Depois de ter dito que recebeu o ministério do Meio-Ambiente em péssimas condições em 2003, esculachando o seu antecessor, Zequinha Sarney (PV), Marina teve que recuar e elogiar o seu correligionário partidário. Depois diz que Dilma e Serra são reféns dos seus aliados.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
JN : Serra se enrola em papo de compadres
Considerado o clima ameno e respeitoso da entrevista no Jornal Nacional, que não foi o mesmo na recepção a Dilma e Marina, Serra perdeu a oportunidade de se sair muito bem diante da elevada audiência. Começou dizendo que o Plano Real foi criação do governo FHC, o que não é verdade. O Plano Real entrou em vigor em 27/o2/94, no governo onde o presidente era Itamar Franco (sem partido depois que saiu do PRN de Collor)), quase um ano antes da posse de FHC, que era seu ministro da Fazenda. O autor do plano foi o economista Edmar Bacha.
Depois não foi muito seguro ao falar por que não batia de frente com Lula, nem para explicar a presença de um partido do mensalão (PTB) na sua base de apoio. Mais uma vez apelou ao discurso hipocondríaco (só fala de saúde) e tentou ser piegas na despedida, lembrando da sua origem humilde, dos seus pais humildes, e acabou não se despedindo, sendo cortado pelo Bonner porque tinha estourado o tempo. Até jogando em casa Serra consegue perder.
Dilma e os movimentos sociais : discurso e prática
No debate da Band da semana passada, Dilma Roussef (PT) esquivou-se de apoiar claramente a luta pela redução da jornada de trabalho e de redução do latifúndio afirmando que não cabe ao governo substituir os movimentos sociais. Estes é que têm que se organizar para reivindicar e conquistar com as suas próprias forças, segundo Dilma, e que seu governo estará aberto ao diálogo com os movimentos e, a exemplo de Lula, não usará cassetetes para tratar a questão social.
Ainda nesta semana li diversos analistas políticos tentando explicar por que a campanha Dilma consegue mais doações de empresas que a de Serra, que seria, pela lógica, o candidato do capital, pois tem plataforma neoliberal e apoio da direita conservadora. A mídia burguesa "descobriu" que o sucesso de Lula / Dilma entre o empresariado está no controle do movimento social pelo PT, constatando que nos 7 anos deste governo houve poucas greves e uma redução importante do risco de desestabilização social que poderia prejudicar seus lucros.
Se os tucanos voltassem, mesmo que não fizessem nenhum ataque frontal aos movimentos, mas tão somente por não terem a capacidade de cooptação de lideranças sindicais e sociais, a realidade seria outra, com a escalada dos enfrentamentos realimentada pela truculência policial do estado. Esse é um cenário indesejado para o capital, e, pelo visto, a garantia da "paz social" é o compromisso que devem querer de Dilma, além do apoio do estado aos seus negócios.
Quem ouve Dilma falar de autonomia dos movimentos sociais e não conhece a prática que degenerou as entidades sindicais e populares na Era Lula até pensa que vivemos num país onde todas as forças se expressam livremente. Essa "compra da paz" pelo governo tem um preço que passa pela distribuição de cargos e benesses a lideranças, pelo peleguismo sindical descarado e por pequenas reformas sociais e programas de transferência governamental de renda, como Bolsa Família, aumento real do salário mínimo e de aposentadorias, etc.
Eleger Dilma é necessário para termos um ambiente de diálogo movimentos/governo num patamar muito superior ao de Serra e seus cassetetes. A maior tarefa para os movimentos sociais será retomar a luta autônoma e independente, fugindo à armadilha prática do discurso "democrático e isonômico" do governo. Isso será difícil, basta ver que em 7 anos e meio, os aliados do governo no movimento social não perderam espaços, mesmo com todo o peleguismo. Dilma, a exemplo de Lula, não fará um "governo dos trabalhadores" de cima para baixo, sendo essencial o preparo para o confronto.
Governar sem alianças : a utopia de Marina
Ontem no Jornal Nacional até que o Bonner estava menos raivoso e deixou a candidata Marina Silva falar mais. Sobre a falta de partidos aliados na sua campanha, Marina disse ser uma vantagem, e que Serra e Dilma são reféns das alianças. E que vai governar com os melhores, daí achar necessário ter bom trânsito com o PT e o PSDB.
Se eleita, Marina estará na situação enfrentada por Collor e o sem ínfimo partido, o PRN , em 1989. Com meia dúzia de deputados e um ou dois senadores eleitos pela sua coligação, Marina teria que ir às compras de base aliada, já que a cidadania passiva dos brasileiros e a sua falta de ímpeto revolucionário ou populista para liderar um governo "com o povo, acima do sistema" a colocariam na obrigação de montar uma base aliada para poder governar.
A considerar o peso da máquina eleitoral PT /PMDB, esses partidos, elegendo Dilma ou não, terão quase a maioria na Câmara e Senado, podendo atingi-la com o PC do B e PSB, sem precisar ficar comprando votos no varejo de legendas de aluguel. Nesse ponto, o governo Dilma teria estabilidade congressual para votar reformas, impedir CPIs e tratorar o que sobrar do PSDB e DEMo com tranquilidade.
Até Serra teria que entregar grandes nacos de poder para comprar o PMDB para compor base aliada, pois, juntos, creio que o PSDB, DEMo e PPS mal terão 120 deputados, todos juntos. Marina deveria ser mais explícita sobre suas alianças para a governabilidade, antes de criar expectativas de um governo "puro", só com os "bons". Até no seu partido, o PV, tem os "ruins", que traem a sua candidatura para apoiar Serra...
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Dilma escapa de cilada do Jornal Nacional
Com uma audiência bem distribuída por todo o Brasil de 40 milhões de expectadores, o Jornal Nacional é o principal veículo de manipulação jornalística da grande mídia. Ali se escrevem verdades, constroem-se ídolos e vilões, a partir da locução de William Bonner e Fátima Bernardes. Ontem participou do programa a candidata a presidente pelo PT, Dilma Roussef, que teve 12 minutos de debate com os apresentadores.
O que se viu, entretanto, era um Bonner transtornado, com sangue na boca, inquirindo Dilma sem deixar espaço para que ela respondesse, de modo que a candidata passasse por insegura, gaguejante, incapaz. Teve momento que a Fátima Bernardes chegou a sinalizar para o Bonner como quem diz "deixa a mulher falar", tamanha a sua avidez de cumprir a missão de desmoralizar a candidata de Lula.
Bonner tentou desmoralizar a candidata como despreparada, como fantoche do Lula, como impiedosa com os colaboradores, e enfiar goela abaixo que o Brasil não cresce. Dilma respondeu com relativa calma, soube freiar Bonner respondendo bem, e ainda botou o governo do FHC na berlinda, ao falar do impacto da sua herança maldita sobre o governo Lula. Soube vender bem seu currículo, e frustrou a Globo, que hoje nos seus meios de comunicação fez questão de dizer que ela errou ao falar da Baixada Santista como Baixada Fluminense, e que usou muito o nome de Lula. O jornal O Globo, em meio a muitos poréns, disse que ela foi bem. E foi mesmo, apesar das limitações. Vamos ver como será com Marina e Serra.
sábado, 7 de agosto de 2010
Pesquisa Globo / IBOPE força o "quase empate" Dilma / Serra
O IBOPE fez duas pesquisas com espaço de uma semana para a Globo, e constatou que os números não se alteraram: Dilma teria 39%, e Serra, 34%. Pela margem de erro de 2%, Dilma teria entre 41% e 37%, e Serra entre 36% e 32%. Se Serra pode ter 36% e Dilma pode ter 37%, isso seria um "quase empate", que é a análise feita pelos comentaristas do partido global. Enxergaram nos números menores que Serra cresceu no Nordeste e Dilma no Sul, e que caiu a diferença de Dilma para Serra no segundo turno para o limite do "quase empate".
Essa pesquisa foi feita antes do debate da Band, que foi assistido por 6% da audiência, enquanto a semifinal da Libertadores, que foi transferida pela Globo para coincidir com o debate da concorrente, teve 30%. O debate está tendo mais repercussão entre os que não viram que os que o viram. A campanha de Serra precisa manter um fio de esperança, já que em termos de arrecadação de recursos Dilma conseguiu mais que ele e Marina juntos. Detalhe: Marina conseguiu mais que ele...
O debate deve melhorar a posição de Plinio e Marina, especialmente entre a juventude. Serra foi o grande perdedor, porque apostava no debate para reduzir a vantagem de Dilma. A próxima pesquisa do Vox Populi / Band deve trazer números da repercussão. Acho que Serra deverá cair mais.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
FHC furioso : com Serra ou com Dilma?

Do alto do seu pedestal olímpico, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mostrou irritação com a atuação de Dilma Roussef (PT), no debate da BAND de ontem, esbravejando que "o PT cuspiu no prato que comeu" e que "eles estão indo à forra porque derrotei Lula duas vezes". O descontrole teve origem, a princípio, porque a candidata da situação a todo momento confrontava os resultados do "seu governo" com o "governo anterior", sem sequer citar o nome do iluminado FHC. Ou seria Voldemort, o bruxo das trevas dos livros de Harry Potter, que todos citam como "aquele cujo nome ninguém deve pronunciar"?
Acho que o que trouxe FHC aos holofotes, o que realmente o incomoda, é como ninguém defende o seu "legado". O PT, por obrigação, deve esculachá-lo. Marina, Plínio, Zé Maria e Ivan Pinheiro devem fazer o mesmo, e de quebra bater em Lula. Já Serra, o PSDB e o DEMO, que realmente comeram no seu prato, deveriam ter a obrigação moral e ética e defendê-lo, mas essas coisas não são o forte deles. Um jornalista, na formulação de pergunta a Serra, afirmou que os tucanos pareciam querer esconder FHC da campanha, e Serra não retrucou isso, partindo para argumentar sobre outros aspectos da pergunta. Engoliu como verdadeira a ocultação do cadáver político.
Se eu fosse o FHC (ainda bem que não sou), meu ego exacerbado gostaria de ouvir antes da resposta à pergunta algo forte e preciso, como "em primeiro lugar, ninguém está escondendo o ex-presidente FHC, o cara que mais fez pelo Brasil desde que o continente sul-americano se formou com a desagregação de Gondwana". Era o mínimo que ele gostaria de ouvir. Mas não ouviu, e resolveu descarregar sobre o PT o seu ódio publicamente, e deve dar um ultimato à campanha de Serra, ameaçador: "se ninguém me defender, eu vou sair das trevas para mostrar ao mundo o que fiz".
Essa reação certamente não estava na contabilização de estragos do PT prevista para o debate. Para Dilma ganhar no primeiro turno, FHC tem que mostrar a cara na campanha de Serra. Ele está caindo direitinho na armadilha involuntária do PT, por causa da omissão do Serra.
Debate da Band : vice acha que Serra foi "light"
O truculento vice de Serra, Indio da Costa, comentou que o candidato foi "light" no enfrentamento com os adversários no debate de ontem da Band. Depois de ter feito estardalhaço com acusações infundadas ao governo, de colaboração com as FARC, e de ter recebido o "cala-boca" da coordenação da campanha, deve ter sido difícil para Indio fazer o comentário "light" sobre Serra.
Na verdade, o DEMO deve estar espumando de ódio dele, porque além de ter apenas tentado se promover no estilo Maluf (Serra fez em São Paulo e vai fazer no Brasil), em determinados momentos tentou entrar no "clubinho" de petistas e ex-petistas, lembrando suas raízes de esquerda no combate à ditadura, como presidente da UNE, e do exílio.
No próximo debate deviam mandar o Indio da Costa. Ficaria mais explícito o significado da candidatura demo-tucana com alguém explicitamente defendendo o latifúndio, a supressão de direitos trabalhistas, a privatização das poucas estatais que resistiram a FHC, a entrega do pré-sal aos estrangeiros, entre outras coisas ocultas até aqui. Indio, quando vereador no Rio, quis aprovar lei que multaria quem desse esmolas e outra para proibir comércio ambulante. Acho que o DEMO deveria tomar uma atitude, afinal, estão apoiando de graça uma candidatura "esquerdista". Para eles, Serra está muito pelego.
Debate da Band : PT 3 x 1 PSDB
Quem viu pela primeira vez um debate com os atores Dilma, Serra, Marina e Plínio ficou com a impressão de ver 3 visões do PT contra o PSDB. Num certo momento, Marina diz que deu a licença ambiental para a transposição de águas do Rio São Francisco e que não discordava no todo da usina hidrelétrica de Belo Monte. Noutro momento vê Plínio Sampaio dizer que elaborou o programa de Lula.
Ver José Serra falar em fortalecer as estatais não tem preço. Vê-lo falar dos seus 14 anos de exílio porque defendia a reforma agrária também foi impagável. Nessa hora, esqueceu-se dos aliados do DEMO e resolveu resgatar algum verniz de esquerda.
Plínio usou bem o seu espaço, que aliás não era só dele. Falou muito em discriminação e em muro separando as pessoas, mas não citou que candidatos como Zé Maria do PSTU ou Ivan Pinheiro do PCB foram barrados de participar porque os partidos não têm representação no Congresso. Atuou para diferenciar-se das outras três candidaturas, criticando o seu "bom-mocismo" e confrontando-as com propostas do movimento social sobre limitação do latifúndio, redução da jornada de trabalho e anistia a desmatadores. Ganhou com o debate.
Marina teve a oportunidade de mostrar inteligência e boa fluência de idéias, com humildade. Não escondeu sua participação no governo Lula e não jogou pedras nele. Focou na defesa do ambiente e dos mais necessitados. Ganhou com o debate.
Dilma começou nervosa. Cuspiu muitos números e polarizou com José Serra. Apresentou resultados das políticas do atual governo, e se comprometeu a fazer mais. Praticamente não citou o nome de Lula, mas falava como se já governasse. Não perdeu, e se ganhou, foi pouco.
Serra buscou polarizar com Dilma, mas não conseguiu muita coisa com isso. Entrou no jogo do governo Lula x governo FHC, onde Dilma tem muito mais a mostrar. Se foi ao debate querendo mostrar mais capacidade, experiência e coerência que Dilma, não conseguiu. Nas considerações finais, quase chorou, falando da sua trajetória. Pode ganhar um prêmio Molière, como consolação.
De qualquer forma, foi um debate muito diferente dos anteriores. Dos três candidatos originários do PT, Dilma é a que tem menos história partidária. Plínio e Marina vêm dos primórdios da luta de formação do partido, e dele saíram por divergirem dos rumos do governo Lula. Dilma se filiou já no governo Lula. Já Serra tentou resgatar sua "porção esquerda" e ficou esquisito. Juro que queria ver a reação do pessoal do DEMO quando falou coisas heréticas para os seus aliados de direita.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Pesquisa CNT / Sensus - Dilma 10% sobre Serra
Mais uma pesquisa mostra o distanciamento entre a candidata do PT, Dilma Roussef, do candidato do PSDB, José Serra. A CNT/Sensus, publicada hoje, traz Dilma com 41,6% contra Serra com 31,6%. Marina Silva (PV) aparece com 8,6%. Em relação à pesquisa anterior, de maio, Dilma cresceu (teve 35,7%), Serra caiu (teve 33,2%) e Marina cresceu (teve 7,2%).
ENEM : nova falha questiona credibilidade
Enquanto o Exame Nacional do Ensino Médio não servia de prova para acesso a universidades, os erros nos seus processos não pareciam ter maior gravidade. O que se fazia com os seus resultados era a aferição no nível de ensino das escolas do ensino médio em todo o país, comparando a qualidade das instituições e permitindo ações para corrigir desigualdades, especialmente na área pública.
Recentemente foram divulgados os números do ENEM de 2009, que mostraram que 97% das escolas da rede estadual foram reprovadas porque tiveram média abaixo de 500 pontos. Das mil melhores, 887 são particulares, 85 federais, 26 estaduais e duas municipais. No Rio, o Instituto de Aplicação da UERJ, onde estudei (na época era Colégio de Aplicação), ficou em quarto lugar, atrás de três grandes escolas privadas. O Aplicação está a anos-luz dessas três em termos de qualidade de instalações, equipamentos, informática, mas consegue manter-se pela qualidade de professores e alunos, apesar de ser uma instituição estadual.
Agora o ENEM serve de base para acesso às universidades, e o rigor na segurança dos processos deveria ser outro. No ano passado, houve vazamento de provas, causando um enorme prejuízo de imagem ao exame, além de material. Agora, vazam os dados dos alunos de exames anteriores. Nada tão grave quanto o desvio de provas, mas que tira a credibilidade no processo de unificação dos vestibulares em todo o país.
Vou fazer o ENEM deste ano, para incentivar um filho que também fará vestibular. Mudou muita coisa desde os antigos vestibulares, pois a prova tem alcance nacional, não cabendo regionalidades, que pegavam principalmente em literatura, história e geografia. A inscrição não é para um determinado curso ou universidade: é uma espécie de certificação, onde através da pontuação se escolhe uma vaga em qualquer curso ou instituição. Um aluno pode pretender fazer medicina, que é a mais difícil, e não obter escores suficientes para esse curso, mas bastantes para fazer farmácia, e tenta se encaixar numa instituição com esse curso.
O preocupante da gente fazer essas provas é aferir que o ensino médio vem caindo muito com o passar do tempo. Fiz vestibular unificado e para o IME em 74, novamente o unificado em 79, e para a UFC em 1999. Neste último, que também foi para incentivar um filho e um enteado, fiz as provas com muita paciência, trabalhando logicamente as opções da múltipla escolha, e consegui coisas surpreendentes, como acertar 12 das 15 em química sem abrir um livro. Terminei a primeira fase em 6° lugar para Administração, e achei aquilo um absurdo. Na segunda fase, com provas de matemática, história e redação, fiquei mais surpreso ainda ao conseguir o 1° lugar. Vamos ver neste ano o que vai dar. Se conseguir pontuação para algum curso importante, mesmo sem estudar, será mais uma constatação da falência do atual nivel médio.
RJ: Feira Literária de Parati - FHC hostilizado
Há dois anos viajei a Parati, no litoral sul fluminense, e por incrível coincidência cheguei quando começava a Feira Literária Internacional de Parati - FLIP. É o maior evento do gênero no país, e acontece todo ano. Muito organizada, com painéis de debates com autores, exposições, lançamentos, shows e uma versão para crianças, a Flipinha, e outra para adolescentes, a Flipzona. A cidade fica lotada de turistas. Por isso mesmo acabei num quartinho de pousada bem ruinzinho, que era a única coisa que encontramos.
Neste ano, a FLIP resolveu polemizar ao trazer para o debate de abertura, que tem como tema Gilberto Freire, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, algo como um jabuti numa árvore. Jabutis não sobem em árvores, alguém coloca lá, e parece ter sido isso que aconteceu, já que FHC está numa escalada para sair do ostracismo, cavando espaços em programas de TV, enterros e batizados. O próprio FHC se disse surpreso com o convite, afinal, tudo que fez relativamente ao tema foi um prefácio para um livro de Gilberto Freire. Algumas pessoas na cidade entenderam que a estranha presença de FHC na FLIP em ano eleitoral teria cunho político, e protestaram.
Fora isso, Parati, ou Paraty é uma cidade encantadora, e a FLIP não deixará de ser o grande evento literário por conta dessa presença indesejada. Há muito mais na cidade, como a arquitetura colonial, as comidas e cachaças, os passeios de barco, a bela e preservada praia de Trindade. Paraty, assim como FHC, teve sua época na história. A diferença é que a cidade está sendo preservada para levar seu legado às gerações futuras. Já FHC parece ter sido fadado ao esquecimento, assim como a sua "grande obra", e nem os seus correligionários o querem por perto.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
ANAC : sindicato das empresas aéreas
No domingo fui ao Galeão e vi no Terminal 1, que é todo da GOL na parte de vôos domésticos, a imensa confusão que se armava, sem saber do que se tratava. Simplesmente a GOL errou na escalação das suas equipes e ficou sem gente para levar diversos vôos, que acabaram cancelados e causaram um grande tumulto em diversos aeroportos.
A ANAC, que é uma dessas agências criadas pelo governo FHC para tirar do estado o controle sobre diversos setores vitais, não aplicou nenhuma sanção sobre a GOL. E a imprensa do caos aéreo aproveita a oportunidade para jogar a população contra o governo e para propor a privatização da INFRAERO. Mais uma vez uma empresa faz o caos e quem paga o pato é o governo.
PS: depois do post, a ANAC multou a GOL em R$ 2 milhões, entendendo que o problema teve origem na desorganização da escala de tripulantes. Deve ter havido muita pressão do governo. O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, chegou a declarar que não havia nenhuma "conspiração" , que a multa da ANAC seria uma solução satisfatória e que mantinha o presidente Lula informado com freqüência. Atraso de avião virou assunto de estado no Brasil...
DF : Roriz tem ficha suja
Hoje o Tribunal Regional Eleitoral do DF, por 4 x 2, indeferiu a candidatura do ex-governador Joaquim Roriz ao governo distrital, com base na Lei da Ficha Limpa. Roriz renunciou em 2007 ao senado para escapar da Comissão de Ética. Cabe recurso da decisão.
A disputa para o governo distrital ganhará nova dinâmica com a saída de Roriz com base na ética. Quem também sofre com a queda de Roriz é José Serra, que tinha o seu apoio. Pior: a decisão do TRE mostra que tipo de aliado os tucanos têm no DF.
Eleições 2010 - Candidatos debatem amanhã na Band
Nesta quinta, 5 de julho, será dado o primeiro passo na campanha televisiva, com o debate às 22h promovidos pela Rede Bandeirantes de TV. Confirmaram a presença: Dilma (PT), Serra (PSDB), Marina (PV) e Plínio Arruda (PSOL). Não tivemos informação sobre o convite, se foi extendido aos demais candidatos que nas pesquisas pontuam com menos de 1%.
A minha expectativa é do debate ser morno, tipo início de jogo de futebol, com todo mundo se defendendo e tentando ao máximo mostrar ser simpático. Terá como principal concorrente o jogo São Paulo X Internacional, pelas semifinais da Taça Libertadores, que começará na Globo às 21:50h.
Irã : Mídia apedreja Lula
Hoje pela manhã, em meio à notícia de um possível atentado contra o presidente do Irã, Ahmadinejad, a Globo deitou e rolou na crítica a Lula, que anteontem ofereceu asilo a uma iraniana condenada à morte por apedrejamento por adultério. Seguiram a linha do artigo do colunista Jackson Diehl, do Washington Post, inimigo mortal de qualquer diálogo com o Irã. Mirian Leitão captou bem o espírito da coisa no seu blog, dizendo que Lula errou duas vezes no episódio.
No seu artigo de ontem, "Lula Apedrejado", Diehl tenta colocar na intenção humanitária de Lula o adjetivo de ingênua, e ainda tacha o presidente brasileiro de "amigo de ditadores". E ainda que Lula mais uma vez foi humilhado por Ahmadinejad, pois o governo iraniano teria tornado letra morta a proposta de acordo nuclear promovida pelo Brasil e Irã, logo após a histórica reunião de Lula com Ahmadinejad em maio. Já o Departamento de Estado americano mostrou-se simpático à iniciativa de Lula, esperando que seu prestígio junto a Ahmadinejad consiga resgatar a mulher.
A Globo vai mais ainda. Quer reacender a imagem do "Lula ignorante", que sempre cultivaram mas, diante da popularidade acachapante do presidente, vinham maneirando. Tentam trabalhar a dicotomia Lula X diplomacia brasileira, ao dizer que a proposta de asilo seria pessoal e não do governo. Colocam a proposta em confronto com a atitude do governo brasileiro diante dos prisioneiros cubanos, e como mais um erro de política externa. Citam a condenação uníssona da imprensa americana e israelense a Lula, mas não falam da repercussão positiva na Europa, menos submissa a Israel, que informa sobre a iniciativa favorável aos direitos humanos.
Os filhos de Sakineh Ashtiani fizeram uma campanha mundial contra a sua condenação, que teve o apoio de artistas brasileiros como Chico Buarque, Caetano Veloso, do ex-presidente FHC e de Yoko Ono. A declaração de Lula veio no sentido de apoiar o movimento.
A proposta de Lula conseguiu abrir espaços na fechada mídia iraniana e dar destaque em todo o mundo para a barbaridade do apedrejamento em obediência à Charia, base do direito islâmico, de natureza religiosa, que coloca a mulher num patamar muito inferior ao do homem. O apedrejamento da adúltera também está no Antigo Testamento. No Brasil o adultério foi considerado crime pelo Código Civil até 2005.
Apesar da negativa do Irã, Lula insiste na proposta, deixando o Irã em posição desconfortável, pois a execução de Sakineh poderia abalar a relação com o Brasil, um dos poucos países que tenta evitar o total isolamento iraniano e abrir caminho para a intervenção EUA - Israel. Anteontem o governo Obama disse que retirará boa parte do contingente do Iraque, podendo recolocá-lo em outro "front", como o Afeganistão. Ou começar uma nova aventura no Irã, como já antecipou uma alta autoridade americana.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Ministério da Saúde adverte : FHC tira sono
Ontem à noite estava sem sono e liguei a TV para dormir vendo alguma coisa chata. Encontrei Marília Gabriela entrevistando FHC. Entre continuar sem sono e ver o que o ex-presidente tinha a dizer, vi parte do programa, o que me fez perder o resto do sono e ter uma noite péssima.
FHC piorou muito na arrogância, no cinismo e sarcasmo. Deve estar se achando uma divindade. Num trecho da entrevista, sempre pontuando entre o seu governo e o de Lula, FHC disse que Lula era um bom surfista, mas que quem criou a onda foi ele! Se a Marília botasse mais pilha, ele teria dito que descobriu o Brasil, e quem sabe que tinha criado o universo em seis dias. A tudo o que tinha de ruim acrescentou a megalomania esquizofrênica, ou seja, fala de uma obra gigantesca, que levou o Brasil ao paraíso, que só ele viu. Esse tipo de programa devia ter uma tarja de advertência do Ministério da Saúde...
Pesquisas : O insustentável peso de Serra
Pesquisa longe da data da votação numa eleição cabe tudo. Os institutos de pesquisa só não podem errar muito na boca-de-urna, senão é desmoralizante. O que o Ibope e o Datafolha estão fazendo parece pirotecnia ou montanha-russa, ao sabor dos interesses da campanha de Serra. Já o Vox Populi vem registrando a evolução sem nenhum sobressalto, e apresentando resultado parecido com o que o Ibope apresentou no dia 31/7.
Olhando o gráfico de evolução dos resultados das pesquisas na página do Ibope temos que em 3/6 Dilma e Serra empatavam em 37%. Três semanas depois, no dia 21/6, com Serra exposto irregularmente em vários programas eleitorais gratuitos, aparecem em nova pesquisa: Dilma 38%, Serra 32%. Praticamente uma semana depois, justo na crise de escolha do vice de Serra, o Ibope "empata" Dilma e Serra em 36%, e agora, em 31/7, Dilma volta à dianteira com 39% a 34%.
Incrivelmente, uma semana antes, o Datafolha apresentava Serra com 37% e Dilma com 36%, enquanto na véspera dessa pesquisa o Vox Populi dava 41% de Dilma contra 33% de Serra. Se é difícil entender a disparidade com base apenas na metodologia, quase impossível é inferir sobre as variáveis que fizeram tais "oscilações" detetadas pelo Datafolha e Ibope. No último mês, Lula foi silenciado na grande mídia. Só aparecia sua imagem para levar porrada. Praticamente não falou mais de Dilma, enquanto Serra era multado em mais R$ 35 mil por campanha antecipada. Então, por que Dilma subiu e Serra caiu, segundo o Ibope? Por que na versão do Vox Populi há uma tendência de subida de Dilma e de queda de Serra, abrindo uma vantagem cada vez maior da candidata do PT? Só metodologia explica?
Ainda há um fato curioso: apesar de ter conseguido furar o esquema de polarização da grande mídia e conseguir aparecer bastante, a candidata Marina Silva vê seus votos estagnados. Marina tem mesmo só 8%? E Serra, tem realmente os tais 33% ou 35%? O que aconteceria com uma queda vertiginosa de Serra, para baixo dos 30%, além do estouro da boiada dos seus apoiadores para o lado de Dilma ou de Marina? Considerando-se que tem um debate na Band na próxima quinta-feira, dia 5/8, onde todos os principais candidatos participarão, uma nova safra de pesquisas já pode estar em gestação, articulada com uma grande campanha de mídia, para mostrar a "vitória" de Serra no debate, e alavancar o enorme peso da falta de proposta e da rejeição que o empurram para baixo.
Rio : Milagre tira 2 pontos do Flamengo
Apesar de estar a 4 km do estádio do Maracanã, não me dispus a ir ao jogo Flamengo 0 x 0 Vasco por dois motivos: ingressos só na mão de cambistas e porque esse é um jogo previsível, daqueles que a gente sabe que o Mengão ganha e a curiosidade fica por conta do resultado. As imagens na TV mostram que não sou o único a pensar assim: a torcida cruzmaltina era visivelmente maior no estádio. Eles acreditam em milagres. E ele acabou acontecendo, pela obra e graça do goleiro Fernando Prass, que impediu dois gols feitos do Mengão. E o empate tirou dois pontos certos do time da Gávea no Brasileirão.
Num deles o goleiro fez tres defesas incríveis, uma em seguida à outra. Se Mano Menezes foi ao Maracanã observar algo para levar ao time da CBF, certamente saiu interessado no goleiro vascaíno. No segundo lance de gol, uma falta aos 47 minutos, para ser batida por Petkovic, um vascaíno uniformizado que estava no bar onde assisti o fim do jogo disse: "de novo, não!". O vascaíno de memória tem um trauma com falta em fim de jogo batida pelo Pet : o penúltimo tricampeonato do Flamengo foi conquistado em cima do time deles, nas mesmas condições.
Apesar do novo Estatuto do Torcedor ter entrado em vigor, dois torcedores do Flamengo foram baleados por um mau vascaíno num ponto de ônibus quando iam ao jogo. O bom sofredor não faz isso, apenas chora, como a nova geração que há 8 anos não vê o time de São Cristóvão ganhar um título. Alguns diriam que a conta está errada, apresentando o título de campeão da segunda divisão do Brasileirão do ano passado. De fato, foi uma conquista, mas daquelas que as pessoas de bom senso fariam questão de esconder, por ser vergonhoso o time andar pelo pântano da segundona.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Rio : UPP reduz armas, mas tráfico não pára
Amanhã será inaugurada a Unidade de Polícia Pacificadora do Andaraí, que fica no conjunto de comunidades que margeiam parte do Grajaú e Andaraí. Desde junho os morros foram tomados pela polícia, desde o Borel, na Tijuca, passando pelo Morro da Cruz, Andaraí e indo até a Divinéia, fechando o arco daquela vertente montanhosa.
Aqui na banda do Grajaú onde moro, que é mais próxima do Andaraí, desde abril não se ouvem os pontuais tiroteios das 6 da tarde. Agora, nem o foguetório anunciando a chegada de drogas. Está tudo muito tranquilo. Na Tijuca tenho amigos e parentes que relatam que a tomada dos morros anteriormente dominados por facções do tráfico também reduziu os tiroteios. Na Zona Sul, idem.
A política de segurança estadual está atingindo o principal objetivo estratégico, que é recuperar para o domínio do estado as áreas dominadas acintosamente pelo tráfico. O Secretário Beltrame, da Segurança Pública, sempre disse que tráfico existe em qualquer lugar do mundo, mas como no Rio, com domínio territorial por exércitos muito bem armandos de criminosos, não existe em lugar nenhum. Somem os bandidos encapuzados com fuzil, ficam visíveis os policiais, mas o tráfico continua. Como em qualquer lugar do mundo.
Os traficantes recolheram seus armamentos para complexos como a Maré e o Alemão, e ficam tranquilos porque onde já tinham suas bocas sabem que não haverá mais tentativas de invasão por outras facções. A ilusão de pacificação também permite que a população suba o morro sem problemas, frequente bares e lugares com vistas muito bonitas, como no morro do Pavão-Pavãozinho, e compre drogas sem os riscos do tempo do confronto.