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sábado, 25 de janeiro de 2014

Dilma : Discurso econômico certo, no lugar certo, na hora certa.

Imagem da NBR
Vi pela TV todo o discurso da presidente Dilma Roussef ontem no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Além de ressaltar os progressos sociais com redução de desigualdade e mais inclusão, Dilma fez uma longa demonstração da solidez da economia brasileira perante uma platéia de empresários de todo o mundo. Destacou que o câmbio pode ser controlado com reservas enormes e que tem zelado pelo controle da inflação e buscado o equilíbrio fiscal, que o Brasil respeita contratos, enfim, essas coisas que investidor gosta de ouvir. E que há grandes perspectivas com um mercado consumidor ainda carente, com a iminência de nos tornarmos grandes exportadores de petróleo e precisarmos de parcerias para pesados investimentos em infra-estrutura.

Mal acabou o discurso e chegam as notícias da desvalorização cambial na Argentina na base de 20%. Independentemente disso as bolsas despencaram em todo o mundo por conta de indicadores ruins na China. Ações na Ásia despencam ao menor valor dos últimos 4 anos, com grandes perdas para o Japão.

Sabendo da retirada de subsídios na economia americana e dos efeitos sobre o câmbio, o governo brasileiro desvalorizou o real  em mais de 50% nos últimos dois anos, com elevação da inflação porém dentro da margem da banda de flutuação cambial. O Brasil tomou a vacina. A Argentina ficou parada olhando. Agora teve que fazer uma maxidesvalorização, liberar compra de dólares e logo terão que tomar outras medidas emergenciais que desorganizarão mais a economia.

Por aqui os urubólogos de plantão já apontam o caminho do pântano para a nossa economia. Dizem que o Brasil será infectado pela crise argentina, que haverá debandada de investidores e capitais, enfim, que estamos cada vez mais à beira do precipício. Isso tudo negado pela perspectiva de termos recorde na no nível de emprego. Faz parte, a mídia é paga para isso por grupos financeiros a quem tudo se traduz numa única ação: aumentar os juros.

Se fosse para urubuzar a economia mundial olharia mais para a China, onde há tensões na cúpula do Partido Comunista entre os mais ideológicos e os coxinhas capitalistas. No último congresso do PCC a ênfase no combate à corrupção foi a saída política para os mais conservadores buscarem controlar os que defendem maior amplitude para o capital. Anteontem foi presa uma ativista anti-corrupção e há rumores de denúncias sobre lideranças com dinheiro em paraísos fiscais. Um abalo no coração do poder chinês pode acontecer com graves repercussões econômicas. Aí não vai sobrar muito da lógica que rege hoje a economia mundial, centrada na exploração de mais-valia chinesa.

O discurso de Dilma pode não ter tido nenhum efeito por conta das realizações contra a desigualdade, que é um dos focos do Fórum, mas certamente deixou muita gente ciente de que o Brasil, entre os emergentes, é a melhor opção de investimento. Como naquela anedota dos dois caçadores que estavam sem munição e viram um leão rondando o acampamento. Enquanto um deles se desesperava com a proximidade do animal feroz, o outro calçava o tênis. "Por que está botando o tênis se não vai correr mais rápido que o leão?", disse o desesperado. "Não é para correr do leão, é para me afastar mais rápido de você". Ou seja, no capitalismo é o salve-se quem puder, e Dilma, mesmo sem saber, fez o Brasil calçar o tênis. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Morreu Videla, o ditador militar mais genocida da Argentina

O Diabo neste ano está com a agenda lotada. Primeiro para atender a tantos "pastores" que a toda hora chamam seu nome em vão e um dia serão seus hóspedes. Depois porque estão chegando concorrentes de peso a toda hora. Primeiro foi Margareth Thatcher. Agora, o general Jorge Rafael Videla, ditador argentino responsável pelo genocídio de mais de 30 mil opositores políticos. Assim como Thatcher, é previsível que haja comemorações pelo envio da sua alma às profundas do inferno.

Enquanto isso no Brasil os responsáveis por torturas e mortes na ditadura militar, continuam soltos, impunes, rindo da cara da democracia, sentindo-se inatingíveis pela Comissão da Verdade, amparados por uma lei de anistia que precisa ser revista. Eles estão aí o dia todo pregando o golpe, aliados à imprensa de direita e fazendo do STF seu bunker. Os generais-ditadores brasileiros morreram sem passar um só dia na cadeia, ao contrário dos militares argentinos, que sentiram o peso da justiça. Parabéns aos argentinos por livrar-se desse personagem nefasto. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Argentina : Oligopólio da mídia vai ser desmontado

Agora é prá valer: o judiciário argentino considerou, depois de muitas protelações, a Ley de Medios constitucional, e o governo começa a avaliar os bens do império de mídia Clarín para começar o desmembramento por licitações.

A Ley de Medios foi aprovada no congresso argentino, e limita o tamanho das empresas de comunicação, entendido o oligopólio como uma ameaça à democracia. Se a moda pega, a Globo, no Brasil, seria bastante reduzida, abrindo espaço a outros grupos de comunicação com a pulverização. Isso, na prática, aumenta a competitividade entre as mídias e fomenta a produção de material cultural, além de dificultar a partidarização das comunicações, como acontece no Brasil hoje. Quatro famílias dominam praticamente tudo por aqui.

Preparem-se para ver ataques poderosos a Cristina Kirchner nos nossos meios de comunicação, que combatem a medida falando em censura pelo estado, quando na prática só publicam o que está de acordo com os seus interesses.

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2012-12-17/governo-argentino-anuncia-desmembramento-do-grupo-clarin.html

domingo, 2 de dezembro de 2012

Argentina : Oligopólio de mídia será detonado dia 7

O dia 7 de dezembro ficará na história da Argentina como a data a partir da qual se começará uma nova etapa democrática nas comunicações, com a entrada em vigor da Lei de Meios, pela qual não será mais permitida a concentração de mídias num mesmo grupo. Nessa data termina o prazo de vigência de uma liminar conseguida pelo grupo Clarín, que é "tipo Globo" de lá, contestando dois artigos da lei alegando direitos adquiridos, ou seja, usucapião dos espaços privilegiados que obteve principalmente colaborando com a ditadura militar.

O grupo Clarín tem o apoio de organizações ligadas à imprensa para o surrado discurso do "controle da liberdade de imprensa" e outras bobagens que aqui no Brasil a Globo, Folha, Abril e outros repetem ao vento quando o governo fala da ilegalidade e da indecência de poucos grupos controlarem toda a mídia, estabelecendo poder paralelo. Parabéns à Argentina por chegar ao século XX nas suas comunicações. Por aqui, continuamos na idade média, com imensa dificuldade para novos entrantes chegarem ao mercado de comunicação, controlado por políticos que têm emissoras de rádios, TVs, jornais, quase sempre associados ao oligopólio das 4 famílias.

A Globo e outros oligopólios botam as barbas de molho e não informam coisas como: a Ley de Medios foi democraticamente aprovada por ampla maioria na Câmara e Senado argentinos, recebeu mais de 100 emendas, e só não entrou em vigor por causa das reclamações judiciais do Grupo Clarín, que não encontraram eco na Suprema Corte argentina. Prefere dar cobertura aos panelaços contra Cristina Kirchner e dizer que ela estará no Brasil no dia 7 de dezembro, como se participar da Cúpula de Presidentes do Mercosul fosse um passeio, colocando-a como irresponsável, etc.

Um dos motivos de revolta dos grandes grupos é a imposição legal de espaços para a produção nacional argentina, o que criará um amplo mercado cultural local e regional:

1. Los servicios de radiodifusión sonora:
a. Privados y no estatales:
i. Deberán emitir un mínimo de setenta por ciento (70%) de producción nacional.
ii. Como mínimo el treinta por ciento (30%) de la música emitida deberá ser de origen nacional, sea de autores o intérpretes nacionales, cualquiera sea el tipo de música de que se trate por cada media jornada de transmisión. Esta cuota de música nacional deberá ser repartida proporcionalmente a lo largo de la programación, debiendo además asegurar la emisión de un cincuenta por ciento (50 %) de música producida en forma independiente donde el autor y/o intérprete ejerza los derechos de comercialización de sus propios fonogramas mediante la transcripción de los mismos por cualquier sistema de soporte teniendo la libertad absoluta para explotar y comercializar su obra(72). La Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual podrá eximir de esta obligación a estaciones de radiodifusión sonora dedicadas a colectividades extranjeras o a emisoras temáticas.
iii. Deberán emitir un mínimo del cincuenta por ciento (50%) de producción propia que incluya noticieros o informativos locales.
b. Las emisoras de titularidad de Estados provinciales, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, municipios y universidades nacionales:
i. Deberán emitir un mínimo del sesenta por ciento (60%) de producción local y propia, que incluya noticieros o informativos locales.
ii. Deberán emitir un mínimo del veinte por ciento (20%) del total de la programación para difusión de contenidos educativos, culturales y de bien público.
2. Los servicios de radiodifusión televisiva abierta:
a. Deberán emitir un mínimo del sesenta por ciento (60%) de producción nacional;
b. Deberán emitir un mínimo del treinta por ciento (30%) de producción propia que incluya informativos locales;
c. Deberán emitir un mínimo del treinta por ciento (30%) de producción local independiente cuando se trate de estaciones localizadas en ciudades con más de un millón quinientos mil (1.500.000) habitantes. Cuando se encuentren localizados en poblaciones de más de seiscientos mil (600.000) habitantes, deberán emitir un mínimo del quince por ciento (15%) de producción local independiente y un mínimo del diez por ciento (10%) en otras localizaciones.
3. Los servicios de televisión por suscripción de recepción fija:
a. Deberán incluir sin codificar las emisiones y señales de Radio Televisión Argentina Sociedad del Estado, todas las emisoras y señales públicas del Estado nacional y en todas aquellas en las que el Estado nacional tenga participación;
b. Deberán ordenar su grilla de programación de forma tal que todas las señales correspondientes al mismo género se encuentren ubicadas en forma correlativa y ordenar su presentación en la grilla conforme la reglamentación que a tal efecto se dicte, dando prioridad a las señales locales, regionales y nacionales;
c. Los servicios de televisión por suscripción no satelital, deberán incluir como mínimo una (1) señal de producción local propia que satisfaga las mismas condiciones que esta ley establece para las emisiones de televisión abierta, por cada licencia o área jurisdiccional que autorice el tendido.
En el caso de servicios localizados en ciudades con menos de seis mil (6.000) habitantes el servicio podrá ser ofrecido por una señal regional;
d. Los servicios de televisión por suscripción no satelital deberán incluir, sin codificar, las emisiones de los servicios de televisión abierta de origen cuya área de cobertura coincida con su área de prestación de servicio;
e. Los servicios de televisión por suscripción no satelital deberán incluir, sin codificar, las señales generadas por los Estados provinciales, Ciudad Autónoma de Buenos Aires y municipios y universidades nacionales que se encuentren localizadas en su área de prestación de servicio;
f. Los servicios de televisión por suscripción satelital deberán incluir, sin codificar, las señales abiertas generadas por los Estados provinciales, por la Ciudad Autónoma de Buenos Aires y municipios, y por las universidades nacionales;
g. Los servicios de televisión por suscripción satelital deberán incluir como mínimo una (1) señal de producción nacional propia que satisfaga las mismas condiciones que esta ley establece para las emisiones de televisión abierta;
h. Los servicios de televisión por suscripción deberán incluir en su grilla de canales un mínimo de señales originadas en países del MERCOSUR y en países latinoamericanos con los que la República Argentina haya suscripto o suscriba a futuro convenios a tal efecto, y que deberán estar inscriptas en el registro de señales previsto en esta ley.


O governo comunicou que a partir do dia 7 de dezembro será aplicada a lei compulsoriamente, ou seja, redes de comunicação terão suas concessões parcialmente cassadas, liberando mídias para novas licitações com pulverização do mercado. A lei não trata de conteúdos, não censura, apenas abre espaço a novos produtores culturais para terem um lugar ao sol. Segue o link da lei:
http://www.afsca.gob.ar/ley-de-servicios-de-comunicacion-audiovisual-26-522/

Dilma, queremos a nossa "Ley de Medios". Acabar com os oligopólios de mídia é democratizar. 

sábado, 24 de novembro de 2012

Seleção : Mano Menezes cai mas nada muda

Na quarta-feira estava à noite em casa com a TV desligada quando ouvi gritos de "gol" na vizinhança. Descobri um jogo Argentina  x Brasil valendo uma dessas taças caça-níqueis inventadas pela cartolagem. Ao fim do jogo o Brasil perdeu em campo mas ganhou nos pênaltis e levou o troféu. Ouvi ao longe um disparo de fogos. Nada mais. Quem diria que chegaríamos ao ponto de um clássico desses ser visto com apatia pela torcida brasileira.

Ontem sai a notícia surpreendente da demissão do técnico da seleção brasileira, Mano Menezes. Em sua defesa a estatística aponta um nível de eficiência de 72%, e contra tem não ter ganho torneios de peso, e a queda no ranking da FIFA. Segundo a Folha, Mano teria sido considerado pela cartolagem atual da CBF (Marin & cia) como uma herança do ex-presidente Ricardo Teixeira, e sua demissão abre espaço para nomearem um nome de confiança da nova direção.

O estranho para muita gente nisso é a CBF ter dado as contas ao técnico justo quando ganhou uma disputa contra a Argentina. Mano sempre foi muito disciplinado, em termos de fazer o esquema dos cartolas: máxima exibição de jogadores na vitrine da Seleção, valorizando passes. Só que isso pode até fazer alguns donos de passes ganharem dinheiro, mas não se ganha uma Copa do Mundo assim.

Os estádios estão, bem ou mal, em fase final, ou seja, não vai ser por falta de estrutura que vamos fazer feio em 2014. Dinheiro para a seleção não falta. Virando o ano de 2013, todos os olhares serão agora para o time brasileiro, que terá seu primeiro teste em casa na Copa das Confederações.

Mano fez vários times e nenhuma seleção confiável, daquelas que a gente decora o nome dos jogadores e acredita que é uma equipe poderosa, capaz de mover corações e mentes acima das rivalidades interclubes. Perder esse torneio para a Argentina seria sair da seleção pela porta dos fundos, porque certamente seria demitido.

O que fez Mano para o jogo na Bombonera? O que qualquer técnico sensato fez ao longo da história das nossas seleções: pegou um time-base do Fluminense, que está bem articulado e ganhou o Brasileirão por isso mesmo, e colocou jogadores de expressão nas outras posições. O time perdeu  o jogo por 2 x 1 mas aguentou o tranco. Levou a taça, que era a meta. Em um só ato, porém, Mano fez duas heresias: fugiu ao esquema de vitrine de jogadores e privilegiou o futebol carioca, desagradando duplamente a cartolagem paulistana da CBF.

Quem deve ser o novo técnico? Nomes não importam: tem que ser alguém com suficiente dignidade para rejeitar as "cotas dos dirigentes" nas escalações e montar o melhor time, sem politicagem ou interesses financeiros. Tite? Abel Silva? Guardiola?

Considerando que o esquema da CBF coloca qualquer profissional brasileiro na marca do pênalti, com poder de vida e morte sobre suas carreiras, acima das paixões nacionalistas, o nome seria o do espanhol Guardiola, responsável pela grande fase do futebol no seu país. Não deve ser ele porque vão alegar que afrouxaria numa final contra a Espanha, o que é possível, mas não chega à razão principal: acima dos interesses e paixões da nação está o mundinho dos investidores do mercado do futebol. Duvido que os brasileiros tenham peito para encarar os donos do futebol. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Argentina : Governo re-estatiza petróleo

A presidente argentina Cristina Kirchner já vinha mostrando interesse em re-estatizar a empresa petrolífera YPF, por não investir nas necessidades energéticas do país. Ficou de mandar hoje um projeto para o congresso considerando a YPF de utilidade pública, e a partir daí tirá-la das mãos privadas. A notícia é do jornal Página 12, de Buenos Aires.

O projeto de soberania sobre os hidrocarbonetos pretende expropriar as ações dos acionistas privados e redistribuí-las com maioria para o governo central e as demais para as províncias. Desde a desnacionalização da empresa, em 2011, pela primeira vez, a Argentina deixou de ser exportadora de gás e petróleo e se tornou importadora.

O grupo espanhol Repsol, principal acusado de sucatear a empresa, terá o maior prejuízo. A Espanha classificou o ato de "um gesto de hostilidade contra o nosso país e o nosso governo". A mídia brasileira pró-imperialista já faz o seu papel de condenar o ato de soberania. A Petrobrás, que vinha sendo acusada da participação em cartel, que bote as barbas de molho. 

sábado, 14 de abril de 2012

Argentina : Ex-ditador assume 8 mil assassinatos

Cumprindo pena de prisão perpétua, o ex-ditador argentino Jorge Videla assumiu ao jornalista argentino Ceferino Reato ter sido responsável direto por mortes de 7mil a 8 mil pessoas pelo regime militar. O depoismento consta do livro "Disposición Final", que será lançando no próximo final de semana, e fala do período ditatorial de Videla (1976 - 1981). A informação é da Folha de hoje:
http://www1.folha.uol.com.br/bbc/1075733-ex-ditador-argentino-diz-ter-ordenado-ate-8000-mortes.shtml


terça-feira, 3 de abril de 2012

Comissão da Verdade : Como foi feita justiça no Chile e na Argentina

Segue o link de interessante matéria do site Sul 21, com entrevista de deputados argentinos e chilenos falando dos processos judiciais por crimes contra a humanidade resultantes das Comissões da Verdade.

http://sul21.com.br/jornal/2012/03/deputados-de-argentina-e-chile-relatam-a-justica-aos-crimes-de-lesa-humanidade-em-seus-paises/

sábado, 31 de março de 2012

Argentina : Governo quer re-estatizar petróleo

O governo argentino avalia que as empresas que controlam a YPF, antiga estatal de petróleo, não têm vontade de atender às necessidades energéticas do país, e estuda a possibilidade de expropriar ou intervir na empresa. Como a YPF tem uma política de distribuição de dividendos acima do praticado no mercado petrolífero, faltam recursos para investimentos, o que obriga o governo argentino a cada vez mais gastar com a importação de insumos energéticos.

O governo deve propor uma lei tornando a YPF de interesse público, e daí assumir o controle pela compra de ações ou pela expropriação, o que trará consequências políticas similares às que sofreram a Bolívia, Venezuela e Equador. A empresa espanhola Repsol é quem atualmente controla a YPF, e conta com parcerias de investidores espanhóis, norte-americanos e mexicanos, que não aceitarão passivamente perder um negócio tão rentável.




terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Petrobrás : Cartel na Argentina?

Circulam pela internet e-mails comparando os preços da gasolina brasileira com a argentina. Nas regiões de fronteira é comum brasileiros pagarem R$ 2,20 no país vizinho, deixando de pagar R$ 2,80 no Brasil. Segundo a Petrobrás, que publicou gráfico comparativo de preços entre diversos países no seu blog, a nossa gasolina é cara por causa dos impostos, mas é mais barata que a da Alemanha, Japão, Reino Unido e Itália. Não cita a Argentina na comparação, mas mostra que China e Estados Unidos têm combustível mais barato.

Já a Argentina cita a Petrobrás Energia, subsidiária da Petrobrás,  num processo por suspeita de formação de cartel com outras grandes do setor, como a Repsol-YPF, Shell, Esso e Oil. Segundo as autoridades de lá, o preço do diesel estaria até 30% acima do que seria o valor real, encarecendo os transportes de cargas.

Por lá a privatização neoliberal foi mais a fundo que aqui, e a estatal petrolífera YPF foi privatizada, vendida à espanhola Repsol em 1999 no governo de Carlos Menem. Aproveitando os baixos preços das empresas na crise e as vantagens do governo entreguista, a Petrobrás entrou no mercado de lá comprando até refinarias e fazendo boa presença no mercado de distribuição de combustíveis.

O governo argentino perdeu seu instrumento de ação perante os cartéis com a privatização, e agora amarga com as jogadas que o setor de energia faz pelo mundo. Se no Brasil o cartel corre solto por absoluta falta de operância da ANP, na Argentina a coisa parece não ser conivente com as empresas de petróleo.


Miriam Leitão : Urubologia argentina

Não basta ficar buscando qualquer coisa na economia brasileira que renda um comentário negativo, um desalento, uma desesperança: a comentarista da Globo agora joga pesado contra a economia da Argentina, dizendo que tudo lá está fora do lugar. No Bom Dia Brasil de hoje bateu bola sobre a "tragédia" dos nossos vizinhos. 

Falou de manipulação de dados da economia, com a proibição de divulgação de índices econômicos que não sejam os oficiais. Quem sabe de inflação é quem está comprando, e isso não é visto nem em danos eleitorais à presidente nem à popularidade, mas há índices alternativos apontando uma inflação muito acima da anunciada pelo poder público. Na mesma linha da analista da Globo, o FMI também disse que o índice oficial não estaria refletindo a inflação real. Segundo o governo, a inflação de 2011 foi de 9,5%, mas os tais "analistas independentes" afirmam que chegou a 22,8%.

Não é a primeira vez que investe contra o país "hermano". Também já atacou, em sintonia com a Globo, a lei argentina que detonou os grandes impérios da mídia e abriu caminho para a pulverização dos meios de comunicação, com a criação de novas mídias. Será que uma coisa teria a ver com a outra? Esqueceram de falar com os argentinos, porque Cristina Kirchner foi reeleita com imensa votação e continua com elevado índice de popularidade. Que interesses estarão por trás da sintonia da Globo com o FMI?

sábado, 31 de dezembro de 2011

Argentina : A coragem que falta ao Brasil

A gente pode falar muita coisa dos argentinos, naquela rixa futebolística que descambou para o resto dos aspectos da nossa relação com eles, mas uma coisa temos que reconhecer de muito positivo: eles são muito corajosos. Para quem teve uma ditadura sangrenta, que matou muito mais gente que no Brasil, o fato de não se intimidarem para punir os responsáveis pelos crimes desse período é digno de aplausos. Para isso revogaram uma lei que anistiava os criminosos, a exemplo da que temos por aqui e ninguém quer mexer. Por aqui, uma Comissão da Verdade, só para tocar no assunto, tem que negociar com melindres de militares aposentados, etc.

Na semana passada a justiça argentina mandou para a cadeia mais um ex-presidente ditador, Reynaldo Bignone, por crimes contra a humanidade cometidos numa prisão no seu governo. Já são quase 500 condenados pelos seus atos de barbárie. Enquanto isso, em terras brasileiras, o simples anúncio de que a Revista de História da Biblioteca Nacional publicará uma lista que faz parte do acervo do ex-líder comunista Luis Carlos Prestes, com 233 policiais e militares que mataram e torturaram no governo de Ernesto Geisel, já recebeu, antes de sair, o contraponto da Folha de São Paulo, colaboradora do regime junto com outros meios de comunicação. Deram destaque a declarações de pessoas ligadas a entidades de militares, acenando para o "revanchismo" e "perseguição" pelos que estão "do outro lado". Em vez de ficarem caladinhos, para ver se a Comissão da Verdade acaba numa grande pizza, ainda têm a desfaçatez de vir a público criticar. Com o apoio da mídia cúmplice, claro.

Na Argentina também encararam a mídia golpista, fazendo passar a Lei de Meios, que desmantela impérios de comunicação, permitindo a democratização da informação com a criação de outras empresas, além de acabar com o cartel do papel-jornal que era comandado pelos dois principais jornais.
Aqui, uma revista editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, contendo um documento histórico, merece o repúdio e censura tanto de mídia como de seus parceiros da ditadura. E o debate sobre a democratização da mídia se arrasta no congresso.

Na Argentina também encararam os banqueiros. Nestor Kirchner, no primeiro mandato, deu um sacolejo nos bancos, negando-se a pagar a dívida eterna que levava o país ao fundo do poço. Peitou o FMI. Foi o bastante para haver redução de saldos, de juros, alongamento, etc. O governo argentino passou a pagar na base de US$ 0,30 para cada dólar de dívida. Encarou os mercados e sua mídia, que diziam que aquilo seria um desastre. Graças a essa atitude corajosa e soberana, a Argentina, que mergulhou na pobreza em governos corruptos neoliberais, agora se recupera com vigor graças a essa atitude corajosa. Enquanto isso, por aqui, vamos pagando sem chiar e vendo o saldo devedor crescer, comprometendo presente e futuro. Pelé pode ser melhor que Maradona, temos mais campeonatos mundiais que eles, mas em coragem eles nos dão de goleada. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Argentina : Estatizar o papel-jornal para acabar com cartel

O governo de Cristina Kirchner está próximo de desfechar um duro golpe no cartel de imprensa da Argentina. A única fábrica que produz papel-jornal, a Papel Prensa, que fornece 70% do insumo no país, foi comprada na ditadura militar pelos grupos La Nación e Clarín por processo irregular, que envolve cumplicidade entre governo e imprensa em crimes de sequestro e tortura à família Graiver, então proprietária da empresa. Militares e donos desses jornais estão sendo denunciados na justiça por crime contra a humanidade e apropriação indevida da empresa. Para engrossar o caldo, o governo argentino pediu à justiça para investigar se dois filhos da dona do Clarín seriam filhos de desaparecidos políticos do período da ditadura, adotados por ela.

O governo argentino, que tem maioria no congresso e deverá aprovar a estatização hoje no Senado (já foi aprovada na Câmara). Para a medida, alega que com o fim do controle do papel de imprensa pelo cartel La Nación / Clarín, o insumo chegará a todos os jornais do país a preços mais acessíveis, democratizando o acesso das pequenas empresas de comunicação.

Aqui no Brasil, quem tem barbas longas começa a colocá-las de molho. Nossa grande mídia colaborou com a ditadura militar, tem se colocado contra a Comissão da Verdade apurar crimes da época e está horrorizada com a possibilidade do Brasil ser um país decente, com legislação rigorosa contra a concentração de meios de comunicação (que existe em todo o mundo dito desenvolvido), e acabar com o absurdo "quarto poder" que tem a possibilidade de manipular fatos, criar versões, eleger e derrubar governos, atentando contra a democracia.

Nos últimos dias essa mídia golpista tem vergonhosamente escondido que está para acontecer uma CPI baseada nas provas dispostas no livro Privataria Tucana, que aponta o ex-governador José Serra como chefe de uma quadrilha que privatizou empresas estatais em troca de propinas. Um exemplo claro de censura e atentado à democracia, só possível com a atual concentração e horizontalização (rádios, TVs, jornais, TVs a cabo, internet nas mãos de um mesmo grupo). Tanto os crimes contra o patrimônio público como as cumplicidades com a ditadura devem ser investigados e punidos, mesmo contra esse poder autocrático da imprensa, que precisa de regulamentação no direito de empresa, não de censura, como tentam fazer crer para se segurarem nos privilégios.