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domingo, 15 de janeiro de 2012

Cracolândia : A derrota de Alckmin e Kassab

Depois de fazer grande alarde com a operação policial que desalojou uma multidão de viciados da região conhecida como Cracolândia e mostrar a mídia cenas de limpeza do local, agora as autoridades não sabem o que fazer com a volta dos mortos-vivos da droga ao local, com o apoio de entidades de defesa dos direitos humanos e críticas do Ministério Público e de profissionais de saúde.

Pior: a "higienização" da Luz seria uma ação pedida pelos especuladores imobiliários para a "requalificação" da área e implantação do projeto "Nova Luz". Na prática, uma ação similar à de retirada forçada de favelas, da implosão (fracassada) do Moinho e outras que os governos demo-tucanos praticam quando pesssoas (ou "não pessoas", como diria Noam Chomsky) se colocam entre os empreendedores e seus lucros em meio ao ambiente público.

São Paulo, estado e capital, parte da premissa que polícia é instrumento de ação social. Estudantes rebeldes? Polícia neles! Professores em greve? Porrada neles! Cracudos na rua? Enxota eles! Alckmin e Kassab estão conseguindo algo inédito: quebrar a blindagem midiática que reserva São Paulo da exposição dos erros dos seus governantes. O pior é que o fascismo demo-tucano está virando exemplo para outros governos de mesmo perfil. Nada a ver com as UPPs do Rio, nem com o programa federal de combate ao crack. Simplesmente, empurrar um problema de um lugar interessante à especulação (e, quiçá, financiamento de campanhas pelas empreiteiras) para outras áreas da cidade. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

DF : Bolha imobiliária chegou ao limite?

Segundo a Revista Exame, está havendo desaceleração nos preços dos imóveis, que subiram bastante em todo o país. A Pesquisa FipeZap diz que  houve queda de 0,2% no preço dos imóveis no Distrito Federal em dezembro de 2011, a primeira desde que o indicador foi criado em 2008. No ano de 2011, a valorização foi de 14%, mantendo-se a capital com o maior valor de metro quadrado, na média de R$ 7.919, contra R$ 7.421 do Rio de Janeiro, que chegou a esse valor após crescer 34% no ano devido à melhoria da segurança, expectativa de grandes projetos de revitalização da cidade, Copa, Olimpíada, pré-sal, chegada de grandes empresas, etc.

Enfim, parece que a realidade está chegando ao DF. Os especuladores imobiliários já não conseguem mais impor um preço de metro quadrado que não respeitava as condições de infra-estrutura, padrão de acabamento, estado de conservação, idade do imóvel, etc. Era (e ainda é, pelo menos formalmente) o tabelão, que empurra apartamentos no Noroeste para mais de R$ 12 mil o m², a Asa Norte para mais de R$ 7 mil, etc.

Parece que o modelo chegou à exaustão, atacado pela concorrência do programa Minha Casa, Minha Vida, que aumentou a oferta de imóveis em áreas periféricas, com a redução de ritmo do crescimento do setor público, que durante o período Lula enriqueceu o DF com mais cargos de melhores salários, estabilizando a demanda, e com o aumento de oferta de terras pela Terracap. O DF é uma ilha da fantasia em muitos aspectos, inclusive do seu PIB, que é em grande parte formado pelo setor público. Basta um governo neo-liberal orientado para a redução do estado chegar ao poder, reduzindo ministérios e destruindo o setor público, que o DF conhecerá o empobrecimento quase instantâneo, com consequente impacto na bolha imobiliária acumulada nos últimos anos.

Só a especulação, a nítida e promíscua relação entre governo e especuladores, explica a bolha imobiliária do DF. Não tem agricultura, não tem indústria, não tem praia ou qualquer atrativo turístico que justifique a valorização. Apenas a retração artificial de oferta, a partir do monopólio da Terracap em mãos de grandes especuladores à oferta em conta-gotas de imóveis explica tais preços atingidos. O que justifica termos aqui, num bairro no meio do nada, mas cheio de promessas, como o Noroeste, preços unitários maiores que os de áreas de luxo perto da praia no Rio de Janeiro?