Mostrando postagens com marcador cavendish. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cavendish. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de julho de 2013

Rio : Quem paga para Cabral morar no Leblon?

Os protestos de anteontem e as recentes ocupações em frente à casa onde habita o governador Sérgio Cabral por pessoas trazendo pauta difusa de reivindicações não questionou algo que seria básico em tempos de limpar a política: por que o governador não está morando na residência oficial? Seus vizinhos, que se morarem de aluguel na Delfim Moreira devem estar pagando uns R$ 20 mil mensais (por baixo), ou que compraram apartamentos na faixa de dezenas de milhões de reais devem estar incomodados com a turba ruidosa e com o cheiro de gás lacrimogênio que substituem o ruído das ondas e a fragrância da maresia da praia mais famosa do Rio.

Cabral é um exemplo de profissional bem sucedido. Jornalista de profissão, aos 28 anos ingressou na carreira política como deputado estadual. Depois foi senador pelo PSDB e há dois mandatos é governador pelo PMDB. Hoje tem 50 anos e declarou em 2010 ao Supremo Tribunal Eleitoral ter
R$ 843.094,42 de patrimônio, o que normalmente é irreal se considerarmos que tais dados são baseados na declaração de imposto de renda, onde os valores são históricos, bem menores que os reais. Nesse valor não consta o apartamento do Leblon, apenas uma casa de R$ 200 mil num condomínio de luxo em Mangaratiba (RJ). Segundo o jornal da web Brasil 247, estes são os bens declarados de Cabral:

- Citibank R$ 413,69
- Itau R$ 10.421,09
- Itau R$ 6.385,49
- Unibanco Banif Fund R$ 16.752,88
- Dinheiro Em Especie R$ 35.000,00
- Imovel Constituido Pelo Sitio Designado Pelo Nº 1-A, Situado No 10º Distrito Do Município De Mangaratiba, Estado Do Rio De Janeiro, Com Acessões E Benfeitorias R$ 200.000,00
- Toyota Corolla Se 2006 R$ 70.000,00
- Participacao Societaria Na Scf Comunicação E Participações Ltda Cnpj 28772767000143 R$ 90.000,00
- Goldman S Multm Plus 4540 R$ 89.285,26
- Lm Acoes Ibov Star 8569 R$ 48.751,10
- Lm Multirenda 3099056 R$ 88.193,14
- Lm Adv Top 29357 R$ 56.173,65
- Lm Allocation 5 Mult 1563 R$ 68.446,75
- Bnp Prime Di Fi 2460 R$ 63.271,37
- Valor total dos bens declarados: R$ 843.094,42

Com salário de governador inferior a R$ 20 mil, Cabral mal teria dinheiro para pagar o aluguel e o condomínio no Leblon. Como atualmente está divorciado, não conta com a renda da esposa para complementar o pagamento de despesas.

Além de bem sucedido nas finanças, Cabral gosta de andar em companhias também incompatíveis com a sua renda. Há alguns anos estava em Paris, rodeado de amigos ricos, donos da famosa Construtora Delta, posando para fotos com guardanapos de um restaurante chique na cabeça, os mesmos que agora os manifestantes imitam em frente à casa onde mora. Seus laços de amizade ficaram explícitos também quando quase foi vítima de uma tragédia em Porto Seguro, quando ia para a casa do empresário Fernando Cavendish (Delta) e  um helicóptero caiu. Todo mundo viu naquele episódio que a empresa que tinha uma grande carteira de obras com o Estado do Rio de Janeiro conseguia tirar Cabral do conforto de sua casinha no litoral fluminense para se aventurar no meio do mato na Bahia.

No mais, aproveitando a onda de protestos, logo veremos moradores do Leblon fazendo passeata pedindo para Cabral ir para o Palácio Laranjeiras, que é a residência oficial do governador. Ou para qualquer outro lugar, segundo o cardápio de opções que o povo nas ruas lhe oferece. O fato é que tanto seus vizinhos antigos como seus novos vizinhos da rua se esqueceram de fazer um cartaz fundamental, questionando quem paga a conta de Cabral para estar ali.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

CPI do Cachoeira : Pagot é Jefferson II?

No depoimento de ontem do ex-diretor do DNIT, Luiz Pagot, era de impressionar com uma pessoa que parece tão ingênua chegou a um posto-chave num setor visto como o filé mignon para a corrupção. Obras de estradas, pela própria natureza, têm mais incertezas e imprevistos que outras, daí para orçamentos serem díspares e serviços extra-contratuais poderem ser vultosos é uma coisa constante. Bom para fazer dinheiro sumir e reaparecer noutros lugares.

Pagot disse que frequentava eventos sociais com empreiteiros, Cachoeira e Demóstenes, a ponto de levar uma "peitada" de Fernando Cavendish, então presidente da empreiteira Delta, para arranjar obras para a sua empresa. Depois vem dizer que o tesoureiro do PT o procurou para fazer contato com empresas em busca de doações para a campanha de Dilma. Disse que fez o contato, e daí diz não saber mais de nada. Segundo ele, tudo legal. No depoimento, disse que se arrependeu desses contatos, que caracterizaram falta de ética e promiscuidade que beira o peculato. Pagot foi demitido por Dilma em meio a evidências de corrupção. Agora parece querer vingança. A mídia pode fazer dele um novo Roberto Jefferson, dando-lhe os holofotes para aparecer como algoz de Dilma.

Evidentemente, de tudo que disse a mídia só focou na possibilidade de contribuições possivelmente ilegais para a campanha de Dilma à presidência. Desprezaram a parte do depoimento onde Pagot diz que Paulo Preto, um dos arrecadadores da campanha de José Serra à presidência, que na época era o diretor do DERSA (que faz obras viárias no estado de São Paulo), fez um contrato temerário onde houve um acréscimo de R$ 370 milhões irregulares. Paulo Preto ficou conhecido na campanha presidencial passada por ter contatado empreiteiras para pedir dinheiro para Serra e foi acusado pelos próprios tucanos de embolsar parte do dinheiro recebido. A mídia, por razões óbvias, não deu destaque a isso.

Hoje Fernando Cavendish e Paulo Preto vão depor. Ao contrário dos depoimentos anti-governo, onde todo mundo fala e tem apoio de mídia, não se espera muito dos dois. Se Cavendish resolve falar, o escândalo se espalha por vários estados. Se Paulo Preto tiver sido deixado na estrada por Serra, também pode voar penas de tucano. Duvido, mas...