo. Aqui mesmo, quantas armações não foram feitas para reprimir os movimentos sociais, manipular eleições, etc? E agora, a orquestração de mídia para esconder fatos e proteger criminosos envolvidos numa quadrilha que roubou o país na privatização? Até bolinha de papel vira pedra, dependendo da careca que atinja...

Na Síria a versão dos opositores é vendida como verdade para todo o mundo pela mídia do petróleo. Fica difícil acreditar que um governo mande indiscriminadamente matar sua população desarmada, quando há outros instrumentos para reprimir manifestações. Cinco mil pessoas então, é um número tão forte que questiono por que não houve mais pressões que as até aqui feitas.

Bashar al Assad é um ditador, igual a tantos outros do Oriente Médio, truculento na repressão. Joga com o fato de que toda urna que se abre nos países que derrubaram ditadores trazem muitos votos para os grupos islâmicos, e se a ditadura síria cair, Israel terá mais um país imprevisível nas sua fronteiras. Isso os submissos norte-americanos não querem. Assad sabe que Obama não irá falar mais em guerra até se reeleger, e tentará segurar a onda de protestos até o fim do ano que vem. Dizer que o atentado foi da Al Qaeda, caracterizando-a como inimiga do seu governo e usando-a como argumento para mais repressão é bastante inteligente. Assad decretou que quem vender armas para terroristas será punido com pena de morte,e o discurso anti-terrorista soa como música nos EUA. É aquela coisa: numa guerra, a primeira a morrer é a verdade.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Egito : Chegou a hora da verdade

Não adiantou muito a troca de seis por meia-dúzia no Egito : saiu um governo bancado pelos militares, de Mubarak, e entraram os militares sem intermediários. Ou melhor dizendo : com um primeiro-ministro de fachada, a quem caberia organizar um governo de transição para uma nova constituição democrática e eleições gerais. Para os Estados Unidos e Israel foi uma solução razoável, porque mantém os acordos de paz, deixa os partidos islâmicos fora do poder, e ganha-se tempo.

Acabou a lua-de-mel. Explodiu uma nova revolta porque os militares querem ser um poder acima dos demais. Já era assim, só que agora caiu a ficha. A repressão matou somente ontem 33 pessoas, um placar digno de Siria. Os civis do governo entregaram os cargos, em retaliação ao massacre. As eleições parlamentares marcadas para a próxima segunda-feira estão correndo risco de não acontecer. E as de presidente... empurradas para a frente, sem data!

Derrubar Mubarak foi fácil. Era só um anel, e foi entregue para preservar os dedos. Agora o povo egípcio vai bater de frente com o poder armado, com possibilidade de grandes massacres, se um novo acordo político não vier logo, submetendo os militares ao poder civil democrático e com o calendário eleitoral explícito, especialmente para eleições presidenciais. O governo militar já tachou as manifestações populares de "coisa de pistoleiros". O mesmo papo da Síria. A diferença é que no Egito os mortos serão "bandidos", e na Síria, o governo é que não presta. Lá tem petróleo...