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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Razões para acreditar na vitória de Dilma em 2014

Numa eleição três fatores combinados fazem o sucesso: bons candidatos, bons apoiadores e a capacidade de ambos conseguirem bons eleitores-apoiadores. Aécio fala bem, é jovem, mas facilmente enquadrável como "bon vivant", que nunca trabalhou no pesado, teve tudo de bandeja, etc. Seus apoiadores mais graúdos não agregam valor. FHC, Serra, Alckmin talvez sirvam mais como alvos auxiliares no bombardeio dos adversários associando-os negativamente.

Quanto a eleitores-apoiadores o que se vê é, no geral, os coerentes com a idéia liberal, o Consenso de Washington e um elenco de idéias conservadoras, que fazem defesas políticas sérias do candidato à luz da ideologia que defendem. São os 1% que não têm votos mas comandam a grande mídia.

Dilma tem histórico de vida política e pessoal louvável
E há os do oba-oba, os provocadores que não apóiam de fato o candidato, mas são contra outros e migram facilmente para outra candidatura que melhor realize seu desejo de destruir "o inimigo" e/ou dar-lhes a sinecura prometida, pouco importando se será prejudicado pelo seu "eleito" em seguida.

Pessoas de bom  referencial como apoiadores são muito importantes na formação de opinião positiva, daí a disputa por artistas e famosos. Ter um Lobão ou Roger ou globais sem noção como apoiadores não é o mesmo que ter um Chico Buarque. Ter identificação como queridinho da mídia bandida também não ajuda muito quando a tendência é de perda de audiência dos meios de comunicação em descrédito.

Dilma não é uma candidata perfeita. Sua expressão facial não consegue disfarçar a contrariedade em momentos onde a falsidade seria o indicado. Não tem jogo de cintura e não sabe atacar ou reagir com sutilezas. Mas passa uma imagem séria, de mãezona, de professora rigorosa, de gerentona, o que traz credibilidade. Tem um histórico de lutas e trabalho mais técnico que político. A ela nenhum vício ou conduta desonesta é associado. O jeito durão contrasta, por exemplo, com a imagem vacilante de Marina ou falsa de Aécio.

Ter Lula como apoiador, uma pessoa que teve quase 90% de aceitação ao final do seu mandato e elegeu sucessora é muito superior a ter um FHC odiado ao fim do mandato a ponto de perder a eleição do sucessor mesmo se apropriando do Plano Real, que nas suas mãos quebrou 3 vezes. Para milhões de pessoas / eleitores Lula é "o cara". Consegue dialogar com uma camada da população inatingível até para Dilma. Agrega muito valor.

A associação aos apoios pode fazer a diferença
Por fim, o eleitor-apoiador, o militante espontâneo, não partidário. O que reconhece virtudes que precisam vencer na disputa bem x mal. O que vê em 11 anos de realizações que trouxeram felicidade a muita gente como algo a continuar. E por esse sentimento se colocam à disposição de propagar as coisas boas da sua candidata e comparar com as coisas ruins dos seus adversários. Não são movidos por ódio. Pelo contrário, são pessoas com elevado senso de justiça, que amam ao próximo e não querem benefícios apenas para si. Esses são os apoiadores de Dilma, que não recebem qualquer centavo para fazer campanha, elogiam o que há de bom, criticam o que há de ruim mas não abrem mão de continuar no rumo que acham o mais certo.

Aí é que o Aécio perde. Seus eleitores não-ideológicos são raivosos. Espalham a mentira e o ódio que, quando percebidos pelos demais eleitores, voltam-se contra o candidato. Não têm como falar de algo positivo do seu candidato, apenas acentuam algo negativo do adversário. Tornam-se antipáticos à medida que se percebe o seu egoísmo, a crueldade em relação aos pobres e excluídos, a intenção de fazer prevalecer privilégios.

Marina também tem problemas de expressão, associa sua imagem a uma luta que para muitos é importante mas que não deve atrapalhar o progresso que, no fundo, é o que o eleitor quer. Do egoísmo do benefício imediato que pode auferir no candidato como uma sinecura prometida aos mais elevados ideais dos que não aceitam que a grande maioria fique fora das conquistas básicas como alimentação, energia e consumo de bens essenciais.

Campanha dos apoiadores de Aécio contra Marina e Dilma
Marina tem apoiadores de qualidade, principalmente técnicos identificados com a luta ambiental. E tem os que trazem recursos mas criam antipatia como o Itaú, que é um banco, algo que no imaginário popular é negativo. Essa relação não se limita a doar recursos como todas as empresas fazem a todos os candidatos de maior viabilidade. Entra na composição do discurso econômico contrabandeando as idéias do capitalismo mais devastador.

No quesito eleitores-apoiadores Marina está melhor que Aécio e pior que Dilma. O eleitorado de Dilma é consolidado, aguenta firme o fogo pesado da mídia e da oposição, não pula do barco com facilidade. O de Aécio vai começar a pular do barco a partir da ilusão de Marina derrotar Dilma, que é o que lhes interessa sem olhar para as consequências. E o de Marina, muito focado na juventude com vivência em redes sociais e incipiência política mais geral, também é imbuído de valores positivos relacionados à vida e ao ambiente, por isso mesmo sensível a deixar o barco caso a guinada da candidata à direita seja comprometedora do que defendem. Esses são os potenciais anuladores de votos. E agora chegou a galera do oba-oba, em especial os coxinhas da direita que pouco ligam para meio-ambiente, só querem saber de derrotar Dilma. Os desertores do Aécio podem na campanha tirar votos do núcleo mais coerente de apoio a Marina.

No contraste de realizações Dilma supera em tudo. 
 Aécio não está morto e seu comitê sabe disso. Passada a euforia da "novidade" Marina e passando uns dias onde as contradições se explicitarão, sabem que as coisas não ficarão tão fáceis para ela. A campanha de Dilma tem condições de avançar sem sequer bater em Aécio ou Marina, apenas afirmando realizações e mostrando os riscos da volta ao passado obscuro. Aécio e Marina lutam pela vaga e sabem que não adianta atirar mais em Dilma que tem um eleitorado fixo que tende a crescer com o horário eleitoral. Vão ter que bater nela para ter segundo turno, mas dividindo forças para ser o opositor caso aconteça.


A luta agora é pela redivisão de um eleitorado que era de Aécio e Eduardo associado aos que estavam indecisos. Dependendo do desempenho de Marina as insatisfações do PSB poderão levar insatisfeitos a apoiar Dilma por não aceitarem discursos e alianças à direita. Os militantes do ainda inexistente partido Rede, que se animaram com a ascensão de Marina, também não se sentem confortáveis com palanques com tucanos e propostas neoliberais. A campanha pode afastá-los da militância mais aguerrida. Na campanha de Aécio o desespero é grande, pois o candidato havia empacado nos 21% e agora vai cair ao perder votos para Marina. Vão ser implacáveis com ela, correndo o risco de martirizá-la, o que será muito pior.

Apoiadores de Aécio vertendo o ódio ao PT em cima de Marina
 Entre os recursos de campanha de Aécio está cada vez mais escancaradamente a Rede Globo. Já se propuseram a levar Marina para o interrogatório do JN para ser linchada, como tentaram fazer com Dilma. Acho que têm mais a perder que ganhar com isso. Se partem para acusações sem dar chance de resposta martirizam a candidata que sai como vítima. Se são bonzinhos com ela, como foram com Aécio e Eduardo, parece coisa de compadres e levanta a suspeita de terem bandeado para Marina, como alguns expoentes da Globo já insinuam. Aécio sem a Globo é caixão e vela preta. Marina com o apoio da Globo, como aconteceu em 2010 com a "onda verde", pode ser segundo turno. Como a Globo entende que um eventual governo Marina seria uma feira de lobbies, navegando ao sabor das forças mais influentes, teria chance de sobrevida, mesmo com Aécio sendo o seu candidato mais firme.

Nossa, escreviu um tijolaço. Tudo isso para dizer que confio plenamente na vitória de Dilma, tanto pela sua pessoa, pelos apoios e eleitores-apoiadores militantes. Ousaria dizer: no primeiro turno! Mas, se houver o segundo turno, também levará de qualquer que seja o opositor porque tem bem mais consistência e credibilidade.

Sugiro que a coordenação da campanha de Dilma não agende sua ida a programas de entrevistas de TV ou debates. Todos serão formatados para torturá-la, linchá-la e estuprá-la das maneiras mais vis possíveis. E ainda fica dando audiência para programa ruim.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Greve : Banqueiros fazem chororô em vez de propostas

Brasília 17/09/12 - Assembléia dos bancários deflagra greve geral da categoria
Se há um setor da economia que vem ganhando dinheiro no mole há décadas é o bancário. Juros, juros e mais juros, com o apoio de governos, risco pouco, céu de brigadeiro. Vem a crise internacional e lá estão eles, tranquilos, faturando como nunca. Cai a Selic e eles lá, negando-se a baixar os juros ao consumidor, no cartão, nos empréstimos, num escancarado esquema de oligopólio que explora a economia popular.

Quando chega a hora de pagar salários aos seus funcionários, choram como se fossem tirar um naco da carne para entregar a um bando de ingratos, que não entendem que eles já deram muito. Botaram uma proposta de reajuste de 6% desde o mês passado, foi rejeitada pelos trabalhadores e, de lá para cá, mais nada. No dia 12 de setembro assembléias em todo o país disseram claramente: se não tiver proposta até o dia 17 de setembro, vamos parar em todo o Brasil no dia seguinte. Não deram nenhuma resposta. Veio a greve, e com ela, esse lamentável comunicado da FENABAN:

"18/09 - FENABAN confia no diálogo 
“Lamentamos muito essa decisão”, disse o diretor de Relações do Trabalho da FENABAN, Magnus Ribas Apostólico. “Greve é ruim para todo mundo: é ruim para o bancário, é ruim para o banco, é ruim para a população, que já foi muito incomodada pela onda de greves dos funcionários públicos e não merece ser mais incomodada com uma paralisação dos bancários”, salientou. "

Respaldados pela mídia que sustentam (todos os telejornais e as principais revistas semanais têm patrocínio dos banqueiros), botam no Jornal Hoje imagens de populares revoltados com a greve. Hoje escolheram a dedo a de um cidadão que chama os grevistas de vagabundos. Na outra, uma pessoa que em vez de ir à loteria pagar uma conta, ficou tentando abrir a porta do banco fechado, e esculhambando a greve. Os banqueiros têm que oferecer mais dinheiro nos salários que a greve acaba. Já não basta o que prejudicam a população com altas taxas e juros, ainda querem prejudicar os funcionários?

sábado, 25 de agosto de 2012

Dilma pode derrotar greves de servidores por um tempo

 A proposta final de 15,8% parcelados ou nada feita pelo governo é do tipo "ou dá, ou desce". Faca no peito, porque até o dia 31 o assunto tem que estar resolvido para entrar no orçamento de 2013. Pelo ultimato do Ministério do Planejamento, as categorias têm até a terça-feira para assinar os acordos com o que o governo propõe, ou ficar sem nada.

Não tem mais papo, e dias descontados só serão discutidos com o fim da greve. Ainda haverá negociações com alguns setores neste fim de semana. Alguns setores já fizeram acordos de voltaram às atividades, mas a maioria continua em greve. A FASUBRA, que representa servidores de universidades já fechou acordo.

Quando aos militares, Dilma anunciará um pacote para melhoria dos soldos, que se encontram muito defasados em relação, por exemplo, aos da Polícia Federal. A proposta traria uma revisão trienal dos soldos, além das mudanças trazidas pela Lei 12705, que abre caminho para que as mulheres tenham plena igualdade na formação no oficialato, e da Lei 12598, de incentivo ao desenvolvimento na área estratégica de defesa.

O índice de 15,8% nos próximos 3 anos mal cobre a inflação, mesmo que se mantenha no patamar de 5%. A solução interessa politicamente a Dilma por acreditar que com esse acordo plurianual com os servidores ela navegará em paz até o fim do seu mandato, sem novas greves. Mesmo que consiga empurrar esse reajuste goela abaixo dos funcionários, muitos acordos estão sendo feitos à parte com setores do funcionalismo, como reestruturações, reposições de perdas, etc.

O histórico mostra que novas greves do funcionalismo virão, se não pelo descontentamento com os reajustes, pelo descumprimento desses acordos. Em julho do ano que vem uma nova safra de greves é possível, ou antes, para pressionar o Congresso na discussão do orçamento.