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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Até onde vai o jogo (cada vez mais) perigoso do Golpe?

A tal "carta do Temer" confessando suas chantagens feitas durante o tempo e seus ressentimentos em relação a Dilma por tê-lo contrariado muda o rumo do tal processo de "impeachment". Temer, que até ontem estava calado, soltou a carta e foi fazer palestra para empresários expondo seu projeto "Ponte para o Futuro", que é um programa de governo que já meses propaga preparando o terreno para assumir o governo.
Ficou claro que o PMDB sabotava o governo, exigindo cada vez mais espaços controlando dinheiro e cargos, não para ser aliado do governo, mas para manter uma relação parasitária esperando a hora de matar o hospedeiro. Eram doença e "remédio" do governo. Desestabilizavam para vender estabilidade cada vez mais cara. E seguiriam assim se a base do PT não tivesse se rebelado e botado os três deputados da Comissão de Ética para votar contra Cunha. E exigido da maioria dos deputados compromisso contra mais acordinhos com o PMDB. Aí a casa caiu: o modelo do PSDB não prevê que o refém lhes diga: "quer matar, mata logo, porra!".

A partir daí as máscaras começaram a cair. Nada explica que a essa altura da crise política Cunha ainda tenha poder para manipular a composição da comissão que examinará o impeachment e continue correndo da Comissão de Ética que não seja a conivência da oposição, do seu partido, do Ministério Público e do Judiciário, aparentemente todos sócios dessa "joint-venture" golpista. Por muito menos um senador do PT, líder do governo, foi preso no exercício do cargo. 

Esqueçam as firulas jurídicas que o PT e Dilma parecem acreditar que são o motivo do pedido de impeachment. Isso pouco importa. Temer assinou os tais decretos sem data assim como Dilma, e no fim das contas isso não é crime de responsabilidade para derrubar governo. Tudo isso é só pretexto para o golpe em curso, e Dilma e o PT acham que o Congresso é o fórum adequado para o julgamento de um mandato democraticamente concedido pelo povo. 

O Congresso é uma arapuca repleta de marginais que se vendem por dinheiro, que não falta nas malas cheias que os grupos de interesses poderão prover à vontade. Quanto custa um voto no impeachment? R$ 10 milhões? Ora, com R$ 342 milhões se "elege" o sucessor de Dilma via golpe. Depois vem a cobrança: pré-sal prá um, BB e Caixa prá outro, mais juros, melhores negócios para a mídia, etc. Não se vota golpe, porque é um processo viciado. Se Dilma ganha, o golpe não pára; se perde, o golpe ganha.

Nossas elites ao longo da história se articularam para fazer as mudanças por cima, sem muito derramamento de sangue. Este só rolou quando havia uma ameaça classista, e toda a elite se uniu para matar, perseguir, torturar e prender trabalhadores e a esquerda. Nos demais momentos o que vimos foi um grupo contra outro grupo de elite. Assim foi na Independência, Proclamação da República, Revolução de 30, etc. O momento atual, a não ser que o PT continue com a esparrela de buscar um "acordão" onde cederá mais para não governar, aponta para um desfecho mais parecido com 1964.

Quase toda a esquerda e muita gente independente assumiu o discurso "tenho restrições ao governo  Dilma, sou a favor da democracia e contra o golpe". Nesta hora sumiu tudo o que de maldade se fez, por exemplo, no circo da Lava-Jato e nas prisões espetaculares de petistas. Ninguém pensa mais nisso. Se o Moro der na telha de prender o Lula agora, por exemplo, entorna o caldo, porque tudo que se fizer daqui prá frente que tente atingir o governo e Dilma será colocado na conta do golpe. E seus autores vão para a lata do lixo da história, que está generosamente aberta. 

O "fator povo" nunca é levado em consideração nos grandes jogos estratégicos das elites. Na hora que querem pagam a oportunistas e à mídia para botar ou tirar povo na rua defendendo o que querem. Funcionou até Cunha tentar a punhalada final. Agora tem "povo gratuito" nas ruas e isso vai crescer ao longo do processo de impeachment. 

As elites acham que se o processo demorar eles vão ter como botar "as massas deles" nas ruas, o que parece falso. Com as bandeiras vermelhas ocupando as avenidas os covardes da classe média de direita não aparecerão, mas mandarão paus mandados  e polícias para tentar calar os manifestantes. Aí não tem mais freio: o pau come, a rua fecha, o carro pega fogo, a estrada pára, o prédio pega fogo, gente importante não pode mais sair na rua, enfim, a situação fica imprevisível e aí, além de golpe, repressão violenta. 

O PT cometeu o erro de submeter o pedido de impeachment ao STF como "chantagem" de Cunha esperando o que? Que algum juiz parasse um golpe no qual o judiciário é interessado? Se fossem isentos já teriam prendido Cunha. Agora se entope de juristas da maior qualidade para dizer que a argumentação do impeachment é inócua. Enquanto isso Cunha e Temer, com os demais ratos da oposição, montam uma comissão viciada que levará a plenário o pedido de impeachment com indicação para afastamento de Dilma. 



O PT pode até "republicanamente" repetir a cena de Collor com Dilma, assinando o livro da destituição, coisa e tal, mas e as pessoas que estão sinceramente defendendo a democracia e as urnas? Muitos não aceitarão mais esse "acordo por cima", onde a ilusão será a da candidatura de Lula em 2018. Se o golpe vier, Lula será preso por qualquer coisa e terá os direitos políticos cassados. Simples e cruel assim! 

Pelo andar da carruagem os golpistas subiram no telhado e chutaram a escada. Não tem mais retorno. Ou ganham ou ninguém governa. Agora é Temer ou nada! Não tem mais "acordo Caracu de governabilidade por cima"! O PT, Dilma, esquerda e cidadania estão fora do modelo deles. Como o processo pode ser longo, é previsível a escalada da tensão e episódios de violência de lado a lado. Nessa hora gente ferida ou morta vira mártir, e aí pode vir guerra civil. 

Dilma não pode vacilar como Jango. Sendo golpe, deve ser tratado como tal dentro da legalidade do respeito às urnas. Não pode se eximir de sinalizar ao povo para reagir legitimamente à usurpação pelos inimigos da democracia. Se Temer e o resto da direita estão montando um governo sem respeito às urnas, Dilma tem o mesmo direito de montar um governo sem o PMDB com programa popular e democrático, apoiado pela força das ruas. Dilma deve aos brasileiros um governo que enfrente os banqueiros, latifundiários, especuladores, sonegadores, corruptos e mantenha e aprofunde os programas sociais numa perspectiva de desenvolvimento. Se o golpe for contido pela força e sacrifício do povo ela ficará devendo mais ainda. 

Não acredito em nada disso, conhecendo como a banda toca no PT e suas lideranças mais evidentes. Vão ficar nessa de apostar na derrota institucional do Impeachment como se fosse um turno eleitoral legítimo. Vão buscar alianças com outros setores tão ou mais corruptos que o PMDB oferecendo cargos e ministérios suculentos. Assim, desmontarão toda e qualquer chance de quem não é do PT mas defende a democracia e o fim da corrupção de se armar para rechaçar o golpe. Bom, vamos ver como é que isso se desenrola. Juro que não gostaria de vivenciar uma guerra civil, de irmãos contra irmãos. Como disse Dilma, a unidade nacional passa pela legalidade e esta pelo respeito às urnas.

sábado, 28 de novembro de 2015

YOUTROUXA 0127 : "PT ROUBOU O PRÊMIO DA MEGA-SENA"

Toda vez que os fascistas são derrotados vingam-se com uma onda de mentiras para levantar ódio ao governo e ao PT com o objetivo de manter a chama do golpe acesa. Ou ganhar dinheiro promovendo crise e vendendo produtos. O mais recente lixo produzidos por eles é a onda de desconfiança sobre o prêmio de R$ 205 milhões da Mega-Sena acumulada, sorteado neste dia 25/11/15.

Site UOL às 20:57 h noticiava que havia um ganhador
Primeiro divulgaram que no site da Caixa havia sido informado no dia do sorteio que o prêmio tinha acumulado, e na madrugada do dia seguinte apareceu um ganhador. Pura estupidez. No dia do sorteio por volta das 22:30h os sites dos jornais já publicavam que um vencedor havia levado sozinho o prêmio. "Para completar (a suspeita) o ganhador ainda é de Brasília", diz o texto de um perfil falso Andreas Roddewig.

Até o senador Álvaro Dias engoliu isso. Fez um requerimento à Caixa pedindo esclarecer os "indícios de irregularidade", assinando em baixo a farsa sem procurar saber se havia algum resquício de verdade. Interessado em denegrir a imagem do governo sempre, o senador apostou em ganhar aplausos da galera que o acompanha. E passou por trouxa.


Aí vieram com um falso bilhete premiado mas em uma loteria inexistente. Outra fraude. E sempre o discurso de desconfiança para culpar a Caixa, o governo Dilma e o PT.

Depois veio uma "notícia" de um tal de IFATO.COM levantando suspeitas ao dizer que a lotérica onde foi feita a aposta já tinha há menos de dois meses sido onde foi feita outra aposta que ganhou R$ 47 milhões. Não sabiam dizer se  a aposta única, de R$ 3,50, era bolão. Pode ser... 7 apostadores jogando R$ 0,50 cada um. Claro, tudo em Brasília, onde só tem ladrão...

Para completar as várias tentativas de enganar as pessoas vieram com uma jogada digna de mágico através do site de extrema-direita Guerra Patriótica. . Foram ao site da Receita Federal com o CNPJ da Lotérica e encontraram como sócio Nasser Youssef Nasr. Quem é esse cara? Sei lá, mas os falsários dizem ser parente do doleiro Youssef, da Lava Jato, Dizem que foi deputado e condenado em processo lavando dinheiro em igrejas, etc. Numa rápida busca na internet encontramos uma pessoa com esse nome, um deputado estadual pelo PSDB do Espírito Santo, condenado por um esquema de máfia com outros dois deputados tucanos,sendo um deles o ex-presidente da Assembléia Legislativa, João Carlos Gratz. Do TRE obtivemos:

45699NASSER YOUSSEF NASRDeputado EstadualPSDB

Ainda na Internet encontramos um homônimo, de origem libanesa, comerciante, radicado em Brasília desde a década de 60, que deve ter uns 70 anos e é comerciante, através do link http://ronaldmansur.blogspot.com.br/2012/02/o-brimo-nasser.html

Procurando mais encontra-se um agrônomo da Emater do Espírito Santo e ou advogado de Brasília, também homônimos.

Para quem quer denegrir o PT não é bom encontrar no caminho da sua fraude um Youssef deputado criminoso do ilibado e intocável PSDB. Tiro no pé...

E assim caminha a ignorância de muitos servindo de terreno fértil para um grupelho de espertos. Espalhe a verdade para pessoas que, por algum tipo de insuficiência,é alvo para esse tipo de armação.

PS: Em 30/11/15 a Federação Brasileira de Loterias publicou nota de esclarecimento desmentindo o vídeo "Mega Sena a casa caiu" que propagava a mentira de fraude mostrando que o dono da loteria é homônimo do deputado capixaba condenado por fraude.
http://sinlopar.com.br/nota-de-repudio-video-mega-sena-a-casa-caiu/

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Nem Jesus salva Cunha

Oposição e mídia fazem de conta que querem a cabeça de Cunha
Há que se distinguir entre a realidade pós-denúncia de Cunha e o desejo da mídia e da oposição de pautarem sua sobrevida. Em primeiro lugar tentam criar a idéia de que é possível, por acordo político, desfazer o flagrante de corrupção recheado de provas irrefutáveis que pesa sobre Cunha e sua esposa. O assunto está nas mãos do Ministério Público e na boca do povo, mesmo com a poderosa blindagem de mídia.



Esposa de Cunha é o ideal das paneleiras
Todo mundo "viu" a esposa de Cunha com a boca na botija, usando o dinheiro das contas na Suíça para irrigar cartões de crédito com os quais se gastou em futilidades. Nem a oposição, que se articulou com Cunha e o TCU para preparar um rito pelo impeachment, conseguiu escapar à obrigação de simular um "afastamento" em relação a dele. Aparentemente os seus ratos aliados abandonaram o navio.

Em uma semana Cunha foi do paraíso do poder ao purgatório, flagrado como ladrão e perdendo o poder de achacar Dilma por conta das decisões do STF que postergaram qualquer análise do "parecer" do TCU que, mesmo sem condições legais de tirar Dilma do Planalto, era a única forma de dar um golpe do tipo paraguaio, com cara de "legítimo".

A esmagadora maioria dos que pediram a cabeça de Cunha é do PT
No recente acordo do PT com o PMDB houve negócios e negócios que resultaram em mais ministérios para o Partido Mercenário Do Brasil. Entre eles poderia estar a blindagem de Cunha em troca da sua fidelidade ao governo, que ficou com a cara do PMDB e ideologicamente à direita. Cunha não se enquadrou e continuou preparando o golpe a ponto de quase conseguir abrir o processo de impeachment, o que foi abortado aos 47 do segundo tempo pelo STF. 

Se o PT teve alguma ingerência em tudo isso, já que o paspalho ministro da Justiça não manda nada na PF (e chama isso de "republicano" enquanto leva bola nas costas o tempo todo) e o governo não manda nada na Procuradoria Geral da República, foi praticamente nenhuma. Cunha foi denunciado porque a justiça na Suíça o dedurou, e aí não tem jeito: ou as autoridades brasileiras apuram ou se desmoralizam. Cunha deixou de fazer uma viagem ao exterior com medo da Interpol pegá-lo a mando da justiça suíça, como aconteceu com José Maria Marín, da CBF. 

Voltando ao que diz a mídia, Dilma teria pedido a Lula para procurar o PSDB para fazer um acordo para salvar Cunha, envolvendo o fim das ameaças de impeachment e outras sandices. Ou seja, usando dos seus superpoderes sobre a justiça suíça e a brasileira, tudo que foi dito contra Cunha seria refutado e Dilma governaria como se nada tivesse acontecido mantendo a cobra venenosa junto a ela. 

Agora tratando de realidade, e não mais de pauta de mídia para trouxas, é fato que Cunha virou um morto-vivo político que talvez nem resista até o Halloween. Sem ninguém botando a mão no fogo e até seus aliados mantendo sanitária distância, seu destino é ser crucificado. Não como Cristo, mas como o ladrão ao lado dele. Como se salvar? Prometendo a Dilma ser bonzinho, votar só no que ela mandar, abrir seu saco de maldades e achaques para entregar os crimes da oposição dos quais parece ter ciência? E Dilma, o que faria? Mandaria o Janot suspender tudo? Mandaria a PF parar de investigar como se o caso fosse um mero helicóptero de 450 kg de cocaína? 

O discurso de Dilma no XII Congresso da CUT feito na noite do desmanche da tentativa do golpe foi de virada. Falou em golpe e que resistirá (como se não estivesse fazendo o tempo todo isso) a ele, em defesa do voto popular que a elegeu há quase um ano. Disse que os que tentam o golpe não têm reputação ilibada para atentar contra a sua honra. Foi um verdadeiro discurso de posse, encerrando o episódio do golpe. Selou qualquer acordo para salvar Cunha.

E metade do PT assinando a proposta do PSOL para a Comissão de Ética da Câmara investigar Cunha? Uma verdadeira rebelião, dado que o PC do B, geralmente mais centralizado nos acordos, não ousou colocar nenhum de seus parlamentares contra Cunha, assim como o PSDB, DEM, Solidariedade e PPS e a grande maioria do PSB.
Santa Ceia de Cunha somente com os judas do Brasil

Dilma até aqui é vitoriosa. Nada que desabone sua honestidade pessoal. O caso das "pedaladas" não tira seu mandato. Seu governo se firma como aquele que mais combateu a corrupção em toda a história. Aguentou firme toda humilhação, como no tempo da tortura. E começa a dar a volta por cima. Coisa para desesperar madames que batiam panelas xingando-a, até porque a mulher de Cunha é a cara delas. Perderam qualquer resquício de moral para falar de Dilma.

O discurso de Lula fechou a porta para qualquer tentativa de resgate a Cunha. Também rechaçou o golpismo que tem com Cunha seu vetor principal.

O episódio Cunha não terminará por aqui. Ele continuará presidente da Câmara por mais alguns dias e não renunciará. Sem o poder de ameaçar Dilma ela se fortalece e pode falar mais grosso com o PMDB. A persistência de Cunha agora é positiva para o governo porque desnuda a mídia e a oposição como quadrilha igualmente capaz de roubar, lavar dinheiro  e ter depósitos fora. 

Até o poderoso juiz Moro vai ter que se mexer com o passar do tempo, pois sua omissão diante de tamanho descalabro de um ladrão de dinheiro da Petrobrás comprometerá mais ainda o seu circense Tribunal da Inquisição dirigido politicamente pela direita. Ou intima Cunha e sua esposa e os prende ou será cúmplice. Por muito menos prendeu equivocadamente a cunhada de Vaccari. 

Jesus não daria procuração a eles para salvar Cunha
Nem Jesus salva Cunha. Nem sua bancada do atraso, os obscuros fundamentalistas que faturam em nome de Cristo,o baixo clero do congresso, que domina ao absorver propostas de atraso político e de direitos sociais ao mesmo tempo que achaca com ameaças. Qualquer coisa que proponha ficará suspeita pois não tem honradez para defender mais nada. Nem sua própria pele. 


A tarefa das forças democráticas agora é usar o caso Cunha para exigir, nas ruas e com bastante barulho, uma sistemática e radical investigação de toda a corrupção que corrói o país. Em todos os níveis e poderes. Auditorias soberanas populares em contratos de obras, compras e serviços. Fim das mordomias. Redução dos salários de parlamentares, executivos e juízes. Punição exemplar para todos os que roubam o futuro do país, afinal, roubar dinheiro público é condenar gente à morte por falta de educação, saúde, comida, etc. Sem povo na rua qualquer acordo de cúpula enterra o assunto e nada muda.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Brasil : O desafio é devolver a direita ao esgoto.

Esqueçam as picuinhas mútuas entre PT e PSDB. Tire da frente todo esse teatro de Dilma, Cunha, Bolsonaro, FHC, Lula, petistas, tucanos, números, crise, obras, Lava Jato e baixarias da política que enchem as páginas de jornais e os bits da internet. Tudo isso está sendo tragado por uma onda de lixo e esgoto que, por erros e omissões, está enlameando o país e colocando em risco a tênue democracia: o ascenso sem freio da direita, do fascismo, no nazismo.

Hoje vemos gente fazendo discursos racistas, homofóbicos, discriminatórios contra o Nordeste, contra pobres, favelados, pedindo linchamentos em poste, pregando pena de morte, armas, bombardeio de comunidades carentes, pregando superioridade dos ricos e "bonitos" contra pobres "feios", enfim, tudo de execrável que as pessoas tinham pudor para falar agora flui em qualquer conversa sem preocupação com o "politicamente incorreto", "sem noção" ou mesmo ser crime. Vai tudo numa visão equivocada de "liberdade de expressão" que desrespeita princípios civilizatórios. A estupidez está virando exemplo para jovens e crianças, que repetem tudo sem entender nada. Contamina a classe média emergente, paradoxalmente a que o PT diz ter melhorado a vida.

A direita ficou presa no seu esgoto desde o fim da ditadura mas a impunidade pelos crimes do regime militar abriu as portas para que a possibilidade de golpe fosse "razoável" e "abraçável" por gente "de bem". Mas não foi só isso. O PT contribuiu muito para o ascenso da direita e mesmo que hoje o partido fosse proscrito durante muito tempo haveria perseguição à esquerda, numa ditadura formal ou da hegemonia midiática.

O PT começou a acabar em 1989, com a coincidência de dois fatos: a queda do muro de Berlim e a derrota de Lula contra Collor. Varreu o mundo a teoria do "fim da história" com a pregação da vitória definitiva do capitalismo contra o comunismo. A campanha de Collor bebeu nessa fonte. E algumas lideranças expressivas do partido também. Passaram a formular teses de adaptação ao capitalismo que congresso a congresso do partido foram descaracterizando seu ideário original, socialista, classista, para um partido da ordem, focado na estratégia eleitoral de acesso ao poder.

Isso aguou o programa partidário até que em 2002 (continuando depois) a corrente majoritária, encabeçada por José Dirceu, impôs a todos a Carta aos Brasileiros, um programa pífio que permitia a aliança com setores do capital e da direita para vencer a eleição. E depois da posse de Lula foram feitas concessões à direita para "não dar cavalo de pau"no Brasil, ou seja, nada que pudesse assustar os donos do poder do estado. Lula só tinha o governo, não o poder real.

O sectarismo interno presente no rolo compressor da corrente majoritária Articulação e os acordos à direita fizeram o partido expelir suas correntes mais à esquerda, que desaguaram no PSTU, PSOL, PCO, Rede e em milhões de militantes e simpatizantes que foram abandonando o partido e passando à crítica de esquerda, alguns defendendo o legado das conquistas sociais, depois à lavagem das mãos, que é o que vemos hoje.

Os descontentes sinceros com o PT, não aqueles que nunca votaram, sempre foram contra e agora dizem que "traiu o país", agiram conforme os estímulos recebidos. A despolitização da campanha de Dilma, a própria Dilma com seu perfil tecnocrático, a política de alianças e cada vez mais concessões à direita e ao capital, quase levaram ao retorno da direita ao governo em 2014 através de Aécio Neves. Não fosse Lula percorrer o país buscando com seu prestígio pessoal e no resgate de alguma referência de esquerda, teria havido o desastre maior e hoje possivelmente viveríamos uma ditadura de direita que não permitiria que estivesse neste momento escrevendo isto.

O desafio da esquerda não é deixar o PT se acabar pelos ataques da direita apostando em tomar sua base social no momento seguinte. Fosse assim hoje o PSOL, PSTU e outros estariam com milhões de filiados angariados entre os descontentes. O que fica das ruínas do PT é a direita forte, com ideologia padrão Cunha e sua base de primatas políticos. Se com Dilma  contra e algum movimento de massa ainda contra as leis favorecendo o capital e destruindo avanços sociais estão passando no Congresso, imaginem sob um governo Aécio?

O grande desafio hoje é barrar a direita e fazê-la voltar aos encanamentos fétidos de onde emanam suas idéias. Não é defender Dilma nem o PT ou Lula, mas rebater toda essa coreografia, esse oba-oba que contaminou até a juventude e fez surgir igrejinhas com seus clérigos do oportunismo como Revoltados On Line, Movimento Brasil Livre, etc. Falta condenar e partir para o combate dessas idéias, não ficar de braços cruzados como hoje se vê diante de uma manifestação que pede a volta da ditadura, torturas, fechamento de partidos e extermínio da esquerda. Ser de direita tem que voltar a ser algo vergonhoso, execrável, proibitivo de falar em público a partir da pressão social.

Dilma navega nas águas sujas que lhe chegam aos pés. Agora se submeteu à Agenda Brasil, de Renan, do PMDB e do capital mais explícito para poder sobreviver. Como quando estava presa na ditadura. Vão a todo momento lhe dar papéis para assinar assumindo o elenco de maldades contra os trabalhadores e os mais pobres. Há quem ache isso ótimo, porque acaba com o PT mais rápido e aí a esquerda cresce mais fácil. E prepare movimentos sociais para enfraquecer mais ainda Dilma sem atacar a verminose de direita.

Hoje foi um fiasco a manifestação e muita gente inteligente saiu do limbo para atacar a direita, mesmo sem defender Dilma ou o PT. É por aí. O lema do fascismo espanhol era "Morte à Inteligência, viva a Morte". Isso não pode vencer. E digo mais: partir para o confronto direto de idéias para fechar o bueiro com a direita dentro novamente hoje é mais avançado para a politização que ficar denunciando as contradições de Dilma e o PT fazendo coro com aqueles que não querem esquerda nenhuma. Como cantava Cazuza, a burguesia fede, só olha pra si,  é a direita, é a guerra.

Como fazer? A tarefa é gigantesca mas, ao mesmo tempo, simples de executar. A cada discurso direitista deve caber uma reação desigual e maior, na proporção real entre ricos e outros na sociedade, ou seja, 1 para 99. O esgoto direitista tem que ser diluído com muita água limpa da democracia, da ética, do respeito, do amor. Isso vale para festinhas de família, redes sociais, locais de trabalho, turma do futebol, grupo de igreja, todo lugar. Não se pode dar asas a cobras. Quando perceberem que não estão agradando, que o discurso e práticas não encontram eco nas pessoas decentes, correrão para os ralos e ficarão contidos até que a sociedade dê outra bobeira.


























sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Dilma : A sofrida travessia até 2018

Resistir aos ataques da direita é a tarefa da esquerda hoje
Eu vi o programa do PT na Internet. Bem produzido, buscando esclarecer o pacote de maldades do Levy e pedindo crédito ao eleitorado para o que Dilma chamou de "travessia" da crise.  Separa as opções entre a esperança e o medo colocando na conta dos interesses particulares e escusos diversas fotos de opositores, onde se nota a falta de Eduardo Cunha, o principal vilão do momento, autor do "pacote-bomba" contra Dilma. Por fim, ironiza o panelaço inevitável diante da convocação pela grande mídia e oposição partidária e 71% de desaprovação, segundo as sempre suspeitas pesquisas do Datafolha. 

O programa  deve ter produzido efeitos sobre alguns descontentes que só conseguem ver o massacre de mídia negativa em relação ao governo, à economia e ferindo a autoestima nacional. Com esses o PT ganha sobrevida e alimenta também a sua cada vez menos fiel militância.

Do ponto de vista do conteúdo foi decepcionante para pessoas como eu, que fui do partido, depois continuei como simpatizante e hoje tudo que não quero é o retrocesso ao tempo da ditadura ou aos anos FHC, nem que para isso tenha que defender Dilma e seu projeto pífio que pouco se diferencia dos neoliberais a não ser pelo cuidado com a lenta inclusão social. O programa foi o de sempre, despolitizado, sem apontar mobilização, apelando para a piedade em relação a Dilma e ao respeito ao seu passado de resistência. 

Na hora do programa fui à rua mapear o panelaço. Já foi maior. O interessante, que acho representativo dos paneleiros, é que se quer derrubar Dilma por causa da corrupção, etc. Aqui e ali se ouvia gritos "Dilma" como esboço de reação não tão política, mas para afrontar os que protestavam. 

A diminuição do barulho não signica fortalecimento do governo. Pelo contrário: mais capitulação aos interesses do capital, como os pactos por  governabilidade com governadores e entidades do capital como a FIESP e a FIRJAN contra os atos do Congresso que aumentem gastos, sem apontar para o equilíbrio fiscal através da taxação das riquezas. Entre as elites cresce a convicção de ser melhor deixar Dilma sitiada até 2018 fazendo o programa econômico da oposição e minguar a cada instante as poucas conquistas sociais para tomar o país nas eleições. 

Tirar Dilma agora significará abrir a temporada de disputas vorazes entre o PMDB de Cunha e o PSDB de Aécio em meio à oposição do PT e dos movimentos sociais aos inevitáveis ataques aos direitos sociais e trabalhistas seguindo o modelo do FMI. Como a crise é mundial, tais remédios não melhorarão a economia e trarão efeitos colaterais terríveis que levarão a oposição a um eventual governo Temer à vitória em 2018. Pior para eles: uma esquerda bem mais poderosa que o PT pode ascender nas lutas sociais, se ainda restar algum espaço democrático. 

O golpismo arrefece. No dia 16 de agosto veremos pela mídia o mesmo "freak show" dos outros atos dos fascistas com apelos a golpe militar, bonecos de Lula e Dilma enforcados, provocações a tudo que tenha cor vermelha, ódio espumante e principalmente a ala mais raivosa do PSDB liderada por Aécio enfiando o pé na jaca enquanto é sabotado por Alckmin e Serra. Pode ser o ato final desse ciclo que dará "estabilidade instável" a Dilma para mais uma vez ser torturada pela direita até 2018. 

O PT cansou. Brochou. Vive de glórias do passado e não consegue se revigorar congresso a congresso, mantendo-se a mesma direção que o levou ao declínio. Poucas correntes de esquerda sobrevivem no seu interior ainda acreditando que se trata de um partido em disputa. A maioria das lideranças vive fisiologicamente do governo e dos parlamentares, sem contato com o movimento social. Pior: cooptando os movimentos vivos, que cada vez mais se afastam do PT e do governo. 

A luta de alguns setores da esquerda hoje não é para defender o PT ou o governo DIlma, mas para evitar que a  da direita tome o poder e nos enterre como nos anos perdidos FHC ou na ditadura militar. Quem ainda dá sobrevida ao governo, em especial, é o "limbo de esquerda", um conjunto de centenas de milhares de ex-militantes, ex-ativistas e ex-simpatizantes do PT e de Lula que o deixou de lado à medida que o partido ia se degradando. 

São os que aparentam estar fora de combate mas aparecem para combater a festa da direita, em especial nas redes sociais. São os que pedem voto contra a direita, mesmo que isso beneficie os candidatos do PT. A esses se somam alguns setores do PSOL, PCO, e PC do B, que compartilham a percepção do retrocesso de um golpe que pode jogar toda a esquerda na ilegalidade, na cadeia e nas covas sem identificação. A direita nunca foi punida pelos crimes da ditadura, e essa sensação de impunidade impulsiona as ações de ódio e terror. 

Um golpe hoje significaria em curtíssimo prazo a vitória do poder que se sustenta através da superestrutura das instituições burguesas dominando o judiciário, o ministério público, as polícias, a mídia, o capital financeiro e os rentistas. Derrubar Dilma é botar nas ruas hordas de criminosos políticos para amarrar petistas e outros em postes e linchar, bombardear bem mais que o Instituto Lula, tocar fogo novamente na UNE, como em 1964 e sair pelas ruas em milícias nazistas como na Ucrânia achacando e intimidando tudo que se pareça com lutas sociais. A brochada do PT e a resistência do governo Dilma a resistir aos ataques chamando à mobilização podem nos levar a um retrocesso de décadas. 



terça-feira, 10 de março de 2015

Revoltados On Line : Pregação de extermínio é crime!

Falar mal do governo é democrático. Xingar presidente também faz parte da liberdade de expressão, mesmo atropelando as boas normas de educação e etiqueta. Lutar por um impeachment de dirigentes com base em fatos reais comprovados que, pelo processo legislativo possa acontecer também está previsto na constituição. Alguém fazer de um movimento político forma de ter lucros com venda de produtos e recebendo doações é normal no capitalismo, desde que se faça os competentes registros legais e se obedeça às regras fiscais.

Extermínio, para bom entendedor, é morte das pessoas
que participam dos movimentos e entidades. 
Derrubar governo na marra porque não se aceita um resultado eleitoral, pregar o ódio às pessoas que fazem o governo e a partidos para que as pessoas cometam violências contra elas é crime. E pregar o extermínio dessas pessoas, o que se pode dizer?

Hoje estava nas imediações da Central do Brasil quando passou um carro de som chamando as pessoas para um ato pelo impeachment de Dilma e Temer. Chamou-me de imediato a atenção, bem visível numa faixa  de propaganda, a palavra EXTERMÍNIO, em destaque numa mensagem dizendo "EXTERMÍNIO DO FORO DE SÃO PAULO, PT E MST" e o símbolo do Revoltados On Line, grupo que tem um perfil no Facebook de oposição radical a Dilma, PT e Lula.

Fotografei e custei a acreditar que tivessem a coragem ou falta de noção de sair com isso às ruas. Na hora o militante que acompanhava o motorista mostrou sua camisa Fora Dilma, que faz parte do Kit Impeachment que o site vende na internet por R$ 175. Animou-se e gritou "Fora Dilma", enquanto eu fotografava.

Carro de som em frente à Central do Brasil (Rio) com a faixa
com a mensagem de extermínio. 
Pensei: "Quem diria... na Central do Brasil, que já foi palco de um dos mais importantes discursos da história, hoje se propaga mensagem de cunho golpista de direita e até extermínio...".

Infiltraram-se numa feira em São Paulo para criar fato
político para cassar-lhe o direito de ir e vir com vaias e
eventual violência
Esse grupo vem pregando o ódio na internet e hostilizando petistas, governantes e tudo que se pareça de esquerda ou seja vermelho. Para eles, "exterminar" é como oferecer um serviço de dedetização ou desratização, achando que a vida de petistas, sem terra e pessoas em torno do tal Foro de São Paulo, não vale mais que a de insetos desprezíveis. Isso é corroborado pelas mensagens dos apoiadores do perfil do Facebook que pregam a morte de pessoas como se fosse uma coisa banal.

Eles já tinham passado à fase do terror com as constantes ameaças que fazem via internet. Comemoraram pelo site a autoria de uma manifestação no domingo na hora do discurso da Presidente Dilma alusivo ao Dia da Mulher, onde em bairros de alto poder aquisitivo as pessoas bateram panelas e foram às janelas xingá-la.

Hoje mesmo em São Paulo conseguiram se infiltrar na abertura da Feira da Construção para hostilizar a presidente Dilma e criar fato político para retroalimentar futuros atos agressivos. Como contam com simpatia de pessoas da elite que têm acesso a eventos com a presidente, constituem uma ameaça até à sua integridade, pois os esquemas de segurança podem se revelar insuficientes para evitar um atentado. A ideia é não deixar mais nenhum dos seus inimigos conseguir sair na rua, ou seja, querem cassar o direito de ir e vir. Isso é terrorismo.

Querem enfrentamento no dia 13 com as centrais sindicais e
movimentos sociais e apoiar o ato da oposição no dia 15
 Agora parece que pode começar uma nova etapa. Querem enfrentamentos diretos, violentos.  O que pretendem, por exemplo, marcando atos de enfrentamento aos manifestantes do dia 13/3, que farão a defesa da democracia, da Petrobrás e dos direitos dos trabalhadores? Criar vítimas, como fizeram com as provocações na ABI, onde atentos fotógrafos registraram as cenas finais da provocação que fizeram e repassaram como agressão do PT? Querem mortos? Querem mártires? Poderiam se tornar uma versão tupiniquim do Exército (nada) Islâmico? Ou dos grupos neonazistas que aterrorizam os ucranianos?

Dedetizar o MST? Matar todo mundo, é isso mesmo?
Quantos carros desses circulam pelo país? O que estão veiculando, de fato? Quem está doando dinheiro e quanto para fazer a mensagem criminosa circular? O que querem mesmo, já que o impeachment é impossível neste momento? Uma escalada de violência para justificar um golpe militar? Uma intervenção estrangeira? A anarquia?

A sociedade brasileira precisa dar um basta nisso usando os instrumentos democráticos previstos no nosso ordenamento jurídico. Parece estar em andamento a formação de um grupo de milicianos, armados ou não, com fins ilícitos e hediondos, como o de "exterminar seres humanos".

"A Lei nº 12.720, que dispõe sobre o crime de extermínio de seres humanos, alterando dispositivos do Código Penal, supre a carência que havia na legislação brasileira no combate à potencialidade lesiva que os grupos de extermínio e milícias particulares demonstram com suas ações."
( http://jus.com.br/artigos/23412/comentarios-sobre-a-lei-n-12-720-2012#ixzz3U1UMseIQ)

Diz a lei: 
"Art. 4o  O Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, passa a vigorar acrescido do seguinte art. 288-A: 
“Constituição de milícia privada 
Art. 288-A.  Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.” 
 A sociedade e o estado brasileiros não podem ficar de braços cruzados assistindo ao crescimento da incitação ao ódio político sem tomar uma providência. Ao promover atividade associativa com finalidades ilícitas, está configurado crime e cabe ao poder público investigar o Revoltados On Line e indiciar seus líderes na forma da lei. A ação deletéria do grupo inspira outros sites e perfis nas redes sociais que também incitam o ódio e a violência. A investigação deve abranger as contas que o site disponibiliza para receber doações, regularidade fiscal dessas, com quebra de sigilo para verificar se os recursos são de natureza legal.

A sociedade deve repudiar toda e qualquer forma de incitação à violência política e reafirmar o compromisso com a democracia. Claro que, em se tratando de grupo de incitação ao ódio, qualquer iniciativa contra seus líderes será propagada como atentado à liberdade de expressão e à democracia. Não será por isso que se deverá vacilar na hora de tomar as providências cabíveis para cortar evitar a propagação do ódio e do crime.







quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Operação Lava Jato : O PSDB perdeu o controle?

A Operação Lava Jato, que hoje sangra a Petrobrás e prejudica a imagem do governo a ponto de quase ter dado a eleição ao PSDB com vazamento seletivo de informações de corrupção, parece ter sido projetada para essas finalidades e agora estar saindo do controle da oposição. 

Iniciada pela Polícia Federal do Paraná em março de 2014, tinha como propósito apurar um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar mais de 10 bilhões de reais. A operação recebeu esse nome devido ao uso de uma rede de lavanderias e postos de combustíveis pela quadrilha para movimentar os valores de origem ilícita.
A operação indiciou o doleiro Alberto Youssef, e a partir dele uma série de denúncias contra dirigentes da Petrobrás ocupou o noticiário político e policial em troca de redução de pena através da delação premiada. Falcatruas milionárias envolvendo contratos da petrolífera foram tornados público, diretores foram presos, esquemas foram revelados. Até abril de 2014 já haviam sido indiciadas 46 pessoas. 

O processo se arrastou durante todo o ano conduzido pelo juiz Moro. Empreiteiras acabaram arroladas e dirigentes foram presos. Até aí a parte de investigação policial seguiu propósitos legais.

Assim que se falou pela primeira vez a palavra "Petrobrás", a oposição, liderada pelo PSDB, em parceria com a mídia, em especial a Rede Globo e a revista Veja, desfechou pesado ataque de artilharia contra o governo com a tese de ser conivente com a corrupção e da presidente Dilma, ex-presidente do Conselho de Administração da empresa, "saber de tudo". Criou-se  e enterrou-se CPI sobre o assunto sem maiores consequências. 

Como o foro privilegiado remeteria o caso para o STF, o juiz Moro, a princípio e depois interpelado pelo Supremo, negou que nomes de políticos estivessem sendo apontados. Mesmo assim durante toda a campanha eleitoral de 2014 pela mídia oposicionista desfilaram nomes ligados ao governo como citados no processo. A máxima foi a publicação pela Veja, a dois dias da eleição, de uma notícia forjada dando Lula e Dilma como cúmplices no escândalo. 

A meu ver era uma operação projetada para terminar com a divulgação dos resultados eleitorais e a derrota de Dilma. O jogo era para terminar enquanto a oposição estivesse ganhando. Tudo levava a isso. A escolha do Paraná, governado pelo PSDB. Um juiz cuja esposa é advogada e presta serviços para o PSDB. Um doleiro velho conhecido do PSDB, operador de esquemas com Jaime Lerner e Alvaro Dias, condenado pelo mesmo juiz Moro por corrupção em 2004 no caso Banestado e libertado também por delação premiada. 

Tudo pareceu tão milimetricamente estudado para atingir apenas o governo que toda vez que este pedia informações sobre os depoimentos não era atendido. Já a mídia oposicionista era fartamente municiada com vazamentos seletivos, que eram manipulados e alterados para causar mais impacto destrutivo à candidatura de Dilma. Era como um processo onde só o promotor tinha o direito de se expressar. 

A Polícia Federal também teve papel decisivo atuando de forma partidária em defesa da oposição. Delegados da Polícia Federal no Paraná, envolvidos na investigação, foram flagrados nas redes sociais defendendo Aécio e atacando o PT. O Ministério da Justiça abriu sindicância para apurar os vazamentos seletivos de informações e manipulação de provas. 

O que aconteceu com a derrota de Aécio? A oposição desesperada tentou o impeachment, a desaprovação das contas eleitorais de Dilma, impedir a suplementação orçamentária no Congresso para derrubar a presidente, foi às ruas com uma brancaleônica campanha liderada pelo cantor Lobão onde havia gente pedindo intervenção militar e até dos Estados Unidos. Tudo deu errado. Passaram a investir na derrubada da presidente da Petrobrás, Graça Fostar, para expor sua cabeça como vitória na Lava Jato e prova cabal da culpa do PT e de Dilma. Perderam também. 

E aí vieram as prisões de empreiteiros. Com elas, listas de obras onde houve superfaturamento, propinas e lavagem de dinheiro. Muitas dessas obras em territórios dominados pela oposição, como Metrô de São Paulo, Sabesp, etc. Apareceram denúncias de entrega de malas de dinheiro ao líder do PMDB e aliado tucano, dep. federal Eduardo Cunha, e do ex-governador mineiro e aliado de Aécio, Anastasia. Mesmo com a advocacia da Globo "inocentando" ambos em horário nobre, o caso repercutiu e uma grande Caixa de Pandora parece estar se abrindo contra a oposição. 

Quem era pedra, por ter a Lava Jato continuado, passou a ser vidraça. Todo o estrago contra Dilma e o PT que a mídia conseguiu fazer já está precificado. O problema agora está com as vestais, as virgens, os impolutos do PSDB, que vão começar a ser citados em especial pelas mídias alternativas. De tão calejado por denúncias infundadas, o PT já criou casca grossa. Os tucanos, sempre acusadores, não estão preparados para suportar a mais tênue investigação. Criaram um monstro que agora se volta contra eles. Isso explica a nota desesperada de Aécio para defender seus pares,que fala em "manipulações e manobras" na Lava Jato, caracterizando a perda de controle, reproduzida na imagem.  






sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

PT-Rapia : Ódio ajuda a resolver vidas amargas e medíocres?

Pensava que a insanidade que criminalizou o PT, Dilma, Lula e seus eleitores se acabasse ao final da eleição. Muitos dos que tiveram o ódio exacerbado por mídias e discursos fascistas acabaram voltando às vidas normais logo que a maldição acabou. Não foram na onda do golpe, impeachment, intervenção militar, assassinato ou qualquer "solução" que impedisse a posse de Dilma. Num retorno ao século XVI, muita tente passou a esperar pela volta do seu rei, o Dom Sebastião do Leblon, para libertar o país da corrupção petralha bolivariana cubanista gayzista feminazi de Dilma.

Esperava que ontem a posse de Dilma pusesse uma pá de cal nesses ânimos exacerbados e finalmente passassem a aceitar um dogma democrático: quem ganha, governa para todos. E que façam oposição civilizada para 2018 se qualificarem como alternativa. Isso é normal, civilizado. Não para todos.

O líder do site Revoltados On Line, que atingiu notoriedade nas jornadas brancaleonescas lideradas por Lobão e extrema-direita prostituta de porta de quartel, foi a Brasília protestar contra a posse. Tudo bem, direito dele, mesmo que não junte ninguém para isso. Faz parte. É um dos que promete não descansar na luta contra os dragões da esquerda usando seu site e dinheiro que pede de contribuições para espalhar mentiras, terror, ódio, revolta.

Ontem pelas redes sociais vi mulheres com ódio dizendo que Dilma se vestiu igual a um botijão de gás, que andava que nem uma pata. Muito complicado para quem sofre discriminação de gênero. Também vi manipulação com foto dizendo que "só"6 mil pessoas foram à posse, além de bravatas do incongruente senador Álvaro Dias pedindo os nomes dos "predadores da Petrobrás" como se precisássemos falar de quem mudou a lei de licitações para facilitar bandalhas, que acabou com o monopólio da exploração, quis privatizar a empresa como Petrobrax, afundaram plataforma, etc.

Sobre a posse, o site do ilustre senador mostra que a de ontem teve menos gente que a de 2011. Seus fiéis seguidores, a partir disso, comentam que por não ter colocado 30 mil pessoas lá (e com dinheiro público, claro), está provado que houve fraude eleitoral e que Dilma não teve voto nenhum...

Afinal, como é a vida desses pessoas que botam a culpa em Dilma, PT e nos seus eleitores até quando um cachorro faz cocô na calçada? Conheço algumas que no quesito "pequenas corrupções" não poderia falar muita coisa. Seriam decepções amorosas? Ingratidão de filhos? Abandono conjugal? Sociopatias não tratadas? Faz bem encher a boca para pedir um muro para isolar nordestinos, que os médicos cubanos sejam mandados embora e os pobres morram sem atendimento, que as "mães parideiras que vivem do bolsa família" morram de fome junto com seus filhos pobres diferenciados? Se não fizer bem, então por que essa PT-Rapia?

O que faz uma pessoa que distribui mensagens de cunho religioso e amor a bichinhos bonitinhos ter o ódio sempre presente nas suas palavras, como se expiassem todos os seus males? Possessão demoníaca? Será que realmente faz efeito o mantra "Dilma petralha anta gorda tem mais é que morrer" para baixar pressão arterial ou emitir ondas de energia positiva que acalmem almas atormentadas? Fica com os psiquiatras o estudo.

O fato é que essa gente está perigosa e se não fosse a distância entre teclados creio que já teria sofrido violências físicas. Da minha parte ficam a tolerância e a expectativa de que essa espiral de ódio arrefeça e as pessoas voltem a raciocinar. Vou parar de responder às agressões que fazem pelas redes sociais. Acho menos mal se ficarem remoendo suas vidas amargas com os seus pares na PT-Rapia. Afinal, parece ótimo jogar todas as culpas por vivências medíocres num inimigo comum.

Que assumam a realidade e não vivam a expectativa sebastianista, porque ela não virá se depender do povo que elegeu mais que Dilma, mas um projeto que já tem 12 anos e veio para ficar.