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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Barrar o golpe e avançar a democracia!

Para entender o momento atual é bom retornar a 2013, quando as taxas de juros reais baixaram aos menores níveis da história e, coincidentemente, um movimento localizado contra aumento de passagens de ônibus virou uma panacéia engolido pela mídia manipulando massas nas ruas contra o governo.

Naquela hora apareceram neonazistas, fascistas, "apartidários", grupos patrocinados do exterior e a direita em todas as suas formas e nuances entraram em campo com apoio de mídia dirigindo as ações do "Vamos prá rua", onde a esquerda ficava acuada, apanhando e tendo suas bandeiras rasgadas, e alguns até achavam que o movimento era algo avançado. Bastava uma farsa chamada Anonymous botar as instruções nas redes sociais que um exército de coxinhas embrionários lotavam as praças e avenidas. Do resto a Globo cuidava.

Toda manifestação, na verdade, eram duas: uma ordeira e pacífica, com ampla cobertura de mídia, bandeiras do Brasil, hinos, uma festa cívica. A outra era a dos black blocs se enfrentando com a polícia, criminalizados e associados à esquerda. A cada demonstração nas ruas o movimento aumentava e se alastrava por todo o país, incorporando reivindicações de diversos setores. O congelamento de passagens foi expandido em escala nacional. E a cada momento o discurso guinava mais à direita, ameaçando o governo Dilma e até mesmo os corruptos do Congresso Nacional. Numa manifestação o teto do Congresso chegou a ser ocupado e se tentou avançar até o Palácio do Planalto. Noutra tocaram fogo no Ministério das Relações Exteriores.

Manifestações amplificadas pela mídia não cheiravam bem. Uma parte da esquerda e até o Movimento Passe Livre cairam fora porque havia interesses em desestabilização de Dilma. Eis que a polícia do governador Gestapo Alckmin fez um massacre que todo mundo viu mas a mídia encobriu. Isso foi numa terça. Na quinta houve outra para denunciar a truculência. As coisas pareciam estar saindo ao controle dos Anonymous e da mídia.

Na sexta-feira 21/6/13 a presidente Dilma falou em cadeia nacional que entendia os anseios do povo por mais democracia, por mudanças no sistema político e mais representação. Lançou a idéia de um plebiscito para convocar uma assembléia constituinte que redefiniria o sistema político e a participação popular. À meia-noite do mesmo dia um editorial do Globo dizia que eles estavam fora do jogo porque poderia descambar para uma "democracia direta venezuelana".

Reforma política sem Constituinte exclusiva...
Na segunda, dia 24/6, Dilma apresentou a todos os governadores e prefeitos de capitais uma proposta de 5 ações, onde o plebiscito seria uma delas. Entre elas, a contratação de médicos estrangeiros e destinação de recursos do pré-sal para educação e saúde, que cumpriu. A proposta de democratização foi criticada até no PT. A oposição e a mídia a torpedearam com tudo. Moral da estória: tempos depois Dilma tentou criar o Conselho Nacional de Políticas Sociais e o projeto foi enterrado no Congresso.

Agora as coisas estão diferentes. O coxismo que era embrionário ganhou cara própria, discurso nas redes sociais e apoio de mídia para ações de desestabilização do governo associadas à perseguição jurídica e congressual. Os movimentos patrocinados como MBL agora têm até lider como colunista na Folha. Os grupos militaristas botaram a cara para pedir intervenção militar abertamente. O fascismo passou a perseguir pessoas e idéias. O linchamento virou um fetiche. Isso tudo em meio a um governo lançado às cordas por incompetência até para se defender.

Os setores à esquerda do PT, de modo geral, apostaram no desgaste de Dilma e do partido pensando no momento seguinte, com o desmascaramento da traição do PT e crescimento sobre suas ruínas. Dilma foi torturada novamente, a cada dia com notícias piores, traída pelos aliados, enfim, não fosse sua coragem férrea teria largado tudo. Eis que a direita começou a errar. Cunha, que deveria ter sido preso, comandou um impeachment que acordou algumas pessoas para o fato de corruptos quererem destituir uma presidente eleita. Mais erros vieram com os recentes crimes do herói da República de Curitiba e com a flagrante perseguição a Lula, um mito para milhões de pessoas.

Quando a sociedade civilizada acordou viu a democracia e o estado de direito à beira do colapso e partiu para defendê-la acima de Dilma, Lula e do PT. Com o flagrante uso do Impeachment sem provas como golpe, mais a apresentação do esboço de programa Uma Ponte para o Futuro, de Michel Temer, começaram a aparecer mais suspeitas de golpe com a finalidade de suprimir conquistas trabalhistas e sociais, além de aprofundar um estado policial de ditadura juridico-midiática.

Lula passou a se articular com segmentos dos trabalhadores destroçados por anos de peleguismo fisiológico e a liderar a militância sem esperanças do próprio PT. Reacendeu em milhares a disposição de lutar. Somando-se todos os esforços de mobilização, manifestações de grande porte equilibraram a disputa nas ruas, num crescente, enquanto do lado da direita denúncias de corrupção dos políticos na lista da Odebrecht desanimaram os coxinhas.

Embora o impeachment não esteja descartado e, mesmo que não aconteça, haverá a tentativa de golpear a chapa Dilma/Temer no TSE sob comando do tucano Gilmar Mendes, que é apoiada pelo PSDB, por Marina Silva (Rede) e até por Luciana Genro (PSOL), contra a posição do partido, em busca de novas eleições. E mesmo que Dilma escape o cenário de sabotagem continuará implacável.

O que fazer então para virar o jogo, para reforçar a luta das ruas por mais democracia e participação, contra a corrupção e por mudanças econômicas que aliviem os trabalhadores?

Hoje as coisas estão mais claras. As bandeiras democráticas e o anseio por varrer a corrupção não estão do lado da direita, que blinda criminosos e aposta na perseguição aos seus inimigos por um tribunal de exceção. Do nosso lado não tem patos de borracha nem Bolsomitos. Nem todo mundo é de esquerda, mas todos querem um país mais decente e que toda a corrupção seja investigada e punida, sem seletividade. Além disso as propostas dos golpistas são pura provocação de classe. Querem sacrificar os trabalhadores para aumentarem a exploração capitalista.

Sei que esperar de Lula e Dilma o rompimento com a política de negócios de base aliada é utópico. Dilma não consegue se soltar da vontade de tocar o pacote neoliberal, de fazer a reforma da previdência, cortar gastos, etc. De que adiantará passar o momento da vitória sobre o golpe para continuar um governo indefensável?

O caminho é voltar ao que foi proposto em 2013. A política nunca esteve tão exposta como algo de corruptos. Dilma é reconhecidamente honesta e apoia todo tipo de investigação, sem interferir no judiciário nem no ministério público, o que é muito positivo num momento de desconfianças sobre toda a classe política. Ninguém vai aguentar um bombardeio midiático-jurídico-econômico-congressual até 2018. A saída está em apostar na força da sociedade civil para manter a direita reduzida à sua devida insignificância.

Os movimentos em defesa da democracia, das liberdades e do estado de direito têm um amplo espaço a percorrer, com ou sem golpe. A reforma política por uma constituinte, sem influência do atual congresso, é uma saída para avançar na participação popular via democracia direta, na extinção de privilégios, no aprimoramento do controle do Estado pelo povo.

Da parte do governo poderia haver alguma ousadia em tirar o ônus da crise das costas dos mais fracos, propondo repassar o ônus aos mais ricos com o apoio do povo na ruas. Regulamentação da mídia para acabar com os abusos. Controle externo do judiciário.  Um programa de governo até 2018 com avanços em conquistas sociais seria defensável e manteria o povo alerta contra quaisquer ameaças dos golpistas que continuarão golpistas depois do fracasso do golpe.

A minoria provocou a maioria, que finalmente está acordando para o risco que corre num golpe de direita com fascistas nas ruas. Agora é a vez da maioria dar as cartas.

Leia também. : http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2013/06/discurso-de-dilma-deixa-globo-com-medo.html

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Até onde vai o jogo (cada vez mais) perigoso do Golpe?

A tal "carta do Temer" confessando suas chantagens feitas durante o tempo e seus ressentimentos em relação a Dilma por tê-lo contrariado muda o rumo do tal processo de "impeachment". Temer, que até ontem estava calado, soltou a carta e foi fazer palestra para empresários expondo seu projeto "Ponte para o Futuro", que é um programa de governo que já meses propaga preparando o terreno para assumir o governo.
Ficou claro que o PMDB sabotava o governo, exigindo cada vez mais espaços controlando dinheiro e cargos, não para ser aliado do governo, mas para manter uma relação parasitária esperando a hora de matar o hospedeiro. Eram doença e "remédio" do governo. Desestabilizavam para vender estabilidade cada vez mais cara. E seguiriam assim se a base do PT não tivesse se rebelado e botado os três deputados da Comissão de Ética para votar contra Cunha. E exigido da maioria dos deputados compromisso contra mais acordinhos com o PMDB. Aí a casa caiu: o modelo do PSDB não prevê que o refém lhes diga: "quer matar, mata logo, porra!".

A partir daí as máscaras começaram a cair. Nada explica que a essa altura da crise política Cunha ainda tenha poder para manipular a composição da comissão que examinará o impeachment e continue correndo da Comissão de Ética que não seja a conivência da oposição, do seu partido, do Ministério Público e do Judiciário, aparentemente todos sócios dessa "joint-venture" golpista. Por muito menos um senador do PT, líder do governo, foi preso no exercício do cargo. 

Esqueçam as firulas jurídicas que o PT e Dilma parecem acreditar que são o motivo do pedido de impeachment. Isso pouco importa. Temer assinou os tais decretos sem data assim como Dilma, e no fim das contas isso não é crime de responsabilidade para derrubar governo. Tudo isso é só pretexto para o golpe em curso, e Dilma e o PT acham que o Congresso é o fórum adequado para o julgamento de um mandato democraticamente concedido pelo povo. 

O Congresso é uma arapuca repleta de marginais que se vendem por dinheiro, que não falta nas malas cheias que os grupos de interesses poderão prover à vontade. Quanto custa um voto no impeachment? R$ 10 milhões? Ora, com R$ 342 milhões se "elege" o sucessor de Dilma via golpe. Depois vem a cobrança: pré-sal prá um, BB e Caixa prá outro, mais juros, melhores negócios para a mídia, etc. Não se vota golpe, porque é um processo viciado. Se Dilma ganha, o golpe não pára; se perde, o golpe ganha.

Nossas elites ao longo da história se articularam para fazer as mudanças por cima, sem muito derramamento de sangue. Este só rolou quando havia uma ameaça classista, e toda a elite se uniu para matar, perseguir, torturar e prender trabalhadores e a esquerda. Nos demais momentos o que vimos foi um grupo contra outro grupo de elite. Assim foi na Independência, Proclamação da República, Revolução de 30, etc. O momento atual, a não ser que o PT continue com a esparrela de buscar um "acordão" onde cederá mais para não governar, aponta para um desfecho mais parecido com 1964.

Quase toda a esquerda e muita gente independente assumiu o discurso "tenho restrições ao governo  Dilma, sou a favor da democracia e contra o golpe". Nesta hora sumiu tudo o que de maldade se fez, por exemplo, no circo da Lava-Jato e nas prisões espetaculares de petistas. Ninguém pensa mais nisso. Se o Moro der na telha de prender o Lula agora, por exemplo, entorna o caldo, porque tudo que se fizer daqui prá frente que tente atingir o governo e Dilma será colocado na conta do golpe. E seus autores vão para a lata do lixo da história, que está generosamente aberta. 

O "fator povo" nunca é levado em consideração nos grandes jogos estratégicos das elites. Na hora que querem pagam a oportunistas e à mídia para botar ou tirar povo na rua defendendo o que querem. Funcionou até Cunha tentar a punhalada final. Agora tem "povo gratuito" nas ruas e isso vai crescer ao longo do processo de impeachment. 

As elites acham que se o processo demorar eles vão ter como botar "as massas deles" nas ruas, o que parece falso. Com as bandeiras vermelhas ocupando as avenidas os covardes da classe média de direita não aparecerão, mas mandarão paus mandados  e polícias para tentar calar os manifestantes. Aí não tem mais freio: o pau come, a rua fecha, o carro pega fogo, a estrada pára, o prédio pega fogo, gente importante não pode mais sair na rua, enfim, a situação fica imprevisível e aí, além de golpe, repressão violenta. 

O PT cometeu o erro de submeter o pedido de impeachment ao STF como "chantagem" de Cunha esperando o que? Que algum juiz parasse um golpe no qual o judiciário é interessado? Se fossem isentos já teriam prendido Cunha. Agora se entope de juristas da maior qualidade para dizer que a argumentação do impeachment é inócua. Enquanto isso Cunha e Temer, com os demais ratos da oposição, montam uma comissão viciada que levará a plenário o pedido de impeachment com indicação para afastamento de Dilma. 



O PT pode até "republicanamente" repetir a cena de Collor com Dilma, assinando o livro da destituição, coisa e tal, mas e as pessoas que estão sinceramente defendendo a democracia e as urnas? Muitos não aceitarão mais esse "acordo por cima", onde a ilusão será a da candidatura de Lula em 2018. Se o golpe vier, Lula será preso por qualquer coisa e terá os direitos políticos cassados. Simples e cruel assim! 

Pelo andar da carruagem os golpistas subiram no telhado e chutaram a escada. Não tem mais retorno. Ou ganham ou ninguém governa. Agora é Temer ou nada! Não tem mais "acordo Caracu de governabilidade por cima"! O PT, Dilma, esquerda e cidadania estão fora do modelo deles. Como o processo pode ser longo, é previsível a escalada da tensão e episódios de violência de lado a lado. Nessa hora gente ferida ou morta vira mártir, e aí pode vir guerra civil. 

Dilma não pode vacilar como Jango. Sendo golpe, deve ser tratado como tal dentro da legalidade do respeito às urnas. Não pode se eximir de sinalizar ao povo para reagir legitimamente à usurpação pelos inimigos da democracia. Se Temer e o resto da direita estão montando um governo sem respeito às urnas, Dilma tem o mesmo direito de montar um governo sem o PMDB com programa popular e democrático, apoiado pela força das ruas. Dilma deve aos brasileiros um governo que enfrente os banqueiros, latifundiários, especuladores, sonegadores, corruptos e mantenha e aprofunde os programas sociais numa perspectiva de desenvolvimento. Se o golpe for contido pela força e sacrifício do povo ela ficará devendo mais ainda. 

Não acredito em nada disso, conhecendo como a banda toca no PT e suas lideranças mais evidentes. Vão ficar nessa de apostar na derrota institucional do Impeachment como se fosse um turno eleitoral legítimo. Vão buscar alianças com outros setores tão ou mais corruptos que o PMDB oferecendo cargos e ministérios suculentos. Assim, desmontarão toda e qualquer chance de quem não é do PT mas defende a democracia e o fim da corrupção de se armar para rechaçar o golpe. Bom, vamos ver como é que isso se desenrola. Juro que não gostaria de vivenciar uma guerra civil, de irmãos contra irmãos. Como disse Dilma, a unidade nacional passa pela legalidade e esta pelo respeito às urnas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

2016: Derrotar de vez o golpe e exigir um governo popular e democrático

Charge de Aroeira que traduz o momento atual: um terrorista contra Dilma





Jornadas de junho de 2013. Ilustração do livro Cidades Rebeldes
Se buscarmos as origens de tanto ódio a uma mulher honesta na vida pessoal e no trato da coisa pública teremos que voltar não à ditadura militar, onde foi presa, torturada e depois virou a página, mas a 2013. Insisto nessa minha visão porque aquele momento foi lido, creio eu, de forma equivocada por muita gente boa que queria faturar em cima do movimento das ruas que quase derrubou Dilma.

Poucos se lembram ou vão ligar uma coisa com outra, mas desde 2012 as condições macroeconômicas permitiram a gradual queda da taxa de juros. Até a poupança foi modificada para não prejudicar a rentabilidade de investimentos quando os juros baixassem muito. Nessa época começou o ódio, que os banqueiros e a mídia tentaram transformar em "golpe contra a poupança" a exemplo do que aconteceu no governo Collor. Dilma mudou a poupança e no dia seguinte a terra continuou girando na mesma velocidade da véspera.

Dilma vivia o melhor do seu primeiro mandato no início de 2013. Em 18 de maio daquele ano escrevi sobre a situação econômica favorável que já despertava ódio golpista na direita, que viria às ruas menos de um mês depois legitimada pela mídia. Vale a pena ver de novo: REVOLUÇÃO CAPITALISTA DE DILMA PROVOCA GOLPISMO DE DIREITA

Exemplo de "ISSO NÃO VEM AO CASO". Aécio não interessa.
Os juros continuaram a cair até que entramos em 2013 com valores reais abaixo de 2%. Para uma economia de parasitas que ganham dinheiro fácil em cima de títulos públicos isso foi um desastre, idem para os banqueiros. Era para terminar 2013 com taxas de juros civilizadas, já que as conjunturas internacional e nacional permitiam. Eis que, como tantos que há todo dia, um movimento reclamando de preços de passagens em São Paulo, que deveria ter ficado pela blindagem de mídia como a atual luta dos alunos contra o fechamento de escolas por Alckmin, isolado nas redes sociais.
De repente a mídia, que condenava, muda de idéia e aparelha a luta legítima com bandeiras como "fora Dilma, impeachment" e outras. Os movimentos sociais adotaram a Copa como bode expiatório e começaram um movimento contra a realização do evento, no que tiveram apoio parcial de mídia até o momento crucial onde a Globo perderia dinheiro se não ocorresse. Teve a Copa, mas Dilma foi xingada nos estádios. Teve a Copa, mas o Brasil não poderia ganhar senão fortaleceria Dilma na eleição. Acabamos tomando 7 x 1 num episódio que mereceria maior investigação diante da corrupção endêmica do futebol, mas a "cena do crime" foi rapidamente desfeita num "deixa disso" midiático. "Perdemos porque somos uns merdas", era o discurso vira-latas do povo da mídia.
A fraqueza de Dilma na "governabilidade" abriu os esgotos.
O fato é que o governo foi desestabilizado e a economia sofreu turbulência que inviabilizou termos juros baixos. Dilma ficou marcada pelo capital. Iniciou-se em 2014 uma operação rasteira, a Lava Jato, de primeira instância numa obscura vara em Curitiba que, com o conluio da Polícia Federal e da mídia no vazamento de informações seletivas, virou o "Tribunal do PT", com o objetivo primeiro de tirar-lhe a eleição. Fracassaram. Começamos 2015 com a fase da sabotagem da economia. Hoje vivemos o "não vai ter Petrobrás, não vai ter BNDES, não vai ter governo, não vai ter Brasil", pela parte dos seus autores.
Oposição faz de Cunha seu herói do golpe
Na retrospectiva de 2015 vamos encontrar em 15 de março o auge dos protestos pelo golpe. Centenas de milhares de coxinhas nas ruas com suas camisas da seleção num movimento crescente, articulado por grupos de extrema-direita na internet espalhando ódio e a mídia espalhando desinformação, calúnias e difamações. A Lava Jato bombando, parando a Petrobrás, inviabilizando a construção pesada, causando desemprego, engrossando o caldo contra Dilma.

A direita quer golpe sangrento, pior que 1964. Extermínio. 
Quando tudo parecia perdido para Dilma aparece ... Cunha! Ele e sua bancada de baixo clero fundamentalista aproveitaram o bom momento da direita fascista para empurrar a tal "pauta bomba", que ia da supressão de direitos trabalhistas com a PL 4330, aquela da terceirização, à supressão de direitos de mulheres, homofobia, criminalização de crianças, privilégios aos mercenários da fé, etc.

Junto com ele o governador Beto Richa do PSDB do Paraná acordou os movimentos com uma repressão brutal aos professores em greve quando tentava roubar-lhes o dinheiro da previdência. A ficha caiu prá muita gente que um governo tucano com Aécio seria uma guerra aos trabalhadores. Mesmo com blindagem de mídia, o desgaste foi grande e as atrocidades foram vistas por muita gente brasil afora.

Os movimentos sociais, que estavam paralisados em parte pela submissão da CUT e outros ao fisiologismo de governo e mais à esquerda pelos que queriam ver o circo pegar fogo e depois crescer sobre as ruínas do PT, não se opunham. As ruas e redes sociais estavam dominadas pela escória do Brasil espalhando até golpe militar,  desejos de matar, volta da ditadura, etc. Isso foi até abril, quando Cunha passou a ser o vilão dos direitos sociais e trabalhistas. Lentamente os movimentos populares se levantaram e passaram a protestar.
Ataques á Petrobrás geraram reações. 13/03/15 Rio

Voltamos a ter a cor vermelha nas ruas, até então ocupadas pelo verde-amarelo hipócrita dos pró-americanos. Eles, por sua parte, exageraram nas demonstrações com baixarias, declarações sem-noção de ódio, oportunismo, etc. Mesmo tendo apoio de mídia até hoje, os coxinhas foram deixando as ruas tanto por fim de uma "moda" mas também porque as coisas já não estavam mais tão fáceis com Cunha se seu saco de maldades. Mesmo com as pesquisas indicando Dilma praticamente sem apoio até da família, ela não caía. Aécio também deu sua colaboração expondo-se como oportunista, interesseiro, sem projeto para o país, apenas um menino mimado vingativo que queria a todo custo tomar o poder depois de ter perdido a eleição.

Globo estimulou ações dos coxinhas contra Dilma e blindou PSDB
Globo mergulhou de cabeça no apoio ao golpe, como em 1964
O cenário foi píorando para Dilma ao longo do ano. A mídia martelando sem piedade usando o canal direto com a Lava Jato para criar factóides e criminalizar o PT, Lula e Dilma. A situação econômica se deteriorou com a conjuntura mundial e com a deliberada sabotagem à nossa economia através de especuladores articulados com a mídia. O pacote econômico do ministro Levy, que poderia ser subscrito pela equipe econômica de Aécio por  penalizar os mais pobres, foi lentamente sendo tocado no congresso e não chegou a fazer efeitos. A liberação do câmbio aliviou as contas externas e começou a animar a indústria exportadora, mas os efeitos só acontecerão no ano que vem, justo quando o desemprego deverá continuar subindo com o fim das grandes obras de infra-estrutura e mais vinganças de CPIs e da Lava Jato.
O "timing" do golpe indicava abril ou maio para a deposição de Dilma, que mostrava debilidade em governar tanto pelo tsunami da direita como pela incompetência da equipe que escolheu. Sem ter mídia favorável sequer se armou com um bom porta-voz. O Planalto silenciou. A articulação política virou um balcão de despachos do PMDB, que foi achacando por mais e mais ministérios enquanto tramava derrubar Dilma e dar posse ao vice Temer. Na área da justiça um dia não será surpreendente saber que o ministro jogava do outro lado. Nunca impediu que a PF vendesse informações à mídia golpista, mesmo sendo o chefe. Deixou que em Curitiba a PF montasse um comitê pró-golpe, um ninho tucano que fez campanha para Aécio.

Antecipada candidatura de Lula 2018
A entrada de Lula em cena com seu lastro popular mudou o jogo mas não freou o golpe. O fato da imprensa ter desfocado de Dilma e ter passado a despejar todo o seu ódio de classe contra Lula o fortaleceu junto às base do PT e a muita gente de esquerda que passou a enxergar que a direita não era democrática: com o golpe viria uma ampla repressão aos movimentos sociais e populares, com o apoio de paramilitares e neonazistas. a exemplo do que aconteceu na Ucrânia. O filho de Lula foi achacado no dia do aniversário de 70 anos do pai, tarde da noite em casa, pela Polícia Federal... Contra ele a campanha de difamação também foi imensa. Até a filha de Dilma teve seu nome associado a enriquecimento inexplicável nas mídias sociais...

Lula fez o contraponto. Galvanizou a solidariedade da base petista descontente e descrente, que já dava o jogo como perdido dada a inoperância e falta de recuperação do governo Dilma. No meio desse tiroteio o Congresso parou. Lentamente as mulheres e outros segmentos atacados por Cunha se levantaram e foram às ruas a partir de outubro.

Os espertos faturam em cima dos otários
Ao longo do ano as máscaras foram caindo mais por erros da direita que por acertos de Dilma e do PT. Cristalizou-se o bordão "se é tucano não vai preso", traduzindo o sentimento popular de impunidade do PSDB mesmo em casos graves de corrupção, como no metrô de São Paulo, o arquivamento e prescrição de casos como o mensalão tucano, etc. A imagem do judiciário trincou, com o juiz Sergio Moro fazendo um circo de arbitrariedades, prendendo primeiro e procurando provas depo



is. A ele foi associado o bordão "isso não vem ao caso" quando os assuntos envolvendo corrupção remetiam a anos FHC. Ficou explícito que a Lava Jato é um tribunal tucano. Ainda há a emblemática imagem do helicóptero dos 450 kg de pó que não foi investigado ou punido porque chegou ao quintal dos poderosos.

O desgaste institucional chegou ao ápice em outubro com a aprovação da lei do direito de resposta e a denúncia das contas secretas de Cunha na Suíça. A máquina de mentir e caluniar da mídia foi parcialmente travada com os direitos de resposta, aumentando a crise de credibilidade que levou a Veja praticamente à falência e tirou dinheiro de patrocinadores da Globo. Esta chegou a perder audiência ao ponto de uma novela do horário nobre perder para um épico bíblico da Record... Foi um ano ruim para a mídia, que passou a ser vista por boa parte das pessoas como manipuladora e mentirosa.

Esposa de Cunha gastando nosso dinheiro
As atitudes diante do roubo explícito de Cunha ajudaram a desconstruir a dicotomia "bem=Mídia + judiciário x mal = Dilma e PT". A exemplo do caso HSBC e da corrupção no Carf, que envolveram bilhões em corrupção e interesses de grandes empresas e figurões "do bem", com Cunha o acobertamento veio para não prejudicar o impeachment em andamento por causa de "pedaladas fiscais" "julgadas" pelo TCU dirigido por um presidente suspeito em casos de corrupção. Graças à péssima imagem de Cunha a "operação abafa" não funcionou. Mulheres foram às ruas pedir sua cabeça. Na mídia houve aqui e ali algumas rebeliões contra Cunha. As imagens de sua mulher fazendo compras de luxo viraram escárnio. Mesmo assim, com o apoio da oposição e vista grossa do governo, Cunha continuou à frente da Câmara com o poder imenso de começar o processo de impeachment de Dilma, que cozinhou desde outubro.

Antes de chegar à conclusão é bom lembrar que com as baixarias das demonstrações de rua, cada vez mais radicais e direitistas, o PSDB e outros partidos que surfavam na onda saíram de cena. Praticamente ficaram "resistindo" oportunistas e mercenários, que tentaram um "gran finale" com uma greve de caminhões seguindo o modelo chileno bancado pela CIA para derrubar Salvador Allende. Também espalharam pelo país bonecos infláveis difamando Lula e Dilma como criminosos. Foi o princípio do fim para eles. Setores de juventude passaram a atacar os tais bonecos e o governo (finalmente) deixou seu "republicanismo Caracu" de lado e inviabilizou a greve política. Os "revoltados" e heróis partiram para o tudo ou nada montando uma centena de barracas em frente ao Congresso Nacional sem ninguém, e juntando o que havia de pior, desde cachorros doidos de direita a gente armada, que chegou a atirar contra uma manifestação pacífica de mulheres negras.

Fim de linha. Mesmo apoiados por Cunha, que os tinha como milícia para pressionar pelo impeachment ao mesmo tempo que barganhava com o governo sua não cassação pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, foram enxotados de forma humilhante de lá. Mas pelas redes sociais o discurso radical continua beirando o terrorismo.

No front jurídico a criminalização do filho de Lula e de pessoas próximas a ele buscava um clímax com a prisão do "Chefe", do "Nine" (nove dedos)" ou "Brahma", como na codificação do circo da Lava Jato e mídia. Pressão máxima pelo impeachment antes do fim do ano. Prenderam o líder do governo no senado, Delcídio Amaral, com grampo de conversa onde entrega também o banqueiro André Esteves, padrinho de Aécio Neves, que bancou sua lua-de-mel em Nova Iorque. A mídia aliviou o banqueiro e centrou fogo em Delcídio, que apesar de ter cometido os crimes no governo FHC quando era do PSDB isso "não vinha ao caso".


O episódio serviu para acentuar o sentimento de haver uma justiça parcial, que prendia alguém do PT por crimes no governo FHC e não prendia um ladrão com consistentes provas, Cunha, que continuava à frente da Câmara, o terceiro nome na linha sucessória. Cunha só conseguiu essa proeza de não ser preso porque faz parte do esquema da oposição para derrubar Dilma. A coisa ficou tão ruim para o lado dele que passou a ser visto pelos seus pares como um obstáculo ao impeachment, ao usar o pedido como moeda de troca para fugir à cassação pela Comissão de Ética com os três votos de deputados petistas que desempatariam a seu favor o jogo.

Entrou dezembro nesse clima com os efeitos da peregrinação de Lula começando a serem sentidos na base petista. Na semana anterior o presidente do PT, Rui Falcão, já havia negado solidariedade a Delcídio quando foi preso, mas a bancada do PT no senado foi contra a sua prisão. Agora petistas iriam dar salvo-conduto a Cunha... uma dose muito forte até para os mais radicais militantes. Veio a reação que chegou aos parlamentares na forma de abaixo-assinado contra livrar Cunha. Os deputados da Comissão de Ética, que estavam vacilantes, foram pressionados a votar contra Cunha. Sentindo que seu esquema de chantagem havia falhado, Cunha tomou a atitude desesperada: iniciou o processo de Impeachment para garantir sua sobrevida com o apoio da oposição e da mídia.

Dilma imediatamente fez um discurso que o torpedeou, colocando sua honestidade contra a ficha suja de Cunha e que fez isso como vingança por uma chantagem mal-sucedida. Diversos setores da sociedade entenderam isso. Um bandido se vingando de uma mulher honesta, apesar de erros e vaciladas políticas. Partidos que lavavam as mãos esperando faturar na queda de Dilma se posicionaram contra o golpe, cujo apoiador mais visível e pessoalmente interessado passou a ser Aécio Neves, que está desgastado até entre seus eleitores e apoiadores.

Com a base do PT comemorando e militando novamente, agora virão os movimentos de rua contra o golpe. Os aloprados da direita vão tentar voltar às ruas a pedido de Aécio, que agora quer adiar a decisão do impeachment depois de ter dito que o Brasil não aguentava mais um dia com Dilma, porque está isolado. Precisa de 342 votos para derrubá-la, o que parece impossível hoje.

Direita ficou com Cunha mesmo depois de denunciado 
Do lado do empresariado, da sociedade civil, de trabalhadores e do povo em geral parece que o início do Impeachment foi um alívio, como quem diz : "bom, agora seja qual for o resultado vai parar essa sacanagem, esse mimimi, que está parando o país e sabotando a economia". Não importa mais Delcídio, Cunha, Aécio, nada. As pessoas querem encerrar esse assunto. Começar 2016 sem incertezas, para poderem se planejar sem ficar mais no "e se Dilma cair", que é explorado por especuladores para ganhar muito dinheiro. E parecem ter um "feeling" de que agora se Dilma cair num processo fajuto sem provas vai ter alguma reação popular podendo culminar numa guerra civil. Ninguém quer isso, mesmo que Dilma continue até 2018, que seria o razoável na democracia.

Dilma pode até não saber, mas está no seu melhor momento desde que ganhou as eleições em 2014. A situação econômica está sendo agravada pela sabotagem e isso afeta até os governos dos inimigos de Dilma. Se ela não pode pedalar, ninguém pode! Estados e municípios estão sufocados pela queda de arrecadação fruto da paralisação forçada pela crise política. Estão dependentes do governo federal. Sabem do risco de caos num processo turbulento de deposição. Tem eleições em 2016 e sem realizações para mostrar os políticos correm riscos de ser derrotados.

28/10/15 - Rio - Ato  das mulheres contra Cunha na Cinelândia
A equipe de Dilma e o próprio Lula buscam pessoas influentes dos partidos para combater o golpe. No PMDB de Cunha até agora não há posicionamento. Michel Temer, o vice de Dilma, não se posicionou. O secretário de Aviação Civil, Eliseu Padilha, que é do PMDB, deixou o governo. Se isso for uma tendência para achacar Dilma, pode virar mais um bumerangue como foi o impeachment aberto no pior momento para Cunha: novamente, vingança e irresponsabilidade.
Chuva de dólares em protesto contra contas na Suíça
De alguma forma os semblantes calmos de Dilma e outros da sua equipe quando fez o discurso que desancou Cunha no histórico dia 2 de dezembro passa a idéia de ter a situação sob controle. Ao fugir da chantagem de Cunha ela também depreciou a chantagem coletiva do PMDB sobre a governança e aí pode vir um novo tiro no pé: o abandono do governo por eles e debandada de vez para a oposição. Teriam que apostar tudo no golpe para entregar o poder a Temer. Fortalecer Cunha a ponto de se misturarem a ele no esgoto. Arriscar perder as eleições de 2016 justo onde são mais fortes: prefeituras!

Pode chegar o momento de Dilma se libertar do PMDB para poder governar. E aí, quem daria governabilidade? Existe vida após o PMDB. E escapando ao golpe Dilma estará devendo à sociedade que hoje se solidariza a ela. Terá que apresentar um programa de governo e começar tudo do zero, um novo mandato. É nessa hora que uma nova correlação de forças poderá ser estabelecida. O bloco liderado pelo PSDB está rachando com a possível saída do PSB, cujo governo em Pernambuco já subscreveu manifesto contra o impeachment. O Rede, que está na sua área de influência, se mostra contra o golpe. E sem Cunha, como fica sua milícia do baixo clero da Câmara, que não se submete aos partidos pelos quais elegeram? A tendência será de fidelização às lideranças que por sua vez buscarão acordos com Dilma.
Pesquisa diz que 81% querem Cunha na cadeia
O processo tem que andar rápido. Acabar logo com isso derrotando no congresso a tese de forma que Aécio não poderá mais tentar nenhum truque sujo. Estará destruído pelos seus próprios pares, que já começam a olhar para 2018 e preparam um luta interna poderosa entre Alckmin e Serra. Pior: sem poderem ostentar financiamento privado de campanha. Pior ainda: enfrentar nas urnas o PT com a militância revigorada, que não precisa de dinheiro para pedir votos. Junto com o DEM, PPS e os partidos do Paulinho e do Roberto Freire poderão ser varridos nas próximas eleições e chegar a 2018 depauperados.


Sabemos das limitações de Dilma, sua equipe e do PT, A declaração hoje do ministro Ricardo Berzoini de começar em março a discussão sobre a regulamentação da propriedade da mídia não parece revestida da radicalidade que o assunto requer. Parece mais um blefe, um joguinho prá criar moeda política no trato com a Globo. Uma pequena chantagem, vem ao estilo Cunha.

O fotograma de hoje, 4/12, não serve para prever o que virá por aí na reação dos golpistas, que hoje perdem feio para Dilma, que tem que liquidar logo essa fatura e liderar as esperanças para começar um ano melhor em 2016.  Sempre haverá a mídia e a chaga aberta da Lava Jato, que poderá oferecer nas ceias de Natal das elites a cabeça de Lula numa bandeja de prata, preso por qualquer coisa. Alguém quer apostar nisso?




quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Dilma : Mãe de aluguel de filho do capital?

O núcleo duro do capital sai das sombras para ditar novas regras ao Brasil
No final da semana passada alinharam-se fatos políticos que ainda não estão bem compreendidos porque a cada dia temos um pedaço de surpresas envolvendo o embate político entre governo e oposição. Concretamente há uma guerra declarada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, à presidente Dilma, que aponta para alguma forma de impeachment no tapetão que poderia trazer sérios conflitos sociais e mesmo guerra civil, paralisando o país e destroçando a economia com fuga de capitais, fim da atração de investimentos, desvalorização da moeda, agravamento da inflação e desemprego, etc.

Além disso Cunha foi acusado por delação premiada na operação Lava Jato de ter recebido propina de empreiteira, o que elevou o tom do seu achaque a Dilma, querendo que ela o livre disso ou terá o pior dos infernos. Como se Dilma tivesse algum poder para isso, já que Vaccari e Dirceu encontram-se presos nas masmorras do Dr. Moro. Aliado ao setor mais raivoso do PSDB, que tem Aécio Neves como expoente, uniu bancadas para passar o trator no governo em questões que podem aumentar gastos públicos e inviabilizar o ajuste fiscal para desgastar a presidente com vetos sobre reajustes salariais, etc.

O uso do Legislativo como instrumento de poder pessoal e de vingança alertou o cerne do capital, que não vê Dilma caindo sem um grande estrago. Como ela mesma disse, não é Jango para sair sem lutar, nem Getúlio para se matar. E que verga mas não quebra. Ao seu lado há setores da sociedade que, mesmo sem apoiar seu governo, se oporão a qualquer ruptura institucional como um impeachment eivado de falsas provas de algum delito. E os movimento sociais, como o MST, sindicatos e outros que podem fazer de junho de 2013 uma referência tranquila perto do que seria uma resistência ao golpe. Além disso há a predisposição dos fascistas em aproveitar o caos para espalhar terror promovendo chacinas de oponentes políticos em caso de instabilidade.

Diante de tudo isso o "hardcore" do capital, as pessoas que representam o poder de fato, acima das instituições democráticas do estado de direito, resolveram intervir para acabar com isso. Se antes apoiavam um golpe em estilo paraguaio, sem reações, acreditando na mentira dos 7% de apoio a Dilma que espalharam nas suas mídias, agora enxergam que o "timing" foi perdido. O golpe era para ter sido desfechado em abril, com manifestações de rua da direita e praticamente nenhuma reação da esquerda, perdida em críticas do governo que ameaçava direitos trabalhistas. A rejeição ao governo diante dos reajustes dos combustíveis e energia era grande, potencializada pela mídia bandida.

Eis que Cunha começou a tumultuar o ambiente político com tentativas de achaque, seguido do PMDB e do PSDB, e colocar em pauta assuntos polêmicos como a liberação da terceirização, redução da maioridade penal e financiamento público de campanhas, onde desprezou regimentos e votou de novo matérias que haviam sido rejeitadas, enfim, fez uma grande lambança.

O PSDB, que a princípio estava firme no propósito do impeachment com novas eleições, bateu de frente com a ambição de Cunha de ser candidato a primeiro-ministro parlamentarista ou entregar o governo ao PMDB via Temer, contrariando os tucanos.

Apesar dessas diferenças prejudicarem o ambiente político para o golpe, o PSDB de Aécio chutou às favas os escrúpulos e passou a se aliar a Cunha até em matérias onde deveria se opor, a serviço do capital que o sustenta e quer um estado mínimo com menos impostos. Nesse movimento lideranças como Alckmin e Serra frearam, olhando para 2018 onde avaliam ganhar a eleição com Dilma e o PT completamente desgastados.

Enquanto Cunha e Aécio se desgastavam, Lula surgiu em cena e começou a organizar, através de sua pré-candidatura para 2018, diversos setores descontentes com Dilma para resistir ao golpe e garantir as próximas eleições. Lula goza de preferência de mais de 50% do eleitorado, mesmo sendo atacado diuturnamente e ameaçado de prisão pelo circo do Dr. Moro por... sei lá, qualquer coisa que gere sua imagem algemado num camburão para divulgação na mídia.

 Enquanto as manifestações dos fascistas faliam diante de baixarias expostas e propostas como "intervenção militar" que assustam, do lado dos movimentos sociais houve crescimento, inclusive no sentido de resistir ao golpe. Enquanto os coxinhas preparam mais um ato vergonhoso de riquinhos fazendo besteiras e espalhando ódio no dia 16, centrais sindicais e outros movimentos preparam um grande ato para o dia 20 contra as medidas antissociais de Dilma e contra o golpe. A Marcha das Margaridas hoje levou a Brasília cerca de 70 mil mulheres do campo que receberam amistosamente Dilma e Lula. Isso corrobora a preocupação do capital com a perda de controle sobre o país em caso de conflito.

Com Cunha fora de controle e Aécio ensandecido a ponto de convocar a marcha da direita do dia 16 no programa eleitoral do PSDB e avaliando que Dilma resistirá até o fim e nisso o país marchará para o caos e a violência, os senhores do capital resolveram retirar o apoio ao golpe e pactuar com Dilma alguns pontos programáticos de seu interesse para que não seja necessário retirá-la do cargo. Dilma seria mãe de aluguel de uma criança do capital, é a proposta. Assim manteria baixa sua aceitação, prejudicando o PT e Lula com medidas antissociais, o Brasil manteria perante o mundo uma aparência de normalidade democrática e os investidores não fugiriam. Com medidas que passem para os mais pobres a conta do ajuste econômico e aumente os lucros garantidas pelo governo Dilma o capital teria um enorme ganho. Pior: passando para Dilma a tarefa de manter os movimentos sociais sob controle.

Eis que a FIESP e a FIRJAN lançam notas criticando as medidas do Congresso para aumentar gastos e demonstram apoio a Dilma. Os 27 governadores reunidos, inclusive os do PSDB, mostraram-se dispostos a trabalhar com Dilma. Aí veio a parte mais visível da guinada: a Globo e demais meios de comunicação da Mídia Bandida tiveram que esquecer o passado para se adaptarem à nova tática dos capitalistas. Parece coisa do livro "1984" de George Orwell, onde o estado a todo momento mudava de inimigo e sua mídia mudava tudo, inclusive a história passada.

A peça final da manobra veio pelas mãos do presidente do Senado,  Renan Calheiros, que deu declarações públicas de fidelidade a Dilma e se comprometeu a não dar andamento a medidas que desinteressem ao capital. Das suas mãos surgiu um conjunto de propostas, a "Agenda Brasil" para "acelerar o desenvolvimento" no pós-ajuste fiscal, que flexibilizam privatizações, barreiras ambientais, direitos sociais, etc. A ponto de propor que as consultas do INSS sejam pagas conforme a renda, liquidando o SUS. Como compensação o governo Dilma teria "governabilidade" sem o massacre midiático e manteria algumas conquistas sociais.

A pressão de mídia agora é para que Dilma encampe esse programa alheio confrontando os movimentos sociais. E para Cunha e o PSDB se enquadrarem ao "pacto". Cunha já descartou isso, enquanto Aécio já deixa dúvida sobre sua participação no ato do dia 16. A Força Sindical, braço do capital, também recuou de participar do ato.

O capital não ponderou que adiou uma crise grave com impeachment fora de hora para criar tensões que poderão ser muito maiores à medida que o programa de Renan for posto em prática. Sem o impeachment e com Dilma blindada pela mídia sua imagem melhorará, já que os efeitos do ajuste fiscal sobre a inflação aliados à redução do custo da energia com a inauguração de grandes hidrelétricas traz a perspectiva de melhora do cenário econômico. Além do mais o capital errou na mão apostando no golpe e suas pesquisas deram míseros 7% de aceitação a ela, ou seja, não tem mais para onde cair e a tendência será de subir, o que deverá ser lido como melhora do seu governo, o que não é bom para quem quer chegar a 2018 botando a faixa presidencial sem esforço no seu candidato. Vamos ver como as coisas se desenrolam.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Fator Previdenciário : Congresso age como moleque para atingir Dilma

Na mídia popular, fato consumado o ganho do benefício
O governo Dilma tem contradições pela falta de uma base de apoio confiável. Isso é notório e traz instabilidades e contradições que a todo momento colocam a presidente em situações constrangedoras em nome da governabilidade. Isso acontece por todo o mundo. Já o que o Congresso tem feito nos últimos dias ultrapassa o processo político e entra no achincalhe, na irresponsabilidade, na vingança acima dos interesses dos que os elegeram e do país que deveriam respeitar.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, opera como se o congresso fosse um bem pessoal que pudesse usar como bem entenda para obter vantagens. Já apostou no Impeachment de Dilma, depois atacou direito dos trabalhadores acelerando a PL4330 e agora aprovou em tempo recorde o fim do fator previdenciário, questão que se arrasta há anos especialmente porque a direita sempre foi contra. E agora, num lampejo revolucionário, se colocou a favor.

Na Folha, Dilma negocia e Levy fala em novos impostos
As contradições não param em Cunha. O PSDB também perdeu a noção de programa de partido e vem sendo criticado até pelos seus. O ajuste fiscal do ministro Levy (e de Dilma) é aperitivo perto do que seria o pacote de medidas do governo de Aécio, se tivesse ganhado a eleição. Deveria ter todo o apoio da direita e dos tucanos, mas o que se viu foi uma hipócrita resistência para criar incertezas na economia e sabotar o governo Dilma. Os capitalistas não querem saber disso e reclamam atitudes coerentes dos tucanos.

O que quer Eduardo Cunha com o fator previdenciário? Ser popular com os trabalhadores? Claro que não. Nesta semana ficou furioso porque o cerco da Operação Lava Jato está apertando contra ele e sua exigência de Dilma tirar o procurador-geral da República Janot não foi atendida. Por vingança botou o fator previdenciário em pauta, a Cãmara aprovou e hoje os jornais populares fazem as contas de quanto vai melhorar a aposentadoria dos trabalhadores. Está criada a expectativa, inflada por mídia, com um único intuto: ver Dilma e o PT se chafurdarem na lama da incoerência, fazendo movimentos para rejeitar a proposta no Senado ou no veto de Dilma.

O Globo já diz que Dilma vetará para não dar rombo nas finanças
Dilma a todo momento é chamada a beijar os anéis dos cardeais do capital e assim será cobrada para declarar que vetará o benefício aos trabalhadores. A mídia, que odeia trabalhador mas não perde a oportunidade de atacar o governo, já especula com isso e desgasta o governo. É uma armadilha que segue a estratégia de chegar a 2018 com o PT negando toda a coerência dos tempos que era classista.

O que Dilma deveria fazer? Entrar no jogo e defender o que foi aprovado. E deixar os capitalistas, que querem a redução do estado e de impostos que seriam acrescidos com os novos encargos previdenciários, correrem atrás dos seus parlamentares no congresso para vetar. Nisso Dilma seria esmagada pela mídia como irresponsável por promover uma tragédia nas contas públicas.

Dilma poderia ir além: apoiar o fim do Fator Previdenciário e propor criar novas receitas para compensar a despesa adicional com previdência. Impostos sobre rendas e propriedades de ricos. Sobre transito financeiro. Sobre mercado de capitais. E pular do palco para a galera como faria um músico pop.

Ela fará isso? Claro que não. Continuará apostando na governabilidade com o PMDB que a arrastará ao fundo do poço até 2018. Depois dessa, farão outras. Que tal aumentar o salário mínimo para o piso do DIEESE para Dilma vetar? Que tal aumentar os salários do serviço público bem acima da inflação para ser vetado? O saco de maldades da oposição e dos achacadores será infinito se Dilma continuar se submetendo como tem feito até aqui. E na cabeça do povão o Eduardo Cunha e seu bando, os mesmos que tentaram acabar com os empregos via terceirização, posarão de heróis dos direitos trabalhistas. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Operação Lava Jato : O PSDB perdeu o controle?

A Operação Lava Jato, que hoje sangra a Petrobrás e prejudica a imagem do governo a ponto de quase ter dado a eleição ao PSDB com vazamento seletivo de informações de corrupção, parece ter sido projetada para essas finalidades e agora estar saindo do controle da oposição. 

Iniciada pela Polícia Federal do Paraná em março de 2014, tinha como propósito apurar um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar mais de 10 bilhões de reais. A operação recebeu esse nome devido ao uso de uma rede de lavanderias e postos de combustíveis pela quadrilha para movimentar os valores de origem ilícita.
A operação indiciou o doleiro Alberto Youssef, e a partir dele uma série de denúncias contra dirigentes da Petrobrás ocupou o noticiário político e policial em troca de redução de pena através da delação premiada. Falcatruas milionárias envolvendo contratos da petrolífera foram tornados público, diretores foram presos, esquemas foram revelados. Até abril de 2014 já haviam sido indiciadas 46 pessoas. 

O processo se arrastou durante todo o ano conduzido pelo juiz Moro. Empreiteiras acabaram arroladas e dirigentes foram presos. Até aí a parte de investigação policial seguiu propósitos legais.

Assim que se falou pela primeira vez a palavra "Petrobrás", a oposição, liderada pelo PSDB, em parceria com a mídia, em especial a Rede Globo e a revista Veja, desfechou pesado ataque de artilharia contra o governo com a tese de ser conivente com a corrupção e da presidente Dilma, ex-presidente do Conselho de Administração da empresa, "saber de tudo". Criou-se  e enterrou-se CPI sobre o assunto sem maiores consequências. 

Como o foro privilegiado remeteria o caso para o STF, o juiz Moro, a princípio e depois interpelado pelo Supremo, negou que nomes de políticos estivessem sendo apontados. Mesmo assim durante toda a campanha eleitoral de 2014 pela mídia oposicionista desfilaram nomes ligados ao governo como citados no processo. A máxima foi a publicação pela Veja, a dois dias da eleição, de uma notícia forjada dando Lula e Dilma como cúmplices no escândalo. 

A meu ver era uma operação projetada para terminar com a divulgação dos resultados eleitorais e a derrota de Dilma. O jogo era para terminar enquanto a oposição estivesse ganhando. Tudo levava a isso. A escolha do Paraná, governado pelo PSDB. Um juiz cuja esposa é advogada e presta serviços para o PSDB. Um doleiro velho conhecido do PSDB, operador de esquemas com Jaime Lerner e Alvaro Dias, condenado pelo mesmo juiz Moro por corrupção em 2004 no caso Banestado e libertado também por delação premiada

Tudo pareceu tão milimetricamente estudado para atingir apenas o governo que toda vez que este pedia informações sobre os depoimentos não era atendido. Já a mídia oposicionista era fartamente municiada com vazamentos seletivos, que eram manipulados e alterados para causar mais impacto destrutivo à candidatura de Dilma. Era como um processo onde só o promotor tinha o direito de se expressar. 

A Polícia Federal também teve papel decisivo atuando de forma partidária em defesa da oposição. Delegados da Polícia Federal no Paraná, envolvidos na investigação, foram flagrados nas redes sociais defendendo Aécio e atacando o PT. O Ministério da Justiça abriu sindicância para apurar os vazamentos seletivos de informações e manipulação de provas. 

O que aconteceu com a derrota de Aécio? A oposição desesperada tentou o impeachment, a desaprovação das contas eleitorais de Dilma, impedir a suplementação orçamentária no Congresso para derrubar a presidente, foi às ruas com uma brancaleônica campanha liderada pelo cantor Lobão onde havia gente pedindo intervenção militar e até dos Estados Unidos. Tudo deu errado. Passaram a investir na derrubada da presidente da Petrobrás, Graça Fostar, para expor sua cabeça como vitória na Lava Jato e prova cabal da culpa do PT e de Dilma. Perderam também. 

E aí vieram as prisões de empreiteiros. Com elas, listas de obras onde houve superfaturamento, propinas e lavagem de dinheiro. Muitas dessas obras em territórios dominados pela oposição, como Metrô de São Paulo, Sabesp, etc. Apareceram denúncias de entrega de malas de dinheiro ao líder do PMDB e aliado tucano, dep. federal Eduardo Cunha, e do ex-governador mineiro e aliado de Aécio, Anastasia. Mesmo com a advocacia da Globo "inocentando" ambos em horário nobre, o caso repercutiu e uma grande Caixa de Pandora parece estar se abrindo contra a oposição. 

Quem era pedra, por ter a Lava Jato continuado, passou a ser vidraça. Todo o estrago contra Dilma e o PT que a mídia conseguiu fazer já está precificado. O problema agora está com as vestais, as virgens, os impolutos do PSDB, que vão começar a ser citados em especial pelas mídias alternativas. De tão calejado por denúncias infundadas, o PT já criou casca grossa. Os tucanos, sempre acusadores, não estão preparados para suportar a mais tênue investigação. Criaram um monstro que agora se volta contra eles. Isso explica a nota desesperada de Aécio para defender seus pares,que fala em "manipulações e manobras" na Lava Jato, caracterizando a perda de controle, reproduzida na imagem.  






segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Governo x Oposição : A corrida contra os relógios

Desde a reeleição Dilma tem driblado um a um os obstáculos, crises e armações da oposição, chegando a 2015 com Aécio fora do alcance do retrovisor e afastando as ameaças de golpe, intervenção militar, invasão norte-americana, revolta popular, impeachment, reprovação das contas, falta de dinheiro para fechar o ano e mitigando o potencial destrutivo da crise na Petrobrás. Graça Foster não caiu e está conduzindo o processo de combate à corrupção. Fim de papo. E não adianta virem com balão de ensaio de Meireles como presidente da Petrobrás para recuperar a imagem da empresa, que pode até ajudar na especulação com ações mas não rola de jeito nenhum. Dilma não entregaria a empresa aos tucanos depois de tudo que passou.

Por outro lado, Dilma pagou um preço alto para começar o segundo mandato governando. Trouxe para o governo uma equipe econômica que fará ajustes com impactos no crescimento e trará custos sociais, mesmo que na promessa de imediata recuperação. Seu ministério é uma mescla de tudo que tem de bom e ruim na base aliada, onde ministros batem de frente, como Kátia Abreu e Patrus Ananias. Ela diz que não tem mais latifûndio, ele diz que tem e aumentou.

Dilma enfrentará o clima golpista intensificado nos primeiros meses de 2015 primeiro porque, a longo prazo, interessa à oposição bater sempre e forte para inviabilizar o governo, levar o país à crise, estimular a insatisfação social e enfim, se não derrubarem o governo até 2018, criar as condições para vencer as eleições. A qualquer preço, mesmo que de terra arrasada.

Para a oposição há um outro relógio correndo rápido, o da própria credibilidade remanescente. Bastaram os vazamentos de acusações na operação Lava-Jato contra o ex-governador tucano Anastasia (MG) para o tucanário e a mídia entrarem em pânico. Enquanto os petistas já sofreram superexposição no escândalo e muitas das acusações foram desmentidas, a oposição está virgem, agindo como pedra enquanto pode passar a vidraça. Daqui prá frente, Lava-Jato não traz mais lucros à oposição, a não ser que Dilma saia algemada num camburão com a turba insandecida de coxinhas liderados por Lobão gritando ""a bruxa está morta, a bruxa está morta".

Mais tucanos gordos podem ter seus nomes citados na Lava-Jato. Para fugir a isso já espalham pelas redes sociais o "escândalo do BNDES", o lançamento de 2015 para abafar o anterior e ocupar as manchetes por mais um ano. E o acompanhamento judiciário do caso Lava-Jato pode ser frustrante.

O relógio mineiro é o pior, pois parece acionar uma bomba. O novo governador Pimentel (PT) em 90 dias apresentará um relatório de investigações de irregularidades nas gestões anteriores que, se não servir de "moedinha" para conchavos e for explorado como escândalo, poderá enterrar de vez não apenas Aécio, mas o "modo tucano de governar". Eles não estão preparados para enfrentar isso, mesmo com toda a artilharia de mídia. Aí cabe tudo: aeroporto de Cláudio, obra superfaturada do Centro Administrativo, lista de Furnas, mensalão tucano, censura à mídia, repressão aos movimentos sociais, descumprimento de piso salarial de professores, etc, etc. A Caixa de Pandora das Gerais está aberta.

Mais um relógio acelerado é o de São Paulo, com a seca que a qualquer momento será uma desagradável "descoberta", já que a blindagem de mídia faz prevalecer a palavra de Alckmin de que "vai chover", embora a ciência contrariá-lo. O estouro da crise deverá acontecer até julho, quando começarem os impactos mais profundos na vida da classe média paulista (hoje a periferia já vive racionamento informal), empresas tiverem problemas de manter suas atividades, poder aquisitivo cair com paliativos para fugir à seca, etc.

Do lado dos aliados a oposição tem também um relógio que gira à medida que velhas raposas sentem falta dos recursos federais. Pelo lado do PSB, que vinha servindo de linha auxiliar do PSDB, o racha pró-Dilma ganhou força. O senador Fernando Bezerra publicou artigo ontem defendendo a reaproximação, já que o PSB no governo passado foi base aliada de Dilma. Do lado de Marina Silva não vem mais nada, já que continua com partido na informalidade e saiu destroçada da campanha eleitoral com seu ecocapitalismo financeiro. O DEM não tem mais quase nada, assim como o PPS. E outros partidos de aluguel também já sentem o peso de não ter aparelhos no governo federal.

E a mídia, força armada da oposição? Vem sofrendo baixas com a pressão das bases sobre o governo para fechar a torneira das verbas federais de propaganda e pela regulamentação das mídias. Essa bandeira ganhou prioridade sobre a reforma política para minar de vez o poderio tucano. Veja, Globo e outros demitem e buscam se adaptar a tempos de vacas magras tanto pela tendência de crescimento de mídias eletrônicas como pela desmoralização no ataque ao governo.

A reforma política aponta para um prazo maior, pois precisa do calor da proximidade eleitoral. Enquanto isso deverá crescer a pressão sobre o "tucano togado" Gilmar Mendes para deixar de fazer de almofada o processo que impede o financiamento privado de campanhas. A perda do financiamento pelo grande capital pode ser a estaca final no peito do vampiro oposicionista.

Falta nessa análise o relógio da ultima cidadela de poder, o complexo judiciario-policial-promotor. Há uma vaga no STF que se Dilma deixar de republicanismo Caracu (onde a oposição entra com a cara e o governo com o resto) poderá pelo menos equilibrar a parcialidade atual da corte. Dilma manteve o patético José Eduardo à frente do Ministério da Justiça, garantindo aos tucanos sobrevida na tal "polícia federal republicana" que só atira no governo com suas investigações e vazamentos. No Ministério Público algo mudou quando a oposição colocou Janot na conta de Dilma e a mídia bandida lhe fez acusações. Perderam espaços por lá.

Qual o papel da esquerda nisso? O governo Dilma não merece cheque em branco. Deve ser criticado sem tréguas. Interessa a todos a destruição da distorção que hoje faz a direita ter metade do eleitorado e influir sobre os trabalhadores contra seus próprios interesses. O que puder ser feito nesses próximos 6 meses para focar também na direita com mais energia será positivo para acelerar o relógio da autodestruição dos inimigos dos avanços sociais.

Resumo da análise: a oposição terá uns 6 meses para jogar todas as suas fichas para derrotar Dilma num esforço último. O vale-tudo contra o tempo trará de volta agitações mercenárias de rua, anarquia, denuncismo, ódio e principalmente desinformação. Sabendo-se disso cabe a quem defende Dilma contra o atraso também se armar para derrotar de vez a direita. A partir daí se começa uma nova era democrática.


Alckmin pilota Titanic paulista direto para o iceberg

Alckmin desprezou problema em busca de votos (G1)
Só uma estratégia de pressão máxima e foco exclusivo para levar o governo Dilma à paralisia e ao colapso pode explicar a continuada irresponsabilidade do governo paulista em relação à iminência da maior tragédia hídrica do Brasil em todos os tempos. Para destruir Dilma o noticiário de notícias ruins tem que ser concentrado na Petrobrás, nos ajustes econômicos, no terrorismo do colapso do Brasil, corrupção, etc. Não pode falar de problemas criados por governos tucanos, daí quando acontecer a tragédia sobrar pouca margem de manobra e tempo para buscar paliativos, já que as soluções perderam seu "timing" na política de dar mais lucros que armazenar água da SABESP.

Começamos o ano com manifestações em São Paulo contra tarifas de ônibus (municipal na Capital e estadual no metrô), que a mídia já joga na conta do prefeito petista Haddad e nas costas dos black blocs a violência da polícia de Alckmin. Enquanto se inocula o ódio anti-petista esconde-se o problema da seca na esperança cada vez menor de uma solução divina, que a cada momento exige mais uma conjuntura de Noé que de São Pedro. Só um dilúvio no Cantareira pode evitar que a maior cidade da América do Sul vire um deserto até o fim do ano.

Contra os paulistanos há cada vez mais remota chance de chuvas. Daqui do Rio de Janeiro, onde normalmente chove desde antes do Natal até a primeira quinzena de fevereiro, vamos chegando á metade do período praticamente sem chuvas, repetindo a seca do ano passado. São Paulo tem o paradoxo das chuvas que alagam a cidade e não contribuem para o abastecimento dos reservatórios, e isso deve continuar pelo verão. A partir da primavera será só esvaziamento de reservas, com piora da qualidade da água, implementação tardia de racionamento e uma problemática que, para sorte de Alckmin, não será divulgada pela mídia amiga.

Situação do sistema que abastece São Paulo se degrada (Climatempo)
Quanto o Brasil já perde com a irresponsabilidade de Alckmin? Empresas estrangeiras querem investir no principal mercado, que é o paulista, mas estão mudando de idéia pela iminente falta de água. Diversos setores da economia paulista já sofrem com aumentos de tarifas da SABESP e redução na disponibilidade de água. A população mais pobre, onde a água já é informalmente racionada para não faltar nas áreas ricas, paga um preço maior ainda.

E quando São Paulo parar? A culpa será do prefeito Haddad, que não tem nenhuma participação no sistema de abastecimento? Da presidente Dilma, porque nervosos coxinhas bradarão pela sua responsabilidade em não fazer chover?

Será pior. A precarização da atividade econômica em São Paulo levará à seca também no fornecimento de produtos e serviços. Com a oferta reduzida, haverá pressão inflacionária, justo quando o governo federal estará cortando cirurgicamente os gastos para não prejudicar os programas sociais, sem capacidade de atender a uma emergência do porte que São Paulo necessitará. E o desemprego, perda de poder aquisitivo com a elevação dos custos para pessoas e empresas em busca de soluções cada vez mais difíceis e caras?

Poderemos chegar ao fim do ano com filas de caminhões e navios-pipa levando água para São Paulo e obras de engenharia que deveriam ter sido feitas desde 2004 inacabadas, com todos rezando para chover em 2016. E Alckmin e o PSDB? Coitados, vítimas do acaso. O fato é que houve irresponsabilidade já que a situação é conhecida desde 2004. Uma tragédia anunciada. 

E assim vai São Paulo rumo ao iceberg como um festivo Titanic. Se a história for contada pela mídia bandida atual, não haverá culpa para o Comandante Alckmin nem para a tripulação do PSDB. O iceberg pagará o preço. Claro, mandado para a rota de colisão por Dilma.