quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EUA : direita cresce e vai congelar Obama

Obama perdeu a maioria na Câmara de Representantes, e praticamente não aprovará mais nada sem a concordância do partido Republicano nos dois próximos anos. Como não tem partidos de aluguel nos EUA para comprar com mensalão, Obama ficará os dois anos que restam do mandato amargando fazer um governo sem mudanças substanciais.

Pior: a campanha dos republicanos motivou eleitores não apenas pelas questões onde suas promessas de mudança fracassaram (emprego, saúde, saída das guerras, recuperação da economia), como pelo preconceito implícito contra a sua figura. Ficará difícil se reeleger nesse cenário, a não ser que inventem algo bombástico para fazer crescer sua popularidade.

Interessante aqui no Canadá é a expressão de felicidade dos comentaristas políticos ao comentar a paulada que Obama tomou. Não dá para entender se são réplicas dos colegas da grande mídia brasileira, que adoram a direita, ou se adoram ver o governo americano se dar mal. O fato é que por aqui, pelo menos no Quebec francês, o americano não é muito bem visto. Aliás, tudo que fala inglês.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dilma : deu no "The Globe"

Uma das poucas coisas boas que acontecem quando a gente sai do Rio é não ser exposto à primeira página de "O GLOBO" nas bancas, com suas sanguinolentas e preconceituosas críticas a tudo o que pareça ter cheiro de povo. Ontem, aqui no remoto Quebec, dei de cara com uma notícia sobre Dilma no jornal canadense THE GLOBE and Mail.

Dei uma olhada para ver o estilo, e vi que era menos informado, mas bem mais honesto que o homônimo brasileiro. Situa Dilma como ex-guerrilheira marxista e atual pragmática do capitalismo. Fala da sua prisão, tortura, e pouco da sua ação no governo Lula. E que é a primeira mulher presidente do Brasil. Dá pro gasto. O povo por aqui lê muito pouco sobre o que acontece do lado de baixo do Equador mesmo...

Brasil : eleição acaba, a mentira continua

A matéria mais acessada deste blog foi a que esclarece a mentira espalhada pela internet sobre a proibição de Dilma entrar nos Estados Unidos (vide aqui). Acho digno de registro essa informação, porque por anos circularão pela internet os lixos deixados pelos anônimos terroristas que se aproveitam das liberdades da rede para jogar mentiras que, infelizmente, tornam-se verdade para incautos.

Essa matéria foi acessada nos últimos 3 meses por 15% dos que vêm ao blog. Ontem, dos 198 acessos, 25 foram dessa matéria. O mais preocupante é que esses que procuram saber se estão recebendo um "HOAX" (boato de internet), antes de automaticamente passarem a mentira adiante, são a minoria. E muito mais virá por aí, porque só vai mudar o preconceito: sai o operário, entra a mulher.

EUA: direita radicaliza contra Obama

Hoje haverá eleições parciais para os legislativos americanos. Por lá elegem-se deputados e senadores a cada dois anos. Hoje Obama tem maioria na Cãmara dos Representantes e pouca vantagem no Senado, o que permitiu aprovar a reforma do sistema de saúde a duras penas, estendendo a cerca de 30 milhões de pessoas, que hoje padecem da falta de hospitais públicos. Se o americano não tem emprego formal, com convênio médico, paga uma fortuna, se puder.

A eleição de Obama, por si só, mexeu com os preconceitos de muita gente. Ninguém fala, mas o fato é que a tolerância a um negro na presidência da maior potência mundial não é uma coisa pacífica. A gente conhece isso, a partir da chegada de um operário ao governo no Brasil, onde durante a eleição recente muita gente boa não apenas batia pesado no "apedeuta" Lula, como ficou irada com a possibilidade de eleger uma mulher.

Por ter uma formação acadêmica superior e um dos pais brancos, a direita americana "engoliu" parcialmente Obama. Quando eleito, até a fascista Ku Klux Klan, organização racista radical conhecida pelas suas roupas brancas com máscaras em cone e por cruzes queimadas, além, claro, de perseguir, torturar e matar negros, disse algo como Obama ser tolerável como um "negro de alma branca".

É aquela coisa: se o governo de Obama estivesse indo bem, calava a boca de muita gente. Como enfiou a economia americana num ralo ao ajudar bancos e manter duas onerosas guerras, aumentando o déficit fiscal e tirando boa parte da capacidade de criar empregos, o pau come. Imaginem se o governo de Lula fosse um fracasso? O preconceito seria oculto pelo "senso comum" implícito, como quem diz "alguém poderia esperar algo diferente?", ou seja, seria "normal" o governo de alguém sem formação superior fracassar, sendo uma questão de tempo os oposicionistas dizerem: "eu não disse que ia dar merda?".

A capa da revista The Economist tem como manchete "Angry America", ou "América Furiosa", com uma ilustração de uma turba ensandecida em torno de Obama exigindo empregos, menos impostos, criticando a política de saúde. É o retrato do movimento ultra-direitista chamado "Tea Party", que cresceu na classe média pregando furiosamente a oposição a Obama. O ódio é muito parecido com o da campanha daquele candidato que concorreu com a Dilma... como é mesmo o nome dele? Pelo menos o aborto e a submissão religiosa não estão na pauta por lá.
A campanha do Tea Party lembra a triste tentativa de golpe do "Cansei" brasileiro, aquele bando de riquinhos que queria derrubar Lula tendo por fundo o preconceito, mas aparentemente porque o governo seria responsável pelo caos aéreo.

A extrema-direita cresceu e apareceu nestas eleições americanas, e seu discurso empolga classes médias em outras partes do mundo, não porque apele ao senso comum das bandeiras óbvias (emprego, menos impostos, menos gastos supérfluos, menos burocracia), mas porque tem uma carga de preconceito implícita que reforça a crítica às políticas sociais. Na Europa está acontecendo o mesmo. Aqui mesmo no Canadá há um movimento contra as políticas sociais e pela redução dos impostos, colocando em risco o sistema de saúde, a assistência social e conquistas históricas que os americanos consideram coisas de comunista, pois por lá o comum é a pessoa ficar à mercê da caridade quando perde sua capacidade de vender trabalho ou adoece.

A mesma extrema-direita, também por causa do preconceito, botou as asinhas de fora nas eleições brasileiras. O mapa dos resultados mostra claramente que Dilma venceu no Nordeste todo, em Minas, no Rio e parte da Amazônia. Serra venceu no sul rico, em São Paulo e nas áreas de expansão rural do centro-oeste e Amazônia. Considerando a eleição do segundo turno presbicitária, pois se colocou o governo Lula e seus avanços contra a volta ao passado de fracasso e o preconceito, o que justifica que o eleitorado mais escolarizado e de maior renda tenha optado por um modelo que destruiu o país? Há muito o que explicar, porque a política parece ficar em segundo plano ante os preconceitos. Isso é uma das vertentes para o fascismo.

domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma eleita, é hora de agradecer.

Dilma não foi eleita sozinha. Teve a simpatia de muita gente que melhorou de vida, que passou a acreditar ser possível conquistar a dignidade, que teve um emprego, que passou à classe média, que teve terra e apoio no campo, que teve oportunidades na reestruturação do estado, nos que tiveram a oportunidade de um curso superior, nos beneficiados por saneamento básico e moradia, que compuseram boa parte dos votos. Também se destacaram os militantes dos partidos da base de apoio, e os meios de comunicação alternativa, como os blogs, o twitter, as redes sociais. Acima de todos eles, os que não acreditaram em mentiras, em demagogia, em preconceitos e não alimentaram a campanha de ódio da direita.

Também tem que agradecer ao apoio que Serra teve daqueles que o prejudicaram: a igreja reacionária, hipócrita e inquisidora; a Folha, Globo, Veja, Estadão e todos os meios de comunicação que todos os dias criaram factóides e fizeram péssimo jornalismo, afastando de Serra a "inteligentzia"; aos propagandistas de direita travestidos de jornalistas, que no exercício da calúnia escrita, falada e televisada, na urubuzação e na invenção contra Dilma levaram á militância muita gente boa que estava refratária no primeiro turno. Aos malasfaias, aos panfleteiros de Guarulhos e beatos direitista, por permitirem uma melhor visualização do tipo de ideário abraçado por Serra. A ajuda de todos eles para enterrar Serra abusando da inteligência alheia foi fundamental.

Mereceria um cargo no futuro governo o ex-deputado, ex-candidato a vice e atual nada Indio, aquele que deu à campanha mais sabor com frases de efeito contrário a Serra. Devia trabalhar como negociador no Ministério das Relações Exteriores, tratando de assundos das FARC e do Irã. Ou na erradicação da pobreza, onde já tem algumas idéias, como eliminar os pobres a partir da proibição das esmolas. Grande Indio! Vai fazer falta ao humorismo político. Já que é do ramo, poderia procurar uns bicos com o Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, que achou que Serra ia ganhar e fez gracinhas contra Lula, para a alegria dos mainardis da vida.

Dilma deve agradecer, até com um ministério, à Bolinha de Papel, que se tornou o símbolo da bravura ao derrubar o todo-poderoso Serra, aquele que só não criou o universo porque antes criou Deus para subempreitar com ele essa obra. A Bolinha de Papel deveria simbolizar a desburocratização, o fim da papelada, a bem da cidadania e da preservação das florestas. Vou mais: Bolinha de Papel 2018!

Da nossa parte, de nada, Dilma! Foi um prazer levar Serra e sua turma à lixeira da história. Agora que a direita foi passar um tempo no inferno, vai encarar a gente se não avançar nas conquistas sociais. Quem elege, cobra!

Dilma manda Serra para o inferno no Halloween

Serra é o candidato competente. Compete, compete e perde. Lula foi gentil com ele, dizendo que diminuiu na eleição. Na verdade, Serra se acabou. Para o bem dos brasileiros, e também para os seus aliados. Seu egocentrismo, centralismo e falta de caráter afastaram muita gente que investiu nele para ser o porta-voz da direitona.

Acabou levando para a cova um bando de gente e organizações nefastas, a igreja reacionária, inclusive o Papa da inquisição, uma porrada de picaretas que fazem da pregação da palavra de um deus seu meio de enriquecimento pessoal. Levou à desgraça a aposta do capital que queria ter na liderança da América do Sul um traidor das lutas do Brasil, formado politicamente nos EUA, que deveria combater os governos mais progressistas como um bom cão de guarda do imperialismo. Leva ainda os que queriam acabar com a ameaça de termos no Brasil a apuração da verdade na ditadura, e eliminar o risco de amargarem, finalmente, as punições pelos crimes cometidos e até aqui acobertados irregularmente pela lei da anistia.

Graças a ele o DEM foi aniquilado politicamente, e o PSDB entrará numa disputa fratricida nos próximos anos. Dilma governará com maioria no congresso, e poderá avançar em mudanças indeléveis. A direita perdeu a oportunidade porque teve um candidato muito ruim. Até uma mulher (terrível para eles isso), que nunca concorreu a nenhuma eleição, imposta por Lula, conseguiu vencê-lo. Com Serra, infelizmente, não foram para o lixo da história as idéias que fazem a injustiça social. Essa luta continuará, dia a dia, para sempre. Hoje, dia de todos os demônios (Halloween), foi o dia da Bruxa mandar os mortos-vivos para o inferno. Suas mentiras continuarão repercutindo. Que se apurem os escândalos do metrô paulista, e todas as denúncias contra ele. O inferno ainda está esquentando.

Montreal: 3.000 brasileiros devem votar

Não resisto a passar numa seção eleitoral em dia de eleição para ver o movimento. Como não ia votar mesmo, fui à seção no consulado brasileiro em Montreal, onde cerca de 3.000 eleitores estão inscritos para votar, abrangendo imigrantes do estado do Quebec. Há mais brasileiros votando em Ottawa e em Toronto.

Conversamos com algumas pessoas e há desinformação. Em geral as pessoas migraram para cá em busca de oportunidades melhores de vida. Alguns sabem o que está acontecendo, e consideram bom o movimento de turistas, com o real valorizado,etc. Para alguns, morar aqui já não é tão vantajosdo, mas a vida está estruturada e voltar agora seria abrir mão de várias coisas conquistadas. Mais tarde vou conferir quem ganhou a votação aqui. Não pedi voto a ninguém. A votação é feita em urna eletrônica.

Brasil : a incerteza vai vencer a certeza

Não vou votar hoje por estar fora da cidade onde voto (Fortaleza), mas por todo o período eleitoral defendi a candidata Dilma Roussef, do PT, inclusive o esforço para que vencesse no primeiro turno. Pelas suas propostas ? 10%. Pelo legado de Lula? 30%. Para evitar a volta da direita? 60%. Essa é a parametrização dos valores que levaram a esse apoio.

Hoje estou em Montreal, no Canadá, um país onde o estado do bem-estar social era exemplar. Digo "era" porque em todo lugar onde passamos há gente idosa e doente pedindo dinheiro. Em Toronto foi eleito um prefeito com a promessa de cortar impostos e gastos sociais. Essa tendência também está nos Estados Unidos, com o movimento "tea party", de extrema-direita do partido Republicano, que propõe acabar com os poucos avanços sociais do governo Obama. Na Europa temos xenofobia, com a expulsão de estrangeiros para não forçar a conta social, além do prejuízo aos gastos do estado nas áreas de apoio aos mais pobres. O mundo está regredindo para o egoísmo, o anti-social, e promovendo o "direito" dos mais ricos viverem sem arcar com os resíduos da desigualdade capitalista. Por que iria deixar uma brecha para no Brasil termos um presidente alinhado com esse retrocesso liberal e anti-socialista?

Serra é a certeza de um movimento nesse sentido, apesar de toda a demagogia que mostrou na sua campanha em busca de votos de incautos ou anti-petistas, anti-lulistas e, no fundo, anti-populares ou elitistas. Dilma é a incerteza: votar nela não garante nada, porque o Brasil está ligado aos movimentos do capital, cuja crise não terá fim sem antes promover muito mais miséria e desigualdade pelo mundo. Poderemos ter momentos de novas crises, inclusive no Brasil. Uma coisa é certa na incerteza: no que puder, Dilma não prejudicará os mais pobres em função dos mais ricos.

Serra é a certeza do retrocesso. Dilma, a incerteza do avanço para o socialismo. Essa é a opção, para a qual, infelizmente, por chovinismo ideológico algumas seitas farisaicas se opoem a "sujar as mãos" para evitar o mal maior da direita. Tal purismo, na verdade, é o medo de viver a realidade, é fazer política para poucos sectários. Mas tenho a convicção na vitória de Dilma. Espero a hora para comemorar menos a sua vitória, mas o fim da esperança da direita fazer o Brasil desequilibrar a balança social mundial para a direita.

sábado, 30 de outubro de 2010

EUA : campanha eleitoral supera a baixaria do Brasil

Na terça tem eleições aqui, mas não se vê um panfleto, faixa, cartaz, absolutamente nada nas ruas. Já na TV, os anúncios são de fazer a turma da baixaria do Serra corar de vergonha. A mensagem é direta: "fulano de tal trabalha numa empresa ligada à máfia e quer mexer com o dinheiro dos impostos - não é indicado para ser inspetor geral - vote Sicrano". Em cada mensagem aparece o patrocinador, geralmente a campanha do candidato, mas nada impede uma pessoa ou um grupo de bancar um anúncio esculachando um candidato e apoiando outro. Umas propagandas avisam que têm a concordância do candidato ou do partido. Outras dizem que não as têm.

O processo aqui é muito estranho para nós. Vou escrever com mais detalhes quando tiver tempo. Em suma, se você quiser votar, tem que se inscrever até um prazo antes das eleições. Receberá pelo correio uma autorização para votar em determinado local. No dia da votação, vai lá, recebe a cédula, assina, vota secretamente e passa um fax no próprio local de votação para o local onde se apura. Muito esquisito, e complicado.

É por essas e outras que as votações aqui têm baixíssima freqüência. A eleição não é muito politizada: as polêmicas são aborto, casamento homossexual, impostos, empregos. Os políticos não são bem vistos. A pouca campanha supera a do Brasil em baixaria, e o eleitor precisa praticamente tirar um título de eleitor a cada votação, que não é obrigatória. Menos da metade das pessoas participa do processo eleitoral.

NY : explosivos em avião reforçam discurso da segurança

Parece factóide de véspera de eleição, mas aqui não tem dessas coisas. Hoje um avião da Emirates, que vinha do Iemen, foi escoltado por dois caças da força aérea americana até o aeroporto JFK, em Nova York, por suspeita de trazer na carga explosivos colocados pela Al Qaeda num dispositivo a ser entregue a instituições judaicas.

Foi o suficiente para todas as emissoras de TV colocarem no ar a mensagem do presidente Barack Obama assegurando que o país está seguro, etc. Mandou reforçar a segurança nos aeroportos (logo neste sábado que vou sair daqui...), e diz que está tomando todas as providências para justificar alguma coerência como os bilhões de dólares queimados na guerra no Afeganistão e Iraque, teoricamente contra o terrorismo.

Na terça, tem eleições por aqui, renovando governos estaduais e parte do congresso. Toda vez que acontece uma ameaça terrorista, cresce o apoio ao governo. Se fosse no Brasil, diriam que é armação, mas aqui tudo é muito sério.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

NY : Serra anywhere II - a fixação

Preciso de tratamento. Saio do Brasil, não vejo noticiário, ando numa das maiores cidade do mundo e, eis que, de repente, ele está lá... Desta vez foi no imenso Museu de História Natural. Em meio a milhares de peças, apareceu a da foto ao lado, que logo me trouxe as péssimas lembranças, como se ouvisse a musiquinha "Serra é do DEM, Serra é do DEM tocando sem parar.

Pelo jeito vou ter pesadelos lembrando a campanha de Lula em 1989, quando a gente passava por cidades do interior do Ceará e as pessoas nos mostravam crucifixos, e até criancinhas diziam que Lula era a besta-fera, o demônio, o cão. O melhor remédio para tudo isso é espantar o medo da volta ao passado recebendo no próximo dia 31 a notícia da derrota do cabeça de abóbora de Halloween.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

NY: Serra anywhere


A gente paga uma nota para viajar ao exterior, encara horas de viagem para fugir ao pesadelo de encarar o Serra mentindo e contando vantagens na TV, e, andando num domingo pela Times Square, olha para o imenso display da Coca Cola e... lá está ele. Parece uma praga. Em qualquer lugar a gente se lembra dele.

O número que aparece abaixo não é o de votos, mas o de veículos vendidos por uma marca japonesa. Serra não chegará a tanto, nem com as armações que fez, nem com as que fará até o domingo.

O andar cabisbaixo parece antever a próxima segunda-feira, quando sua carruagem virará uma abóbora, suas mentiras continuarão sendo desmascaradas e ele sem a projeção de TV para se defender. Como disse a Marina Silva, Serra vai perder perdendo. Para alívio de Alckmin, Aécio, FHC e todos os inimigos que fez entre os seus, e para imensa alegria dos brasileiros, Serra conquistará seu lugar na lata de lixo da história.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

EUA : segurança anti-terror ostensiva

Bom, se o Rio de Janeiro tivesse demolidos dois prédios com a morte de 2.000 pessoas, acho que seria mais ou menos a mesma coisa. O fato é que nada se faz em Nova York, sem levar uma revista, uma geral, como chamamos no popular no Brasil, "baculejo". Aqui é o "baculation".

Peguei no Rio um avião de empresa americana, que ia passar por São Paulo, Washington e chegar a Nova York. No total, já descontados os fusos horários, mais as trocas de avião, 20 horas de viagem. A primeira pessoa que te aborda no caminho do check-in é o Supervisor de Segurança, que pergunta coisas estranhas, mas que fazem sentido na lógica da segurança anti-terror: quem arrumou a mala, está levando alguma coisa para alguém, depois de pronta alguém chegou perto, etc. Depois do check-in e do tradicional baculejo do raios-x, na hora de entrar no avião, dentro do corredor do "finger", lá estava de novo o Supervisor de Segurança fazendo as mesmas perguntas. Depois, outra revista, com detetor de metais e abertura de bagagem de mão.

Em São Paulo, tudo de novo. Salta todo mundo, entra todo mundo, outra revista, e enfim, viagem. Ao chegar a Nova York, veio mais uma esquisitice: por amostragem (e acho que por cara suspeita), chamam algumas pessoas para um teste no "ion-scanner", ou seja, passam levemente um papel na palma da tua mão, botam num aparelho que mostra uma porção de gráficos e no meu caso, felizmente, deu uma luz verde com OK, e o cara te manda ir embora. Depois fui ver o que era: o aparelho detecta rastros de explosivos ou drogas na pele.

Por toda parte em Nova York onde há aglomerações, como os metrôs, há cartazes tipo "se vir algo suspeito, denuncie", com um número de telefone 0800. Hoje no passeio à Estátua da Liberdade tivemos que passar por uma barraca enorme, cheia de detetores de metais e máquinas de raios-x, para poder entrar no barco. A gente mesmo começa a ficar preocupado. Vai que um maluco resolve atacar justo quando estamos aqui...

No final da tarde, passamos no local onde existiram as torres do World Trade Center e aí deu para imaginar o sentido que tudo isso faz. Nove anos depois, o tráfego no local ainda está desviado, o metrô que passava por baixo dos prédios tem acesso ainda precário, agora que estão começando as obras para ocupar o local novamente, e os pedestres têm que ralar por espaços estreitos, subir e descer escadas improvisadas, etc. Todos os dias as pessoas passam por ali e são forçadas a se lembrar.

Fiquei imaginando dois prédios de 110 andares implodindo naquele pequeno espaço. Depois, num memorial que tem na rua próxima, em frente à igreja de St Paul, as imagens e objetos mostraram muito mais que as cenas de TV que vimos à distância. Que clima de consternação que não deve ter tomado a cidade. Aí se entende também como a partir dessa tragédia o oportunista do Bush conseguiu apoio popular para começar duas guerras...

Campanha eleitoral americana : pior que Lei Falcão

Ontem bisbilhotei a TV a cabo do hotel, cujo último canal é o 1974, quase intermináveis as opções. E nem vi a TV Diário... Tem a Globo (canal 512), que felizmente não tem assinatura aqui. E tem um canal do legislativo, onde passa o que chamam por aqui de propaganda eleitoral, mas é muito tosco. Passa a foto do candidato, o partido, o distrito por onde concorre (voto distrital), e na imagem seguinte o e-mail, telefone e endereço. Só isso! Nem se mexem! Nem falam besteira, nada! É por isso que abstenção aqui é tão alta. Pior que a Lei Falcão, aquela da ditadura, onde tinha a foto, mas pelo menos uma voz dizia quem era o candidato e o que prometia.

Agora falando sério: Obama está passando o maior sufoco para tentar salvar pelo menos a maioria no senado, já que na câmara é certo perdê-la e, pior, ver crescer um grupo de ultradireitistas, o tal do Tea Party, que quer baixar os impostos e fazer o equilíbrio fiscal acabando com o pouco de programas sociais que tem por aqui. O Obama aprovou precariamente a extensão do seguro saúde para pessoas que não têm emprego, e os caras querem cortar. Obama chegou a ser chamado de comunista por isso...

Aqui em NY uma revista traz na capa "Palin President", ou seja, aquela figura bizarra que foi candidata a vice contra o Obama, de ultra-ultradireita, está correndo o país em pré-campanha para dirigir essa parada toda aqui. É mais ou menos como o atual vice do Serra fazer o mesmo, prometendo botar na cadeia quem dá esmolas, etc. Pior que a crise política, só a crise de inteligência que, never in the history of this country, se viu como agora. E mais: as eleições são agora no início de novembro, vão renovar parte do parlamento, e o único cartaz que vi na rua até agora foi numa loteria, como um aviso para que os eleitores votem.

Blog do Branquinho a partir de Nova York

- Considerando a moleza que nosso amado líder Lula está dando para viajarmos ao exterior, com dólar barato e salário com poder aquisitivo melhor que o da era FHC;
- Considerando que está fácil tirar visto para os EUA, porque a economia deles foi pro brejo e eles aceitam brasileiros numa boa para gastar uns trocados por lá;
- Considerando que os norte-americanos são hospitaleiros, tão receptivos, que até receberam um perigoso subversivo de nome José Serra que escapou de dois golpes militares, ganhou "green-card", bolsa em universidade e tudo, a troco sabe-se lá de que;
- Considerando que até a Dilma Roussef tem visto para entrar nos EUA, mesmo com toda a baixaria de campanha dizendo que ela está proibida de vir por aqui;
- Considerando que a conjuntura política do Brasil está a maior nojeira, e que não tenho mais estômago para aturar, e estou louco para acabar esta eleição;
- Considerando que estou cheio de amigos em Nova York, e que a cidade é uma Babel, onde todo mundo fala o que quer e todo mundo entende,

Viajei para os EUA na sexta e a partir daqui, como correspondente estrangeiro em NY, talvez consiga escrever melhor para os fiéis seguidores. Qualquer jornalista medíocre vem para cá, e com o rótulo de "correspondente em NY" passa a ser respeitado, porque não eu, que nem jornalista nem tão medíocre sou, não posso falar bobagens e as pessoas acharem que estou mandando muito bem? A vantagem é que vou escrever menos sobre política do Brasil, o que é bom para todo mundo. Fui.

domingo, 24 de outubro de 2010

Serra : a colheita do ódio

Quem ganha eleição é a economia. Quando o Plano Cruzado fez seu efêmero sucesso, Sarney elegeu uma esmagadora maioria no congresso e nos governos estaduais. Collor e Lula em 1989 disputaram as ruínas da hiperinflação de Sarney, e o candidato oficial, Ulysses Guimarães, mesmo com todo o carisma e projeção da Constituinte não conseguiu 10% dos votos.

Quando Itamar fez o Real e esse pareceu um plano estável, elegeu FHC, que se reelegeu antes da falência do projeto. Serra perdeu a eleição para Lula porque o Real quebrou duas vezes o país, e nem toda a privatização resolveu seus problemas estruturais.

Lula se reelegeu ainda explorando a herança maldita de FHC e colhendo os primeiros resultados dos programas sociais. E agora, com resultados excepcionais na economia, Lula deveria eleger sem problema sua sucessora. Isso não está acontecendo, e haverá uma semana para a campanha de Dilma tentar se alinhar às expectativas que seriam mais normais.

Como Lula tem 81 % de aprovação, e Dilma apenas 54%, em votos válidos? Por que essa diferença? É nela que está o sucesso da campanha de Serra, ou a deficiência da campanha de Dilma.

Ambos os candidatos têm deficiências de imagem. Dilma parece fazer um grande esforço para superar a timidez do seu perfil de técnica eficiente. Serra tem dificuldade de se fazer convincente, e parece todo tempo dizer que fez mais do que fez e prometer mais do que pode realizar. Serra fala descaradamente em fazer projetos que estão no PAC. Dilma não o faz com tanta credibilidade, jogando números globais mais focados na infra-estrutura que no cotidiano das pessoas. Serra fala em concluir metrôs de algumas cidades, já previstos no planejamento de Dilma, que fala em concluir a ferrovia Norte-Sul e a Transnordestina, fundamentais à matriz de transporte de cargas, mas onde ninguém vai andar.

Em termos de história, Serra tem muitos pontos obscuros não explorados adequadamente pela campanha, e sua campanha o coloca como a continuidade do Serra da UNE de 1963, como o homem de esquerda, corajoso, que deu motivos a ser perseguido pela ditadura. E o lado realizador, que faz parecer que o mistério da criação do universo está resolvido: antes do Big Bag, havia Serra! Dilma coloca sua trajetória com um grande buraco desde a prisão na ditadura até reaparecer na prefeitura de Porto Alegre.

A distorção do passado de Serra e a falta de conteúdo de realizações ao longo da história de Dilma é um dos fatores principais da sua supervalorização. A campanha de Dilma não compreendeu isso, e não bateu nas incoerências. Serra, que não era comunista nem socialista, mas da Ação Popular, grupamento com origem na Igreja Católica que na época colaborava com o lado pró-americano na guerra fria, teve um papel duvidoso na aproximação com Goulart, mais para um infiltrado pró-americano que para um revolucionário. A AP disputava eleições na UNE contra as chapas oriundas dos partidos comunistas.

Faltou explorar mais a mentira que é a vida política de Serra. Ele não é formado em nada, assim como Lula, mas passa por doutor. Teve favorecimentos incríveis ao longo da vida, como entrar para uma pós-graduação no Chile sem graduação, ocupar cargos em organismos multilaterais, fugir do matadouro do Estádio Nacional com uma carteirada, segundo ele mesmo, enquanto embaixadores de vários países sequer conseguiam se aproximar do estádio para tirar os estrangeiros.

A biografia de Serra oculta a figura do embaixador sueco Harald Edesltam, considerado o "Schindler sueco", pela atuação heróica na salvação de perseguidos durante o golpe de Pinochet. Ele conseguiu libertar, no local onde Serra estava, com o mesmo oficial que Serra disse ter aplicado o "caô" para sair, 84 pessoas, entre uruguaios e brasileiros. Essa sueco, ao ver que a embaixada de Cuba seria bombardeada pelos militares, correu lá com a bandeira da Suécia e declarou o local como extensão da embaixada da Suécia, impedindo a morte de centenas de pessoas que estavam lá. Teria Serra sido libertado por Harald, ou preferiu contar vantagem como o cara que salivou o Major Lavanderos como quem: diz "olha, vou dar uma saída, e amanhã eu volto para vocês me fuzilarem, ok?". Reconhecer ajudas não é de Serra, o todo-poderoso. Lavanderos foi "suicidado" dois dias depois disso.

Saiu do Chile para os Estados Unidos como se não devesse nada a Tio Sam, autor dos dois golpes militartes, com bolsa de estudos e benesses incompatíveis com as de um esquerdista na época, mas coerentes com as de um colaborador americano. Veio para o Brasil direto para a UNICAMP, junto com FHC e foi pulando de galho em galho atrás de oportunidades para si, sem terminar nenhum mandato. Essa é a realidade que a campanha de Dilma não mostrou para desconstruir a farsa que é o candidato adversário.

Dilma não explorou sua ausência no período de mais de 15 anos desde que saiu da prisão até retornar à política. Não mostrou as cicatrizes da tortura, seus efeitos psicológicos nefastos duradouros, sua fragilização e posterior volta por cima. Isso pareceria fraqueza, mas mostraria uma pessoa mais humana que a construção de marketing de executiva eficiente esconde. Serra não tem isso para mostrar. Parece um deus, sem defeitos, sem incoerências. E sem cicatrizes também, porque sua trajetória é a de um oportunista, que jamais correu riscos reais ou sentiu as dores da injustiça.

Serra mente sobre a família. Seu pai era dono de banca no Mercadão em São Paulo, onde o único sinal de pobreza é a roupa meio suja dos estrangeiros que trabalham com hortifruti. No mais, quem tem banca ali nunca passou sufoco, e os mais antigos acumularam bom patrimônio. Mas Serra diz que era pobrinho, coitadinho. A campanha de Dilma, buscando ser propositiva, passou por cima de todo esse rosário de mentiras.

Lula tem o corpo fechado em relação à mídia golpista, que não o destruiu desde que sua cabeça apareceu sobre a da multidão nas primeiras greves do ABC, na década de 70. A perseguição é implacável a ele e a tudo que criou, como a CUT e o PT. São quase 40 anos de mentiras contra Lula, cotidianas, sementes plantadas nas mentes para desconfiar dele e das coisas que faz. Lula conseguiu driblar isso, e boa parte da credibilidade que tem hoje tem essa componente, de resistente, de batalhador, que mesmo os adversários reconhecem. Os resultados da economia foram mascarados e combatidos cotidianamente pelas Mírians, Mervais e outros advogados da visão mais conservadora do capital.

Dos 81% de Lula temos que tirar essa componente pessoal, difícil de aferir. Nas suas duas eleições vitoriosas, teve que ir ao segundo turno, sem o lastro das realizações econômicas de hoje. Falou pelos mais pobres, e uniu um arco de alianças que dialogavam com o setor majoritário da população. E não teve 51% no primeiro turno. Seus 81% não são confrontados com ninguém, são absolutos. Quanto teria Lula se fosse candidato hoje? Não seriam os mesmos 81%, porque apareceriam outros fatores, estes que Dilma está tendo contra si hoje, semeados ao longo do tempo.

Até que ponto os votos de Dilma são a transferência de Lula? Não creio ser honesto atribuir ás limitações da candidata a diferença entre o que tem de votos e a aceitação de Lula. Mas acho insuficiente que não tenha ganhado o primeiro turno, deixando margem para a inflação da campanha de Marina para livrar Serra da derrota certa. O flanco aberto, no meu entender, veio do início da colheita de terror e ódio que Serra faz hoje: uma parte do eleitorado que votou em Marina viu Serra e Dilma como "igualmente ruins", e fez dela o seu Tiririca, o voto de protesto. Chegou a 20% com uns 3% do PV, 8% seus, e o resto desse tipo de eleitor, que com as ferramentas adequadas Serra arrebatou. Se 32% no primeiro turno, pulou para a casa dos 42%, onde parece estabilizado.

A campanha de Serra está aproveitando com muita "expertise" todo o ódio infundido ao longo desses 40 anos contra Lula, CUT, PT e a esquerda em geral, mesmo a que tenta se diferenciar no voto nulo. Na hora que a direita fechar o tempo, todos se encontrarão na cadeia. Basta ver como eles e seus apoiadores enchem a boca de saliva ao falar PT (o petêeeeeee), como se referindo a uma doença, ao demônio. E usa o mais descarado machismo, presente na sociedade, para colocar a supremacia do "homem poderoso" contra a "mulher frágil", presente no bordão "ela não vai aguentar". E potencializa o tabu do aborto também como arma contra o direito das mulheres serem donas dos seus próprios corpos, mesmo com a flagrante hipocrisia da sua vida pessoal.

Hoje vejo pessoas que por todas as razões deveriam apoiar Dilma falando do mesmo jeito, com profundo ódio, mesmo sem saberem porque. Imitação de exemplos que a toda hora a TV exibe. E que não tem, da outra parte, praticamente nenhum combate, porque a esquerda não se une contra a direita, tanto por contradições de pontos e vírgulas como por ideológicas, e até de fisiologismo.

Como Serra é maquiavélico e principalmente oportunista, quer ganhar as eleições mesmo que não tenha que respeitar tudo o que disse ao longo da sua falsa história. Busca os nichos do terror, do medo, do ódio e do preconceito para se aliar. Potencializa no povo pobre e na classe média um ódio de classe, de horror aos que questionam as injustiças sociais, de perseguição aos "inimigos do povo" com a eficiência de um Goebbels ou Mussolini. Não aceitam que os "subalternos" lhes digam o caminho correto. E levam com eles muita gente deficiente culturalmente, mentalmente e oportunistas como o seu líder, em busca de se darem bem pisando os pescoços da multidão onde estão imersos.

Ao ódio aos pobres e suas lideranças, cultivado pela imprensa da direita, está a promoção, no mesmo período, do sucesso individual, do modelo cultural norte-americano, dos "self-made men", dos "winners" contra os "loosers", hoje presentes na juventude alienada da política. A elite da direita quer ser a própria cultura, os próprios valores que cultivam mas não realizam. Querem que as mudanças sociais sejam sempre subprodutos das suas benesses, e não concessões por demandas dos do andar de baixo.

Serra está conseguindo dividir o país pelo ódio. Seu corte é vertical, atraindo gente de todos os segmentos para odiar pessoas dos seus próprios segmentos. Não é o tradicional corte de classes, de pobres contra ricos, mas de pessoas que querem se dar bem pisando nos seus semelhantes. Para eles, privatizar o pré-sal é uma bobagem, algo que "se eu estivesse lá ganhando dinheiro com isso também faria". Não faz sentido o discurso republicano, de interesses nacionais, distributivo.

Pelo contrário. Serra consegue aprofundar o discurso da prosperidade individual acima da coletiva como Lula nunca fez. É um emergente, um novo-rico, desses que sobe deixando um rastro de podridão e depois contrata um jornalista para escrever uma biografia nobre. De empresa que destrói irreversivel e maciçamente o meio-ambiente, e depois faz "balanços de sustentabilidade" supervalorizando as esmolas que concede em projetos midiáticos. Serra é esse modelo de gente, que não constrói por propostas, mas pela destruição dos seus adversários. Para a mídia do capital, isso é o normal, não há conflito.

O novo nisso tudo é o corte vertical que a campanha de Serra faz na sociedade. Hitler não construiu o ódio aos judeus, aos ciganos, aos negros e aos comunistas em poucos anos. Aproveitou sementes históricas, desde os "pogroms" da humilhação aos judeus à negação de alma pela Igreja aos negros e índios, à discriminação histórica aos povos nômades. Fez um soldado "ariano" odiar um soldado "não ariano", um operário "alemão" odiar um operário comunista, um empresário "católico" odiar um empresário judeu, alcançou o poder e nele se manteve pelo acirramento desse ódio, criando as bases para o extermínio humano, que, no caso dos judeus, era secundário à apropriação material das suas propriedades, nem que fosse um dente de ouro. Hoje Serra quer fazer da estrela do PT o símbolo do ódio. Hitler também usou o ódio a uma estrela, a de Davi, de seis pontas, para atingir o topo da sua "carreira".

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Serra: o candidato do Arco de Fogo

Arco de Fogo é o nome da operação da Polícia Federal, com apoio da Força Nacional, deflagrada em 2008 para combater a prática das queimadas e retirada ilegal de madeira nas áreas mapeadas como mais críticas pelo Ministério do Meio Ambiente, quando Marina Silva era ministra.

Segundo levantamento do professor de Ciência Política e pesquisador do IPEA, Antônio Lassance, Marina Silva foi castigada pelos eleitores dessa região, que vai do Acre ao Maranhão, enquanto Serra foi o grande vitorioso nas áreas dominadas politicamente por desmatadores. Vale a pena ler o seu artigo "O candidato do Arco de Fogo" e imaginar o que os desmatadores esperam de José Serra presidente.

Desabafo de eleitor do PSDB: a tomografia da fita crepe

Do site Carta Maior, reproduzimos post do jornalista Paulo Nogueira, eleitor do PSDB, onde desabafa após a farsa de Serra no Rio. Vive em Londres, e mantém o blog http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=2725. Ex-editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo, seu depoimento é incisivo. Demonstra o grau de desagregação que Serra provocou dentro do próprio partido e agora quer repetir no Brasil.

" A campanha de Serra é repulsiva, e acabou por afugentar do PSDB gente que, como eu, tradicionalmente opta pelo partido".

"NÃO SEI SE alguém se surpreendeu com as últimas pesquisas, que parecem consolidar a caminhada de Dilma rumo ao Palácio do Planalto.
Eu não.
A campanha de Serra é repulsiva, e acabou por afugentar do PSDB gente que, como eu, tradicionalmente opta pelo partido.
O episódio de ontem no Rio é apenas mais um de uma lista de pequenas trapaças de Serras. Ele é provavelmente a primeira pessoa no mundo a fazer tomografia por receber uma fita crepe na cabeça. O médico que o atendeu disse, constrangido, que o exame acusara o que todo mundo já sabia. Não havia problema nenhum.
Serra aproveitou para fazer fotos no hospital, em meio a extemporâneas e descabidas declarações de paz e amor hippie. “Não entendo política como violência”, disse ele. Serra entende política como uma forma de triturar todo mundo para chegar à presidência. O melhor quadro do PSDB para suceder FHC era Pedro Mallan, que foi sabotado de todas as formas por Serra.
Serra quer ser muito ser presidente. O problema é que os brasileiros não querem que ele seja.
Em farisaísmo, a tomografia da fita crepe equivale à célebre frase de Monica Serra segundo a qual Dilma é a favor de matar criancinhas. Não conheceríamos a capacidade de jogar baixo de Monica se um repórter não estivesse presente para registrar a ação maldosa da candidata a primeira-dama.
Dilma deve ganhar menos pelos seus méritos e até menos pelo apoio do Lula do que pelos vícios da campanha vale-tudo de Serra.
Ele tem que sair de cena para que o PSDB se renove.
É possível que ele arraste Aécio na queda, agora que repousam sobre o mineiro as esperanças de operar uma reviravolta. Dilma bateu Serra no primeiro turno, e Aécio disse que vai mudar isso. Faz alguns mandatos já que quem ganha em Minas leva a presidência, e por isso as esperanças se reabriram.
Só falta Aécio combinar com os mineiros.
A última pesquisa mostra que a distância de Dilma sobre Serra em Minas se ampliou em vez de diminuir.
Serra talvez possa culpar Aécio se a virada não aparecer, eassim prosseguir, como um interminável Galvão da política, mais alguns anos em sua louca cavalgada rumo à presidência, num titânico duelo de vontades contra os brasileiros."

Chora, Serra! Lula tem novo recorde de empregos.

Em setembro foi registrado pelo IBGE o menor nível de desemprego desde que começou a série histórica há 9 anos. É dessas coisas que Serra e sua campanha tentam esconder com factóides e baixarias, porque nesse campo eles perdem todas. Não podem dizer que fariam igual, porque na crise de 2008 teriam adotado a receita da recessão que destrói a economia americana e européia. Lula apostou na marolinha, e ganhou, daí não caber Serra falar em "continuidade" de algo que não teria feito.

Nestas eleições, por baixo da cortina de fumaça há uma disputa de dois projetos que, apesar da semelhança na essência (não questionam o sistema capitalista), têm uma profunda diferença nas decisões e na forma de executar. Os tucanos insistem que o sucesso de hoje é fruto da semente plantada por FHC, e até que Serra poderia ser a continuidade de Lula, sem solavancos. Não é verdade: Lula conseguiu sucesso porque soube negociar com a sociedade, acima das classes. FHC e Serra não têm essa virtude, e fracassaram porque governaram pensando em poucos, fazendo dos pobres um detalhe de políticas compensatórias.

Crescimento sustentado de 7,5%, desemprego de 6,7% (quase pleno emprego), motivação para o consumo, crença no futuro, investimentos em expansão, tudo isso mostra o quanto Lula e Dilma estão longe de mostrar claramente o projeto que defendem, porque Serra e sua curriola fazem de tudo para esconder. Daqui prá frente, Lula e Dilma deveriam desprezar Serra e partir para o abraço. Deixem que o PT e a militância cuidam da tropa de choque deles, e a polícia cuida dos seus crimes eleitorais. Mostrem ao Brasil o que foi feito, para que a votação se aproxime dos 81% de credibilidade de Lula, conseguida contra a Rede Globo e toda a mídia golpista.

A Globo está ensandecida

A capa do jornal "O Globo" de hoje está numa linguagem tão radicalizada contra o PT, Lula e Dilma que faz os panfletos odiosos do bispo de Guarulhos parecer elogioso a todos eles. Primeiro, botam a foto da montagem com um "objeto voador não identificado" que teria atingido Serra a ponto dele ficar conto, referendado no JN de ontem como um rolo de fita pelo perito Molina, ex-Unicamp. Só a Globo tem essa versão, e jura de pés juntos que é verdade. A outra manchete é "Coordenador de campanha de Dilma "rouba" dados", mostrando que da disputa interna de tucanos com Serra e Aécio fazendo dossiês um contra o outro, a culpa é do PT, e vale qualquer mentira para atacar.

O episódio da bolinha de papel que derrubou o farsante Serra, a fraude do "novo objeto", onde Serra aponta para um lado da cabeça e o médico para outro, sem ferimento, hematoma, nada, e a conclusão do inquérito da PF sobre vazamento de sigilos trazendo a público a disputa entre Aécio e Serra atingiram o navio tucano abaixo da linha d'água. Ontem por duas vezes o simpático e sagaz presidente do PSDB veio a público, de forma clara e convincente para os seus padrões, dizer que os tucanos são vítimas do PT. Agora não é só Serra o frouxo, o partido dele, capaz de tanta baixaria, agora diz que é vitima. E serão mesmo: de uma enxurrada de votos em Dilma e do projeto de mudanças do Brasil que os tucanos não têm.

A loucura é tão grande que, para a Globo, funcionário em férias não tem vínculo empregatício! Alô DRT, é bom dar uma passada naquele prédio da R. Jardim Botânico, no Rio, e dar uma olhada nas anotações de férias do pessoal da Globo. Fizeram essa falsificação da legislação trabalhista para dizer que o jornalista do Estado de Minas que montou o dossiê contra Serra a mando de Aécio não trabalhava para o jornal "porque estava em férias".

Uma coisa é certa: as emissoras de TV que têm preocupação com sua continuidade após a eleição estão partindo para uma cobertura das eleições sem paixões. Puxam a brasa para o Serra, mas com discrição, sem distorcer demais os fatos e sem se comprometer demais com calúnias que podem vir a custar caro no futuro, em termos de credibilidade. Com a Globo e a Veja isso não acontece. Até a Folha, pela persistência de alguns bons profissionais, consegue dar algumas matérias fora do alinhamento com a extrema-direita.

Os meios de comunicação do PIG estão subindo os degraus para a insânia e jogando as escadas fora, como se o mundo fosse acabar em 31 de outubro! Tomara que para eles seja mesmo o início do fim. O mercado se auto-regula, e outras empresas tomarão seus lugares, quando caírem em desgraça por falta de consistência e credibilidade.