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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Mantega : "Brasil teria naufragado com receitas da oposição"

Numa audiência pública ontem na Câmara dos Deputados a oposição em coro cantava o mantra "inflação alta, PIB baixo, fora Mantega". Um deputado do DEM chegou a dizer que a revista Financial Times sugeriu a saída de Mantega como se fosse algo natural, um ato soberano, afinal, quem é o Brasil para discordar da FT? A oposição também tem como "realidade" que o governo não governa mais, que Dilma precisa ouvir seus conselhos para "salvar seu mandato". O recado é dado pela revista Exame, da Abril, a mesma que publica o panfleto de direita Veja

Nesses tempos turbulentos, de mentiras jogadas ao vento, cabe relembrar que em setembro de 2008 o mundo entrou em crise e os PIBs das principais economias se tornaram negativos. Milhões de empregos foram destruídos, empresar foram fechadas, governos jogaram bilhões de dólares para salvar bancos e grandes empresas, cortaram programas sociais e aposentadorias, privatizaram, pioraram as condições de vida de pessoas que viviam em relativa fartura até mandá-las para baixo da ponte.

Na época o PSDB recomendou que o Brasil seguisse os remédios recomendados pelo FMI, que se cortasse gastos do governo, privatizasse, etc. Lula disse que essa onda chegaria ao Brasil como marolinha, e contrariou todo mundo: apoiou o consumo, reforçou os programas de transferência de renda. O resultado foi um nível de emprego invejável e crescimento positivo do PIB em meio à desgraça geral. E assim chegamos até aqui.

O que quer a oposição então, tentando tirar Mantega e mudar a política econômica? A resposta é cruel, mas querem acabar com a política econõmica desenvolvimentista para favorecer os de sempre: o capital especulativo, que nada produz, e os interesses internacionais no Brasil acima dos interesses soberanos. Fazendo isso agora, em pleno governo Dilma, o país pararia e entraríamos em sintonia com os fracassos dos países capitalistas mais ricos. O desemprego e a renda cairiam, criando insatisfação, prejudicando Dilma nas eleições.

Mantega citou que a inflação diz que o movimento das ruas é para reclamar da política econômica do governo, mas disse que não viu nenhuma faixa ou cartaz pedindo empregos, menos inflação, etc. Por fim, irritou de vez a oposição ao dizer que se o Brasil tivesse usado a receita da oposição, teria naufragado. Aí vem a reflexão: e se José Serra fosse hoje o presidente, onde estaríamos? Ouviria as ruas? Mudaria prioridades? Bem, o dinheiro do pré-sal não existiria, pois sempre defenderam que a Petrobrás não deveria gastar tanto. 

sábado, 2 de março de 2013

Globo faz a "farra do pibinho"

Ontem nas instalações da Globo devia haver balões, salgadinhos e bebidas para comemorar o aumento de 0,9% do PIB em 2012. Quanto pior, melhor, pensam eles de olho nas eleições de 2014. Nessa lógica o Brasil tem que afundar para Dilma ir junto e a turma dos entreguistas, especuladores e salafrários de todas as procedências voltar ao poder.

Até encher a bola de uma revista estrangeira que pede a cabeça de Guido Mantega porque intervém na economia eles encheram. Com a ajuda do bando de "analistas" a soldo de lobbies apresentaram cenários devastadores para a economia em 2013.

Já em outras emissoras a festa não foi tão grande. Teve gente mostrando que o pleno emprego, o crescimento e melhora na distribuição da renda e o consumo continuaram bombando, coisa que não se vê em muitas partes do mundo onde o PIB até cresceu mais. E que as mudanças fortes de 2012 (elevação do patamar do câmbio, queda inédita dos juros, desoneração de encargos, redução na tarifa elétrica) maturarão em 2013, criando um novo cenário positivo.

Enquanto os inimigos do Brasil mostravam nos seus noticiários o "pibinho" amplificado e manipulado, a presidente Dilma inaugurava no Rio o Museu de Arte do Rio, junto com a família que é dona da Fundação Roberto Marinho, e cujo governo é o principal anunciante nas empresas Globo. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Financial Times quer a cabeça de Mantega

Primeiro foi o  britânico The Economist que chiou contra Mantega e Dilma. Agora vem o jornal britânico Financial Times criticar os dois, insinuando que Mantega deveria sair do comando da economia brasileira, com base em um conto de Natal sem graça nenhuma. O desrespeito do FT chamando Dilma de "rena do nariz vermelho" e Mantega de "elfo" foi plenamente aceito e amplificado pelos meios de comunicação colonizados, até que receberam um desmentido do governo sobre a saída de Mantega, que não iria sair de jeito nenhum, com crítica ou sem crítica. O ministro disse que essas críticas são de gente que perdeu com a queda de mais de 5% na taxa de juros, e que o Brasil deixou de ser uma festa para especuladores.

O que tanto a mídia dos especuladores estrangeiros quanto a dos banqueiros nacionais não parece entender é que na economia brasileira quem dá a última palavra é a presidente Dilma Roussef, não importa quem seja o ministro da Fazenda. Que ela manda no Banco Central, que há muito não é mais independente, como queriam os banqueiros. E que ela continuará tentando baixar os juros para acabar de vez com a financeirização da economia, privilegiando os setores produtivos.

A gritaria dos rentistas envolve também críticas ao setor elétrico, onde houve quedas fortes em valores de ações nas bolsas. Sua mídia explora o recente apagão no aeroporto do Galeão, no Rio, para ilustrar que a redução no preço da energia desestimulará investimentos e será um desastre para o país. Dilma desta vez não marcou bobeira, porque sabe que esse povo tem dinheiro para fazer qualquer coisa, até sabotagens, e mandou a Polícia Federal apurar o que houve no Galeão. Eles vão espernear muito para não largar o osso saboroso do dinheiro fácil sem trabalho na especulação no Brasil.


quarta-feira, 21 de março de 2012

Poupança : Mudar para baixar juros

A Caderneta de Poupança é a opção preferencial do pequeno poupador. Apesar da remuneração pouco atrativa, as pessoas conseguem abri-la sem pagar tarifas bancárias, os juros são de TR (taxa referencial de juros - variável) mais 0,5% ao mês, e até R$ 50 mil não tem impostos. Hoje rende algo na faixa de 7,4% ao ano. Tem a garantia do Tesouro Nacional, ou seja, se o banco falir, o poupador não perde nada.

Em 1990 houve um imenso trauma quando o governo Collor fez o confisco temporário das poupanças, ou seja, congelou os saques por 18 meses, numa dessas pajelanças econômicas chamada Plano Collor. A idéia era deixar todo mundo sem acesso a dinheiro para reduzir o consumo e daí os preços pararem de subir, acabando com a inflação. Collor dizia que só tinha uma bala para atirar no tigre da inflação, fez toda a maldade de uma vez.

Collor errou o tiro, feriu o tigre e a inflação veio depois galopando. E o povo não se esqueceu da maldade com as poupanças, o que contaminará a discussão que agora vai se abrir sobre a mudança na remuneração. Falar sobre isso é muito complicado, até porque o assunto vai ser explorado politicamente. Coisas como "Dilma quer roubar a poupança" logo sairão das bocas oposicionistas, apesar de tanto o PSDB como o DEM, por princípio, deverem defender o que se propõe.

Por que mudar? Para baixar de vez a taxa de juros, e romper com os níveis de taxas de juros que extorquem o povo e o governo. Há espaço para mais redução na SELIC, mas a poupança, indiretamente, não permite que a taxa caia abaixo de 8,5%, nível atingido no governo Lula.

 A SELIC é a taxa básica de juros para os títulos que o governo lança no mercado para rolar suas dívidas, já que gasta mais que arrecada, quando os juros são computados como despesa. Na realidade, se o Brasil não pagasse juros, seria superávitário num volume de recursos, no mínimo, igual ao que se chama de "superávit primário", que receita menos despesa, desconsiderado o valor dos juros.

Com a SELIC no atual nível de 9,75%, e a inflação em 5,8%, os juros reais, que são a SELIC menos a inflação, está na faixa de 4%. Os países emergentes em mesma situação de risco que o Brasil pagam de juros reais na faixa de 2%, e é essa a meta que Dilma persegue no momento. Algo em torno de 7,8%. Se a SELIC descer a este patamar, haverá uma enorme fuga de capitais dos títulos públicos para a poupança, que não pode ser usada como fonte para financiamento do governo, mas apenas para o crédito imobiliário, e o governo teria um desequilíbrio orçamentário.

Nesse patamar de 7,8%, a poupança ainda sobrevive, mas esse indice bruto aplicados em qualquer outra opção do mercado de títulos, pagando imposto de renda, IOF e taxas de administração, renderão abaixo de 7%. Quem aplica em títulos públicos normalmente tem aversão a risco, e não procurará as bolsas de valores como primeira opção. Correrá para a poupança, que se não mudar a regra se tornará o melhor investimento para o grande capital.

O rendimento da poupança vai cair? Sim, vai. A proposta especulada até aqui é acabar com a parte fixa da remuneração, os 0,5% ao mês. Deve-se usar um indicador baseado na SELIC para completar a remuneração, permitindo que os rendimentos variem abaixo desse valor fixo.

O que o poupador vai ganhar com isso? A aposta do governo é na redução global dos juros. Hoje quem tem perfil de pequeno poupador, se botar R$ 1.000 na poupança e comprar um bem no mesmo valor financiado em 12 meses, receberá da poupança R$ 74 em um ano, e pagará de juros R$ 400 na compra da geladeira. Se a poupança render 5%, e as taxas de juros caírem para um patamar ainda absurdo de 30%, a conta anterior ficaria em renda de R$ 50 e juros da geladeira de R$ 300, ou seja, no frigir dos ovos a diferença compensaria.
Isso mexe com o FGTS ? Ninguém falou nada sobre isso?
E o crédito imobiliário, muda? Idem.

E para o país? Se as premissas se concretizarem, os juros pagos pelo governo tenderão a cair, aumentando o superávit orçamentário, que pode chegar ao superávit nominal, ou seja, pagando tudo, até os juros, o país tem dinheiro sobrando para investir. Se chegar a esse nível, não necessitará de novos empréstimos, reduzindo a necessidade de emitir novos títulos e naturalmente tirando a pressão sobre a SELIC.

Com as contas equilibradas, pode-se baixar impostos seletivamente, reduzindo custos de cadeias produtivas que impactam a inflação. Com a queda da inflação, a renda das famílias melhora, estimulando o consumo, aquecendo a economia. Isso pode dar num ciclo virtuoso de queda tanto de juros como de inflação, rompendo a cultura inflacionária de muitas décadas e fazendo o Brasil ter uma economia capitalista com indicadores de país avançado (de antes da crise).

A poupança, nesse cenário, teria os rendimentos cada vez menores, mas pelo menos repondo a inflação, preservando o valor do dinheiro, que é a prioridade um de quem não tem dinheiro para ser investidor.

E os bancos? Com a queda do volume de dinheiro fácil, obtido com a mamata dos títulos públicos de alta remuneração, terão que pensar em ser bancos de verdade, ou seja, emprestar dinheiro. Com todos os bancos procurando clientes ao mesmo tempo, os juros ao consumidor, esses que estão em patamares mínimos de 40%, podendo chegar no cartão a 300%, não vão se sustentar.

Os bancos vão ter que ser competitivos, mais eficientes. Eles vão trabalhar para que a mudança na poupança não aconteça, e se for inevitável, que sejam preservados seus privilégios. Até aqui não vi a mídia contra a mudança, mas isso vai mudar à medida que interesses do grande capital forem contrariados no aclaramento da proposta do governo.