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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

MÍDIA BANDIDA 0069 : Como desanimar um réveillon

O réveillon jornalístico fica mais ou menos assim
Raramente vejo TV, a não ser quando vou a algum lugar onde já esteja ligada. E fim de ano é uma dessas épocas, justo quando muitos contribuem para a que a festa de renovação de alegrias e esperanças, de balanços e promessas, se torne algo massacrante para os espectadores. Ainda mais quando há predisposição midiática  para que seu ano novo seja pior que o anterior, para que o desestímulo reforce o ódio e tire da economia qualquer tesão de investidores ou  consumidores para que o país afunde numa crise com proveitos políticos.

Ontem no jornal das 18h da Globonews as notícias seguiam uma linha de preparação de festas: réveillon no Rio, São Paulo, Florianópolis, etc. Eis que a apresentadora fala que "já está sendo preparada a festa em Brasília para a posse da presidente Dilma e... aí começou a gaguejar, procurar texto no teleprompter, ler o texto no papel e mudou-se de assunto. Vacilada geral ou a posse de Dilma não poderia ser apresentada num bloco de festas? O assunto voltou depois com o anúncio dos novos ministros.

Antigamente as TVs apresentavam a partir de 9 ou 10 da noite as retrospectivas do ano em extinção. Adorava rever as imagens e as notícias até como forma de avaliar a velocidade dos fatos e surpreender-me com coisas tipo "fulano morreu?" ou "isto foi neste ano mesmo, parece que foi há um tempão...". Hoje botam shows que simplesmente ninguém vê, as TVs ficam ligadas passivamente à espera da contagem regressiva para a meia-noite que em geral não tem ênfase e muita gente perde a noção do ano que começou, passando a se orientar pelo barulho dos fogos e pelos animais que enlouquecem na virada do ano com o ruído.

Antes da meia-noite em todos os canais entram repórteres que tiveram o azar de cair naquele plantão ou novatos que aproveitam a oportunidade para aparecer e desfiam rosários de bobagens, clichês e descrição inútil das belas imagens dos fogos. É nessa hora que os trabalhadores dos meios de comunicação em plantão também dão uma relaxada, tomam suas champanhes e se esquecem que tem uma pessoa falando sem parar enchendo a paciência de quem tenha deixado o volume da TV mais alto.

A edição de imagens acaba ficando com o estagiário, que faz de uma balsa pegando fogo algo que justifique suprimir as imagens das festas por todo o país e incentivar comentários tipo "está tudo sob controle porque as equipes são altamente treinadas para lidar com a situação". Nisso a imagem mostra o incêndio e as pessoas de lá paradas como se não tivessem extintores. Depois de alguns minutos apareceu um barco que jogou água e tudo se resolveu. O mundo todo viu essas imagens, em vez de algo mais interessante para descrever a grandiosidade da festa. E ninguém viu o tal especial de 450 anos da cidade do Rio que apareceu minutos antes da virada. A Globo depois botou uma foto de algo tosco que certamente foi regiamente pago pela prefeitura.

Aí vem a sucessão de shows sacais e as imagens de público que não dança, não se mexe, está lá fazendo outra coisa. E tudo isso gasta muito dinheiro do contribuinte. As autoridades entrevistadas dizem que o show será de alto nível e servirá para que as pessoas fiquem mais tempo no evento evitando a saída simultânea e caos na logística. Tudo bem, mas botar gente para dormir com tais espetáculos é de lascar...

Do que vi o melhor foi o show da Ivete Sangalo, depois da 1 da manhã, na virada do fuso horário normal do Nordeste. Também se na Bahia botassem coisa desanimada seria o fim da picada. O resto, mais do mesmo. Não vi imagens de Recife. Até de Natal e os poucos fogos da ponte mostraram.

Por volta de duas e meia o festival de besteiras jornalísticas continuava para deleite dos novatos e até um respeitável apresentador de telejornal mostrou ter passado da convencional taça de champanhe e parecia animado demais.

Já nas mídias sociais uma espiral de votos de "Feliz Ano Novo" entupia os canos da internet. Um manda para suas centenas de amigos uma mensagem geral, que cada um seria obrigado, a bem da educação, a retribuir, mas também já mandou a todos, inclusive aos que simultaneamente mandaram. Se todos mandassem e todos agradecessem não haveria banda larga que aguentasse.

Lá pelas duas da manhã também começam a aparecer selfies tirados com celulares com problemas, mostrando gente torta, com olhos vermelhos e bem fechadinhos em caras inchadas e descabeladas. E tome foto de taça, de fogos desfocados, etc. As tecnologias ainda têm muito que evoluir, especialmente reconhecendo e alterando caras e atitudes de gente mamada.

Conheço gente que dorme normalmente no dia da virada do ano como se fosse qualquer outro dia. Será que ganham ou perdem com isso?

Vamos aguardar as oferendas da mídia daqui a pouco, na posse de Dilma. Os batalhões de "analistas" criticando e urubuzando o governo, botando defeito até na calibragem do pneu do Rolls Royce oficial...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

RIO: Um dia de Copa do Mundo na Zona Sul

Metrô General Osório
Hoje foi um dia atípico na Copa do Mundo 2014 porque não houve jogos. Torcedores devem estar se deslocando entre os estádios e talvez por isso tenha sido um pouco frustrante não encontrá-los na orla mais famosa do Rio : Ipanema e Copacabana.

Elevador para o Pavão / Pavãozinho
Comecei o dia indo de metrô até a estação Praça General Osório, em Ipanema, fim de linha. Aproveitei para caminhar por dentro da estação até o Complexo Rubem Paiva, onde existe o elevador panorâmico na esquina das ruas Barão da Torre e Teixeira de Melo que leva até a comunidade do morro Pavão/Pavãozinho, que divide Copacabana de Ipanema. Chegando ao topo sobe-se mais 3 vãos de escadas para alcançar o Mirante da Paz, de onde se tem uma boa visão panorâmica de Ipanema. Se ao sair do elevador se optar por seguir a passarela até a comunidade será possível ver grandes painéis do Museu das Favelas com personagens antigos do morro narrando suas histórias de vida no local. E chegar à comunidade propriamente dita, onde não se vê turistas em suas escadarias pelas vielas estreitas de casas sem reboco nem telhados.
Comunidade Pavão / Pavãozinho

Praia de Ipanema vista do Mirante da Paz
Seguimos até a praia e com poucos metros andados no calçadão rumo à Pedra do Arpoador, bem ao meu lado, um rapaz roubou o cordão de um estrangeiro e saiu correndo em meio aos carros rumo ao Pavão/Pavãozinho. O local do furto foi bem escolhido, porque mesmo com patrulhas paradas em alguns pontos da praia, naquele local não havia nenhuma segurança ostensiva.

Museu das Favelas - banner
Ipanema vista do Mirante da Paz
Poucas pessoas na praia, misturando-se estrangeiros e brasileiros, apesar do belo dia de sol e dos 30 graus mostrados nos termômetros. Passamos por dentro do parque que liga o Arpoador à rua Francisco Behring e já alerta pelo furto testemunhado, ficamos preocupados com a presença de grupos de homens desocupados que observavam atentamente os passantes. Na porta do parque encontramos um policial militar num triciclo e relatamos o furto. Ele disse que naquela rua e no próprio parque já se havia registrado vários assaltos.
Praia de Ipanema

Protesto em placa na praia de Ipanema
Estúdio da Globo em Copacabana
Escultura em areia - Copacabana
Caminhando pela Francisco Behring encontramos no Posto 6 uma imensa estrutura sobre a Av. Atlântica, próxima ao Forte de Copacabana, como se fosse uma ponte. Era um centro de mídia, e da rua se podia ver salas e mesas com a vista para a praia para uso por emissoras de TV. Na praia havia um quiosque que servia de estúdio para a Globo onde estrangeiros gravavam um programa tendo como fundo a paisagem da praia

Artesanato indígena - Copacabana
Vários artistas populares buscavam ganhar uns trocados batendo fotos para os turistas em frente às suas esculturas de areia. Índios expunham seus artesanatos bastante curiosos para os estrangeiros. Os quiosques até que não tinham preços tão surreais, sendo possível comer no Habibs com preços de qualquer loja, coco a R$ 5, Skol litro a R$ 7 e tira-gostos mais salgados, na faixa dos R$ 30. Caros estavam os sorvetes, na faixa de R$ 5 o picolé de frutas da Kibon. Havia espaços de sobra para comer ou beber nos quiosques em mesinhas sobre decks à sombra, onde havia turistas australianos, uruguaios e alguns poucos brasileiros.
Praia de Copacabana


Na orla de Copacabana o policiamento estava mais ostensivo. Caminhamos até próximo à R Santa Clara, onde paramos para ver o espaço do FIFA Fun Fest, um cercado de grades na areia com palco e telão onde o cartaz dizia ser de 20 mil pessoas a capacidade máxima. Ao lado um grande galpão de lona abrigava uma enorme loja da FIFA com todas as quinquilharias referentes à Copa.
Copacabana junto ao Fifa Fun Fest

Nessa região já encontramos maior concentração de turistas, em especial colombianos, uruguaios e argentinos. Na praia junto à cerca do FIFA Fun Fest não conseguimos diferenciar se as pessoas dormindo seriam moradores de rua ou turistas. Há banheiros químicos na área.

Shopping de produtos FIFA
Loja da Fifa - Copacabana
O posto de informações turísticas estava muito concorrido. Jovens conversando em inglês e espanhol com os turistas apresentavam as atrações óbvias, como o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. Farto material com atrações e mapas. Ponto muito positivo.

Não poderia ser diferente. O Rio tem estrutura para eventos superiores à Copa, como mostrou no ano passado com a Jornada Mundial da Juventude e quase 2 milhões de visitantes. No Carnaval certamente há mais estrangeiros que agora. No Réveillon a praia de Copacabana recebe milhões de pessoas. Que venham as Olimpíadas!