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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Dilma fortalece Petrobrás ---> ações caem!

Imagine-se possuidor de ações de uma empresa de petróleo que espera tirar dividendos como renda. O que faria diante da notícia dizendo que a empresa ganhou, sem licitação, os direitos para continuar explorando um dos maiores campos de petróleo do mundo? Teria motivos para comemorar, certo? Sim, em qualquer lugar do mundo, menos no Brasil.

A Petrobrás ganhou esse direito nos 4 campos que já explora ao norte de Libra, recém-licitado por US$ 15 bi. As ações, contraditoriamente, foram massacradas na bolsa. Essa decisão do governo garantirá à empresa reservas entre 10 bilhões e 15 bilhões de barris e levar a um desembolso de R$ 15 bilhões em bônus e antecipações. Negativaram o potencial ganho!

Por que isto acontece? O tal "mercado", que está virando uma quadrilha de especuladores, criou suas próprias verdades, onde a máxima é: "intervenção estatal derruba ações". Nessa lógica uma pesquisa eleitoral onde Dilma cresce, as ações caem porque ela é identificada com a defesa dos interesses nacionais. Se Aécio cresce, as ações sobem, porque é identificado com a privatização e o entreguismo. 

O pior para o tal "mercado" é que essa cessão do governo à Petrobrás liquida, na prática, o fim do monopólio perpetrado por FHC nos anos 90. Desde então entidades da sociedade lutam para que o monopólio da Petrobrás seja restabelecido. No ano passado houve uma greve de petroleiros de 7 dias contra o leilão de Libra. Agora parece que o governo resolveu atender. E desagradar aos interesses dos grandes grupos no nosso petróleo. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

YOUTROUXA 099 : "Petrobrás tem dívida de R$ 270 bi e diretores vão ganhar mais 120%"

Mais uma desonestidade do perfil Fora PT do Facebook, contribuindo para o terrorismo em torno da Petrobrás. Quando estoura a manada da mídia bandida, associada com a oposição e a grana farta dos interesses estrangeiros, todo mundo se acha à vontade para jogar pedras no linchamento.

Para começar os caluniadores do Fora PT deveriam se entender no próprio texto da mensagem: na manchete falam em reajuste de 120%, e em letras miúdas falam em 10% nos honorários de diretoria.

Para quem não entende nada de gestão empresarial, a imagem assusta, afinal, a dívida é maior que o patrimônio. No entanto, toda vez que a Petrobrás vai
ao mercado pedir empréstimos, ninguém nega. Estariam os banqueiros e investidores loucos? Estão fazendo filantropia? Ou alguém está te enganando mesmo?

Quem tem noção do que é empresa, mercado, financiamentos, sabe que a Petrobrás tem condições de pagar os empréstimos. Está investindo pesado desde o governo Lula em prospecção, plataformas (cada uma custa R$ 1,5 bi), navios, refinarias e principalmente desenvolvendo poços no pré-sal. No ano que vem uma boa parte do investimento começa a gerar caixa e virá o alívio da empresa.

Mas não é isso que se pretende com toda essa onda de terrorismo contra a Petrobrás e criminalização do governo. Querem que ela abra mão dos campos que tem direito pelo modelo de partilha adotado para o pré-sal, para favorecer empresas estrangeiras. Querem que ela saia vendendo esses direitos. E como a empresa tem ações na Bolsa de Nova Iorque, os acionistas estrangeiros pressionam para que se aumente o preço dos combustíveis por aqui. Se o governo aumentasse a gasolina isso tudo parava, porque os lucros no próximo balanço aumentariam mais (já são elevadíssimos) e os mesmos que hoje aterrorizam com esse tipo de mensagem seriam os primeiros a atacar o governo com aquela estória de "gasolina mais cara do mundo".

No mais, interessa a esses grupos parar a Petrobrás, porque é a maior indutora de desenvolvimento no Brasil hoje. Os inimigos do Brasil entendem que sabotando a empresa pararão a economia, gerarão desemprego e criarão insatisfação eleitora. São os mesmos que nunca foram punidos no afundamento da plataforma P-36, nem pela tentativa de privatização da empresa (Petrobrax). Não é à toa que o candidato Aécio Neves já fala em mudar o modelo de partilha do pré-sal para o anterior, que era bem mais favorável aos estrangeiros. Traidores e vendilhões não têm moral para criticar. 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pré-Sal : Juros devoram Libra em 1 ano

Começo este post afirmando que sou favorável ao monopólio estatal do petróleo, tese vencedora há 60 anos quando se debatia a participação de estrangeiros na exploração do óleo brasileiro. Na época a tese dos entreguistas dizia que o petróleo brasileiro era de alto risco para exploração por isso somente os estrangeiros teriam tecnologia e capitais para explorá-los. Entre os nacionalistas havia a desconfiança de que os grandes trustes quisessem adquirir os blocos de concessões apenas para deixá-los intatos, para que não houvesse concorrência com seus poços em outros países e o Brasil ficasse apenas na condição de consumidor.

Vencida essa batalha com o grande movimento de ruas "O petróleo é nosso", a lei 2004 /53 e a criação da Petrobrás para explorá-lo, tivemos o total monopólio até que no governo FHC entrasse em vigor a lei 9478/97, permitindo que a União contratasse empresas privadas para explorá-lo. Até 1997 a União tinha 87% do capital da Petrobrás. Ao final do governo FHC tinha apenas 40,6%, mantendo o controle através da maioria das ações ordinárias. Em 2002 os estrangeiros detinham 36,3% do capital. Em agosto de 2013 a União Federal detinha 28,7% do capital social que serve de base para a distribuição de dividendos. Em suma: de tudo que a Petrobrás distribui de lucros apenas 28,7% vão diretamente para o Tesouro Nacional. Hoje o Governo tem 65% das ações com direito a voto. Defender que a Petrobrás tenha monopólio da exploração com a atual composição societária é ficar com menos de 1/3 da riqueza. O resto será apropriado por privados, brasileiros ou estrangeiros.

A luta dos petroleiros tem as bandeiras corretas: Petrobrás 100% pública explorando o monopólio estatal do petróleo. Lula, em uma de suas campanhas à presidência, chegou a defender o monopólio. Dilma também. Em seus governos, entretanto, continuaram a ser feitos leilões de concessões de petróleo.

O estupro de Libra foi inevitável. A sociedade como um todo não abraça essa luta de defesa das riquezas diante da baixa auto-estima e do complexo de vira-latas incutido sem descanso pelas mídias do capital. Há quem prefira gastar suas energias para libertar cachorrinhos bonitinhos em vez de lutar por algo realmente estratégico.

Dilma foi à TV ontem falar dos números grandes de Libra, e um em especial chamou a atenção: em 35 anos de exploração os royalties renderão R$ 1 trilhão para saúde e educação. Esse número bate com o que pagaremos de juros e rolagens de dívida apenas neste ano! Libra será engolida pelos banqueiros rapidamente. Quantos outros campos do pré-sal entrarão nesse banquete?

Aí vem o problema de foco dos que lutam pelas ruas. Apedreja-se e saqueia-se agências bancárias porque seriam "símbolos do capitalismo", "patrocinadoras da Copa do Mundo" e outras motivações, mas fazer um movimento pesado para que o país pare de servir aos banqueiros, poucos se interessam. Vamos dar 44% do orçamento de 2013 para os bancos, enquanto se luta no varejinho por 10% para educação tirando-se dinheiro de outras fontes, deixando os banqueiros intocáveis com superávits primários construídos com sangue e suor.

De pouco vai adiantar tirar do subsolo toda essa riqueza, com ou sem monopólio e Petrobrás estatais, se continuarmos engordando rentistas. A auditoria soberana da dívida pública, que já foi bandeira no passado quando o PT era oposição, se faz fundamental para que saibamos no que se empenha o nosso futuro e nos sacrifica no presente. Não adianta nos perdermos se a solução foi a melhor dentro da conjuntura, se o modelo de partilha é melhor que o de concessão, se o Brasil vai ficar com 85% do que será produzido de riqueza, de empregos criados, se o PT privatiza mais que o PSDB, se foi mais soberano que a entrega tucana, etc, etc, se vamos continuar sangrando. Sem lutarmos contra o foco principal os elefantes vão continuar sendo engolidos e continuaremos a nos engasgar com mosquitos.