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sexta-feira, 31 de maio de 2013

YOUTROUXA 0017 : Motim militar para Comissão da Verdade investigar de novo os punidos pela ditadura

É impressionante como a prepotência de alguns militares põe a perder a credibilidade de toda a corporação, em especial porque são reformados, em geral de rabo preso com a Comissão da Verdade e há muito não têm poder nenhum sobre a tropa ativa. Desde o tempo da ditadura, por falta de punições que enterrassem de vez esse capítulo hediondo da nossa história, alguns militares de pijama reunidos em associações nostálgicas cismam de ameaçar a democracia. Comemoram o golpe de 64 como se fosse uma grande data, uma revolução redentora, quando na verdade se tratou de uma quartelada sustentada politicamente por corruptos sustentados pelo dinheiro norte-americano.

A Comissão da Verdade não produziu muita coisa, mas incomoda pelo que pode vir a produzir. Governos estrangeiros estão colaborando, em especial os nossos vizinhos, que já puniram seus militares  criminosos. As informações sobre a Operação Condor, que reuniu diversas ditaduras latino-americanas para matar e torturar lideranças anti-americanas começam a incomodar. E começam a surgir livros e relatos de corrupção, uma bomba em cima de quem disse que o golpe de 64 veio para limpar o país.

Agora tem gente querendo que a Comissão da Verdade investigue os dois lados, ou seja, as ações cometidas pelos grupos "subversivos", justo quando se fala em propor punições para os criminosos que agiram em nome das forças armadas na ditadura. Querem que os réus punidos pela da ditadura sejam novamente réus, e o disparate chega a ponto de proporem um movimento no dia 11 de junho e dizer que "a insatisfação pode provocar motins nos quartéis".

A sociedade brasileira tem que pagar para ver. Acabar com essa estória de chantagens por servidores públicos, profissionais que têm o dever de defender o país e cumprir ordens emanadas dos representantes eleitos pelo povo. Dar um fim a esse pretenso "poder paralelo" de alguns militares de pijama que usam suas corporações para mostrar poderes que não têm mais.

A ditadura acabou, lugar de bandido é na cadeia, quem manda é o povo e isso tem que ser dito claramente a essas lideranças sem liderados. E se vier motim, será a hora adequada para os brasileiros irem às ruas pedir punições e virar de vez essa página triste da nossa história, onde os crimes de uns poucos pesam sobre as corporações e as novas gerações de militares. Não dá para esquecer, nem para deixar impunes os que acreditaram que ficariam no poder para sempre.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-05-31/insatisfeitos-militares-convocam-protesto-por-dois-lados-na-comissao-da-verdade.html

segunda-feira, 1 de abril de 2013

1° de Abril de 1964 - O golpe da mentira

1° de abril de 1964 : O golpe da mentira - Nessa data o golpe triunfou. Jango saiu de Brasília para o Rio Grande do Sul e daí para o exílio no Uruguai. Apesar da movimentação militar, o golpe teve inspiração das forças civis de direita (igreja católica, governadores, etc) e pleno apoio do governo dos Estados Unidos. 

Em 2 de abril Ranieri Mazilli, presidente do Congresso, tomou posse como presidente para conduzir o processo de escolha de um novo presidente em 30 dias, para terminar o mandato de Jango e fazer eleições diretas em 1965. O Ministro da Guerra foi mais longe: Diretas Já! E todas essas mentiras acabaram em 21 anos de trevas.


 A história que aprendemos foi contada pelos vitoriosos. Até a verdade sobre isso tem que ser reposta. Por trás de tudo o governo dos EUA, como mostraram os documentos do Wikileaks. Os civis de direita acabaram golpeados num segundo momento, não houve eleição, cassaram Lacerda e JK, principais candidatos à eleição de 1965 e eles e Jango acabaram mortos em circunstâncias suspeitas. Nos últimos dias a família Goulart autorizou a exumação dos restos de Jango para investigação da suspeita de envenenamento. JK morreu num acidente estranhíssimo na Via Dutra. 
Globo : 1964 e hoje, iguais

A mídia golpista da época foi ao delírio. O apoio aberto ao golpe e a cobrança de medidas duras contra os derrotados estampou os jornais, com algumas nuances. O Globo queria que os "revolucionários" pisassem no acelerador na destruição dos movimentos sociais, cadeia para os apoiadores de Jango e na bajulação aos militares. O Jornal do Brasil teve uma postura mais cautelosa, temendo que os primeiros momentos do golpe, onde se falava em eleições e democracia, se tornasse um regime fechado, o que aconteceu, de fato, nos dias seguintes. 


Mentiram para o povo, mentiram para os aliados. O fato é que Juscelino, Carlos Lacerda e outros políticos que apoiaram o golpe pensando em se eleger presidente em 1965 tomaram uma rasteira dos militares, que tinham outros planos e ordens do exterior, e a ditadura seria uma questão de dias. Logo a seguir vieram os Atos Institucionais, a nomeação de Ministro da Fazenda ligado aos interesses norte-americanos e o manto de chumbo sob o qual a barbárie do estado se estabeleceu. 

A presidente Dilma Roussef, vítima da ditadura, cobra com razão que se aprofundem as investigações da Comissão da Verdade. Toda a América Latina já investigou as ditaduras implantadas pelos EUA e muita gente foi parar na cadeia, pagando por seus crimes. É vergonhoso que o Brasil não tenha ainda feito sua revisão histórica e acoberte com uma Lei de Anistia apenas os que mataram e torturaram. Não se pode esquecer o passado para que não se repita no futuro. Repor a verdade até na data do golpe, que foi, de fato, em 1° de abril, dia da mentira. 




quinta-feira, 5 de abril de 2012

Bolsonaro tumultua Comissão da Verdade

Quem não deve, não teme. Não parece ser o caso do ex-militar e deputado federal Jair Bolsonaro, que em mais um ato de truculência tumultuou ontem uma sessão da Comissão Parlamentar da Memória, que é ligada à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Estavam sendo ouvidos camponeses e militares envolvidos na guerrilha do Araguaia, numa reunião fechada para evitar ameaças, quando Bolsonaro entrou xingando todo mundo e querendo saber o nome das pessoas que estavam ali, o que não foi fornecido.

O presidente da Câmara, Marcos Maia, pediu a cassação do mandato do agressor por falta de decoro. Ele gritava "Comissão da Patifaria" e quer saber quem são os integrantes. Mais intimidação impossível. Não tem condições de permanecer no Congresso, a bem do desenvolvimento dos trabalhos da Comissão da Verdade. Pelo visto, Bolsonaro é a parte exposta da truculência da gorilada que não quer saber de holofotes nem de punição.

O pior para gente do naipe dele é que quanto mais lembram as trevas da ditadura com  gorilagem, mais a sociedade se organiza para exigir um acerto de contas com o passado. O primeiro passo será mandar Bolsonaro de volta para casa. Será o primeiro punido por conta da Comissão da Verdade.



terça-feira, 3 de abril de 2012

Comissão da Verdade : Como foi feita justiça no Chile e na Argentina

Segue o link de interessante matéria do site Sul 21, com entrevista de deputados argentinos e chilenos falando dos processos judiciais por crimes contra a humanidade resultantes das Comissões da Verdade.

http://sul21.com.br/jornal/2012/03/deputados-de-argentina-e-chile-relatam-a-justica-aos-crimes-de-lesa-humanidade-em-seus-paises/

domingo, 1 de abril de 2012

Brasil : O necessário acerto de contas com os militares

Desde a volta das eleições diretas os militares sentem a redução gradativa da importância política no cenário das instituições democráticas. Seria natural, dada a exacerbação do papel das forças armadas no período ditatorial. Havia Ministérios da Marinha, Exército, Aeronáutica, EMFA, os poderes de fato, que não escondiam a realidade onde um militar dava plantão em rodízio na Presidência da República.

O fato é que o desmonte não parou na criação, por FHC, do Ministério da Defesa, em 1999, rebaixando o status das três forças e colocando civis no comando. Uma forma explícita de dizer que o poder militar se submete ao poder civil de um ministro, e acima dele do ocupante eleito da Presidência. Alguém poderia falar de revanchismo de FHC, que foi exilado político no período ditatorial, mas a unificação dos ministérios militares já era prevista desde a Constituição de 1946.

No governo Lula foi elaborada a Estratégia Nacional de Defesa, no sentido de profissionalizar as forças armadas e dar um desenho ao desenvolvimento do segmento militar. Lula também criou o Estado-Maior conjunto das Forças Armadas, cargo militar indicado pelo Ministro da Defesa e nomeado pelo Presidente da República. Isso, entretanto, não mudou a tendência de depreciação das forças armadas.

Vem a questão: é possível prescindir das forças armadas com tantos desafios na defesa nacional? Será que bravos brasileiros, que estão mundo afora comandando ações militares de paz no Líbano e no Haiti, que auxiliam no combate ao crime organizado e são responsáveis pela presença nacional na gigantesca Amazônia, não são dignos de apreço pela pátria? E agora o pré-sal, mais um motivo de cobiça pelas grandes potências, não merece uma defesa capaz de enfrentar as ameaças de um mundo que não enxerga mais fronteiras em busca de recursos?

Hoje os efetivos são mínimos, os equipamentos estão sucateados, os salários ficaram muito tempo congelados e estão defasados, enfim, apesar dos discursos em sentido contrário, o fato é que o poder militar foi congelado, pelo receio de poder se voltar contra o poder civil. Cadê os aviões, que desde o governo FHC enrolam mas não compram? É só um exemplo de como o país, independente de verniz ideológico, vem tratando os assuntos militares.

A resposta está na desconfiança de dar armas a quem se faz representar publicamente por reacionários, dinossauros da ditadura, que a todo momento falam enquanto militares acima das leis, da democracia, do governo. A cada documento de entidades de militares onde reformados se colocam no papel de lideranças e de porta-vozes, querendo pautar o que o governo civil deve ou não fazer, cai menos uma moedinha no orçamento militar.

A cada reunião de louvor ao criminoso golpe militar de 1964, que destruiu a democracia e depôs um governo eleito pelo povo, e de defesa dos torturadores que mancharam as forças armadas, é mais um motivo para as forças civis deixarem os militares fracos, sem poderem ameaçar novamente as instituições civis. Enquanto a confiança nas forças armadas não for recuperada, não haverá boa vontade, e vai-se empurrando com a barriga qualquer coisa que possa significar dar asas a cobras.

Como sair disso? Pagando-se uma conta que está aí, pendente, referente aos crimes cometidos nos governos militares. Só o Brasil não fez esse acerto de contas com a sua história. Na Argentina militares estão pagando pelos crimes da ditadura e até pelo desatino da Guerra das Malvinas, manobra desastrada para tentar manter o prestígio da ditadura. Milhares de jovens morreram em busca desse desatino político. Outros milhares foram torturados e atirados ao mar por se oporem à ditadura.

Enquanto não houver punição dos criminosos que torturaram e mataram em nome do Brasil, não haverá restauração do poder de defesa. E assim vamos, com militares de pijama falando em nome das novas gerações, num corporativismo irresponsável. A nação aguentou todos esses anos os discursos de louvor ao golpe de 64 nos quartéis, até que na última sexta alguns reagiram e protestaram junto ao Clube Militar, no Rio. Isso foi possivelmente uma resposta à provocação daqueles que se pronunciaram publicamente contra a Comissão da Verdade no mês passado.

A cada ato de afirmação de um poder e de um tempo que não existem mais, as forças da sociedade e o governo terão mais motivos para avançar na restauração da verdade. Não precisaríamos passar a vergonha de ser questionados por tribunais internacionais de direitos humanos se houvesse a coragem em civis, juízes e militares, de por fim a essa pendência.

A anistia não é absoluta. Torturadores terão que ser expostos e punidos. São uma ínfima minoria, em nome da qual as forças armadas estão pagando um alto preço. Passada a limpo a história, restabelecida a confiança nos militares como profissionais e partícipes da democracia, certamente haverá a retomada do poder de defesa nacional. Isso não pode ser mais adiado, num mundo cada vez mais intervencionista.


sexta-feira, 9 de março de 2012

Comissão da Verdade : Manifesto militar é confissão de culpa

A Comissão da Verdade criada pelo Congresso Nacional tinha tudo para ser uma coisa morna, fadada ao fracasso, sem maiores destaques de mídia, que também não tem interesse em dar publicidade porque tem o rabo preso. Eis que de repente, bem ao estilo gorila, surge um manifesto assinado por militares demonstrando morrerem de medo que a Comissão da Verdade revire o passado e traga os crimes da ditadura á tona.

Dilma mandou as organizações de militares que divulgaram o tal Manifesto de Culpa tirarem o documento de suas páginas na internet. Agora se fala que o ministro da Defesa pode punir os autores do manifesto. Não deveria, afinal, trata-se da expressão de alguém que teme e dos que com eles se solidarizam por cumplicidade ou corporativismo. Quanto mais manifestos e assinaturas aparecerem, mais fácil ficará sabermos a extensão dos que, por alguma razão, temem a investigação.

À medida que essas pessoas hostilizam a Comissão da Verdade e, por que não dizer, temem a própria verdade, trarão a certeza da necessidade não apenas de buscar resgatar a história de todo o período como de punir os criminosos do período. Quanto mais manifestos, quanto mais adesões, mais certezas do caminho certo da investigação democrática e transparente que deve ser trilhado pela Comissão da Verdade.  Quem não deve, não teme, e deixa investigar porque confia na sua inocência.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Globo quer limitar "Comissão da Verdade". Medo?

Sintomáticas as colunas do "imortal" Merval Pereira no jornal O Globo dos últimos dias: dedica-se a apresentar documentos e depoimentos de pessoas defendendo a tese da separação da apuração dos crimes da ditadura militar de qualquer possibilidade de punição aos seus executores. O tom de "deixa disso" a favor de não mexer com a corja que matou, torturou, desapareceu com gente, cometeu arbitrariedades de todos os tipos está presente nos artigos. O de ontem foi o "Conciliação (ainda)".

Mesmo desacreditada, a Comissão da Verdade é para alguns um pesadelo. Inclua-se neles a mídia que colaborou com a ditadura, promovendo auto-censura, demitindo profissionais, dedurando gente, encobrindo crimes, dando recursos para o "combate à subversão". Pesadelo no sentido da música do MPB4, que na época que foi lançada era uma espécie de ameaça aos que cometeram crimes sem acabar com todos os seus opositores, e um alerta para a volta deles para fazer justiça. Aos que temem que se jogue luz sobre o passado vai a estrofe : "que medo você tem de nós, olha aí...". Vale a pena relembrar:

Pesadelo - MPB4

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta

E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto

De repente olha eu de novo

Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã

Olha aí...
Olha aí...
Olha aí...

sábado, 31 de dezembro de 2011

Argentina : A coragem que falta ao Brasil

A gente pode falar muita coisa dos argentinos, naquela rixa futebolística que descambou para o resto dos aspectos da nossa relação com eles, mas uma coisa temos que reconhecer de muito positivo: eles são muito corajosos. Para quem teve uma ditadura sangrenta, que matou muito mais gente que no Brasil, o fato de não se intimidarem para punir os responsáveis pelos crimes desse período é digno de aplausos. Para isso revogaram uma lei que anistiava os criminosos, a exemplo da que temos por aqui e ninguém quer mexer. Por aqui, uma Comissão da Verdade, só para tocar no assunto, tem que negociar com melindres de militares aposentados, etc.

Na semana passada a justiça argentina mandou para a cadeia mais um ex-presidente ditador, Reynaldo Bignone, por crimes contra a humanidade cometidos numa prisão no seu governo. Já são quase 500 condenados pelos seus atos de barbárie. Enquanto isso, em terras brasileiras, o simples anúncio de que a Revista de História da Biblioteca Nacional publicará uma lista que faz parte do acervo do ex-líder comunista Luis Carlos Prestes, com 233 policiais e militares que mataram e torturaram no governo de Ernesto Geisel, já recebeu, antes de sair, o contraponto da Folha de São Paulo, colaboradora do regime junto com outros meios de comunicação. Deram destaque a declarações de pessoas ligadas a entidades de militares, acenando para o "revanchismo" e "perseguição" pelos que estão "do outro lado". Em vez de ficarem caladinhos, para ver se a Comissão da Verdade acaba numa grande pizza, ainda têm a desfaçatez de vir a público criticar. Com o apoio da mídia cúmplice, claro.

Na Argentina também encararam a mídia golpista, fazendo passar a Lei de Meios, que desmantela impérios de comunicação, permitindo a democratização da informação com a criação de outras empresas, além de acabar com o cartel do papel-jornal que era comandado pelos dois principais jornais.
Aqui, uma revista editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, contendo um documento histórico, merece o repúdio e censura tanto de mídia como de seus parceiros da ditadura. E o debate sobre a democratização da mídia se arrasta no congresso.

Na Argentina também encararam os banqueiros. Nestor Kirchner, no primeiro mandato, deu um sacolejo nos bancos, negando-se a pagar a dívida eterna que levava o país ao fundo do poço. Peitou o FMI. Foi o bastante para haver redução de saldos, de juros, alongamento, etc. O governo argentino passou a pagar na base de US$ 0,30 para cada dólar de dívida. Encarou os mercados e sua mídia, que diziam que aquilo seria um desastre. Graças a essa atitude corajosa e soberana, a Argentina, que mergulhou na pobreza em governos corruptos neoliberais, agora se recupera com vigor graças a essa atitude corajosa. Enquanto isso, por aqui, vamos pagando sem chiar e vendo o saldo devedor crescer, comprometendo presente e futuro. Pelé pode ser melhor que Maradona, temos mais campeonatos mundiais que eles, mas em coragem eles nos dão de goleada.