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quinta-feira, 12 de junho de 2014

FANOAPÁ 0070 - Começou a sabotagem explícita do PSDB & CIA à Copa

Sindicato da Força Sindical contra a "Copa do Tatu Derrado"
Em entrevista ao jornal virtual Brasil 247 o deputado federal Paulo Pereira dos Santos prometeu uma enxurrada de greves até a Copa. Até houve greves e manifestações lideradas por diversos partidos, mas a onda parecia ter parado diante da avaliação de ser negativa a repercussão diante da vontade popular de ver e participar dos eventos.

Surpreendentemente, em cima da hora chega a notícia de uma paralisação de aeroviários no Rio de Janeiro a partir das zero horas de hoje. Sem os trâmites legais como assembléia, aviso em jornais, etc. Em uma categoria onde o sindicato nacional fechou acordo com os patrões em 03/06/14 mediante aprovação em assembléias. Uma greve restrita ao pessoal que trabalha em terra nos aeroportos do Galeão, Santos Dumont e Jacarepaguá, ou seja, grande potencial de bloquear o tráfego aéreo com repercussões na malha de todo o país.

O Sindicato Nacional dos Aeroviários, em seu site na internet, informa que não convocou nenhuma greve para a Copa:

SNA não convocou greve durante a Copa

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SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários) informa que não está convocando greve para o dia 12 de junho, no Rio de Janeiro. Essa entidade já fechou acordo com as empresas aéreas no último dia 3, referente a Campanha Salarial 2013/2014. A assinatura de atualização da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) ocorreu após a categoria aceitar a proposta apresentada pela empresa, durante assembleias realizadas por essa entidade.
O acordo fechado entre empresas e trabalhadores garantiu a extensão da licença maternidade de quatro para seis meses. O reajuste nos pisos foi de 7%. Nas demais cláusulas econômicas, como salários, vale refeição e vale alimentação, a reposição foi feita de acordo com o INPC (Índice Nacional de Preço do Consumidor), de 5,6%.
A direção do SNA informa que não é oportunista e acata a decisão do trabalhador. Porém, algumas bases desse Sindicato, onde houve a tentativa de criação de novos sindicatos, estão convocando paralisação, na tentativa de confundir a categoria e a opinião pública. A direção dessa entidade já passou essas informações tanto para o MPT (Ministério Público do Trabalho) como para o SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas).

O direito de greve é sagrado. Nefasto é o poder de usar os trabalhadores para fins eleitorais. Paulinho da Força controla a Força Sindical, à qual o Sindicato dos Aeroviários do Município do Rio de Janeiro é filiado. Paulinho, presidente do Partido Solidariedade (SDD) apóia publicamente o candidato do PSDB Aécio Neves e hostiliza a presidente Dilma Roussef, como ficou explícito nas comemorações do 1o de maio em São Paulo.

Sob a fachada de promover melhorias para uma categoria em greve "rebelde" ou contar com o "efeito-gari", já que existe um acordo homologado pela categoria, a real intenção parece ser a de inviabilizar a Copa. O PSDB já foi à justiça para permitir que se entre com cartazes e faixas políticas nos estádios, incitando a violência nas torcidas. Também tentou censurar a Presidente Dilma pedindo ao TSE punição para o seu discurso em rede de rádio e TV de esclarecimentos e promoção da Copa. Vão botar nos estádios claques para vaiar e xingar a presidente. Pensam que impedir a Copa trará votos a Aécio. Essa sabotagem pode lhes custar caro.

Apesar de dizer que 80% dos trabalhadores trabalharão normalmente, manifestantes  agora pela manhã estão obstruindo os acessos aos aeroportos no Rio. Pelo visto o objetivo maior é criar problemas à Copa, mas a hora do "#naovaitercopa" já passou. Agora o que vier é sabotagem, terrorismo e politicagem. Um típico caso da FANOAPÁ - Falta de Noção que Assola o País. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

FANOAPÁ 0069 : "Vote em mim porque acabei com a Copa"

Estádios com padrão Brasil de engenharia e arquitetura
Os dias que antecedem o primeiro jogo da Copa do Mundo estão carregados de confusão e tensão porque até há um mês atrás o discurso "#naovaitercopa somado à manipulação sistemática de informações fazia crer que seria um retumbante vexame de infra-estrutura. A incompetência viraláctica (viralatismo com dimensões de Via Láctea) do brasileiro mais uma vez mostraria ao mundo nossa incapacidade de sermos lindos, limpinhos, cheirosos e inteligentes como os gringos. Não ia ter Copa, e pronto.

Campanha da VEJA de descrédito da Copa
De repente a ficha caiu. Aeroportos, portos, centros de comunicação e segurança, estádios, vias de acesso, novos transportes, tudo entregue para funcionamento. Seleção escalada. Amistosos com vitórias do Brasil. Milhares de jornalistas chegando. Seleções estrangeiras recebidas com festa. Turistas se acomodando de todo jeito. Ruas se enfeitando nos bairros populares. Povão comprando TVs, cerveja, carne para o churrasco e fogos para ver os jogos. Empresas acomodando horários para os dias de jogos. Feriados. Vai ter a festa, os convidados estão chegando, o buffet está a postos, o salão enfeitado, o "núcleo pobre" da família já avança nos petiscos mas... "o núcleo riquinho" vai mas não está gostando. Que nem barata, quando não come, bota gosto ruim.

Perfil do senador Álvaro Dias (PSDB) no Facebook 
Ameaça terrorista - 2014
Saindo da analogia, teve gente querendo ganhar com o anti-Copa. Dando nomes aos bois: a Copa foi como um mamute, aquele bicho grande, lento, que era caçado pelos nossos ancestrais com lanças porque não conseguia reagir com velocidade. Durante 7 anos foi incessantemente ferido pela mídia bandida e pelos discursos eleitoreiros dos PS (DB + TU+ OL + B) com a ladainha do "tiraram dinheiro da educação e saúde para dar à FIFA". Ou o mantra "Copa corrupta, superfaturada pelo governo ladrão da Dilma e do Lula) e por atos como ir à "Copa proibida e pecaminosa" vaiar a presidente da República ou ficar de costas para o campo na hora do Hino Nacional. Botaram mais robôs enviando mensagens falsas na internet que todos os que se vê em Star Wars para minar a moral das pessoas, incitar o ódio e deprimi-las. E o exército de mercenários que espalham pela mídia mundial desinformação sobre o Brasil?

Vira-latas do #naovaitercopa
E agora que o povão já "comprou" a Copa e já diz que estádio não é palanque, ou seja, eleição é em outubro, mas agora é hora de futebol, seleção e festa? Como é que fica o discurso do "#naovaitercopa"? Pior: pesquisas recentes mostram que até os candidatos da oposição estão caindo e as pessoas estão cada vez mais refratárias às eleições, aumentando o número de indecisos. Como é que fica a partidarização da Copa, neste exato momento?

Na cabeça da oposição agora é o tudo ou nada: se a Copa der certo, ponto para Dilma e reeleição. Se tudo der errado e puderem botar a culpa nela, vitória da oposição. E não enxergam outro caminho: os estádios têm que virar grandes comícios eleitorais, fora ou dentro, com o apoio de artilharia da mídia bandida apontando aranha em quarto de hotel, vazamento em torneira, ônibus sem bateria, porta sem chave, etc, etc. Além, claro, dos anarco-nazi-fasci-mercenário-coxinhas & CIA, que vão tentar tumultuar tudo para desestabilizar o governo.

Demonstração de ódio ao Brasil e viralatice 
O PSDB foi ao STF pedir para que se permita a entrada com faixas e cartazes nos estádios, contrariando a Lei Geral da Copa que impede manifestações políticas, religiosas, etc, nos ambientes dos jogos. Qual o interesse de gente que sabotou tudo, que não deveria sequer ligar a TV para ver os jogos, de ir ao estádio com o intuito de antecipar a disputa eleitoral? Como é que fica dizer que a comida da festa foi fruto de crimes e todos se banquetearem? Cumplicidade, hipocrisia, falta de caráter ou tudo junto?

Estupidez do #naovaitercopa quase mata família - 2014
Graças à FANOAPÁ - Falta de Noção que Assola o País, a oposição ao tentar matar a Copa pode cometer um suicídio. Qualquer grupelho que trave a Copa com finalidades pequenas diante da grandeza planetária do evento (parei a Copa porque não tem asfalto na minha rua...) poderá ser rechaçado com o mesmo ódio que levaram anos inoculando no povo.


Experimentem no dia 12 deixar o metrô de São Paulo parado para sabotar o jogo de abertura... Primeiro será inócuo porque como disse Lula o povo vai a pé, de bicicleta ou de jumento ver o jogo. O hino do Grêmio também diz: "até a pé nós iremos /para o que der e vier /certo e que nós estaremos/ com o Grêmio onde o Grêmio estiver". O Mengão também tem uma música que diz "onde estiver estarei, ó meu Mengo". Torcedor não tem limites para a sua paixão, e se não tiver transporte vai chegar lá. Depois da execração pública da greve pela sabotagem implícita à Copa ficarão o PSTU dizendo que a culpa foi do Alckmin e o PSDB dizendo que foi culpa... da Dilma!

Parece estúpido, mas para quem está se afogando até jacaré parece ser uma boa bóia. Se conseguirem impedir a Copa, como fica o povão que quer circo? E o mundo todo? O que vão dizer no pós-tragédia da Copa? "vote em mim e no meu partido porque nós acabamos com a Copa do crime, da corrupção, do pecado, do PT, da Dilma e do Lula". Não parece uma boa tática, mas o desespero e o ódio cegam e certamente vão tentar politizar a Copa.

Falando nela, claro que ninguém escreverá uma só linha elogiando a sua perseverança e a do Aldo Rabelo, que aguentaram firmes todos os trancos e barrancos para chegar até a grande festa. Dilma estará no Itaquerão com mais de uma dúzia de chefes de estado, incluindo-se o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, Vladimir Putin, Angela Merkel, Joe Biden e muitos outros. Certamente no almoço anterior ao jogo todos serão alertados sobre as vaias que os inimigos da Copa darão quando ela oficialmente abrir os jogos. Essa é a expectativa, mas como a conjuntura está exponencialmente mudando nos momentos anteriores aos jogos, não será surpresa se as pessoas agirem com civilidade e até respeitarem a presidente, cantarem o hino e curtirem a festa.





segunda-feira, 9 de junho de 2014

BRASIL VIRA-LATAS 0027 - A Copa e o Assassinato no Expresso do Oriente

A dois dias da abertura da Copa crescem as expectativas dos brasileiros. A maioria sobre a possibilidade de sermos campeões pela sexta vez, sobre a seleção e a taça, ganhando em casa e espantando 1950.

Outros, sobre a necessidade política de tudo dar certo, já que esse empreendimento, onde para cada R$ 1 gasto pelo poder público envolveu R$ 3,4 do setor privado, teve um custo alto para os governos, em especial o federal, que não gastou nada mas levou toda a culpa pelo que deveria ser um fracasso e uma tragédia.

Um outro grupo, minoritário porém poderoso, foi derrotado pela simples existência da Copa que diziam que não haveria por incompetência de Dilma e Lula. Este ainda insiste na criação de algum fato que possa, ao mesmo tempo, fazer da Copa um fracasso e enterrar as chances eleitorais de Dilma.

São tantos os interesses envolvidos no fracasso da Copa que a imagem mais próxima do que aconteceria caso os inimigos do evento conseguissem seu intento seria a estória de Agatha Christie no seu livro "O Assassinato no Expresso do Oriente". Na ficção, uma pessoa é encontrada morta num trem com doze facadas e a dificuldade do detetive é saber entre os suspeitos quem fez isso. No fim, todos deram suas facadas por razões diversas.

Pode ter de tudo: ciberterrorismo contra sistemas vitais (água, energia, tráfego, sites do governo, aeroportos, metrô, etc); terrorismo mesmo (malas abandonadas com ou sem explosivos, bombas para causar pânico, sabotagens em transportes, etc); movimentos de vandalismo próximos aos locais de jogos; greves oportunistas de motivação político-eleitoral para impedir a circulação de pessoas ou buscar confrontos com o policiamento; martírio alheiro (como o que vimos com a manipulação dos índios em Brasília, jogados contra o policiamento para criar imagens de "denúncia" mundo afora), em busca de cadáveres midiáticos; bombardeio de desinformação por mídias, etc, etc.

O fato é que a população em geral está se tornando refratária às questões políticas e começando a viver o momento. Acanhadamente bandeirinhas aparecem nos carros e fachadas de prédios. Ruas são pintadas, o comércio vende mais, festinhas juninas mostram bandeirolas verde-amarelas, enfim, está começando o clima de festa que certamente explodirá com uma vitória do Brasil sobre a Croácia no dia 12, coincidentemente dia dos Namorados e véspera de Santo Antônio, ou seja, já tem festa garantida independente do resultado.

O viralatismo desesperado começa a dar espaço à racionalidade. Gringos chegando e gostando. Imprensa em todo o mundo enaltecendo o evento e mostrando belezas do Brasil. Já não são tão fartos em mostrar mazelas porque nos seus países já enxergam as mesmas coisas pela crise continuada. E no Brasil há pleno emprego, ascensão social dos mais pobres e outras realidades que estão entre os sonhos deles.

O jogo virou. O povo quer a Copa. Quem for contra isso será penalizado pelo imaginário popular. Dilma e o governo quiseram a Copa. Isso todo mundo sabe e cobra um preço pela tal falta de prioridades e toda a desinformação que as mídias espalharam. Agora isso não importa. Quem fizer algo contra a Copa terá a inimizade do povo. Isso pode chegar às vias de fato. Nem a mídia apoia mais os #naovaitercopa, porque é hora de faturar. A não ser a Globo com seu distúrbio bipolar, que fala mal no noticiário e fala bem na transmissão do jogo.

Quem dará a primeira facada e pagará o preço? Alckmin é sério candidato. O governo paulista não gastou dinheiro com o Itaquerão, por isso, pode-se pensar, não teria preocupação com o sucesso do evento. A fórmula seria criar um cenário de guerra em uma escalada de violência que chame a atenção do mundo e apavore os torcedores. Há dias a greve do metrô busca espaços de negociação. Tudo que recebem do governo é repressão. O Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) também quer ser atendido. O governo federal negocia com eles. Alckmin bate em todos. 

A greve do metrô continua hoje sem indicativos de negociação. A tensão aumenta e o governo do PSDB parece querer mostrar que com movimento social não se negocia, se reprime, buscando galvanizar setores de direita visando apoio nas eleições. Os grevistas, preocupados com a população, propuseram deixar as catracas livres e os trens funcionando enquanto há negociações. Alckmin não topou. E sabe que sem o metrô o acesso ao Itaquerão será muito prejudicado.

Tomara que o bom-senso prevaleça e nenhuma das possibilidades catastróficas que apresentei ou outras de maior criatividade se realizem e tenhamos sucesso na Copa com a vitória final do Brasil. Em todos os aspectos. 

sábado, 17 de maio de 2014

MÍDIA BANDIDA 0056 : Copa é excelente momento para greve na Globo

Há poucos dias a revista Forbes publicou no seu ranking de mais ricos do mundo que a família Marinho é a mais rica do Brasil, com R$ 68 bilhões de reais de fortuna. Essa notícia contrasta com os salários dos funcionários das empresas Globo, responsáveis com seu sangue e suor pela acumulação brutal de lucros pelos seus patrões.

A empresa vem fazendo cortes abruptos em salários de jornalistas, o que está causando insatisfação. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro acionou o Ministério Público do Trabalho para buscar mediação para os cortes. Segundo o site do sindicato "A resposta enviada pela empresa na semana passada foi considerada insatisfatória pelo Sindicato. Nela, a Globo afirma que os salários ficaram menores por conta da rigidez do controle eletrônico do ponto, adotado recentemente nas redações. Funcionários denunciam redução de até R$ 1.000 nos salários pagos em março."Isso foi em abril. Em maio os trabalhadores estão buscando mobilização para lutar contra as irregularidades na empresa.

Ainda segundo o site do sindicato, "Além do salário menor, há denúncias sobre jornadas de trabalho sequenciais de 14 dias sem folga, que a Globo alega ocorrer por um ‘acordo de cavalheiros’ com os funcionários. A DRT deverá questionar ainda a ‘dívida’ mensal de 21 horas, que a empresa diz ser referente aos sábados em que o jornalista não trabalha e recebe, e obriga o profissional a trabalhar mais do que a jornada legal de cinco horas mais duas extras."

Como a Globo está incitando, apoiando e repercutindo todo e qualquer movimento social que possa tumultuar o país às vésperas da Copa para depois conseguir ganhos políticos que trarão mais fortuna aos três irmãos Marinho, quem sabe sua mensagem não chega ao interior da empresa? Do mesmo jeito que se tenta pressionar o governo Dilma para conseguir ganhos, os funcionários da Globo poderiam tensionar a empresa, pelo fato de ser a TV oficial da Copa no Brasil. Uma greve agora traria enormes perdas para os patrões. Será que #naovaiterglobonacopa?

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Greves da Copa : O "Efeito Gari" é uma fórmula de sucesso?

Hoje os motoristas do Rio retornaram ao trabalho e às 16h haverá nova assembléia para definir os rumos do movimento. Na paralisação de ontem, liderada por sindicalistas de oposição à diretoria do sindicato com o apoio de outros sindicatos (petroleiros, comerciários de Nova Iguaçu, Conlutas), apesar da eficácia do movimento, houve reações bem diferentes das que ocorreram durante a greve dos garis em março de 2014.

Para entender melhor, a greve dos garis foi feita pela base do sindicato, atropelando a diretoria pelega que fez acordo rebaixado não aceito por boa parte da base. O movimento foi espontâneo, não teve quase nenhum apoio de outras categorias, foi duramente criticado pela mídia por acontecer durante o Carnaval, parecia fadado ao fracasso, mas se impôs e fez o prefeito Eduardo Paes, patrão da Comlurb, acatar o reajuste de 40% nos salários. Chamo de "Efeito Gari" ao movimento que passa por cima de pelegos sindicais arregados pelos patrões e obtém conquistas maiores que as institucionalmente conseguidas, fazendo greve pela base.

Como o dinheiro para pagar a nova despesa assumida vem dos contribuintes e não do bolso do prefeito, e havia o risco de emergência sanitária, ficou mais fácil arrancar essa grande conquista. Pouco importou se a greve aconteceu no Carnaval, afinal, foi resultado de rejeição a um acordo feito dias antes. E se não houve apoio explícito da população, como foi o caso da greve dos bombeiros há poucos anos, a sociedade chegou a apoiar o movimento ou pelo menos ficou inerte, sem oposição.

Ontem o jogo foi diferente. O sindicato pelego teve apoio de mídia para "denunciar" infiltração política (o lider do movimento é filiado ao PEN), que havia gente armada forçando os motoristas a parar os ônibus, que havia gente estranha ao movimento quebrando vidros de ônibus, e que o acordo feito há meses de 10% de reajuste era aceito pela maioria da categoria.

O prefeito Eduardo Paes lavou as mãos, disse que era um problema entre os motoristas e o sindicato patronal. Este, por sua vez, disse que o acordo assinado era válido e que não negociaria mais nada. Na população o impacto da greve não anunciada foi de perplexidade e de revolta, instigada pela mídia que só mostrava imagens e entrevistas de pessoas reclamando do movimento, reclamando dos altos gastos com transportes alternativos e a perda do dia de trabalho. A conta da greve foi mandada para o bolso do trabalhador em geral pela mídia. A Folha diz que todos foram vítimas de um racha entre sindicalistas.

O movimento quer 20% de reajuste e o fim da dupla jornada nos ônibus de menor porte, onde o motorista também é cobrador, um absurdo que submete a todos a riscos porque os dois trabalhos são feitos, às vezes, com o veículo em movimento. Isso e mais a cobrança de multas são questões que trazem os motoristas a apoiar o movimento, que foi forte ontem e, ao meu ver, deveria ter sido ampliado hoje para forçar a abertura de canais de negociação. Com a suspensão, haverá tempo para os patrões intimidarem os trabalhadores e para a mídia trabalhar a opinião pública contra a greve. Pode acontecer a reação que houve ontem em Florianópolis, quando usuários entraram em confronto com motoristas em paralisação-surpresa.

Há que se considerar que em greves de motoristas os patrões tentam mandar a conta para o reajuste de tarifas. Neste ano no Rio já houve aumentos acima da inflação, que teriam sido motivo de grandes protestos se não fosse a morte acidental do cinegrafista no protesto na Central do Brasil, causando refluxo nas ações violentas. O prefeito, salvo pressão irresistível, não cederá. O reajuste terá que sair dos lucros dos proprietários das linhas de ônibus. Aí o "Efeito-Gari" não funcionará, porque os patrões, jogando em casa com o apoio dos pelegos do sindicato, endurecerá sua posição e buscará o esvaziamento do movimento através da opinião pública e da repressão.

Várias categorias já se alinham para tentar o "Efeito Gari" no período da Copa. A Polícia Federal pode até conseguir ameaçar, mas a segurança poderá contar, na falta dela, com as forças armadas e empresas de segurança particulares ou terceirizações, por exemplo, de serviços de imigração nos aeroportos, e mesmo reforçar o lobby de empresas estrangeiras interessadas em faturar por aqui na Copa.

Os professores também fazem suas apostas, mas o cacife é mais baixo, porque educação nunca foi levada a sério pelos governos, e não será na Copa que haverá sensibilidade. Idem para os profissionais de saúde do sistema público. Pela lógica, quem gastou o dinheiro da saúde e educação com estádios não estará nem um pouco preocupado com a paralisação dos servidores.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Greves de professores: Hora de Dilma propor revolução na educação.

Formatura Inst. de Educação - Rio - 1947
Minha mãe era professora primária. Tem conhecimentos de grego, latim, música, filosofia, artes, etc. Pegava trem todo dia para dar aula em Bangu, subúrbio carioca distante 30km da sua casa, no início da carreira. Salário pequeno mas razoável. Formação de qualidade do Instituto de Educação. Escola particular no Rio só as religiosas (São Bento, Santo Inácio, São José, Marcelinas, etc). Alunos respeitavam professores, a sociedade valorizava professores, era uma profissão muito digna.

Estudei o primário e ginásio em escolas públicas. Depois me graduei em  duas universidades públicas. Muita gente da minha geração também, e tivemos bons profissionais. Com o tempo o nível das escolas decaiu, os salários se arrocharam, as escolas particulares passaram a concorrer diretamente e hoje há raras exceções de escolas públicas de qualidade compatível com as particulares.

O projeto de inclusão social começado por Lula e agora continuado por Dilma não pode parar apenas na erradicação do analfabetismo ou na maior escolaridade via Bolsa Família, Prouni, Ciência sem Fronteiras, Olimpíadas de conhecimentos, extensão da rede escolar, ônibus, etc. Tem que avançar bem mais. No ano passado, no rastro das manifestações de rua, Dilma conseguiu reservar o grosso dos recursos do pré-sal para a educação, vencendo os que queriam jogar o dinheiro nas prefeituras para quaisquer finalidades. De lá para cá a Petrobrás está batendo recordes em cima de recordes de exploração no pré-sal, e logo o fundo para a educação terá recursos bastante sólidos para perenizar um programa de educação de qualidade.

Vem por aí uma jornada de greves de professores. Por que Dilma não aproveita a oportunidade para anunciar um projeto de revolução na educação, com a programação de reajustes reais, acima da inflação, acima de um piso, por exemplo, de R$ 3 mil, seguido de um plano de carreira com forte apoio à requalificação, para num horizonte de 10 anos termos excelentes professores, bem pagos e motivados, fazendo a diferença? Que tal ampliar a oportunidade dos talentos que foram salvos da fome e da miséria para que consigam desenvolver seus potenciais e prover o país de bons cidadãos e profissionais? 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

BB : Funcionários vão à greve para conter ataque aos direitos

Amanhã (terça) as agências do Banco do Brasil poderão amanhecer fechadas em uma paralisação de 24 horas ou mesmo em protestos atrasando a abertura do expediente. Como normalmente as greves acontecem a partir de setembro, data base dos bancários, os clientes e a população vão perguntar:

"POR QUE PAROU, PAROU POR QUÊ?"

Parou porque viu violência contra direitos dos funcionários. Os bancários, por lei, desde a década de 30, têm direito à jornada semanal de 30 horas. Privilégio? Não! Comprovadamente a atividade leva a altos índices de doenças cardíacas e mentais, daí a jornada não poder ser extensa. Só o Felipão acha que bancário do BB leva a vida na moleza. Pelo contrário: as metas cada vez mais abusivas estão causando mais doenças e denúncias de assédio moral.

Em fevereiro, em vez de buscar cumprir a lei e buscar uma solução para as milhares de ações trabalhistas por descumprimento da jornada legal, a diretoria do BB resolveu aplicar um plano de cargos e funções que reduziu salários e mascarou o problema. Pressionou funcionários para aderirem ao novo plano, ou seja, a aceitar perdas. Não ouviu os representantes dos seus trabalhadores. Enfim, uma medida unilateral, de cima para baixo, violenta porque coage à aceitação das perdas.

O impasse continua. Uma parte dos funcionários cedeu à pressão e aceitou o tal plano. Outra se recusa a aceitar. O BB, que é dirigido pelo Governo Federal, portanto a Presidente Dilma é a chefe maior, parece não ter mudado nada desde que Lula assumiu há 10 anos o governo. Todo ano é um sufoco nas campanhas salariais. Agora houve um retrocesso que lembra os tempos de Collor, com ameaças prévias a grevistas, em vez de falarem em negociação.

Se você encontrar a sua agência fechada amanhã, ou em datas futuras, porque não há qualquer sinal de flexibilidade por parte da empresa, já sabe por que. Não jogue a culpa nos trabalhadores. A culpa é da Dilma, que parece não saber que no BB os demo-tucanos ainda mandam. E que não há sequer uma mulher em cargo de direção (mais de 50) . 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Servidores : Dilma passou o rodo nos reajustes

Reposição de inflação, se ficar na casa dos 5%, pelos próximos 3 anos. Ou aceita, ou fica sem. Ou dá ou desce. Quem não quiser, dias de greve descontado, sem chance de negociação. Assim está terminando a mais longa greve de servidores brasileiros. Hoje a maioria das categorias em greve já foi coagida a fechar o acordo. Um péssimo exemplo do governo que deveria ser dos trabalhadores aos patrões privados. Agora é por adesão: dou tanto, se quiser, pega, senão, é zero %.

PS: Agora às 19h, faltando pouco para o prazo se encerrar, há cerca de 20 categorias que aceitaram a proposta de reajuste e devem fechar acordo hoje. Até a sexta o governo deve enviar ao Congresso o valor acertado para constar no orçamento do próximo ano. 

sábado, 25 de agosto de 2012

Dilma pode derrotar greves de servidores por um tempo

 A proposta final de 15,8% parcelados ou nada feita pelo governo é do tipo "ou dá, ou desce". Faca no peito, porque até o dia 31 o assunto tem que estar resolvido para entrar no orçamento de 2013. Pelo ultimato do Ministério do Planejamento, as categorias têm até a terça-feira para assinar os acordos com o que o governo propõe, ou ficar sem nada.

Não tem mais papo, e dias descontados só serão discutidos com o fim da greve. Ainda haverá negociações com alguns setores neste fim de semana. Alguns setores já fizeram acordos de voltaram às atividades, mas a maioria continua em greve. A FASUBRA, que representa servidores de universidades já fechou acordo.

Quando aos militares, Dilma anunciará um pacote para melhoria dos soldos, que se encontram muito defasados em relação, por exemplo, aos da Polícia Federal. A proposta traria uma revisão trienal dos soldos, além das mudanças trazidas pela Lei 12705, que abre caminho para que as mulheres tenham plena igualdade na formação no oficialato, e da Lei 12598, de incentivo ao desenvolvimento na área estratégica de defesa.

O índice de 15,8% nos próximos 3 anos mal cobre a inflação, mesmo que se mantenha no patamar de 5%. A solução interessa politicamente a Dilma por acreditar que com esse acordo plurianual com os servidores ela navegará em paz até o fim do seu mandato, sem novas greves. Mesmo que consiga empurrar esse reajuste goela abaixo dos funcionários, muitos acordos estão sendo feitos à parte com setores do funcionalismo, como reestruturações, reposições de perdas, etc.

O histórico mostra que novas greves do funcionalismo virão, se não pelo descontentamento com os reajustes, pelo descumprimento desses acordos. Em julho do ano que vem uma nova safra de greves é possível, ou antes, para pressionar o Congresso na discussão do orçamento.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Greves : Mídia não sabe para que lado atira

Todo sindicalista sabe que greve ás vésperas de eleição é ruim para o partido da situação, daí a época ser propícia para reivindicar. Setembro é um mês pior ainda se o governo for o federal, porque categorias importantes como bancários e petroleiros podem ir às ruas.

A mídia de direita odeia greves, grevistas, sindicalistas e congêneres. Faz de tudo para derrubar os movimentos. Exige repressão. Exige punições. A questão é ideológica: trabalhador não pode ter muitos direitos senão os lucros diminuem para os patrões. Como também defendem o estado mínimo, sem políticas sociais e, portanto, sem muitos custos, para que os ricos paguem menos impostos, aumentar gastos com reajustes de servidores é algo a combater.

Causar estragos ao PT, Lula, Dilma e à esquerda em geral é o fio condutor das pautas nas redações jornalísticas. Como fazer uma greve imensa, como a dos servidores, prejudicar o governo sem apoiá-los para aumentar seus salários e, assim, aumentar o gasto governamental, justificando altos impostos?

Uma das poucas possibilidades é jogar com as contradições. Pressionar pela solução sem aumentar gastos, ou seja, negar reajustes, e por outro lado pedir repressão para que se produzam cenas de martírio nas ruas, o que paradoxalmente tende a reforçar o movimento na opinião pública mas desgasta o governo. Dúvida cruel para eles. 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Espanha : Banqueiros mandam e governo corta orçamento em € 27 bi

O governo espanhol perdeu a noção do perigo. Um dia após a maior greve geral do país em muitos anos, com atos violentos contra a bolsa de valores de Barcelona e confrontos, anuncia um corte orçamentário de 27 bilhões de Euros. Isso significará congelamento dos salários dos servidores públicos e cortes em programas sociais, previdência, etc. Os banqueiros agradecem pela presteza no atendimento às suas ordens, as bolsas sobem, a Troika européia abre champanhe, tudo bem para o capital. E o povo? E os 30% de desempregados? E os 50% de jovens sem perspectiva? A Espanha agora dispara na frente da Grécia e Portugal no ranking do país que terá a primeira grande convulsão social.

A prioridade do governo continua sendo reduzir o déficit para criar superávits fiscais e ter recursos para pagar juros de dívidas, não o desemprego. O autoritarismo está presente nas suas ações. Sequer convocam as centrais sindicais para discutir reformas, como a da previdência, desobedecendo a dispositivos constitucionais. Uma ditadura econômica está se instalando, e greves como a de ontem, que teve 77% de adesão, deverão se repetir e se intensificar, prometem as centrais sindicais. Mesmo com a proposta dos sindicatos de negociar com o governo um Pacto pelo Emprego, os direitistas no poder desprezam qualquer conversação e seguem cumprindo os ditames dos banqueiros. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Copa : FIFA quer lei anti-greve e que governo assuma riscos

O presidente da CUT, Artur Henrique , denuncia projeto de senadores que pretende criar um regime trabalhista discricionário específico para a Copa do Mundo de 2014, com a proibição do direito de greve de trabalhadores da construção, de segurança, de comunicações e outras que passam a ser consideradas estratégicas.

Além desse atentado à organização dos trabalhadores, a FIFA pretende passar ao governo (ou seja, aos cidadãos brasileiros) a conta por qualquer eventual problema que aconteça aos jogos (atos terroristas, acidentes, etc). Do site da CUT extraímos o texto abaixo com o que se  pretende:
"...A Fifa quer que o governo federal se responsabilize por todo e qualquer dano, mesmo os causados por possíveis atos de terrorismo e desastres naturais. Já o governo aceita responder apenas por atos de ação ou omissão praticados por agentes públicos a serviço...."

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Portugal : Grevistas politizam "Ai se eu te pego" contra crise

Essa nem Michel Teló esperava : Grevistas em Portugal botaram uma letra politizada na sua música " Ai se eu te pego" e saíram às ruas protestando contra a política de arrocho salarial, demissões e submissão aos banqueiros. Virou até o clipe "Ai não nos calam". Logo teremos uma versão em espanhol, pois lá agora aprovaram legislação para tornar as demissões mais baratas...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Urgente ! Fortaleza em pânico pelos arrastões

Urgente! Parentes começaram a me ligar de Fortaleza reportando o pânico que tomou conta da cidade a partir da greve dos policiais. Um grande arrastão, com mais de 50 pessoas, vinha pela Av. Santos Dumont e o comércio todo fechou. Pararam o trânsito e assaltaram motoristas próximo ao trilho. Em shoppings há seguranças armados postados em pontos estratégicos para reagir a invasões. O centro da cidade parou e há relatos de saques a supermercados nos bairros. Pessoas se refugiam em prédios de escritórios, evitando ficar na rua, ou em bancos e lojas. O shopping Center Um teria sido saqueado, em pleno centro comercial da Aldeota.

A grande mídia do Ceará até aqui ou não sabe de nada ou já faz o tradicional bloqueio de más notícias, aquele que em outros anos escondia epidemias de dengue e cólera nos meses de maior fluxo turístico e em seguida apareciam, do nada, milhares de casos. Apenas as redes sociais e o site do jornal O POVO estão noticiando. Cadê o Governador Cid Gomes? Continua com a política de matar servidor público de fome? Vai continuar desconhecendo a existência da greve? Deveria ligar a TV no programa Barra Pesada ou no Rota 190, segundo dica que recebi agora de uma amiga de Fortaleza. E o PT e o PSB, que fazem parte desse governo, vão ficar calados e submissos, ou chegaram a um ponto de degradação final, de assimilação do ideário neocoronelista?

Pedi para o meu povo de lá para mandar notícias, já que a onda de boataria se espalha com rapidez pelas redes sociais. Fortaleza pode não ter crime organizado como em outras capitais, mas tem a bandidagem capilar, difusa, que rouba qualquer coisa com um caco de vidro na mão, fora os "lanceiros", pessoas que esperam oportunidades ou bobeiras para fazerem furtos. O governo do estado até prometeu reforços das forças armadas, mas, pelo visto, foi mais  uma dessas coisas que ficou no discurso.

O Jornal Hoje, da Globo, acaba de dar a notícia com as habituais críticas aos grevistas, que estariam furando os pneus dos carros da polícia, e mostrando o centro de Fortaleza, na Praça do Ferreira, com o comércio todo fechado. Disse que o governo do estado recorrerá à Força Nacional para policiamento. Nada sobre reivindicações nem sobre as negociações. Menos ainda sobre a intransigência do governo do estado. Essa luta vem de muito longe, ainda da ditadura Tasso/Ciro. Fora a luta geral pela PEC 300, que já rendeu manifestações de policiais na cidade. Vide em http://blogdobranquinho.blogspot.com/2011/01/fortaleza-passeata-de-policiais-pede.html