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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Nem Jesus salva Cunha

Oposição e mídia fazem de conta que querem a cabeça de Cunha
Há que se distinguir entre a realidade pós-denúncia de Cunha e o desejo da mídia e da oposição de pautarem sua sobrevida. Em primeiro lugar tentam criar a idéia de que é possível, por acordo político, desfazer o flagrante de corrupção recheado de provas irrefutáveis que pesa sobre Cunha e sua esposa. O assunto está nas mãos do Ministério Público e na boca do povo, mesmo com a poderosa blindagem de mídia.



Esposa de Cunha é o ideal das paneleiras
Todo mundo "viu" a esposa de Cunha com a boca na botija, usando o dinheiro das contas na Suíça para irrigar cartões de crédito com os quais se gastou em futilidades. Nem a oposição, que se articulou com Cunha e o TCU para preparar um rito pelo impeachment, conseguiu escapar à obrigação de simular um "afastamento" em relação a dele. Aparentemente os seus ratos aliados abandonaram o navio.

Em uma semana Cunha foi do paraíso do poder ao purgatório, flagrado como ladrão e perdendo o poder de achacar Dilma por conta das decisões do STF que postergaram qualquer análise do "parecer" do TCU que, mesmo sem condições legais de tirar Dilma do Planalto, era a única forma de dar um golpe do tipo paraguaio, com cara de "legítimo".

A esmagadora maioria dos que pediram a cabeça de Cunha é do PT
No recente acordo do PT com o PMDB houve negócios e negócios que resultaram em mais ministérios para o Partido Mercenário Do Brasil. Entre eles poderia estar a blindagem de Cunha em troca da sua fidelidade ao governo, que ficou com a cara do PMDB e ideologicamente à direita. Cunha não se enquadrou e continuou preparando o golpe a ponto de quase conseguir abrir o processo de impeachment, o que foi abortado aos 47 do segundo tempo pelo STF. 

Se o PT teve alguma ingerência em tudo isso, já que o paspalho ministro da Justiça não manda nada na PF (e chama isso de "republicano" enquanto leva bola nas costas o tempo todo) e o governo não manda nada na Procuradoria Geral da República, foi praticamente nenhuma. Cunha foi denunciado porque a justiça na Suíça o dedurou, e aí não tem jeito: ou as autoridades brasileiras apuram ou se desmoralizam. Cunha deixou de fazer uma viagem ao exterior com medo da Interpol pegá-lo a mando da justiça suíça, como aconteceu com José Maria Marín, da CBF. 

Voltando ao que diz a mídia, Dilma teria pedido a Lula para procurar o PSDB para fazer um acordo para salvar Cunha, envolvendo o fim das ameaças de impeachment e outras sandices. Ou seja, usando dos seus superpoderes sobre a justiça suíça e a brasileira, tudo que foi dito contra Cunha seria refutado e Dilma governaria como se nada tivesse acontecido mantendo a cobra venenosa junto a ela. 

Agora tratando de realidade, e não mais de pauta de mídia para trouxas, é fato que Cunha virou um morto-vivo político que talvez nem resista até o Halloween. Sem ninguém botando a mão no fogo e até seus aliados mantendo sanitária distância, seu destino é ser crucificado. Não como Cristo, mas como o ladrão ao lado dele. Como se salvar? Prometendo a Dilma ser bonzinho, votar só no que ela mandar, abrir seu saco de maldades e achaques para entregar os crimes da oposição dos quais parece ter ciência? E Dilma, o que faria? Mandaria o Janot suspender tudo? Mandaria a PF parar de investigar como se o caso fosse um mero helicóptero de 450 kg de cocaína? 

O discurso de Dilma no XII Congresso da CUT feito na noite do desmanche da tentativa do golpe foi de virada. Falou em golpe e que resistirá (como se não estivesse fazendo o tempo todo isso) a ele, em defesa do voto popular que a elegeu há quase um ano. Disse que os que tentam o golpe não têm reputação ilibada para atentar contra a sua honra. Foi um verdadeiro discurso de posse, encerrando o episódio do golpe. Selou qualquer acordo para salvar Cunha.

E metade do PT assinando a proposta do PSOL para a Comissão de Ética da Câmara investigar Cunha? Uma verdadeira rebelião, dado que o PC do B, geralmente mais centralizado nos acordos, não ousou colocar nenhum de seus parlamentares contra Cunha, assim como o PSDB, DEM, Solidariedade e PPS e a grande maioria do PSB.
Santa Ceia de Cunha somente com os judas do Brasil

Dilma até aqui é vitoriosa. Nada que desabone sua honestidade pessoal. O caso das "pedaladas" não tira seu mandato. Seu governo se firma como aquele que mais combateu a corrupção em toda a história. Aguentou firme toda humilhação, como no tempo da tortura. E começa a dar a volta por cima. Coisa para desesperar madames que batiam panelas xingando-a, até porque a mulher de Cunha é a cara delas. Perderam qualquer resquício de moral para falar de Dilma.

O discurso de Lula fechou a porta para qualquer tentativa de resgate a Cunha. Também rechaçou o golpismo que tem com Cunha seu vetor principal.

O episódio Cunha não terminará por aqui. Ele continuará presidente da Câmara por mais alguns dias e não renunciará. Sem o poder de ameaçar Dilma ela se fortalece e pode falar mais grosso com o PMDB. A persistência de Cunha agora é positiva para o governo porque desnuda a mídia e a oposição como quadrilha igualmente capaz de roubar, lavar dinheiro  e ter depósitos fora. 

Até o poderoso juiz Moro vai ter que se mexer com o passar do tempo, pois sua omissão diante de tamanho descalabro de um ladrão de dinheiro da Petrobrás comprometerá mais ainda o seu circense Tribunal da Inquisição dirigido politicamente pela direita. Ou intima Cunha e sua esposa e os prende ou será cúmplice. Por muito menos prendeu equivocadamente a cunhada de Vaccari. 

Jesus não daria procuração a eles para salvar Cunha
Nem Jesus salva Cunha. Nem sua bancada do atraso, os obscuros fundamentalistas que faturam em nome de Cristo,o baixo clero do congresso, que domina ao absorver propostas de atraso político e de direitos sociais ao mesmo tempo que achaca com ameaças. Qualquer coisa que proponha ficará suspeita pois não tem honradez para defender mais nada. Nem sua própria pele. 


A tarefa das forças democráticas agora é usar o caso Cunha para exigir, nas ruas e com bastante barulho, uma sistemática e radical investigação de toda a corrupção que corrói o país. Em todos os níveis e poderes. Auditorias soberanas populares em contratos de obras, compras e serviços. Fim das mordomias. Redução dos salários de parlamentares, executivos e juízes. Punição exemplar para todos os que roubam o futuro do país, afinal, roubar dinheiro público é condenar gente à morte por falta de educação, saúde, comida, etc. Sem povo na rua qualquer acordo de cúpula enterra o assunto e nada muda.

sábado, 7 de março de 2015

MÍDIA BANDIDA 0076 - Derrota no "Petrolão" muda alvos da mídia

Como previ em OPERAÇÃO LAVA JATO - O PSDB PERDEU O CONTROLE, de 15/01/15, o resultado das investigações que deveria ser bombástico pariu um rato para quem esperava derrubar Dilma. Para quem queria fazer da Petrobrás o cemitério da honestidade do PT, passou muito longe. Se olharmos bem para os nomes que serão investigados pelo STF, nenhum parlamentar petista está diretamente envolvido com a gestão da Petrobrás.

Mesmo a tentativa da mídia de associar Renato Duque a eventual indicação por José Dirceu é risível, pois não há nexo nem provas. O ex-tesoureiro do PT, Vaccari, foi retirado escandalosamente de sua residência no meio da madrugada para criar factóide para a mídia mas seu depoimento não resultou em nada. Nem o detiveram para a tortura na Guantanamoro.

Ficou difícil sustentar a "quebra da Petrobrás por causa da quadrilha do PT". Sobrou até para FHC, numa confissão com provas onde se demonstrou que as propinas vêm pelo menos de 1997 e foram facilitadas por mudanças na lei que afrouxaram o controle da empresa em 1988. 

Perto dos lucros, o roubo da quadrilha da Petrobrás foi ninharia
O tal "rombo que desestabilizou a Petrobrás" é outra fraude de mídia. Até aqui o Ministério Público chegou a R$ 1,2 bi de desvios, dos quais cerca de R$ 400 milhões já estão confiscados dos ladrões. Considerado o horizonte de 15 anos, teremos uma média de roubos na faixa de R$ 80 milhões por ano, o que comparado ao lucro da empresa apenas no período Lula / Dilma, da ordem de R$ 200 bilhões, não chega a uma perda de 0,6% ao ano. Isso não quebra nenhuma empresa. Em supermercados, as perdas com mercadorias estragadas e furtos é, em média, de 2,2%. 

A Petrobrás apresenta recordes em cima de recordes a cada mês. Como não baixou o preço dos combustíveis mesmo com a queda dos preços internacionais do petróleo, está fazendo caixa excepcionalmente. Tomou medidas de austeridade nos controles, reviu o plano de investimentos e vai muito bem, obrigado. E como não quebrou, como apostava a mídia, também não teve como incriminar o governo Dilma. 

Globo de hoje insiste na mentira da Veja
A operação Lava Jato, como já afirmei, foi projetada para desequilibrar as eleições de 2014. No laboratório do Dr Moro todas as variáveis eram controladas para que somente o lado de Dilma fosse prejudicado. Como ficou provado, delegados federais que trabalharam no caso mantinham perfis anti-Dilma. Toda a investigação da Petrobrás teve como foro o Paraná, cujo governador é tucano, e onde a empresa não tem um só poço de petróleo. Cerceado direito de defesa. Acusação de tratamento similar à tortura para que os presos confessassem culpas do PT e de Dilma para poder sair com delação premiada. Mais que isso, recompensada! 

O esquema produziu informações distorcidas que prejudicaram o desempenho de Dilma e quase lhe tomaram a eleição. O esperado era a vitória de Aécio, aí a operação acabaria. Como não aconteceu, coisas desagradáveis aconteceram, como a falta de delação do PT, Dilma e Lula e a delação de Aécio Neves, que escapou da investigação sem ninguém saber que um dia teria sido arrolado. Mais uma vergonha para a mídia seletiva articulada partidariamente. O fato de Dilma e Lula não terem sido citados é um atestado de probidade incontestável, pois foi feito de tudo para incriminá-los e não conseguiram. 

Os últimos cartuchos da mídia foram veiculados anteontem com a unanimidade dos  meios dizendo que Dilma e Aécio escapariam à investigação.  Ontem, aberta a lista, viu-se (e eles escondem nos jornais de hoje) que Aécio estava dentro, mas Dilma sequer foi citada. A ment
ira foi desmanchada. Outra foi a demissão do diretor da Veja ser demitido por causa da matéria golpista do dia da eleição que dizia que "Dilma e Lula sabiam de tudo". A VEJA perdeu ação judicial, Dilma vai processá-los, mas hoje o jornal O Globo insiste na mentira.  Falando nela, ontem a lista com os investigáveis no STJ saiu, nas palavras de Willian Bonner, "dois minutos antes do Jornal Nacional". Teria a Globo direitos de transmissão do show midiático que ocupará o resto do ano?

Nova novela da Globo: os milhões de Palocci e o fim do PT
E agora, o que vem? Mesmo com os esquemão continuando para fazer o governo sangrar, a coisa quebrou para o lado do PP, do tio de Aécio, e para as principais lideranças do PMDB, que estavam se animando com a possibilidade de, através de uma CPI canalha sobre a Petrobrás, chegar ao impeachment de Dilma e botar Temer no governo. Com a inclusão de Renan e Cunha entre os investigados os sonhos presidenciais devem ser adiados, e o congresso, onde a traição do PMDB tirou a maioria de Dilma e lhe infligiu derrotas, agora caiu completamente na vida. Que moral têm seus presidentes para falar de Dilma, investigados num esquema de corrupção?

Merval Pereira hoje já fala em investigar Dilma nas eleições de 2010. Vem aí a nova novela das organizações Globo. O plano é tentar provar que Dilma foi eleita com dinheiro roubado e conseguir a ilegalidade do PT. Incrível mas verdade. Fogo no Palocci, é a ordem. Coincidentemente o site do PSDB hoje mudou de assunto para falar nisso

O fato é que embolou todo o meio de campo golpista. Sem Dilma na cena do crime da Petrobrás e com Aécio fugindo dela, deixando Anastasia no fogo, ficou complicado o impeachment por essa razão. Há outras alternativas, considerados os interesses estrangeiros no golpe, inspiradas no receituário da CIA para derrubar governo e desestabilizar países. Vem aí no dia 15 a manifestação pelo impeachment de Dilma convocada pela extrema direita, da qual até o PSDB já diz não ter nada a ver, apesar de ter convocado. Se ocorrerem incidentes com mortes, no modelo ucraniano onde franco-atiradores desconhecidos mataram pessoas na multidão e depois a culpa caiu no governo, que caiu, resta a saída paraguaia, onde Fernando Lugo foi deposto em menos de uma semana por ser responsabilizado por repressão a uma manifestação. Do esgoto tudo se espera, menos água potável. 

Espero que não sejam irresponsáveis a esse ponto, apesar do desespero da oposição. Podem iniciar uma espiral de violência sem precedentes. Essa preocupação, longe de ser paranóia, é tristemente baseada no processo de lavagem cerebral de mídia que tornou muita gente sem noção em fascistas com sangue na boca para sair cometendo violência contra gente ligada ao governo. Espero que nada disso aconteça. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Governo x Oposição : A corrida contra os relógios

Desde a reeleição Dilma tem driblado um a um os obstáculos, crises e armações da oposição, chegando a 2015 com Aécio fora do alcance do retrovisor e afastando as ameaças de golpe, intervenção militar, invasão norte-americana, revolta popular, impeachment, reprovação das contas, falta de dinheiro para fechar o ano e mitigando o potencial destrutivo da crise na Petrobrás. Graça Foster não caiu e está conduzindo o processo de combate à corrupção. Fim de papo. E não adianta virem com balão de ensaio de Meireles como presidente da Petrobrás para recuperar a imagem da empresa, que pode até ajudar na especulação com ações mas não rola de jeito nenhum. Dilma não entregaria a empresa aos tucanos depois de tudo que passou.

Por outro lado, Dilma pagou um preço alto para começar o segundo mandato governando. Trouxe para o governo uma equipe econômica que fará ajustes com impactos no crescimento e trará custos sociais, mesmo que na promessa de imediata recuperação. Seu ministério é uma mescla de tudo que tem de bom e ruim na base aliada, onde ministros batem de frente, como Kátia Abreu e Patrus Ananias. Ela diz que não tem mais latifûndio, ele diz que tem e aumentou.

Dilma enfrentará o clima golpista intensificado nos primeiros meses de 2015 primeiro porque, a longo prazo, interessa à oposição bater sempre e forte para inviabilizar o governo, levar o país à crise, estimular a insatisfação social e enfim, se não derrubarem o governo até 2018, criar as condições para vencer as eleições. A qualquer preço, mesmo que de terra arrasada.

Para a oposição há um outro relógio correndo rápido, o da própria credibilidade remanescente. Bastaram os vazamentos de acusações na operação Lava-Jato contra o ex-governador tucano Anastasia (MG) para o tucanário e a mídia entrarem em pânico. Enquanto os petistas já sofreram superexposição no escândalo e muitas das acusações foram desmentidas, a oposição está virgem, agindo como pedra enquanto pode passar a vidraça. Daqui prá frente, Lava-Jato não traz mais lucros à oposição, a não ser que Dilma saia algemada num camburão com a turba insandecida de coxinhas liderados por Lobão gritando ""a bruxa está morta, a bruxa está morta".

Mais tucanos gordos podem ter seus nomes citados na Lava-Jato. Para fugir a isso já espalham pelas redes sociais o "escândalo do BNDES", o lançamento de 2015 para abafar o anterior e ocupar as manchetes por mais um ano. E o acompanhamento judiciário do caso Lava-Jato pode ser frustrante.

O relógio mineiro é o pior, pois parece acionar uma bomba. O novo governador Pimentel (PT) em 90 dias apresentará um relatório de investigações de irregularidades nas gestões anteriores que, se não servir de "moedinha" para conchavos e for explorado como escândalo, poderá enterrar de vez não apenas Aécio, mas o "modo tucano de governar". Eles não estão preparados para enfrentar isso, mesmo com toda a artilharia de mídia. Aí cabe tudo: aeroporto de Cláudio, obra superfaturada do Centro Administrativo, lista de Furnas, mensalão tucano, censura à mídia, repressão aos movimentos sociais, descumprimento de piso salarial de professores, etc, etc. A Caixa de Pandora das Gerais está aberta.

Mais um relógio acelerado é o de São Paulo, com a seca que a qualquer momento será uma desagradável "descoberta", já que a blindagem de mídia faz prevalecer a palavra de Alckmin de que "vai chover", embora a ciência contrariá-lo. O estouro da crise deverá acontecer até julho, quando começarem os impactos mais profundos na vida da classe média paulista (hoje a periferia já vive racionamento informal), empresas tiverem problemas de manter suas atividades, poder aquisitivo cair com paliativos para fugir à seca, etc.

Do lado dos aliados a oposição tem também um relógio que gira à medida que velhas raposas sentem falta dos recursos federais. Pelo lado do PSB, que vinha servindo de linha auxiliar do PSDB, o racha pró-Dilma ganhou força. O senador Fernando Bezerra publicou artigo ontem defendendo a reaproximação, já que o PSB no governo passado foi base aliada de Dilma. Do lado de Marina Silva não vem mais nada, já que continua com partido na informalidade e saiu destroçada da campanha eleitoral com seu ecocapitalismo financeiro. O DEM não tem mais quase nada, assim como o PPS. E outros partidos de aluguel também já sentem o peso de não ter aparelhos no governo federal.

E a mídia, força armada da oposição? Vem sofrendo baixas com a pressão das bases sobre o governo para fechar a torneira das verbas federais de propaganda e pela regulamentação das mídias. Essa bandeira ganhou prioridade sobre a reforma política para minar de vez o poderio tucano. Veja, Globo e outros demitem e buscam se adaptar a tempos de vacas magras tanto pela tendência de crescimento de mídias eletrônicas como pela desmoralização no ataque ao governo.

A reforma política aponta para um prazo maior, pois precisa do calor da proximidade eleitoral. Enquanto isso deverá crescer a pressão sobre o "tucano togado" Gilmar Mendes para deixar de fazer de almofada o processo que impede o financiamento privado de campanhas. A perda do financiamento pelo grande capital pode ser a estaca final no peito do vampiro oposicionista.

Falta nessa análise o relógio da ultima cidadela de poder, o complexo judiciario-policial-promotor. Há uma vaga no STF que se Dilma deixar de republicanismo Caracu (onde a oposição entra com a cara e o governo com o resto) poderá pelo menos equilibrar a parcialidade atual da corte. Dilma manteve o patético José Eduardo à frente do Ministério da Justiça, garantindo aos tucanos sobrevida na tal "polícia federal republicana" que só atira no governo com suas investigações e vazamentos. No Ministério Público algo mudou quando a oposição colocou Janot na conta de Dilma e a mídia bandida lhe fez acusações. Perderam espaços por lá.

Qual o papel da esquerda nisso? O governo Dilma não merece cheque em branco. Deve ser criticado sem tréguas. Interessa a todos a destruição da distorção que hoje faz a direita ter metade do eleitorado e influir sobre os trabalhadores contra seus próprios interesses. O que puder ser feito nesses próximos 6 meses para focar também na direita com mais energia será positivo para acelerar o relógio da autodestruição dos inimigos dos avanços sociais.

Resumo da análise: a oposição terá uns 6 meses para jogar todas as suas fichas para derrotar Dilma num esforço último. O vale-tudo contra o tempo trará de volta agitações mercenárias de rua, anarquia, denuncismo, ódio e principalmente desinformação. Sabendo-se disso cabe a quem defende Dilma contra o atraso também se armar para derrotar de vez a direita. A partir daí se começa uma nova era democrática.


terça-feira, 10 de junho de 2014

FANOAPÁ 0069 : "Vote em mim porque acabei com a Copa"

Estádios com padrão Brasil de engenharia e arquitetura
Os dias que antecedem o primeiro jogo da Copa do Mundo estão carregados de confusão e tensão porque até há um mês atrás o discurso "#naovaitercopa somado à manipulação sistemática de informações fazia crer que seria um retumbante vexame de infra-estrutura. A incompetência viraláctica (viralatismo com dimensões de Via Láctea) do brasileiro mais uma vez mostraria ao mundo nossa incapacidade de sermos lindos, limpinhos, cheirosos e inteligentes como os gringos. Não ia ter Copa, e pronto.

Campanha da VEJA de descrédito da Copa
De repente a ficha caiu. Aeroportos, portos, centros de comunicação e segurança, estádios, vias de acesso, novos transportes, tudo entregue para funcionamento. Seleção escalada. Amistosos com vitórias do Brasil. Milhares de jornalistas chegando. Seleções estrangeiras recebidas com festa. Turistas se acomodando de todo jeito. Ruas se enfeitando nos bairros populares. Povão comprando TVs, cerveja, carne para o churrasco e fogos para ver os jogos. Empresas acomodando horários para os dias de jogos. Feriados. Vai ter a festa, os convidados estão chegando, o buffet está a postos, o salão enfeitado, o "núcleo pobre" da família já avança nos petiscos mas... "o núcleo riquinho" vai mas não está gostando. Que nem barata, quando não come, bota gosto ruim.

Perfil do senador Álvaro Dias (PSDB) no Facebook 
Ameaça terrorista - 2014
Saindo da analogia, teve gente querendo ganhar com o anti-Copa. Dando nomes aos bois: a Copa foi como um mamute, aquele bicho grande, lento, que era caçado pelos nossos ancestrais com lanças porque não conseguia reagir com velocidade. Durante 7 anos foi incessantemente ferido pela mídia bandida e pelos discursos eleitoreiros dos PS (DB + TU+ OL + B) com a ladainha do "tiraram dinheiro da educação e saúde para dar à FIFA". Ou o mantra "Copa corrupta, superfaturada pelo governo ladrão da Dilma e do Lula) e por atos como ir à "Copa proibida e pecaminosa" vaiar a presidente da República ou ficar de costas para o campo na hora do Hino Nacional. Botaram mais robôs enviando mensagens falsas na internet que todos os que se vê em Star Wars para minar a moral das pessoas, incitar o ódio e deprimi-las. E o exército de mercenários que espalham pela mídia mundial desinformação sobre o Brasil?

Vira-latas do #naovaitercopa
E agora que o povão já "comprou" a Copa e já diz que estádio não é palanque, ou seja, eleição é em outubro, mas agora é hora de futebol, seleção e festa? Como é que fica o discurso do "#naovaitercopa"? Pior: pesquisas recentes mostram que até os candidatos da oposição estão caindo e as pessoas estão cada vez mais refratárias às eleições, aumentando o número de indecisos. Como é que fica a partidarização da Copa, neste exato momento?

Na cabeça da oposição agora é o tudo ou nada: se a Copa der certo, ponto para Dilma e reeleição. Se tudo der errado e puderem botar a culpa nela, vitória da oposição. E não enxergam outro caminho: os estádios têm que virar grandes comícios eleitorais, fora ou dentro, com o apoio de artilharia da mídia bandida apontando aranha em quarto de hotel, vazamento em torneira, ônibus sem bateria, porta sem chave, etc, etc. Além, claro, dos anarco-nazi-fasci-mercenário-coxinhas & CIA, que vão tentar tumultuar tudo para desestabilizar o governo.

Demonstração de ódio ao Brasil e viralatice 
O PSDB foi ao STF pedir para que se permita a entrada com faixas e cartazes nos estádios, contrariando a Lei Geral da Copa que impede manifestações políticas, religiosas, etc, nos ambientes dos jogos. Qual o interesse de gente que sabotou tudo, que não deveria sequer ligar a TV para ver os jogos, de ir ao estádio com o intuito de antecipar a disputa eleitoral? Como é que fica dizer que a comida da festa foi fruto de crimes e todos se banquetearem? Cumplicidade, hipocrisia, falta de caráter ou tudo junto?

Estupidez do #naovaitercopa quase mata família - 2014
Graças à FANOAPÁ - Falta de Noção que Assola o País, a oposição ao tentar matar a Copa pode cometer um suicídio. Qualquer grupelho que trave a Copa com finalidades pequenas diante da grandeza planetária do evento (parei a Copa porque não tem asfalto na minha rua...) poderá ser rechaçado com o mesmo ódio que levaram anos inoculando no povo.


Experimentem no dia 12 deixar o metrô de São Paulo parado para sabotar o jogo de abertura... Primeiro será inócuo porque como disse Lula o povo vai a pé, de bicicleta ou de jumento ver o jogo. O hino do Grêmio também diz: "até a pé nós iremos /para o que der e vier /certo e que nós estaremos/ com o Grêmio onde o Grêmio estiver". O Mengão também tem uma música que diz "onde estiver estarei, ó meu Mengo". Torcedor não tem limites para a sua paixão, e se não tiver transporte vai chegar lá. Depois da execração pública da greve pela sabotagem implícita à Copa ficarão o PSTU dizendo que a culpa foi do Alckmin e o PSDB dizendo que foi culpa... da Dilma!

Parece estúpido, mas para quem está se afogando até jacaré parece ser uma boa bóia. Se conseguirem impedir a Copa, como fica o povão que quer circo? E o mundo todo? O que vão dizer no pós-tragédia da Copa? "vote em mim e no meu partido porque nós acabamos com a Copa do crime, da corrupção, do pecado, do PT, da Dilma e do Lula". Não parece uma boa tática, mas o desespero e o ódio cegam e certamente vão tentar politizar a Copa.

Falando nela, claro que ninguém escreverá uma só linha elogiando a sua perseverança e a do Aldo Rabelo, que aguentaram firmes todos os trancos e barrancos para chegar até a grande festa. Dilma estará no Itaquerão com mais de uma dúzia de chefes de estado, incluindo-se o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, Vladimir Putin, Angela Merkel, Joe Biden e muitos outros. Certamente no almoço anterior ao jogo todos serão alertados sobre as vaias que os inimigos da Copa darão quando ela oficialmente abrir os jogos. Essa é a expectativa, mas como a conjuntura está exponencialmente mudando nos momentos anteriores aos jogos, não será surpresa se as pessoas agirem com civilidade e até respeitarem a presidente, cantarem o hino e curtirem a festa.





sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Documentos do processo do "mensalão" saem das gavetas de Joaquim Barbosa

Acho que o Ministro Joaquim Barbosa vai dar um jeitinho de voltar mais cedo das férias na Europa. Bastou deixar o Ministro Lewandovsky sentar-se à sua mesa para expor documentos até então ocultos no circo do Mensalão. Esse documento abaixo, do Instituto de Criminalística, desmente a versão de que Henrique Pizzolato tivesse poderes para manipular verbas da Visanet. Isso desmancha toda a versão de Barbosa e Gurgel, parceiros na acusação ao PT na Ação Penal 470.

O blog "O Cafezinho" está publicando peças do Inquérito 2474, que originou a Ação Penal 470, vulgo "processo do mensalão", que foram descartadas e arquivadas em sigilo de justiça. Nessa documentação há provas que podem mudar a história do julgamento, como a inexistência de dinheiro público nas campanhas do PT. Recomendo acompanhar o destrinchamento da papelada em
http://www.ocafezinho.com/2014/01/24/o-inquerito-2474-derruba-as-teses-do-mensalao/
nn
Laudo do Instituto de Criminalística tira responsabilidade de Pizzolato na gestão de verbas da Visanet

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Doação de empresa é a mãe de todas as corrupções

Está no Supremo Tribunal Federal a decisão sobre o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas. A Ação Direta de Inconstitucionalidade foi impetrada pela OAB, que pede a declaração de inconstitucionalidade de trechos das leis das Eleições e dos Partidos Políticos.  Já tem votos contrários dos ministros Luiz Fux e Joaquim Barbosa.

O PT apóia a OAB. A Procuradoria Geral da República também. O PSDB e o PMDB são contra, mas dissimulam colocando-se contra a "ingerência do Supremo" em assuntos de natureza legislativa. Até a revista VEJA assumiu que se não houver o financiamento público reinará o caixa dois, mesmo entrando em contradição com o discurso que fez por oito anos no processo do mensalão, onde dizia ser desvio de dinheiro público. A ação tramita há mais de um ano e o Congresso não se antecipou para propor alternativa legislativa.

Por que é importante deixar apenas as doações individuais, mesmo assim limitadas a um valor de teto? Porque o voto é individual, não é de pessoa jurídica. O cidadão vota e cobra o programa de governo. A empresa não vota e controla o mandato exigindo contrapartidas ao "investimento".

Há quem preveja um "festival de caixa dois" caso sejam suspensas as contribuições. O mensalão foi caixa-dois, começado justamente pela campanha de Eduardo Azeredo, do PSDB mineiro.

No seu voto, o ministro Luiz Fux disse que quem quer cometer o crime que se disponha a cumprir a sanção correspondente, ou seja, o fim do financiamento não estimula o caixa 2, que atualmente é apenas crime eleitoral, prescrevendo 15 dias depois da diplomação dos eleitos (fonte: Congresso em Foco).

O financiamento privado de partidos e eleições é a origem de uma parte dos superfaturamentos em fornecimentos aos governos. Aí estão os casos dos trens paulistas para ilustrar como funciona o esquema, que na verdade é caixa-dois mesmo. E como nesse universo de crimes eleitorais ninguém passa recibo, apenas o que está declarado no TRE pelas empresas aparentemente entra no caixa de partidos e campanhas. O "por fora" serve para irrigar campanhas e fortunas pessoais. Tem até "sobra de campanha" com "recursos não declarados".

Exigir o fim do financiamento privado de campanhas fortalece a democracia. Não se pode admitir que empresas determinem quem representará o povo. Nem que tomem o dinheiro público para dar uma parte a esses financiamentos, na forma de superfaturamentos ou privilégios. O STF tem a obrigação de votar contra essa imoralidade, para que valha imediatamente, nas próximas eleições. Não se adia inconstitucionalidade.

Partidos com militantes serão os mais favorecidos, pois têm como arrecadar em eventos, com venda de rifas, materiais, etc. No meu tempo de militante do PT, antes do financiamento privado e do caixa-dois que contribuíram para algumas campanhas ricas em detrimento dos demais candidatos, todo mundo corria atrás de convencer pessoas a patrocinar as lutas do partido e das suas campanhas. Quem sempre viveu nas tetas do poder público e favorecendo empresas é que vai ter problemas.











sábado, 21 de setembro de 2013

YOUTROUXA 0048 : Globo lança campanha "Atriz Desesperança" de luto por sua derrota

Foto ampliada com a versão sem máscaras, mostrando os verdadeiros atores indignados
Para muitos atores e atrizes trabalhar na Globo pode ser o topo da carreira e remuneração, daí zelar pelos seus empregos na emissora criar vínculos muito fortes. Torna-se irresistível, portanto, negar ao patrão participar de uma peça de propaganda onde suas imagens são associadas à intenção político-partidária da empresa para qualquer finalidade.

Casos como o da funcionária da Globo Regina Duarte, com o seu " eu tenho medo" usado para atacar a campanha eleitoral de Lula, criaram marcas indeléveis sobre a imagem da atriz, até então a "Namoradinha do Brasil". E os do "Cansei", aquela campanha de riquinhos que queria derrubar Lula porque não tinham aeroportos? E o desastroso vídeo de globais contra Belo Monte, que também arranhou a credibilidade de outros?

Muitos atores saíram da Globo ao longo da história porque não aceitaram ser usados para os interesses dos Marinho. Outros explicitaram suas opiniões contra a ditadura, como as atrizes Tônia Carrero, Odete Lara, Eva Tudor, Eva Wilma e Norma Bengell, e ganharam respeito porque estavam de acordo com uma visão progressista. O uso da imagem para interesses dos ricos, dos opressores, dos manipuladores, tem um preço caro porque o público em geral se deixa enganar num primeiro momento, depois percebe a manipulação e passa a rejeitar a idéia e as pessoas que a defenderam.

No caso do STF a Globo e a direita perderam o "timing". A transmissão ao vivo, com comentários parciais pela Globo, sempre contra haver recursos, coisa normal em todo o judiciário, tentaram criar massa crítica e ódio aos "mensaleiros" e contra o PT. Joaquim Barbosa e Roberto Gurgel desprezaram o direito confiando no linchamento e fizeram um show de autoritarismo. A Globo aproveitou para crucificar o ministro Lewandodsky, que firmemente defendeu o que estava nos autos e acusou a falta de provas. A idéia da direita era antes do Natal de 2012 mostrar na TV José Dirceu, Genoíno e outros algemados num camburão.

Não deu certo. Tentaram passar por cima até do direito à liberdade até a publicação do acórdão da sentença. Barbosa perdeu nessa manobra. Aí o processo avançou, com direito à apresentação de embargos. Nesse meio tempo, pela internet, apareceram com mais clareza as nuances da armação. Joaquim, Gilmar e outros tiveram suas vidas expostas. Novos ministros tomaram posse. Roberto Gurgel saiu da PGR. E a manobra do "tsunami cívico" da Globo para derrubar Dilma deu errado, fortaleceu a presidente e pegou mal para a mídia golpista. Por fim, a Globo foi condenada por sonegação do Imposto de Renda e o judiciário recuperou sua dignidade permitindo o direito à defesa via embargos infringentes.

É nesse clima que as atrizes na foto de terror se expõem. Triste para os seus fãs, para suas imagens. Para o patrão Globo são apenas peças descartáveis, que podem ser usadas para qualquer fim.





terça-feira, 4 de junho de 2013

Deputado quer que Joaquim Barbosa explique gastos com viagens mesmo licenciado

O deputado Sibá Machado (PT-AC) quer que o presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, Joaquim Barbosa, explique porque o dinheiro público pagou viagens de interesse particular do magistrado mesmo quando se encontrava em licença médica.

De quebra, o nobre deputado poderia cobrar explicações ao STF pelo pagamento de mordomias a juízes e suas esposas em viagens ao exterior, conforme foi mostrado pelo jornal O Estado de São Paulo. 

Para a sobremesa, seria digestivo pedir também para explicar em se se fundamentou a suprema corte para pagar as despesas de um jornalista da Globo para acompanhar Joaquim Barbosa em sua viagem à Costa Rica. Tem no orçamento do STF verba para pagar "personal journalist"?




quinta-feira, 25 de abril de 2013

Futebol & Política : A hora de cair a ficha

Assisto no jogo Brasil X Chile a torcida mineira gritando "olé" para criticar o time de Felipão, desorganizado, sem tática, mais uma vez dando um espetáculo medíocre. Um elenco de bons jogadores desperdiçado por falta de criatividade, de tática, troca de passes sofrível, Ronaldinho sumido. Enfim, mais do mesmo que vemos há alguns anos. O jogo termina com 2 x 2 e vaias da torcida.

Acontece que há 20 minutos essa mesma torcida estava no paraíso, gritando "Brasil, Brasil", pois o time ganhava de 2x1 de virada. Nesse momento ninguém estava preocupado com nada, apenas se comemorava. Mas a ficha deve ter caído para algumas pessoas da política. E se o time dá certo? E se o Brasil ganha a Copa das Confederações?

O futebol tem o dom de alienar grandes massas. Na ditadura militar foram construídos estádios em todas as capitais. O campeonato nacional tinha tantos times como a Copa do Brasil, só que a fórmula forçava que quase todos os dias houvesse jogos. Para completar, a seleção ganhou a Copa de 1970, enquanto se matava e torturava nos cárceres da ditadura.

A oposição está na pior. Praguejou que os estádios não ficariam prontos. A vida mostrou que havia de inveja ao desejo do Brasil passar por um vexame internacional na capacidade de organizar um grande evento. Agora o discurso é do superfaturamento de obras. Como no início houve muitos alertas sobre a possibilidade de corrupção, os tribunais de contas apertaram na fiscalização e dificilmente se comprovará desvios.

Os estádios estão lindos. Se a seleção perder, o prejuízo já está precificado e não será debitado da conta política de Dilma. E se o time ganha? E se o povão desperta para o patriotismo? E se descobrem que o Brasil não está ruim, como diuturnamente a mídia bombardeia? Nessa hora Dilma aparece faturando, e aí a direita toma mais uma pá de cal. Essa partida de hoje deve ter feito a ficha deles cair.

Para completar a rodada, o Borusia Dortmund, da Alemanha, meteu 4 gols no Real Madrid. Todos do atacante Lewandowski. No STF rola a expectativa sobre novos julgamentos de acusados do Mensalão, e o inquisidor Barbosa se deixou flagrar em foto numa festa tucana em Minas, levantando a suspeita de aliança na chapa do PSDB. Pior: de estar sendo parcial no julgamento para obter ganhos políticos. Vai que tudo isso leva a um revés no teatral e farsesco julgamento sem provas, e o ministro Lewandowsky desta vez mete uma goleada nele?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Mensalão : STF deixa Gurgel pendurado no pincel

Apesar da pressão da mídia e da direita, a mesma que já fez o STF condenar a penas exageradas alguns réus praticamente sem provas, o presidente Joaquim Barbosa teve que se curvar à pressão política, em especial do presidente da Câmara, Marcos Maia, e teve que negar o pedido de prisão imediata dos condenados, incluindo-se parlamentares.

Marcos Maia chegou a oferecer asilo nas dependências do Congresso para evitar que os parlamentares fossem presos antes do trânsito em julgado das sentenças, como manda a lei. Ainda há o conflito de poderes na questão da cassação, que o STF considerou prerrogativa sua, mesmo com a constituição afirmando o contrário. Alguém jogou panos quentes, possivelmente a presidente do outro poder, o executivo, Dilma, e chamou todo mundo à razão.

Joaquim Barbosa nada mais fez que cumprir a lei. Como ainda cabem recursos e os condenados são réus primários sem periculosidade, com passaportes retidos e proibidos de sair do país sem autorização do STF, Barbosa negou o pedido do Procurador Geral da República para prisão imediata. Ou seria imidiática?

Gurgel, que é lento na hora de apurar denúncias contra Cachoeira, foi com sede demais ao pote para ganhar uns 15 minutos de fama. Barbosa arrancou-lhe a escada, e ficou pendurado no pincel. Com isso, a Globo perdeu o seu Especial de Fim de Ano. E o SBT já desceu a ripa em Barbosa, dizendo que agindo assim quer virar político e ser candidato em 2014.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

STF à beira da ditadura

Hoje será decidido pelo voto do ministro Celso de Mello se o Supremo Tribunal Federal pode cassar mandatos, o que de antemão é contestado pelo presidente da Câmara, Marco Maia. Essa disputa é fundamental para o esquema de poder da minoria de direita, que não consegue mais eleger presidente, cada vez perde mais espaços no Congresso e agora tem no STF sua última cidadela. "Convencer" seis votos é bem mais fácil que eleger deputados, senadores, aliar-se a militares (que no último golpe traíram os políticos que os incitaram), etc.

A Constituição é claríssima quanto à atribuição do Congresso Nacional para cassar mandatos dos seus membros. Se os "guardiões da constituição" resolverem golpear para alterar o sentido da lei, pretenderão abrir a brecha para cassar até o presidente da república. Governar através do Supremo passou a ser a tática da direita para travar o governo e criar fatos políticos para criar desgaste. 

sábado, 24 de novembro de 2012

HOAX : Joaquim Barbosa é contra as cotas raciais

Circula pelo Facebook uma foto do agora presidente do TST, Joaquim Barbosa, com uma legenda dizendo que estudou e não precisou de cotas para chegar lá, como se fosse contra o sistema de discriminação positiva. O e-mail malicioso (mentiroso mesmo) já tinha quase 20 mil compartilhamentos ao chegar a mim.

Para rebater mais essa armação dos racistas, o povo de direita, que não aceita a ascensão social dos negros defendida pelo PT desde a sua criação, tenta enganar as pessoas com mais essa falsidade (hoax). Até Lula exercer na prática o discurso da promoção racial com a nomeação de Barbosa ao Supremo, nenhum governo anterior havia feito isso. Principalmente os da direita, que agora querem fazer crer que Barbosa é contra as cotas raciais.

Segue a declaração de Barbosa no julgamento das cotas raciais em abril de 2012, na ação promovida pelo DEM questionando a constitucionalidade das cotas na UNB (ADPF 186). Os racistas perderam por 10 x 0 mas querem reabrir a questão, o que é uma incoerência: usam a imagem de Batista como anti-petista no julgamento do Mensalão, e usam também a sua imagem contra as cotas defendidas pelos petistas. Pior: nem de negros os caras que fazem essas manipulações gostam. Inventam de tudo para descaracterizar a chegada de Barbosa ao topo do judiciário. São os herdeiros diretos da casa grande.


Ministro Joaquim Barbosa afirma que ações afirmativas concretizam princípio constitucional da igualdade
joaquim-barbosa-cotas-stfO ministro Joaquim Barbosa acompanhou o voto do relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, ministro Ricardo Lewandowski, e afirmou que sua manifestação foi tão convincente e abrangente que praticamente esgotou o tema. "O voto de Vossa Excelência está em sintonia com o que há de mais moderno na literatura sobre o tema", afirmou.
Autor de vários artigos doutrinários sobre a questão, o ministro Joaquim Barbosa reproduziu parte de um texto que escreveu há mais de 10 anos intitulado "O debate constitucional sobre as ações afirmativas" e fez declarações pontuais para demonstrar o que pensa ser essencial em matéria de discriminação.
"Acho que a discriminação, como componente indissociável do relacionamento entre os seres humanos, reveste-se de uma roupagem competitiva. O que está em jogo aqui é, em certa medida, competição: é o espectro competitivo que germina em todas as sociedades. Quanto mais intensa a discriminação e mais poderosos os mecanismos inerciais que impedem o seu combate, mais ampla se mostra a clivagem entre o discriminador e o discriminado", afirmou.
Para o ministro, daí resulta, inevitavelmente, que aos esforços de uns em prol da concretização da igualdade se contraponham os interesses de outros na manutenção do status quo. "É natural, portanto, que as ações afirmativas – mecanismo jurídico concebido com vistas a quebrar essa dinâmica perversa –, sofram o influxo dessas forças contrapostas e atraiam considerável resistência, sobretudo, é claro, da parte daqueles que historicamente se beneficiam ou se beneficiaram da discriminação de que são vítimas os grupos minoritários", enfatizou.
O ministro Joaquim Barbosa definiu as ações afirmativas como políticas públicas voltadas à concretização do princípio constitucional da igualdade material e à neutralização dos efeitos perversos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de compleição física. "A igualdade deixa de ser simplesmente um princípio jurídico a ser respeitado por todos, e passa a ser um objetivo constitucional a ser alcançado pelo Estado e pela sociedade", ressaltou.
O ministro lembrou que as ações afirmativas não são ações típicas de governos, podendo ser adotadas pela iniciativa privada e até pelo Poder Judiciário, em casos extremos. "Há, no Direito Comparado, vários casos de medidas de ações afirmativas desenhadas pelo Poder Judiciário em casos em que a discriminação é tão flagrante e a exclusão é tão absoluta, que o Judiciário não teve outra alternativa senão, ele próprio, determinar e desenhar medidas de ação afirmativa, como ocorreu, por exemplo, nos Estados Unidos, especialmente em alguns estados do sul", afirmou o ministro.
Ele ressaltou também que nenhuma nação obtém o respeito no plano internacional enquanto mantém, no plano interno, grupos populacionais discriminados. "Não se deve perder de vista o fato de que a história universal não registra, na era contemporânea, nenhum exemplo de Nação que tenha se erguido de uma condição periférica à condição de potência econômica e política, digna de respeito na cena política internacional, mantendo, no plano doméstico, uma política de exclusão, aberta ou dissimulada – pouco importa! Legal ou meramente estrutural ou histórica, pouco importa! –, em relação a uma parcela expressiva da sua população", asseverou.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

VISANET bancou evento de juízes. Marcos Valério organizou.

A pergunta que não quer calar: por essas circunstâncias, os nossos magistrados não seriam partícipes do Mensalão? O patrocínio para o evento organizado pela DNA Propaganda teve recursos da Visanet e do Banco do Brasil, com show de Daniela Mercury e tudo. O evento aconteceu em setembro de 2003, envolvendo as mesmas pessoas que agora foram julgadas no STF por uso de recursos da Visanet. Na época, 3.100 magistrados participaram do encontro. Um dos documentos apresentados mostram distinção entre recursos do BB e da Visanet, que durante o julgamento da AP 470 foram julgados como sendo da mesma origem.

http://megacidadania.com/2012/11/14/stf-e-3-100-juizes-se-beneficiaram-do-dinheiro-da-visanet/

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Mensalão : Subversões do direito fariam Kafka corar

Até começar o julgamento do Mensalão a gente acreditava que o ônus da prova é do acusador, ou seja, da promotoria, no caso o Ministério Público. Na falta delas, ou na dúvida, o réu deve ser absolvido. O que diversos ministros do STF é, no mínimo, uma nova formulação do direito. O MP não apresenta provas, mas evidências. A defesa diz que não há provas sobre a acusação. O juiz disse que, apesar de não ter provas, o réu tem que mostrar seu álibi, ou seja, transferiu ao acusado o ônus da defesa sem provas! Quem é inocente terá que provar que é inocente, no entender de vários dos nossos juízes!

Outra novidade é a interpretação dos recursos destinados a uma sociedade de direito privado, como a Visanet ou o condomínio de um prédio. Quando eu pago o condomínio, não carimbo o meu dinheiro. Ele vai para o caixa (ou conta) de um ente privado, que tem seus critérios para gasto dos recursos conjuntos de todos os condôminos ou sócios. Suponhamos que o síndico, por falha ou dolo, tenha contratado um serviço qualquer com um terceiro que não foi feito, mas foi pago. Mais ainda, se o serviço for prestado à sociedade privada pela empresa de um dos sócios. Como dizer que o dinheio mal usado ou malversado era oriundo do próprio condômino, suponhamos, uma empresa pública.

O que se está fazendo é pegar todos os casos onde a defesa diz não haver provas para a sustentação da acusação e considerar isso insuficiente. Deve ser dito explicitamente: o réu não fez isso, motivo pelo qual não tem provas...E apresentar álibis, provas materiais e testemunhas da inocência. A primeira coisa que passa pela idéia é o livro "O Processo", de Franz Kafka, onde o personagem sabe que está sendo acusado de algo que não sabe sequer do que se passa, mas tem que provar a inocência.

Há crimes evidentes, que devem ser julgados de forma pertinente. No caso do dinheiro da Visanet, como bem disse o ministro Lewandowski, o peculato não é por causa de dinheiro público, mas por um funcionário público cometer peculato porque usou o cargo para obter vantagens em cima de recursos públicos ou privados. Do jeito que a coisa vai, caracterizará uma corte de exceção com o risco da imagem do tribunal sofrer com um julgamento mais político que jurídico.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Mensalão : Midia critica Lewandowsky por absolvição

Hoje pela manhã ouvi na BandNews o jornalista Ricardo Boechat dando especial destaque à notícia do julgamento do mensalão ontem. Fez clima, suspense, disse que não iria comentar, que nunca tinha feito aquilo, mas a notícia em si era um comentário. Disse Boechat que o mesmo juiz Lewandowsky que absolvera ontem o deputado João Paulo Cunha, do PT, de corrupção passiva, pois teria recebido R$ 50 mil do esquema de Marcos Valério para facilitar licitações, peculato e lavagem de dinheiro, era o mesmo que negou habeas-corpus a um ladrão de São Paulo que roubou uma lanterna de uma moto estimada em R$ 13. Insistiu até que qualquer um fosse obrigado a entender o ponto de vista: soltar bandido do PT é fácil, difícil é soltar bandido pobre.

A opinião que Boechat exprimiu deve ser a do dono do meio de comunicação onde trabalha. E a de muitos outros que têm a Ação Penal 470 como a sepultura do PT. O voto destoante de Lewandowsky ontem cortou o barato deles. Até que todos os juízes se pronunciem, há agora no processo dois tipos de petistas: os culpados e os inocentes. Isso não poderia jamais acontecer, no entender dos que tentaram armar o golpe para derrubar Lula em 2005. Como Lewandowsky está se atendo às provas analisadas publicamente em profundidade, seu voto deverá influenciar o de outros ministros. Na segunda-feira o relator Joaquim Barbosa terá um tempo para réplica, já que o voto de Lewandowsky contraria o seu. Com os holofotes apontados para o tribunal, não fica bem para um ministro ficar como algoz em cima das mesmas provas usado por outro para inocentar. Vem bate-boca por aí.

No mais, segunda será 27 de agosto. Uma semana depois o ministro César Peluso irá se aposentar. A votação final em alguns casos poderá empatar, o que, sem que o presidente do tribunal Ayres Brito use seu Voto de Minerva, significará absolvição. Qualquer absolvição quebrará a lógica vendida pela mídia. Como eles não dormem no ponto, a campanha para retirar Dias Toffoli deverá crescer, e não adiantará nada. Se fosse para ele se considerar suspeito, já teria feito isso antes. A

Até as eleições haverá 13 sessões de julgamento do Mensalão. Considerando-se dois ministros votando por dia a partir da quarta (segunda o plenário poderá virar arena de UFC entre Barbosa e Lewandowsky, no máximo com um voto), a primeira fatia deverá ser concluída no dia 5 ou 6 de setembro, sendo otimista. Depois virá nova rodada de relator/revisor sobre a próxima fatia, que deverá terminar por volta de 19/9. A votação dos demais ministros sobre a 2a fatia será concluída por volta do dia das eleições. Como a parte mais "suculenta" do julgamento, que colocará na arena José Dirceu, Genoíno e Delúbio, será a última, segundo-se a lógica de Joaquim Barbosa, os projetados estragos eleitorais ao PT serão minimizados. Ainda mais com João Paulo Cunha, candidato a prefeito, cantando essa vitória parcial. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mensalão : João Paulo Cunha inocentado pelo revisor

Mais uma vez o revisor do processo do mensalão,  Ricardo Lewandowsky, apresentou detalhadamente provas que, desta vez, inocentaram o réu João Paulo Cunha, do PT, que foi presidente da Câmara dos Deputados, das acusações de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Contrariando o parecer do Ministério Público e do relator. Mais uma exposição de voto que possivelmente irá influenciar os demais juízes. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Mensalão : Julga, Britto!

Apesar do ministro do STF Gilmar Mendes ter desmentido pressões de Lula, num jogo de troca de blindagem na CPI por adiamento do julgamento do Mensalão, esse tipo de barganha é muito possível. Tenho escrito sobre essa possibilidade desde que o escândalo do Cachoeira/ Demostenes/ Veja/ Delta/ Perillo/ Cabral/ Agnelo eclodiu. A CPI está travada, esperando os resultados do balcão de negócios que envolvem vários partidos, a governabilidade de Dilma, a extinção dos partidos de oposição e  a impunidade no mensalão, entre outras coisas.

Há um equilíbrio instável na politicagem, e se alguma coisa sair de controle, começará uma luta sem fim, onde os maiores beneficiários seremos nós, porque teremos maior clareza das falcatruas e da bandidagem que a pratica. Alguém terá que dar o primeiro passo para começar essa guerra de quadrilhas.

O presidente do STF, Ministro Carlos Ayres Britto, tem sido enfático em julgar logo o Mensalão. Diz ele que assim que receber o relatório do Ministro Lewandowsky, começará o julgamento. Isso poderá ser agora em junho. Se os "aloprados" do PT não conseguirem adiar o julgamento para que o processo prescreva por decurso de prazo, deixando todos impunes, ainda há a expectativa de um juiz "amigo" pedir vistas e se sentar em cima da papelada, deixando o tempo passar. Essa possibilidade ficou explícita com esse episódio Lula x Gilmar.

A primeira pressão tem que ser sobre o Ministro Lewandowsky para terminar logo esse relato, que se arrasta há meses. Depois, sobre Britto, para começar o julgamento com um cronograma que impeça a prescrição. No julgamento, contra toda e qualquer manobra de advogados e juízes para retardar o processo. Será desastroso para o país, que busca a verdade histórica, terminar 2012 vendo o Mensalão empurrado para baixo do tapete e o maior escândalo de corrupção, envolvendo executivo, legislativo, judiciário e a mídia, terminando numa pizza de CPI.

http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2012/03/dem-cachoeira-vira-tromba-dagua-para.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2012/04/cpi-do-cachoeira-so-anda-se-mensalao.html
http://blogdobranquinho.blogspot.com/2012/05/cpi-do-cachoeira-goteja-mas-pode.html

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

STF decide :CNJ mantém poder de fiscalização

Nem tudo está perdido na justiça brasileira: por 6 a 5, o Supremo Tribunal Federal cassou a liminar do ministro Marco Antônio Melo, que a pedido da Associação de Magistrados Brasileiros tirou os poderes do Conselho Nacional de Justiça de fiscalizar juízes e funcionários do judiciário. Pelo menos isso...