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quarta-feira, 27 de abril de 2016

DILMA : GOVERNO MARCADO PARA MORRER

Foto de Blog do Branquinho.
Alguém já viu na história da humanidade um governo com dia marcado para ser deposto? No Brasil inovaremos derrubando Dilma em 11 de maio, um novo dia para ficar na história das vergonhas nacionais.
Dilma não sairá como Vargas, suicidado, ou como Jango, que não resistiu. Sofrerá um assassinato político, de reputação, acusada de algo que não seria crime. Teria como relator da sua sentença alguém que fez o mesmo que ela, o ex-governador Anastasia, e como juízes ex-governadores que também cometeram pedaladas fiscais. Um upgrade do que vimos na Câmara, onde um corrupto liderou uma bancada de gente desonesta para processá-la sem crime.
Dilma e o que resta de base aliada não reagem à altura do que virá, criando ilusões de processo honesto no Senado ou de uma reação do Judiciário ao golpe. Não era para os movimentos sociais estarem brincando de mostrar quantas pessoas botam nas ruas como se isso importasse para quem já pisou no acelerador do golpe.
É preciso trabalhar com a realidade. Dilma será deposta e não voltará mais. O governo que Temer está preparando não vem para ficar até 180 dias enquanto o Senado continua iludindo com a possibilidade de inocentar Dilma. É um governo para ficar até 2018 e além, porque já sabem que perderão para qualquer um depois de abrirem o saco de maldades.
A Lava Jato vai continuar na mesma linha de antes, cumprindo as 3 metas: tirar Dilma, prender Lula e cassar seus direitos e tirar o registro do PT. Moro já ganhou seus prêmios de "funcionário do ano" e agora vai triturar listas de acusados que "não vêm ao caso". O MP continuará sua seletividade em busca de privilégios no novo governo. O STF ficará mais acovardado diante da ameaça de ampliação do colegiado para 15 juízes, sendo 4 novos indicados na ditadura Temer.
A ditadura midiático-juridico-congressual manterá poder absoluto sobre o legislativo enquanto a base aliada de Temer não rachar por ambições de cargos dos diversos caciques. Poderá nos levar à idade média em poucos meses a partir dos projetos em andamento e de outros que poderão fazer parte de uma pauta mais bomba ainda. Fora as medidas na área econômica com forte impacto social, destruindo conquistas e impondo mais sacrifícios.
O governo Temer, considerada a truculência já investida contra a democracia até aqui, será diferente da militar. Em 1964 houve o golpe e em 1968 houve o AI-5, endurecendo o regime, apagando as luzes da democracia e trazendo a treva da luta extremista. O governo usurpador começaria do AI-5, com censura geral, principalmente na internet (os meios de comunicação que apoiam virarão diários oficiais informais). Cassações de mandatos de opositores (Jean Wyllys pode ser o primeiro entre tantos que desacataram Cunha), perseguições policiais e judiciais a movimentos sociais e entidades sindicais, limitações em direitos constitucionais como privacidade (esse já dançou), inviolabilidade de correspondência, prisões sem motivação, etc.
Já estamos na ditadura, sem oportunidades de retorno sem uma grande mobilização social, para não falar em convulsão, que já não seria mais simplesmente por "volta Dilma". A história já foi estilhaçada e não tem mais como colar o que se quebrou. Um amplo movimento de massas deverá exigir muito mais conquistas sociais e avanços democráticos. As instituições do cerne do Estado não poderão mais ficar no controle da minoria. O desafio agora nesses poucos dias que nos separam das trevas completas é lançar as bases para a luta de resistência que se fará necessária.

domingo, 1 de setembro de 2013

Midia Bandida 030 : Globo diz que seu editorial pró-ditadura em 1964 foi "um erro"

Hoje é 1o de setembro, mas a matéria parece coisa de 1o de abril, coincidentemente dia da mentira e do golpe militar de 1964 insuflado naquela época por jornais como "O Globo", que agora vem dizer que foi um erro seu editorial do dia 2 de abril apoiando o golpe porque estaria revendo a papelada para um projeto de memória e achou que errou.


As Organizações Globo não farão o mesmo daqui a 40, 50 anos em relação a Lula e Dilma porque não sobreviverão aos novos tempos, onde as mentiras que propagam nas campanhas anti-democráticas que promovem não sobrevivem a algumas horas sem desmentidos nas redes sociais da internet. Nas ruas os movimentos de junho, ao contrário da manipulação tentada pela Globo, gritou bem alto "a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura" e fez atos em frente à empresa. Bastou que seu editorial circulasse na internet para que fosse desmascarada para as novas gerações, que como as de 64, tentou manipular novamente em junho. Desta vez, perdeu.

Neste ano fizemos no blog matéria com o editorial e capa de O Globo de 1964, e muita gente ficou sabendo disso: http://blogdobranquinho.blogspot.com/2013/04/1-de-abril-de-1964-o-golpe-da-mentira.html

Segue a surpreendente matéria de O Globo, que muita gente deve estar se questionando por que estão fazendo isso. Como não existe manchete nem "mea culpa" grátis, a pulga fica atrás da orelha.
http://oglobo.globo.com/pais/apoio-editorial-ao-golpe-de-64-foi-um-erro-9771604

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Polícia Militar é entulho da ditadura e deve ser extinta

Em todo o mundo as polícias militares atuam apenas no interior das forças armadas. No Brasil a ditadura militar a tirou dos quartéis e botou nas ruas, sem a formação que seria necessária para tratar com a sociedade civil, e hoje um dos resultados mais aterradores é que a PM de São Paulo mata nove vezes mais que a polícia norte-americana. Independentemente das últimas agressões contra os movimentos sociais, devemos discutir a sua extinção e a implementação de uma nova polícia civil. Vide artigo interessante do filósofo Vladimir Safatle publicado na Folha:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/1124692-pela-extincao-da-pm.shtml

sexta-feira, 31 de maio de 2013

YOUTROUXA 0017 : Motim militar para Comissão da Verdade investigar de novo os punidos pela ditadura

É impressionante como a prepotência de alguns militares põe a perder a credibilidade de toda a corporação, em especial porque são reformados, em geral de rabo preso com a Comissão da Verdade e há muito não têm poder nenhum sobre a tropa ativa. Desde o tempo da ditadura, por falta de punições que enterrassem de vez esse capítulo hediondo da nossa história, alguns militares de pijama reunidos em associações nostálgicas cismam de ameaçar a democracia. Comemoram o golpe de 64 como se fosse uma grande data, uma revolução redentora, quando na verdade se tratou de uma quartelada sustentada politicamente por corruptos sustentados pelo dinheiro norte-americano.

A Comissão da Verdade não produziu muita coisa, mas incomoda pelo que pode vir a produzir. Governos estrangeiros estão colaborando, em especial os nossos vizinhos, que já puniram seus militares  criminosos. As informações sobre a Operação Condor, que reuniu diversas ditaduras latino-americanas para matar e torturar lideranças anti-americanas começam a incomodar. E começam a surgir livros e relatos de corrupção, uma bomba em cima de quem disse que o golpe de 64 veio para limpar o país.

Agora tem gente querendo que a Comissão da Verdade investigue os dois lados, ou seja, as ações cometidas pelos grupos "subversivos", justo quando se fala em propor punições para os criminosos que agiram em nome das forças armadas na ditadura. Querem que os réus punidos pela da ditadura sejam novamente réus, e o disparate chega a ponto de proporem um movimento no dia 11 de junho e dizer que "a insatisfação pode provocar motins nos quartéis".

A sociedade brasileira tem que pagar para ver. Acabar com essa estória de chantagens por servidores públicos, profissionais que têm o dever de defender o país e cumprir ordens emanadas dos representantes eleitos pelo povo. Dar um fim a esse pretenso "poder paralelo" de alguns militares de pijama que usam suas corporações para mostrar poderes que não têm mais.

A ditadura acabou, lugar de bandido é na cadeia, quem manda é o povo e isso tem que ser dito claramente a essas lideranças sem liderados. E se vier motim, será a hora adequada para os brasileiros irem às ruas pedir punições e virar de vez essa página triste da nossa história, onde os crimes de uns poucos pesam sobre as corporações e as novas gerações de militares. Não dá para esquecer, nem para deixar impunes os que acreditaram que ficariam no poder para sempre.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-05-31/insatisfeitos-militares-convocam-protesto-por-dois-lados-na-comissao-da-verdade.html

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Morreu Videla, o ditador militar mais genocida da Argentina

O Diabo neste ano está com a agenda lotada. Primeiro para atender a tantos "pastores" que a toda hora chamam seu nome em vão e um dia serão seus hóspedes. Depois porque estão chegando concorrentes de peso a toda hora. Primeiro foi Margareth Thatcher. Agora, o general Jorge Rafael Videla, ditador argentino responsável pelo genocídio de mais de 30 mil opositores políticos. Assim como Thatcher, é previsível que haja comemorações pelo envio da sua alma às profundas do inferno.

Enquanto isso no Brasil os responsáveis por torturas e mortes na ditadura militar, continuam soltos, impunes, rindo da cara da democracia, sentindo-se inatingíveis pela Comissão da Verdade, amparados por uma lei de anistia que precisa ser revista. Eles estão aí o dia todo pregando o golpe, aliados à imprensa de direita e fazendo do STF seu bunker. Os generais-ditadores brasileiros morreram sem passar um só dia na cadeia, ao contrário dos militares argentinos, que sentiram o peso da justiça. Parabéns aos argentinos por livrar-se desse personagem nefasto. 

sábado, 27 de abril de 2013

Mídia Bandida 015 - Filme sobre a ditadura fora do circuito de cinemas

Quem quiser ver o filme "O dia que durou 21 anos", sobre o golpe militar de 1o de abril de 1964, terá que procurar em circuitos alternativos. As grandes redes de cinema parecem engrossar o esquema de mídia bandida que esconde a história recente para que não se veja como alguns beneficiados pela ditadura hoje estão aí, ricos, poderosos e intocáveis. E que os militares e políticos da época foram verdadeiros traidores do Brasil.

Por incrível que pareça vi no programa da Miriam Leitão na Globonews a entrevista com os diretores do filme. Nem parecia que era na Globo. O filme mostra o mensalão que os Estados Unidos pagavam aos deputados brasileiro, com gravações da Casa Branca, além da submissão dos militares e da direita brasileira às suas ordens. Acho que ela teve uma recaída dos tempos que era de esquerda. http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news-miriam-leitao/v/convidados-falam-do-filme-o-dia-que-durou-21-anos/2512318/

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

STF à beira da ditadura

Hoje será decidido pelo voto do ministro Celso de Mello se o Supremo Tribunal Federal pode cassar mandatos, o que de antemão é contestado pelo presidente da Câmara, Marco Maia. Essa disputa é fundamental para o esquema de poder da minoria de direita, que não consegue mais eleger presidente, cada vez perde mais espaços no Congresso e agora tem no STF sua última cidadela. "Convencer" seis votos é bem mais fácil que eleger deputados, senadores, aliar-se a militares (que no último golpe traíram os políticos que os incitaram), etc.

A Constituição é claríssima quanto à atribuição do Congresso Nacional para cassar mandatos dos seus membros. Se os "guardiões da constituição" resolverem golpear para alterar o sentido da lei, pretenderão abrir a brecha para cassar até o presidente da república. Governar através do Supremo passou a ser a tática da direita para travar o governo e criar fatos políticos para criar desgaste. 

sábado, 14 de abril de 2012

Argentina : Ex-ditador assume 8 mil assassinatos

Cumprindo pena de prisão perpétua, o ex-ditador argentino Jorge Videla assumiu ao jornalista argentino Ceferino Reato ter sido responsável direto por mortes de 7mil a 8 mil pessoas pelo regime militar. O depoismento consta do livro "Disposición Final", que será lançando no próximo final de semana, e fala do período ditatorial de Videla (1976 - 1981). A informação é da Folha de hoje:
http://www1.folha.uol.com.br/bbc/1075733-ex-ditador-argentino-diz-ter-ordenado-ate-8000-mortes.shtml


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Chile : 1500 serão julgados por crimes na ditadura

Enquanto isso, no Brasil, um deputado tenta intimidar o pouco que se fez até agora para repor a verdade no período militar.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/21060/justica+chilena+devera+julgar+1.500+ex-repressores+da+ditadura+pinochet.shtml

domingo, 1 de abril de 2012

Brasil : O necessário acerto de contas com os militares

Desde a volta das eleições diretas os militares sentem a redução gradativa da importância política no cenário das instituições democráticas. Seria natural, dada a exacerbação do papel das forças armadas no período ditatorial. Havia Ministérios da Marinha, Exército, Aeronáutica, EMFA, os poderes de fato, que não escondiam a realidade onde um militar dava plantão em rodízio na Presidência da República.

O fato é que o desmonte não parou na criação, por FHC, do Ministério da Defesa, em 1999, rebaixando o status das três forças e colocando civis no comando. Uma forma explícita de dizer que o poder militar se submete ao poder civil de um ministro, e acima dele do ocupante eleito da Presidência. Alguém poderia falar de revanchismo de FHC, que foi exilado político no período ditatorial, mas a unificação dos ministérios militares já era prevista desde a Constituição de 1946.

No governo Lula foi elaborada a Estratégia Nacional de Defesa, no sentido de profissionalizar as forças armadas e dar um desenho ao desenvolvimento do segmento militar. Lula também criou o Estado-Maior conjunto das Forças Armadas, cargo militar indicado pelo Ministro da Defesa e nomeado pelo Presidente da República. Isso, entretanto, não mudou a tendência de depreciação das forças armadas.

Vem a questão: é possível prescindir das forças armadas com tantos desafios na defesa nacional? Será que bravos brasileiros, que estão mundo afora comandando ações militares de paz no Líbano e no Haiti, que auxiliam no combate ao crime organizado e são responsáveis pela presença nacional na gigantesca Amazônia, não são dignos de apreço pela pátria? E agora o pré-sal, mais um motivo de cobiça pelas grandes potências, não merece uma defesa capaz de enfrentar as ameaças de um mundo que não enxerga mais fronteiras em busca de recursos?

Hoje os efetivos são mínimos, os equipamentos estão sucateados, os salários ficaram muito tempo congelados e estão defasados, enfim, apesar dos discursos em sentido contrário, o fato é que o poder militar foi congelado, pelo receio de poder se voltar contra o poder civil. Cadê os aviões, que desde o governo FHC enrolam mas não compram? É só um exemplo de como o país, independente de verniz ideológico, vem tratando os assuntos militares.

A resposta está na desconfiança de dar armas a quem se faz representar publicamente por reacionários, dinossauros da ditadura, que a todo momento falam enquanto militares acima das leis, da democracia, do governo. A cada documento de entidades de militares onde reformados se colocam no papel de lideranças e de porta-vozes, querendo pautar o que o governo civil deve ou não fazer, cai menos uma moedinha no orçamento militar.

A cada reunião de louvor ao criminoso golpe militar de 1964, que destruiu a democracia e depôs um governo eleito pelo povo, e de defesa dos torturadores que mancharam as forças armadas, é mais um motivo para as forças civis deixarem os militares fracos, sem poderem ameaçar novamente as instituições civis. Enquanto a confiança nas forças armadas não for recuperada, não haverá boa vontade, e vai-se empurrando com a barriga qualquer coisa que possa significar dar asas a cobras.

Como sair disso? Pagando-se uma conta que está aí, pendente, referente aos crimes cometidos nos governos militares. Só o Brasil não fez esse acerto de contas com a sua história. Na Argentina militares estão pagando pelos crimes da ditadura e até pelo desatino da Guerra das Malvinas, manobra desastrada para tentar manter o prestígio da ditadura. Milhares de jovens morreram em busca desse desatino político. Outros milhares foram torturados e atirados ao mar por se oporem à ditadura.

Enquanto não houver punição dos criminosos que torturaram e mataram em nome do Brasil, não haverá restauração do poder de defesa. E assim vamos, com militares de pijama falando em nome das novas gerações, num corporativismo irresponsável. A nação aguentou todos esses anos os discursos de louvor ao golpe de 64 nos quartéis, até que na última sexta alguns reagiram e protestaram junto ao Clube Militar, no Rio. Isso foi possivelmente uma resposta à provocação daqueles que se pronunciaram publicamente contra a Comissão da Verdade no mês passado.

A cada ato de afirmação de um poder e de um tempo que não existem mais, as forças da sociedade e o governo terão mais motivos para avançar na restauração da verdade. Não precisaríamos passar a vergonha de ser questionados por tribunais internacionais de direitos humanos se houvesse a coragem em civis, juízes e militares, de por fim a essa pendência.

A anistia não é absoluta. Torturadores terão que ser expostos e punidos. São uma ínfima minoria, em nome da qual as forças armadas estão pagando um alto preço. Passada a limpo a história, restabelecida a confiança nos militares como profissionais e partícipes da democracia, certamente haverá a retomada do poder de defesa nacional. Isso não pode ser mais adiado, num mundo cada vez mais intervencionista.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Rio : Protesto contra comemoração do golpe militar de 64

Enfim o povo foi às ruas para protestar contra as atrocidades cometidas pelo regime militar. Hoje o STF julgará recurso contra a decisão anterior que considerou que a anistia cobria também crimes contra a humanidade como a tortura, o que desrespeita decisões de cortes internacionais que consideram o Brasil conivente com atrocidades pela impunidade.

Agora há pouco, no Rio, uma multidão protestava em frente ao Clube Militar contra a comemoração dos 48 anos do golpe militar, quando a polícia interviu com bombas de gás e pancadaria. Que o exemplo da manifestação se repita em todo o país para calar a empáfia de criminosos que usam instituições miltares como fachada para escaparem á punição. 

sábado, 31 de dezembro de 2011

Argentina : A coragem que falta ao Brasil

A gente pode falar muita coisa dos argentinos, naquela rixa futebolística que descambou para o resto dos aspectos da nossa relação com eles, mas uma coisa temos que reconhecer de muito positivo: eles são muito corajosos. Para quem teve uma ditadura sangrenta, que matou muito mais gente que no Brasil, o fato de não se intimidarem para punir os responsáveis pelos crimes desse período é digno de aplausos. Para isso revogaram uma lei que anistiava os criminosos, a exemplo da que temos por aqui e ninguém quer mexer. Por aqui, uma Comissão da Verdade, só para tocar no assunto, tem que negociar com melindres de militares aposentados, etc.

Na semana passada a justiça argentina mandou para a cadeia mais um ex-presidente ditador, Reynaldo Bignone, por crimes contra a humanidade cometidos numa prisão no seu governo. Já são quase 500 condenados pelos seus atos de barbárie. Enquanto isso, em terras brasileiras, o simples anúncio de que a Revista de História da Biblioteca Nacional publicará uma lista que faz parte do acervo do ex-líder comunista Luis Carlos Prestes, com 233 policiais e militares que mataram e torturaram no governo de Ernesto Geisel, já recebeu, antes de sair, o contraponto da Folha de São Paulo, colaboradora do regime junto com outros meios de comunicação. Deram destaque a declarações de pessoas ligadas a entidades de militares, acenando para o "revanchismo" e "perseguição" pelos que estão "do outro lado". Em vez de ficarem caladinhos, para ver se a Comissão da Verdade acaba numa grande pizza, ainda têm a desfaçatez de vir a público criticar. Com o apoio da mídia cúmplice, claro.

Na Argentina também encararam a mídia golpista, fazendo passar a Lei de Meios, que desmantela impérios de comunicação, permitindo a democratização da informação com a criação de outras empresas, além de acabar com o cartel do papel-jornal que era comandado pelos dois principais jornais.
Aqui, uma revista editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, contendo um documento histórico, merece o repúdio e censura tanto de mídia como de seus parceiros da ditadura. E o debate sobre a democratização da mídia se arrasta no congresso.

Na Argentina também encararam os banqueiros. Nestor Kirchner, no primeiro mandato, deu um sacolejo nos bancos, negando-se a pagar a dívida eterna que levava o país ao fundo do poço. Peitou o FMI. Foi o bastante para haver redução de saldos, de juros, alongamento, etc. O governo argentino passou a pagar na base de US$ 0,30 para cada dólar de dívida. Encarou os mercados e sua mídia, que diziam que aquilo seria um desastre. Graças a essa atitude corajosa e soberana, a Argentina, que mergulhou na pobreza em governos corruptos neoliberais, agora se recupera com vigor graças a essa atitude corajosa. Enquanto isso, por aqui, vamos pagando sem chiar e vendo o saldo devedor crescer, comprometendo presente e futuro. Pelé pode ser melhor que Maradona, temos mais campeonatos mundiais que eles, mas em coragem eles nos dão de goleada. 

sábado, 24 de dezembro de 2011

O amargo regresso aos anos 70

Esse episódio da mídia desconhecer um livro de denúncias sobre a privatização e posteriormente o requerimento de uma CPI sobre o tema, mais o debate de ontem em São Paulo "Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia" me reportaram a um período que não tenho nenhuma vontade de revisitar: os anos 70. Como naquele tempo, sinto-me oprimido diante da demonstração de poder ditatorial dos meios de comunicação e de instituições a eles associados que conseguem manipular a realidade, censurar até os fatos, e submeter todo mundo às suas pautas, inclusive governos. Uma violência institucional, anti-democrática, opressora ao cidadão e à nação. As máscaras deles agora caíram e , de repente, nos vemos diante dos fantasmas do passado.

Ali a gente aprendeu a ser paranóico. A não confiar em ninguém ao emitir opiniões. A ver a repressão em todo lugar. A conviver com o medo de desaparecer, ser torturado, morto. A fazer reuniões clandestinas para falar de assuntos que hoje tratamos em qualquer boteco. A ver agentes do DOPS e do SNI nas assembléias estudantis e sindicais, nas greves e quaisquer outras manifestações ou reuniões. A participar de coisas que não apareciam na mídia, porque era censurada. A ver as equipes da TV Globo chegar para filmar as caras das pessoas nos movimentos, sem sair absolutamente nada nos telejornais. E a expulsá-los também.

Aquelas 500 pessoas que estiveram ontem no Sindicato dos Bancários de São Paulo para o debate exalavam a excitação do proibido, do subversivo. O deputado Protógenes chegou a falar que o autor do livro, Amaury Ribeiro Jr, poderia aparecer "acidentado" ou ser "morto num assalto", porque no Brasil ainda se faz isso. As pessoas que ali estavam participam de redes sociais e blogs, fazendo o trabalho capilar, de formiguinha, minando a ditadura da verdade uníssona da mídia. A princípio achei ótimo ver gente diferente participando nisso, usando a criatividade e a tecnologia para combater a ditadura mídia/extrema direita/saqueadores. Depois veio o mal-estar, de voltar a um passado sombrio, cheio de incertezas e riscos.

A diferença é que naquela época o governo e a mídia eram aliados. Quem tinha o poder da repressão, da espionagem, era o estado, e a mídia apenas era uma importante auxiliar, dedurando gente, promovendo o regime. Hoje, em tese, temos um governo que a toda hora é golpeado por uma mídia que assumiu o papel de criadora de fatos, de articulação com partidos retrógrados, com organizações obscuras, com falsários, mercenários denuncistas, arapongas e gente que ficou devendo aos direitos humanos na ditadura. Como é que um punhado de gente consegue exercer um poder tão intenso, contra um governo democrático e quase 200 milhões de cidadãos?

Todo esse esquema é azeitado pelo saque ao estado em proporções gigantescas. Coisa de centenas de bilhões de reais, de privatizações, de dívida externa, de lavagens de dinheiro. Essa grande organização criminosa, uma verdadeira máfia, corrói o estado e as instituições, mas perdeu o acesso fácil à máquina do governo, daí o interesse, a todo momento, de derrubar o PT, Lula, Dilma e a esquerda em geral. Um estado paralelo, violento, manipulador. Em certa medida, pior que a ditadura militar mais recente. Ali a gente sabia quem era o inimigo e como ele agia. Hoje, nem sempre dá para prever o próximo passo da quadrilha.

Aí vem outra sensação desagradável: a de ter elegido um governo que, por erros de direção partidária e mesmo por correlação de forças desfavorável, não soube atender às expectativas que moveram milhões de militantes desde o início dos anos 80 para passar o rodo em todos os que colaboraram com o regime autoritário e nas quadrilhas que parasitam o povo brasileiro. Lula não fez ou não pôde fazer nada. Passou todo o tempo acuado, às vezes parecendo ingênuo perto da truculência da máfia que continuou influindo no seu governo. Essa gente age ora como traficante com domínio territorial, ora como milícia, submetendo pessoas e desafiando o estado.

Por que não fizemos a Comissão da Verdade em 2003, quando tínhamos militância disposta a bancar o enfrentamento? Por que não apuramos os escândalos da privatização, da lavagem de dinheiro pelo Banestado e outros onde governos tucanos e mídia estiveram mancomunados no saque ao estado? O resto da América Latina já apurou as verdades e botou na cadeia torturadores, assassinos, colaboradores da ditadura, mudou a legislação para acabar com a ditadura da mídia e botou na cadeia as quadrilhas que  privatizaram as riquezas dos países. Por que não nós? Somos um bando de covardes, incapazes de forçar o governo a tomar atitudes coerentes com as suas expectativas?

O pior é o que vem por aí. Há disposição entre as pessoas para atacar de vez essa máfia, mas falta empenho no PT para jogar luz em tudo isso e definitivamente fazer justiça, punindo exemplarmente os responsáveis pela privatização do estado, combatendo a corrupção de cima a baixo. O poder dessa gente é forte, e somente a ação articulada de governo e povo pode fazer frente a eles, seja na CPI, na Comissão da Verdade, ou na regulamentação dos meios de comunicação, acabando com os cartéis e permitindo o livre acesso aos meios de comunicação. O ano de 2012 pode ser o primeiro de um novo Brasil, se rompermos de vez com o poder que parasita tudo desde 1500. Ou ser mais um ano de oportunidades perdidas, se houve acovardamento diante do poder paralelo. 

domingo, 19 de junho de 2011

A luta secreta de D.Paulo Evaristo Arns contra a ditadura

O Estadão de hoje publica matéria interessante sobre o esforço do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns para construir uma rede de apoiadores e denunciar a violação dos direitos humanos no Brasil no auge da ditadura militar, até a anistia. Vide link abaixo.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110619/not_imp734277,0.php

A documentação, mantida no exterior por entidades ligadas à igreja, será entregue para divulgação no Projeto Brasil Nunca Mais Digital, que reunirá acervo sobre o período de chumbo da ditadura, com o apoio de arquivos oficiais dos estados, federal e de outras instituições. Mais um pouco de luz onde os defensores do sigilo eterno querem jogar trevas. O material foi entregue também ao Ministério Público Federal no último dia 14, para servir de fonte para processos e possivelmente para a Comissão da Verdade, se sair.

Para ter acesso a mais informações sobre os crimes da ditadura descritos pelo projeto Brasil Nunca Mais, acesse o link abaixo:
http://www.armazemmemoria.com.br/Centros.aspx?id=2