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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

YOUTROUXA 0118 : "Dilma disse ao JN que médicos cubanos atendem 50 milhões de pessoas por dia"

Há um perfil no Facebook nominado "ORDEM DOS MÉDICOS DO BRASIL" que entre outras características combate os médicos cubanos e o programa Mais Médicos. Tem 5808 membros. Apóia Ronaldo Caiado. Se fosse uma Ordem similar à OAB seria uma autarquia e aí o problema seria outro. Pelo visto só tem o nome, não a estrutura formal de Ordem. Até aí vai o direito à livre organização.

O problema é quando exageram no ódio político e começam a inventar coisas que depõem contra a imagem do corpo médico. O texto abaixo, já rebatido por diversas pessoas, mente ao dizer que a presidente Dilma Roussef, em entrevista ao Jornal Nacional, "afirma que cada cubano atende 4000 pacientes por dia". Quem vir o vídeo da entrevista a partir de 9:30 minutos não encontrará tal afirmação. A presidente afirmou que a cobertura médica no Brasil é muito baixa, não chega a 2 médicos por mil habitantes e que contratou 14.462 médicos para minorar esse problema. Segundo ela, os dados da OMS dizem que esse número corresponde à capacidade de atendimento de 50 milhões de pessoas. Ou seja, essa é a clientela em potencial, não os que foram atendidos.

Aí vem a manipulação político-eleitoreira através da difamação sobre o Mais Médicos, que chamam de "eleitoreiro e falso". Partindo da manipulação das palavras da presidente, que evidentemente os que a odeiam não se darão ao trabalho de conferir, afirma que "Dilma no ápice da entrevista ao Jornal Nacional disse que 14000 cubanos atendem 50 milhões de pessoas diariamente. É isso mesmo, caro leitor, cada cubano atende cerca de 4 mil pessoas por dia"...

Como é que um site que se diz ser organização de médicos publica uma falsidade dessas apenas para atingir um programa que hoje permite que muitas pessoas tenham assistência básica e ferir a dignidade da presidente Dilma? Qualquer pessoa de bom senso enxerga isso como má-fé usando o bom nome da categoria médica para fins políticos. E um bando de trouxas reproduz isso sem parar para pensar no absurdo sem o filtro do ódio.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Médicos cubanos : Diretoria da AMB não tem poderes para fazer plano de aliciamento

Direção da AMB descumpre estatuto para criar crise política no Mais Médicos - O estatuto abaixo (Associação com 3 "s") não dá poderes ao presidente nem à diretoria de criar um programa com o único objetivo de prejudicar a saúde nos lugares mais remotos do país através do incentivo à deserção. Foge ao escopo ético da instituição. 

No artigo 2o não se encontra nada entre as atribuições que não seja no âmbito da defesa dos seus associados. Como para a AMB os cubanos não são nem médicos, não teria sentido assumir uma luta fora do escopo estatutário. Muito menos contratar funcionários além dos necessários para dar andamento às necessidades da entidade, como no caso da médica cubana desertora. Pior: por salários acima do mercado para a função exercida. Ou usar qualquer recurso para imprimir cartilhas destinadas a "não médicos", "não brasileiros" e "não associados" a qualquer ente federado da Associação. 

O que dizer então dos serviços consulares para asilo no Brasil ou visto para um programa norte-americano cujo único objetivo é provocar a deserção de médicos cubanos a serviço em outros países? E advogados? Nada disso está no escopo da Associação, nem nos poderes da diretoria. 

 http://www.amb.org.br/_arquivos/_downloads/434181001358954783_estatuto2012_amb.pdf

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

YOUTROUXA 0045 : "Médico cubano é escravo"

Para quem está acostumado a achar que todo negro é escravo a idéia dos médicos cubanos não serem uma exceção passa fácil. O difícil é entender que os escravos de verdade estão no Brasil, de todas as etnias, e são explorados pelos chicotes invisíveis da submissão a planos de saúde e hospitais particulares.

A mídia sem caráter nem pudor tomou as bandeiras do mercenarismo de jaleco e implantou nas
cabeças de algumas pessoas com espaço de sobra na caixa craniana a idéia de que os médicos cubanos
terceirizados seriam escravos. Há na declaração uma forte contradição com a escravidão
historicamente praticada pela direita, seja pelo modo de produção escravagista ou capitalista.

Seria bom os brasileiros olharem para seus próprios rabos e verem que os planos de saúde, esses
que vivem esfolando os participantes e a toda hora tentando aumentar os preços e excluir serviços,
dão um imenso lucro aos seus donos. E de onde vem isso? Uma parte do sobrepreço cobrado aos usuários.
Outra vem da exploração pesada sobre os médicos. Pagam a eles uma micharia perto do que ganham.
Aí vêm falar de "escravidão cubana" porque na terceirização o governo de lá fica com boa parte
do que o governo brasileiro paga?

Deviam ter coerência e defender os médicos brasileiros da exploração desenfreada que está aí,
há anos, desde que saúde virou negócio acima da ética. Por que as entidades de médicos não vão
às ruas para denunciar o assédio de planos que exigem metas de exames desnecessários para ser feitos
nos laboratórios próprios? Nessa hora, tudo caladinho. Não interessa a eles mostrar que é
possível fazer saúde pública de qualidade, a preços baixos, sem desrespeitar a dignidade profissional dos médicos

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mídia Bandida 0022 - O alvo agora é a "medicina popular padrão FIFA"

Levar médicos ao interior é uma preocupação que antecede ao movimento de protestos de rua recente. Há prefeituras que oferecem bons salários para que os profissionais trabalhem em hospitais existentes. Há profissionais que reclamam de calotes das prefeituras e falta de condições de trabalho. Há médicos que trabalham em vários empregos para ganhar pouco nas grandes cidades. E há um custo elevado para os cidadãos e o poder público para tirar um doente do interior e levar para ser tratado num centro maior.

Em 1999 o então ministro da Saúde, José Serra, foi a Cuba tentar contratar médicos para preencher essa deficiência. Na época não houve o combate oposicionista (não deixar resolver) e ideológico (os médicos são "comunistas cubanos") que a mídia e entidades médicas dominadas por reacionários oferecem hoje. Esse discurso anti-estrangeiros, também xenofóbico, é demofóbico: não se pode resolver os problemas de pobretões forçando a "elite" médica a ir ao encontro deles, é a visão.

Agora o governo Dilma lançou o programa "Brasil mais médicos" oferecendo vantagens pagas pela união para profissionais irem para o interior, acabando com a ladainha do "calote do prefeito". R$ 10 mil no interior é coisa de rico, pois o custo de vida é muito mais baixo. O médico pode fazer um bom pé-de-meia e depois voltar ao grande centro mais experiente, botar consultório, não se sujeitar ao mercantilismo de saúde nem aos baixos salários públicos, etc.

A mídia bandida diz que o programa é "para importar médicos". Dilma, pelo contrário, diz que o programa valoriza os médicos brasileiros com oportunidades melhores de trabalho no interior e aprimoramento profissional com a obrigatoriedade de 2 anos no chamado "segundo ciclo" no SUS. A Globo já torpedeou tudo: assim como fez para derrubar o plebiscito, agora metralha com "especialistas", representantes de entidades e profissionais escolhidos a dedo a proposta de extensão da formação, e insiste na mentira de privilegiar profissionais estrangeiros. Tudo por dois motivos: fazer o governo fracassar, e não se gastar dinheiro com pobres.

A contratação de estrangeiros não será a prioridade. Eles virão caso não se consiga preencher todas as vagas em municípios carentes. O ciclo complementar de 2 anos no SUS será aplicado apenas a partir de 2015. Tudo ainda vai para o Congresso e poderá ser derrubado por votos comprados a peso de ouro pelo lobby dos mercantilistas de saúde e pelas entidades elitistas, que querem que nada seja obrigatório.

O "segundo ciclo" é baseado nas experiências inglesa e sueca, que têm o tal "Padrão FIFA". Se os coxinhas que foram nas ruas indignados e cansados com o estado da saúde pública tiverem sido honestos, o que Dilma propõe supera suas expectativas. A não ser que defendam os interesses dos mercadores de saúde, dos planos que oferecem cada vez menos profissionais e especialidades, das entidades que subornam profissionais com comissões sobre remédios receitados e exames requeridos, ou se estavam falando apenas em ter profissionais nas grandes cidades para não precisarem mais pagar planos.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Por que os médicos cubanos assustam?

Interessante artigo do blogueiro Pedro Porfírio que põe argumentos na discussão sobre a importação de médicos, que vem sendo tratada com preconceito, desconfianças ideológicas, corporativismo, tudo, exceto preocupação com as pessoas que precisam de atendimento em vastas áreas do país.

"Elite corporativista teme mudança de foco que abale o nosso sistema mercantil de saúde 

A virulenta reação do Conselho Federal de Medicina contra a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha, que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde. "...
mais em http://www.cebes.org.br/verBlog.asp?idConteudo=4398&idSubCategoria=30

sábado, 11 de maio de 2013

YOUTROUXA 0008 - Por que os médicos cubanos assustam?

Enquanto a elite médica faz abaixo-assinado para evitar que médicos outras nacionalidades trabalhem temporariamente em áreas carentes do país alegando que precisam fazer uma prova de validação de diploma que, se aplicada aos mesmos médicos que temem a concorrência, talvez não passassem, milhões de pessoas apoiam a chegada de profissionais que reduzem a enorme quantidade de óbitos por falta de atendimento. Afinal, por que tanto medo?

Não estão preocupados com a população. A questão é política, e sites de extrema-direita, que não gostam de povo nem de pobre, aproveitam-se da situação para criticar o governo. Veja o que os fascistas do OCC - Organização Contra a Corrupção - ninho de reacionários do Fecebook, pensa disso e faz circular posts contra a assistência médica aos pobres:

"Conselho Regional de Medicina do RS repudia importação dos médicos cubanos e a falta de política pública em saúde do desgoverno federal. É temerário também expor o povo brasileiro à ação dos profissionais cubanos pela doutrinação do regime comunista;só saem de Cuba agentes com missão especial, portanto, esses médicos são agentes que plantarão em pessoas simples do interior ideias revolucionárias, mas sobre isto o Conselho não pode comentar. "

Parecem estar preocupados com a "medicina comunista de Cuba", como se os médicos fossem aplicar algum tipo de remédio para "comunizar" as pessoas. Enquanto se pratica no Brasil uma medicina cada vez mais mercantil, anti-ética e antissocial, Cuba tem alguns dos melhores indicadores médicos do mundo mesmo sem recursos.

E aí, meu amigo e minha amiga que ficam repassando o pensamento das pessoas que querem o pior da saúde pública para te fazer pagar planos de saúde privados cada vez mais caros e piores? Teu filme...
Leia o texto abaixo e entenda mais por que não deve passar lixo adiante.  http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/por-que-os-medicos-cubanos-assustam

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Médicos estrangeiros : solução emergencial para o interior.

Quem não conhece o interior e só vê falar de saúde pública pela mídia desconhece que boa parte do sufoco que as unidades de atendimento médico das capitais passam é para atender a pacientes que se deslocam de outras cidades por falta de profissionais. Prefeituras do interior chegam a oferecer salários muito maiores que os praticados nos grandes centros, mais um pacote que envolve moradia grátis e outras vantagens, e poucos se habilitam a começar uma vida noutro lugar. Mesmo os recém-formados.

O que fazer? As prefeituras mais pobres sofrem porque cada doente significa uma viagem cara para cidades maiores onde haja hospitais. O governo federal fica de mãos atadas porque as vagas são de difícil provimento. As corporações de médicos acham que o problema está na oferta de maior atratividade aos profissionais, ou seja, prefeituras pobres têm mais é que pagar fortunas para ter um médico. E vamos vivendo a realidade de postos de saúde sem médicos, programas de saúde de família e preventivos inviabilizados por esse impasse.

A Presidente Dilma resolveu agir. Deve editar decreto em junho facilitando a vinda temporária de profissionais de saúde de outros países a serem direcionados para essas áreas do interior, atendendo a antigas reivindicações da Frente Nacional dos Prefeitos No mundo em crise há milhares de profissionais da área médica desempregados, em especial na Espanha e Portugal. Há ainda os médicos de Cuba, experientes em doenças que se associam em especial à pobreza.

Os inimigos do povo, que contestam qualquer ato do governo para melhorar as condições de vida dos mais pobres, estampam logo que Dilma vai promover uma "invasão cubana". A medida seria mais para ajudar Cuba que para cuidar da saúde, dizem eles.

As corporações médicas, preocupadas com que o possível aumento de oferta de profissionais qualificados possa gerar concorrência com os médicos nacionais e tomar-lhes os melhores empregos, são contrárias à medida, mas só apontam como saída o leilão de vantagens entre as prefeituras, ou que o governo federal banque benefícios diferenciados.

O Conselho Federal de Medicina partiu para o ataque, dizendo que tomará todas as medidas legais para impedir que diplomados no exterior venham aqui praticar medicina "irresponsável" sem a validação de diplomas, e chamou a medida de importação de médicos de "político-eleitoral".

Da minha vivência andando pelo interior do Nordeste acho procedente a reivindicação dos prefeitos. Tive informações de médicos cubanos que atuavam no sul do Ceará, um deles neurocirurgião, que foi responsável por milhares de atendimentos que, na sua ausência, aconteceriam em Fortaleza ou em Recife. E vivia na região, não era médico-viajante. Outra realidade que presenciei foi a do enriquecimento e empoderamento dos médicos do interior. Em poucos anos os profissionais se tornam pessoas muito respeitadas e queridas nessas pequenas cidades, montam consultórios e clínicas e alguns partem para ser prefeitos ou deputados.

Aproximar os médicos da população nos locais onde ela mais precisa racionaliza o sistema de saúde e traz melhores resultados. Levar saúde a quem precisa não deveria ser uma obrigação política apenas dos governos, mas deveria ter o apoio e propostas das entidades que regulam a profissão médica e dos sindicatos que representam o setor.

Pode ser que agora, com a determinação política de Dilma em acabar com o problema, outros setores da sociedade corram atrás de soluções. O mais provável é que haja reações elitistas de alguns, e de interesses econômicos em termos sempre uma saúde pública de má qualidade para sermos obrigados a pagar por planos de saúde privados, que estão cada vez piores.

É válida a preocupação do CFM e para evitar que profissionais mal formados entrem por essa janela há exames de validação de diploma que poderão ser feitos com os postulantes a esses empregos. Também da corporação médica há a preocupação com a migração dos profissionais para os grandes centros, o que poderá ser resolvido com contratos temporários explicitando os locais onde poderão exercer a profissão, renováveis caso as áreas continuem sendo de difícil provimento.

Existem soluções que preservem a qualidade da medicina e o emprego de profissionais. O que não pode é burocratizar excessivamente como forma de inviabilizar a proposta que se considera "político-eleitoral", e deixar milhões de pessoas sem atendimento de saúde. Nem que o lobby dos planos de saúde privados impeça a melhoria da qualidade da medicina pública e universal que, pela Constituição, é dever do estado e direito do cidadão.