Mostrando postagens com marcador selic. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador selic. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Mídia Bandida 0033 : Globo ama e "odeia" a "maior taxa de juros do mundo"

Há dois meses deixei de ver a Globo porque faz mal à saúde mental. E praticamente todas as outras, porque se a Globo manipula, as outras destroem o cérebro com programas de nível incrivelmente baixo. Exceção para a TV Brasil, de vez em quando, no noticiário das 21h.

Ontem deixei a TV ligada para ficar ouvindo os resultados dos jogos do Brasileirão. Quando acabou a transmissão, e antes que pudesse chegar à sala e desligar o aparelho, entra o William Waack decretando: "política errada de reduzir juros na marra fracassa e COPOM aumenta a taxa para 9,5%, os maiores juros do mundo novamente".

Desliguei. Na Globo, no horário preferencial dos coxinhas, primeiro vem o comentário maldito, depois vem a notícia. E tende a piorar porque a eleição 2014 está nas ruas, e a oposição tem um leque de candidatos que concorrem entre si e nem o candidato da Globo, Aécio Neves, está firme. Serra vem correndo por fora e possivelmente ser á candidato.

Interessante é que para falar da queda da taxa de inflação não há a mesma entonação. Nem para dizer que os empresários revisaram a previsão do PIB para 2014 elevando-a para 2,47%, que deverá ser uma das melhores no mundo dito civilizado em crise. Apesar de boa parte da mídia ser sustentada por bancos e rentistas, a notícia boa para eles não pode ser dada como boa para o povão. E não é.

O gráfico mostra quanto pagamos de juros. Hoje eles sobem nem tanto para segurar preços, já que a inflação está em queda. É para manter o fluxo de divisas positivo, atraindo especuladores e todo tipo de ratazanas do mercado mundial para deixar dinheiro por aqui uns dias e sair levando nosso sangue e suor. E para garantir o câmbio do dólar a R$ 2,20, como forma de proteger a indústria nacional da concorrência dos importados. Isso eleva inflação, mas é uma medida preventiva, já que se espera que o dólar venha a se valorizar no mundo todo quando Obama parar de imprimir dinheiro a rodo. Melhor fazer agora um processo controlado que apagar incêndio num processo explosivo justo na época das eleições, parece ser o pensamento do governo.

Enquanto isso, nas ruas se vê movimento contra tudo e todos, menos contra os banqueiros e os parasitas da renda fácil sem risco nem trabalho. Gente fazendo festas do dinheiro mole em Nova Iorque, rindo à toa porque o Brasil para eles é uma grande vaca leiteira. O povo fica falando de políticos corruptos, e acabam se esquecendo que a grande corrupção emana dos interesses desses "vips" que ainda falam mal de nós no exterior. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Corte na SELIC reduz despesa com dívida pública

Cortar juros só é ruim para banqueiros. Mesmo assim, entre eles, alguns se beneficiam com o aumento de clientela e redução de inadimplência. Do lado da sociedade tudo é benefício, seja nos endividamentos ou no consumo futuro. Do lado do governo, que deve aos bancos, muita economia. Com a última redução da SELIC, decidida ontem pelo COPOM, estima-se que a economia com o pagamento de juros em 2012 será da ordem de R$ 45 bilhões. Dinheiro que ia para o banqueiro e agora poderá ter finalidades mais úteis para quem paga os impostos e para quem deles se beneficia.

A redução na SELIC ontem deixa o Brasil com a quinta maior taxa de juros do mundo. Melhorou, já foi a maior, mas ainda pagamos juros que normalmente são cobrados de países em profundas crises, em guerra, etc. Dá para cortar mais ainda. A 7,5%, tirada uma inflação de cerca de 5%, temos um juro real de 2,5% ao ano, muito superior ao pago pelos países desenvolvidos para rolar suas dívidas. Há tendência de nova queda de 0,5% na próxima reunião, daqui a 40 dias. Pode-se fechar o ano em inacreditáveis 6,75% de SELIC. Os banqueiros vão chiar muito. A mídia deles já está azarando, dizendo que a inflação vai subir e que o COPOM deve parar de baixar os juros.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

BB baixa mais os juros após queda da SELIC

BB sentiu aumento do volume de crédito em poucos dias depois de baixar juros, e agora baixa novamente para acompanhar a nova redução da SELIC. Os bancos privados já tinham corrido atrás do prejuízo e divulgado redução de taxas, e agora terão que acompanhar novamente ou perder clientes.

Segundo o portal IG, "...Entre as novas taxas, o crédito consignado, que tinha juro mínimo de 0,85% ao mês, terá taxa de 0,79%. No financiamento de veículos, o juro cai de 0,99% para 0,95% ao mês. Na pessoa jurídica, no desconto de títulos, houve redução de 1,35% para 1,25%."

É aquela coisa: anunciar juro mais baixo (mas muito alto ainda) é uma coisa; outra é praticar o juro mais baixo nas renegociações, que não têm limite de teto e podem não acontecer. Vamos ver os juros médios daqui a um mês, como estão. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

COPOM : SELIC só cai mais se alterar regras da poupança

Como era esperado, o Conselho de Política Monetária - COPOM - baixou a taxa referencial de juros (SELIC) em 0,75%, caindo para 9%. Ainda está muito alta para os parâmetros internacionais, mas chegou ao limite a partir do qual diversos ativos especulativos começarão a perder atratividade para a caderneta de poupança. Se baixar dos 8,75% haverá migração de capitais para a poupança, o que seria indesejável pela perda de recursos de diversas modalidades de crédito que dependem de depósitos a prazo.

A mídia dos especuladores tenta pautar o governo para parar por aí, dizendo que em ano de eleição não se deve mexer em regra de poupança, etc. Da parte deles, estará garantido o terrorismo para desgastar o governo alegando que meterão a mão no dinheiro dos pobres.

Do jeito que o governo está forçando os juros para baixo, não teria tanta certeza dessa demora para depois das eleições. Para entender como a poupança agora é limite inferior para a queda dos juros, leia
http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2012/03/juros-governo-quer-baixar-spread-e.html

quarta-feira, 21 de março de 2012

Poupança : Mudar para baixar juros

A Caderneta de Poupança é a opção preferencial do pequeno poupador. Apesar da remuneração pouco atrativa, as pessoas conseguem abri-la sem pagar tarifas bancárias, os juros são de TR (taxa referencial de juros - variável) mais 0,5% ao mês, e até R$ 50 mil não tem impostos. Hoje rende algo na faixa de 7,4% ao ano. Tem a garantia do Tesouro Nacional, ou seja, se o banco falir, o poupador não perde nada.

Em 1990 houve um imenso trauma quando o governo Collor fez o confisco temporário das poupanças, ou seja, congelou os saques por 18 meses, numa dessas pajelanças econômicas chamada Plano Collor. A idéia era deixar todo mundo sem acesso a dinheiro para reduzir o consumo e daí os preços pararem de subir, acabando com a inflação. Collor dizia que só tinha uma bala para atirar no tigre da inflação, fez toda a maldade de uma vez.

Collor errou o tiro, feriu o tigre e a inflação veio depois galopando. E o povo não se esqueceu da maldade com as poupanças, o que contaminará a discussão que agora vai se abrir sobre a mudança na remuneração. Falar sobre isso é muito complicado, até porque o assunto vai ser explorado politicamente. Coisas como "Dilma quer roubar a poupança" logo sairão das bocas oposicionistas, apesar de tanto o PSDB como o DEM, por princípio, deverem defender o que se propõe.

Por que mudar? Para baixar de vez a taxa de juros, e romper com os níveis de taxas de juros que extorquem o povo e o governo. Há espaço para mais redução na SELIC, mas a poupança, indiretamente, não permite que a taxa caia abaixo de 8,5%, nível atingido no governo Lula.

 A SELIC é a taxa básica de juros para os títulos que o governo lança no mercado para rolar suas dívidas, já que gasta mais que arrecada, quando os juros são computados como despesa. Na realidade, se o Brasil não pagasse juros, seria superávitário num volume de recursos, no mínimo, igual ao que se chama de "superávit primário", que receita menos despesa, desconsiderado o valor dos juros.

Com a SELIC no atual nível de 9,75%, e a inflação em 5,8%, os juros reais, que são a SELIC menos a inflação, está na faixa de 4%. Os países emergentes em mesma situação de risco que o Brasil pagam de juros reais na faixa de 2%, e é essa a meta que Dilma persegue no momento. Algo em torno de 7,8%. Se a SELIC descer a este patamar, haverá uma enorme fuga de capitais dos títulos públicos para a poupança, que não pode ser usada como fonte para financiamento do governo, mas apenas para o crédito imobiliário, e o governo teria um desequilíbrio orçamentário.

Nesse patamar de 7,8%, a poupança ainda sobrevive, mas esse indice bruto aplicados em qualquer outra opção do mercado de títulos, pagando imposto de renda, IOF e taxas de administração, renderão abaixo de 7%. Quem aplica em títulos públicos normalmente tem aversão a risco, e não procurará as bolsas de valores como primeira opção. Correrá para a poupança, que se não mudar a regra se tornará o melhor investimento para o grande capital.

O rendimento da poupança vai cair? Sim, vai. A proposta especulada até aqui é acabar com a parte fixa da remuneração, os 0,5% ao mês. Deve-se usar um indicador baseado na SELIC para completar a remuneração, permitindo que os rendimentos variem abaixo desse valor fixo.

O que o poupador vai ganhar com isso? A aposta do governo é na redução global dos juros. Hoje quem tem perfil de pequeno poupador, se botar R$ 1.000 na poupança e comprar um bem no mesmo valor financiado em 12 meses, receberá da poupança R$ 74 em um ano, e pagará de juros R$ 400 na compra da geladeira. Se a poupança render 5%, e as taxas de juros caírem para um patamar ainda absurdo de 30%, a conta anterior ficaria em renda de R$ 50 e juros da geladeira de R$ 300, ou seja, no frigir dos ovos a diferença compensaria.
Isso mexe com o FGTS ? Ninguém falou nada sobre isso?
E o crédito imobiliário, muda? Idem.

E para o país? Se as premissas se concretizarem, os juros pagos pelo governo tenderão a cair, aumentando o superávit orçamentário, que pode chegar ao superávit nominal, ou seja, pagando tudo, até os juros, o país tem dinheiro sobrando para investir. Se chegar a esse nível, não necessitará de novos empréstimos, reduzindo a necessidade de emitir novos títulos e naturalmente tirando a pressão sobre a SELIC.

Com as contas equilibradas, pode-se baixar impostos seletivamente, reduzindo custos de cadeias produtivas que impactam a inflação. Com a queda da inflação, a renda das famílias melhora, estimulando o consumo, aquecendo a economia. Isso pode dar num ciclo virtuoso de queda tanto de juros como de inflação, rompendo a cultura inflacionária de muitas décadas e fazendo o Brasil ter uma economia capitalista com indicadores de país avançado (de antes da crise).

A poupança, nesse cenário, teria os rendimentos cada vez menores, mas pelo menos repondo a inflação, preservando o valor do dinheiro, que é a prioridade um de quem não tem dinheiro para ser investidor.

E os bancos? Com a queda do volume de dinheiro fácil, obtido com a mamata dos títulos públicos de alta remuneração, terão que pensar em ser bancos de verdade, ou seja, emprestar dinheiro. Com todos os bancos procurando clientes ao mesmo tempo, os juros ao consumidor, esses que estão em patamares mínimos de 40%, podendo chegar no cartão a 300%, não vão se sustentar.

Os bancos vão ter que ser competitivos, mais eficientes. Eles vão trabalhar para que a mudança na poupança não aconteça, e se for inevitável, que sejam preservados seus privilégios. Até aqui não vi a mídia contra a mudança, mas isso vai mudar à medida que interesses do grande capital forem contrariados no aclaramento da proposta do governo.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Juros x Inflação : O paradoxo dos banqueiros

Toda a artilharia dos banqueiros & especuladores é usada quando se fala em baixar a SELIC, que remunera principalmente títulos públicos. É aquele deus-nos-acuda inflado por "analistas" e economistas do esquema midiático patrocinado pelos bancos, repetindo até  virar verdade que se os juros baixarem, virá a inflação e tudo virará o caos. O governo Dilma embarcou nessa balela no ano passado, e teve que amargar um desaquecimento da economia que prejudicou o crescimento no ano passado, com o PIB crescendo meros 2,7%. Não é pouco, mas poderia ser mais.

O paradoxal é que os mesmos que prevêem o apocalipse na queda da SELIC são os que aumentaram os juros aos clientes nos últimos  meses, mesmo com a tendência de baixa, já espelhada nos mercados futuros, que trabalham com a taxa básica na faixa de 8,6% em janeiro de 2013. Os brasileiros pagam os maiores juros do mundo aos banqueiros. O governo paga os juros mais altos do mundo aos banqueiros. E depois botam a culpa em "custo Brasil" e na carga tributária. Juros altos aumentam a inadimplência, aí os banqueiros aumentam mais os juros para se defenderem da inadimplência que criam!

Hoje o ministro Mantega receberá os presidente do BB e da CEF. Sintomático isso, num momento onde se busca a recuperação da indústria e o combate ao tsunami cambial. Depois Mantega se encontrará com a presidente Dilma. Aí vem coisa. Considerando-se que o governo tem um amplo arsenal para fazer o Real se desvalorizar, e com isso alavancar exportações e dificultar importações, selecionando os capitais externos que quiserem investir, alguma ação dos  bancos públicos deverá ser exigida.

Nesse cenário de encarecimento de importações, o estímulo á fabricação local poderá ser feito tanto por facilidades ao capital estrangeiro produtivo como por linhas de crédito de juros menores. Aí entram o BB e a CEF. Hoje o BB tem o menor juro no crédito pessoal. A CEF tem o menor no cartão de crédito. Juntos, dominam boas fatias do mercado e têm redes extensas. Creio que novamente serão chamados ao dever, ou seja, a quebrar o cartel dos bancos e fornecer crédito mais barato para aquecer o consumo.

Baixar SELIC não provoca inflação, mas reduz ganhos de capitais improdutivos, que terão que buscar outras fontes de rendimentos. Investimentos em infra-estrutura, financiamento de empresas via mercado de ações, substituição de importações são algumas alternativas. Ou ir embora buscando outros pescoços para sugar. Baixar os juros aos clientes via bancos públicos poderá estimular o sistema a concorrer, pois da última vez que o BB fez isso tomou uma dianteira no mercado. O aumento de consumo, que pode aumentar a inflação, também pode ser o estímulo para que as indústrias brasileiras de baixa competitividade externa produzam para o mercado local, ajudadas pela desvalorização do Real.

quinta-feira, 8 de março de 2012

SELIC : Dilma corre atrás do prejuízo

É muito difícil para um governo que se reivindique popular e democrático dirigir a economia com equipes de técnicos criados dentro da cultura neoliberal. Tudo que fazem, por mais bem intencionados que alguns sejam, é reproduzir a lógica onde sempre viveram imersos. Falta a eles a capacidade de fazer o novo, algo diferente, e ao governo Dilma a visão para impor as mudanças necessárias a romper com a lógica desse capitalismo dirigido aos banqueiros.

O máximo que temos aqui é uma vaga intenção neo-keynesiana demonstrada pelo Ministro da Fazenda. E a sacada genial de Lula, que mandou pisar no acelerador quanto todo mundo freava na crise de 2008. No mais, mediocridade e a pauta da mídia mandam na economia, também com o viés de forçar o fracasso para viabilizar a chegada ao poder de alguém que continue a "obra" (no sentido de "obrar" mesmo) de FHC. De tanto amedrontarem com a ameaça de inflação, o governo no ano passado aumentou os juros sufocando o crescimento, redundando no aumento do PIB de 2,7%, um número generoso perto da quebradeira geral, mas anunciado pela mídia como um grande fracasso.

Na Argentina está em discussão um projeto que acrescente à sua responsabilidade do Banco Central em política monetária a possibilidade de intervir fortemente na economia. È a negação de anos e anos de banco central "independente", imposto pelo FMI no auge da crise argentina e reforçado pelos governos anteriores a Kirchner, que tornava o país refém dos banqueiros. Algo como a Grécia, Itália, Portugal, Espanha e outros países europeus experimentam agora.

Enquanto toda a mídia apostava na redução da velocidade de queda da SELIC, apontando cenários onde seriam feitas neste ano mais duas reduções de 0,25% e depois viria a estabilidade em torno de 10%, ontem o COPOM, pressionado pelo governo, meteu o pé no acelerador e baixou a taxa de juros em 0,75%. Por que isso? Filas de economistas colonizados e "analistas" de economia se fazem para dizer que isso está errado, que a inflação vai voltar, etc. Papo de banqueiros / especuladores que querem manter o ritmo de apropriação privada dos recursos públicos, pagos pelos contribuintes com sangue e suor.

Baixar a SELIC para 9,75%, com a inflação em cerca de 5,7%, significa pagar juros reais de 4%, coisa que não existe em nenhum país. Por aí a fora, a não ser países em crise crônica onde a cumplicidade das agências de riscos com bancos impõe taxas maiores a serem pagos pelos governos, o que se paga aos rentistas está na faixa de menos de 1%. Estamos pagando taxas de país falido, enquanto o fluxo de capitais em busca dessas facilidades está desequilibrando o câmbio e destruindo as indústrias do país.

Dilma tem que continuar pisando fundo, para termos uma taxa real máxima de 1%, ou seja, a SELIC baixar a menos de 7%. Assim, o volume de recursos carreados para o pagamento de juros seria reduzido, aliviando o volume de rolagem de dívida e permitindo e aumentando a renda das famílias com o espalhamento dos juros menores ao crédito bancário. Isso manteria o consumo aquecido, elevaria o dólar e faria boa parte do capital especulativo buscar investimentos produtivos.

O terrorismo midiático já antecipa que "o governo não pode baixar demais a SELIC senão todo mundo corre para a poupança", e nesse caso o governo iria mexer com o dinheiro dos poupadores para evitar uma nova crise. Dilma não deve se intimidar, e continuar pressionando o Banco Central e o COPOM a manter a redução dos juros, qualificando o capital interessado em investir por aqui. O recado é para que invistam na produção, porque a mamata do ganho fácil a partir da exploração do Tesouro Nacional vai acabar.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

COPOM tem que baixar juros com mais velocidade

Nada justifica termos hoje juros reais de 5,5% ofertados pelo governo pelos seus títulos. O Brasil tem "rating" BBB, ou seja, grau de investimento, não tem nenhuma ameaça de calote e dispõe de enormes reservas em divisas estrangeiras, além de um mercado interno em desaquecimento e uma conjuntura internacional deflacionária, baixando os preços de mercadorias importadas. Além disso, mesmo com a redução do ritmo de produção da China, as principais exportações continuam alcançando bons preços internacionais garantindo superávits na balança comercial.

Somente o poder de lobby dos bancos através da sua mídia e dos seus agentes incrustrados nos órgãos de decisão do governo justificam essa sangria de recursos públicos para engordar banqueiros, rentistas e especuladores. Na próxima quarta-feira baixar 1% na SELIC seria pouco para levar o Brasil à condição de país sério, soberano, quebrando essa sina histórica de sermos doadores dos nossos recursos em troca de nada. Pelo mundo os países mais desenvolvidos estão pagando no máximo 1% de juros aos rentistas. Por que nossa taxa de juros não cai para 5%, 6%, pagando pouco sobre a inflação?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

2012 : Juros só não baixam se Dilma ceder aos banqueiros

Hoje foi divulgada a inflação de 2011: 6,5%, exatamente o limite superior adotado pelo sistema de metas. Certamente a oposição irá correr atrás quer ver os cálculos para verificar os décimos e centésimos, mas vi agora na Globo que os "analistas" aceitaram a honestidade do governo, daí deverá ficar em 6,5%. A inflação anualizada está caindo mês a mês, reduzindo a bolha que houve no início de 2011, já apontando para 5% de inflação em 2012.

Os dados da indústria mostram estabilização em relação ao "boom" de 2010. O consumo também deu uma segurada, já que as pessoas compraram a prazo muitos bens em 2010. O clima de incertezas por conta da crise mundial também já traz alguma cautela. Para completar o cenário favorável à queda da inflação em 2012, em todo o mundo os preços estão caindo por conta da falta de demanda.

Aí vem a pergunta que não quer calar: por que temos juros de 11% ao ano, quando já estivemos em 8,75% de SELIC num cenário de franco crescimento? O "mercado" (banqueiros, especuladores e demais parasitas) aposta numa redução de 0,5% da SELIC na próxima reunião do COPOM, 0,25% na seguinte e daí para a frente, parar de baixar os juros. Se isso de fato acontecer, teremos a certeza da submissão do governo Dilma aos interesses do grande capital improdutivo.

Com esses dados sobre inflação era para o COPOM, agora em janeiro, meter logo uma redução de 1% e sinalizar com novas reduções fortes para deixarmos essa situação vergonhosa de pagarmos as maiores taxas de juros do mundo, comprometendo o crescimento sustentável da nossa economia. Como quem determina o consumo é o crédito e as taxas praticadas pelas financeiras e bancos vão de 40% a quase 300% ao ano e praticamente não se sensibilizam com a queda da SELIC, não haverá explosão de consumo se baixar os juros da dívida que compromete o orçamento público.