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domingo, 26 de janeiro de 2014

Violência fascista acelerará aprovação de lei anti-manifestações

Brasília Shopping - Manifestação 'Não vai ter Copa"
No sábado percorri os locais onde haveria manifestações de "rolezinho" e anti-copa em Brasília. Passei no Iguatemi Shopping às 17h e tudo que vi foi portões fechados e seguranças particulares espalhados pela área, sem polícia. No Brasília Shopping havia bem mais polícia que manifestantes, um pequeno grupo de umas 50 pessoas, estas do movimento "não vai ter copa", amplamente convocado pelas redes sociais.

Fonte : Perfil SELVA SP - Facebook
Chegando em casa vi na TV as imagens de São Paulo da tradicional violência de mascarados contra lojas e tudo que houvesse no seu caminho. Não se falava uma palavra sobre qual o sentido da manifestação, porque uma imagem chocante resumiu tudo à barbárie. Um fusca passou por cima de um colchão colocado para ser incendiado no meio de uma avenida, possivelmente cheio de combustível, e pegou fogo. Novas imagens de pessoas de uma família saindo do carro em pânico. Por fim, o veículo destruído. Mais um grande desserviço dos Black Bloc e similares às manifestações populares legítimas.

Fico revoltado porque vi de perto o modus operandi deles. Estava na manifestação em frente ao Palácio Guanabara, no Rio, na visita do Papa no ano passado. Os caras chegam com postura imperial, pouco ligando para as pessoas que pediam para não provocar a polícia. Foram para a frente do pelotão e partiram para a provocação. Conhecendo o script caí fora, mas pude ver como eles aterrorizavam os próprios manifestantes. Eles determinam o fim de qualquer manifestação pacífica, como se fossem os donos, e trouxa é quem fica por perto para levar repressão. Escrevi sobre isso em http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/.../protestos-o...

Fonte: Brasil 247
Os organizadores do movimento ainda tentaram alisar a cabeça dos mascarados oferecendo uma foto mostrando que o colchão não estava pegando fogo e se incendiou ao contato com o calor do veículo, e que ninguém jogou o colchão em cima do carro. Atribuíram a responsabilidade pelo ocorrido ao dono do carro, que, na lógica deles, deveria ter ficado tranquilo em meio a um cenário de destruição e parar diante da barreira. E que depois os próprios manifestantes foram ajudar. O carro era de um serralheiro, usado para transportar seus trabalhos. Além de ser tachado de culpado, agora ainda terá que arcar com os prejuízos.
Fonte : Perfil NINJA - Facebook


Acho que o "não vai ter copa" armou para si a armadilha plebiscitária VAI TER X NÂO VAI TER, afinal, do lado do "vai ter copa" deverão se alinhar as principais forças políticas desde a direita interessada economicamente no evento, incluindo-se a mídia, até o PT e o governo, além, claro, de quem quer ver futebol, paixão nacional, e considerará um inimigo do povo e do Brasil quem tentar se opor ao principal evento mundial do esporte. 

Estão diretamente envolvidos no projeto Copa 2014 governos do PT, PMDB, PSDB, DEM e outros partidos, sendo previsível a unidade em torno do sucesso do evento, afinal, tanto desgaste e gastos precisam ser justificados com retornos visíveis com a viabilização dos espetáculos.

Uma coisa é ser contra a Copa por diversas razões e protestar. Outra é um pequeno grupo sem representatividade tentar privar uma grande maioria de algo que se espera, mesmo com justas motivações. Algo como ir a Salvador tentar impedir a circulação dos trios elétricos no Carnaval dizendo "não vai ter carnaval". 

O mais lamentável é a participação de grupos de esquerda como caudatários dessa violência. Não condenam achando que é uma atitude revolucionária. Avançam se eles abrirem caminho. São reféns que legitimam métodos fascistas. Que o ocorrido sirva de lição para PSTU, PSOL, Rede e outros que estejam em busca de notoriedade e votos para as eleições. São os "trouxinhas", que apanham dos fascistas e dos "coxinhas" e ainda querem ficar no meio disso como coadjuvantes perdendo credibilidade.
 
Uma escalada de violência criará as condições políticas para a aprovação da legislação de exceção da Copa que circula no Congresso, o que poderá ser um retrocesso para a organização dos movimentos sociais. http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SEGURANCA/448884-PARLAMENTARES-QUEREM-LEI-ANTITERRORISMO-ANTES-DA-COPA-DO-MUNDO.html

Além de isolados, agindo como "guias geniais do povo", os fascistas já provocaram reação do governo. Nos próximos dias a presidente Dilma reunirá os ministros da Justiça, Defesa e Esportes para discutir ações para conter a violência nos protestos. Queimaram o fusca, o filme das lutas sociais e poderão desencadear ações de repressão que poderão criminalizar todos os movimentos. A direita agradece. 

domingo, 3 de novembro de 2013

Black Bloc : A busca pela origem da violência

Na semana passada o governo federal  chamou secretários de segurança estaduais para propor ações conjuntas contra a violência que vem esvaziando manifestações em algumas cidade, com atos de destruição de patrimônio público e privado, enfrentamentos com a polícia, etc.

Ao mesmo tempo que o governo federal diz não poder deixar de reprimir a violência, quer entender as raízes do  movimento para buscar soluções, segundo Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Presidência da República. Como dialogar com um grupo que não tem cara, não tem propostas e nem interlocutores? A questão parece ser bem mais complexa, e as ações violentas continuam sem que se busque soluções. E dão margem a qualquer grupo marginal se confundir com aqueles que realmente têm algo a protestar e não dialogam com a sociedade.

"“...A linguagem aparente, insisto, aparente, é muito da destruição, da negação. Agora nós precisamos de alguma forma ter alguma ponte. Estamos buscando com muita força esse diálogo para que consigamos achar uma saída eficaz porque a repressão é necessária, mas só reprimindo não vamos resolver na profundidade o problema”, disse.
Carvalho disse que concorda com a afirmação de algumas pessoas sobre a população ter ficado, de certa forma, “refém” do movimento. “O próprio esvaziamento das manifestações mostrou isso. A população começou a recuar frente à violência”, disse. “O que nós queremos é impedir a violência, mas, ao mesmo tempo, ir à raiz do problema para entender essa questão e tomar medidas que resolvam”"... (fonte: Agência Brasil)
De certa forma  a presidente Dilma parece estar chegando perto das origens. Seu repúdio à morte de um jovem negro, via Twitter, pode ter atingido o âmago da questão: a política de gueto que leva pretos e pobres ao desrespeito pelo Estado, em especial pela polícia:
"“Nessa hora de dor, presto minha solidariedade à família e aos amigos. Assim como Douglas, milhares de outros jovens negros da periferia são vitimas cotidianas da violência. A violência contra a periferia é a manifestação mais forte da desigualdade no Brasil”, escreveu a presidenta."
O conceito Black Bloc virou uma espécie de Bombril para todas as finalidades de contestação, inclusive por fascistóides, mas se formos atrás de como apareceram vamos voltar à repressão policial ao Movimento Passe Livre, em junho. Apanharam na terça, e na quinta houve a reação, sem cara, anárquica, porque o alto preço da passagem é mais uma componente que oprime os brasileiros do gueto. E o ódio à repressão policial serviu de combustível para o que veio depois. 
Se Dilma quer saber onde está o núcleo do problema deve seguir seu pensamento e atacar o problema na origem: a periferia não aceita mais passivamente, como os judeus nos guetos do nazismo, ser institucionalmente humilhados. Pouco adianta ter havido um ascenso social, que beneficiou grandes contingentes favelados das grandes cidades, se as pessoas não forem respeitadas como cidadãs. Seu governo tenta reverter 500 anos de desigualdade e violência contra a periferia, e buscar soluções para eliminar o muro invisível entre o asfalto e a favela seria cabível. 
No Rio, em especial, o crime organizado mantinha uma estrutura de confronto com o estado opressor. A polícia era recebida a bala, o crime organizado tinha tentáculos na estrutura policial, judiciária e até no legislativo, e fazia nos territórios ocupados a própria lei, igualmente opressora porém com aspecto de guarda-chuva protetor sobre os mais oprimidos. 
A política de pacificação, objetivando dar segurança ao Rio para grandes eventos como a Copa do Mundo, tirou poder territorial dos criminosos, tentou construir uma nova relação com as comunidades mas ficou no meio do caminho, porque o tratamento de gueto continua. Até as manifestações culturais foram proibidas, como o funk. O gueto já viu isso outras vezes, quando se criminalizou o samba, a capoeira, os cultos afro, etc. 
No Rio as ações anti-Copa parecem dizer que a cidade não pode ser segregada em áreas "dos cidadãos", áreas "pacificadas", áreas "dominadas pelo tráfico" e "áreas da milícia". A cobrança pela verdade no caso Amarildo, que ganhou o país e o mundo, é uma ferida aberta pela qual se enxerga o tratamento absurdo responsável por cerca de 6 mil "amarildos" todos os anos. O governador Sérgio Cabral é visto como o responsável maior por tudo isso, o que pode justificar a força do movimento "Fora Cabral", a ocupação da sua rua, etc. A denúncia da chacina na Favela da Maré, exposta em todos os viadutos da Avenida Brasil, também cobrou providências além da busca dos culpados, mas de respeito às pessoas das comunidades.


Dilma tem que entender esses sinais e atacar o problema de frente. Há uma dívida no campo dos direitos humanos em relação à população da periferia. É preciso rigor contra as torturas, as batidas policiais ilegais, as milícias, e respeitar o direito à organização sócio-cultural nas comunidades. A emancipação da periferia como parte cidadã no tecido social é o preço a pagar para a redução da violência em todos os sentidos. São 513 anos do mesmo, Dilma. A coragem para enfrentar e mudar essa realidade é a chave do sucesso. Não dá mais para fazer de conta que essa dívida não existe. 





segunda-feira, 17 de junho de 2013

YOUTROUXA 0023 - Relatório secreto da PM-SP culpa PSOL e punks por vandalismo

Assim que foram abertos arquivos de informações pessoais de oposicionistas da ditadura se pode constatar os disparates que os arapongas e agentes secretos escreviam, muitos sem entender o que se passava. Muita gente foi presa,perdeu emprego, foi torturada, teve que exilar-se e até morreu por causa desse tipo de "ficha criminal" kafkiana. Ontem a Folha http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1295714-servico-secreto-da-pm-diz-que-psol-recruta-punks-para-protestos.shtml, que o PSOL teria pago a punks para promoverem os atos de vandalismo vistos na terça-feira passada.

O pior não é os réus criarem provas para acusar outros, já que neste momento há muito o que se investigar da ação da polícia nos atos da quinta-feira, quando reprimiram com extrema violência uma manifestação pacífica. Há sites ligados à corrente majoritária do PT que estão colocando esse relatório suspeito como "prova real" contra o PSOL. Parece que tem gente perdendo a noção e passando recibo de credibilidade à falta de transparência dos órgãos de repressão, e repassando essa "informação secreta" como digna de credibilidade.

As imagens fugiram ao controle da mídia que apoia a repressão e correram o mundo pela internet (razão pela qual agora a polícia estaria passando a roubar celulares e câmeras dos manifestantes e de qualquer pessoa que registre suas barbaridades). A cada porrada dada num manifestante aparecerão mais e mais pessoas solidárias. O movimento de São Paulo repercutiu pela TV e mídias sociais e agora em todo o país, até em Minas, onde o tucanato conseguiu na justiça a proibição de manifestações (quase um estado de sítio), e agora até cidades menores protestam.

A tampa de uma panela de pressão foi aberta, e agora transbordam insatisfações de setores que não enxergam um bom futuro nesta sociedade. Há anarquistas, punks, socialistas organizados e não organizados, curiosos, partidos que não dirigem o movimento mas querem faturar em cima, gente que vai na onda, gente que objetivamente tem foco na reivindicação (MPL, por exemplo) e muito oba-oba sem preocupação com as armadilhas do mundo real. Como soltar um cachorro criado em apartamento no meio da rua, podendo ser atropelado a qualquer momento.

Os governos devem descer dos pedestais e ouvir a voz dessas pessoas, que podem estar representando os anseios de milhões de outras que não se arriscam ou por comodidade não vão à luta. A última coisa é reprimir, porque a espiral de violência tende a crescer. É bom lembrar do caso do estudante Edson Luis, no Rio em 1968, cuja morte foi o estopim para manifestações imensas de rua que culminaram com o endurecimento da ditadura e o AI-5.

Basta um só morto para termos a explosão de ânimos, o que favorece em especial a golpistas de direita que baterão às portas do Judiciário (vide a deposição de Fernando Lugo, do Paraguai, acusado de omissão na morte de 17 pessoas numa reintegração de posse) ou dos quartéis para "restabelecer a ordem, acabar com a baderna e combater o comunismo". A direita já tem marcha marcada para o dia 10 de junho "com Deus contra o comunismo). É um misto de 64 com 68.

Governadores também devem tomar conta das suas polícias militares, para que não ajam com autonomia em relação ao poder civil. No Rio (PMDB), São Paulo (PSDB) e em Brasília (PT) houve um traço comum na ação policial, que foi a violência brutal contra ativistas em postura pacífica, podendo indicar indisciplina em relação à hierarquia civil. Não dá para vermos Alckmin, diante de tudo que foi mostrado, falar em "eventuais abusos serão apurados", e mesmo assim pela corregedoria, que é da casa, assim como os "relatórios secretos" da P2.

PS: Alerto que esse texto não afirma que o PSOL e os Punks foram os responsáveis pelo vandalismo. Aviso só porque tem gente que não lê o texto e acha que ele é favorável ao que está no tópico. Quem acredita no tópico é que é o trouxa, ok? 

sábado, 15 de junho de 2013

Mídia Bandida 0025 - Não deu para esconder truculência policial

Se o movimento que reivindica melhor e mais barato transporte coletivo acabasse hoje, os manifestantes teriam ganhado no segundo round na mídia. No primeiro, na terça, houve dos noticiários, autoridades e editoriais unanimidade em tachar o movimento de baderneiro, de ressaltar o vandalismo, e jogar a sociedade contra o movimento.

No "fight" da quinta em São Paulo o jogo virou. Ficou patente que os manifestantes estavam fazendo um movimento pacífico e, enquanto as lideranças negociavam com a polícia, um grupo do batalhão de choque chegou e saiu atirando de tudo para todo lado. Tiros de balas de borracha à queima-roupa equivalem a munição letal, e isso foi feito. Jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas não foram poupados. Até pessoas nas janelas dos prédios foram alvejadas. Policial foi flagrado quebrando o vidro da viatura da polícia. Pessoas que passavam em ônibus e carros foram sufocadas pelo gás de pimenta. Bombas de efeito moral jogadas nas vizinhanças de hospitais. Um enorme número de feridos.

Dessa vez não foi possível esconder a assimetria de forças: um lado fortemente armado e equipado, o outro, população civil desarmada e indefesa. No jornal da Globonews das 18h ontem, por mais que a apresentadora tenha recebido instruções para empatar o jogo, a todo momento ressaltando que "a violência foi de lado a lado", não era possível esconder a sua revolta com o ataque covarde aos seus colegas de imprensa. Um repórter do G1 foi entrevistado e o seu depoimento jogou por terra a versão da polícia de que os manifestantes descumpriram um acordo. Disse que estava cobrindo a negociação entre lideranças e a polícia quando chegou o choque e começou o massacre.

No mundo inteiro houve apoios aos protestos. No próximo dia 18 haverá manifestações em várias cidades de outros países em apoio aos manifestos no Brasil por melhores transportes e contra a truculência policial, problema que também atinge outras populações. A Anistia Internacional pediu investigações. A ONG Repórteres Sem Fronteira, que denuncia violência contra a imprensa, também quer apuração dos fatos.

A unanimidade mídia/governos foi rompida. O prefeito Fernando Haddad e os ministros Idely Salvati e José Eduardo Cardozo condenaram a violência e pediram explicações. Do outro lado o governador Alckmin e o secretário de segurança de São Paulo, Grella, acuados pelas pressões, falavam em "eventuais excessos", quando a mídia já rejeitava esse discurso e falavam de abusos abertamente. Até o jornal Nacional não conseguiu abrandar muito a responsabilidade sobre o governo de São Paulo.

O elemento novo nisso tudo está nas redes sociais, tanto para a organização das ações como para quebrar a visão única da mídia bandida. Videos e fotos circularam pelo mundo, impedindo que a versão parcial dos grandes meios de comunicação virasse verdade. Até a imagem do policial quebrando o vidro da viatura da polícia saiu no Jornal Nacional, associado à versão da polícia: o policial estaria tirando o que restou do vidro já quebrado por manifestantes...

Outro ponto comum na mídia bandida é a tentativa de desqualificação do movimento a partir da falta de lideranças, como se fosse anárquico. A minimização da participação de partidos de esquerda e a tentativa de politização também estão no discurso. O ruim para eles é que não tem como botar a culpa no inimigo mortal, o PT. Nem para levantar a bola dos tucanos, afinal, a polícia é deles. A inexperiência da mídia bandida na cobertura de eventos de ação direta não está permitindo faturar nada com isso. Só lhes resta a criminalização e tentar buscar de autoridades o consenso contra a "baderna e vandalismo".

O saldo é que agora as autoridades terão que negociar. Abrir planilhas, dar transparência do custo das passagens. O prefeito de São Paulo marcou reunião com o Movimento Passe Livre na terça-feira para buscar soluções. Anteriormente disse que não voltaria atrás, o que certamente deverá mudar nas negociações. Já o governo de São Paulo, responsável pelos aumentos do metrô e dos trens, não buscou até agora o diálogo.

As lideranças devem ter todo o cuidado com a infiltração de agitadores que criarão situações de confronto desnecessárias, dando à mídia bandida material para criminalizar o movimento como baderna e vandalismo. A luta está ganhando e não pode parar, mas é necessário todo o cuidado para evitar que tudo se perca a partir de vaciladas de militantes ou de ações de gente que não tem nada a ver com o movimento, tanto os plantados para traí-lo como para provocar mais violência.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Polícia Militar é entulho da ditadura e deve ser extinta

Em todo o mundo as polícias militares atuam apenas no interior das forças armadas. No Brasil a ditadura militar a tirou dos quartéis e botou nas ruas, sem a formação que seria necessária para tratar com a sociedade civil, e hoje um dos resultados mais aterradores é que a PM de São Paulo mata nove vezes mais que a polícia norte-americana. Independentemente das últimas agressões contra os movimentos sociais, devemos discutir a sua extinção e a implementação de uma nova polícia civil. Vide artigo interessante do filósofo Vladimir Safatle publicado na Folha:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/1124692-pela-extincao-da-pm.shtml

sábado, 16 de março de 2013

Rio : Homofobia e quase agressão no metrô

Sexta, 21:30h. Metrô saindo da S. Pena. Poucas pessoas no vagão. Estava cansado, sonolento, quando começo a ouvir um senhor no banco à frente do meu falando alto coisas incompreensíveis, agitando os braços. "Isso é um absurdo, uma indecência, vergonhoso!", etc. Olhando mais adiante para as poltronas do outro lado do vagão, que ficavam em frente à que eu estava, havia duas garotas de uns 20 anos abraçadas, uma com a cabeça no ombro da outra. Uma fazia carinhos com a mão no cabelo da outra, que respondia com beijinhos no rosto. Podiam ser irmãs, até eram parecidas. Nada que caracterizasse homoafetividade naquela cena.

Não era isso que esse senhor achava. Como elas estavam longe e o vagão antigo fazia muito barulho, as garotas não perceberam a ameaça iminente que representava o homofóbico possesso, que poderia a qualquer momento tentar agredi-las. Tentou conseguir a minha concordância para o seu preconceito, afinal, é assim que começam os linchamentos, com a adesão de mais gente para encorajar a tomada de atitudes violentas através do discurso. Da minha parte, tentei acalmá-lo, dizendo que não tinha nada de mais, que nada daquilo era obsceno, que as pessoas tinham direito de escolha. A fúria do homem nesse momento se voltou contra mim.

Tive receio dele ter um ataque cardíaco. Ofegante, olhos esbugalhados, suando. Devia ter uns 70 anos, mas era forte o suficiente para machucar as garotas se as agredisse. Quanto o metrô parou na Central do Brasil, ele se levantou de sopetão. Levantei junto, achando que ele iria se dirigir às garotas, para intervir em caso de ameaça física. As duas a essa altura já tinham se dado conta da revolta do homem em relação a elas e pareciam se preparar para levantar e correr. Ele parou na porta do vagão, disse alguns impropérios indecifráveis, saltou e ainda ficou na estação apontando para elas e falando indignado.

Fico imaginando o que aconteceria se o trem tivesse mais gente e o senhor conseguisse convencer mais alguns para apoiar o seu preconceito. Certamente ele se sentiria apoiado para ir lá tomar satisfações. Nunca vi uma cena assim. O fato é que o discurso homofóbico, estimulado por políticos, religiosos e direitistas de todos os matizes consegue atingir algumas pessoas que podem se propor à violência, que não se restringe mais a neonazistas, skinheads e outros marginais. E a Câmara dos Deputados ainda tem um homofóbico e racista à frente da Comissão de Direitos Humanos, para piorar a situação. 

sábado, 5 de maio de 2012

Vascaínos : Caso de polícia ou psiquiatra?

Hoje morreu o torcedor do Flamengo Bruno Saturnino, de 31 anos, linchado por membros de uma torcida organizada do Vasco no último domingo. Bruno vinha no ônibus que recolheu dez torcedores do Vasco que saíam do Estádio do Engenhão depois da derrota para o Botafogo, que rendeu mais um vice-campeonato ao time de São Januário. Reconhecendo, mesmo sem camisa de time, o torcedor flamenguista, começaram a intimidá-lo. Bruno não reagiu e teve que sair do ônibus pela janela para escapar ao cerco violento. Correu mais de 300 m com a horda vascaína ensandecida atrás dele. Foi brutalmente espancado, principalmente na cabeça, e veio a falecer hoje de parada cardíaca, deixando filha de 3 anos. Era pintor.

O que justifica essa covardia selvagem? Não era dessas insanas lutas de torcidas, que marcam hora e local para enfrentamentos em igualdade de condições. Foi um linchamento. O que levou os torcedores vascaínos a isso? A princípio o caso merece o tratamento policial, para que não fique impune. E isso não é só para os vascaínos covardes, mas para todo e qualquer torcedor que ultrapasse o limite da tolerância. No caso do Vasco, há considerações a se fazer no campo da saúde mental.

Por que tomaram a iniciativa de hostilizar um flamenguista "à paisana" no ônibus? Paranóia dele fazer o comentário cruel para a oportunidade, ou seja, falar "vice de novo?". Explosão em reação a anos e anos de bullying da torcida rubro-negra e pelas humilhações no campo esportivo? Tem muita revolta acumulada nas mentes vascaínas. Cada vez mais assumem o papel de "loucos" pelo time, a exemplo da Fiel corintiana, que aguentou 21 anos sem ver títulos.

Para ilustrar a necessidade de análise psicológica dos vascaínos, fotografei a capa do jornal "O Meu Vascão" desta semana, que circula no Rio de Janeiro. No topo, eles se declaram "Tribuna de Resistência do Verdadeiro Time do Povo". A palavra "resistência" presume a existência de alguma forma de opressão. De quem? Mania de perseguição? E o "Verdadeiro Time do Povo"? Seria uma espécie de auto-nomeação como salvadores dos oprimidos ou pura esquizofrenia, já que pelo menos o Flamengo e o Botafogo têm torcida em todas as camadas sociais, principalmente nas mais populares.

Aí vem a matéria principal : "Apenas 10 jogos separam o Vasco do título mundial". Parece que o time vai cumprir tabela até receber a taça em Tóquio, e nada mais irá impedir isso. Seriam ungidos? Megalomania ou esquizofrenia?

No subtítulo a demência fica patente : "Uma conquista inédita para o futebol carioca". Qualquer poste ou tampão voador da Light no Rio sabe que o Flamengo foi campeão mundial interclubes em 1981, e que comemorou os 30 anos dessa conquista no final do ano passado. Os vascaínos, mais até que os flamenguistas, porque sabem tudo o que se passa no time rival, não poderiam desconhecer esse fato. Conquista inédita é vice-campeão mundial e campeão da segundona do Brasileirão, títulos que o Vasco "ostenta" com orgulho. Que perda de memória profunda foi essa? Médico é para essas coisas.

E tem mais: em letras menores, outra "notícia": "Na Europa, Barcelona amarela feio ao saber do risco de encarar o time do mito Dedé no Japão". Desde quando o Barcelona ouviu falar no Vasco? E de Dedé? Megalomania, esquizofrenia ou tudo junto?

Não acabou: logo abaixo, uma outra notícia digna de apreciação por junta psiquiátrica: "Dois times de nível médio disputam o estadual". Estariam se referindo à final do estadual do Rio, entre Fluminense e Botafogo, dois times que, assim como o Vasco, já desceram às profundas da segunda divisão? No Rio só há um clube que foi campeão mundial, sempre foi da primeira divisão e que acaba de completar 100 anos de futebol, com a maior torcida do mundo. Não precisaria dizer que time é esse, mas antes que os vascaínos achem que é o deles, digo logo que só o Mengão ostenta toda essa história.