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domingo, 26 de janeiro de 2014

Violência fascista acelerará aprovação de lei anti-manifestações

Brasília Shopping - Manifestação 'Não vai ter Copa"
No sábado percorri os locais onde haveria manifestações de "rolezinho" e anti-copa em Brasília. Passei no Iguatemi Shopping às 17h e tudo que vi foi portões fechados e seguranças particulares espalhados pela área, sem polícia. No Brasília Shopping havia bem mais polícia que manifestantes, um pequeno grupo de umas 50 pessoas, estas do movimento "não vai ter copa", amplamente convocado pelas redes sociais.

Fonte : Perfil SELVA SP - Facebook
Chegando em casa vi na TV as imagens de São Paulo da tradicional violência de mascarados contra lojas e tudo que houvesse no seu caminho. Não se falava uma palavra sobre qual o sentido da manifestação, porque uma imagem chocante resumiu tudo à barbárie. Um fusca passou por cima de um colchão colocado para ser incendiado no meio de uma avenida, possivelmente cheio de combustível, e pegou fogo. Novas imagens de pessoas de uma família saindo do carro em pânico. Por fim, o veículo destruído. Mais um grande desserviço dos Black Bloc e similares às manifestações populares legítimas.

Fico revoltado porque vi de perto o modus operandi deles. Estava na manifestação em frente ao Palácio Guanabara, no Rio, na visita do Papa no ano passado. Os caras chegam com postura imperial, pouco ligando para as pessoas que pediam para não provocar a polícia. Foram para a frente do pelotão e partiram para a provocação. Conhecendo o script caí fora, mas pude ver como eles aterrorizavam os próprios manifestantes. Eles determinam o fim de qualquer manifestação pacífica, como se fossem os donos, e trouxa é quem fica por perto para levar repressão. Escrevi sobre isso em http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/.../protestos-o...

Fonte: Brasil 247
Os organizadores do movimento ainda tentaram alisar a cabeça dos mascarados oferecendo uma foto mostrando que o colchão não estava pegando fogo e se incendiou ao contato com o calor do veículo, e que ninguém jogou o colchão em cima do carro. Atribuíram a responsabilidade pelo ocorrido ao dono do carro, que, na lógica deles, deveria ter ficado tranquilo em meio a um cenário de destruição e parar diante da barreira. E que depois os próprios manifestantes foram ajudar. O carro era de um serralheiro, usado para transportar seus trabalhos. Além de ser tachado de culpado, agora ainda terá que arcar com os prejuízos.
Fonte : Perfil NINJA - Facebook


Acho que o "não vai ter copa" armou para si a armadilha plebiscitária VAI TER X NÂO VAI TER, afinal, do lado do "vai ter copa" deverão se alinhar as principais forças políticas desde a direita interessada economicamente no evento, incluindo-se a mídia, até o PT e o governo, além, claro, de quem quer ver futebol, paixão nacional, e considerará um inimigo do povo e do Brasil quem tentar se opor ao principal evento mundial do esporte. 

Estão diretamente envolvidos no projeto Copa 2014 governos do PT, PMDB, PSDB, DEM e outros partidos, sendo previsível a unidade em torno do sucesso do evento, afinal, tanto desgaste e gastos precisam ser justificados com retornos visíveis com a viabilização dos espetáculos.

Uma coisa é ser contra a Copa por diversas razões e protestar. Outra é um pequeno grupo sem representatividade tentar privar uma grande maioria de algo que se espera, mesmo com justas motivações. Algo como ir a Salvador tentar impedir a circulação dos trios elétricos no Carnaval dizendo "não vai ter carnaval". 

O mais lamentável é a participação de grupos de esquerda como caudatários dessa violência. Não condenam achando que é uma atitude revolucionária. Avançam se eles abrirem caminho. São reféns que legitimam métodos fascistas. Que o ocorrido sirva de lição para PSTU, PSOL, Rede e outros que estejam em busca de notoriedade e votos para as eleições. São os "trouxinhas", que apanham dos fascistas e dos "coxinhas" e ainda querem ficar no meio disso como coadjuvantes perdendo credibilidade.
 
Uma escalada de violência criará as condições políticas para a aprovação da legislação de exceção da Copa que circula no Congresso, o que poderá ser um retrocesso para a organização dos movimentos sociais. http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SEGURANCA/448884-PARLAMENTARES-QUEREM-LEI-ANTITERRORISMO-ANTES-DA-COPA-DO-MUNDO.html

Além de isolados, agindo como "guias geniais do povo", os fascistas já provocaram reação do governo. Nos próximos dias a presidente Dilma reunirá os ministros da Justiça, Defesa e Esportes para discutir ações para conter a violência nos protestos. Queimaram o fusca, o filme das lutas sociais e poderão desencadear ações de repressão que poderão criminalizar todos os movimentos. A direita agradece. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

MÍDIA BANDIDA 0043 : "Não vai ter Copa"!

Na virada do ano quando programas televisivos e colunas de articulistas faziam prospecções para 2014 era quase consensual que se a Copa do Mundo acontecer e for um sucesso, Dilma ganha eleitoralmente. Caso contrário, ela perde. Simples assim. Várias especulações lançadas na mídia colocaram em dúvida se vai acontecer. Joseph Blatter, da FIFA, disse que vai haver protestos e criticou o governo pelos atrasos, jogando mais lenha na fogueira. Enfim, a sentença publicada numa coluna na Folha : "Não vai ter Copa!".

Definitivo. Os terroristas de direita do Anonymous BR já haviam lançado a dúvida, mas até aqui ninguém tinha sentenciado o "fim da Copa". E já se articula para o dia 25/1 manifestações nas sedes da Copa. Mascarados mercenários a serviço de candidaturas irão atacar candidaturas a governador e deputados com o cerco a residências, violência contra parlamentares de partidos selecionados, etc. Tudo isso vai voltar com o apoio da mídia?

É uma imensa irresponsabilidade da mídia apostar na repetição das manifestações de junho de 2013 como forma de fazer cair o prestígio e a votação de Dilma. Primeiro, porque ela venceu aquele episódio, forçando o Congresso a aceitar os royalties para a educação e saúde e a aceitar o programa Mais Médicos. Segundo porque as coisas podem sair de controle. Como no ano passado. A Globo se retirou do apoio às manifestações quando Dilma falou em Constituinte.

Se o objetivo é acabar com a Copa, a tática de barrar o acesso aos estádios já se mostrou falha. E pode suscitar violência por parte dos torcedores, que não aceitarão que o "país do futebol" estrague uma Copa em casa. Outra tática foi atemorizar os patrocinadores e isso pode acontecer novamente. Quantas concessionárias de carros, agências bancárias e veículos da Globo foram atacados no ano passado? Esse dano de imagem custou mais caro ainda à Globo, com a descoberta da sonegação de impostos e atos na porta das suas emissoras. E mais um erro: tudo na Copa gira em torno das transmissões de TV para exibir propagandas. A Globo, que tem a exclusividade de imagens, pode vir a sofrer com isso.

No caso da Globo a situação é paradoxal: seus "analistas", que não têm nenhuma independência em relação à linha editorial ditada pela empresa e, portanto, falam por ela, instigam as manifestações. Ela certamente será alvo material das manifestações. E como ficará diante dos seus parceiros na promoção da Copa? O que o Itaú deve estar dizendo da Globo apoiando manifestações onde suas agências poderão ser quebradas?

Pior para eles seria o movimento guinar à esquerda por força dos pequenos partidos que tocarão os protestos. Numa nova crise Dilma poderia vir a assumir compromissos com uma plataforma mais à esquerda com conteúdos como reforma agrária, endurecimento com questões ambientais de interesse da direita, ampliação dos direitos dos trabalhadores, regulação das mídias, etc. Assim como no ano passado, o "overshooting" contra Dilma pode sair pela culatra e a presidente  fortalecer-se mais.

Quanto ao ganho eleitoral por alguém de eventual onda de caos e destruição, tenho grandes dúvidas. A tendência de anular o voto ou não votar em ninguém se acentua quando acontece isso. Mais ainda: as cenas de vandalismo contrastarão com a imagem de Dilma apelando ao bom senso e pedindo a realização da Copa. Milhões de pessoas a entenderão como a voz sensata em meio ao caos. A jogada é muito perigosa, mas parece ser a última chance dos que já consideram a eleição derrotada.