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sábado, 17 de janeiro de 2015

MÍDIA BANDIDA 0071 : "Dilma trai eleitor e faz o programa da oposição"

Lula e Dilma fizeram governos frágeis, sustentados no malabarismo da governabilidade com uma base aliada com alhos e bugalhos. Tem de tudo. Mesmo assim, conseguiram produzir resultados impensáveis nos 500 anos que os antecederam, de governo bem mais uniformes. Falou mais alto a vontade política de melhorar as condições de vida do povo, mesmo ao preço de concessões a políticos como Sarney, Renan, Collor & outros bichos. Se eles se venderam e aprovaram coisas que no passado combateram, o problema é deles.

O governo Dilma II não seria diferente. A artilharia pesada da oposição associada à mídia conseguiu rotular seu governo de corrupto, embora o discurso não seja condizente com a quantidade de pessoas processadas ou presas. E ainda há o questionamento do Mensalão, onde pessoas foram condenadas sem provas por razões meramente político-eleitorais. Já do lado da oposição o esforço para ocultar corrupção é hercúleo, desde o mensalão do Azeredo, aeroporto de Cláudio, trensalão, etc. E a  base aliada de Dilma também não escapa a uma peneira fina.

O PT perdeu espaços no Congresso, e hoje tem menos deputados e senadores. Isso a obriga a fazer mais concessões, até porque o PSB, que era aliado, agora é oposição alinhada com os tucanos. Marina Silva também tucanou. O malabarismo agora tem mais elementos e menos margem de manobra, já que a oposição partiu para o ataque suicida: ou derruba Dilma, ou vai esperar mais 4 anos para esperar depois mais 8 de Lula ou outro que a suceda. Até lá a mídia tradicional já se acabou, o país mudou e o atraso vai ficar para trás.

Aí vem a VEJA, com seu histórico de armações, fraudes e manipulações, e coloca na capa que Dilma está fazendo o programa da oposição. Ou seja, que cometeu estelionato eleitoral porque prometeu e não cumpriu o que prometeu, como aumentar juros, criar impostos, mexer com direitos dos trabalhadores, etc. A capa, nas cores tucanas azul-amarela, escancara a revista como jornal partidário e confirma a correta e republicana decisão do governo de não gastar mais dinheiro de publicidade oficial na revista para não caracterizar privilégio a partido político.

Tenho visto muita gente postando figurinhas na Internet até defendendo as propostas que Dilma fez nas eleições. Gente que odeia trabalhadores, que quer mais é a volta da escravidão, achando absurdo que se mude as regras de acesso á aposentadoria.

Pergunta que não quer calar: se querem que os eleitores de Dilma, que votaram nela sabendo de tudo o que poderia acontecer apenas para se livrarem do atraso da oposição, voltem-se contra ela, na prática estão pedindo para os eleitores do playboy derrotado apoiem Dilma, afinal, ela seria a verdadeira defensora do programa neoliberal, do saco de maldades, etc. Vamos lá, VEJA, comece a apoiar Dilma, afinal, o programa dela não é o dos tucanos? Globo, Dilma te pertence, pode sair do armário, pois Dilma faz o que sempre defenderam. Não é assim?

terça-feira, 13 de maio de 2014

Fundos de Pensão : Sobrevivendo aos juros mais baixos e à política

Evolução SELIC e juros reais - Gov. Dilma - Fonte: Acionistas.com.br
Há poucos dias uma dessas notícias da campanha negativa da mídia dizia que diversos fundos de pensão de funcionários de estatais estariam sendo mal geridos por gente do PT, deficitários, etc. O fato é que os cenários de longo prazo estão mudando, e a culpa de fato é do PT, em especial de Dilma Roussef, que cometeu a "heresia" de tentar baixar as taxas de juros como nunca antes na história deste país.

Apenas para recordar, fechamos o ano de 2012 com a taxa de juros real (SELIC menos inflação) de 1,41%. Rentistas (pessoas e empresas que vivem de ganhar dinheiro de rendas de títulos ofertados pelos bancos) entraram em pânico, porque os ganhos desabaram. Para dar idéia disso, quando FHC deixou o governo no início de 2003 entregou a Lula uma taxa SELIC de 24,9% e uma inflação de 12,53%, ou seja, os juros reais estavam em 12,37%, fazendo a alegria dos rentistas.

Quem tivesse aplicado R$ 1 milhão no governo FHC, teria chegado à posse de Lula recebendo em 2002 algo na faixa de R$ 120 mil ao ano, dos quais se descontariam impostos, taxas de administração, etc. Algo bruto na faixa de R$ 10 mil por mês, muito dinheiro naquela época. Esse mesmo rentista, se tivesse em 2002 os juros reais do governo Dilma de 1,41%, levaria no ano R$ 14,1 mil menos encargos. Algo em torno de R$ 1200 por mês, naquela época.

Os fundos de pensão, que têm obrigatoriamente em suas carteiras uma pesada participação de títulos, nadavam de braçada até a posse de Dilma, quando o tucano Meireles deixou o Banco Central, que mesmo no governo Lula era um sindicato dos banqueiros (mantinha-se juros absurdos a preço de nada). Lula entregou a Dilma o Brasil com SELIC de 11%, inflação de 6,5% e taxa real de juros de 4,5%   (valores muito semelhantes aos atuais). Os rentistas ainda estavam tirando um bom dinheiro líquido, bem menos que durante o período FHC. A partir do governo Dilma as coisas pioraram para quem tem muito dinheiro aplicado em rendas sem trabalhar.

Quando terminou 2012 os ataques contra Dilma já eram ferozes por parte da mídia, nacional e estrangeira. Em maio daquele ano ela alterou as regras da poupança, porque os rendimentos de títulos já estavam chegando a níveis abaixo dos 6% + SELIC da caderneta. Foi um "deus-nos-acuda" na mídia financista. Disseram que haveria rebelião dos poupadores. Dilma não se importou com a grita, passou o trator e mudou a regra. E nada aconteceu. Pelo contrário, a partir dali os investimentos em poupança aumentaram muito.

Entramos em 2013 com Dilma baixando em 20% as contas de energia. Nova gritaria da mídia dos bancos e rentistas, porque impactaria na inflação de forma a permitir novas quedas da SELIC e dos juros reais. Em março entraram com a campanha do tomate, com a campanha da "inflação fora de controle que precisa da elevação dos juros para ser controlada". O COPOM novamente reduziu os juros, para descontrole completo dos rentistas.

Por razões aparentemente outras, começaram a surgir discursos por um golpe de estado. Em maio, pegando carona numa luta por congelamento de passagens de ônibus, mídia e grupos patrocinados se juntaram às manifestações de rua e ameaçaram a derrubada do governo. Por coincidência, em marco de 2012 a taxa de juros real chegou a inacreditavelmente baixos 0,66%, em maio ficou em 1,01%. De junho para a frente a taxa real voltou a subir, a mídia golpista baixou o tom mas continuou até hoje em ataques arrasadores contra o governo Dilma, patrocinada pelos bancos e especuladores.

Absurdamente,  no orçamento de 2014 mais de 40% do dinheiro que pagamos de impostos vai para juros e rolagem de dívidas. Isso dá mais de R$ 1 trilhão, mas as pessoas preferem se mobilizar contra os R$ 8 bi para a Copa que contra o grande ralo por onde vai o nosso futuro para alimentar rentistas e banqueiros. Esse parasitismo não vai poder continuar mais.

O fato é que no ano passado os juros reais ficaram muito abaixo das metas atuariais dos principais fundos de pensão, que concentram até 60% dos seus ativos em títulos. Esses fundos precisam de cerca de 6% de retorno para manter os compromissos com os planos de benefícios dos aposentados. Não conseguiram. As bolsas também não deram bons retornos. Apenas os investimentos em imóveis, em alguns casos, garantiram rendas acima da meta atuarial em vários fundos. Conclusão: ou mudam o mix de investimentos para aumentar os rendimentos ou vão ter que aumentar as contribuições dos participantes (no caso de benefício definido).

Na PREVI não houve déficit, mas o superávit não garantiu a continuidade do Benefício Especial Temporário (BET), que terminou em janeiro de 2014, e as contribuições voltaram tanto para os associados como para o patrocinador, Banco do Brasil.

O que será o futuro? Nos países capitalistas onde as rendas vêm da produção as taxas de juros hoje praticadas estão na faixa de 1% anuais. Em economia quando o juro cai a atividade econômica se diversifica. No Brasil, se tenta o golpe de estado para botar um governo submisso ao rentismo. O caminho será o mercado de renda variável (ações) e/ou participação em negócios de infra-estrutura, como as parcerias público-privadas de retorno a longo prazo. A queda de juros reais veio para ficar, e não dá para ficar contando com o passado "glorioso" do ganho sem risco nem trabalho ao qual os investidores se acostumaram no Brasil.

Aí é que mora o perigo nos fundos de pensão atrelados aos governos. Qualquer governo. Podemos ter ordens expressas do Planalto para aderirem tanto a emprendimentos pesados (trem-bala, ferrovias, etc) com retornos duvidosos ou, no caso de mudanças, para participações nesse tipo de negócios e/ ou privatizações.

O melhor que os associados podem fazer, onde houver participação por eleições de diretores e conselheiros, é não permitir a hegemonia partidária de nenhum grupo, para que quaisquer que sejam as decisões venham a ser debatidas antes de serem adotadas. Eleger gente ligada a um ou outro governo é perder a capacidade de evitar a má-gestão que pode passar por cima das decisões técnicas e enveredar para os projetos político-partidários sem levar em conta a saúde dos planos. 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

YOUTROUXA 0080 - : "Brasil falido precisa pegar empréstimo para pagar o Bolsa-Esmola"

Mais um desserviço do grupo que usa o mito "Anonymous" para se legitimar como dono da verdade, desta vez com a mensagem "Brasil fez empréstimos no Banco Mundial para o Bolsa-Família".  Sim, e daí? Qual o problema de pegar dinheiro a juros bem mais baixos que os praticados no mercado nacional, com prazo de até 20 anos e carência, para usar no programa reconhecidamente mais bem sucedido no mundo de combate à miséria?

Desde 1949 os governos brasileiros recorrem ao Banco Mundial para financiar os mais diversos setores (vide gráfico). Só agora, ao receber a última parcela do empréstimo, que ninguém da oposição, Tribunal de Contas ou qualquer outro potencial crítico ou fiscalizador tenha falado nada? Não é porque todos cochilaram, mas é porque é normal, corriqueiro. Todos os governos fizeram isso. Por que então a "novidade", o "absurdo", coisa de quem diz ter acordado no ano passado? Não é para debater, é para aterrorizar mesmo.

A questão é propositalmente desinformar para criar o preconceito de um "governo incompetente", que serve a vários interesses. Algo como denegrir a imagem da Petrobrás, baixar o preço das suas ações para comprá-las barato, depois encher a mídia de informações positivas, elevar os preços das ações e vendê-las com grandes lucros especulativos.

Sim, o Brasil pegou dinheiro emprestado para acabar com a miséria. Os projetos apresentados tinham esse escopo e o Banco Mundial, que é muito criterioso na aprovação de empréstimos, não apenas concordou em emprestar US$ 16 bi como enche a bola do projeto, copiado no mundo todo, até por Japão e Suíça. 

A matéria tendenciosa também desperta comentários como "tem dinheiro sobrando para emprestar em Cuba mas falta para o bolsa-família", característicos de pessoas que não têm noção de finanças. Negócios não são como finanças pessoais, onde se recorre a um banco na hora do sufoco ou por falta de opção de comprar à vista. Uma empresa se alavanca com crédito procurando as fontes mais baratas: capital próprio, capital de acionistas, linhas de crédito mais baratas e finalmente, em caso de sufoco, agiotas legalizados.

Se minha empresa quer crescer e obrigatoriamente vou tomar dinheiro dos outros, que seja pelas melhores condições. Ou seja, quando o Brasil pega dinheiro do Banco Mundial a juros baratos, deixa de pegar com um banco brasileiro pagando na base da SELIC, que hoje está em 10,5%. Não é melhor pegar num banco que cobra 3%? É o que empresas e governos sadios com credibilidade fazem. Nada de excepcional, escuso, anti-patriótico.

O problema dos ditos Anonymous não é o empréstimo, mas a finalidade: Bolsa-Família. Fazem o discurso dos que não aceitam a ascensão social, da direita, que quer um imenso exército de miseráveis para solapar o mercado de trabalho aceitando condições péssimas de exploração. Entram na onda dos que também não entendem que emprestar dinheiro do BNDES a outros países não é só por juros: tem venda de produtos brasileiros que geram empregos aqui, geram impostos sobre os lucros das empresas, giram cadeias produtivas, etc. Não é todo mundo que entende isso, e aí fica repetindo o que ouve por aí, como um papagaio otário. Intencionalmente se faz um texto longo, de difícil entendimento, para validar conclusões erradas e atacar o Bolsa- Família

Para quem quiser ler mais sobre Banco Mundial segue o link de um artigo de onde tirei o gráfico acima e fala mais especificamente dos empréstimos no governo FHC. "O Brasil e o Banco Mundial : As relações e os investimentos do Banco Mundial com o Brasil durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)", de onde extraio o seguinte esclarecimento sobre juros.

“...Os países que recorrem aos recursos do Banco Mundial devem embolsar os empréstimos num prazo de quinze a vinte anos, com quatro a cinco anos de carência. A taxa de juros é menor do que a praticada no mercado privado de capitais, pois ela é calculada segundo os custos objetivos do Banco, acrescidos de uma dois por cento de despesas administrativas...."

Segue a íntegra do anúncio da parcela do empréstimo destinada à melhoria da gestão, com os comentários elogiosos do Banco Mundial.

The World Bank Working for a World Free of Poverty

http://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2010/09/17/brazils-landmark-bolsa-familia-program-receives-us200-million-loan


COMUNICADO À IMPRENSA

Banco Mundial aprova US$ 200 milhões para fortalecer o Bolsa Família

17 de setembro de 2010

WASHINGTON, 17 de setembro de 2010 - O Banco Mundial aprovou um empréstimo de US$ 200 milhões para a segunda fase do programa de apoio ao Bolsa Família, no contexto do Compromisso Nacional pelo Desenvolvimento Social. O Programa Bolsa Família (PBF) atinge 12,7 milhões de famílias (ou cerca de 50 milhões de pessoas) e está entre os mais eficientes programas de proteção social no mundo, tendo ajudado a retirar cerca de 20 milhões de pessoas da pobreza entre 2003 e 2009, bem como reduzir significativamente a desigualdade de renda.
“O Brasil é outro com o Bolsa Família. Este programa mudou a vida de milhões de famílias e contribuiu para uma profunda transformação social e econômica do País, integrando milhões de excluídos”, disse a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes. Para ela, o Banco Mundial teve um papel importante na consolidação do Bolsa Família em 2004 e este novo financiamento se integra no processo de aperfeiçoamento do programa.
A primeira fase do programa de apoio do Banco Mundial contou com empréstimo de US$ 572 milhões, aprovado em 2004, que visava ajudar a desenvolver, fortalecer e expandir o programa o principal programa de proteção social do Brasil. O Bolsa Família faz transferências de renda diretamente às famílias de baixa renda que mantêm seus filhos na escola e sob supervisão médica regular. Dessa forma, o PBF busca reduzir a pobreza imediata e futura, rompendo sua transmissão inter-gerações.
“Desde 2003, o país fez progressos significativos na redução da pobreza, da desigualdade e para melhorar as oportunidades de desenvolvimento de sua população vulnerável”, disse o Diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop. “Mas o Bolsa Família recentemente também se revelou fundamental como uma importante rede de proteção para reduzir o impacto sobre os pobres dos aumentos nos alimentos e no petróleo, e mais recentemente da crise financeira e recessão global”.
Esta segunda fase busca reforçar ainda mais a capacidade do Bolsa Família para alcançar os objetivos de redução da pobreza e da desigualdade e promover o uso dos serviços de educação e saúde pela população de baixa renda. Entre 2003 e 2009, a pobreza (PPC US$ 2 por dia) caiu de 22% da população de 7%. A renda da população mais pobre cresceu sete vezes mais do que a dos mais ricos, e três vezes a média nacional. Como resultado, a desigualdade no Brasil caiu acentuadamente entre 2001 e 2009, e está no nível mais baixo em 30 anos. O PBF contribuiu para esses resultados juntamente com vários outros programas e o crescimento econômico geral.
O novo financiamento vai ajudar a:
  • fortalecer o gerenciamento e controle do programa em três áreas principais: o cadastramento de beneficiários, a gestão de benefícios e o acompanhamento das condicionalidades;
  • consolidar o sistema de monitoramento e avaliação do programa; e
  • integrar outros programas de proteção social com o Bolsa Família, para promover inovações e estratégias de saída da pobreza por meio de investimentos em áreas como incentivos educacionais e relações com o mercado de trabalho e programas de produtividade.

A segunda fase apoiará reformas e adaptações do Programa Bolsa Família para aumentar a sua eficácia na busca de metas como: pelo menos 75% das famílias 20% mais pobres recebendo o benefício; pelo menos 90% das crianças com idade escolar primária de famílias beneficiárias extremamente pobres na escola, e pelo menos 75% das crianças com idade entre 0-6 anos e mulheres grávidas em conformidade com as condicionalidades de saúde.



domingo, 26 de janeiro de 2014

Bater na Copa dá mídia. Já nos juros...

Manifestação contra a Copa - 25/01/14 - Brasília Shopping
Pegar carona em manifestações legítimas é mole. Difícil é construir um movimento. Os rolezeiros marcam um evento e vão 6 mil. O #nãovaitercopa marca um evento nacional e comparecem uns gatos pingados em todo o país. No ano passado o Movimento Passe Livre fez um grande trabalho de mobilização contra o aumento das passagens. Os surfistas de lutas alheias embarcaram com seus gatos pingados. A mídia também embarcou e fez campanha "vamos prá rua" buscando dividendos eleitorais, assim como os demais.

Agora começa 2014 com a farsa do "não vai ter Copa". Quem disse? Que legitimidade tem um grupelho de pseudo-anarquistas, neonazistas, coxinhas de direita e trouxinhas de esquerda para afirmar isso? Pior: a argumentação não resiste ao bom senso.

Por que eu deveria ir às ruas para melar a Copa, com praticamente todo o investimento já feito, justo na hora do retorno do capital gasto? Para ter um prejuízo quando poderia tirar lucro apenas para mostrar ao mundo nossos graves problemas sociais? Propaganda cara essa, até porque se há alguma perspectiva de retornar o que foi gasto e sobrar para saúde, educação, habitação, transporte depende do sucesso do empreendimento.

Enquanto se questiona R$ 8 bi gastos com estádios, somados a outro tanto em mobilidade urbana (transportes em geral) e mais outro terço em capacitação de pessoas, suporte ao turismo e segurança, ninguém fala que apenas em 27 dias de 2014 o Brasil já pagou R$ 35 bi de juros aos banqueiros e rentistas, esse segmento que nada produz, apenas ganha sem trabalho

O que são R$ 35 bi? Mais que todo o gasto com a Copa. Mais de 4 vezes o que se gastou em estádios. Mais de 1/3 de toda a verba para a saúde ou para a educação prevista para 2014. Mais de 2 vezes o valor de todos os programas sociais. E o que tivemos de volta? ABSOLUTAMENTE NADA! Da Copa ainda restarão estádios, aeroportos, portos, transportes urbanos, etc. Juros pagos só fazem enriquecer uma minoria.

Sabendo-se disso, cadê os anticapitalistas que não enxergam isso e preferem os espaços midiáticos do enfrentamento nas ruas com a truculência policial? Será porque bater em banqueiro não dá transmissão ao vivo de TV? Nem nunca vai dar, porque a mídia trabalha para eles.

Os movimentos anti-Copa que apelarem à violência ainda deixarão um enorme prejuízo à democracia. Está em andamento no Congresso Nacional um projeto de lei que endurece a repressão contra movimentos sociais. Ninguém quer votar isso, porque é polêmico, mas se houver convulsão por conta de protestos os políticos aprovarão "a pedidos" do povo. E se as coisas continuarem repercutindo mal como os atos de ontem, prejudicarão até os movimentos tradicionais dos trabalhadores.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pré-Sal : Juros devoram Libra em 1 ano

Começo este post afirmando que sou favorável ao monopólio estatal do petróleo, tese vencedora há 60 anos quando se debatia a participação de estrangeiros na exploração do óleo brasileiro. Na época a tese dos entreguistas dizia que o petróleo brasileiro era de alto risco para exploração por isso somente os estrangeiros teriam tecnologia e capitais para explorá-los. Entre os nacionalistas havia a desconfiança de que os grandes trustes quisessem adquirir os blocos de concessões apenas para deixá-los intatos, para que não houvesse concorrência com seus poços em outros países e o Brasil ficasse apenas na condição de consumidor.

Vencida essa batalha com o grande movimento de ruas "O petróleo é nosso", a lei 2004 /53 e a criação da Petrobrás para explorá-lo, tivemos o total monopólio até que no governo FHC entrasse em vigor a lei 9478/97, permitindo que a União contratasse empresas privadas para explorá-lo. Até 1997 a União tinha 87% do capital da Petrobrás. Ao final do governo FHC tinha apenas 40,6%, mantendo o controle através da maioria das ações ordinárias. Em 2002 os estrangeiros detinham 36,3% do capital. Em agosto de 2013 a União Federal detinha 28,7% do capital social que serve de base para a distribuição de dividendos. Em suma: de tudo que a Petrobrás distribui de lucros apenas 28,7% vão diretamente para o Tesouro Nacional. Hoje o Governo tem 65% das ações com direito a voto. Defender que a Petrobrás tenha monopólio da exploração com a atual composição societária é ficar com menos de 1/3 da riqueza. O resto será apropriado por privados, brasileiros ou estrangeiros.

A luta dos petroleiros tem as bandeiras corretas: Petrobrás 100% pública explorando o monopólio estatal do petróleo. Lula, em uma de suas campanhas à presidência, chegou a defender o monopólio. Dilma também. Em seus governos, entretanto, continuaram a ser feitos leilões de concessões de petróleo.

O estupro de Libra foi inevitável. A sociedade como um todo não abraça essa luta de defesa das riquezas diante da baixa auto-estima e do complexo de vira-latas incutido sem descanso pelas mídias do capital. Há quem prefira gastar suas energias para libertar cachorrinhos bonitinhos em vez de lutar por algo realmente estratégico.

Dilma foi à TV ontem falar dos números grandes de Libra, e um em especial chamou a atenção: em 35 anos de exploração os royalties renderão R$ 1 trilhão para saúde e educação. Esse número bate com o que pagaremos de juros e rolagens de dívida apenas neste ano! Libra será engolida pelos banqueiros rapidamente. Quantos outros campos do pré-sal entrarão nesse banquete?

Aí vem o problema de foco dos que lutam pelas ruas. Apedreja-se e saqueia-se agências bancárias porque seriam "símbolos do capitalismo", "patrocinadoras da Copa do Mundo" e outras motivações, mas fazer um movimento pesado para que o país pare de servir aos banqueiros, poucos se interessam. Vamos dar 44% do orçamento de 2013 para os bancos, enquanto se luta no varejinho por 10% para educação tirando-se dinheiro de outras fontes, deixando os banqueiros intocáveis com superávits primários construídos com sangue e suor.

De pouco vai adiantar tirar do subsolo toda essa riqueza, com ou sem monopólio e Petrobrás estatais, se continuarmos engordando rentistas. A auditoria soberana da dívida pública, que já foi bandeira no passado quando o PT era oposição, se faz fundamental para que saibamos no que se empenha o nosso futuro e nos sacrifica no presente. Não adianta nos perdermos se a solução foi a melhor dentro da conjuntura, se o modelo de partilha é melhor que o de concessão, se o Brasil vai ficar com 85% do que será produzido de riqueza, de empregos criados, se o PT privatiza mais que o PSDB, se foi mais soberano que a entrega tucana, etc, etc, se vamos continuar sangrando. Sem lutarmos contra o foco principal os elefantes vão continuar sendo engolidos e continuaremos a nos engasgar com mosquitos.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Mídia Bandida 0033 : Globo ama e "odeia" a "maior taxa de juros do mundo"

Há dois meses deixei de ver a Globo porque faz mal à saúde mental. E praticamente todas as outras, porque se a Globo manipula, as outras destroem o cérebro com programas de nível incrivelmente baixo. Exceção para a TV Brasil, de vez em quando, no noticiário das 21h.

Ontem deixei a TV ligada para ficar ouvindo os resultados dos jogos do Brasileirão. Quando acabou a transmissão, e antes que pudesse chegar à sala e desligar o aparelho, entra o William Waack decretando: "política errada de reduzir juros na marra fracassa e COPOM aumenta a taxa para 9,5%, os maiores juros do mundo novamente".

Desliguei. Na Globo, no horário preferencial dos coxinhas, primeiro vem o comentário maldito, depois vem a notícia. E tende a piorar porque a eleição 2014 está nas ruas, e a oposição tem um leque de candidatos que concorrem entre si e nem o candidato da Globo, Aécio Neves, está firme. Serra vem correndo por fora e possivelmente ser á candidato.

Interessante é que para falar da queda da taxa de inflação não há a mesma entonação. Nem para dizer que os empresários revisaram a previsão do PIB para 2014 elevando-a para 2,47%, que deverá ser uma das melhores no mundo dito civilizado em crise. Apesar de boa parte da mídia ser sustentada por bancos e rentistas, a notícia boa para eles não pode ser dada como boa para o povão. E não é.

O gráfico mostra quanto pagamos de juros. Hoje eles sobem nem tanto para segurar preços, já que a inflação está em queda. É para manter o fluxo de divisas positivo, atraindo especuladores e todo tipo de ratazanas do mercado mundial para deixar dinheiro por aqui uns dias e sair levando nosso sangue e suor. E para garantir o câmbio do dólar a R$ 2,20, como forma de proteger a indústria nacional da concorrência dos importados. Isso eleva inflação, mas é uma medida preventiva, já que se espera que o dólar venha a se valorizar no mundo todo quando Obama parar de imprimir dinheiro a rodo. Melhor fazer agora um processo controlado que apagar incêndio num processo explosivo justo na época das eleições, parece ser o pensamento do governo.

Enquanto isso, nas ruas se vê movimento contra tudo e todos, menos contra os banqueiros e os parasitas da renda fácil sem risco nem trabalho. Gente fazendo festas do dinheiro mole em Nova Iorque, rindo à toa porque o Brasil para eles é uma grande vaca leiteira. O povo fica falando de políticos corruptos, e acabam se esquecendo que a grande corrupção emana dos interesses desses "vips" que ainda falam mal de nós no exterior. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Caso Itaú 18,7 bi : A gente paga os juros dos bancos e a sonegação dos ricos

Já vi gente no Facebook dizendo que só estão cobrando a dívida de R$ 18,7 bi do banco Itaú porque tem uma diretora apoiando a potencial candidata Marina Silva, do partido Rede. Também já vi quem critique a Receita Federal por cobrar 600 milhões de reais sonegados pela Globo, dizendo que é perseguição política. E algumas dessas pessoas ficam indignadas ao verem a família Marinho acumulando R$ 52 bi, segundo a revista Forbes, e no varejo reclamam porque a tabela do imposto de renda da pessoa física não acompanha a inflação.

Com tantas revoltas nas ruas parece que os verdadeiros alvos das misérias continuam rindo à toa. Bancos sugam países e seus contribuintes. Sugam as pessoas físicas e empresas com juros extorsivos, mantidos pelos poderosos lobbies que sustentam através da mídia e do apoio a campanhas políticas. E ricos podem contratar equipes técnicas, aprovar leis através da grana e pagar proporcionalmente menos impostos. É um pacote só, mas parece que apurrinhar um ou outro político é mais importante que cortar o mal pela raiz. Cadê os mascarados falando em ricos pagando impostos? 

domingo, 4 de agosto de 2013

Mídia Bandida 0026 : "Brasil tem pior déficit comercial da história"

Anteontem nas bancas de jornais havia duas publicações trazendo em letras garrafais a mesma manchete : "Brasil tem pior déficit comercial da história". Uma delas, claro, O Globo, e o conglomerado jogou ao vento essa "informação". Mais uma vez se questiona: é maldade deles? Picuinha com o Mantega?

Claro que não. Não existe manchete grátis. A verdadeira campanha para denegrir a economia brasileira e desestimular o crescimento tem por objetivo a volta dos juros altos que faziam a festa dos rentistas e banqueiros.O juro real de quase 3% de hoje ainda é absurdo, comparado com outros países, mas é um dos mais baixos da história recente do Brasil.

A desestabilização das expectativas com notícias como o colar de tomates da Ana Maria Braga, para mostrar uma inflação descontrolada que não existiu, e agora o câmbio descontrolado esbarram na realidade. Em julho a inflação deverá baixar de novo, e o "mercado" já prevê o fechamento do ano na base de 5,5%, um indicador normal em relação aos anos anteriores e menor que o praticado nos anos FHC, quando Globo & Cia não falavam nada de descontrole. Não dão destaque, por exemplo, ao crescimento industrial que houve no mesmo período.

A recuperação de exportações com o dólar batendo R$ 2,30 é questão de meses, assim como a redução de viagens ao exterior e de importações. Tendo a indústria capacidade ociosa, a retomada da atividade não deverá impactar a inflação e manterá o nível de empregos no menor patamar da história, notícia que nunca destacam.

O blog Cafezinho, do jornalista Miguel do Rosário, o mesmo que publicou as provas de sonegação da Globo, agora detona mais essa falácia do império da mídia maldita com a matéria "A verdade sobre o comércio exterior brasileiro". Curiosamente, no mesmo dia das manchetes catastróficas sobre a balança comercial, o jornal Brasil Econômico colocava na sua  capa uma verdade maldita para os sabotadores econômicos: "Indicadores mostram inflação imune a juros". Isso já se sabia desde antes da alta recente, que não se tratava de inflação de demanda, mas de custos, que não se combate com elevação de juros. Mesmo assim o governo aumentou os juros para "reduzir a pressão do mercado". Moral da estória: por conta da mídia maldita alguns bilhões a mais foram tirados do povo para dar a bancos e rentistas.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Brasil : JUROS PARA QUEM?

Esse despertar histórico da juventude para os problemas nacionais encontrou pela frente estádios gigantescos como símbolos de falta de prioridade de gasto de dinheiro público. Estão lá, bonitos, iluminados, tangíveis, visíveis, alvos fáceis para as críticas, ainda mais comparados os gastos de R$ 7 bi com o que se gasta em saúde e educação, da ordem de uns R$ 80 bi cada.

O movimento "Copa para quem?" soube canalizar a energia da juventude para esse exemplo em meio a um evento que está bombando nas redes sociais no mundo todo, a Copa das Confederações, da FIFA, instituição que tem antipatias e desconfianças por todo o mundo.

Não querendo botar azeitona na empada alheia, como todo mundo agora quer fazer diante da força demonstrada as ruas, acho que se deve avançar para uma bandeira que seria politicamente bem mais poderosa, pelo menos para que o questionamento seja tratado por comparações como os gastos da Copa : a apropriação dos juros pagos pelos governos a banqueiros e especuladores.

"JUROS PARA QUEM?" seria uma bandeira que unificaria os movimentos brasileiros com os de todo o mundo no questionamento da crise e das políticas anti-populares que os governos adotam para pagá-los. Por toda a Europa e Estados Unidos a ajuda aos bancos e as cobranças de banqueiros estão desgraçando as juventudes de países como a Espanha (mais de 60% de jovens desempregados), Grécia (mais ainda), Itália, Portugal, Irlanda, etc. Nos EUA os bancos despejaram milhões de famílias que não puderam pagar seus empréstimos.

No Brasil hoje, mesmo com a menor taxa real de juros paga em décadas, os cofres públicos federais jogam no ralo cerca de R$ 230 bilhões. Isso dá 10 COPAS DO MUNDO INTEIRAS EM UM ANO, incluídas obras de portos, aeroportos, etc! Isso dá mais que os orçamentos de saúde e educação anuais. Mais que todos os investimentos em infra-estrutura. Já que a moeda de referência é o estádio, ESSA GRANA FARIA 30 VEZES TODOS OS ESTÁDIOS DA COPA! Em apenas um ano!

Amanhã a Copa passa e ficam os estádios. Alguns poderão se transformar em elefantes brancos, outros talvez não. E os juros, o que deixam? Só a miséria de milhões de pessoas, tanto no nível pessoal da exploração no crédito pessoal como na renúncia a um dinheiro fundamental para tirar o Brasil do atraso. Que tal levantar essa bandeira também?






quinta-feira, 13 de junho de 2013

Mídia Bandida 0026 : "Meu Eletrodoméstico, Minha Vida vai aumentar a inflação"

Já dizia a filosofia de pára-choques de caminhão que "A inveja é uma merda", e a mídia bandida, que convive nos esgotos com baratas, faz como elas: quando não come, bota gosto ruim. Hoje a presidente Dilma Roussef anunciou um programa de financiamento de móveis e eletrodomésticos para quem já está no programa Minha Casa, Minha Vida. São R$ 18 bi para um crédito de até R$ 5 mil aos participantes adimplentes (que estão pagando em dia) as prestações da casa própria, para pagamento em até 48 meses a juro subsidiado de 5%. Podem ser comprados móveis e eletro como geladeira, fogão, TV digital, etc.

As vendas serão feitas em lojas cadastradas, que deverão dar desconto de 5%. Onde é que já se viu comprar R$ 5 mil em eletrodomésticos e pagar prestações de pouco mais de R$ 100? Isso nao existe no mercado brasileiro, onde as grandes lojas faturam mais em cima de juros extorsivos que na venda dos bens móveis. O programa do governo vai tirar um naco dessa inflação sobre os mais pobres, que são vítimas da ganância de juros altos. E que vão ter mais qualidade de vida comprando produtos que serão de linhas eficientes em consumo de energia.

A mídia bandida, os tais dos "velhos do restelo", como disse Dilma citando Camões para atacar o pessimismo agourento da oposição, falam que essa injeção de dinheiro no consumo vai gerar mais inflação ao trazer mais demanda. O negócio deles é sabotar ao máximo qualquer coisa que possa melhorar a qualidade de vida do povo e trazer satisfação eleitoral ao governo. E também uma questão ideológica, pois defendem os interesses dos seus patrocinadores, em geral bancos e grandes empresas do capital, que lucram em cima da miséria da maioria.

Como é que isso gera inflação? A opção hoje para a classe média é ir a um matadouro desses que vende a prazo e comprar uma geladeira de R$ 1000 pagando juros de 8% ao mês em 24 meses, ou seja, pagará mais juros que o valor do bem. Agora uma parte dessa massa consumidora, que realiza o sonho da casa própria, poderá preenchê-la com eletrodomésticos e móveis novos pagando 5% AO ANO! O que se está fazendo não é dando a chance de comprar uma segunda geladeira, mas tirando os mais pobres das arapucas para que compre a geladeira que compraria do mesmo jeito.

Essa versão da mídia superou os limites da criatividade ruim. O povo não é bobo. Nâo é à toa que já tem empresa de mídia sangrando no mercado por perda de credibilidade e leitores

sábado, 18 de maio de 2013

Revolução capitalista de Dilma provoca golpismo de direita


Nos últimos dias vemos um surto de apologia à violência e intolerância nas redes sociais. Há fartura de materiais pregando golpe militar, assassinatos de pessoas "do mal", ódio religioso, homofobia e principalmente difamação contra Lula, Dilma e o PT. Tem gente surtando a ponto de dizer que Dilma dará um golpe comunista em 2014. O que vemos é justamente o contrário: Dilma poderá se aliar ao capital industrial para golpear o capital financeiro.

A nuvem de fumaça sobre a realidade nos desvia para achar que isso vem da indefinição do julgamento do Mensalão, da ascensão do pastor Feliciano à Comissão de Direitos Humanos, da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, de crimes bárbaros cometidos por menores ou mesmo do pouco trabalho produzido até aqui pela Comissão da Verdade, que assusta os covardes impunes que sabem muito bem que fizeram coisas hediondas.

Golpes de estado historicamente se associam a interesses econômicos. No Brasil a Independência, a proclamação da república e os golpes de 1930 e 1964 tiveram clara relação com interesses econômicos de elites que se tornaram vitoriosos, nunca por motivos sociais, que aqui e ali serviram apenas de cortina de fumaça para uma transição. Nenhum desses movimentos modernizou de fato a estrutura econômica, e até hoje o Estado sustenta parasitas que, por corrupção ou privilégios, apropriam-de se grande parte da riqueza.

Por que então o golpismo contra Dilma? Tem na sua base de apoio setores identificados com oligarquias que surrupiam o país há 500 anos. Também tem banqueiros que jogam dinheiro nas campanhas da sua base. E industriais que habitualmente patrocinaram golpes e sustentam grande parte da bandidagem política. Aparentemente todos estão ganhando dinheiro nos 10 anos de Lula/Dilma como não ganharam nos períodos anteriores, em ambiente de relativa pacificação social. O Brasil navega numa marolinha enquanto o mundo se acaba. Por que algum deles bateria nos portões dos quartéis para chamar os militares para um golpe?

A resposta está no esboço de revolução capitalista que vem acontecendo no último ano. Revolução porque está mexendo nas bases econômicas, buscando privilegiar o setor produtivo em detrimento de banqueiros e especuladores. Mas não é tudo capitalismo? Sim, é, mas os capitalistas têm interesses diferenciados, e o que se busca agora é romper as amarras do feudalismo econômico que vem das capitanias hereditárias. Lula e Dilma tentaram esse rompimento, que é muito dificultado por um governo de coalizão.

E o que os trabalhadores e o povo em geral ganharia com esse "upgrade" capitalista, que reúne intervencionismo estatal com controle social e aliança com o capital produtivo? Há correntes de esquerda que defendem a chegada ao socialismo por etapas, e uma delas é superar o modo de produção feudal, fazer o capital se desenvolver e com isso acirrar as contradições de classe. Ao tirar os ganhos abusivos do parasitismo econômico, sobra mais para os restantes.

Em um ano Dilma fez uma clara opção pelo capitalismo industrial, executando uma pauta há muito reivindicada pelo setor:
- baixou os juros em mais de 5%, reduzindo a sangria de dinheiro público destinado aos rentistas;
- elevou o patamar cambial em mais de 30%, protegendo a indústria nacional contra importações;
- reduziu tarifas de energia em mais de 20% para a indústria;
- desonerou encargos sociais de alguns setores-chave da produção;
- usou bancos federais para forçar a baixa dos juros em meio ao cartel financeiro;
- mantém a política de ganhos salariais reais, aumentando o poder aquisitivo da população;
- reduziu impostos sobre combustíveis, cesta básica, linha branca, automóveis, móveis, etc.
- investiu em infra-estrutura de transportes através de concessões de aeroportos e portos;
- ampliou a visibilidade externa do Brasil com a eleição de um brasileiro na OMC.

Como esse movimento foi muito rápido, ainda não produziu todos os efeitos previsíveis. Um deles será a mudança da cultura empresarial, acostumada a juros altos e grandes taxas de retornos. Outra será a fuga de capitais da ciranda financeira para financiamento de empresas via bolsas de valores, fundos imobiliários e em investimentos de maior prazo. E uma redução brutal do ganho fácil sem trabalhar, e é aí que mora o perigo.

O setor financeiro controla a mídia. Tem recursos imensos para comprar decisões do executivo, legislativo e judiciário. Não poupará esforços para manter tudo como está, nem que para isso tenham que recorrer ao golpe de estado, amparado em algum argumento ético-moral-ideológico que sua mídia poderá fabricar. E isso que estamos vendo agora em termo de intolerância pode ser a parte visível do que pretendem.

Forçam a barra para aumentar os juros, nem que elejam o tomate como vilão para "provar" que a inflação está descontrolada, que toda a economia deverá se indexar, enfim, que Dilma está acabando com o Plano Real e voltaremos à hiperinflação. O remédio: juros e mais juros, que não têm nenhuma eficácia anti-inflacionária na atual situação. Nem há escalada inflacionária, pois os indicadores já mostram arrefecimento.

Na última reunião do COPOM travou-se o que poderia ter sido a mãe de todas as batalhas dos especuladores contra a queda dos juros. Artilharia pesada em todos os meios de comunicação para vender a idéia pela qual dar dinheiro ao enriquecimento fácil (essa sim é a bolsa-parasita, que não é Louis Vuiton) ajuda a baixar o preço do tomate.

A decisão do COPOM apenas retardou a decisão para o próximo round, ao aumentar em 0,25% a SELIC e não apontar viés de alta. O desespero dos financistas é que as medidas tomadas por Dilma surtam efeito, a inflação recue com mais crescimento e os juros reais se estabilizem em menos de 2%. Eles correm contra o tempo, e a caixa de truques sujos mais pesados já pode estar sendo aberta. Desta vez a "reserva moral" para "consertar o Brasil" deles pode não usar mais farda. Talvez a toga.

Enquanto isso a sociedade assiste inerte ao massacre que a direita vem fazendo nas redes sociais e na mídia. Na busca de espaço ao sol ou por deficiência política muita gente deixa o governo sozinho, joga mais pedras e faz coro com esses perigosos interesses de desestabilização da democracia para manter a hegemonia do financismo vampiresco.

Se houver o golpe todas as conquistas serão retiradas e o liberalismo imporá medidas como as que estão levando ao desespero os povos dos países capitalistas avançados. O mais importante neste momento crucial é apoiar o governo para derrotar de vez o setor financeiro, que suga todo o dinheiro que falta à educação, saúde e à melhoria das condições de vida do povo.

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quinta-feira, 18 de abril de 2013

COPOM : Juros sobem pouco e não satisfazem à especulação

Ontem os telejornais massacraram o público mostrando cenários apocalípticos caso o COPOM não mexesse na taxa de juros. Significaria descaso com a inflação, o que sinalizaria para o mercado irresponsabilidade, afastando investidores, alimentando a espiral inflacionária com aumentos generalizados de preços, reindexação, o escambau. Nos telejornais da noite já havia uma espécie de ressaca com a decisão de aumentar apenas 0,25%, o que era esperado pelo mercado, mas não satisfaz os patrocinadores da mídia bandida: bancos e especuladores.

Na véspera a presidente Dilma disse o que mandou fazer: os juros podem até subir, mas nunca mais como antigamente. Para bom entendedor o 0,25% não foi nenhuma medida autônoma do COPOM, mas um acerto com o Planalto, que não quer sinalizar a retomada da alta das taxas de juros para não alimentar mais especulação.

O governo perdeu com a mexida depois de quase 2 anos a SELIC sem subir, mas tem gente preocupada com o ritmo ditado por Dilma. Se for de 0,25% em 0,25%, a taxa de juros real, que agora pulou para 0,91% ao ano (=7,50-6,59% da inflação), o que é comparável com algumas economias capitalistas centrais. O incômodo para os rentistas e para os capitalistas do setor produtivo é saber se isso veio para ficar ou é apenas uma onda. De qualquer maneira todos investem para que o estado brasileiro continue sustentando do capital através de investimentos sem risco.

A decisão da reunião de ontem do COPOM e a expectativa de baixa da inflação nos próximos meses deixa esse tal "mercado", que é uma degeneração do capitalismo liberal que tanto defendem, muito tenso. Ninguém está preparado para uma economia de mercado. E o governo acena que quer concorrência, quer competitividade não apenas para exportação, mas quer que o brasileiro compre as coisas pelos preços do exterior. Está baixando impostos, desonerando folha de pagamento, promovendo importação de máquinas e equipamentos de base, baixando energia e agora quer reduzir impostos sobre transportes.

Essa pauta assusta até os liberais que defendem o estado mínimo e a redução de impostos. O medo leva a mídia bandida a pregar que o governo é irresponsável porque está fazendo renúncia fiscal sem resolver os problemas básicos de educação, saúde e outras coisas que normalmente não se preocupa, a não ser para fazer demagogia. Estamos diante de um paradoxo: um governo dito popular fazendo reformas liberais numa economia onde capitalistas fazem "hedge" com tetas do estado e se desesperam com a possibilidade de entrar num ambiente concorrencial de  mercado.  

domingo, 14 de abril de 2013

Agora é guerra! COPOM não pode elevar juros!

A mãe de todas as batalhas econômicas dos 10 anos de Lula/Dilma está prestes a acontecer na reunião do Conselho de Política Monetária - COPOM, na próxima quarta-feira. Se os juros sobem, o discurso dos especuladores, banqueiros e outros parasitas será de vitória, e a mídia deles dirá que a inflação está descontrolada e que tudo será reindexado, o início do fim do "milagre econômico" do "decênio virtuoso". O governo sabe disso, e pressiona o Banco Central para segurar os juros porque acredita que na próxima reunião do COPOM o cenário será mais favorável.

A inflação passou da meta de 6,5% nos últimos doze meses. Ainda não chegou aos 7,25% da SELIC, ou seja, ainda há ganhos reais para credores do governo, que pode conseguir rolar suas dívidas sem maiores dificuldades. Na ponta do consumo houve uma puxada generalizada de preços por conta, creio, de uma ação articulada de oligopólios com todos os setores interessados no aumento dos juros como forma de ganhar sem precisar correr riscos.

Essa inflação, que ao meu ver tem componentes artificiais,  atingiu produtos não afetados por sazonalidade. Como se nos supermercados alguém pegasse a planilha de todos os preços e multiplicasse por algo em torno de 20 a 30% indiscriminadamente. O resultado é que as vendas caíram em março, ou seja, a população começou a ser mais seletiva no consumo, e não está aceitando a carestia. Nem as medidas de barateamento da cesta básica chegaram ao consumidor, com a apropriação da renúncia fiscal ficando para os tubarões do oligopólio de supermercados.

O governo aposta numa derradeira cartada: segurar os juros, talvez com uma ata do COPOM falando em viés de alta para a próxima reunião, e ganhar 40 dias para que a nova safra de alimentos entre no mercado e haja quedas razoáveis nos preços que impactam os índices de inflação. Caindo a inflação nesse período o risco de elevar os juros será menor, e politicamente o governo não cederá aos inimigos do modelo desenvolvimentista.

Do lado dos parasitas também há urgência, pois se os juros não subirem precisarão rever suas estratégias para ... se tornarem capitalistas realmente de mercado, com concorrência, juros baixos, risco... um horror para eles. Vão precisar fazer o dinheiro parado girar em empreendimentos da economia real para manter os ganhos. Ou não. Os supermercados não vão aguentar segurar os preços nos níveis atuais por muito tempo, corroendo o poder de compra da população e esfriando o consumo em outras áreas não essenciais, tática para reduzir o ritmo da indústria também e forçar a recessão.

A derrota de Dilma será uma vitória apenas para a oposição de direita, que quer um cenário de corrosão salarial, desemprego e a volta dos juros altos para depois venderem eleitoralmente a solução neoliberal. Essa é uma batalha que transcende as fronteiras, pois no mundo todo o fracasso das políticas de recuperação das economias pelo liberalismo confronta com o  intervencionismo governamental do Brasil. Para a população, o fim dessa política será um desastre, que alguns acreditam poder converter em votos por um projeto mais desastroso ainda.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Mídia Bandida 012 - Tomates, inflação e juros

Tomei ciência do aumento abusivo do preço do tomate numa matéria televisiva honesta, que abordava o ponto de vista de um proprietário de cantina italiana ao boicotar o produto. Ele pedia desculpas aos clientes por faltar tomate no molho, mas a mensagem que queria passar é que não se compra coisas com preços extorsivos. Substitui-se por outras de melhor preço ou deixa-se de consumir até que encalhem os estoques e os preços caiam.

Circulando no Facebook
Uma lição de mercado. Os preços se estabelecem a partir do equilíbrio entre oferta e demanda. Quando a oferta cai, no caso pela baixa produção em função de preços pouco atrativos em safras anteriores, o preço sobe. Num primeiro momento alguns compram por inércia, depois começa o questionamento e o consumo cai, e o preço vai se ajustando até atingir um novo patamar de equilíbrio. Se o produtor se sentir estimulado pelo novo preço vai plantar e na nova safra o preço cairá.

Nas redes sociais o assunto rendeu muita brincadeira, com gente dizendo que o tomate tem que ser transportado em carro-forte, vendido em banco e outras, por ser um bem de luxo valioso. Assim, muita gente teve noção desse aumento, até a juventude que pega um sanduíche e a primeira coisa que joga fora é o tomate, mas reclama. E, claro, os oportunistas de plantão vendem suas análises capciosas.

Que tal dizer que o aumento do preço do tomate é um sinal do descontrole da inflação, de incapacidade do governo na economia, e que o remédio é elevar os juros para conter a alta dos preços? A inflação acumulada em 12 meses passou dos 6% e tende a beirar o teto da meta de 6,5%. Quando chegar por lá, com a SELIC em 7,25%, teremos a menor taxa de juros reais, de 0,75% ao ano, em muitas décadas.

Capitalistas estrangeiros, acostumados até a pagar para manter o dinheiro em bancos ou títulos públicos em meio a crises, acham essa taxa atrativa. Rentistas brasileiros, acostumados a ganhar sem nenhum trabalho ou risco acham isso abominável. Bancos acostumados a ganhar mais em títulos que em intermediação financeira estão apavorados com isso, e usam seu poder de pressão para aumentar novamente os juros. Como? Quase toda a mídia de informação de massas tem o seu patrocínio.

É nessa hora que o tomate vira vilão e para combatê-lo, a receita é aumentar juros, segundo a mídia bandida. Soa inacreditável alguém dizer que se os juros aumentarem, a dona-de-casa vai deixar de comprar tomates para investir em aplicações financeiras. Carestia se combate com aumento da produção ou importação, e boicote pelos usuários. Juros só alimentam bancos e especuladores. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

BB e Caixa quebram oligopólio dos juros e lucram

BB e Caixa anunciaram lucros recordes em 2012, calando a boca de todos os "analistas de mercado" inflados pela mídia que consideravam temerária a expansão do crédito por conta da inadimplência. Os mesmos que previram comoção se mudassem as regras da poupança ou a fuga de investidores se os juros caíssem. Pois os resultados estão aí: BB expandiu o crédito em 25%, a Caixa em 40% enquanto os bancos privados, que apostaram no fracasso, cresceram muito pouco e mesmo assim com grande seletividade.

Os bancos públicos, que historicamente trabalham com clientes de baixa renda, sabem na prática que pobres honram suas dívidas. Não negam, e pagam de alguma forma, seja dívida bancária, cartão ou carnê. Com o juro que for. Por outro lado, os clientes de maiores recursos conhecem formas de protelação ou de calote de valores maiores, impactando os balanços como o do Itaú, que teve problemas na carteira de crédito de veículos e reduziu seu lucro.

A aposta na alta dos juros está sendo inflada na mídia da especulação, porque a inflação chegou a 6% e deixou a taxa real de juros abaixo de 1,5%. Falam em manipulações contábeis do governo para reduzir artificialmente a inflação, como mexer nas taxas de cãmbio, desonerar impostos, etc. O apelo especulativo é tão visível que o uso de aumento de taxa de juros só seria válido em caso de aumento excepcional da demanda, o que não está acontecendo.

Dilma não vai elevar juros, mas ampliar as ações para desonerar a economia, aumentar os juros e estimular a competitividade para fazer o mercado funcionar sem tantos cartéis e oligopólios. A questão não é eleitoral, como diz a oposição sem legado nem candidato, mas estrutural para o capitalismo brasileiro.

BB e Caixa saíram na frente e bancarizaram milhões de pessoas. Os bancos privados insistem em ganhar muito com poucos clientes, aumentando o risco de inadimplência. A política só mostrará sintomas de sucesso quando, enfim, virmos os lucros dos bancos declinarem.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Brasil : Ou se derruba os juros ou eles nos derrubam

O Brasil fechou julho acumulando no ano o pagamento de R$ 128,462 bilhões de juros apenas em 2012. Só em julho pagamos R$ 17,435 bilhões aos banqueiros e rentistas, que ganham sem risco e sem esforço como em nenhum lugar do mundo. O Brasil não tem dinheiro para pagar tudo isso. A arrecadação no período pagou todas as despesas, e ainda sobraram R$ 71,229 bilhões, o tal "superávit primário", que não leva em conta o pagamento de juros. Moral da estória: R$ 128 bi menos R$ 71 bi dão uns R$ 56 bi que precisamos arranjar para fechar a conta. Quem tem essa grana para emprestar? Ora, os mesmos banqueiros e rentistas que sugam o resto.

No esforço de arranjar dinheiro para diminuir o déficit nominal (tudo que se arrecada menos tudo que se paga, inclusive juros), o governo Dilma está apertando do lado dos gastos. Não deu aos servidores públicos nada além da inflação como reajuste salarial para os próximos 3 anos, e deve buscar  a mesma política de arrocho nas empresas estatais (BB, CEF, Petrobrás) para maximizar lucros que irão para o caixa do Tesouro Nacional. Para saúde, educação, investimentos? Não, para pagar juros e mais juros.

Quando os dados de juros são comparados com os do ano passado, há a notícia boa e a ruim. Vamos à melhor: nos primeiros sete meses de 2011 pagamos R$ 138 bi de juros, contra R$ 128 do mesmo período de 2012. Isso vem da redução da SELIC, rolagem de dívidas a juros menores, etc. A parte ruim da coisa é que o déficit nominal está crescendo, porque caiu o total do superávit primário nos 7 meses, em função da crise, gastos do governo, investimentos, etc. No ano passado o déficit nominal foi de R$ 46 bi, e agora, de R$ 57 bi. No mês de julho de 2012 o déficit foi de R$ 12 bi, contra R$ 5 bi no ano passado.

Os números mostram virtudes e pecados do governo Dilma. Apesar de ter ampliado o investimento público com o PAC, Minha Casa, Minha Vida e outros, de estar chamando para o investimento o setor privado através de concessões por prazo determinado (e não torrando estatais), e de até ampliar os programas sociais de transferência de renda (Bolsa Família, etc) e desonerar de impostos alguns setores da economia, de forçar a queda dos juros (ainda não houve maturação do impacto disso nas contas públicas), o fato é que se manteve o déficit nominal nos primeiros sete meses igual ao do ano passado. Ou seja, os números de queda nos juros se igualam aproximadamente á redução do superávit primário.

Onde peca Dilma e antes pecaram governos por décadas e décadas? Na falta do enfrentamento duro com os banqueiros e rentistas, em condições soberanas. O governo teme uma nova enxurrada de dólares chegando ao Brasil a partir do novo pacote de estímulos à economia norte-americana. Se há dinheiro sobrando por lá procurando oportunidades de altos ganhos por aqui, certamente se pode tomar recursos a custos mais baixos, e afundar a SELIC e os juros cobrados às famílias e empresas, baixando a conta de juros a níveis toleráveis com superávit nominal, a partir do qual se poderá falar em mais investimentos, melhores gastos e menos impostos.

Dilma precisa fazer com os banqueiros o mesmo que fez com o setor elétrico, ou seja, baixar o custo da mercadoria através da redução de lucros absurdos de monopólio / oligopólio. O uso dos bancos públicos para baixar juros tem sido pouco eficiente, porque consegue atingir apenas pessoas bancarizadas com bom cadastro.

A grande maioria cai nos juros escorchantes praticados por financeiras no comércio. Ontem vi o anúncio de uma grande varejista de móveis e eletrodomésticos onde o preço à vista seria de R$ 1500 e a prazo, em 18 meses, de R$ 2500. E não é dos piores, considerado o valor em cash, mas até nesse preço há juros embutidos. O mesmo acontece numa grande rede de supermercados, de preços altos nas prateleiras, mas que dá 40 dias para pagar no seu cartão. Cartão para pagar comida já é um absurdo, mas, pior ainda, quem compra à vista leva junto juros por nenhum motivo.

A falta de efeito da redução dos juros para a nova classe média e os mais pobres aparece nos dados do Banco Central de ontem: em junho 22,38% dos ganhos mensais dos brasileiros eram para pagar juros, um recorde histórico. E está aumentando. Destes, 8,01% foram usados para pagamento de juros, abaixo do recorde de 8,13% de outubro de 2011, e 14,37% foram para amortização do principal, que também é um número recorde. Enquanto em junho de 2012 as famílias alcançaram o recorde de 43,94% da sua renda dos últimos 12 meses.

Essa situação me faz lembrar de uma frase muito ouvida na infância, quando algum dos meus antepassados se referia à corrupção política, comparando os políticos com saúvas que destruíam a lavoura : "Ou o Brasil acaba com as saúvas, ou as saúvas acabam com o Brasil". No início do século XX não havia ambientalistas para questionar o sentido genocida da frase contra os pobres insetos, mas no início do século XXI nem no futuro haverá quem defenda o parasitismo dos que praticam altos juros e sugam nações inteiras.



terça-feira, 18 de setembro de 2012

Greve : Banqueiros fazem chororô em vez de propostas

Brasília 17/09/12 - Assembléia dos bancários deflagra greve geral da categoria
Se há um setor da economia que vem ganhando dinheiro no mole há décadas é o bancário. Juros, juros e mais juros, com o apoio de governos, risco pouco, céu de brigadeiro. Vem a crise internacional e lá estão eles, tranquilos, faturando como nunca. Cai a Selic e eles lá, negando-se a baixar os juros ao consumidor, no cartão, nos empréstimos, num escancarado esquema de oligopólio que explora a economia popular.

Quando chega a hora de pagar salários aos seus funcionários, choram como se fossem tirar um naco da carne para entregar a um bando de ingratos, que não entendem que eles já deram muito. Botaram uma proposta de reajuste de 6% desde o mês passado, foi rejeitada pelos trabalhadores e, de lá para cá, mais nada. No dia 12 de setembro assembléias em todo o país disseram claramente: se não tiver proposta até o dia 17 de setembro, vamos parar em todo o Brasil no dia seguinte. Não deram nenhuma resposta. Veio a greve, e com ela, esse lamentável comunicado da FENABAN:

"18/09 - FENABAN confia no diálogo 
“Lamentamos muito essa decisão”, disse o diretor de Relações do Trabalho da FENABAN, Magnus Ribas Apostólico. “Greve é ruim para todo mundo: é ruim para o bancário, é ruim para o banco, é ruim para a população, que já foi muito incomodada pela onda de greves dos funcionários públicos e não merece ser mais incomodada com uma paralisação dos bancários”, salientou. "

Respaldados pela mídia que sustentam (todos os telejornais e as principais revistas semanais têm patrocínio dos banqueiros), botam no Jornal Hoje imagens de populares revoltados com a greve. Hoje escolheram a dedo a de um cidadão que chama os grevistas de vagabundos. Na outra, uma pessoa que em vez de ir à loteria pagar uma conta, ficou tentando abrir a porta do banco fechado, e esculhambando a greve. Os banqueiros têm que oferecer mais dinheiro nos salários que a greve acaba. Já não basta o que prejudicam a população com altas taxas e juros, ainda querem prejudicar os funcionários?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Dilma faz discurso de país independente

Acabo de ver na TV o discurso da Presidente Dilma alusivo ao Dia da Independência. O melhor que já vi, com mais consistência e principalmente credibilidade. Dilma fez uma avaliação dos avanços dos últimos 10 anos, e principalmente situou o Brasil positivamente em relação aos outros países em meio à crise. Demarcou o modelo de concessão que irá adotar para a infra-estrutura de transportes com a privatização de FHC, que, segundo ela, "torrou o patrimônio público para pagar dívidas". Foi mais além: o modelo de concessão reforça a participação do estado no planejamento.

Anunciou a redução nas tarifas de energia em 16% para residências e 28% para indústrias (que consomem energia em alta tensão, de menores custos), falou da redução de impostos para incetivar a indústria e da desoneração da folha de pagamento de alguns setores. Faltou falar na merreca de reajustes para o funcionalismo. De qualquer forma, seu discurso é um tapa na cara das elites, porque fala de um novo modelo econômico onde inclusão é um dos pilares. Ainda sobrou para os banqueiros, financeiras e cartões de crédito, que insistem em praticar juros abusivos. Chora, demo-tucanalha!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Corte na SELIC reduz despesa com dívida pública

Cortar juros só é ruim para banqueiros. Mesmo assim, entre eles, alguns se beneficiam com o aumento de clientela e redução de inadimplência. Do lado da sociedade tudo é benefício, seja nos endividamentos ou no consumo futuro. Do lado do governo, que deve aos bancos, muita economia. Com a última redução da SELIC, decidida ontem pelo COPOM, estima-se que a economia com o pagamento de juros em 2012 será da ordem de R$ 45 bilhões. Dinheiro que ia para o banqueiro e agora poderá ter finalidades mais úteis para quem paga os impostos e para quem deles se beneficia.

A redução na SELIC ontem deixa o Brasil com a quinta maior taxa de juros do mundo. Melhorou, já foi a maior, mas ainda pagamos juros que normalmente são cobrados de países em profundas crises, em guerra, etc. Dá para cortar mais ainda. A 7,5%, tirada uma inflação de cerca de 5%, temos um juro real de 2,5% ao ano, muito superior ao pago pelos países desenvolvidos para rolar suas dívidas. Há tendência de nova queda de 0,5% na próxima reunião, daqui a 40 dias. Pode-se fechar o ano em inacreditáveis 6,75% de SELIC. Os banqueiros vão chiar muito. A mídia deles já está azarando, dizendo que a inflação vai subir e que o COPOM deve parar de baixar os juros.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Caixa : Gerentes cobram valor mínimo para poupança

Gerentes da Caixa estavam impondo valor mínimo para abrir cadernetas de poupança. É o que se pode entender da notícia sobre um comunicado da direção da Caixa às agências dizendo que não há qualquer exigência de mínimo. O Banco do Brasil, que também é do governo, não faz essa exigência.

Pedir que a pessoa pobre tenha um mínimo de poupança antes de abrir a sua caderneta vai na contra-mão das políticas de inclusão do governo federal. Isso não deveria acontecer num banco público que teve grandes resultados com a expansão de crédito e redução das taxas de juros no último trimestre.

Parece pisada de bola de gerentes fazendo segmentação (segregação) de clientes para ficar com os de maior rentabilidade. É incompatível com o artigo do seu presidente, Jorge Hereda, falando do sucesso da Caixa com o pioneirismo na redução de juros, enfrentando o oligopólio dos banqueiros.

http://www1.caixa.gov.br/imprensa/imprensa_release.asp?codigo=6912165&tipo_noticia=

ACREDITAR NO BRASIL É UM BOM NEGÓCIO

Brasilia, 21 de Agosto de 2012

 
Jorge Hereda*
Artigo publicado no jornal Valor Econômico, edição de 21/08/2012
 
É princípio estabelecido pelo senso comum que ações táticas se dão em curto espaço de tempo e planejamentos estratégicos demandam prazo mais longo para sua realização. A Caixa conseguiu subverter este conceito. No dia 9 de abril anunciamos o lançamento do programa “Caixa melhor crédito” e explicamos que, com este rótulo, estávamos adotando uma estratégia que consistia na redução dos juros, com o objetivo de fazer crescer a base de clientes, ampliar a concessão de crédito e, com isto, ganhar mercado com a manutenção do lucro nos níveis de 2011.
 
Exatos 113 dias depois – quase nada para horizontes estratégicos – podemos afirmar que nosso projeto alcançou resultados esplêndidos. Os números não deixam dúvida de que o desempenho da Caixa é conseqüência direta da política de juros adotada há pouco mais de três meses.
 
Nossa carteira de crédito cresceu 44,6% no semestre, muito acima da previsão de crescer 33% em todo o ano de 2012. Na comparação entre o primeiro semestre deste ano e igual período do ano passado, o lucro da Caixa aumentou 25,2%. Já trabalhamos com a expectativa de aumentar a carteira em 42%, fechando o ano com a expressiva quantia de R$ 320 bilhões em contratação de crédito.
 
Os nossos clientes e os clientes que migraram para a Caixa entenderam o recado: no primeiro semestre deste ano foram abertas 1,132 milhões de novas contas correntes, 27% mais que no primeiro semestre de 2011. Estes novos clientes vieram em busca de um novo tratamento, de taxas mais baixas, prazos mais longos e de tarifas mais justas. Encontraram o que queriam. E retribuíram, pagando em dia suas dívidas.
 
É justo que se diga que pode ser contraditada ou pelo menos discutida a tese segundo a qual os bancos estariam sendo prejudicados em seus lucros pela inadimplência, que os obrigaria, “naturalmente”, a segurar o dinheiro, mantendo os juros ainda em níveis altos. Em algumas modalidades de crédito isto pode ter acontecido, e o financiamento de carros foi uma delas. Mas, de maneira geral, a inadimplência parou de subir e, mais recentemente, começou a registrar ligeira redução. Se encaminha para o encerramento de um ciclo, depois do qual deve entrar em queda mais acentuada, provavelmente entre o final do ano e o início de 2013.
 
É bem verdade que diminuiu muito mais entre os clientes da Caixa – e não só porque eles sejam bons pagadores. A inadimplência na Caixa se manteve em 2% - mesmo desconsiderando o crédito habitacional, em que tradicionalmente é baixa – por uma razão simples e até cartesiana: a Caixa empresta mais, empresta a mais gente e cobra mais barato pelo dinheiro.
 
A inadimplência costuma ser maior em carteiras de crédito que não se renovam, justamente porque as dívidas não-pagas ficam estagnadas e contaminam o índice. Carteiras renovadas pela redução dos juros e oxigenadas pelo oferecimento de crédito a novos clientes tendem a registrar inadimplência menor. Em poucas palavras: ofereça crédito mais barato e será mais fácil cobrar a dívida. Aconteceu com a Caixa, pode acontecer com todos os bancos, desde que ganhe acolhimento a ideia de que não se faz lucro apenas com spreads altos. Recusar crédito por medo da inadimplência pode acabar provocando... aumento do índice de inadimplência.
 
A Caixa conseguiu comprovar, com o resultado do segundo trimestre, que é possível reduzir juros, ampliar a base de clientes, aumentar a oferta de crédito, manter a inadimplência sob controle e ter um bom retorno. Não faz sentido garimpar pretextos para depreciar o desempenho da Caixa. O bom resultado ocorre justamente num trimestre em que, segundo levantamento feito pelo Valor Econômico, das 153 maiores empresas brasileiras com capital em bolsa, 92 tiveram piora em seus lucros e 43 amargaram prejuízos.
 
Também é justo que se diga que, mesmo diante do quadro verificado por este jornal, os bancos não têm tanto do que se queixar. No ranking global, os grandes bancos brasileiros continuam entre os de maior lucro líquido no mundo no segundo trimestre do ano.
 
Não há excesso de otimismo em afirmar que, depois de um semestre de baixo crescimento, a economia brasileira começa a mostrar sinais de recuperação, deve fechar o ano com um nível razoável de expansão e apresentar índices bastante favoráveis em 2013. Este movimento é crucial para o país. Depende de investimentos, que o governo tem anunciado, sobretudo em infra-estrutura e logística, mas também depende de uma atitude corajosa da iniciativa privada e, especificamente em relação aos bancos, solicita que façamos a nossa parte: emprestar mais dinheiro com responsabilidade. Negar crédito à população agora é atuar contra a economia e não aproveitar o momento oportuno para o crescimento.
 
A Caixa se considera um banco comprometido com o crescimento econômico. No primeiro semestre do ano, injetou R$ 226 bilhões na economia – 24,4% mais do que no ano passado. Até o fim do ano serão cerca de R$ 500 bilhões em crédito habitacional, para empresas, pagamento de benefícios, programa Minha Casa Minha Vida, saneamento, obras do PAC, entre outros.
 
A Caixa se considera o banco da nova classe média. Embora possua clientes de todas as faixas de renda e se sinta honrada de ter como correntistas praticamente todas as grandes empresas do país, a Caixa tem sido o banco que conta com a preferência dos mais de 40 milhões de brasileiros que ascenderam socialmente na última década. Muitos deles vieram para a Caixa, como pessoas físicas ou como empreendedores. Mais de 30% dos recursos destinados a empréstimos pela Caixa no primeiro semestre financiaram capital de giro de micros e pequenas empresas.
 
 A estratégia bem sucedida dos últimos 113 dias pode ajudar a criar um novo paradigma para os juros praticados no Brasil. É claro que se pode argumentar que 113 dias é pouco tempo para construir tantas certezas, mas não custa lembrar que na crise de 2008 também foi assim e o país superou as dificuldades. Na época, muita gente achava que era hora de se retrair. A Caixa incentivou o crescimento do crédito e de lá para cá só tem obtido bons resultados.
 
O certo é que estes 113 dias permitem afirmar que acreditar no Brasil é um bom negócio.