Mostrando postagens com marcador guerra fria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guerra fria. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de março de 2014

Obama chama Europa para Cruzada contra a Rússia

Ontem o presidente norte-americano Barack Obama discursou na Bélgica para uma platéia de representantes de países europeus relembrando as alianças entre os EUA e a Europa nas grandes guerras. Pelo método indutivo, disse mais ou menos o seguinte: estávamos juntos na 1a Guerra, de novo na 2a Guerra e... por que não na 3a Guerra Mundial?

Obama parecia vestir a camisa da OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte - instituição militar criada para combater o bloco comunista durante a guerra fria. Com o fim desta, o desmantelamento da Cortina de Ferro e da União Soviética, perdeu seu sentido. Ainda mais com a criação da Comunidade Européia, que abrandou os sonhos militares das potências continentais. Mas a OTAN ainda tem serventia: ser o elo de ligação entre EUA e Europa, e dar a Obama um assento nas discussões do continente.

Hoje Obama vai a Roma falar com o Papa Francisco. Parece seguir um script da era medieval, pedindo a bênção para sua futura Guerra Santa contra a Rússia. Logo pressionará os países do BRICS para tentar isolar a Rússia. Não quer a criação de um mercado comum suprimindo o dólar das transações. Até a FIFA estão pressionando para impedir a Rússia de participar da Copa no Brasil.

"A coisa realmente excitante é saber que você faz parte do
 grupo que trouxe paz para o Oriente Médio daqui para sempre"
Obama foi frontalmente atingido na sua "autoridade imperial" de chefe da única superpotência que sobrou da guerra fria porque Putin, primeiro-ministro russo, disse que "acabou o mundo unipolar". Soou como heresia esse desafio ao poder norte-americano. Para piorar, Putin passou a ser referência mundial contra a arrogância americana. Dentro e fora da Rússia.

Que poder? Com a economia carcomida pela crise, com os ataques dos republicanos aos poucos direitos sociais, sem recursos para atender às demandas dos estados, Obama busca resgatar popularidade e prestígio lançando-se a aventuras como a derrubada de governos

(Egito, Síria, Líbia, Ucrânia, Venezuela), e agora recriando o ambiente de guerra fria. Dá o ultimato ao mundo: ou está com a América, ou está contra ela. Isso não é novidade: George W Bush tentou o mesmo discurso na "guerra ao terrorismo" após o 11/9/2001.

O que Obama está por descobrir é que seus parceiros europeus já conquistaram o que queriam na Ucrânia e querem agora sair do jogo. Pouco importa a Criméia para eles, afinal, a grande derrotada com a incorporação à Rússia foi a OTAN e seu patrocinador, Obama. Queriam acabar com as bases navais russas em águas quentes (as demais congelam no inverno) e meter as mãos em mísseis e outros armamentos que poderiam ser redirecionados para a Rússia. Perderam.

Em menos de uma semana a Criméia passou a ser parte da Rússia, a Comunidade Européia conseguiu a capitulação da Ucrânia ao seu domínio, o FMI já está ditando as regras e Putin está garantindo suas tropas no novo território. Resta a Obama o anacronismo da guerra-fria. Pior: das cruzadas medievais. Até no Alasca já se fala em plebiscito para voltar à Rússia...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Viagem : Coréias - A Zona Desmilitarizada (DMZ) - parte 2 : Dorasan


Na parte 1 do post sobre a DMZ mostramos que não conseguimos chegar lá, mas aprendemos e fizemos tudo certinho no dia seguinte. O último trecho de trem passa por uma ponte metálica construída ao lado dos restos bombardeados da antiga. Depois vem um trecho onde estão acampamentos de tropas de vários países (praticamente ninguém por lá) até chegarmos ao ponto final : a estação internacional Dorasan! Ela é uma ficção, uma peça cenográfica, que já recebeu como visitante George W. Bush, que deixou uma dedicatória num dormente.

Essa estação moderníssima lembra um aeroporto. A diferença é que não leva a lugar nenhum. É pura jogada de propaganda, numa demonstração de que a Coréia do Sul deseja a unificação e até já tem os esquemas para receber os trens que vierem do norte. Até placas com distâncias para Pyongyang e aduana tem, bem como bilheterias que não vendem nada. Tem raios-x para bagagem e uma plataforma enorme, com trilhos que vão até a cerca que delimita pelo lado sul a faixa neutra de fronteira de 4 km onde está um paraíso ecológico. Os animais que vivem ali sem contato com os seres humanos só sofrem algum dano quando pisam em alguma mina terrestre.

Dali fomos embarcados num ônibus (todo mundo de crachá) com aposentados muito idosos e pobres, possivelmente camponeses, e nos dirigimos ao local dos túneis cavados pela Coréia do Norte que foram encontrados pelos do sul depois de muita infiltração de espiões, etc. Depois fomos a um observatório onde é proibido apontar máquinas fotográficas da beirada do mirante para que não sejam confundidas com armas (e consequentemente alguém achar isso e mandar uma bala), onde tem uma loja de souvenirs.

Não estava permitida a visitação ao galpão da JSA - Joint Security Authority, onde autoridades do norte e do sul se encontram, talvez porque botaram no Youtube uns filmes onde os turistas "invadiram" a fronteira interna da Coréia do Norte, que passa pelo centro da mesa.

O almoço também é por conta da passagem, num restaurante simples de comida estranha mas saborosa. Depois voltamos ao trem, pegamos o outro trem e depois o terceiro trem até Seul. Perdemos a manhã toda e chegamos a Seul às 4 da tarde. Só deu para visitarmos um grande templo e passear em Gangnan, mas isso é assunto para outro post. Depois vou ajeitar esse aqui com mais detalhes.

Trocando em miúdos: se você tiver pouco tempo para visitar a Coréia do Sul, há coisas mais interessantes para ver em Seul mesmo. A DMZ é daquelas coisas que ninguém que você conhece foi lá, por isso não dá para saber se é uma roubada ou cilada. Agora que fomos, recomendamos ir só se for de excursão de ônibus, e mesmo assim se puder perder meio dia nisso.