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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Rio : Prefeitura dá rua de presente de aniversário a supermercado

O alvará de localização para o Supermercado Guanabara foi um erro histórico pelo volume de tráfego gerado numa das mais importantes vias de comunicação com a zona norte do Rio, a Rua Maxwell, em Vila Isabel.

Jamais poderiam ter  permitido o funcionamento com tantos prejuízos ao trânsito. Por anos a fio as pessoas que moram na zona norte pagam um pesado tributo em tempo por esse erro da Prefeitura. Poderia ser pior?

Sim, muito pior. Para começar inventaram uma divisão da Maxwell, que tem 7 m de largura, em três faixas de rolamento com velocidade permitida de 60km/h. Para se ter idéia do descalabro, uma vaga de estacionamento precisa ter no mínimo 2,5m. E é 2,33 m de largura inclusive para ônibus, caminhão, etc. Se o carioca não fosse bom piloto o problema do tráfego seria muito pior com acidentes a todo momento.

O tradicional engarrafamento da Maxwell ganhou um novo elemento: a privatização de uma faixa de rolamento junto à entrada e saída do estacionamento do Guanabara, interditando até uma parada de ônibus. No local há dezenas de cones e pessoas com coletes refletivos com a palavra "apoio", que não são de nenhum órgão público. Não é possível que a Prefeitura não tenha visto isso, pois há na internet vários relatos desse absurdo, daí a supor que tenha autorização, porque é aniversário do supermercado, etc. Isso não é motivo para dar uma faixa da rua de presente, prejudicando mais ainda o tráfego.

Há outras denúncias de pessoas prejudicadas pelo abuso. Cadê o administrador regional, tão presente em épocas eleitorais? Cadê o prefeito Eduardo Paes, que se orgulha do "choque de ordem", que não vê uma bandalheira dessas? A CET-Rio sabe e autoriza isso? Quem autorizou isso? Alguém autorizou?
http://www.natijuca.com/Acontece/supermercado-na-grande-tijuca-interdita-ponto-de-onibus.html

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Brasília : No Flugtag a organização do DF também despencou

Domingo em Brasília é torturante. Se você tem família, com filhos pequenos, o programa é ir a um clube com piscina e ficar por lá. Outra opção é ir para a casa de amigos fazer um churrasco e beber até cair, batendo uma bola e, eventualmente piscina. Pode-se ainda ir para a "praia" do Eixão, principal via que corta a cidade de norte a sul passando por cima da "asa" do plano piloto, caminhar num sol saariano com umidade na faixa dos 30% em cima do asfalto. Tem os parques, como o Olhos d'Água, o Parque da Cidade. No mais, a grande maioria do povo fica em casa mesmo, consertando coisas quebradas, estudando para concurso, vendo TV o dia todo.

Quando aparece algo diferente, todo mundo vai ao mesmo tempo. Ontem houve um evento ciclístico na borda do lago, que levou muita gente, e o Red Bull Flugtag - Dia do Vôo, no que já foi a Concha Acústica (espaço público que, como outros, está abandonado há muito tempo), na beira do lago. A organização do evento privado foi perfeita, à exceção dos absurdos preços cobrados pelo item mais essencial, a água, a R$ 4,50 nos carrinhos oficiais. O Red Bull podia ser tomado por R$ 5, na promoção 2 por 10. A poeira seca exigia líquido, e alguns mais escolados desse tipo de eventos chegavam com seus isopores com cerveja.

O problema foi o entorno do evento. Em Brasília há tranquilamente um carro para cada pessoa de classe média. O engarrafamento foi monstruoso. Na ida até que fomos razoavelmente bem, pegando uma estrada que passa em frente ao Palácio da Alvorada. Até a presidente Dilma deve ter se assustado com toda aquela muvuca por ali, a 3 km do evento. Na volta ficamos quase 1:30 h no engarrafamento, mesmo tendo saído antes. Não havia qualquer organização no trânsito. Aqui cabe o bordão carioca do momento: se hoje está assim, imaginem na Copa!

O Governo do DF deveria fazer de cada evento um aprendizado para lidar com grandes multidões, deslocamentos em massa, etc. No Rio, desde que se soube da realização da Copa em 2014, nos arredores do Maracanã já estava em prática o esquema que servirá de base para o grande evento. Isso também é legado, não é para a Copa. É obrigação do gestor público, desde que concede espaços para eventos de grande porte, associar-se para o sucesso da realização, cobrando do interessado as despesas com o deslocamento de policiais, DETRAN, bombeiros, médicos, etc. O que se viu no Flugtag foi a total privatização dos reflexos do evento, com seguranças contratados para ficar nos acessos e alguns poucos policiais parados em carros. Também estranha foi a ausência de flanelinhas, mesmo com tanto carro parado nas pistas, gramados, canteiros, no matagal, etc. Havia engarrafamento até no lago, com dezenas de lanchas próximas ao local de decolagem.

  No mais, o evento foi divertido, com um público superior a 10 mil pessoas, grande maioria na faixa dos 15 a 30 anos. Fizeram uma pista de decolagem que avançava sobre o lago Paranoá, de onde despencavam os protótipos de aviões que deveriam planar, lançados apenas por empurrão, mas invariavelmente caíam de bico na água. O melhor de todos foi um modelo muito parecido com uma asa delta, que voou 20m. Nos formatos mais insólitos, houve uma pizza voadora que alcançou a marca de 18m de distância, mostrando que na capital federal as pizzas vão longe.

Antes dos vôos as equipes responsáveis pelos aparatos voadores tinham que completar o mico fazendo performances normalmente desastrosas, porque quem inventa essas coisas normalmente não faz mais nada na vida. 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Rio + 20 : Conferência começa sem sustentabilidade

Rio de Janeiro - Aeroporto Tom Jobim (Galeão) hoje
Hoje precisei ir de carro de Botafogo ao Aeroporto do Galeão, no Rio, num horário fora de pico. Na ida, até que foi tudo bem, mas a volta... Logo de cara, na pista de saída do aeroporto, uma obra de recuperação asfáltica da pista cria um engarrafamento que certamente piorará muito quando passarem os comboios com prioridades para as autoridades internacionais.

Na Linha Vermelha, trânsito lento mas andando. Linha Amarela parada, como sempre, no sentido para a Barra, onde acontecerá, no Riocentro, a parte oficial da conferência. Mais adiante, próximo à entrada da Ponte Rio-Niterói, um carro da polícia estreitava a pista, com mais retenção. Depois, engarrafamentos na Paulo de Frontin, Rebouças, Jardim Botânico, etc. O prefeito Eduardo Paes pediu à população que evite ir à Zona Sul e à Barra da Tijuca, para não piorar o previsível tumulto por falta de infra-estrutura de transportes.

Nesta época do ano é comum a ocorrência de nevoeiros pela manhã, tanto no Rio como em São Paulo. Ontem o Aeroporto de Congonhas fechou para pousos à noite, trazendo caos. A probabilidade de falta de teto para pousos e decolagens no período da conferência á razoável. No Galeão foi suspensa a exclusividade de táxis da cooperativa, permitindo que qualquer um atenda, para evitar o sufoco. Em compensação, conhecendo o histórico de oportunismo da bandidagem carioca, a bandalheira deverá tomar conta dos serviços.
Acesso ao Aeroporto Tom Jobim - obras na pista

Diversos vôos deverão ser cancelados ou remanejados entre 20 e 23 de junho (infelizmente estou nessa, ainda sem saber o que acontecerá com a minha viagem), para priorizar os pousos e decolagens de autoridades.

No Riocentro a pressa para conclusão dos estandes e pavilhões causou bizarrices, como no Pavilhão Brasil, inaugurado pela presidente Dilma hoje, onde a letra "B" do Brasil caiu. Fora isso havia espaços vazios, faltou energia, a internet wi-fi teve problemas, apenas para falar do local da conferência. Ontem a TV Record fez uma reportagem do entorno do Riocentro, mostrando riachos cheios de lixo, manchas de poluição e esgotos lançados "in natura" na lagoa.

Bandeirola na saída do acesso ao Aeroporto Tom Jobim
Um otimista diria que do caos emergirá uma nova ordem, melhorada pelo aprendizado com os erros. O problema é que as falhas acontecerão às vistas de governos estrangeiros, sendo mais graves que se acontecessem em eventos esportivos. Uma falha envolvendo um governante estrangeiro repercutirá muito mais negativamente que se fosse com turistas na Copa ou na Olimpíada.



O Rio tem que se superar, e correr contra o prejuízo depois de mais de 30 anos de estagnação na sua infra-estrutura. Passada a Rio + 20, a cidade entrará num caos pior, com a interdição de estações do metrô em Copacabana e Ipanema, demolição do elevado da Perimetral, obras no entorno do Maracanã, metrô da Barra. Toda essa correria, entretanto, não reporá o passivo de formação de pessoas para o turismo, de adaptação do comércio para responder à altura o desafio de fazer do Rio  uma cidade global, etc. Do jeito que está é insustentável.