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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Manifestações : Solidariedade não é crime, mercenarismo é politicagem

Qualquer manifestação exige logística de alimentação, transporte e materiais. Numa greve, por exemplo, dependendo da categoria, o trabalhador deixa de se alimentar na cantina da empresa quando está parado do lado de fora. Não recebe o vale-refeição pelo dia em greve. Quando o movimento não é forte e há desconto dos dias parados a renda mensal diminiu, principalmente em greves prolongadas. Para atenuar esses efeitos e fazer valer o direito do trabalhador a lutar pelas suas reivindicações se estabelece uma rede de solidariedade coletando dinheiro e alimentos para serem distribuídos nos piquetes. Nas primeiras grandes greves no ABC paulista as igrejas, estudantes, parlamentares e trabalhadores de outras categorias fizeram essa rede de apoio para manter o movimento por mais de 30, 40 dias.

A solidariedade também se estende à realização de manifestações de rua. Como é que se vai dar ao jovem que tem o dinheiro contado para incluir despesas extras de locomoção e alimentação para chegar ao local e ficar horas por lá? A tal "lista da Sininho", que a Veja se apressou em publicar como "denúncia" de pagamento a militantes, mostra um total irrisório de uns R$ 1600, o que seria muito pouco para pagar lanches e passagens, quanto mais para pagar R$ 150 para "militantes profissionais". Há que se separar o que é a justa coleta de dinheiro para apoiar uma manifestação e o que é pagamento a mercenários, ou seja, pessoas sem nenhum apreço pela causa que só vão lá por dinheiro.

O que se vê após a morte do cinegrafista da Band é um festival de acusações partidas de pessoas que se incluem entre os que poderiam ter recebido tais quantias. A primeira suspeita é : quem recebe para praticar violência também pode receber para dar declarações orientadas por gente interessada em denegrir imagens para fins eleitorais. O alvo escolhido foi o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, por coincidência uma referência na luta pelos direitos humanos e o responsável pela denúncia e CPI das Milícias, que botou na cadeia uma rede de mafiosos entranhada nas forças militares.

O fato mais relevante nesse sentido  é o da "adoção" de Caio e Fábio, os envolvidos no episódio do rojão, pelo advogado que defendeu o miliciano Gerominho, gratuitamente. Pode-se estar colocando na boca desses jovens as palavras necessárias à destruição de biografias, com o apoio da mídia bandida. O caso mais recente é o do Coringa, outro personagem que aparece nas manifestações, acusando o PSOL e o PR de Anthony Garotinho de patrocínio de ações como o  "Ocupa Cabral" até com policiais militares à paisana.

Na política existe de tudo. Em campanhas eleitorais ricas se banca ônibus que coletam pessoas nas comunidades pobres, em especial o lumpesinato, para levar a comícios, oferecendo sanduíches e diversão nos showmícios. As pessoas ficam o tempo todo porque os ônibus só retornam ao final. Para os da própria comunidade são dadas senhas para concorrer a rifas de bicicletas, geladeiras e fogõessorteadas em meio ao ato político. Isso á abuso de poder econômico passível de cassação de candidatura e mandato.

Nos atos violentos no Rio que vi pela TV parecia haver orquestração de natureza militar. O ataque a policiais na Assembléia Legislativa foi um exemplo. A partir de uma minoria potencialmente paga para promover a baderna se pretende criminalizar agora todas as manifestações, mesmo as legítimas, aquelas com pessoas lutando por seus ideais, arriscando empregos e gastando do próprio bolso para conquistar o que acha justo. Até essa manipulação a mídia está fazendo através da generalização do movimento como mercenário.

De tudo isso o fato é que há um morto que fazia o seu trabalho por um rojão que, se tivesse atingido seu alvo, poderia ter matado um policial, o que teria outro peso na mídia. O caso expõe a vulnerabilidade dos profissionais de imprensa instigados a concorrer com as mídias alternativas em meio hostil, sem nenhuma apoio de segurança. São verdadeiros correspondentes de guerra que sequer levam trajes adequados. O resto será um jogo de acusações ao sabor dos interesses políticos e eleitoreiros do momento. Depois isso passa, a família do morto leva para o resto da vida as consequências e alguns ganham com isso. Com ou sem patrocínio a mercenários. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

YOUTROUXA 0023 - Relatório secreto da PM-SP culpa PSOL e punks por vandalismo

Assim que foram abertos arquivos de informações pessoais de oposicionistas da ditadura se pode constatar os disparates que os arapongas e agentes secretos escreviam, muitos sem entender o que se passava. Muita gente foi presa,perdeu emprego, foi torturada, teve que exilar-se e até morreu por causa desse tipo de "ficha criminal" kafkiana. Ontem a Folha http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1295714-servico-secreto-da-pm-diz-que-psol-recruta-punks-para-protestos.shtml, que o PSOL teria pago a punks para promoverem os atos de vandalismo vistos na terça-feira passada.

O pior não é os réus criarem provas para acusar outros, já que neste momento há muito o que se investigar da ação da polícia nos atos da quinta-feira, quando reprimiram com extrema violência uma manifestação pacífica. Há sites ligados à corrente majoritária do PT que estão colocando esse relatório suspeito como "prova real" contra o PSOL. Parece que tem gente perdendo a noção e passando recibo de credibilidade à falta de transparência dos órgãos de repressão, e repassando essa "informação secreta" como digna de credibilidade.

As imagens fugiram ao controle da mídia que apoia a repressão e correram o mundo pela internet (razão pela qual agora a polícia estaria passando a roubar celulares e câmeras dos manifestantes e de qualquer pessoa que registre suas barbaridades). A cada porrada dada num manifestante aparecerão mais e mais pessoas solidárias. O movimento de São Paulo repercutiu pela TV e mídias sociais e agora em todo o país, até em Minas, onde o tucanato conseguiu na justiça a proibição de manifestações (quase um estado de sítio), e agora até cidades menores protestam.

A tampa de uma panela de pressão foi aberta, e agora transbordam insatisfações de setores que não enxergam um bom futuro nesta sociedade. Há anarquistas, punks, socialistas organizados e não organizados, curiosos, partidos que não dirigem o movimento mas querem faturar em cima, gente que vai na onda, gente que objetivamente tem foco na reivindicação (MPL, por exemplo) e muito oba-oba sem preocupação com as armadilhas do mundo real. Como soltar um cachorro criado em apartamento no meio da rua, podendo ser atropelado a qualquer momento.

Os governos devem descer dos pedestais e ouvir a voz dessas pessoas, que podem estar representando os anseios de milhões de outras que não se arriscam ou por comodidade não vão à luta. A última coisa é reprimir, porque a espiral de violência tende a crescer. É bom lembrar do caso do estudante Edson Luis, no Rio em 1968, cuja morte foi o estopim para manifestações imensas de rua que culminaram com o endurecimento da ditadura e o AI-5.

Basta um só morto para termos a explosão de ânimos, o que favorece em especial a golpistas de direita que baterão às portas do Judiciário (vide a deposição de Fernando Lugo, do Paraguai, acusado de omissão na morte de 17 pessoas numa reintegração de posse) ou dos quartéis para "restabelecer a ordem, acabar com a baderna e combater o comunismo". A direita já tem marcha marcada para o dia 10 de junho "com Deus contra o comunismo). É um misto de 64 com 68.

Governadores também devem tomar conta das suas polícias militares, para que não ajam com autonomia em relação ao poder civil. No Rio (PMDB), São Paulo (PSDB) e em Brasília (PT) houve um traço comum na ação policial, que foi a violência brutal contra ativistas em postura pacífica, podendo indicar indisciplina em relação à hierarquia civil. Não dá para vermos Alckmin, diante de tudo que foi mostrado, falar em "eventuais abusos serão apurados", e mesmo assim pela corregedoria, que é da casa, assim como os "relatórios secretos" da P2.

PS: Alerto que esse texto não afirma que o PSOL e os Punks foram os responsáveis pelo vandalismo. Aviso só porque tem gente que não lê o texto e acha que ele é favorável ao que está no tópico. Quem acredita no tópico é que é o trouxa, ok?