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segunda-feira, 17 de março de 2014

Salário mínimo de Lula e Dilma leva categorias à luta

A gente só vê aquela categoria de palpiteiros que alguns apelidaram de "economistas de bancos", às vezes nem economistas, nem de bancos, dizendo que tem que parar de elevar o salário mínimo acima da inflação. Aliás, dependendo da escola do "economista", nem salário mínimo eles querem. Primeiro disseram que haveria desemprego em massa de empregados domésticos. Depois que iria quebrar a previdência. Nem uma coisa, nem outra.

O que não disseram é que um fenômeno positivo está acontecendo silenciosamente: o efeito catalisador do salário mínimo em crescimento real está desequilibrando os salários relativos e levando as pessoas à luta por melhores salários. Vejamos alguns casos:

- João recebia em 2003 uma aposentadoria de 1 salário mínimo. José recebia 1,5 SM. João começou a ver o poder de compra crescer lentamente. José começou a perceber que o salário de João se aproximava do seu, e que já não ganhava mais 1,5 SM porque seu reajuste era apenas pela inflação, sem ganhos reais. Por volta de 2010, com o aumento real tendo alcançado 50% os salários de João e José ficaram iguais. A partir daí ambos passaram a ter reajustes acima da inflação, melhorando a situação de José. Pedro, que ganhava 2 SM, em breve terá seu salário igualado aos de João e José, pois o ganho real está chegando a 100% sobre 2003. João era gari na ativa, José era vigiae Pedro era professor. Pedro está revoltado porque agora ganha igual ao gari aposentado.

- Maria é empregada doméstica e sempre ganhou salário mínimo. Seu marido Antônio é gari e ganhava mais de um salário mínimo porque trabalhava numa empresa pública, com sindicato, piso salarial, reajustes todo ano um pouco acima da inflação ou igual a ela. O salário de Maria avançou mais rápido que o de Antônio porque o salário mínimo cresceu bem mais que o incremento salarial dele. Antônio também viu o salário mínimo chegar perto do seu salário, até que num certo dia o alcançou. E não aceita ganhar "igual a uma empregada". Ganhando pouco mais que ele estava Carlos, policial militar. Aline, comissária de bordo, mais acima. Silvia, professora, num nível maior. Antenor, bancário, também começou a ver o salário mínimo se aproximando do seu. Antônio, o gari, teve seu salário "afogado" pelo veloz SM. Fez greve e seu salário subiu 37% sobre o mínimo, acima do salário de Carlos, que logo ganhará o salário minimo, sem ter perdido nada. Aline, um pouco mais adiante, sente a chegada e acha um absurdo ganhar igual a um gari. Silvia, que sempre achou que professor deveria ganhar bem mais, diz que sempre ganhou "x" vezes mais o que um gari e agora está bem perto. Antenor, o bancário, começa a se sentir desvalorizado, afinal, não considera justo um bancário ganhar menos de "n" vezes o que um gari ou policial ganha.

Esses dois casos mostram como trabalhadores sem perder nada em relação à inflação podem estar revoltados porque os seus proventos, em número de salários mínimos, está cada vez mais reduzindo. Lula e Dilma fizeram a sua  parte elevando o piso mínimo salarial de todos os trabalhadores. Agora é cada categoria buscar elevar, com greves e negociações, a quantidade de salários mínimos que consideram justo ganhar, ou logo será mais difícil a patronal preencher certas vagas. É por isso também que os "economistas de banco" chiam muito quando atingimos os menores índices de desemprego da história. Para eles tem que haver uma boa quantidade de desempregados para forçar a baixa dos salários. 

sábado, 8 de março de 2014

MÍDIA BANDIDA 0050 : Sumindo com a greve dos garis do Rio

Greve continua. Prefeito, sindicato e mídia negam. 
Ontem o que se via na Globo sobre a greve dos garis no Rio era o esforço da Comlurb para eliminar o lixo acumulado, com garis trabalhando com escolta policial e privada para "protegê-los" dos descontentes. Nada sobre a manifestação de 500 garis que parou várias ruas no centro do Rio e fez manifestações. E nada sobre o desaparecimento dos garis de boa parte da cidade. No meu bairro sumiram. O que estão fazendo é livrar praças e áreas de maior acúmulo das pilhas de lixo, mas nas ruas menores continua o problema. O mau cheiro se espalha. Ratos e baratas fazem a festa. Crise sanitária iminente, mas isso não sai na mídia.

Hoje os jornais trazem uma nova versão do prefeito para a greve que "não existe": trata-se de um complô do cartel privado de coleta de lixo para privatizar a Comlurb! Mais uma acusação aos explorados garis. Nem o Boris Casoy seria tão perverso! Enquanto isso o Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação, filiado à União Geral dos Trabalhadores, lava suas mãos e continua deixando os trabalhadores em luta entregues à sorte por desafiarem sua autoridade como "fornecedores de escravos", aqueles que entregam à prefeitura a preços vis seres humanos para exploração a preços impostos pelo empregador. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Rio : A heróica greve dos garis resiste à prefeitura autoritária e ao sindicato pelego

Quando uma reivindicação é justa e está na cabeça da categoria não há quem segure. Um gari no Rio, trabalhando em condições insalubres, ganha muito pouco. Todo mundo sabe que R$ 803 (salário antes do reajuste de 9%) é uma miséria para quem livra a cidade dos seus dejetos. Por isso mesmo a população também não está pressionando. De 15 mil garis cerca de 500 estão se mobilizando em atos e passeatas, gritando para a sociedade que não aceitam restos. E hoje novamente estão em passeata no Centro, recorrendo à Assembléia Legislativa já que a Prefeitura não os recebe. Prefere colocar escolta armada para forçar o trabalho dos que não estão no movimento, pois parece haver "operação tartaruga" entre estes.

Vergonhosa a participação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio do Rio de Janeiro. Vinham trabalhando uma pauta de reivindicações para a data-base em abril. A greve aconteceu à revelia das suas instâncias. Fizeram de tudo para acabar com ela através de um acordo rebaixado para o que se pretende (49%), com índice de 9%. Pior ainda: seus dirigentes criminalizam os grevistas! Para acabar com a rebelião das bases, acertaram com a Prefeitura  a demissão dos que não voltassem ao trabalho após a assinatura do acordo. E ainda ficam inventando que há infiltração partidária, para que a mídia diga que é movimento eleitoreiro de oposição, etc, etc.

Nessa hora não tem filhinho de papai mascarado para apoiar a luta dos trabalhadores. Sem sindicato, sem apoio de outros movimentos, enfrentando a força patronal do Prefeito e a sua mídia aliada, nossos garis são verdadeiros heróis. Essa bravura merece ser valorizada com a pressão da sociedade sobre o Prefeito Eduardo Paes para abrir negociações e melhorar a proposta.

Paes tem em mente que precisa endurecer agora para calar todo e qualquer movimento que se assanhe quando começar a Copa do Mundo. Servidores municipais poderiam aproveitar o momento para reivindicar a parar serviços em pleno torneio, como houve na África do Sul. A atitude de Paes obedece à estratégia de sufocar movimentos que possam por riscos aos grandes eventos. Acreditando na sua força, ele vai jogando lixo no chão...