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sábado, 3 de maio de 2014

Viagem : Cachoeiras de Mirantão e Santo Antônio - Bocaina de Minas (MG)

A Serra da Mantiqueira é rica em cursos d'água e cachoeiras. Hoje o relato é sobre a Cachoeira do
Rio Grande, no povoado de Santo Antônio, e Cachoeira da Prata, no povoado de Mirantão, ambos no município de Bocaina de Minas (MG), saindo de Visconde de Mauá (RJ).

Cachoeira do Rio Grande
Cachoeira do Rio Grande
Saindo da vila bi-estadual de Maringá (fronteira RJ/MG) pela RJ-151 passa-se pelo centro da Vila de Visconde de Mauá (km 5) seguindo a partir daí em estrada de terra (boa) até o km 10. À esquerda dobre na Ponte dos Cachorros, de madeira, cruzando o Rio Preto entrando em Minas Gerais, até chegar a uma placa 100m adiante onde se dobra à esquerda, claro, se seu carro tiver torque e pneus bons. Poucos metros adiante começa uma serra onde se anda de 1a e 2a marchas em boa parte do tempo, pedregosa, erodida e, se estiver com umidade (o que já não é normal até outubro), há o risco de patinar.

Igreja de Santo Antônio
Santo Antônio - Centro
Andando 10 km desde a Ponte dos Cachorros chegamos a Mirantão. Passamos direto seguindo mais 10 km até Santo Antônio, uma serra pior que a anterior, mais íngreme. Ao chegar logo se enxerga no ponto mais alto uma igreja marrom e bege, que é dedicada ao padroeiro. Ao lado da igreja passa o caminho que leva à Cachoeira do Rio Grande. São mais 7 km de estrada de terra novamente na base de 1a e 2a marchas, mas bem melhor que os trechos anteriores. O cuidado a tomar é a cerca de 5km do início da estrada, numa bifurcação após uma pequena igreja, pegar à esquerda.
Cachoeira da Prata I

Cachoeira da Prata - Rest. D. Palmira
Essa cachoeira é a mais visitada de Santo Antônio. A do Paiol fica em outra direção e exige caminhada por trilha. Chegando ao local há onde parar o carro (pelo menos tivemos a sorte de estar vazia, o que não é usual) e descendo uma rampa fácil de 100m se chega à cachoeira, que tem próximo um restaurante onde se pode comer pratos fartos de lambaris fritos, que achei melhores que piabas ou agulhinhas. Muito gostoso. O lugar é particular. Tem banheiros, campo de futebol, palhoças e chalés. O poço da cachoeira é raso, água muito gelada e não dá para aguentar a pancada da queda d'água.

Cachoeira da Prata II
Saindo de lá paramos em Santo Antônio para comprar uns queijos da região e doces. Os queijos do povoado de Independência são muito bons, tendo com orégano, pimenta biquinho (aquela fraca) e de pimenta prá valer (parmesão). O lugar é parado no tempo. Parei num bar e fiquei de prosa com as pessoas, enquanto dois violeiros tocavam e cantavam músicas do folclore regional. Ali fiquei sabendo que a cachoeira ficava numa nascente do Rio Grande, que abastece a represa de Furnas e segue para a bacia do Rio Paraná. Ficaria ali o dia todo se o dever não chamasse: tinha outra cachoeira para visitar, o tempo corria e se bobeasse anoiteceria com a gente na estrada, o que não seria uma boa.

Pedra Selada vista de Mirantão
Mais 10 km voltando a Mirantão naquela serra sofrível. Tinha hora que nem jogar uma 1a dava, porque a roda patinava nas rochas e terra solta, mas o velho Scenic passou. Pareceu que a subida nesse sentido era pior que a do contrário. Em Mirantão seguimos direto para a Cachoeira da Prata. Trecho de 4,5 km em terra pouco melhor que os anteriores. O local é organizado, com bom estacionamento, e causa melhor impressão porque se vê logo uma porção de bichos da roça soltos, em frente ao restaurante da dona Palmira, prédio que há 170 anos abriga sua família. Tem banheiros, um bom gramado com mesas, um bar e o restaurante propriamente dito.

Paisagem vista de Mirantão
Há 3 cachoeiras da Prata. A primeira, logo na descida (fácil), é de pequeno porte, num riacho que desemboca adiante no rio onde há  a cachoeira que chamam de Prata I, onde há um poço adequado a banho. Claro, se não fosse 4 da tarde e a floresta não encobrisse o sol até dava para mergulhar, mas fazia um frio considerável. Dali se desce por uma trilha acidentada mas não muito até o patamar da Prata II, cachoeira belíssima, com vários obstáculos na vertical, que não tem poço para banho. Vale pela beleza.

Comida caseira mineira de primeira. Creio que para algumas coisas usaram banha de porco, trazendo lembranças de um tempo em que ninguém se preocupava com colesterol. Farofa com couve, feijão, batatas fritas, saladas, ovos fritos com a gema extremamente amarela certamente daquelas galinhas que ciscavam próximas aos nossos pés, delícia. O chato foi sair dali e sacolejar de volta os 7 km até Mirantão. O lugar tem esse nome porque no topo do morro atrás da simpática igreja azul e branca há uma subida em terra até um mirante, de onde se tem a visão privilegiada da Pedra Selada, onipresente na região.

Mais uma hora de viagem percorrendo 0s 20 km da mesma estrada da ida retornamos a Mauá / Maringá. Já era noite. Passeio cansativo, mas valeu muito a pena. 

sábado, 8 de março de 2014

MIDIA BANDIDA 0051 : Globo força barra para criar racionamento de energia

Em São Paulo a situação do abastecimento de água para 8 milhões de pessoas na região metropolitana da capital está crítica. O principal reservatório está quase seco, mas a SABESP, empresa do governo paulista responsável pela água e esgoto, não toma a medida que seria mais prudente: iniciar uma ampla campanha de economia com racionamento. Como isso tem repercussões políticas, empurra-se o problema com a barriga na expectativa de novas chuvas que possam salvar a pátria tucana. Diante do descaso, a Agência Nacional de Águas, que monitora os sistemas de todo o país, determinou que os outros sistemas de abastecimento serão acionados para reforçar o abastecimento, solução que não durará muito tempo pois os outros reservatórios são menores.

Gráfico do Jornal Nacional
Para poder preparar o clima para o racionamento em terras tucanas, a Globo passou a investir na "criação" do apagão elétrico. Estamos terminando o verão, com recordes de calor e falta de chuva e de equipamentos de ar condicionado, e nenhuma ocorrência séria de falta de energia sistêmica foi registrada. Mesmo assim a Globo quer criar o clima com mentiras sobre o sistema elétrico. Foi assim quando Dilma baixou as tarifas de eletricidade no ano passado: previram um caos que assustou os empresários e não aconteceu. Um prejuízo enorme à economia pelo irresponsável terrorismo político.

Gráfico do Jornal da Globo
A primeira delas é tentar comparar os níveis de reservatórios de hidrelétricas de fevereiro de 2014 com o do mesmo mês de 2001, quando o governo FHC mergulhou o país num racionamento por falta de investimentos agravado pela falta de água nas barragens. Isso apenas no sudeste e centro-oeste, que abastecem o sudeste e centro-oeste (70% do consumo).

Através de um gráfico,  o Jornal Nacional tentou mostrar que os níveis eram praticamente iguais para o expectador ver que estamos numa pior. Pelo menos tiveram a decência de mostrar que em março já houve recuperação. No Jornal da Globo, que é mais barra pesada em críticas com a tropa de choque da direita, a barrinha de março sumiu, para reforçar que estamos próximos do caos elétrico. Na audiência desse jornal tardio estão empresários e outros em quem se incute a desconfiança no governo para travar investimentos.
Em azul, 2013. Em verde, 2000

Eis que o site do Operador Nacional do Sistema (ONS) nos mostra uma outra realidade: fevereiro de 2001 foi um dos valores de máximo de nível de reservatórios em meio a valores péssimos do ano anterior. Hoje temos mais energia armazenada que em 2001. De lá para cá mais hidrelétricas foram construídas, linhas de transmissão permitem transferir cargas de um sistema a outro e há termelétricas capazes de segurar mais de 20% da demanda, acionáveis em caso de falta. O sistema hidrelétrico e de novas alternativas em períodos normais segura a demanda.

Mesmo com as chuvas irregulares hoje temos uma situação energética bem mais confortável que no apagão e racionamento do governo FHC. Mas a Globo incute a incerteza na forma de desconfiança no governo e apóia a iniciativa de alguns grandes consumidores para participar das decisões sobre energia, ou seja, tirar poder do governo para as decisões no setor. Na prática, dizem que o governo mente e não vai fazer o racionamento que acham necessário para não ter desgaste político.

O rol de mentiras e meias-verdades não para por aí. É preciso parar hidrelétricas para criar mais tensão, daí empurrarem goela abaixo a versão do Greenpeace e outros de que as cheias em Porto Velho são consequências da construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, que estão a montante da capital de Rondônia. O Ministério Público, OAB e outros emprenharam pelos ouvidos com essa versão e já tomam medidas para embargar obras e parar a geração. Esconderam o fato causador das cheias recordes: chuvas descomunais nas nascentes do Rio Madeira na Bolívia. Mais de 500 mm em poucos dias, o que é um dilúvio, considerada grande área da bacia de captação.

Foto do site do PAC 2 - UHE Santo Antõnio  
Se no Ministério Público, OAB e outros houvesse uma consultoria de engenharia, talvez tivessem evitado essa medida equivocada. Barragens servem para regular as cheias dos rios, perenizá-los e criar potencial hidráulico para geração de energia. Não se construía hidrelétricas desde a ditadura, e as feitas por Lula e Dilma levam em conta preocupações ambientais como a redução das áreas alagadas por reservatórios, tanto que em alguns casos a geração de energia será suspensa por falta de água, como será o caso de Belo Monte. Trabalham praticamente com a água corrente, ou seja, é absurdo supor que as hidrelétricas gerem água. O correto seria supor que elas são favoráveis à contenção de cheias, e nesse sentido foram desligadas 11 turbinas da usina hidrelétrica de Santo Antônio para que haja acumulação de água para aliviar a situação de Porto Velho.

Essas coisas não são fáceis de explicar num ambiente contaminado por interesses contrários ao desenvolvimento nacional, internos e externos, políticos e pouco técnicos. Mas com a Globo tudo vira verdade. Para dar mais substância à campanha pelo racionamento elétrico visando tirar pontos eleitorais de Dilma, o Jornal Nacional botou mais um gráfico "mostrando" que o preço cobrado pelo mercado livre de energia das termelétricas quadruplicou em um ano, como se toda a energia tivesse aumentado. Só que isso não chegou ao consumidor, porque 80% da energia é hidrelétrica, muito mais barata, e mesmo com 20% fornecidos por térmicas o impacto nas contas não aconteceu. Mas a Globo pinçou nas declarações do ministro Edson Lobão que "a conta pode ser do consumidor".

Para azar deles, está chovendo muito nas nascentes dos rios que abastecem os principais reservatórios de hidrelétricas, e pouco em São Paulo. Os números da ONS em março serão bem melhores que os de fevereiro, enquanto os do sistema Cantareira podem não ser tão bons assim, porque o clima está atípico. A tentativa de tomar na marra o comando do sistema elétrico não resistirá às atuais chuvas.