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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Olimpíada 2016 : O despertar dos "silvas"?

"Silva" é o sobrenome mais comum no Brasil. Foi dado a milhares de escravos ao longo de séculos e usado pejorativamente pelas elites para caracterizar o povão, a massa, a pobreza. A escrava alforriada Chica da Silva atraiu para si o ódio da elite branca por ter ascendido socialmente no Brasil colonial. Lula da Silva também. Não por ser Silva, mas por ser um pobre fadado à exclusão que venceu na vida e criou oportunidades para a ascensão de outros tantos "Silvas". Isso foi demais para a nossa elite 

Camisa do jovem Bernardo que trocou Neymar por Marta
considerando que ela mostrou fez o que a torcida esperava.
A desconstrução de Lula da Silva há mais de 30 anos contemplada pelas mais de 40 capas da Veja tem a ver com esse preconceito ancestral. Seu destino estava traçado desde o berço: ser um ninguém, mais um nordestino pobre que nasceria e morreria analfabeto pelas doenças da miséria e da seca. Eis que superou tudo  e se tornou um exemplo para tantos outros "Silvas", que fizeram uso das oportunidades, cresceram socialmente e hoje ameaçam os segmentos mais vulneráveis da classe média tradicionalmente escravagista: os "coxinhas". 

Ao Lula da Silva couberam as pechas que os "do andar de cima" atribuem aos "sem pedigree": vagabundo, ladrão, cachaceiro, oportunista, mentiroso, bandido. Toda sorte de preconceitos também foi lançada sobre outra "Silva", a Marina, que ascendeu na defesa do meio-ambiente contra os interesses dos poderosos herdeiros do saque de tempos coloniais do pau-brasil. 

Desde a eleição de Lula a elite secular tenta devolver "os silvas" ao "seu lugar": a ponta do chicote, o tronco, a senzala. Farsas como o Mensalão e agora a Lava Jato amplificadas pelas mídias metralharam Lula e todos os que se colocaram como destoantes da imperial minoria plutocrata. E incutiram nas massas populares a pior auto-estima de todos os tempos. No massacre ideológico nada do Brasil presta, o povo não presta, nossos símbolos não prestam, somos os párias do mundo. A Copa e a Olimpíada tinham que ser monumentos ao fracasso. A Petrobrás tinha que ser a escória, o ninho de ratos para ser desmantelada. O Brasil tinha que voltar a ser quintal dos EUA, o povo eleito do deus do mercado. 
Particularmente suspeito de um movimento manipulatório que nos fez de cobaias da disputa geopolítica mundial. O estímulo fascista ao ódio vem de longe, do Mensalão, passando pela campanha do Serra em 2010, pelos movimentos de 2013 "contra a corrupção e pelo meu Brasil" que levou a classe média às ruas "sem partido"  que descambaram para as demonstrações coxinhas e sumiram após a queda de Dilma e o massacre de Lula. O povão ficou dominado como nos tempos da escravidão, porém sem os açoites: internalizaram o sentimento de vira-latas e as pessoas se excluiram do seu direito de lutar pelos seus interesses. Como se explica o massacre que já começou em 3 meses do golpe e promete ser pior depois da queda definitiva de Dilma sem reação? Não é a repressão explícita que mantém o brasileiro inerte, hipnotizado, mas todo esse trabalho de abdução de suas mentes e forças. 

Eis que chegamos à Olimpíada, ainda sob efeitos do suspeitíssimo 7 x 1 que tomamos da Alemanha em 2014. Naquele momento o Brasil deveria ser humilhado naquilo que era mais sagrado, seu futebol pentacampeão, o último bastião do orgulho nacional. Em seguida as camisas verde-amarelas da CBF passaram a ser símbolo do movimento dos ricos contra os avanços sociais e pelo golpe. Assim como os militares tornaram quase exclusivos os símbolos nacionais na ditadura, agora a elite tomou para si o auriverde pendão em contraposição ao "vermelho na bandeira" atribuído a Lula da Silva. 

Todo o cenário se repetiu. Vergonha das nossas tomadas, de design mais avançado no mundo, porque os gringos teriam que comprar adaptadores. Vergonha dos australianos que encontraram os apartamentos da Vila Olímpica suja. Vergonha dos preços cobrados pela ganância de uns poucos explorando os gringos (mas quando nos exploram ninguém reclama). Vergonha de um evento trazido por Lula para um país de terceiro mundo, como no caso do "padrão Fifa" da Copa. Enfim, toda a viralatice aflorou num derradeiro esforço de "merdificar" o brasileiro para que não levante a cabeça diante da dominação em curso. 

Eis que nossa seleção masculina de futebol, capitaneada pelo talentoso Neymar, fez um papelão que indignou os brasileiros. A equipe mostrou tudo de vicioso que as pessoas repudiam: falta de garra, falta de amor à camisa, apego às benesses do dinheiro, pouco caso com a defesa da "pátria de chuteiras". Eis que outra Silva, a Marta, mostrou exatamente o contrário num time que não tem os mesmos recursos ou reconhecimento, mas que momentaneamente elevou o gênero feminino acima do masculino capitaneando um time de força, garra, coragem, superação. Marta era o Silva pobre que mostrou a força do povo! Neymar foi execrado como um Silva que ascendeu e passou para o lado da elite plutocrática que  o tolera apenas porque tem dinheiro, 

Rafaela Silva, nosso primeiro ouro olímpico no judô.
Oriunda da Cidade de Deus, superou tudo para vencer.
Depois de Marta vieram Rafaela, Rafael, Mayra e Thiago, todos Silvas como a imensa maioria, mostrando valor em condições adversas. Os aplausos e a euforia que hoje vemos com a vitória de Thiago são a válvula de escape dessa auto-repressão. Quem está salvando a pátria mais uma vez são os representantes do povo que tiveram todo o apoio do governo dos Silvas. É uma contradição profunda esse amor repentino ao povo que alguns odeiam. E um promissora identificação do brasileiro povão com os seus iguais. A viralatice começa a rachar e daí tudo pode mudar. 

Thiago Brás da Silva, campeão olímpico que mostrou
ousadia e superação com um novo recorde
A reação ao francês do salto com vara que teve a audácia de se comparar ao campeão olímpico Jesse Owens é sintoma de retomada do orgulho. A torcida o vaiou no momento de concentração, mesmo com o sistema de som pedindo silêncio, mas se fracassou por falta de preparo psicológico o que se dirá de um garoto de 22 anos, um Silva, que era o Brasil com uma lança na mão mandando subir o bastão para uma altura maior que a do recorde do gringo e superando-a? Thiago Brás Silva venceu em tudo. Ele é o nosso Jesse Owens, aquele que na Olimpíada de Berlim em 1936 afrontou os nazistas alemãs em sua festa pomposa enquanto negro que derrotou a ideologia da "raça superior" ariana perante o mundo. 

O pós-Olimpíada promete muita repressão, aprofundando
o ataque às liberdades democráticas. 
Se o brasileiro voltar a gostar do seu país a partir dos resultados olímpicos a plutocracia correrá o risco de ser surpreendida por um levante popular ao roubar direitos como prometem após a consolidação de Temer. Se essa massa despertar da letargia zumbi a que foi levada e perceber que tem força para exigir um país melhor teremos uma imensa crise na consolidação de um novo regime ditatorial da minoria rica contra a imensa maioria dos "silvas". Em 1945 houve esse "cair de ficha" quando nossas tropas de pracinhas venceram o fascismo em solo europeu e tínhamos o fascismo no governo Vargas, derrubado em seguida. 

Isso não estava no script. Nem críticas ao Biscoito Globo dos cariocas passam sem resposta. Por que então não defender o pré-sal, a Petrobrás e o patrimônio do povo do saque por essa quadrilha que se apossou do poder e fez todo mundo crer que ladrões são os golpeados?  Por que não acordar do pesadelo que a elite e os gringos do capital estão criando? Já sumiram com o sobrenome Silva do Thiago. O que farão para conter a euforia do povão com os seus "Silvas"? Tudo é possível...



sexta-feira, 27 de junho de 2014

RIO: Um dia de Copa do Mundo na Zona Sul

Metrô General Osório
Hoje foi um dia atípico na Copa do Mundo 2014 porque não houve jogos. Torcedores devem estar se deslocando entre os estádios e talvez por isso tenha sido um pouco frustrante não encontrá-los na orla mais famosa do Rio : Ipanema e Copacabana.

Elevador para o Pavão / Pavãozinho
Comecei o dia indo de metrô até a estação Praça General Osório, em Ipanema, fim de linha. Aproveitei para caminhar por dentro da estação até o Complexo Rubem Paiva, onde existe o elevador panorâmico na esquina das ruas Barão da Torre e Teixeira de Melo que leva até a comunidade do morro Pavão/Pavãozinho, que divide Copacabana de Ipanema. Chegando ao topo sobe-se mais 3 vãos de escadas para alcançar o Mirante da Paz, de onde se tem uma boa visão panorâmica de Ipanema. Se ao sair do elevador se optar por seguir a passarela até a comunidade será possível ver grandes painéis do Museu das Favelas com personagens antigos do morro narrando suas histórias de vida no local. E chegar à comunidade propriamente dita, onde não se vê turistas em suas escadarias pelas vielas estreitas de casas sem reboco nem telhados.
Comunidade Pavão / Pavãozinho

Praia de Ipanema vista do Mirante da Paz
Seguimos até a praia e com poucos metros andados no calçadão rumo à Pedra do Arpoador, bem ao meu lado, um rapaz roubou o cordão de um estrangeiro e saiu correndo em meio aos carros rumo ao Pavão/Pavãozinho. O local do furto foi bem escolhido, porque mesmo com patrulhas paradas em alguns pontos da praia, naquele local não havia nenhuma segurança ostensiva.

Museu das Favelas - banner
Ipanema vista do Mirante da Paz
Poucas pessoas na praia, misturando-se estrangeiros e brasileiros, apesar do belo dia de sol e dos 30 graus mostrados nos termômetros. Passamos por dentro do parque que liga o Arpoador à rua Francisco Behring e já alerta pelo furto testemunhado, ficamos preocupados com a presença de grupos de homens desocupados que observavam atentamente os passantes. Na porta do parque encontramos um policial militar num triciclo e relatamos o furto. Ele disse que naquela rua e no próprio parque já se havia registrado vários assaltos.
Praia de Ipanema

Protesto em placa na praia de Ipanema
Estúdio da Globo em Copacabana
Escultura em areia - Copacabana
Caminhando pela Francisco Behring encontramos no Posto 6 uma imensa estrutura sobre a Av. Atlântica, próxima ao Forte de Copacabana, como se fosse uma ponte. Era um centro de mídia, e da rua se podia ver salas e mesas com a vista para a praia para uso por emissoras de TV. Na praia havia um quiosque que servia de estúdio para a Globo onde estrangeiros gravavam um programa tendo como fundo a paisagem da praia

Artesanato indígena - Copacabana
Vários artistas populares buscavam ganhar uns trocados batendo fotos para os turistas em frente às suas esculturas de areia. Índios expunham seus artesanatos bastante curiosos para os estrangeiros. Os quiosques até que não tinham preços tão surreais, sendo possível comer no Habibs com preços de qualquer loja, coco a R$ 5, Skol litro a R$ 7 e tira-gostos mais salgados, na faixa dos R$ 30. Caros estavam os sorvetes, na faixa de R$ 5 o picolé de frutas da Kibon. Havia espaços de sobra para comer ou beber nos quiosques em mesinhas sobre decks à sombra, onde havia turistas australianos, uruguaios e alguns poucos brasileiros.
Praia de Copacabana


Na orla de Copacabana o policiamento estava mais ostensivo. Caminhamos até próximo à R Santa Clara, onde paramos para ver o espaço do FIFA Fun Fest, um cercado de grades na areia com palco e telão onde o cartaz dizia ser de 20 mil pessoas a capacidade máxima. Ao lado um grande galpão de lona abrigava uma enorme loja da FIFA com todas as quinquilharias referentes à Copa.
Copacabana junto ao Fifa Fun Fest

Nessa região já encontramos maior concentração de turistas, em especial colombianos, uruguaios e argentinos. Na praia junto à cerca do FIFA Fun Fest não conseguimos diferenciar se as pessoas dormindo seriam moradores de rua ou turistas. Há banheiros químicos na área.

Shopping de produtos FIFA
Loja da Fifa - Copacabana
O posto de informações turísticas estava muito concorrido. Jovens conversando em inglês e espanhol com os turistas apresentavam as atrações óbvias, como o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. Farto material com atrações e mapas. Ponto muito positivo.

Não poderia ser diferente. O Rio tem estrutura para eventos superiores à Copa, como mostrou no ano passado com a Jornada Mundial da Juventude e quase 2 milhões de visitantes. No Carnaval certamente há mais estrangeiros que agora. No Réveillon a praia de Copacabana recebe milhões de pessoas. Que venham as Olimpíadas!





quinta-feira, 12 de junho de 2014

FANOAPÁ 0070 - Começou a sabotagem explícita do PSDB & CIA à Copa

Sindicato da Força Sindical contra a "Copa do Tatu Derrado"
Em entrevista ao jornal virtual Brasil 247 o deputado federal Paulo Pereira dos Santos prometeu uma enxurrada de greves até a Copa. Até houve greves e manifestações lideradas por diversos partidos, mas a onda parecia ter parado diante da avaliação de ser negativa a repercussão diante da vontade popular de ver e participar dos eventos.

Surpreendentemente, em cima da hora chega a notícia de uma paralisação de aeroviários no Rio de Janeiro a partir das zero horas de hoje. Sem os trâmites legais como assembléia, aviso em jornais, etc. Em uma categoria onde o sindicato nacional fechou acordo com os patrões em 03/06/14 mediante aprovação em assembléias. Uma greve restrita ao pessoal que trabalha em terra nos aeroportos do Galeão, Santos Dumont e Jacarepaguá, ou seja, grande potencial de bloquear o tráfego aéreo com repercussões na malha de todo o país.

O Sindicato Nacional dos Aeroviários, em seu site na internet, informa que não convocou nenhuma greve para a Copa:

SNA não convocou greve durante a Copa

images
SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários) informa que não está convocando greve para o dia 12 de junho, no Rio de Janeiro. Essa entidade já fechou acordo com as empresas aéreas no último dia 3, referente a Campanha Salarial 2013/2014. A assinatura de atualização da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) ocorreu após a categoria aceitar a proposta apresentada pela empresa, durante assembleias realizadas por essa entidade.
O acordo fechado entre empresas e trabalhadores garantiu a extensão da licença maternidade de quatro para seis meses. O reajuste nos pisos foi de 7%. Nas demais cláusulas econômicas, como salários, vale refeição e vale alimentação, a reposição foi feita de acordo com o INPC (Índice Nacional de Preço do Consumidor), de 5,6%.
A direção do SNA informa que não é oportunista e acata a decisão do trabalhador. Porém, algumas bases desse Sindicato, onde houve a tentativa de criação de novos sindicatos, estão convocando paralisação, na tentativa de confundir a categoria e a opinião pública. A direção dessa entidade já passou essas informações tanto para o MPT (Ministério Público do Trabalho) como para o SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas).

O direito de greve é sagrado. Nefasto é o poder de usar os trabalhadores para fins eleitorais. Paulinho da Força controla a Força Sindical, à qual o Sindicato dos Aeroviários do Município do Rio de Janeiro é filiado. Paulinho, presidente do Partido Solidariedade (SDD) apóia publicamente o candidato do PSDB Aécio Neves e hostiliza a presidente Dilma Roussef, como ficou explícito nas comemorações do 1o de maio em São Paulo.

Sob a fachada de promover melhorias para uma categoria em greve "rebelde" ou contar com o "efeito-gari", já que existe um acordo homologado pela categoria, a real intenção parece ser a de inviabilizar a Copa. O PSDB já foi à justiça para permitir que se entre com cartazes e faixas políticas nos estádios, incitando a violência nas torcidas. Também tentou censurar a Presidente Dilma pedindo ao TSE punição para o seu discurso em rede de rádio e TV de esclarecimentos e promoção da Copa. Vão botar nos estádios claques para vaiar e xingar a presidente. Pensam que impedir a Copa trará votos a Aécio. Essa sabotagem pode lhes custar caro.

Apesar de dizer que 80% dos trabalhadores trabalharão normalmente, manifestantes  agora pela manhã estão obstruindo os acessos aos aeroportos no Rio. Pelo visto o objetivo maior é criar problemas à Copa, mas a hora do "#naovaitercopa" já passou. Agora o que vier é sabotagem, terrorismo e politicagem. Um típico caso da FANOAPÁ - Falta de Noção que Assola o País. 

sábado, 8 de março de 2014

MÍDIA BANDIDA 0050 : Sumindo com a greve dos garis do Rio

Greve continua. Prefeito, sindicato e mídia negam. 
Ontem o que se via na Globo sobre a greve dos garis no Rio era o esforço da Comlurb para eliminar o lixo acumulado, com garis trabalhando com escolta policial e privada para "protegê-los" dos descontentes. Nada sobre a manifestação de 500 garis que parou várias ruas no centro do Rio e fez manifestações. E nada sobre o desaparecimento dos garis de boa parte da cidade. No meu bairro sumiram. O que estão fazendo é livrar praças e áreas de maior acúmulo das pilhas de lixo, mas nas ruas menores continua o problema. O mau cheiro se espalha. Ratos e baratas fazem a festa. Crise sanitária iminente, mas isso não sai na mídia.

Hoje os jornais trazem uma nova versão do prefeito para a greve que "não existe": trata-se de um complô do cartel privado de coleta de lixo para privatizar a Comlurb! Mais uma acusação aos explorados garis. Nem o Boris Casoy seria tão perverso! Enquanto isso o Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação, filiado à União Geral dos Trabalhadores, lava suas mãos e continua deixando os trabalhadores em luta entregues à sorte por desafiarem sua autoridade como "fornecedores de escravos", aqueles que entregam à prefeitura a preços vis seres humanos para exploração a preços impostos pelo empregador. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cinegrafista morto no Rio : Muitas coisas estranhas no rastro das investigações

Muito estranho esse caso do cinegrafista morto. O acusado confesso não tem a estatura nem cor de pele parecida com a pessoa que jogou o rojão. Com milhares de advogados no Rio eles tinham que escolher logo o que defendeu milicianos como Gerominho, que foi parar na cadeia por causa da CPI da Milícia liderada  pelo deputado estadual Marcelo Freixo, hoje presidente  da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.

Aí aparece essa personagem Sininho que nega ter dito que o Fábio (o coautor) era ligado a Marcelo Freixo. Agora o advogado dos acusados vem dizer que houve uma "mesada" para quem quisesse fazer baderna", vinda de partidos políticos. Só quero ver no que vai dar essa armação. Quem orquestrava a baderna? Que era coisa organizada, parecendo uma milícia, isso parecia. http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2013/06/ministerio-publico-precisa-investigar.html

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FANOAPÁ 0058 : SBT prega linchamento de pobre e alivia riquinho infrator



 Video "Sherazade frente e verso - Youtube - http://www.youtube.com/watch?v=582WLQ99fN8


Ou a apresentadora do Jornal do SBT é ótima atriz e finge emoções nos textos que lhe mandam ler, ou concorda com o que diz e assume cada palavra do fascismo jornalístico da empresa. A última novidade foi a escancarada apologia ao linchamento de um jovem negro, pobre, no Rio de Janeiro, que foi espancado e deixado nu preso a um poste por um cadeado de bicicleta. A emissora não só aplaudiu o ato como estimulou, nas palavras de Rachel Sherazade:
Fonte : Perfil FALANDO VERDADES 2 - Facebook
 “A atitude dos vingadores é até compreensível,o Estado é omisso,a polícia é desmoralizada
a justiça é falha, o que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado.”
Quando o infrator era o popstar canadense Justin Bieber, a postura foi outra, após o jovem fazer orgia com prostitutas em hotel, pichar muro, cuspir em fãs, usar drogas e largar o show na metade: 

 " Os médicos dizem que é normal, é a síndrome da adolescência(...) é fase de turbulência,hormônios em ebulição,conflitos, agressividade, é a busca da própria identidade."
Essa apologia é crime, e o SBT pode até ter sua concessão cassada por desvirtuamento dos propósitos legais. Para proteger os cidadãos dos abusos do imenso poder do concessionário, a Constituição Federal diz no seu artigo 221: 

Art. 221 - A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
O PSOL vai acionar a emissora com base no item IV. Nada a ver com liberdade de expressão, que encontra limite na incitação ao crime, ao desrespeito aos direitos humanos, à "justiça" com as próprias mãos. 


Isso já não é nem mais a endêmica Fanoapá - Falta de Noção que Assola o País. É crime mesmo, e exige punição para que se pare de pregar a violência como "solução" para um país extremamente injusto pelas diferenças sociais. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Farra Aérea : Um DARF para Aécio, por favor!

Deputados e senadores fazem jus ao ressarcimento de passagens aéreas para seu uso pessoal no deslocamento entre as capitais dos estados que representam e Brasília, onde fica o Congresso. Nada mais justo, afinal, o cidadão não pode arcar com despesas dessa magnitude rotineiramente para trabalhar. Essa é a regra em todo parlamento do mundo. E para isso existem regras, como o ATO DO 1º SECRETÁRIO Nº 10, de 2011, do Senado Federal, que diz:

"Art. 2º O valor mensal da CEAPS corresponderá ao somatório do valor mensal da verba indenizatória pelo exercício da atividade parlamentar e do valor mensal da verba de transporte aéreo dos Senadores, sendo:

II - O valor da verba de transporte aéreo dos Senadores corresponde a 5 (cinco) trechos aéreos, ida e volta, da capital do Estado de origem a Brasília, conforme Tabela IATA de tarifa governamental.


Assim sendo, o senador José Sarney faz jus ao reembolso no valor de 5 passagens de Brasília a Macapá, capital do Amapá, estado que representa no Senado. Se escolher ir para São Luiz, onde efetivamente mora, poderá pedir o ressarcimento sem problemas porque custa menos que o valor limite da IATA para passagens governamentais.

Já no caso do senador Aécio Neves, que segundo o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO pediu ressarcimento de 52 das 83 passagens aéreas usadas no seu mandato com destino Rio de Janeiro, o valor é maior que o da regra, ou seja, caberia ao burocrata responsável pelo pagamento glosar a diferença entre os trechos Brasília/ Rio / Brasília e Brasília/ Belo Horizonte Brasília para não pagar acima da regra. Pela matéria "Senador usa mais verba para ir ao Rio que a BH" do Estadão, Aécio Neves efetivamente recebeu os valores das passagens ao Rio:

"... Representante de Minas, o senador Aécio Neves (PSDB) fez para o Rio de Janeiro 63% das viagens bancadas pela verba de transporte aéreo (VTA) do Senado. Desde o início do mandato, o presidenciável pagou com dinheiro público 83 voos, dos quais 52 começaram ou terminaram na capital fluminense. Na maioria dos casos, embarca rumo ao Aeroporto Santos Dumont, o mais próximo da zona sul da cidade, onde passou parte da juventude, cursou a faculdade, mantém parentes e costuma ser visto em eventos sociais.
O Senado pagou R$ 33,2 mil pelos voos a partir do Rio ou para a capital fluminense. Dos 25 que aterrissaram ali, 22 foram feitos de quinta a sábado; dos 27 que decolaram, 22 saíram entre domingo e terça.
Capital do Estado que elegeu Aécio e para o qual, oficialmente, o tucano dedica seu mandato, Belo Horizonte foi origem ou destino de 23, ou 27%, dos 83 voos feitos desde 2011. É menos da metade das viagens com chegada ou partida no Rio.

Não encontrei na internet a tabela IATA citada na regra do Senado, mas dá para se ter idéia de quanto o senador Aécio Neves (PSDB) pode ter recebido indevidamente. Considerando-se que a maioria dos parlamentares normalmente trabalha de terça a quinta-feira e deixam a cidade na sexta retornando na segunda, tomei por base passagens aéreas em vôos comerciais mais baratos em um final de semana fora da influência de férias, feriadões, etc. Por exemplo, sexta 14 de março para ida e segunda 17 de março para volta. Eis os resultado:



















 O Estadão levantou que o Senado pagou 52 passagens de/para o Rio. Seriam, em média, 26 passagens de ida e volta a Brasília (BSB). Dos valores obtidos na pesquisa, calculamos:
- Valor (estimado) que deveria ter sido ressarcido por passagem BSB/BH/BSB - R$ 285,00
- Valor (estimado) pago pelo senado por passagem BSB/RIO/BSB : R$ 438,00
- Valor a maior pago (estimado) pelo Senado por passagem = 438-285 = R$ 153,00 por viagem
- Diferença (estimativa) a ser devolvida em 26 viagens (ida+volta) = 26 x 153 = R$ 3.978,00

Esse cálculo não leva em conta, também, que pelas informações do Estadão os 26 vôos de ida e volta custaram, em média, R$ 1.277,00 (R$ 33,2 mil / 26), bem distante dos R$ 438,00 levantados como exemplo.  Não é usual encontrar vôos executivos ou de primeira classe entre o Rio e Brasília, em especial para o aeroporto Santos Dumont, para justificar essa diferença de valores.

Conclusão: O senador Aécio Neves, com base nas informações do Estadão e nas estimativas de preços de mercado de passagens aéreas , deveria devolver aos cofres públicos a quantia de aproximadamente R$ 3.978,00 por valores recebidos a maior em passagens aéreas. Um DARF para ele, por favor!

domingo, 8 de dezembro de 2013

UPPs 5 anos: A polêmica eficiência contra o crime

Completando 5 anos desde a implantação da primeira Unidade de Polícia Pacificadora do Rio, no morro Santa Marta, há resultados expressivos justificando para os moradores das áreas ocupadas pela polícia e no entorno delas sua existência. Sumiram as armas acintosamente expostas, os "bondes", as gangues, os homicídios diminuíram, enfim, houve clara relação entre UPP e melhoria da segurança em algumas áreas da cidade. No próprio Santa Marta não houve mais assassinatos.

A ocupação militar das comunidades criminaliza seus habitantes como um todo. É cena comum a polícia entrar em uma favela com o blidado Caveirão atirando em tudo o que se move. E todos os que caem são rotulados de "bandidos", mesmo que sejam crianças. Preto, pobre e favelado continuam sendo tratados como seres humanos de segunda categoria. O desrespeito aos direitos humanos está presente nas torturas policiais e nos desaparecimentos de pessoas, como o caso Amarildo, cujo corpo até hoje não foi encontrado. A polícia dita uma lei mais dura nas comunidades que a vigente nas áreas mais ricas da cidade. Até fazer festas depende da autorização da PM.

Uma crítica importante é a do "deslocamento da letalidade", ou seja, quando uma área é pacificada os armamentos e soldados do tráfico vão para outras comunidades onde fazem o terror e a violência. Nessas a criminalidade cresce.

O tráfico ao longo do tempo ganhou peso político. Traficantes são cabos eleitorais e vereadores, deputados e outros dependem da sua força como liderança para ter votos. Não é qualquer um que pode subir o morro em áreas não pacificadas. Os altos valores envolvidos também permitem corromper funcionários públicos de todos os escalões, inclusive juízes. E fazer lobbies com entidades civis, como ONGs, para detonar a imagem das UPPs, disputando politicamente os territórios.

Outro fato que incomoda é a "remoção branca" dos moradores das comunidades com a legalização dos terrenos, imposição de impostos, cobrança de água e luz que eram fornecidos pela rede criminosa de traficantes ou milícias, e com isso os custos de moradia se elevam, ficando impeditivos para muita gente que vende seu espaço e migra para ocupações em áreas de menor custo. No Morro do Vidigal, no Chapéu Mangueira e outros com vista privilegiada estão se instalando pousadas, restaurantes e pessoas que compram imóveis baratos em relação a outros pontos da cidade.

A distribuição espacial das UPPs parece seguir as estratégias de grandes eventos da cidade, como a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Toda a região mais rica da cidade (exceto Barra da Tijuca) já tem as UPPs, que avançam em direção a corredores de tráfego vitais, como a Linha Amarela, a Linha Vermelha e certamente deixará o Aeroporto Tom Jobim e seu entorno pacificados, deixando a cidade praticamente dividida em "áreas ocupadas" e "o resto". Niterói sofre com essa política, com o aumento rápido da criminalidade. A Baixada e a Zona Oeste também.

Quanto ao tráfico, o que mudou? Na minha opinião as palavras do Secretário de Segurança José Beltrame são seguidas à risca: "tráfico tem em todo o mundo, mas só no Rio tem ocupação territorial, e esta vai acabar com as UPPs. De fato, as áreas ocupadas agora fazem parte da cidade. Qualquer pessoa pode ir a uma comunidade com menos riscos. Mas o tráfico continua, e sustenta a riqueza de alguns, corrompe a polícia, oprime de forma velada os moradores. Tráfico sem armas expostas, é o novo modelo.

Nenhum grande capitalista do tráfico foi preso nesse período, apenas operadores. Quando um helicóptero de um político pousa na fazenda do político pilotado por funcionário do político com 450 kg de cocaína avaliados em R$ 20 milhões, nada se fala na mídia. Os traficantes mais famosos, daqueles que estão em penitenciárias federais, não têm esse volume de dinheiro para pagar por um volume desses de droga. Alguém graúdo financia, mas não tem UPP para granfino.

A lucratividade do tráfico deve ter aumentado, pois de certa forma agora toda a cidade paga pela segurança das bocas de fumo, que não acabaram. O traficante deixou de pagar uma extensa folha de soldados, olheiros, fogueteiros, soltadores de pipa, armamentos e tudo o que precisavam para impedir a tomada dos seus pontos por outra facção. Hoje quem garante a estabilidade nas mãos de uma facção é a UPP. A FGV em 2009 fez um interessante estudo sobre a economia do tráfico onde esses valores aparecem. http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2009/07/trafico-de-drogas-e-menos-rentavel-que.html

O fato é que o crescimento da candidatura Garotinho preocupa uma boa parte dos moradores do Rio, dada sua tolerância ao crime organizado, que ficou exposta quando seu Chefe de Polícia, Álvaro Lins, foi preso pela Polícia Federal por haver recebido "arrego" de bandidos.  Um novo governo seu poderia ser o enterro das UPPs e o retorno à condição anterior. E para os que criticam as UPPs por racismo há o temor de crescimento da intolerância religiosa com perseguições à umbanda e candomblé , já que Garotinho, sendo evangélico, tenderia a não intervir já que há pastores que convencem os traficantes a expulsar das comunidades os cultos afro. Já pelo menos dois processos em andamento no Ministério Público do Rio sobre tais perseguições. 

sábado, 2 de novembro de 2013

Finados : Reflexão sobre a morte banalizada no Rio

2 de novembro. Feriado nacional com o objetivo de homenagear os mortos. Hoje os cemitérios estarão lotados de pessoas levando flores e chorando lágrimas sinceras pelos que perderam. Entre elas, os que a violência ceifou, em geral jovens. Muitos sem explicação para a violência que sofreram.

As capas dos jornais populares de hoje no Rio destacam a emoção no enterro de uma criança morta em tiroteio quando criminosos tentaram resgatar um bandido no fórum em Bangu. Um PM também morreu. E todo dia é assim. Tais mortes, quando ganham destaque diante da banalização, é porque servem a usos políticos.

Uma estatística recente mostrou que no Rio há cerca de 6 mil pessoas desaparecidas por ano. Um caso é o do pedreiro Amarildo. Cadê o resto, tirando-se os que fugiram de casa e entraram nas estatísticas como desaparecidos, foram para as ruas e lá foram desaparecidos de vez? Na minha rua todos os dias subiam e desciam gangues de adolescentes na época de domínio do tráfico gritando, chutando portas e lixeiras, ameaçando em nome do domínio territorial do crime. Sumiram todos com a pacificação. O que houve?

Um dia perguntei a um oficial de UPP pelos menores que trabalhavam para o tráfico, e a resposta foi que a maioria não tinha ficha criminal e simplesmente se reintegrou às famílias, buscaram empregos, etc. Segundo o policial, quem fugia era uma minoria já engajada no crime de todas as formas. Fogueteiros, processadores de droga, pipeiros e aviões saíram da vida criminosa, segundo o policial.

O fato é que no Rio é possível a eliminação de pessoas via polícia. Já vi um caso onde drogados foram presos numa casa que tentavam arrombar e o policial sugeriu discretamente ao proprietário : "Sabe como é, cidadão, a gente leva pro batalhão, dá umas porradas, aí tem que soltar porque é de menor, ele volta prá rua, vem na tua casa, pode te fazer mal, isso não adianta muito". Para quem entende a indireta o papo pode evoluir para acerto de preço para "eliminar o mal pela raiz".

A lógica do policial é compartilhada por muita gente na classe média. Circula pelas redes sociais um video de um delegado do Mato Grosso que desabafa contra uma juíza que se negou a deter menores encontrados com armas e drogas. Muitos compartilhamentos, validando o argumento do "nada adianta pela via legal". A juíza também veio a público esclarecer que segue a lei, a jurisprudência e orientações superiores, além de que não há cárceres em condições de acolher menores na região.

Aí a culpa é jogada no Estatuto da Criança e do Adolescente, que seria brando com criminosos menores, e a idéia de baixar a maioridade penal abraçada pelos mesmos que buscam um jeito de se livrar dos infratores. Que por coincidência também defendem o fim do auxílio reclusão e alguns até o uso de presos para experiências científicas, em vez dos animais. Em geral também o fim de todo e qualquer programa de eliminação da pobreza, que não tenha como resultado sete palmos de terra em cima.

Há alguns meses visitava o campo de concentração de Auschwitz, próximo a Cracóvia, na Polônia e a guia mostrava um misto de amargura e ódio enquanto expunha o sistema de escravidão e extermínio montado pelos nazistas. Em um certo momento perguntei reservadamente a ela se havia perdido alguém ali. Respondeu que todos perderam alguém ali, porque qualquer um que levantasse a voz contra o que se fazia ali podia parar lá. Então perguntei se as pessoas sabiam o que acontecia, se o extermínio era algo sabido, e ela respondeu que sim.

Nas cidades próximas tinha gente se beneficiando da expropriação das propriedades dos judeus que eram revendidas aos de maiores posses, em geral colaboradores do nazismo. Secularmente judeus, ciganos e homossexuais eram odiados por toda a Europa. A eles se juntaram os comunistas como público-alvo de escravidão e extermínio. Simplesmente desapareciam das suas vistas para sempre. E muita gente ficava aliviada com isso.

Assim como no Rio. A banalização está nas frases"; "Sumiu o cracudo? Ótimo, nem quero saber que fim levou"; "Caveirão entrou metralhando e matou muitos? Beleza pura, menos uma porção de bandidos"; "Os mortos eram todos traficantes"; "Morreram porque resistiram". Que o dia de Finados sirva não apenas para que cada um chore pelos seus mortos, mas para que todos se lembrem das pessoas que, direta ou indiretamente, contribuem para matar.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

35 mil desaparecidos no Rio além de Amarildo : Esquadrão da Morte?

Faixa na Av. Brasil pede respeito aos cidadãos das favelas
A ONG Rio de Paz colocou ontem na praia de Copacabana 10 manequins simbolizando os 35.000 desaparecidos no Rio desde 2007, sem investigação policial conclusiva, sendo o mais recente o caso do ajudante de pedreiro Amarildo, onde a suspeita recai sobre os policiais da UPP da Rocinha.

Esse número brutal deveria trazer os holofotes de todo o mundo para o Brasil. E a ONG ainda afirma que há casos onde sequer há registro policial. Quantos Amarildos serão nesses 35 mil? E quantos não-Amarildos, no caso criminosos, sumidos sem prisão oficial nem processo legal? E os outros milhares que foram mortos em "autos de resistência", nas trocas de tiros por entradas violentas da polícia nas favelas? E quantos foram queimados nos "microondas"?

Estaremos diante de um esquadrão da morte, organizado, quase uma indústria do extermínio? Já temos a milícia de bandidos policiais, para ter um sistema de assassinatos com destruição de provas não seria muito difícil

Esse é um questionamento que tenho desde o início das UPPs. Onde foram parar os milhares de colaboradores do tráfico, centenas que existiam nas favelas? Foram todos para outros lugares? Acredito que não. Uma parte que não tinha ficha na polícia ficou no mesmo lugar, mas alguns podem ter desaparecido.

O Brasil é condenado no mundo inteiro pelas torturas e desaparecimentos, e isso não muda. Temos uma polícia contaminada por corrupção, militar, que tem como exemplo de impunidade os crimes cometidos na ditadura militar e que, pelo lei da Anistia, continuarão estimulando atrocidades policiais e "desaparecimentos" como o de Amarildo.




sábado, 6 de julho de 2013

Rio : Exposição de fotos "Gênesis", de Sebastião Salgado, no Jardim Botânico




Se fosse uma atividade paga, seria muito bem paga, mas felizmente quem anda pelo Rio tem a possibilidade de ver gratuitamente a exposição de fotos de Sebastião Salgado no Jardim Botânico. São mais de 200 fotos expostas dentro do prédio do Jardim Botânico. 

Todas em preto e branco, tiradas nos lugares mais remotos do mundo, belíssimas. Trazem cenários e povos distantes, coerentes com a idéia de gênese que intitula a mostra.

O primitivo, natural, com informações apenas em tons de cinza, o que atrai mais a atenção para detalhes. A divulgação de locais intocados, dos pólos às florestas tropicais traz uma fragilidade aparentemente protegida que induz à defesa do planeta. Dentro da área paga do Jardim Botânico também há um grupo de fotos ampliadas, que também estão na mostra gratuita. Na saída da mostra há um tentador livro sobre a mostra com muito mais fotos que custa R$ 140.

A mostra vai até 26 de agosto. De terça a domingo das 9 às 17 h. O estacionamento para veículos custa R$ 7 (nos fins de semana o estacionamento do Jockey Clube também é disponível), e se de quebra o visitante quiser conhecer o maravilhoso parque são mais R$ 6 por cabeça, sendo que crianças até 7 anos não pagam. E ainda completar seu passeio com as atividades do Espaço Tom Jobim, onde há restaurante, uma exposição permanente com peças do artista, cinema e teatro. Fica na R. Jardim Botânico 1008. Vale muito a pena conferir.


quarta-feira, 27 de março de 2013

RIO : Vistoria técnica de imóveis agora é obrigatória



O Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro traz hoje a promulgação pelo prefeito Eduardo Paes da Lei Complementar n° 126, de 26/03/13, que obriga os responsáveis por imóveis a fazer vistorias no mínimo quinquenais nas edificações para verificar aspectos de segurança, salubridade, estabilidade e conservação e garantir, quando necessário, a execução de medidas reparadoras.

Estão fora do escopo as residências uni e bifamiliares. Os demais imóveis deverão ter as vistorias feitas por profissionais cadastrados nos sistemas de fiscalização competentes (CREA, CAU). Quem não fizer pagará multas. Para os habitantes é uma segurança a mais, já que visivelmente há prédios desleixados que oferecem riscos aos usuários, e cria-se um novo campo de trabalho para engenheiros e arquitetos. Segue a íntegra da lei:
http://doweb.rio.rj.gov.br/visualizar_pdf.php?edi_id=2034&page=1&download=ok

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LEI COMPLEMENTAR Nº 126 DE 26 DE MARÇO DE 2013.
Institui a obrigatoriedade de realização de
vistorias técnicas nas edificações existentes no Município do Rio de Janeiro e
dá outras providências
Autor: Poder Executivo


O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, faço saber que a Câ-
mara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:
Art. 1º Fica instituída a obrigatoriedade de realização de vistorias técnicas
periódicas, com intervalo máximo de cinco anos, nas edificações existentes no Município do Rio de Janeiro, para verificar as suas condições de
conservação, estabilidade e segurança e garantir, quando necessário, a
execução das medidas reparadoras.
§ 1º A realização da vistoria técnica referida no caput é obrigação do
responsável pelo imóvel.
§ 2º Entende-se por responsável pelo imóvel para os efeitos desta Lei
Complementar o condomínio, o proprietário ou o ocupante do imóvel, a
qualquer título, conforme for o caso.
§ 3º Excluem-se da obrigação prevista no caput:
I - as edificações residenciais unifamiliares e bifamiliares;
II - nos primeiros cinco anos após a concessão do “habite-se”, todas as
demais edificações.
Art. 2º A vistoria técnica deverá ser efetuada por profissional legalmente
habilitado, com registro no Conselho de Fiscalização Profissional competente, que elaborará laudo técnico referente às condições mencionadas
no art. 1º desta Lei Complementar.
§ 1º O laudo técnico deverá ser obrigatoriamente acompanhado do respectivo registro ou Anotação de Responsabilidade Técnica no Conselho
de Fiscalização Profissional competente.
§ 2º Em caso de prestação de informações falsas ou de omissão deliberada de informações, aplicar-se-á ao profissional de que trata este artigo
multa no valor equivalente a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sem prejuízo
das demais responsabilidades civis, administrativas e criminais previstas
na legislação em vigor.
Art. 3º O laudo técnico conterá a identificação do imóvel e a descrição das
suas características e informará se o imóvel encontra-se em condições adequadas ou inadequadas de uso, no que diz respeito à sua estrutura, segurança e conservação, conforme definido no art. 1º desta Lei Complementar.
§ 1º Em caso de inadequação, o laudo técnico deverá informar, também,
as medidas reparadoras necessárias para sua adequação, com o prazo
para implementá-las.
§ 2º Confirmado, por laudo técnico, que o imóvel se encontra em condi-
ções adequadas de uso, o responsável pelo imóvel deverá comunicar tal
fato ao Município, dentro do prazo previsto no art. 1º, mediante o preenchimento de formulário on line, indicando o nome do profissional responsável, seu registro profissional e o número do registro ou da Anotação de
Responsabilidade Técnica a ele relativa.
§ 3º Na hipótese do § 1º, caberá ao responsável pelo imóvel a adoção
das medidas corretivas necessárias, no prazo estipulado no laudo técnico, findo o qual deverá ser providenciada a elaboração de novo laudo
técnico, que ateste estar o imóvel em condições adequadas, o que deverá
ser comunicado ao Município, antes de encerrado o prazo previsto no art.
1º, mediante o preenchimento de formulário on line, indicando o nome do
profissional responsável, seu registro profissional e o número do registro
ou da Anotação de Responsabilidade Técnica a ele relativa.
§ 4º O responsável pelo imóvel deverá dar conhecimento da elaboração
do laudo técnico aos moradores, condôminos e usuários da edificação,
por comunicado que será afixado em local de fácil visibilidade, arquivando-o em local de fácil acesso, para que qualquer morador ou condômino
possa consultá-lo.
§ 5º O laudo técnico deverá ser exibido à autoridade competente quando
requisitado e deverá permanecer arquivado para consulta pelo prazo de
vinte anos.
Art. 4º Os responsáveis pelos imóveis que não cumprirem as obrigações
instituídas por esta Lei Complementar deverão ser notificados para que
no prazo de trinta dias realizem a vistoria técnica exigida e cumpram as
demais obrigações estipuladas no art. 3º.
§ 1º Descumprida a notificação prevista no caput, será cobrada ao responsável pelo imóvel multa, renovável mensalmente, correspondente a
cinco VR–Valor Unitário Padrão Residencial ou cinco VC– Valor Unitário
Padrão Não Residencial, estabelecido para o imóvel, conforme o caso,
para efeitos de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana-IPTU, nas seguintes infrações:
I – pela não realização da vistoria técnica no prazo determinado;
II – pela não realização do laudo técnico que ateste estar o imóvel em
condições adequadas, após o prazo declarado para as medidas corretivas das condições do imóvel; ou
III – pela não comunicação ao Município de que o imóvel encontra-se em
condições adequadas de uso.
§ 2º As multas serão aplicadas enquanto não for cumprida a obrigação.
§ 3º A soma dos valores das multas não poderá ultrapassar o valor venal
do imóvel, estipulado para efeito de cálculo do IPTU.
Art. 5º No caso de não conservação da edificação em adequadas condições de estabilidade, segurança, conservação e salubridade, será
aplicada ao responsável pelo imóvel, na forma do § 2º do art. 1º desta
Lei Complementar, a multa correspondente a cinco VR–Valor Unitário
Padrão Residencial ou cinco VC–Valor Unitário Padrão Não Residencial, estabelecido para o imóvel, conforme o caso, para efeitos de cálculo do IPTU.
Art. 6º A Prefeitura deverá criar cadastro eletrônico para as anotações
previstas no art. 3º desta Lei Complementar.
Art. 7º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.
EDUARDO PAES
OFÍCIO GP N.º 14 /CMRJ EM 26 DE MARÇO DE 2013.

sábado, 9 de março de 2013

Viagem : Do Rio a Arraial do Cabo pela Amaral Peixoto

Resolvi postar essa viagem porque ninguém de sã consciência escolhe esse caminho hoje em dia. Há 30 anos não tinha jeito, mas hoje tem a alternativa da Via Lagos, que é pedagiada. Mesmo assim a RJ 106, estrada Amaral Peixoto, ainda tem seus encantos e passa em lugares interessantes. O mais interessante é que hoje ainda tem os mesmos problemas de tráfego do passado, pois pouco foi feito para melhorá-la. Outra coisa a considerar no post é que o tráfego foi totalmente normal, sem acidentes que causassem engarrafamento, horários de pico ou movimento de turistas de fim de semana.

Considerando o momento zero da viagem a entrada na Ponte Rio - Niterói, em 10 minutos chegamos à descida da Alameda São Boaventura, em Niterói. 20 minutos depois, chegamos à subida no final da Alameda. Com 40 minutos estávamos em Tribobó, onde há a derivação de quem vai para o norte fluminense (Campos, Macaé) ou para o litoral (Maricá, Saquarema, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio). Mais meia hora passamos pela entrada de Maricá (Km , ou seja, uma hora e 10 minutos desde a ponte.

A Serra de Ponta Negra tem paisagens rurais belas e trânsito horroroso, sempre. Basta ter um ônibus para se formar uma lenta fila. Descendo a serra há trechos retos onde é possível a ultrapassagem, até o km 70 - Bacaxá - entrada de Saquarema, onde chegamos com 1:50h de viagem. A partir daí o tráfego é lento, não só pela pista estreita em mão-dupla e sem acostamento, mas pela conurbação de diversas áreas residenciais, onde há quebra-molas e radares limitando a velocidade a 50 km/h.

 

Com 2:20h passamos por Araruama, onde a paisagem dos lagos começa a acompanhar a estrada. Por volta do Km 120 da estrada chegamos a S. Pedro da Aldeia (2:40 h de viagem), e no Km 150 entramos em Cabo Frio (3:10h). Dez minutos depois, passando por fora da cidade, chegamos ao portal de entrada de Arraial do Cabo, totalizando 160 kim desde a entrada da ponte. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Rio : Prefeitura "generosa" faz politicagem no Carnaval

A politicagem no carnaval, até tempos atrás, se resumia a políticos colocarem seus nomes em destaque nos eventos públicos, até nos patrocinados pela prefeitura. Mesmo assim, para não dar problema, na forma de "moradores agradecem a fulano, etc, etc". Outros são mais explícitos, e botam carro de som próprio para promover eventos sem autorização da prefeitura, fechando ruas, etc. A prática é reincidente, vide o nosso post de fevereiro de 2012 denunciando a politicagem na festa popular: http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2012/02/carnaval-e-pre-candidaturas-uma-mistura.html

Agora a coisa atingiu outro patamar. Na festa da vitória da Vila Isabel, chamou-me a atenção uma placa de obra da Prefeitura em frente à escola de samba, dizendo que mais de R$ 2.800.000 estavam sendo gastos no isolamento acústico da entidade de fins privados.

Abro o jornal e vejo que a Prefeitura pagou R$ 5 milhões à Globo para transmitir os desfiles das escolas do grupo A para o Rio de Janeiro, um absurdo para quem já gasta fortunas preparando tudo para a festa.

Noticiou o jornal O Dia :


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Informe do Dia: Desfile comprado

POR FERNANDO MOLICA

Rio -  A Prefeitura do Rio pagou R$ 5 milhões à TV Globo em troca da transmissão, para o Estado do Rio, dos desfiles da Série A. A compra de cota de merchandising para permitir a exibição das escolas dos antigos grupos de Acesso foi confirmada por Eduardo Paes. “Isso mesmo. E valeu muito ter feito”, disse ontem ao Informe.

De acordo com a assessoria de imprensa do prefeito, a iniciativa foi para “consolidar” as apresentações de sexta e sábado. O pagamento permitiu que a marca da prefeitura fosse exibida, para todo o País, na transmissão do Grupo Especial.

Patrocínios

Segundo a Central Globo de Comunicação, patrocínio e merchandising “não são contrapartida para transmissão”. Cinco empresas patrocinaram o Carnaval da Globo: cada cota teria custado R$ 25 milhões. A emissora não confirmou este valor.
http://odia.ig.com.br/portal/rio/informe-do-dia-desfile-comprado-1.548848

terça-feira, 27 de março de 2012

Rio : Rampa da Pedra Bonita - asa delta e parapente

Este post foi feito para quem não conhece a rampa de lançamentos de vôo livre da Pedra Bonita, no Rio, poder entender como funciona o local, e ter mais elementos para compreender o noticiário, pautado pelo  lamentável acidente com a jovem baiana Priscila Boliveira, de 24 anos, que se desprendeu de um parapente. Pelos dados da TV e pelos vídeos, o instrutor e a moça tentaram um primeiro vôo, que acabou abortado, possivelmente por medo da tripulante, por não terem atingido a velocidade suficiente para a decolagem. Acabaram caindo num platô logo abaixo da rampa. E deram sorte, porque ele é estreito, e dali adiante é abismo.



Para sair dali, voltar para a rampa, arrumar de novo o parapente e fazer nova decolagem, a garota obrigatoriamente se soltou do instrutor. Na nova decolagem, até por conta do susto da tentativa anterior, o instrutor pode ter vacilado e deixado de verificar que sua passageira estava sem as cintas que amarram as pernas ao conjunto, e sem um cinto de segurança central. Quando decolaram, ela ficou pendurada. Desesperado, o instrutor deve ter partido em linha reta para a Praia de São Conrado, pois estima-se que foram apenas 2 minutos de vôo. Mais uns 15 segundos e teriam pelo menos caído no mar, aumentando as chances de sobrevivência. Não deu: ela caiu de mais de 30 metros, na areia. Agora é com a perícia e com a ANAC , que correrá contra o prejuízo mais uma vez e fará o que não fez até aqui: fiscalizar a pista de lançamentos de vôo livre da Pedra Bonita, no Rio.

Nas várias vezes que fui à rampa da Pedra Bonita e à chegada em São Conrado o sistema de acompanhamento de vôos pareceu bastante organizado. Auto-organizado, para ser mais exato. Há duas rampas de decolagem sobrepostas: a de cima, para asas, e a de baixo, de parapentes. Quando alguém está decolando grita para avisar, e o outro dá o ok, evitando choques. Se o tempo não está bom, para tudo. Se o vento não dá suporte, também para até conseguir condição segura para vôo.

Para quem não teve a oportunidade de ir lá, aí vão algumas fotos tiradas em abril de 2009. Mostram como é esticado o parapente na grama da rampa, como se posicionam instrutor e passageiro antes da corrida para o salto, os dois níveis (rampa de cima para asas, a de baixo de parapentes), o tráfego de asas e a arquibancada para ver a paisagem e as decolagens.

Estando no Rio, visite a rampa. Fica na Floresta da Tijuca. Para chegar lá, os caminhos são a Estrada das Canoas, partindo de São Conrado; a Estrada da Vista Chinesa, partindo da Lagoa, e pelo Alto da Boa Vista, e daí pegar a Estrada da Pedra Bonita. No local há uma cancela e geralmente há fila de carros esperando, porque a estradinha é de mão única, e há controle de subidas e descidas alternadas. Não vá de carro com pôneis malditos no motor, porque a rampa é muito íngreme. O estacionamento fica num patamar bastante abaixo da rampa, e uma caminhada de uns 15 min em ladeira forte é necessária. Ainda há a opção de conhecer a Pedra Bonita, que dá de frente para a Pedra da Gávea, onde se tem um dos melhores visuais do Rio. Não é muito puxado. Uma meia hora de subida tranquila.

Mais sobre o assunto:
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/08/rio-rj-praia-do-pepino-sao-conrado.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2009/08/rio-estrada-das-canoas.html