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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

2016: Derrotar de vez o golpe e exigir um governo popular e democrático

Charge de Aroeira que traduz o momento atual: um terrorista contra Dilma





Jornadas de junho de 2013. Ilustração do livro Cidades Rebeldes
Se buscarmos as origens de tanto ódio a uma mulher honesta na vida pessoal e no trato da coisa pública teremos que voltar não à ditadura militar, onde foi presa, torturada e depois virou a página, mas a 2013. Insisto nessa minha visão porque aquele momento foi lido, creio eu, de forma equivocada por muita gente boa que queria faturar em cima do movimento das ruas que quase derrubou Dilma.

Poucos se lembram ou vão ligar uma coisa com outra, mas desde 2012 as condições macroeconômicas permitiram a gradual queda da taxa de juros. Até a poupança foi modificada para não prejudicar a rentabilidade de investimentos quando os juros baixassem muito. Nessa época começou o ódio, que os banqueiros e a mídia tentaram transformar em "golpe contra a poupança" a exemplo do que aconteceu no governo Collor. Dilma mudou a poupança e no dia seguinte a terra continuou girando na mesma velocidade da véspera.

Dilma vivia o melhor do seu primeiro mandato no início de 2013. Em 18 de maio daquele ano escrevi sobre a situação econômica favorável que já despertava ódio golpista na direita, que viria às ruas menos de um mês depois legitimada pela mídia. Vale a pena ver de novo: REVOLUÇÃO CAPITALISTA DE DILMA PROVOCA GOLPISMO DE DIREITA

Exemplo de "ISSO NÃO VEM AO CASO". Aécio não interessa.
Os juros continuaram a cair até que entramos em 2013 com valores reais abaixo de 2%. Para uma economia de parasitas que ganham dinheiro fácil em cima de títulos públicos isso foi um desastre, idem para os banqueiros. Era para terminar 2013 com taxas de juros civilizadas, já que as conjunturas internacional e nacional permitiam. Eis que, como tantos que há todo dia, um movimento reclamando de preços de passagens em São Paulo, que deveria ter ficado pela blindagem de mídia como a atual luta dos alunos contra o fechamento de escolas por Alckmin, isolado nas redes sociais.
De repente a mídia, que condenava, muda de idéia e aparelha a luta legítima com bandeiras como "fora Dilma, impeachment" e outras. Os movimentos sociais adotaram a Copa como bode expiatório e começaram um movimento contra a realização do evento, no que tiveram apoio parcial de mídia até o momento crucial onde a Globo perderia dinheiro se não ocorresse. Teve a Copa, mas Dilma foi xingada nos estádios. Teve a Copa, mas o Brasil não poderia ganhar senão fortaleceria Dilma na eleição. Acabamos tomando 7 x 1 num episódio que mereceria maior investigação diante da corrupção endêmica do futebol, mas a "cena do crime" foi rapidamente desfeita num "deixa disso" midiático. "Perdemos porque somos uns merdas", era o discurso vira-latas do povo da mídia.
A fraqueza de Dilma na "governabilidade" abriu os esgotos.
O fato é que o governo foi desestabilizado e a economia sofreu turbulência que inviabilizou termos juros baixos. Dilma ficou marcada pelo capital. Iniciou-se em 2014 uma operação rasteira, a Lava Jato, de primeira instância numa obscura vara em Curitiba que, com o conluio da Polícia Federal e da mídia no vazamento de informações seletivas, virou o "Tribunal do PT", com o objetivo primeiro de tirar-lhe a eleição. Fracassaram. Começamos 2015 com a fase da sabotagem da economia. Hoje vivemos o "não vai ter Petrobrás, não vai ter BNDES, não vai ter governo, não vai ter Brasil", pela parte dos seus autores.
Oposição faz de Cunha seu herói do golpe
Na retrospectiva de 2015 vamos encontrar em 15 de março o auge dos protestos pelo golpe. Centenas de milhares de coxinhas nas ruas com suas camisas da seleção num movimento crescente, articulado por grupos de extrema-direita na internet espalhando ódio e a mídia espalhando desinformação, calúnias e difamações. A Lava Jato bombando, parando a Petrobrás, inviabilizando a construção pesada, causando desemprego, engrossando o caldo contra Dilma.

A direita quer golpe sangrento, pior que 1964. Extermínio. 
Quando tudo parecia perdido para Dilma aparece ... Cunha! Ele e sua bancada de baixo clero fundamentalista aproveitaram o bom momento da direita fascista para empurrar a tal "pauta bomba", que ia da supressão de direitos trabalhistas com a PL 4330, aquela da terceirização, à supressão de direitos de mulheres, homofobia, criminalização de crianças, privilégios aos mercenários da fé, etc.

Junto com ele o governador Beto Richa do PSDB do Paraná acordou os movimentos com uma repressão brutal aos professores em greve quando tentava roubar-lhes o dinheiro da previdência. A ficha caiu prá muita gente que um governo tucano com Aécio seria uma guerra aos trabalhadores. Mesmo com blindagem de mídia, o desgaste foi grande e as atrocidades foram vistas por muita gente brasil afora.

Os movimentos sociais, que estavam paralisados em parte pela submissão da CUT e outros ao fisiologismo de governo e mais à esquerda pelos que queriam ver o circo pegar fogo e depois crescer sobre as ruínas do PT, não se opunham. As ruas e redes sociais estavam dominadas pela escória do Brasil espalhando até golpe militar,  desejos de matar, volta da ditadura, etc. Isso foi até abril, quando Cunha passou a ser o vilão dos direitos sociais e trabalhistas. Lentamente os movimentos populares se levantaram e passaram a protestar.
Ataques á Petrobrás geraram reações. 13/03/15 Rio

Voltamos a ter a cor vermelha nas ruas, até então ocupadas pelo verde-amarelo hipócrita dos pró-americanos. Eles, por sua parte, exageraram nas demonstrações com baixarias, declarações sem-noção de ódio, oportunismo, etc. Mesmo tendo apoio de mídia até hoje, os coxinhas foram deixando as ruas tanto por fim de uma "moda" mas também porque as coisas já não estavam mais tão fáceis com Cunha se seu saco de maldades. Mesmo com as pesquisas indicando Dilma praticamente sem apoio até da família, ela não caía. Aécio também deu sua colaboração expondo-se como oportunista, interesseiro, sem projeto para o país, apenas um menino mimado vingativo que queria a todo custo tomar o poder depois de ter perdido a eleição.

Globo estimulou ações dos coxinhas contra Dilma e blindou PSDB
Globo mergulhou de cabeça no apoio ao golpe, como em 1964
O cenário foi píorando para Dilma ao longo do ano. A mídia martelando sem piedade usando o canal direto com a Lava Jato para criar factóides e criminalizar o PT, Lula e Dilma. A situação econômica se deteriorou com a conjuntura mundial e com a deliberada sabotagem à nossa economia através de especuladores articulados com a mídia. O pacote econômico do ministro Levy, que poderia ser subscrito pela equipe econômica de Aécio por  penalizar os mais pobres, foi lentamente sendo tocado no congresso e não chegou a fazer efeitos. A liberação do câmbio aliviou as contas externas e começou a animar a indústria exportadora, mas os efeitos só acontecerão no ano que vem, justo quando o desemprego deverá continuar subindo com o fim das grandes obras de infra-estrutura e mais vinganças de CPIs e da Lava Jato.
O "timing" do golpe indicava abril ou maio para a deposição de Dilma, que mostrava debilidade em governar tanto pelo tsunami da direita como pela incompetência da equipe que escolheu. Sem ter mídia favorável sequer se armou com um bom porta-voz. O Planalto silenciou. A articulação política virou um balcão de despachos do PMDB, que foi achacando por mais e mais ministérios enquanto tramava derrubar Dilma e dar posse ao vice Temer. Na área da justiça um dia não será surpreendente saber que o ministro jogava do outro lado. Nunca impediu que a PF vendesse informações à mídia golpista, mesmo sendo o chefe. Deixou que em Curitiba a PF montasse um comitê pró-golpe, um ninho tucano que fez campanha para Aécio.

Antecipada candidatura de Lula 2018
A entrada de Lula em cena com seu lastro popular mudou o jogo mas não freou o golpe. O fato da imprensa ter desfocado de Dilma e ter passado a despejar todo o seu ódio de classe contra Lula o fortaleceu junto às base do PT e a muita gente de esquerda que passou a enxergar que a direita não era democrática: com o golpe viria uma ampla repressão aos movimentos sociais e populares, com o apoio de paramilitares e neonazistas. a exemplo do que aconteceu na Ucrânia. O filho de Lula foi achacado no dia do aniversário de 70 anos do pai, tarde da noite em casa, pela Polícia Federal... Contra ele a campanha de difamação também foi imensa. Até a filha de Dilma teve seu nome associado a enriquecimento inexplicável nas mídias sociais...

Lula fez o contraponto. Galvanizou a solidariedade da base petista descontente e descrente, que já dava o jogo como perdido dada a inoperância e falta de recuperação do governo Dilma. No meio desse tiroteio o Congresso parou. Lentamente as mulheres e outros segmentos atacados por Cunha se levantaram e foram às ruas a partir de outubro.

Os espertos faturam em cima dos otários
Ao longo do ano as máscaras foram caindo mais por erros da direita que por acertos de Dilma e do PT. Cristalizou-se o bordão "se é tucano não vai preso", traduzindo o sentimento popular de impunidade do PSDB mesmo em casos graves de corrupção, como no metrô de São Paulo, o arquivamento e prescrição de casos como o mensalão tucano, etc. A imagem do judiciário trincou, com o juiz Sergio Moro fazendo um circo de arbitrariedades, prendendo primeiro e procurando provas depo



is. A ele foi associado o bordão "isso não vem ao caso" quando os assuntos envolvendo corrupção remetiam a anos FHC. Ficou explícito que a Lava Jato é um tribunal tucano. Ainda há a emblemática imagem do helicóptero dos 450 kg de pó que não foi investigado ou punido porque chegou ao quintal dos poderosos.

O desgaste institucional chegou ao ápice em outubro com a aprovação da lei do direito de resposta e a denúncia das contas secretas de Cunha na Suíça. A máquina de mentir e caluniar da mídia foi parcialmente travada com os direitos de resposta, aumentando a crise de credibilidade que levou a Veja praticamente à falência e tirou dinheiro de patrocinadores da Globo. Esta chegou a perder audiência ao ponto de uma novela do horário nobre perder para um épico bíblico da Record... Foi um ano ruim para a mídia, que passou a ser vista por boa parte das pessoas como manipuladora e mentirosa.

Esposa de Cunha gastando nosso dinheiro
As atitudes diante do roubo explícito de Cunha ajudaram a desconstruir a dicotomia "bem=Mídia + judiciário x mal = Dilma e PT". A exemplo do caso HSBC e da corrupção no Carf, que envolveram bilhões em corrupção e interesses de grandes empresas e figurões "do bem", com Cunha o acobertamento veio para não prejudicar o impeachment em andamento por causa de "pedaladas fiscais" "julgadas" pelo TCU dirigido por um presidente suspeito em casos de corrupção. Graças à péssima imagem de Cunha a "operação abafa" não funcionou. Mulheres foram às ruas pedir sua cabeça. Na mídia houve aqui e ali algumas rebeliões contra Cunha. As imagens de sua mulher fazendo compras de luxo viraram escárnio. Mesmo assim, com o apoio da oposição e vista grossa do governo, Cunha continuou à frente da Câmara com o poder imenso de começar o processo de impeachment de Dilma, que cozinhou desde outubro.

Antes de chegar à conclusão é bom lembrar que com as baixarias das demonstrações de rua, cada vez mais radicais e direitistas, o PSDB e outros partidos que surfavam na onda saíram de cena. Praticamente ficaram "resistindo" oportunistas e mercenários, que tentaram um "gran finale" com uma greve de caminhões seguindo o modelo chileno bancado pela CIA para derrubar Salvador Allende. Também espalharam pelo país bonecos infláveis difamando Lula e Dilma como criminosos. Foi o princípio do fim para eles. Setores de juventude passaram a atacar os tais bonecos e o governo (finalmente) deixou seu "republicanismo Caracu" de lado e inviabilizou a greve política. Os "revoltados" e heróis partiram para o tudo ou nada montando uma centena de barracas em frente ao Congresso Nacional sem ninguém, e juntando o que havia de pior, desde cachorros doidos de direita a gente armada, que chegou a atirar contra uma manifestação pacífica de mulheres negras.

Fim de linha. Mesmo apoiados por Cunha, que os tinha como milícia para pressionar pelo impeachment ao mesmo tempo que barganhava com o governo sua não cassação pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, foram enxotados de forma humilhante de lá. Mas pelas redes sociais o discurso radical continua beirando o terrorismo.

No front jurídico a criminalização do filho de Lula e de pessoas próximas a ele buscava um clímax com a prisão do "Chefe", do "Nine" (nove dedos)" ou "Brahma", como na codificação do circo da Lava Jato e mídia. Pressão máxima pelo impeachment antes do fim do ano. Prenderam o líder do governo no senado, Delcídio Amaral, com grampo de conversa onde entrega também o banqueiro André Esteves, padrinho de Aécio Neves, que bancou sua lua-de-mel em Nova Iorque. A mídia aliviou o banqueiro e centrou fogo em Delcídio, que apesar de ter cometido os crimes no governo FHC quando era do PSDB isso "não vinha ao caso".


O episódio serviu para acentuar o sentimento de haver uma justiça parcial, que prendia alguém do PT por crimes no governo FHC e não prendia um ladrão com consistentes provas, Cunha, que continuava à frente da Câmara, o terceiro nome na linha sucessória. Cunha só conseguiu essa proeza de não ser preso porque faz parte do esquema da oposição para derrubar Dilma. A coisa ficou tão ruim para o lado dele que passou a ser visto pelos seus pares como um obstáculo ao impeachment, ao usar o pedido como moeda de troca para fugir à cassação pela Comissão de Ética com os três votos de deputados petistas que desempatariam a seu favor o jogo.

Entrou dezembro nesse clima com os efeitos da peregrinação de Lula começando a serem sentidos na base petista. Na semana anterior o presidente do PT, Rui Falcão, já havia negado solidariedade a Delcídio quando foi preso, mas a bancada do PT no senado foi contra a sua prisão. Agora petistas iriam dar salvo-conduto a Cunha... uma dose muito forte até para os mais radicais militantes. Veio a reação que chegou aos parlamentares na forma de abaixo-assinado contra livrar Cunha. Os deputados da Comissão de Ética, que estavam vacilantes, foram pressionados a votar contra Cunha. Sentindo que seu esquema de chantagem havia falhado, Cunha tomou a atitude desesperada: iniciou o processo de Impeachment para garantir sua sobrevida com o apoio da oposição e da mídia.

Dilma imediatamente fez um discurso que o torpedeou, colocando sua honestidade contra a ficha suja de Cunha e que fez isso como vingança por uma chantagem mal-sucedida. Diversos setores da sociedade entenderam isso. Um bandido se vingando de uma mulher honesta, apesar de erros e vaciladas políticas. Partidos que lavavam as mãos esperando faturar na queda de Dilma se posicionaram contra o golpe, cujo apoiador mais visível e pessoalmente interessado passou a ser Aécio Neves, que está desgastado até entre seus eleitores e apoiadores.

Com a base do PT comemorando e militando novamente, agora virão os movimentos de rua contra o golpe. Os aloprados da direita vão tentar voltar às ruas a pedido de Aécio, que agora quer adiar a decisão do impeachment depois de ter dito que o Brasil não aguentava mais um dia com Dilma, porque está isolado. Precisa de 342 votos para derrubá-la, o que parece impossível hoje.

Direita ficou com Cunha mesmo depois de denunciado 
Do lado do empresariado, da sociedade civil, de trabalhadores e do povo em geral parece que o início do Impeachment foi um alívio, como quem diz : "bom, agora seja qual for o resultado vai parar essa sacanagem, esse mimimi, que está parando o país e sabotando a economia". Não importa mais Delcídio, Cunha, Aécio, nada. As pessoas querem encerrar esse assunto. Começar 2016 sem incertezas, para poderem se planejar sem ficar mais no "e se Dilma cair", que é explorado por especuladores para ganhar muito dinheiro. E parecem ter um "feeling" de que agora se Dilma cair num processo fajuto sem provas vai ter alguma reação popular podendo culminar numa guerra civil. Ninguém quer isso, mesmo que Dilma continue até 2018, que seria o razoável na democracia.

Dilma pode até não saber, mas está no seu melhor momento desde que ganhou as eleições em 2014. A situação econômica está sendo agravada pela sabotagem e isso afeta até os governos dos inimigos de Dilma. Se ela não pode pedalar, ninguém pode! Estados e municípios estão sufocados pela queda de arrecadação fruto da paralisação forçada pela crise política. Estão dependentes do governo federal. Sabem do risco de caos num processo turbulento de deposição. Tem eleições em 2016 e sem realizações para mostrar os políticos correm riscos de ser derrotados.

28/10/15 - Rio - Ato  das mulheres contra Cunha na Cinelândia
A equipe de Dilma e o próprio Lula buscam pessoas influentes dos partidos para combater o golpe. No PMDB de Cunha até agora não há posicionamento. Michel Temer, o vice de Dilma, não se posicionou. O secretário de Aviação Civil, Eliseu Padilha, que é do PMDB, deixou o governo. Se isso for uma tendência para achacar Dilma, pode virar mais um bumerangue como foi o impeachment aberto no pior momento para Cunha: novamente, vingança e irresponsabilidade.
Chuva de dólares em protesto contra contas na Suíça
De alguma forma os semblantes calmos de Dilma e outros da sua equipe quando fez o discurso que desancou Cunha no histórico dia 2 de dezembro passa a idéia de ter a situação sob controle. Ao fugir da chantagem de Cunha ela também depreciou a chantagem coletiva do PMDB sobre a governança e aí pode vir um novo tiro no pé: o abandono do governo por eles e debandada de vez para a oposição. Teriam que apostar tudo no golpe para entregar o poder a Temer. Fortalecer Cunha a ponto de se misturarem a ele no esgoto. Arriscar perder as eleições de 2016 justo onde são mais fortes: prefeituras!

Pode chegar o momento de Dilma se libertar do PMDB para poder governar. E aí, quem daria governabilidade? Existe vida após o PMDB. E escapando ao golpe Dilma estará devendo à sociedade que hoje se solidariza a ela. Terá que apresentar um programa de governo e começar tudo do zero, um novo mandato. É nessa hora que uma nova correlação de forças poderá ser estabelecida. O bloco liderado pelo PSDB está rachando com a possível saída do PSB, cujo governo em Pernambuco já subscreveu manifesto contra o impeachment. O Rede, que está na sua área de influência, se mostra contra o golpe. E sem Cunha, como fica sua milícia do baixo clero da Câmara, que não se submete aos partidos pelos quais elegeram? A tendência será de fidelização às lideranças que por sua vez buscarão acordos com Dilma.
Pesquisa diz que 81% querem Cunha na cadeia
O processo tem que andar rápido. Acabar logo com isso derrotando no congresso a tese de forma que Aécio não poderá mais tentar nenhum truque sujo. Estará destruído pelos seus próprios pares, que já começam a olhar para 2018 e preparam um luta interna poderosa entre Alckmin e Serra. Pior: sem poderem ostentar financiamento privado de campanha. Pior ainda: enfrentar nas urnas o PT com a militância revigorada, que não precisa de dinheiro para pedir votos. Junto com o DEM, PPS e os partidos do Paulinho e do Roberto Freire poderão ser varridos nas próximas eleições e chegar a 2018 depauperados.


Sabemos das limitações de Dilma, sua equipe e do PT, A declaração hoje do ministro Ricardo Berzoini de começar em março a discussão sobre a regulamentação da propriedade da mídia não parece revestida da radicalidade que o assunto requer. Parece mais um blefe, um joguinho prá criar moeda política no trato com a Globo. Uma pequena chantagem, vem ao estilo Cunha.

O fotograma de hoje, 4/12, não serve para prever o que virá por aí na reação dos golpistas, que hoje perdem feio para Dilma, que tem que liquidar logo essa fatura e liderar as esperanças para começar um ano melhor em 2016.  Sempre haverá a mídia e a chaga aberta da Lava Jato, que poderá oferecer nas ceias de Natal das elites a cabeça de Lula numa bandeja de prata, preso por qualquer coisa. Alguém quer apostar nisso?




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Paraná : A "PÁTRIA ESPANCADORA" tucana desmascarada.

Em greve há 50 dias, os professores de São Paulo são desprezados pelo governo Alckmin, que afirma que tudo está normal e não negocia. No passado já foram vítimas da violência policial comum aos governos do PSDB. Hoje é o Paraná conflagrado por um movimento de professores lutando para que o  PSDB não confisque sua previdência para cobrir rombos orçamentários de um governo incompetente e corrupto. Há um padrão tucano de violência contra a classe trabalhadora em geral, com requintes de sadismo em relação aos professores e à educação como um todo.

As vestais tucanas posaram de indignadas para denunciar cortes nas verbas da educação em contraste com a promessa de "Pátria Educadora" feita por Dilma ao iniciar seu novo mandato. Amplificaram com mídia suas denúncias de falta de recursos no PRONATEC e no FIES. Mas, com a blindagem de mídia, nada sai a público sobre as atrocidades cometidas no setor educação nos estados que governam. Exemplo: o fechamento de escolas em São Paulo inchando as turmas existentes em outras unidades.

Agora, exceto Álvaro Dias, que condenou a violência do colega de partido e botou a culpa em Dilma pelo descalabro econômico do estado (???), nenhuma outra personagem de peso do PSDB se pronunciou sobre o massacre policial que feriu mais de 150 professores anteontem em Curitiba. Aécio Neves, convenientemente, não dá um pio, enquanto a mídia aliada cobra de Dilma um pronunciamento do 1o de Maio. Nenhum fala sobre punição a 50 policiais que se recusaram a atirar nos mestres e foram exonerados. Deles nada é cobrado.

Se algum professor votou em Aécio deve se arrepiar ao pensar no que seria da educação no país se ele tivesse ganhado, a partir das demonstrações atuais. Piso salarial nacional subindo 10% ao ano? Esquece! Dinheiro do pré-sal para a educação? Esquece, porque o pré-sal seria entregue aos gringos junto com a Petrobrás! PRONATEC, PROUNI, novas universidades e escolas técnicas? Utopia! O modelo tucano para a educação é a "PÁTRIA ESPANCADORA", ou seja, manter tudo como estava há 500 anos e Lula e Dilma cometeram a heresia de começar a mudar.

Graças aos professores do Paraná e às iniciativas da oposição no Congresso de acabar com direitos dos trabalhadores na mão grande hoje teremos um 1o de Maio classista, como não se via há muito tempo. Hoje não tem rifa prá atrair público ao ato das centrais sindicais: o trabalhador vai porque voltou a enxergar a cara do seu inimigo, mascarada pela mídia numa falsa dicotomia entre "ética hipócrita" e "corrupção do PT". Voltamos ao normal: agora é opressor x oprimido, trabalhador x patrão, esquerda x direita. A luta de classes está de volta, e as coisas ficam mais claras. Parabéns, trabalhadores, pelo seu dia de luta
.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

MIDIA BANDIDA 0075 : Sabotando as cadernetas da Caixa com boatos

Mal escrito, motivo absurdo, data indefinida, mas tem quem ache normal. 
Na semana passada, de forma articulada e criminosa, espalhou-se por redes sociais e no boca-a-boca que o governo Dilma iria congelar os depósitos de poupança da Caixa. Não é a primeira vez que se pretende desestabilizar a empresa pública e o governo com boatos: em 2013 outra mentira dizia que haveria um benefício adicional do Bolsa Família


causando confusão nas agências. Mais um ataque sabotador à economia que, na falta de resposta dura do governo (depende da PF do Ministro Zé Eduardo, o parvo), novamente trará mais insatisfação contra Dilma, mesmo não ocorrendo nenhum congelamento pela "Federção" dos Bancos começando em 17/2/ 2015 e "sem volta", ou seja, é expropriação, não congelamento, pelo texto do boato.

A "guerra da informação" para a qual a presidente Dilma pediu que todos os seus ministros e auxiliares se preparassem está sendo ganha pelo que há de pior: o preconceito. Por falta de comunicação mais ágil e de perda de militância para dar o combate cotidiano no local de trabalho e nos movimentos, a mídia bandida emplacou duas "verdades perigosas:
- se saiu no Jornal Nacional é verdade;
- tudo que é contra o governo é verdade, não importa a fonte.

A partir dessa vitória das mídias de oposição torna-se muito difícil o combate individual, que não tem apoio da mídia de governo cotidiana. Aí fica fácil entender como se alastra esse boato  da Caixa, pois na mente dos desinformados e manipulados que nada questionam vale a maldade potencial do governo.

O mais devastador no método da mídia bandida é que a as boas notícias são negativadas nos grandes meios de comunicação e não chegam a ser gravadas nas memórias. É só ver como o Jornal Nacional dá uma boa notícia. O nível de desemprego baixíssimo de 2014, de dar inveja em qualquer economia mundial, é noticiado com um "analista" dizendo que esse número é obtido a partir do desmantelo da economia, que é eleitoreiro e que em breve os trabalhadores vão pagar caro por isso, etc, etc.

Processar e botar na cadeia tais criminosos da boataria não é difícil, já que nas redes sociais tudo deixa rastro. No caso do boato da Caixa o perfil foi tirado do ar pelos donos, mas deixou o DNA. Quem deveria investigar isso? A Polícia Federal. Mas aí há dois problemas: uma corporação dominada pela oposição e um ministro que deveria dar as ordens mas quer que a PF aja "republicanamente", ou seja, que traga a cabeça do opositor do governo numa bandeja de prata sem ninguém pedir.

Em resumo: as pessoas não guardam as boas notícias, e os fatos parecem só existir na hora que as coisas são realmente piores. Quando se zerou a CIDE e o preço da gasolina ficou congelado na Petrobrás por 5 anos vários estados aumentaram seus ICMS, como o Paraná, de governo tucano, e os cartéis dos revendedores, que trouxeram a impressão do preço estar sempre subindo. Quando finalmente a Petrobrás ajusta em 3% o preço e o governo volta a cobrar a CIDE de 6% é um estardalhaço, governo ladrão, etc. Ou seja, não ficou residual que durante anos o cidadão foi beneficiado por um preço administrado pelo governo mais baixo.

Censura na Globo impede de falar em FHC nas notícias da Lava-Jato
O mesmo acontece com o IPI dos carros, que na redução ninguém diz "olha, a Dilma baixou o imposto para você comprar carro mais barato", mas quando a renúncia fiscal termina vem o massacre do "Dilma aumentou o imposto para você pagar mais caro". Com a energia foi a mesma coisa. Quem se lembra que pagou 20% a menos por quase 2 anos? Ninguém, mas que aumentou agora e ainda assim não superou o preço antes da redução isso é explorado como "aumento irracional". E de quebra ainda vendem um "apagão" que não existiu até aqui no verão por falta de geração de energia, como foi nos anos FHC.

Num caso recente o criminoso que espalhou boatos sobre o filho de Lula foi flagrado e está sendo processado. Aí vem a idiotia dizer que é censura, que não se respeita a liberdade de expressão, etc. Mas quando a Globo manda tirar todas as referências ao FHC na operação Lava-Jato parece coisa normal. Ou quando bota imagem de uma plataforma afundando dos anos FHC com a data de 2011 para deixar subentendido que foi no governo Dilma foi "erro de um estagiário". 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

FANOAPÁ 0064 : "Eu pago muito imposto para sustentar o bolsa-vagabundo"

Distribuição do Orçamento Geral da União 2014 - fonte : site Auditoria Cidadã da Dívida
É muito comum vermos nas redes sociais pessoas "de bem" dizendo com pretensa autoridade: "pago muito imposto para sustentar mães que ficam parindo só para ganhar o bolsa-vagabundo", referindo-se de forma pejorativa ao programa Bolsa Família, do governo federal. Esse programa tem para 2014 cerca de R$ 24 bilhões alocados. Os coxinhas e seus bajuladores (coxinhas sem dinheiro mas ricos em estupidez) demonstram não ter noção de valores muito menos de objetivos dos programas. Aliás, não estão nem aí para isso. A Falta de Noção que Assola o País se associa com a Falta de Ética.

Síntese do pensamento coxinha sem noção
Será essa pilha de impostos mesmo? O Orçamento Geral da União (OGU) para 2014 tem um total de R$ 2,383 trilhão para ser gasto. Ou seja, para cada real de imposto pago pelos contribuinte, empresa ou pessoa física, direta ou indiretamente, cerca de 1% vai para a erradicação da miséria. Isso significa que uma pessoa que ganhe R$ 20 mil por mês (R$ 260 mil brutos/ano), na hipótese conservadora de não ter nenhuma dedução, desconte os 27,5% sobre o todo. Recolherá à Receita Federal R$ 71.500,00, um valor muito superestimado pois na realidade é menor que isso. Considerando-se os impostos indiretos que paga sobre produtos como pessoa física deve dar mais ou menos isso.

Bolsa Família tem efeitos de longo prazo. Os coxinhas nem querem saber.
Aplicando-se 1% sobre isso teremos, por ano, R$ 715,00. Por mês, cerca de R$ 60,00. Só lembrando: esse é o caso de uma pessoa que ganha R$ 20 mil mensais, o que abrange a maioria dos coxinhas de classe média que faz esse discurso do "bolsa esmola", quer tirar até o direito de voto de quem recebe, etc.

O que são R$ 60 para quem ganha R$ 20 mil mensais? São 0,3%! Isso é motivo para chorar? Olhando de novo o gráfico vemos que 42,04% do que se arrecada é gasto com "juros e amortizações da dívida". Para o nosso querido coxinha do exemplo são cerca de R$ 30 mil do seu imposto para....nada! Encher banqueiro e rentista de juros em cima de dinheiro colocado em papel, que não produz nada, que não melhora a vida de ninguém a não ser de um punhado de ricos.

São R$ 2.500 por mês dados de graça aos 1% mais ricos do país, o "bolsa banqueiro" ou "bolsa especulador". Desse aí ele não chia, afinal, postula fazer parte desse clubinho um dia. Enquanto isso destila seu ódio contra os pobres. Bolsa-Família não significa nem o valor de uma passagem de ônibus diária, nem um litro de gasolina, nem um cafezinho, nem o estacionamento, nem o maço de cigarros. Já os juros são para ele cerca de R$ 80 por dia, ou seja, um almoço em companhia de outros pares para criticarem o governo e tacarem pau nos miseráveis.

Se o coxinha de classe média alta não tem muito o que reclamar o que se dirá do cidadão que se acha coxinha na classe Ce ganha na faixa de R$ 2 mil por mês?  Paga ao Bolsa Família R$ 6 mensais, ou R$ 0,20 por dia. E noutro dia tinha gente dizendo que lutava não era só por 20 centavos... Realmente, não é só por isso: é o pobre criticando o esfarrapado. Não é só falta de noção, muito menos de dinheiro: é doentio isso.




domingo, 22 de dezembro de 2013

Mídia Bandida 0039 : A "enquete democrática" da Veja

Até há algum tempo a mídia tinha controle sobre o ódio de incutia na cabeça dos seus expectadores. Manipulavam para conseguir massa crítica irracional contra o governo e o PT. Sabiam que isso era um jogo. De um tempo para cá parece que eles mesmos passaram a acreditar no que pregam, e assim perderam a noção das táticas usadas contra o inimigo, passando a tê-las como estratégias.

O que justifica a revista Veja fazer uma enquete "Quem merece o título de Homem sem visão de 2013" listando apenas aqueles que passou o ano detonando, caluniando, odiando? Vejam a lista. Tem alguém do PSDB? Do DEM? Do STF só o ministro Celso de Melo, que eles atacaram abertamente na questão dos embargos infringentes. Do PMDB só o Sérgio Cabral. Democrático, né?

Ainda bem que as pessoas acordaram para o problema da manipulação midiática. Nem todas, mas muitas. Vão ter que depender de "favores" dos seus "homens de visão" para vender revistas. Alckmin comprou mais de 5 mil exemplares para poluir a mente dos estudantes paulistas. Sem licitação, claro. Fora as que já têm assinatura. http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2013/08/sem-alarde-da-midia-alckmin-renova-5-2-mil-assinaturas-daveja-2556.html

quarta-feira, 8 de maio de 2013

YOUTROUXA 0007 - "Governo dá aula de inglês a prostitutas para a Copa"

Cada vez mais me decepciono com alguns amigos que assinam embaixo toda porcaria que lhes mandam no Facebook. A novidade é a que imputa ao governo o uso de dinheiro público para dar aulas de inglês a prostitutas, e citam um jornal belga como fonte. Uma mentira facilmente desmentida até por jornais que habitualmente atacam o governo. Na Folha, a matéria fala que a Associação das Prostitutas de BH está dando um curso gratuito para suas associadas visando a Copa. Nada de dinheiro público nem de governo.

O texto fajuto também explora a incipiência linguística na tradução da notícia em belga, que originalmente é o seguinte:


Prostituees in Brazilië leren Engels voor Wereldbeker Voetbal 2014


De meisjes van plezier in Belo Horizonte, gaststad voor de Confederations Cup en het WK voetbal in 2014, krijgen Engelse lessen aangeboden om de toeristen goed te kunnen ontvangen. Meer dan 300 vrouwen gingen al op het aanbod in van de Vereniging van Sexwerkers in de staat Minas Gerais.

A tradução é : "Prostitutas no Brasil para aprender Inglês para Copa do Mundo 2014
As meninas se divertindo em Belo Horizonte, cidade-sede para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo em 2014, dadas as aulas de inglês oferecidas para receber os turistas. Mais de 300 mulheres já estavam em oferta na Associação de profissionais do sexo no estado de Minas Gerais."

 Nada de governo, nada de dinheiro público, tudo de 171 de quem inventou o texto para caluniar o governo federal. A direita fatura em cima até de prostituição para jogar lama no governo, e cafetiza a boa vontade dos de pouca capacidade de discernimento. Meus amigos, minhas amigas, ´passando essas coisas, seu filme...

Segue a matéria mentirosa:
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Notícias: O governo brasileiro não tem mais o que fazer, ao invés de investir o dinheiro público em crianças e jovens pobres da comunidade, estão colocando o dinheiro público para ensinar profissionais do sexo a aprender idiomas preparando o mercado sexual para a copa do mundo de 2014! essa notícia foi destaque no jornal aqui na Bélgica o Nieuwblad! Confiram a matéria completa com fotos de uma das salas disponibilizadas e pagas pelo governo no link abaixo! Ps- Enquanto isso nas escolas públicas os alunos não conseguem aprender direito nem o verbo "TO BE" VERGONHA!!! profissional do sexo que pague o seu cursinho e vá aprender o idioma que quizer, agora usar dinheiro público pra isso? me poupe! é uma verdadeira sacanagem!!!! http://www.nieuwsblad.be/sportwereld/cnt/DMF20130502_00563954?pid=2433353

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Bancários : Um suicídio a cada 20 dias!

Alguns podem pensar que a jornada de 30 horas semanais do bancário é um privilégio diante das demais categorias que trabalham 44 horas por semana. O que a grande maioria desconhece é o porquê da decisão que em 1933 abriu essa exceção à legislação trabalhista. E pouquíssimos sabem que a taxa de suicídios entre bancários é elevadíssima, uma minoria diante das tentativas de suicídio, recursos a drogas, etc.

O Banco do Brasil é um dos que mais desrespeita a legislação da jornada de trabalho. Perdeu milhares de ações na justiça reivindicando o pagamento das horas-extras, e ainda há um enorme estoque de processos em vias de decisão no judiciário. Prefere pagar na justiça a alguns que tomam a iniciativa do processo que fazer cumprir a lei para todos. http://oglobo.globo.com/economia/bb-caixa-estao-no-topo-de-lista-de-empresas-com-acoes-trabalhistas-5253689  .

Enquanto isso, degradam-se as condições de trabalho para atender a uma cada vez mais acirrada competição de mercado, que afeta mais o BB, que é uma empresa de economia mista com ações em Bolsas de Valores, que a Caixa, empresa 100% pública. Além de ter que apresentar vistosos lucros aos acionistas, o BB e a Caixa são hoje supridores de superávit primário ao governo federal, através do repasse da parte dos lucros ao Tesouro Nacional. Talvez esse seja um indicativo da vista grossa que o governo faz em relação aos direitos trabalhistas dos funcionários dessas empresas, preferindo a protelação judicial e o não pagamento. 

Enquanto isso, bancários vão se matando, destruindo vidas, famílias, saúde, etc. Uma dissertação de mestrado da UNB, com o título "Patologia da solidão : o suicídio de bancários no contexto da nova organização do trabalho", de autoria do mestre em administração Marcelo Augusto Finazzi Santos, qualifica e quantifica os motivos que levam à degeneração das condições de saúde dos trabalhadores a ponto de darem fim às próprias vidas. No mesmo Repositório Institucional da UNB há outros trabalhos correlatos sob os tópicos SUICÍDIO, BANCÁRIOS e AMBIENTE DE TRABALHO, onde outros pesquisadores levantaram outros aspectos sobre a matéria. 

Jornada de trabalho de seis horas para o bancário, portanto, é lei e as autoridades deveriam ser mais rigorosas com o seu cumprimento para evitar essa tragédia que mata e solapa a saúde física e mental de milhares de trabalhadores, com repercussão em famílias, amigos, clientes de bancos, etc. No resumo da dissertação citada, a conclusão é contundente:

"...Os resultados evidenciaram que as violências e/ou fatores sociais vivenciados no trabalho, como o assédio moral, o isolamento social e o individualismo foram importantes elementos intervenientes na decisão dos pesquisados em idealizar e tentar o suicídio, enquanto o caso consumado decorreu, principalmente, do rompimento com o vínculo afetivo com a empresa. Em média, entre 1993 a 2005, pelo menos um bancário cometeu suicídio a cada 20 dias, estimando-se uma ocorrência diária de tentativa (não consumada) durante todo o período. A humanização das relações de trabalho é apontada como fator indispensável para diminuírem as violências no contexto laboral. "