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domingo, 8 de abril de 2012

Viagem : De Zagreb a Dubrovnik de carro

Croácia - Auto-estrada A1 - Mar Adriático próx. a Sibenik
Escrevi parcialmente sobre essa viagem no post "Viagem : De Split a Dubrovnik - Croácia" . Agora, com as fotos e valores de despesas consolidados, é possível apresentar outros dados de interesse.

Começamos a viagem em Zagreb numa quinta-feira às 2 da tarde num Peugeot 308 alugado. A diesel. A rodovia A1, que desce de Zagreb para a costa, tem um pedágio diferente do nosso no Brasil. No posto de entrada dão um ticket que tem que ser apresentado no posto de saída, e o valor é calculado pela distância. É melhor que ficar a toda hora parando para pagar pedágios de trecho a trecho. Se for perdido o ticket, o descuidado vai pagar pelo maior valor possível de pedágio da estrada.

Chegamos às 19h a Split, viagem tranquila, com três paradas para café, abastecimento, etc, andando no limite de velocidade que na maior parte da estrada é de 110km/h. Andamos bastante na cidade, e ao fim do dia tínhamos rodado 480km.

No dia seguinte saímos às 9h de Split rumo a Dubrovnik. A auto-estrada A1 segue 100 km para o sul, onde tivemos que pegar o desvio pela estrada 513 até Ploce, estreita, perigosa, mas de belas paisagens. Não tem pedágio. De Ploce até Dubrovnik, passando pelos 16 km dentro do território bósnio, pegamos a estrada 8, de mão dupla, sinuosa, difícil de ultrapassar, também sem pedágio. Paramos três vezes, mesmo assim percorremos os 230 km em 4h. Chegamos a Dubrovnik às 13h e paramos o carro no estacionamento da cidade velha, que fica na ladeira que desce da estrada para a fortaleza. Do estacionamento anda-se 15 minutos a pé descendo uma escadaria até o portão da fortificação.

Pagamos 6 horas de estacionamento. Rodamos pela cidade à noite. No outro dia, fomos até o Forte Imperial, no topo do morro que fica adjacente à cidade, de subida muito íngreme. Saímos de Dubrovnik às 12h, rumo a Zadar para ver o por-do-sol, considerado um dos mais belos do mundo, num porto onde o mar toca música num órgão feito sob o cais. Paramos em Neum, na Bósnia, para fazer um lanche.

Entramos em Split às 15h, saímos às 16:40h (fotos), chegando a Zadar às 17:50. Bem na hora. Esse trecho foi muito corrido. Andamos muito de carro na cidade. No dia seguinte, saímos para Zagreb às 9:45h, passando por Karlovac, que fica a 20km da estrada A1, cidade histórica interessante. Entregamos o carro à Avis no aeroporto às 16:30h.

No total, rodamos 1.543 km. O consumo do carro foi alto considerado o seu motor 1.4, na média de 9,95 km/l, talvez por andar em relevo montanhoso. Nas subidas era preciso acelerar muito para manter a velocidade. O preço médio do diesel por litro era de 1,30 Euros, 3,14 Reais ou 9,70 Kunas.

O custo por km rodado médio foi de 0,31 Euros, 0,77 Reais ou 2,38 Kunas. Considero esse custo bem razoável, e que valeu a pena adotar a solução carro em vez de trem, ônibus ou avião. Todo o litoral é muito bonito, e se tivesse mais tempo teria aproveitado muito mais a facilidade do carro. Não cansa muito e saiu bem mais barato.

 O trecho entre Split e Dubrovnik tem poucas opções de abastecimento. No mais, a estrada A1, no trecho entre a bifurcação de Rijeka até o fim depois de Split é uma das melhores do mundo, uma grande obra de engenharia. De Zagreb até essa bifurcação o asfalto deixa um pouco a desejar, mas é muito segura.

Seguem os dados para a alegria dos planejadores de viagens. A primeira tabela tem todas as despesas discriminadas, e a segunda é a resumida. Na migração da planilha para o blog foram perdidas as formatações, mas dá para entender. Bom proveito e boa viagem.

DESPESAS COM VEÍCULO - Zagreb / Split / Dubrovnik / Split / Zadar / Karlovac / Zagreb

       EURO         REAL         KUNA     DESPESA
21,05 50,93 157,00     PEDÁGIO ZAGREB - DUGOPOLJE (SPLIT) 
9,49 22,97 70,08     POSTO CROBENZ - ZAGREB - DIESEL 7,2L
5,63 13,62 42,00     ESTAC. PARKING DUBROVNIK GARAGE - DUBROVNIK  
68,84 166,59 513,60     POSTO INA DUBROVNIK - DIESEL 52,84L 
4,56 11,03 34,00     PEDÁGIO DUGOPOLJE / VRGORAC (SPLIT/DUBROVNIK)  
4,02 9,73 30,00     PEDÁGIO VRGORAC / DUGOPOLJE / (DUBROVNIK / SPLIT) 
6,43 15,57 48,00     PEDÁGIO DUGOPOLJE (SPLIT) - ZADAR ISTOK  
4,02 9,73 30,00     PEDÁGIO RAVCA / DUGOPOLJE 
63,70 154,16 475,21     DIESEL 48,69L 
2,14 5,19 16,00     PEDÁGIO KARLOVAC/ZAGREB
11,93 28,87 89,00     PEDÁGIO ZADAR / KARLOVAC 
59,78 144,67 445,96     DIESEL PEUGEOT 308 - ZAGREB 
230,01 556,62 1715,87     AVIS ZAGREB - ALUG.PEUGEOT 308 - 3 DIAS 
491,61 1.189,69 3.666,72

DESPESA              EURO         REAL         KUNA           %
COMBUSTÍVEIS  201,81 488,38 1504,85 41,05%
PEDÁGIOS 54,16 131,06 404,00 11,02%
ESTACIONAMENTO 5,63 13,62 42,00 1,15%
ALUGUEL 230,01 556,62 1715,87 46,79%
TOTAIS 491,61 1.189,69 3.666,72  100,00%

Mais sobre a Croácia em:










sábado, 17 de março de 2012

Viagem : Saboreando milhares de fotos

Moscou - Museu Cosmonáutico 
Quem lê o blog regularmente pode acompanhar, em setembro e outubro passados, a viagem que fizemos pela Europa oriental. Tiramos mais de 18 mil fotos em 50 dias. Uma parte de locais turísticos que todo mundo vê nos guias e documentários. A grande parte, de coisas que não são atrações para quem viaja em esquema de pacote, e de coisas que gostamos e não sabíamos exatamente o que eram, por barreiras linguísticas ou por não podermos aprofundar mais o conhecimento por falta de tempo. É nessas que estão as descobertas.

Por trás de cada imagem há uma potencial pesquisa, e isso é o que fixa o conhecimento histórico e cultural após a viagem. Exemplo é a foto do post: quem vai a Moscou ver o Museu Cosmonáutico, onde estão expostas naves e equipamentos da conquista espacial soviética? A gente só vê a NASA, mas eles sempre estiveram à frente nas pesquisas e no desenvolvimento espacial. Dentro do museu está uma história que nos foi escondida durante todo o tempo de Guerra Fria. Não tem pacote de viagem que mostre isso, e mesmo que fosse, era para bater umas fotos e cair fora logo para ir ver outra coisa. Quem estiver por lá, é só pegar o metrô para a estação VDNK (linha 6), que segue a Prospekt Mira na direção norte da cidade. Saindo do Museu, é só atravessar uma avenida que chega ao Parque All Russia, muito interessante e enorme. Na volta, deve-se visitar o museu da famosa estátua do operário e da camponesa, que fica perto da estação. De quebra, já se visita algumas belíssimas estações do metrô. Isso tudo depois vira post do blog.

Até agora classifiquei e pesquisei informações de 8 mil fotos. Se quisesse escrever uma três matérias por dia para o blog sobre o que dizem as fotos, teria material para muitos anos. Fora as fotos há os registros escritos, que também contribuem para a bagagem adquirida. Depois vêm as estatísticas de custos, de tempos gastos, a análise das decisões tomadas na logística, o tratamento do conhecimento adquirido para aprimorar as novas viagens, etc. Com mais tempo, a idéia é transformar tudo num e-book.

Vamos ver se até o fim de abril terminamos, e postamos uma avalanche de matérias sobre os países visitados (Áustria, Alemanha, Eslováquia, Rep. Tcheca, Rússia, Eslovênia, Croácia, Bulgária, Hungria e Itália). Nesse meio tempo já estamos preparando um novo roteiro, antes que o câmbio fique ruim para nós. Desta vez, para o norte da Europa, em torno do Mar Báltico. Setembro. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Viagem : Optando entre transportes

Todo mundo diz que trem é a melhor opção para viajar na Europa. Pode ser, se considerada a hipótese de longas distâncias, onde se vai num vagão leito, economizando uma diária de hotel, durante a noite. Para curtas distâncias, parece haver casos e casos. Por exemplo, de Bratislava a Viena, que é um percurso que a toda hora fazemos. Ir de ônibus, ida e volta, custa 13,4 euros. De trem, 14 euros. Detalhe: a rodoviária de Bratislava fica a 1,2km do centro histórico, dá para ir a pé. A estação de trem fica bem mais longe. Em Viena, o ônibus para na estação do metrô que vai para o centro, e dá para ir a pé (1,2km) em 15 minutos. O trem para bem mais longe, e é necessário pegar mais de um metrô.


No transporte aéreo, deve-se considerar o tempo e a quantidade e preço de transportes para chegar ao hotel, etc. Uma passagem aérea mais barata, por exemplo, de Londres a Viena, por empresas de baixo custo, pode significar o custo de chegar ao aeroporto de Luton, em Londres, e o custo do ônibus do aeroporto de Bratislava a Viena (70 km). Fora o risco de andar com malas, bolsas e mochilas. Ou ainda, se a quantidade de bagagem for grande, pode ser necessário um táxi, e aí o custo é imprevisível, porque há máfias que trabalham sem taxímetro, etc.

Ônibus era a nossa terceira opção, mas está se revelando uma boa escolha. Nas viagens tipo "bate e volta", onde a distância é de até 200km, dá certo. Bem mais barato que alugar carro, e há menos riscos nas estradas, afinal, o motorista conhece melhor que você, e sabe o que as placas dizem. Bilhetes de ida e volta costumam ser mais baratos.

O aluguel de carro depende muito da situação. Se for o caso de viajar com mais de duas pessoas, de fazer roteiros com vários pontos de interesse em cidades diferentes, de fugir de hotéis caros nos centros das grandes cidades para ficar hospedado em cidades próximas, vale a opção. Devem ser considerados os custos de gasolina (está na base de 1,50 euros, ou R$ 3,50 por litro) e os pedágios, que não são tantos nem tão caros quanto os de São Paulo, mas pesam na viagem em auto-estradas. Ainda há a opção de usar as estradas nacionais, tipo Via Dutra, que não têm pedágio e geralmente são boas, mas sujeitas a passar em lugares de baixa velocidade.

Dependendo do lugar, da franquia nos seguros, pode-se alugar um carro, como farei em Bratislava, por 6 dias, por 210 euros, ou cerca de R$ 500,00. Isso dá uns R$ 83 por dia, num carro 1.2 Skoda Fabia, que é econômico. Preços compatíveis com as locações mais baratas no Brasil. No aeroporto de Viena o aluguel é bem mais caro, chegando aos níveis das grandes locadoras brasileiras.

O fato é que por mais que se planeje, aparecerá uma oportunidade de passagem aérea ou de locação mais interessante, que pode mudar a logística em certos trechos, por isso não é muito recomendável sair alugando todos os hotéis e comprando todas as passagens aéreas se a viagem for longa.

domingo, 11 de setembro de 2011

Europa Oriental : Planejando a viagem - parte 3

(continuação de Europa Oriental : Planejamento de viagem - parte 2)
ORDENANDO OS ROTEIROS

Esse é um trabalho interativo muito difícil, ainda mais com os condicionantes desta viagem. O melhor é lançar em planilhas as datas e os prováveis locais e submeter aos demais acompanhantes quantas vezes forem necessárias até chegar a um acordo. Na elaboração das propostas, levar em conta as informações de eventos locais que poderão ser visitados, adequação a finais de semana de algumas localidades, etc.

Até agora só consegui fechar o roteiro para os primeiros 20 dias, porque das informações obtidas nessa primeira fase da jornada sairá a validação da próxima. Se a barra pesar muito, temos a opção de ficar o resto do tempo entre Bratislava e Viena como moradores locais, já que não pagaremos hospedagem por lá.

O importante é a definição dos tempos parciais: serão 4 dias para Moscou, de tanto a tanto, e com base nisso a gente arruma as visitações, passeios, etc. O planejador poderá apresentar aos demais um projeto, já levando em consideração os horários de abertura dos locais de interesse, os roteiros a pé e interconexão com outros meios de transportes, a importância de cada coisa e a relação de coisas que, a princípio, serão descartadas por falta de tempo/prioridade.

Essas interações democráticas têm o preço alto da indefinição por longo prazo, por isso duas coisas normalmente acontecerão: razoável consenso ou aprovação por maioria. De antemão, antes de pensar de embarcar numa aventura dessas, você escolherá pessoas razoáveis, sem frescuras, que tenham afinidade com o teu ritmo, interesses e velocidades, ou que confiem o suficiente em você para aceitar tuas propostas sem questionar, e obterá o consenso. Se a coisa complicar e chegar ao impasse, votação será necessária, gerando insatisfações. O tempo para a busca do consenso deverá ser limitado, senão as etapas seguintes poderão ficar comprometidas, tanto em custos como em indisponibilidade de ingressos, hotéis, etc, por falta de decisões tempestivas.

AMARRAÇÃO DA PROGRAMAÇÃO

Com o roteiro aprovado, hora de fazer as compras possíveis para o momento. No caso desta viagem, cuja data de ida e volta já são conhecidas, em primeiro lugar compramos as passagens desses trechos. Quando se compra o ticket aéreo em ida e volta, o preço cai muito em relação ao que seria voltar de um lugar diferente da chegada. Nem sempre se pode fazer isso, pois há viagens sequenciais, ao longo de uma linha sem retorno. Como temos um ponto fixo de apoio, ir e voltar a Bratislava em diversas pequenas viagens durante a semana foi a solução que adotamos, com os seguintes trechos (alguns ainda sujeitos a reprogramação:
- Bratislava - Bulgária - Bratislava
- Bratislava - Romênia - Bratislava
- Bratislava - Alemanha - Áustria - Bratislava
- Bratislava - Moscou - Bratislava
- Bratislava - Polônia - República Checa - Bratislava
- Bratislava - Eslovênia - Croácia - Hungria - Eslováquia - Bratislava
- Viena - Itália - Áustria - Viena

Quando digo "Bulgária" isso quer dizer a capital, Sófia, e mais algumas cidades. Algumas coisas serão avaliadas no local. Pode ser que a cidade-alvo não demande o tempo planejado, e sobre para outras coisas. Apenas na Rússia é que nos limitaremos a Moscou, sem visitar outras cidades. O grupo tem que estar sintonizado com a possibilidade de mudanças a cada momento, pois reprogramações são possíveis. Em alguns casos , as coisas acontecem como na poesia Cantares, do poeta espanhol António Machado, onde um trecho diz: "Caminhante, não há caminho - o caminho se faz ao andar". Basta um mala-sem-alça no grupo para que este adquira a velocidade do mais lento.

ARMADILHAS AÉREAS

É muito comum ouvirmos falar em promoções de empresas européias que têm passagens aéreas de baixo custo. Na hora de ver preços, aparecem coisas muito baratas, porque os vôos chegam e partem de aeroportos longínquos das cidades, com acessos difíceis (nem todos), com escalas terríveis e altos custos por bagagem, sem serviço de bordo, etc. Fazendo a conta dos custos de tempo (em viagem, é dinheiro mesmo!), transportes, alimentação e riscos de vários transbordos de modais de transportes, a gente vê que a vantagem não é tão grande assim, em alguns casos.

Outra cilada é a das tarifas dos aeroportos. Entre no site do Decolar.com, Booking.com ou similares e marque um trecho em passagem internacional. Aparecerá um valor. Anote-o. Avance para o passo seguinte da compra. Aparecerá outro valor, contemplando acréscimos que podem chegar a valores bem maiores que o valor anterior. Esse é o valor real.

Em geral, empresas de grande porte admitem que o passageiro leve duas malas com o máximo de 36 kg cada. Uma mala a mais, mesmo respeitando os 72 kg totais, será sujeira a uma tarifa absurda, da ordem de 30 euros ou até mais. Quanto mais malas, mais caro, porque em algumas empresas o valor da quarta mala é maior que o da terceira.

Leve a bordo tudo que puder de valor, documentos e registros da viagem (fotos, arquivos, etc), porque malas têm o péssimo vicio de sumir ou aparecer abertas. Observar rigorosamente o que é permitido levar, por causa das medidas de segurança. Além do mais, dependendo do aeroporto, você poderá ser submetido a um "baculejo" pesado, e ter que mostrar tudo que tem na bolsa, passar por escanner de corpo, etc.

Quando definir a empresa aérea, verificar o terminal do aeroporto onde irá parar e de onde irá retornar. Dependendo do aeroporto, a romaria de um terminal a outro pode levar tempo suficiente para você perder o vôo. Chegar com mais de duas horas de antecedência é adequado, porque zebras podem acontecer na imigração, e isso tem que constar na sua programação com alguma folga para engarrafamentos, etc.

Sabendo o terminal, hora de examinar as opções de transporte ao hotel. Em geral os sites de aeroportos têm esse tipo de informações, e até alertas para as máfias do transporte que rondam as salas de embarque. Táxis e vans piratas podem ser armadilhas. O melhor é pegar um ônibus para um metrô e de lá chegar a cidade, onde se pode pegar um táxi com menos riscos. Pelo menos em tese, e isso se o taxista te entender. É importante ter noção das distãncias, e um mapa mostrando até os trajetos não seria um luxo, já que os recursos disponíveis na internet hoje permitem fazer isso com precisão.

sábado, 10 de setembro de 2011

Europa Oriental : Planejando a viagem - parte 2

Continuação de Europa Oriental : Planejando a viagem - parte 1


INFORMAÇÕES

Ainda nas informações preliminares, é importante saber se há horário de verão, e como está a duração do dia nos países a visitar. Ainda é verão, e em alguns lugares há luz do dia até as 19h, mas logo virá o outono, e acontecem casos, como em Moscou, do dia clarear por volta das 8 da manhã e escurecer às 3 da tarde. Esse dado é fundamental para a programação.

Mapas hoje há em várias fontes, de GPS a celulares, Google Earth, sites de turismo. Optamos por não levar o GPS, que é muito visível, preferindo baixar os mapas dos países gratuitamente do site da Nokia para os nossos celulares. Há relatos de insegurança em alguns dos lugares, e quanto mais discretos formos, até na vestimenta, para não parecermos turistas, melhor. Nada de exibir laptops ou outros aparelhos em público. Nada de bolsas para câmeras, objetivas, etc. Pode parecer exagero, mas é melhor prevenir.

Apesar de ninguém pretender aprender várias línguas em curto espaço de tempo (só se fosse como em Matrix, onde faziam "download" de conhecimentos direto no cérebro), é importante dar uma olhada geral para ter um mínimo de noção. Desde que começamos a busca de dados imprimimos uma tabela comparativa do alfabeto latino com o cirílico, para exercitar a transliteração de palavras do russo ou do búlgaro. Em poucos dias dá para aprender os macetes.

Demos uma olhada nas características de cada língua, nos fonemas, nas aglutinações, uso de diacríticos (tipo trema, acentos e outros símbolos que se anexam às letras), e obtivemos algumas palavras básicas à sobrevivência (bom dia, tarde, noite, obrigado, por favor, desculpe, quanto custa, onde é, números, dias da semana, meses do ano, etc). No roteiro encararemos as línguas alemã (Áustria e Alemanha), eslava (Checa, Slovakia, Slovenia, Croácia, Bulgária, Rússia, Polônia), húngara e romena. Nas eslavas há diferenças de país a país, mas as coisas são, com muito boa vontade, um pouco parecidas. O húngaro parece coisa de outro planeta. Onde se fala alemão, em geral uma boa parte das pessoas fala inglês. Na Romênia, a língua parece latina, mas é muito diferente. Onde o alfabeto é cirílico, depois da transliteração é possível até achar coisas conhecidas.

Dos relatos, soubemos que em grande parte dos lugares o inglês é pouco falado ou entendido, mais entre os jovens globalizados. Isso vale para lugares-chaves, como aeroportos, serviços de informação, sites de transportes, recepções de hotéis, táxis, lojas, etc. O problema de perguntar algo na língua nativa é que a gente até consegue se fazer entender, mas não vai entender nada da resposta, contando com uma boa vontade do interlocutor que sabemos não ser uma característica de vários dos povos a visitar. Vamos levar em mãos um livrinho de conversação, formato de bolso, com minidicionário para cada linguagem, editado pela Lonely Planet, de título "Prasebooks Eastern Europe".

Sabendo pelos relatos que as comunicações serão complicadas, seja por celulares ou internet, a experiência diz que velhas fórmulas analógicas farão a diferença. Não que estejamos encarando a viagem como uma aventura na selva, no deserto ou no mar, mas informações impressas, alguns mapas de mão e um guia geral são formas de prevenção válidas. Compramos por uma ninharia, perto do tamanho do livro, o guia da Lonely Planet de título "Eastern Europe", que tem 179 mapas, e informações gerais muito importantes, condensando informações anteriormente descritas. Tem 1044, e pesa uns 300g, mas poderá ser um importante apoio, se for difícil usarmos coisas mais modernas.

DINHEIRO
Sobre dinheiro para a viagem, usam o Euro a Alemanha, Itália, Áustria, Eslováquia e Eslovênia. Na Rússia usa-se o Rublo, na Croácia o Kuna, na Hungria o Florim (forint), na Bulgária o Lev, na Romênia o Leu, na Polônia o Zloty, na República Tcheca, a Coroa Tcheca. No site do Banco Central há um aplicativo de conversão de moedas. É fundamental ter noção do que representam essas moedas na correlação com reais para não pagar preços distorcidos, usando índices fáceis de fazer contas. Exemplo: divida um preço em rublos por 20 e terá mais ou menos o equivalente em reais (o índice de multiplicação é de 0,055 na cotação atual).

Não é conveniente mostrar euros na carteira em lugares onde há outras moedas, porque alguns espertos irão querer fazer a conversão 1 para 1, ou seja, que você pague um euro para algo que custa uma unidade de moeda local, sempre mais barata. Aliás, não é bom mostrar a carteira em lugar nenhum. Quem morou no Rio sabe como é isso, e ela deve ir no lugar mais escondido possível, para evitar os batedores de carteira. Nesses casos, andar com dinheiro na cueca ou nas meias não é coisa só para político brasileiro. Ande com o básico num bolso (da frente da calça), em moeda local.

Pesquisamos alternativas para pagamentos no exterior, e concluímos que o melhor é levar cartão Travel Money e alguns euros em espécie. Antes de mudar a taxação sobre compras no exterior para 6,38% usávamos os cartões de crédito como melhor alternativa. Agora o cuidado é maior, para não pagarmos um monte de impostos. No débito, há taxas por utilização. No dinheiro em espécie, as arapucas das casas de câmbio, que sempre pagarão uma cotação vil em moeda local.

O melhor que achamos é fazer saques em caixas eletrônicos no Travel Money, mesmo pagando tarifas, para obter moedas locais. Os valores serão determinados em etapas posteriores do planejamento, já que pagar em Travel Money é o mesmo que em cartão de crédito. Só que no cartão se parcela, vem na fatura dias depois, etc. No Travel Money, você paga antecipadamente quando faz a carga dos valores. Tem até 18 meses para usar, e se sobrar saldo, pode ser recomprado pelo seu banco.

Pagar passagens e hotéis em sites nacionais é a melhor opção, pois são transações no Brasil, normais, sem sobretaxas. E evitam navegações em sites complicados, em línguas iningeligíveis.

Como pagamentos de pequeno valor podem não gerar recibos, levaremos uma pequena caderneta para anotar os gastos. Fazer o acompanhamento orçamentário diário, mesmo que aproximado, é vital numa viagem dessa envergadura.

Se sobrar dinheiro em espécie de moedas de pouca circulação, o melhor é torrá-lo, ficando com quantias irrisórias apenas como souvenir. Imediatamente esse dinheiro deverá ser retirado do bolso, da carteira, para não confundir, enrolando em papel, botando em sacos, etc. Quanto mais organizada for o dinheiro, melhor será depois da viagem para fazer balanços e acertos de contas.






sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Europa Oriental : Planejando a viagem - parte 1

No post anterior (Europa Oriental : Muito a ver) falamos de países novos no mapa-mundi, tantos que fica difícil estabelecer quais visitar. Essa viagem, que começará no sábado em Brasília, teve que se condicionar a alguns parâmetros que determinarão a escolha dos países, a logística, o tempo dedicado a cada lugar, os custos, etc. Aqui vão os elementos centrais:

- Em todos os finais de semana haverá atividades compartilhadas com as pessoas que conhecemos em Bratislava, ou seja, todas as sextas à tarde temos que estar por lá;
- Nos finais de semana também poderá acontecer de percorrermos uma cidade próxima a Bratislava (até 400km) encontrando nossos amigos no destino, e de lá sairmos para outros lugares;
- No fim da viagem, 10 dias serão para um tour passando pela Itália até Roma, saindo e retornando de Viena, onde chegaremos e sairemos na volta para o Brasil;
- Em Bratislava ficarão as bagagens, indo conosco mochilas com as coisas básicas para a viagem e para evitar roubos em transportes. Toda roupa será lavada lá;
- As hospedagens serão em hotéis de duas ou três estrelas (no máximo). Nem hostel, nem hotel cheio de atrações. Apenas para dormir, em locais seguros, de fácil acesso aos locais de interesse e aos meios de transporte;
- Duração total da viagem : 50 dias;

Outro fator que acabou se tornando imperativo foi o tempo para planejamento. A idéia surgiu a partir do incentivo dos amigos que irão a Bratislava, há cerca de um mês. Não houve, portanto, tempo para tirar vistos de diversos países, restringindo-se o escopo a países que não exigem visto de brasileiros. Foram descartados e ficam para outra vez:
- Ucrânia
- Moldávia
- Bielorrússia
- Sérvia
- Bósnia e Herzegovina
- Macedônia
- Montenegro
- Kosovo (além do visto, é zona de conflito);

Por questão de distâncias comparadas com o tempo disponível, também foram descartados, ficando para próximos roteiros de viagem, um pelo norte europeu e outro pelo sul:
- Estônia
- Letônia
- Lituânia
- Kaliningrado (território russo entre a Lituânia e a Polônia)
- Albânia
- Grécia
- Turquia

Sobraram portanto: Eslováquia, Áustria, Alemanha, República Tcheca, Polônia, Hungria, Bulgária, Romênia, Itália, Croácia, Eslovênia e Rússia (apesar de Moscou ficar a 2000 km).

A decisão de incluir Moscou, apesar da distância, é de melhor compreensão histórica do período da Guerra Fria, onde a União Soviética tinha papel fundamental de liderança no Leste Europeu e dominava politicamente todos os países ditos socialistas.

Selecionados os países-alvos, passamos a examinar o que o mercado de turismo brasileiro oferece de pacotes para a região. Essa checagem é importante para ver o que a indústria turística considera fundamental visitar, e até para evitar que, depois de tanta aventura e sufoco, aquele teu amigo que pegou um pacote venha a dizer: "e aí, visitou tal lugar manjado, que todo mundo vai?". Se não tiver ido, ainda vai ouvir: "ah, então não viu nada!". Cria-se num caderno ou planilha uma página para cada país, anota-se as cidades recomendadas e as atrações mais cotadas. Nada deve ser descartado, a princípio.

Outro aspecto da checagem é verificar quanto se paga, em que condições, pelo que está sendo oferecido. Isso é importante para balizar o orçamento da viagem, ou seja, se o teu roteiro alternativo estiver mais caro que o padronizado, desconfie e refaça as contas, de modo que sempre saia mais barato, mesmo fazendo muito mais coisas.

Ler relatos é muito importante também, como os do Trip Advisor, do Mochileiros. com e fazendo no Google a pergunta : "o que ver em tal lugar". Neste caso, sempre irá aparecer um site oficial de turismo do lugar, com mais informações sobre o que os locais acham importante que você conheça da cultura, da natureza e das opções de lazer deles. Fora as compras.

Nos relatos sempre aparecem dicas interessantes, porque são feitos por pessoas que viajaram fora dos esquemas de empresa de turismo. Neles também estão as advertências para as ciladas que podem aparecer em atrações ditas imperdíveis, mas que podem tomar seu tempo e dinheiro e, pior, te impedir de ver coisas melhores.

Outras fontes de informação obrigatórias:
- sites de clima : verificar o comportamento das chuvas e temperaturas no período da viagem;
- sites de eventos : levantar o que há de festividades em cada local no início de viagem;
- informações históricas e geográficas dos países e cidades : a Wikipedia é um bom começo;
- notícias dos jornais locais : fundamental, pois há inquietações por toda a Europa e pode-se evitar ficar no meio de um conflito;
- moedas : pegar cotações, pois nem todos os países estão na zona do Euro;
- dados de embaixadas brasileiras nos países-alvos;
- filiações dos países a organismos regionais : os da Comunidade Européia têm acordos de vistos, de seguros, de trânsito, de moedas,e há países onde existem especificidades;

Na próxima parte do post, falaremos sobre a continuação do planejamento, com mais detalhamentos.