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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Black Fraude : Compre hoje pela metade do triplo

Fonte: Não à nova ordem mundial
Mais de 20 anos de Código de Defesa do Consumidor, de PROCONs não conseguiram criar na população a auto-organização necessária ao combate à carestia. No fim da década de 70 pulularam associações de donas de casa, associação de moradores e cooperativas de consumo, que tinham três papéis importantes:
- promover compras coletivas no atacado com preços menores
- boicotar preços altos e informar sobre promoções verdadeiras
- educar para o equilíbrio do orçamento doméstico.

Anos de bombardeio ideológico pelo individualismo dificultaram a organização solidária, e hoje há o recurso à internet para informar melhor sobre preços. Algumas pessoas vão às lojas tendo em mãos uma pesquisa de preço. O problema é que as redes de lojas não oferecem condições de negociação para preços à vista com facilidade, embutindo os juros elevados das compras a prazo "sem juros" no preço inicial. Algumas lojas cobrem os preços divulgados pela concorrência, nos quais já existem juros embutidos, não reduzindo de fato o valor dos bens.

A Black Friday do ano passado foi uma grande farsa, onde preços foram aumentados para em seguida serem oferecidos descontos, em geral menores ou iguais aos valores acrescidos. Alguns consumidores se prepararam melhor e imprimiram os preços realizados dias anteriores e denunciando na internet, o que é um início. Há outro caso flagrante, como o do panetone brasileiro vendido nos Estados Unidos abaixo do praticado nas lojas nacionais, e não é apenas por causa dos impostos, já que custam normalmente na faixa de R$ 12 e no Natal pulam para até o dobro.

É necessária a criação de uma grande rede de consumidores para retomar as funções das associações da década de 70. Aplicativos fáceis para celulares já existem, onde basta fotografar o código de barras para instantaneamente vir uma coleta de preços para comparação. Acontece que isso atinge uma pequena faixa da população, de renda maior. E a grande massa que compra a qualquer preço, bastando a prestação caber no salário? É ela que contribui para a carestia, pois se submete aos juros altos que elevam os preços à vista.

Nos Estados Unidos os consumidores estão anos-luz à frente dos brasileiros em termos de cuidados nas compras. Os fornecedores sabem disso e a concorrência faz da Black Friday um momento de reais chances de compras mais baratas. No Brasil, onde até padarias fazem cartel e o povo é descuidado com o valor do seu dinheiro, joga-se a culpa de tudo nos impostos, que agora aparecem nos cupons fiscais, mas há o Lucro Brasil que é o grande vilão e reduz o poder de compra do dinheiro. O difícil de reverter essa situação está na falta de cooperação espontânea e solidária para desmontar as armadilhas montadas pelos fornecedores.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Energia : O GLOBO bota culpa em Dilma pelo boicote do PSDB

Para quem não acredita em manipulação de mídia e não vê razões para limitar o tamanho das empresas de comunicação a foto mostra um bom exemplo de mentira espalhada ao vento, de difícil reparação. Ontem as empresas de eletricidade controladas pelos governos de Minas, São Paulo e Paraná, todos do PSDB, anunciaram que não iriam aderir ao plano de redução de tarifas de energia. A promessa de Dilma de baixar os preços em até 20,7% ficou prejudicada por essa vingança política tucana, e só cairá 16,7%. A notícia não explica isso: mostra siglas dos estados em subtítulo.

O que a notícia de O GLOBO induz a pensar? Que Dilma prometeu e não cumpriu, ou seja, enganou o povo, por isso não é confiável, apenas para dizer pare do que ouvi na banca de jornais quando comentei o assunto com algumas pessoas. A explicação está em letras menores, sem qualquer contextualização política de serem governos do PSBD os responsáveis pela redução menor que o esperado. Como a Globo alcança 99,9% do território nacional, passa a visão de falsidade de promessas de Dilma e protege os partidos de direita da responsabilidade que têm no episódio. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Brasil : Hoje é a "Fake Friday"

Nos Estados Unidos o feriado de Ação de Graças foi apropriado pelo comércio para o evento "Black Friday" (sexta-feira negra), que acontece em seguida e simboliza a abertura da temporada das compras de Natal.  No Brasil, o copismo tupiniquim, que já trouxe o Halloween sem nenhum sentido porque ninguém comemora aqui o dia de Todos os Santos (1/11), agora inventou uma "Black Friday" sem comemoração do "Thanksgiving Day" dos norte-americanos.

Se a data não tem muito a ver também com o calendário comercial brasileiro do Natal (tradicionalmente começa após o dia de Finados, acelerado depois pelo 13o salário), também não promete descontos importantes como nos EUA, nem deverá servir de medidor para a confiança do consumidor, como lá. Pior: a ânsia por superlucros brasileira leva a manipulações flagrantes para enganar os consumidores, e as técnicas são muitas:
- elevar o preço e dar um desconto para que o preço final volte ao anterior ou até maior;
- anunciar mercadorias com preços irrisórios que o consumidor não encontrará na loja porque não existem;
- oferecer produtos mais baratos com características diferentes das usualmente existentes nos produtos anunciados, entre outras;

Essas mentiras por atacado no comércio de varejo, se realmente permitissem descontos de até 70% como algumas redes, mostrariam um outro lado cruel: o comércio pratica margens de lucro muito altas e pode até baixá-las promocionalmente, e o brasileiro paga muito caro pelas coisas que compra. Quem leva a culpa é a carga tributária, que no varejo está na faixa de 30% e a partir do ano que vem constará nas notas de compra de forma explícita. E o resto?

O que explica que paguemos até 200% acima do preço no Brasil em produtos que vemos no exterior, como veículos? O imposto de importação não é tudo isso. A parcela que pagamos a mais é o tal "Lucro Brasil", o preço da ganância. Essa não aparece nos "impostômetros", instrumento de disputa ideológica dos liberais capitalistas que não querem impostos, especialmente para os mais ricos, nem sustentar o Estado. Nem na forma de descontos à vista num mercado viciado em aplicar aos preços o valor do parcelamento a juros extorsivos (para estes não tem um "jurômetro".

E lá vai o brasileiro embarcando nessa nova cilada. Vão entrevistar na TV a meia-dúzia que vai chegar às lojas cedo e comprar as poucas mercadorias com até 70% de descontos, que o comércio contabiliza na propaganda do evento, engordando mais esse estímulo ao falso desconto no consumo, a "Fake Friday" (sexta-feira falsa, da enganação), que nada em a ver com a dos americanos.