Mostrando postagens com marcador pizza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pizza. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CPI do Cachoeira termina pior que pizza

Depois de meses em duros debates e investigações, cúmplices de Cachoeira e beneficiários do seu esquema conseguiram derrubar o relatório (que já era aguado) do Dep. Odair Cunha (PT), onde se propunha o indiciamento de políticos e outras pessoas que praticaram atos corruptos. Acabou todo o trabalho virando um insosso relatório de duas páginas, sem nenhum resultado concreto.

Absolutamente nada! O governador Marcone Perillo (PSDB-GO) saiu rindo à toa desse sufoco, assim como o fabricante de dossiês da VEJA Policarpo e o inquisidor-geral da república, Gurgel, que já estavam fora na versão amaciada de Odair Cunha, ontem rejeitada.

Mais uma vergonha dos poderes constituídos, para se nivelar com a decisão do STF de anteontem ao cassar parlamentares acima da constituição, e do Senado, com Sarney à frente, fraudando a pauta de votações para confiscar logo o dinheiro dos royalties dos estados produtores de petróleo.

Sem querer ser mais um desses videntes de fim de ano, é previsível que o show-man Joaquim Barbosa, formando dupla com o investigável Gurgel, armem uma pirotecnia botando na cadeia, até o ano-novo, com ampla propaganda de mídia, José Dirceu, Genoíno e outros. Já vejo na Globo os comentários tipo "vamos começar o ano novo sem corrupção" e coisas desse nível.

Segue a lista dos votos no relatório de Odair Cunha. Os arautos da moralidade, aqueles para quem a Rede Globo abre holofotes e microfones, votaram pela corrupção, pela não investigação dos crimes do esquema cachoeira e principalmente pelo não indiciamento da sua quadrilha. Guarde os nomes deles para não votar em 2014:


SENADORES

A favor do relatório:
Jorge Viana (PT-AC)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Pedro Taques (PDT-MT)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Aníbal Diniz (PT-AC)
João Costa (PPL-TO)
Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)

Contra o relatório:
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Sérgio Souza (PMDB-PR)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jayme Campos (DEM-MT)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP)
Marco Antonio Costa (PSD-TO)

DEPUTADOS
A favor do relatório:
Cândido Vacarezza (PT-SP)
Odair Cunha (PT-MG)
Paulo Teixeira (PT-MG)
Íris de Araújo (PMDB-GO)
Ônyx Lorenzoni (DEM-RS)
Glauber Braga (PSB-RJ)
Miro Teixeira (PDT-RJ)
Rubens Bueno (PPS-PR)
Jô Moraes (PCdoB-MG)

Contra o relatório:
Luiz Pitiman (PMDB-DF)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Domingos Sávio (PSDB-MG)
Gladson Cameli (PP-AC)
Maurício Quintela Lessa (PR-AL)
Sílvio Costa (PTB-PE)
Filipe Pereira (PSC-RJ)
Armando Vergílio (PSD-GO)
César Halum (PSD-TO)


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Brasília : No Flugtag a organização do DF também despencou

Domingo em Brasília é torturante. Se você tem família, com filhos pequenos, o programa é ir a um clube com piscina e ficar por lá. Outra opção é ir para a casa de amigos fazer um churrasco e beber até cair, batendo uma bola e, eventualmente piscina. Pode-se ainda ir para a "praia" do Eixão, principal via que corta a cidade de norte a sul passando por cima da "asa" do plano piloto, caminhar num sol saariano com umidade na faixa dos 30% em cima do asfalto. Tem os parques, como o Olhos d'Água, o Parque da Cidade. No mais, a grande maioria do povo fica em casa mesmo, consertando coisas quebradas, estudando para concurso, vendo TV o dia todo.

Quando aparece algo diferente, todo mundo vai ao mesmo tempo. Ontem houve um evento ciclístico na borda do lago, que levou muita gente, e o Red Bull Flugtag - Dia do Vôo, no que já foi a Concha Acústica (espaço público que, como outros, está abandonado há muito tempo), na beira do lago. A organização do evento privado foi perfeita, à exceção dos absurdos preços cobrados pelo item mais essencial, a água, a R$ 4,50 nos carrinhos oficiais. O Red Bull podia ser tomado por R$ 5, na promoção 2 por 10. A poeira seca exigia líquido, e alguns mais escolados desse tipo de eventos chegavam com seus isopores com cerveja.

O problema foi o entorno do evento. Em Brasília há tranquilamente um carro para cada pessoa de classe média. O engarrafamento foi monstruoso. Na ida até que fomos razoavelmente bem, pegando uma estrada que passa em frente ao Palácio da Alvorada. Até a presidente Dilma deve ter se assustado com toda aquela muvuca por ali, a 3 km do evento. Na volta ficamos quase 1:30 h no engarrafamento, mesmo tendo saído antes. Não havia qualquer organização no trânsito. Aqui cabe o bordão carioca do momento: se hoje está assim, imaginem na Copa!

O Governo do DF deveria fazer de cada evento um aprendizado para lidar com grandes multidões, deslocamentos em massa, etc. No Rio, desde que se soube da realização da Copa em 2014, nos arredores do Maracanã já estava em prática o esquema que servirá de base para o grande evento. Isso também é legado, não é para a Copa. É obrigação do gestor público, desde que concede espaços para eventos de grande porte, associar-se para o sucesso da realização, cobrando do interessado as despesas com o deslocamento de policiais, DETRAN, bombeiros, médicos, etc. O que se viu no Flugtag foi a total privatização dos reflexos do evento, com seguranças contratados para ficar nos acessos e alguns poucos policiais parados em carros. Também estranha foi a ausência de flanelinhas, mesmo com tanto carro parado nas pistas, gramados, canteiros, no matagal, etc. Havia engarrafamento até no lago, com dezenas de lanchas próximas ao local de decolagem.

  No mais, o evento foi divertido, com um público superior a 10 mil pessoas, grande maioria na faixa dos 15 a 30 anos. Fizeram uma pista de decolagem que avançava sobre o lago Paranoá, de onde despencavam os protótipos de aviões que deveriam planar, lançados apenas por empurrão, mas invariavelmente caíam de bico na água. O melhor de todos foi um modelo muito parecido com uma asa delta, que voou 20m. Nos formatos mais insólitos, houve uma pizza voadora que alcançou a marca de 18m de distância, mostrando que na capital federal as pizzas vão longe.

Antes dos vôos as equipes responsáveis pelos aparatos voadores tinham que completar o mico fazendo performances normalmente desastrosas, porque quem inventa essas coisas normalmente não faz mais nada na vida. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

CPI do Cachoeira vai ser represada

Incrível o medo que a nossa classe política tem dos bandidos com quem se envolve. Os criminosos sabem que boa parte das pessoas eleitas não estão lá para representar ninguém, a não ser a si próprios, suas famílias, seus amigos e esquemas. Por isso bandido que é bandido mesmo arranja formas de comprometer, de filmar, de gravar, de botar testemunhas em todas as falcatruas que promovem em parceria com os políticos. Faz festinha com mulheres , bebidas e drogas para os caras se esbaldarem,
Poços de Caldas (MG) - 2010 - Represa em Cascata das Antas
tudo cheio de testemunhas e gravações. Botam dinheiro em contas, mandam presentes, pagam viagens, deixam o corrupto com o rabo preso de todas as formas. E são, principalmente, suprapartidários: quem quiser entrar no esquema será bem-vindo, não importa a ideologia, raça, credo, gênero.

Poços de Caldas (MG) - 2010 - Cascata das Antas
Esse preâmbulo é para tentar explicar por que o Congresso Nacional está fazendo de tudo para não ter a CPI do Cachoeira. Rapidamente resolveram o problema da falta de presidente da Comissão de Ética, só para abrir um processo contra o senador Demóstenes Torres, a ponta do iceberg de corrupção do bicheiro. Vão puni-lo, ou melhor, forçá-lo a renunciar, e o assunto será esquecido. A vergonhosa classe política não quer saber de abrir uma Caixa de Pandora dessas. Nem o PT quer fazer do episódio a grande chance de afundar seus inimigos.

E assim vamos todos assistindo a mais uma pouca-vergonha de acobertamento. Só falta o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, conseguir relaxar a prisão de Cachoeira. Povo nas ruas para exigir apuração profunda do escândalo? Aí já é querer demais. O brasileiro é ótimo para reclamar nos bares, nas redes sociais, mas botar a mão na massa, é para os outros. Sua omissão é a chama que aquece os fornos de onde saem as pizzas da política.

PS : As fotos foram as únicas que consegui no arquivo para ilustrar uma cachoeira represada. São da Cascata das Antas, em Poços de Caldas (MG). A cachoeira, no caso, foi represada rio acima para mover por uma canalização forçada uma turbina para geração de hidro-eletricidade. O lugar é bonito, mesmo assim. Já nós é que somos as antas por permitirmos que a bandalheira política seja auto-limpante.