sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Aeroviários fazem greve, mesmo com limitações

A grande mídia tem que chegar a um acordo: uma parte diz que não teve greve dos aeroviários ontem. Outra diz que teve para justificar a bandalheira que as empresas aéreas fazem em épocas de grande fluxo, do "overbooking" descarado à falta de pessoal para dar conta do movimento, que causa atrasos. Clique aqui para ver fotos da paralização de ontem.

Em tempos normais, a culpa pela desordem nos aeroportos cai na Infraero e no governo, que não investe, etc. Se der pé, tentam até golpe de estado com base no atraso dos bacanas. Ninguém vai às rodoviárias saber se há atraso, nem às estações de trem ou barcas.

O aeroviário é o trabalhador que serve às empresas aéreas nos trabalhos de terra :manutenção, atendimento, processamento de bagagens, manobristas, etc. Quem trabalha dentro dos aviões é aeronauta.

Recentemente as empresas aéreas passaram a reduzir mais seus custos e ampliar lucros com a supressão de pessoal de bordo, ao passarem a cobrar por refeições. De um lado, eliminaram o custo da comida gratuita para o passageiro, de outro diminuiu a necessidade de gente para servir aos passageiros, pois o que se oferece é muito caro e as pessoas não compram.

Nos balcões de atendimento as filas são cada vez mais "administradas", ou seja, todo mundo entre numa fila sem fim, e quando chega a hora de um determinado vôo o funcionário passa tirando dela os passageiros a embarcar. Por falta de gente também, concentram os horários de vôos de modo a explorar mais as equipes de terra. Veja aqui a revista Sobrevoando de out/2010, que dá um panorama das condições de exploração da categoria

Aí vai a nota do Sindicato Nacional dos Aeroviários, informando que a justiça ameaçou com multas diárias de R$ 100 mil as greves com participação de mais de 20% da categoria durante a temporada de fim de ano. Apesar da articulação dos donos de empresas, que se recusam a pagar um reajuste digno aos salários, com a ANAC e a justiça, a categoria protestou ontem dentro dos limites estabelecidos pelo judiciário.

---------------------------------------------------------------------------
http://www.sna.org.br/noticia.php?id_not=179

Publicada em 24/12/2010

Base: Rio de Janeiro

TST não impede greve dos aeroviários

Trabalhadores se unem e promovem paralisação de acordo com determinação judicial


Por Cláudia Fonseca

A determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que proibiu os sindicatos do setor aéreo de promoverem uma greve com mais de 20% de adesão dos funcionários, sob penalidade de multa de 100 mil reais por dia, não foi suficiente para intimidar os aeroviários. No dia 23 de dezembro, os sindicatos da categoria se mobilizaram em vários estados do país e promoveram paralisações de acordo com a delimitação judicial.

Enquanto a mídia noticiava que nenhum movimento ocorria nos aeroportos do país, Salvador teve seus voos parados, enquanto no Rio de Janeiro trabalhadores aderiam ao movimento, que iniciou em torno das 14hs no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. Pela primeira vez em muito tempo, a iniciativa dos sindicatos teve total apoio do público usuário, que ficou preocupado com a série de denúncias que ouviu dos diretores do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) durante a manifestação.

Dirigentes sindicais questionaram a rapidez da Justiça do Trabalho quando o objetivo visa beneficiar as empresas aéreas, mas sua lentidão na solução dos problemas dos trabalhadores. “Credores do Plano AERUS vão morrer sem ver o seu dinheiro”, berravam no megafone. Também compararam os aumentos salariais absurdos que autoridades políticas deram em benefício próprio, com a incapacidade das companhias aéreas de oferecerem reajuste salarial com ganho real, apesar de terem apresentado lucro espetacular nos últimos dois anos.

Reposição com dois dígitos
Os profissionais da aviação foram informados pela mídia que o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA) ofereceu reposição salarial de 8%. A categoria afirma que não fecha acordo com proposta que contemple menos de dois dígitos. Trabalhadores reivindicam reajuste de 13%, além de aumento de 30% nos pisos e criação de piso para os operadores de equipamento de viatura.

O SNA deixou claro que essa foi apenas uma batalha, mas a luta continua. Os aeroviários mantêm estado de greve e não vão desistir de suas reivindicações. A categoria pede apoio do público usuário, e lembra que as péssimas condições de trabalho, que envolvem jornadas excessivas, não prejudicam apenas o profissional do setor; colocam em risco também a segurança de voo e a vida dos passageiros.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rio : Exposição sobre o Islã no CCBB



Está acontecendo no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, a exposição O ISLÃ. O acervo tem origem em diversos museus do Oriente Médio, em especial da Síria e Irã. Recomendo acompanhar o guia, que tem muitas informações interessantes. A gente que está acostumado a estudar a história da civilização ocidental estranha um pouco, mas se enriquece de informações que permitem entender melhor como funcionam as sociedades islâmicas e combater o preconceito imposto pela mídia pró-americana.

Rio : Teleférico do Complexo do Alemão





Durante a cobertura de guerra feita pelas TVs na ocupação da Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão, muita gente viu bandeiras hasteadas numa estação de teleférico, e outro tanto soube que bandidos fugiram por galerias de águas pluviais tão grandes que uma pessoa andava em pé. Essas duas obras, além de centenas de novas moradias dignas, fazem parte do PAC do Complexo do Alemão, obras que Lula parcialmente inaugurou ontem, andando num trecho da estação de trem de Bonsucesso até a primeira de seis paradas.

As obras são grandiosas. O teleférico será o maior sistema de transporte por cabos da América Latina. A mídia não dá valor porque vai transportar trabalhadores, pobres, gente que, no entender deles, não merece tais investimentos. Agora sem o domínio do tráfico, andar nas gôndolas ficará mais tranquilo, sem aquela sensação de ser "patinho de estande de tiro". Sem a ocupação policial, o teleférico, que é quase gratuito, certamente faria parte do "mix" de serviços a ser explorado por um traficante ou miliciano, como o gás, gatonet, etc.

Vi de perto as estruturas no dia que ocuparam o Alemão. Coisa grandiosa, uma obra de engenharia espetacular. Tomara que o poder público tenha recursos para a sua manutenção, para que não vire mais um monumento ao descaso. A CEF já botou agência numa das estações, e o Banco do Brasil também colocará a sua. O Alemão virou uma espécie de vitrine do cuidado do poder público com os cidadãos, que fortalece a auto-estima das pessoas em outras áreas para também quererem a libertação do tráfico e das milícias. Ontem mesmo a polícia desmantelou uma milícia em Duque de Caxias a partir de denúncias. Tomara que a moda pegue.

DF: Terra arrasada e cara será a herança de Agnelo



Frequento Brasília com assiduidade desde 2004, e de lá para cá a decadência da gestão pública só é tão intensa quanto a especulação imobiliária, também originada na ação governamental. O cenário de Brasília e das cidades-satélites é inimaginável para quem conheceu o Distrito Federal como um padrão de qualidade de vida: hospitais sem leitos, sem remédios, sem médicos; obras viárias inacabadas, muitas suspeitas; trânsito caótico em diversos pontos; segurança deficiente até nas áreas mais nobres, com ocorrência de arrastões; drogas fora de controle, com cracolândias em toda parte; coleta irregular de lixo; grilagem de terras na falta de política habitacional; déficit orçamentário; falta de terminais de ônibus; obra do VLT parada; ruas esburacadas, plano diretor dilapidado, etc. Por fim, um matagal que traga as áreas públicas, dando um ar definitivo de abandono.

Poderia ser pior: Roriz, enquanto era candidato, chegou a prometer que cada casa na periferia poderia ter até 3 andares, piorando muito o problema de infra-estrutura, já que criou várias cidades para atrair, em troca de votos fiéis, milhares de pessoas pobres de todo o país, sem condições de emprego, que hoje constituem o bolsão de miséria em torno do Plano Piloto.

Nesse curto espaço de 6 anos tivemos Roriz, que se elegeu senador e correu para não ser cassado por corrupção, seu sucessor e aliado Arruda, do DEM, que teve como vice um dos maiores especuladores imobiliários do DF, e depois dos escãndalos, Rosso (PMDB), que entrou junto com a festa dos 50 anos da cidade e até agora não disse a que veio, e é aliado de Roriz. Dinheiro na bolsa, na meia, oração de agradecimento por propinas, uma bandalheira explícita que foi rechaçada pela população ao eleger Agnelo, do PT, e nele deposita esperanças de mudança.

O ponto forte de Agnelo será a proximidade com a presidente Dilma, coisa que Cristóvão Buarque, quando foi governador do PT, não teve dos vizinhos habitantes do Planalto. Voltar Brasília ao que era será muito difícil, porque o estrago é enorme, a rede de corrupção e interesses no GDF é endêmica, resistindo de governo a governo, e além de tudo tem o PMDB como aliado, que é um dos responsáveis pelo descalabro.

Ao meu ver, Brasília só dará sinais de vida saudável quando for contida a especulação imobiliária. Aqui o valor dos imóveis, em algumas áreas, cresce até 24% ao ano! Logo teremos por aqui o metro quadrado mais caro do mundo. No novo bairro, o Noroeste, o metro quadrado construído poderá chegar a R$ 14 mil. No Plano Piloto, já está na faixa dos R$ 6 mil, dos mais caros do Brasil. Quem faz a alegria dos incorporadores é o próprio governo, que tem um imenso estoque de terras nas mãos da Terracap e licita lotes a conta-gotas, especulando de forma monopolista.

Vamos ver se Agnelo tem coragem e força política para fazer uma política habitacional focada nas pessoas, que, ao contrário dos políticos, não têm reajustes de 62,8%, liberando terras baratas para tocar programas como o Minha Casa, Minha Vida, dando um choque de oferta que barateie o custo da moradia e melhore a renda disponível para as pessoas. O governante que fizer isso sairá nos braços do povo.

Bispo protesta contra super-salários . Conlutas idem

Mais um pequeno gesto diante da grande violência praticada pelos políticos ao aumentarem abusivamente seus próprios salários: o bispo de Limoeiro do Norte (CE), dom Edmilson Cruz, em pleno Senado, recusou-se a receber a comenda de direitos humanos Dom Helder Câmara em protesto contra o que considerou uma afronta ao povo pobre e sofrido. Do lado de fora, cerca de 130 estudantes, barrados na entrada, protestavam contra a mordomia. Clique aqui para ver mais.

Ainda contra os reajustes, a central sindical CSP-Conlutas, que é independente do governo, lançou um manifesto e abaixo-assinado exigindo a revogação do reajuste, aumento para os aposentados, o fim do fator previdenciário, que não haja uma nova reforma da previdência e que se dobre imediatamente o valor do salário mínimo, conforme texto a seguir:
------------------------------------------------------------------------------

A CSP-Conlutas recolherá assinaturas em todo o país contra o aumento abusivo aprovado pela Câmara dos Deputados e Senado

Não podemos aceitar o aumento aprovado pelo Congresso Nacional para o Legislativo e Executivo. A aprovação desse Projeto de Lei vai representar um reajuste de 61,83% no salário dos senadores e dos deputados federais, de 133,96% para o salário do presidente da República e de 148,63% no do vice-presidente e dos ministros. Aumentos que nenhum trabalhador conseguiu nesse periodo.

Esse reajuste inaceitável para a esfera federal será estendido para as esferas estaduais e municipais, ou seja, vereadores, prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais, governadores e seus vices.

Esse escândalo torna-se ainda maior quando observamos que os mesmos parlamentares querem reajustar o salário mínimo em R$ 30 em 2011. São eles também que defendem arduamente congelar o salário do funcionalismo federal por dez anos e dizem que dar reajuste aos aposentados superior à inflação vai quebrar a previdência. Os argumentos são a falta de recursos e a tal da austeridade fiscal.

É necessário repudiar essa atitude abusiva dos parlamentares urgentemente. A CSP-Conlutas está encaminhando um abaixo-assinado eletrônico. Envie o texto abaixo para toda a sua lista e depois a envie para secretaria@cspconlutas.org.br

Abaixo-assinado eletrônico

A Câmara de Deputados e o Senado Federal aprovaram, nesta quarta-feira (15), um Projeto de Lei que aumenta os salários dos próprios deputados e senadores, dos ministros do Estado, do vice-presidente e do presidente da República para R$ 26.723,13, valor igual ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, teto salarial dos servidores públicos.

Os reajustes variam de 62% a 148%, índices que nenhuma categoria profissional teve direito.

Ou seja, nesse caso, o chamado “equilíbrio das contas públicas”, argumento utilizado para não conceder um reajuste digno do salário mínimo, aposentadorias e pensões não é aplicado para os próprios membros do Executivo e Legislativo.

Essa decisão é um desrespeito com os trabalhadores e com a sociedade brasileira, ainda mais se observarmos que na proposta de orçamento em discussão para 2011, o reajuste previsto para o salário mínimo é de míseros R$ 30,00.

Apesar de ter sido vergonhoso, o aumento contou com o apoio do presidente Lula e da presidente eleita, Dilma Rousseff, e com a aprovação da ampla maioria dos partidos e parlamentares.

Fazemos um chamado a todos os trabalhadores a se manifestarem contra este aumento absurdo. Fazemos um chamado às centrais a denunciar esse escândalo e exigir aumento geral dos salários.

- Revogação imediata do reajuste concedido aos deputados, senadores, ministros, vice-presidente e presidente da República

- Aumento aos aposentados!

- Fim do fator previdenciário!

- Não à reforma da previdência!

- Dobrar imediatamente o valor do salário mínimo!

Assinatura:

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Abaixo-assinado contra aumentos de políticos

Não acredito na eficácia desses abaixo-assinados de internet, mas tem gente que aposta nisso e tem a melhor das intenções, daí colocar o link abaixo para subscrever o texto reproduzido mais abaixo ainda, que pretende mostrar a indignação dos cidadãos com os reajustes absurdos de salários para deputados, ministros e presidente da república. Eu sou do tempo que a gente levava os protestos para as ruas, e exigia a revogação da medida. No "Fora Sarney", tocado no ano passado pela internet, quando se chamou os internautas para as ruas foi um fiasco. Os sindicatos e movimentos sociais, infelizmente, estão dominados pelo governo, e não farão nada contra mais esse abismo criado entre os políticos e os cidadãos comuns.

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2010N4596

Abaixo-assinado contra o aumento nos salários do presidente da República, ministros e parlamentares. Dezembro/2010

Para:Presidente da República Federativa do Brasil; Congresso Nacional do Brasil; Supremo Tribunal Federal; Câmara dos Deputados; Senado Federal

A Câmara aprovou na tarde desta quarta-feira (15/12/2010) o projeto de decreto legislativo, de autoria da Mesa Diretora da Casa, que equipara os salários de presidente da República, vice-presidente, ministros de Estado, senadores e deputados aos vencimentos recebidos atualmente pelos ministros do Supremo Tribunal Federal: R$ 26.723,13. A matéria foi aprovada simbolicamente. O texto será imediatamente remetido ao Senado, para tentar votá-lo ainda hoje. Por se tratar de decreto legislativo, o projeto precisa apenas ser aprovado nas duas Casas do Congresso, e não há necessidade da sanção do presidente da República.
Os novos salários entram em vigor a partir de 1º de fevereiro. O impacto financeiro nos dois poderes - Legislativo e Executivo - ainda estão sendo calculados. Mas só na Câmara estima-se que o aumento nos subsídios dos deputados (na ativa e aposentados) será de cerca de R$ 130 milhões.

Atualmente, deputados e senadores têm subsídios de R$ 16,7 mil. Presidente e vice recebem salário mensal de R$ 11,4 mil e ministros de Estado, R$ 10,7 mil. Os reajustes variam de 62% a 140%.

Há ainda o efeito cascata da medida nas assembleias legislativas nos estados, já que a Constituição estabelece que os deputados estaduais devem ter subsídios equivalentes a 95% dos recebidos por deputados federais. Para aumentar os seus salários, os deputados estaduais também terão que aprovar projetos nas respectivas assembleias.

Esse projeto amplia o abismo entre o Parlamento e a sociedade. É advocacia em causa própria. O percentual de 62% para os parlamentares e mais de 130% para presidente e ministros, diante da realidade brasileira, é evidentemente demasia.

Vamos mostrar a indignação do povo brasileiro quanto ao autoritarismo evidente na manipulação do orçamento e dos recursos provenientes de arrecadação de impostos e cofres públicos.


Os signatários

domingo, 19 de dezembro de 2010

10 estratégias de manipulação midiática

Hoje vi na Globonews uma matéria favorável à presidente eleita Dilma Roussef e ao legado de Lula. Também anunciaram um programa da Míriam Leitão que falará da ascenção das mulheres no Brasil. Não vou me surpreender se passarem "Lula, o filho do Brasil" na TV até o fim do ano. Afinal, que doideira é essa, de uma hora morderem e noutra, soprarem? Para entender melhor a mídia, reproduzi abaixo o texto do linguista americano Noam Chomsky, publicado pelo jornalista Rodrigo Viana no seu blog Escrevinhador :


10 estratégias de manipulação midiática

publicada terça-feira, 23/11/2010 às 10:45 e atualizada terça-feira, 23/11/2010 às 11:02

O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos

Rio : Hospital jogado no lixo

Hoje pela manhã foi implodida uma ala do prédio inacabado do Hospital Universitário da UFRJ. A estrutura estava submetida às intempéries, porque não havia fechamento com paredes, desde a sua construção em 1950. Foram 60 anos de sol, chuva, calor, frio, maresia, poluição, enferrujando o aço e enfraquecendo o concreto. Foi implodido porque representava risco à outra ala, onde há instalações funcionando.

Foram 60 anos de descaso, irresponsabilidade e desperdício na área de saúde num país campeão de índices negativos no setor. O que virou entulho agora representava cerca de 40% do valor do prédio concluído. Com algum recurso a mais a obra poderia parar num estágio seguro para a estrutura. Faltou visão, ação política, interesse público e, por fim, dinheiro. É daquelas coisas que se aprova num orçamento o recurso para fazer uma etapa, e no outro, por alguma razão ou para atender a interesses políticos, deixa de ter continuidade.

Isso está na nossa cultura política. Alguém vai lá, lança a pedra fundamental, leva a obra até a cumeeira, e depois esquece. Nesse tempo, quem a fez já ganhou a eleição que queria, já recebeu a doação da empreiteira para a sua campanha, e que se dane o esqueleto inútil. Conheci uma cidade no interior onde isso era extremo, pois havia duas facções inimigas que se revezavam no poder. O que um começava, o outro não terminava. Aliás, nenhum terminava, porque ao final dos mandatos eram lançadas outras "novidades" para enganar eleitores. Havia dois esqueletos de rodoviária, dois de hotel municipal, dois de hospital, e por aí vai. E a casa do prefeito era sempre a melhor da cidade, sempre perfeitamente acabada.

Também não dá para entender como esse hospital ficou de fora do Programa Reforsus, do Ministério da Saúde. O programa de conclusão de hospitais teve um convênio onde os recursos eram do Banco Mundial, e as maiores obras foram supervisionadas pela engenharia do Banco do Brasil, que controlava da qualidade dos projetos à liberação de recursos. Todas as obras foram concluídas com qualidade, sem desvios de dinheiro. No Rio, o Hospital Pedro Ernesto, da UERJ, entrou no pacote de reformas.

O Reforsus não era só obras: nos pacotes de financiamento havia uma parte dos recursos dedicada ao treinamento de gestão e outra à aquisição de equipamentos. Terminado o programa, o Reforsus virou um "link" morto na página do Ministério da Saúde. Uma equipe de ótimos profissionais foi desativada, pulverizando conhecimentos adquiridos no processo. Foi uma das poucas vezes que vi planejamento e controle das coisas do governo.

O desperdício não para nas obras: na época que participei como supervisor de dois contratos de obras, tive contato com todas as partes interessadas: governos, instituições interessadas, profissionais de saúde, autoridades federais, funcionários, etc. Uma das obras era de um hospital universitário, parada há 20 anos. Quando estava por lá, as pessoas diziam coisas tipo "duvido que terminem, pois há 20 anos se batalha verba e não tem", e mesmo coisa mais ofensiva como "vão comer o dinheiro e não vão acabar a obra". Nesse período de 1999 a 2002, ouvi relatos cabeludos de coisas da burocracia que não conseguia acreditar.

Um exemplo grave: num certo hospital foi comprada uma central de ar condicionado de ótima qualidade. Terminada a garantia, teve um problema no compressor que demandou a compra de uma peça. Não havia recurso para adquiri-la no orçamento, que tem rubricas bem especificadas. Mas no mesmo orçamento havia dinheiro para comprar aparelhos tipo janeleiro, e em toda a edificação eles foram instalados, sem os requisitos da central, que tinha filtros, etc. Outro: havia uma carcaça de ambulância num pátio que não podia ser jogada fora porque era de um convênio, tinha que constar do inventário, etc.

O hospital do Rio é a ponta do iceberg de um sistema cheio de desperdícios e politicagem. A meta de dar saúde universalizada de qualidade parece utópica diante dos problemas internos de gestão do sistema e dos externos, de prioridade política. Prédios atraem mais votos que gente saudável, afinal, quando a saúde está boa, ninguém vai ao hospital e nada se barganha em troca disso. Há poucos dias o prefeito de Leme (SP), Wagner Antunes Filho, o Wagão, do DEM, foi denunciado em reportagem da BAND por obrigar os pacientes do hospital municipal a pedir pessoalmente a ele ou a algum vereador autorização para pegar remédios que são fornecidos pelo SUS. Isso não é caso isolado: a indústria da doença rende votos a políticos e clientes aos planos de saúde privados.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Esquenta a guerra cibernética

Só em 2010 a Google teve perdas com um ataque de hackers, dados da diplomacia americana vazaram em grande escala, a China testou o desvio do tráfego telefônico de áreas estratégicas norte-americanas podendo ter pegado dados do Pentágono, Casa Branca e Forças Armadas, e o vírus Stuxnet atacou instalações militares do Irã. O que era guerra-fria começou a esquentar: Julian Assange corre riscos, e hackers o defendem com ataques a empresas financeiras, especialistas iranianos de defesa virtual são assassinados, e outras coisas que a gente não vê mas intui que estão rolando nos bastidores da espionagem.

Governos vêm dedicando cada vez mais verbas a equipes especializadas em guerra virtual, em tempo de paz, porque para ter efetividade numa guerra total é necessário que informações vitais de sistemas dos potenciais inimigos sejam conhecidas. Recomendo ver o documentário do Sem Fronteiras, da Globonews, onde um especialista afirma que num ataque de Israel à Síria o sistema de defesa do país árabe foi iludido, deixando de mostrar a entrada dos bombardeiros.

Um grande problema é saber a origem dos ataques, já que se pode fazer uso de computadores invadidos por hackers em qualquer lugar do mundo. Também é quase impossível saber de o ataque parte de um maluco avulso ou de um governo. Há quem afirme que o Brasil teve um apagão em 2007 por ciberterrorismo, e o advento de novos vírus da categoria do Stuxnet representa um perigo potencial de sabotagem em sistemas nucleares, de defesa, indústrias, etc.

O pior é que a criatividade para a guerra não pára por aí: pesquisas de controle ambiental para fins militares estão em andamento pelo mundo. Clique aqui para ver o Projeto Haarp, desenvolvido pelos americanos, que se suspeita servir a manipulações, pelo controle da ionosfera, de sistemas de vigilância e segurança, além de mudar o clima para causar, por exemplo, enchentes em algum lugar de interesse militar. Dinheiro para combater a fome, ninguém tem, mas para matar pessoas, não falta nunca.

Bancos multados por falta de segurança

Oito bancos foram multados pelo Ministério da Justiça por não cumprirem normas de segurança em agências e postos de atendimento. A maior penalidade foi aplicada ao Banco do Brasil, que recebeu multa de R$ 523,6 mil.

A Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (Ccasp) do Ministério da Justiça, que fixa as penalidades, também multou, pela mesma razão, o Itaú Unibanco (R$ 483,5 mil), a Caixa Econômica Federal (R$ 426,4 mil), o Santander (R$ 379,8 mil), Bradesco (R$ 307,9 mil), HSBC (R$ 65,3 mil), Mercantil (R$ 42,4 mil), e Citibank (R$ 14,1 mil). (fonte: JB On Line)

É o tal negócio: dependendo do porte do banco, os volumes eventualmente roubados são inferiores aos dos gastos com segurança para evitá-los. Vidas e a saúde psicológica dos bancários e clientes são um detalhe que não entra nessa conta nem no balanço de responsabilidade social dos bancos. Isso é o que se chama de relação custo x benefício do capital.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Science : Melhores da década na ciência

A Science Magazine, revista semanal publicada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) de hoje, traz em destaque as idéias mais geniais (insights) da década e a descoberta do ano. As dez mais da década são:
- Luzes sobre o genoma obscuro - Desde a conclusão do sequenciamento do genoma humano em 2001, cientistas descobriram que importantes informações e funções podem estar no material existente entre os genes (DNA lixo);
- Cosmologia de precisão - o entendimento do universo ganhou nesta década uma teoria padrão que deu à cosmologia a condição de ciência precisa, deixando de ser apenas qualitativa;
- Estudo de DNA fóssil - métodos de pesquisa em biomoléculas de fósseis (DNA, colágeno) abriram novos campos de pesquisa, trazendo informações sobre seres vivos desaparecidos há milhares de anos.
- Água em Marte - seis missões espaciais na década deixaram claro que Marte já teve água em estado líquido, provocando erosões, e possivelmente sustentando a origem de vida.
- Reprogramação celular - pesquisadores descobriram como transformar uma célula de sangue ou pele em uma célula pluripotentes, com potencial para se tornar qualquer célula do corpo.
- Microbioma - Mudou a maneira de ver a ação de micróbios e vírus que habitam os corpos humanos. Cerca de mil espécies, com informação genética 100 vezes maior que a humana, constituem 90% do nosso corpo, e o estudo as relações intercelulares do microbioma pode trazer mais informações sobre doenças.
- Planetas fora do sistema solar - a descoberta de quase 500 exoplanetas na década e da provável abundância no universo de planetas como a Terra criou expectativas de possibilidade de existir formas de vida e melhorou o entendimento da formação de sistemas solares.
- O lado obscuro das inflamações - até esta década associava-se um papel benigno às inflamações, como reconstrutora de tecidos danificados por trauma ou infecção. Agora inflamações são associadas também à ocorrência de doenças como cancer, diabetes, obesidade, doença de Alzheimer, aterosclerose.
- Manipulação da luz e invisibilidade - a criação de "metamateriais" com propriedades óticas bizarras pode permitir, através da transformação ótica, a criação de "mantos de invisibilidade" como na ficção científica.

- Aquecimento global induzido por humanos - na última década os climatologistas convergiram para concluir que o aquecimento global existe, que fenômenos naturais não estão explicam sua ocorrência e que a ação humana é a responsável por isso. O fim da incerteza sobre as causas do aquecimento pode levar a ações políticas mais efetivas.

Para a Science, o destaque de 2010 foi a Máquina Quântica, que abre caminho para uma gama de experimentos sobre as estranhas regras que regem a mecânica quântica ou sub-atômica. Segundo seus inventores, novas pesquisas podem um dia fazer com que um objeto seja colocado em dois lugares ao mesmo tempo ou que uma pessoa possa atravessar um muro. O vídeo deste link (Breakthrough of the year 2010 - The first quantum machine) explica tudo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mombuca (SP) - Prefeito do DEM preso por receptação

Mais um desses casos que a gente vê na TV, que cita o nome do prefeito, o crime, mas não diz de que partido é. Demorei a achar na internet que o prefeito de Mombuca (SP), Marco Antônio Poletti, é filiado ao DEMO. Na sua casa, foram encontradas pela polícia duas máquinas retroescavadeiras e um carro roubado. Apesar de dizer que comprou de uma empresa, foi preso em flagrante por crime de receptação de roubo e ficou na cadeia. Alô Globo, alô Band, que tal dizer a sigla partidária do elemento?

"Banqueiros na prisão ou economia não se recupera", diz Nobel de Economia

O economista Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, sugere que sem o fim dos crimes de colarinho branco no setor financeiro os governos continuarão injetando dinheiro para recuperar bancos sem bons resultados. No mundo inteiro os banqueiros, responsáveis pela crise, são poupados, enquanto empregos são eliminados e salários são rebaixados. O texto abaixo é do site Carta Capital:
----------------------------------------------------------------------------


Stiglitz: Ou mandamos os banqueiros para a prisão, ou a economia não vai se recuperar"

Como não se cansaram de repetir o economista James Galbraith e o economista e penalista William Black, não podemos resolver a crise econômica, a menos que ponhamos na cadeia os delinquentes que cometeram atos fraudulentos. E o ganhador do prêmio Nobel de Economia, George Akerlof demonstrou que a negligência em castigar os delinquentes de colarinho branco e, a fortiori, resgatá-los, cria incentivos para que se cometam mais delitos econômicos e para que se proceda a uma destruição futura da economia. Outro Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, acaba de dizer a mesma coisa.

No dia 20 de novembro, Stiglitz declarou o que se segue ao Yahoo’s Daily Finance:

É um assunto realmente importante e nossa sociedade deve compreender cabalmente. Supõe-se que o sistema jurídico é a codificação de nossas normas e de nossas crenças, do que temos de fazer para que nosso sistema funcione. Se se percebe o caráter explorador em nosso sistema jurídico, então a confiança em todo o sistema começa a erodir. E esse é na verdade o problema que temos agora.

Uma multidão de práticas predatórias estão em vias de continuar como se nada tivesse ocorrido no sistema de crédito para a compra de automóveis. Por que está tudo bem para os maus empréstimos no setor automobilístico e não no mercado hipotecário? Há alguma razão de princípio? Todos sabemos a resposta: não. Não há razões de princípio, há razões de dinheiro. São as contribuições para as campanhas eleitorais, a troca de favores, as portas giratórias entre a política e os negócios, todas essas coisas.

O sistema está neste momento desenhado para estimular esse tipo de prática, apesar das multas [a referência é o ex-executivo da Countrywide, Angelo Mozillo, que acaba de pagar 10 milhões de dólares de multa, uma ínfima parte do que ganhou fradulentamente, porque ganhou centenas de milhões de dólares].

Conheço muita gente que diz: é um escândalo que tenhamos tido mais supervisão, controle e prestação de contas nos anos 80, quando se deu a crise de crédito e o arrocho, do que agora. Sim, aplicamos multas neles. E qual é a grande lição que se tira disso? Comporta-te mal, e o governo ficará com 5% ou 10% dos lucros mal havidos, que estarás muito tranquilo em casa, com várias centenas de milhões de dólares que ainda restarão para ti, depois de pagares umas multas que parecem enormes, mas que na verdade são muito pequenas em relação à quantidade de dinheiro que conseguiste embolsar.

O sistema está configurado de tal modo, que mesmo que te peguem, o castigo é apenas uma ínfima parte do que levas para a tua casa. A multa é apenas um custo a mais do negócio. É como uma multa de estacionamento. Às vezes decides estacionar mal sabendo que levarás uma multa, porque começar a dar voltas ao redor do estacionamento leva muito tempo.

Eu acredito que deveríamos fazer o que fizemos nos anos 80, com a crise de crédito e o com o arrocho, e pôr na cadeia um bom número destes tipos. Acredito nisso absolutamente. Não são apenas delitos de colarinho branco, ou pequenos incidentes. Há vítimas reais. É disso que se trata. Houve vítimas no mundo inteiro.

Ou acreditamos que esses tipos que nos meteram no atual estado de coisas mudaram realmente de atitude? Muito pelo contrário. Escutei alguns discursos que diziam: “Na verdade, não fez nada de realmente errado. Não fizemos as coisas muito bem. Mas nossa compreensão desses assuntos é bastante razoável”. Se pensam de verdade isso, estamos numa confusão realmente tremenda.

[A dissuasão do delito] tem aspectos distintos. Os economistas se concentram inteiramente na ideia dos incentivos. Às vezes as pessoas têm incentivos para se comportarem mal, porque podem ganhar mais dinheiro se dão calote ou se metem em atividades fraudulentas. Se queremos que nosso sistema econômico funcione, temos de nos assegurar de que nosso sistema econômico funcione, temos de nos assegurar de que o ganho com a fraude seja anulado pelo sistema de castigos e multas.

Por isso, no caso de nossa legislação anti-oligopólica, amiúde não detemos as pessoas quando elas se comportam mal, mas quando o fazem e podemos dizer que há danos constatáveis. Então, pagam três vezes o dano que causaram. É uma forma muito radical de dissuasão.

Desgraçadamente, o que estamos fazendo agora no caso desses delitos financeiros recentes são muitas frações – frações! – do dano direto causado, e uma fração ainda menor do dano social total. Quer dizer, o setor financeiro levou verdadeiramente o a economia global à bancarrota, e se levarmos em conta todos os danos colaterais, estamos falando já realmente de bilhões de dólares.

Mas se pode falar num sentido ainda mais amplo de dano colateral, ao qual não se tem prestado atenção. É a confiança em nosso sistema jurídico, no império da lei e do Estado de Direito, em nosso sistema de justiça. Quando se faz o Juramento de Lealdade [constitucional nos EUA], diz-se “justiça para todos”. Pois bem: as pessoas não têm segurança de que tenhamos justiça para todos. Alguns são detidos por algum delito menor de droga, e dão com os ossos no cárcere por muito tempo; mas quando se trata dos chamados delitos do colarinho branco, que não deixam de ter vítimas, quase nenhum dos sujeitos que os perpetram acaba atrás das grades.

***
Permita-me um outro exemplo que ilustra até que ponto nosso sistema jurídico descarrilhou, contribuindo para a crise financeira.

Em 2005 aprovamos uma reforma do processo de falência. Foi uma reforma defendida pelos bancos. Foi concebida para permitir legalmente o empréstimo – o mal empréstimo – a pessoas que não entendiam do assunto e basicamente destinada a estrangulá-las. A espoliá-las. E poderíamos tê-la chamado com justiça de “a nova lei de servidão permanente”. Porque é o que era, na realidade.

Permita-me que conte brevemente o quanto má era essa reforma. Não acredito que os estadunidenses entendam até que ponto era tão má. Ela realmente torna muito difícil que as pessoas consigam liberarem-se da dívida. O princípio básico nos EUA do passado era as pessoas terem o direito de começar bem a vida. As pessoas cometem erros. Especialmente quando são presas de espólio. E então têm direito a voltar a começar bem. Apaga-se a conta e se começa uma nova. Paga o que pode e volta a começar. Agora, se o fazes mais de uma vez, então é outra coisa. Mas ao menos, enquanto andam soltos esses emprestadores predadores, deverias conservar o direito de voltar a começar sem encargos.

No entanto, os bancos dizem: “Não, não e não; não podes liberar-te de tua dívida”, ou não podes livrar-te dela tão facilmente.

***

Essa é a servidão permanente. E criticamos os outros países por permitirem esse tipo de servidão duradoura, o trabalho escravo. Mas nos EUA instituímos isso em 2005, sem sequer promover um debate público sobre as consequências. O que essa lei fez foi animar os bancos a realizarem empréstimos ainda piores.

***
Os bancos pretendem que acreditemos que não fizeram empréstimos ruins. Negam-se a aceitar a realidade. É um fato que alteraram os critérios contábeis, de modo que os empréstimos prejudicados pela incapacidade dos devedores de pagarem o que devem se contabiliza da mesma maneira que as hipotecas que são pagas em bom prazo e sem mora.

De modo que toda a estratégia dos bancos consistiu em esconder as perdas, seguir enganando e em conseguir fazer com que o governo mantenha os taxas de juros realmente baixas.

***

Resultado: se toleramos essa estratégia, terá de se passar muito tempo antes que a economia se recupere.

Tradução: Katarina Peixoto

Jandira (SP) : Mídia esconde crimes tucanos

Acabei de assistir uma reportagem de uns 5 minutos no Jornal da Band sobre a morte do prefeito de Jandira (SP). Mostraram que um vereador também já foi assassinado, mais outra pessoa foi morta, hoje um secretário foi preso. Mostraram que o prefeito pagaria mensalão aos vereadores e que teria feito acordo com duas máfias de caça-níqueis para instalar máquinas na cidade, e que o seu assassinato seria porque resolveu romper acordo com uma delas. Em nenhum ponto da reportagem falaram que esse povo é do PSDB. A Globo também omite o partido dos envolvidos.

Quando é para falar da morte dos prefeitos do PT, grandes espaços são dados ao levantamento de suspeitas de crimes envolvendo petistas. Quando é com os tucanos, ninguém fala nada da filiação dos envolvidos. É que nem temporal em São Paulo: quando tudo fica submerso, a culpa é do excesso de chuvas, e não da falta de competência de 16 anos de gestão tucana. Nessa hora, governador e prefeito não têm nada a ver com as enchentes, e também não têm partidos.

Brasil escapa de arrocho mundial de salários

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o ritmo de crescimento de salários reduziu em todo o mundo com a crise internacional. Exceção foi o Brasil, que teve aumento real do salário mínimo em plena crise, e aponta para não ter arrocho. Mais informações em
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/12/101214_oit_trabalho_br.shtml

Dispositivos de "sexto sentido"

Mais uma do MIT, centro de excelência em engenharias portadoras de futuro norte-americano: dispositivos de meta-informação, complementares aos sentidos humanos, que podem auxiliar na compreensão das realidades e favorecer decisões mais precisas.

O video indicado abaixo mostra o protótipo de um dispositivo de deixar nerds e tecnófilos babando, basta ver que o indiano que bolou o sistema foi aplaudido de pé durante uma apresentação no TED. A gente não tem idéia do que estão inventando por aí. E quando chegar às prateleiras das lojas, terá menos noção ainda de como é que o troço funciona.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Banqueiro Cacciola sai da cadeia.

Uma verdadeira injustiça foi reparada hoje pelo judiciário: o banqueiro Salvatore Cacciola, beneficiário principal de uma fraude feita pelo Banco Central no período FHC em 1999, que salvou o seu banco Marka, era o único preso em toda a história. Da turma do governo tucano, ninguém botou digitais em ficha ou ficou hospedado em colônia penal. Por que só ele? Os banqueiros continuam cobrando juros e tarifas extorsivos, mandando no governo, no Banco Central, e andam por aí em suas limusines. Esse mundo é muito injusto...

62,8% de reajuste salarial : eu também quero!

Precisa-se de uma UPP em Brasília, mais exatamente num prédio de torres gêmeas e pratos na base. Deputados aprovaram para si próprios um reajuste de 62,8%, e seus vencimentos passarão para mais de R$ 26 mil.

Como são generosos, também aumentaram os salários do presidente, na faixa dos R$ 11 mil, e dos ministros, em torno de R$ 9 mil, porque estava pegando mal os deputados ganharem bem mais que os principais cargos do executivo. Agora o presidente vai ganhar igual a um deputado!

Como o reajuste é por decreto legislativo, não vai à sanção presidencial. Só o PSOL protestou contra essa farra. Logo o judiciário vai querer a isonomia. E a gente paga essa conta e mais a da corrupção, das malas e mensalões. E a classe trabalhadora tem que ralar em greves para obter menos de 10%!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Wikileaks : EUA a favor do desmatamento

Mais uma do Wikileaks: Embaixador americano no Brasil é favorável à mudança no Código Florestal, que vai à votação nos próximos dias na Câmara, onde os ruralistas, com o apoio do comunista (?) Aldo Rebelo, querem fazer passar no apagar das luzes dos seus mandatos a permissão para mais desmatamento. Depois os caras vêm dizer que a Amazônia não deve ser administrada por brasileiros, por desmatarem tudo. É uma estranha aliança: EUA, PC do B e bancada da moto-serra...

OEA condena regime militar por crimes no Araguaia

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos, considerou o regime militar culpado por crimes cometidos contra os guerrilheiros durante a Guerrilha do Araguaia. A sentença, entretanto, tem que ser homologada pelo STF, e a punição dos criminosos fica pendente do Brasil acatar a resoluções internacionais, acima da impunidade pela Lei da Anistia. Vide aqui mais detalhes.