domingo, 18 de setembro de 2011

Dilma na ONU vai defender Estado Palestino

A revista norte-americana Newsweek terá Dilma como matéria de capa. A matéria ressaltará sua postura durona (Dilma Dinamite), e na entrevista ela falará do controle da economia brasileira.


Ela será a primeira mulher a abrir a Assembléia Geral da ONU, e cobrará medidas para atenuar o sacrifício dos povos dos países em crise econômica, bem como afirmar a necessidade de se resolver a questão do Estado Palestino. A extrema-direita de Israel já disse que a proposta não será aprovada. Só pode ter certeza quem tem alguma coisa na manga, como uma armação, por exemplo, que criminalize os palestinos.

Áustria : Aqui não tem cangurus




A falta de noção que assola o mundo faz com que muita gente confunda a Áustria com a Austrália, e chegue por lá procurando por cangurus. Uma das fotos mostra a resposta dos locais a esse tipo de abordagem. O que a Áustria tem, mesmo, é uma das melhores qualidades de vida da Europa e sua capital, Viena, é indescritível. Para fazer justiça, teria que mostrar umas 30 fotos somente das principais vistas da cidade.

Viena deve ser o ponto de convergência de todas as empresas de turismo do mundo. Ontem era sábado, e por isso mesmo o movimento turístico deve ter sido intensificado. Para todo lado se via grupos orientados por guias, em grande maioria de pessoas de terceira idade. Nunca vimos uma coisa assim. A igreja de St. Stephens, que fica no centro da cidade, tinha engarrafamento de gente para entrar. Dentro, as pessoas se esbarravam. Nas lojas luxuosas, que aparentemente deixam a 5a Avenida de Nova Iorque ou os Champs Élisées de Paris em segundo plano pela quantidade e variedade, também havia gente se acotovelando.

Hoje, domingo, voltaremos lá. Estamos em Bratislava, a uma hora e 10 minutos de Viena, menos tempo de viagem que muita gente faz para chegar ao trabalho nas grandes cidades. A empresa Slovak tem um tipo de passagem, ida e volta, com direito a livre circulação na área central de Viena nos transportes coletivos.

Falando neles, há estações de metrô /trem /bonde onde é difícil encontrar as máquinas aque vendem tickets. Outra dificuldade na cidade é que as lojas fecham às 18h, até nos calçadões do centro, ficando apenas os cafés e restaurantes abertos. Até os banheiros públicos fecham, mesmo custando 0,50 euro pelo uso.

Viena não estava no planejamento para agora, por isso não fizemos o estudo adequado do país e da cidade. Intrigados com tanta opulência, ao chegar em casa demos uma olhada na história da Áustria. Em resumo, a família real dos Habsburgos, que governou por 600 anos, aplicou a estratégia de fazer casamentos reais com herdeiros de outros tronos, e assim foram fazendo o império crescer com menos guerras. Sem tantos gastos militares, dominando uma extensa região que ia dos Bálcãs à Alemanha, passando pela aliança com o trono espanhol e dos países baixos, tiveram por um bom período histórico uma prosperidade que não foi comum a outros impérios europeus.
O que se vê nos prédios é que esse império teve o apogeu sob a direção de Francisco José, no século XIX, ou pelo menos ele soube botar mais o nome dele nas construções. Hoje vamos conhecer o palácio de Schonbrunn, que fica mais longe do centro, e que pelas fotos dá para inferir que o Palácio de Versalhes, na França, poderá ir para a condição de vice como monumento ao luxo e riqueza.

Pela ordem, as fotos são: de um canguru cuja camisa tem a mensagem "Austria - não há cangurus"; da igreja de São Carlos (Karlskirchen); de um dos palácios do imperador Francisco José e da imperatriz Sisi (há um museu que tem móveis e as roupas que ela usava, no prédio); da catedral de São Estêvão (Stephenkirchen) e da prefeitura de Viena (Rathaus). Faltou muita coisa para mostrar, e com o tempo a gente vai botando as fotos.




sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Bulgária : A tragédia do tsunami capitalista







Desta viagem à Bulgária muitas questões ficarão sem resposta. É estranho falar em buscar entender os problemas em viagem de turismo, mas isso faz parte dos objetivos do investimento que estamos fazendo. Se é para ficar só no lindo e maravilhoso, a gente faz um "city-tour" , bate um monte de fotos, compra souvernirs e vai embora, sem agregar nada ao próprio conhecimento. Nossos relatos não se limitarão a mostrar as aparências, mas tentarão buscar, mesmo que superficialmente, explicar as realidades vistas. Se é para fazer o que todos fazem, podemos ficar em casa vendo na TV o National Geographic e os canais de viagens.


Aparentemente, esta é uma terra do "já teve", como a gente costuma falar de lugares onde houve alguma prosperidade e o que se vê é decadência em todos os sentidos. Há ilhas de prosperidade em meio a um oceano de dificuldades que pode ser notado tanto em Sófia como no interior. Muito normal num país capitalista de terceiro mundo como o Brasil, mas estranho num país europeu com mais de 2.000 anos de história, que já passou por uma experiência dita socialista. Quando caracterizo como "dito socialista" ou "dito comunista" é porque foi algo que teve características de sociedades igualitárias, com sérios desvios políticos e práticos.
Essa tendência não tinha ficado muito clara na visita à segunda cidade do país, Plovdiv, mas ontem, indo para o Monastério de Rila, mais ao sul de Sófia, ficou patente: fábricas e mais fábricas fechadas e sucateadas, equipamentos largados ao tempo, prédios residenciais recentes, de menos de 50 anos, sem qualquer manutenção.Prédios públicos abandonados e pessoas nitidamente pauperizadas.

As fotos não conseguem mostrar a extensão do que vimos em 4 pequenas cidades e áreas rurais onde andamos. Não chega a ser a imagem de algumas regiões do Brasil, onde as pessoas nunca tiveram nada e a paisagem é de precariedade, mas de cidades-fantasmas.
A origem do problema está na transição do sistema de planificação para o de mercado, ocorrido com maior intensidade na década de 90 do século passado. A Bulgária é um dos países europeus de menor população, e tem áreas com problemas climáticos, como a seca. Na segunda guerra alinhou-se aos nazistas (Tzar Bóris III), e acabou invadida pelas tropas da União Soviética. Ao final da guerra, as superpotências dividiram o mundo e a Bulgária ficou sob influência soviética. O Tzar foi deposto, e instalou-se um regime de partido único, nos moldes do estalinismo, que durou cerca de 5 anos, até a morte de Stalin em 1953. A partir daí, o comando do país coube a Todor Jivkov, líder comunista, que governou até o colapso do regime dito socialista em 1989.
Nesse período houve intensa industrialização no país, e melhoria considerável da qualidade de vida da população, com a planificação da economia e a destruição da anarquia do sistema de mercado. Fábricas foram criadas, essas que agora vemos em franco abandono. Terras foram expropriadas e coletivizadas em cooperativas, com mecanização, permitindo a melhoria da produção de alimentos. Cidades planejadas, que lembram Brasília em termos de distribuição dos eapaços urbanos, surgiram em apoio à concentração das populações em áreas do campo e da cidade.
Isso está na pouca literatura disponível na internet, e não conseguimos relatos consistentes, pela dificuldade de comunicação. Ouvimos referências nostálgicas, do tipo "a gente era feliz e não sabia", e outras, odiosas em relação à ditadura dita comunista. O pouco que encontramos de material dessa época está no urbanismo pós-guerra, sem monumentos ou símbolos que caracterizem o período. Se houve alguma coisa, passaram a borracha. Não vimos nada sequer com uma foice e martelo. Nem uma estátua de Lênin ou similar.

A Bulgária aparentemente soube fazer a primeira parte do programa econômico socialista, racionalizando os meios de produção, atingindo bons resultados nos primeiros anos, mas cedeu à burocratização política, à falta de inovação, à falta de motivação e principalmente à corrupção, fatores que solaparam as experiências socialistas em diversos países, levando ao declínio que a partir sentido já em 1981 com os movimentos sociais explodindo em toda parte, como o feito pelo sindicato Solidariedade, na Polônia.

O socialismo burocratizado, anacrônico, ditatorial e corrupto não resistiu, mas no seu lugar, ao invés do avanço no modelo de planificação e de democratização direta, que poderiam ter acabado com a ineficiência e a burocratização, cederam, também por força de interesses do capital e da sua poderosa propaganda, à economia de mercado. Essa foi apontada como panacéia para curar todos os males e seduziu grandes setores da população, em especial a urbana. No rastro do tsunami capitalista que varreu os países ditos socialistas e chegou a ser apontado como o "fim da história" num livro do economista Francis Fukuyama, algumas pessoas e grupos emergiram e a grande maioria teve as perdas que hoje podemos ver.

Quem são os capitalistas de hoje nesses países? Quem acumulou durante o regime socialista, onde em tese não havia ricos? De onde surgiram as poderosas máfias que têm importante papel na corrupção política de hoje? Quem tinha privilégios no regime dito comunista? A resposta passa pelos amigos do poder. Eles eram os poderosos, e agora são abertamente ricos e poderosos.

Com a mudança no cenário político, o fim do regime de partido único, as eleições e a restauração do capitalismo, a Bulgária entrou em forte crise econômica. O remédio adotado praticamente matou o paciente: forte privatização, liberalização para o capital estrangeiro, submissão ao FMI e à Comunidade Européia, eliminação dos benefícios sociais, redução do estado, reforma agrária reversa (devolução das terras aos antigos proprietários), etc.

Apesar de ter conseguido crescer por alguns anos, afinal, do fundo do poço para cima os indicadores sempre parecem generosos, o resultado é o que vemos hoje. A adoção do Euro como moeda, adiada por várias vezes, pode parecer simbólica, já que a moeda local, o Lev, foi indexada ao marco alemão logo que adotaram a economia de mercado (forma de atrair capitais) e agora está fixa no valor de 1,96 Lev por Euro.

Dependente de capitais estrangeiros, com a economia desorganizada pelo capital, a Bulgária volta a ser um país pobre com fortes injustiças econômicas e sociais. Ainda não entendemos como as pessoas pauperizadas sobrevivem. Deve haver agum resíduo de seguridade social. Essa foi a parte ruim desta viagem: ver um povo bom, culto, educado, descer ladeira abaixo nas suas conquistas por causa de burocratas corruptos que desvirturam a proposta socialista e pelo canto da sereia do capitalismo selvagem.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Viagem : de Bratislava a Sófia

Bratislava não é exatamente um lugar central como opção para vôos. Até uma empresa de passagens de baixo custo usa seu aeroporto de Ivanka como opção para quem vai a Viena, que fica a 70 km, ou uma hora de viagem de ônibus. Para sair de Bratislava para Sófia, que é um outro destino sem movimento, o jeito é ir para Viena pegar o vôo da Bulgaria Air (tem outras, mas a disponibilidade é bem menor) e encarar o quadrimotor Avro que parece mau conservado, como o que pegamos. O vôo é operado pela Austrian Air e o check-in é pelos seus guichês. Em 1:40h se chega ao aeroporto Vrazhdebna, em Sófia, que está reformado há pouco tempo e parece não ter movimento para seu tamanho.


Nesse aeroporto não há plataformas ou "fingers" para o embarque e desembarque, sendo usado ônibus entre a aeronave e prédio. No dia que chegamos o caixa eletrônico não tinha dinheiro, e tivemos que trocar euros por lev (лв, na abreviação local, ou lv), em uma casa de câmbio, perdendo algum na troca, como de hábito em operações desse tipo em aeroportos. Embora a Bulgária faça parte da Comunidade Européia, ainda não adota o Euro. Para efeito de contas rápidas, multiplica-se o seu valor por 1,2 para obter a quantia em reais.

Dinheiro e bagagem de mão, hora de pegar o ônibus 84 para a cidade, por apenas 1 lev, no extremo da plataforma de desembarque. Motoristas andam pelo saguão do aeroporto oferecendo táxis, mas quem não sabe que os preços são muito baixos acaba pagando caro. O aeroporto não fica muito longe do centro. Acho que deve custar uns R$ 15, no máximo. O problema é que alguns taxistas fazem o preço por fora do taxímetro, e já chutam um valor alto.

Paga-se o ônibus ao motorista. Pelo mapa do site de transportes de Sófia, o ônibus deveria parar próximo ao Boulevard Vitosha, mas talvez pelas obras de metrô que estão desviando o tráfego dessa avenida ele esteja sendo forçado a parar no parque na Ulitsa Gen. Gorko, e não no final dessa rua. Sem informarem nada sobre a mudança, acabamos perdendo o referencial e levamos um bom tempo pedindo informações nas ruas meio desertas e escuras até chegarmos a apart alugado, que fica próximo ao Centro de Cultura, numa rua que corta a Vitosha, que é a principal rua do centro. Há bons hotéis próximos a essa área.


Bulgária : Onde o sim pode ser não

Antes de viajar já tinha lido a dica sobre o hábito do búlgaro (ou de alguns deles) balançarem a cabeça de um lado para o outro para dizer "não" e de cima para baixo para dizer "sim", exatamente ao contrário do nosso hábito. Como a gente tem que falar muito por mímica, gestos, qualquer coisa, acaba se esquecendo e falhas de comunicação são inevitáveis, criando situações no mínimo engraçadas.


Cheguei numa loja de conveniências e perguntei se tinha cartão de telefone. A pessoa respondeu balançando a cabeça de cima a baixo. Aí perguntei de que valores tinha, e ela ficou olhando para mim com ar estupefato, ou seja, esse maluco já levou um "não" e ainda fica perguntando... O pior de tudo é nunca saber quando está falando com alguém que faz o "sim" e o "não" iguais aos nossos gestos. Na dúvida, continue duvidando.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Bulgária : Bom, bonito e barato

Viemos para cá apreensivos com os relatos que lemos de viajantes, publicados em blogs e sites na internet. Dois dias depois, já tendo rodado boa parte das principais atrações de Sófia e partes da cidade para conhecer como vive o povo, e a segunda cidade do país, Plovdiv, parte histórica e área dos "locais", dá prá afirmar sem sombra de dúvida:


- é bom : as pessoas se esforçam para ajudar o estrangeiro (ou nós, por sorte). Simpáticos, atenciosos, tranquilos. Nada de estresse. Vidas pacatas, parece coisa de interior, bem calmo (como era antigamente, pois hoje tem interior no Brasil que é barra pesada). As cidades têm problemas como todas as outras, mas em pouco tempo a gente se sente bem à vontade. A gente se acostuma com a escrita e aos poucos arrisca até algum diálogo na língua local. Parece assustador, mas não é tão complicado assim. Os relatos falavam da falta de segurança, de cuidados com malandragens, etc. Para quem nasceu ou viveu no Rio de Janeiro, e não dá bobeira, tudo é bem tranquilo. Nada de especial. As ruas meio escuras à noite são esquisitas, mas anda-se com relativa segurança. Cidades com áreas planejadas, carentes de manutenção, mas com dignidade para as pessoas. Praticamente não vimos moradores de rua nem mendicância (há, muito menos que no Brasil). Tem internet grátis wi-fi com mais densidade que no Brasil.

- é bonito: as atrações são interessantes para quem viaja querendo conhecer aspectos antropológicos, sociológicos, políticos, etc. . Nada de muito espetacular, nem em número e consistência como em outras capitais européias, mas dão uma idéia da história mais antiga, até anterior à era cristã, das lutas, das conquistas, etc. Ajudam a entender como vive esse povo hoje, qual o caminho que seguiram. A falha está no período do pós-guerra, porque nem sabemos se chegou a haver mais influência da União Soviética aqui do que a adoração que já tinham pelos russos, considerados libertadores dos búlgaros do Império Otomano em 1878. Ainda tem toda a bagagem de cultura da igreja ortodoxa, bem desconhecida de nós, e muito interessante.

- é barato : ainda não entendemos bem o porquê, mas há preços impensáveis por aqui. Andamos hoje de táxi uns 4 km e o valor foi, em reais, R$ 3,20. Almoçamos num self-service (ou quase isso) uma quantidade normal de uns 300 g de comida, com dois copos de 500 ml de cerveja, e pagamos R$ 12. Isso mesmo: R$ 12, para duas pessoas comerem e beberem. Agora há pouco num supermercado de Sófia novas boas surpresas, até com bebidas importadas. A comida produzida aqui, nas áreas de laticínios e frios, tem preços ridículos e boa qualidade.

Vale a pena conferir, e aproveitar enquanto não adotam o Euro como moeda, porque em todo país pequeno que isso aconteceu, os preços dispararam, tornando-se proibitivos para os cidadãos, gerando inflação, etc. Ainda não tem data para essa migração de moedas, mas acho que se o governo daqui tiver bom senso, dá uma freada nesse processo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sófia : Todo mundo já ouviu falar em Dilma

Não entender o que está escrito forçosamente te leva a buscar comunicação direta com as pessoas, e desde que chegamos a Sófia, na Bulgária, acho que já falamos com mais de 20 pessoas. A boa novidade é que mesmo as que não falam nada de outra língua têm grande paciência com a gente, ajudam como podem. A outra boa novidade é que as pessoas mais velhas podem não conhecer inglês, mas conseguimos nos comunicar em italiano, espanhol e francês de forma bem rudimentar, mas dá certo.


Toda vez que conseguimos puxar um papo que não se resuma ao "onde fica?, quanto custa?, o que é isso?", falamos que a presidente do Brasil é filha de búlgaros. Todos sabem disso, alguns perguntam quando irá à Bulgária, muito poucos sabem como é seu governo, e quem foi Lula. Aproveito a oportunidade para passar uma boa visão do Brasil, coisa que faço em qualquer lugar, afinal, é difícil para as pessoas entenderem por que tem tantos brasileiros visitando seus países, em meio a uma brutal crise.

Nem sei como a Globo Internacional e seus clones mal acabados de Paulo Francis conseguem empurrar goela abaixo dos brasileiros no exterior que tudo por aqui vai mal, se nunca houve tanta gente nossa gastando dinheiro lá fora. Nem o FHC e o Serra nas palestras que dão por aí, destruindo nossa imagem.

Por aqui não tem a Globo Internacional para dar a visão de país falido, etc, que tantos votos deu a Serra na eleição passada (vide resultados nas urnas no exterior, quase todos derrotando Dilma), e a nossa opinião pode ser positiva ao país. Não sabem que a gente está fora da grande crise, e gostam de saber disso, porque mesmo não sendo Dilma búlgara, eles têm orgulho dela ser descendente. Sua visita à Bulgária será em outubro de 2011.

Na época da eleição, a Folha e outros órgãos da mídia andaram por aqui procurando apurar se a própria Dilma não seria búlgara, para melar a sua candidatura, e como não conseguiram nada, levaram para o Brasil reportagens sobre a cidade natal do pai dela. Veja neste link o que desqualificados da direita, fizeram na época da eleição para tentar manipular as informações e dizer que Dilma não seria brasileira, a partir de entrevista ao Jornal Nacional. Imagino o que o cara do vídeo não deve estar levando de gozação depois dela eleita.



Bratislava e Sófia - primeiras impressões




Antes dos relatos e análises que faremos em maior profundidade com mais tempo, o que dá para dizer é:

- Bratislava - se a "prima pobre" das grandes cidades do centro/leste europeu é o que vimos, nem dá para imaginar o que serão Praga, Budapeste, Moscou e Viena. Impressionam a beleza, os cuidados com o patrimônio histórico e a diversidade de cenários. Não seria exagero considerar melhor que Buenos Aires, até onde vimos, sem desconsiderar a capital argentina que achamos bonita e gostamos muito;
- Sófia - só tínhamos lido relatos negativos nos sites da internet, portanto viemos com uma péssima expectativa. Até aqui, o que vimos superou tudo bem positivamente. O centro da cidade tem a cara da Lapa, no Rio, só que com bondes (até aqui, com freio). Comida, bebida, hospedagem e transporte baratos.

As fotos são de Sófia, sendo uma da igreja de Santa Nedélya (Sveta Nedelya) e outra é uma vista da avenida Knyaz (Czar) Alexander Dondoukov, que constituem o centro do centro da cidade.

Vou fazer depois um relato mais consistente sobre tudo por aqui. De Bratislava para cá passamos por mais um fuso horário, e agora são 11:30h aqui, enquanto no Brasil são 5:30 (6 horas a mais aqui). Como no microondas está marcando uma hora a mais, pode ser que estejamos em horário de verão. Do que andamos pela rua, no comércio, pegando informações, tivemos a sorte (até que a amostra se amplie e possamos dizer algo mais consistente) de encontrar pessoas que tiveram muita boa vontade em nos ajudar.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Viajando sem conhecer a língua local




Este relato deveria ir para a série "Herrar é umano"daqui do blog, mas como está ligada à viagem em andamento, preferi colocá-la neste contexto. O sentido é de desmistificar a barreira de comunicação para pessoas que têm potencial de sobreviver nesse tipo de viagem, mas por receio acabam desistindo. É arriscado, por isso não recomendo a ninguém fazer viagens assim.

Acredito que a necessidade acelera o aprendizado. Hoje fui ao supermercado aqui em Bratislava e fiz a silenciosa leitura do ambiente. Rapidinho você vai aprendendo, pelas coisas que estão escritas nos setores e nas prateleiras, como é padaria, cereais, carnes, etc. Depois vai para as prateleiras e vê os produtos similares e aprende como é café, cerveja, pão, manteiga, presunto, queijo, etc. Uma hora de supermercado é uma grande lição.

Nisso você vai se ambientando com os preços. Em Euro, uma conta de cabe

ça simplificada é dividir por 4, que é muito fácil, e multiplicando o resultado por 10. Por exemplo, algo que custe 2,4 euros custará, em reais, (2,4 /4) x 10 = 6 reais, aproximadamente. Se não for bom de tabuada para dividir por 4, divida por dois duas vezes e multiplique por 10.

Claro que haverá coisas que você não entenderá de jeito nenhum. Nesse caso, se puder, fotografe ou anote, e no hotel abra o Google Tradutor e bote lá para pegar a tradução, e anote numa caderneta que leve consigo para uso futuro. Nesse aplicativo, no canto inferior direito há um ícone de teclado. Depois que você seleciona as linguagens de entrada e saída, clique nesse ícone que transformará, enquanto estiver usando o programa, o seu teclado no apresentado na tela. Assim você poderá colocar símbolos como ľ,š,č,ť,ž,ý,ň, que estão na escrita do eslovaco, e outros que aparecerão em checo, polonês, etc. Sem eles nas palavras o tradutor não será tão eficiente.

Nos livros de conversação pegue o basicão : bom dia, boa noite, obrigado, por favor, desculpe, quanto custa, como vou para, números, dias da semana e o que puder para sobreviver. Se tiver mais tempo, vá acrescentando ao vocabulário o que vir nas placas, lojas, etc. Ontem numa loja de roupas vi sobre umas roupas uma placa onde estava escrito:

kožená bunda od 79,95

Olhe para a foto e tente entender. Tudo que entende é que são jaquetas, mas há duas palavras. No Google a gente aprende que "bunda"para os eslovados é jaqueta. kožená quer dizer couro. A mensagem é "jaqueta de couro a partir de 79,95 (no caso, euros, mas no supermercados há nas etiquetas o preço na moeda anterior como "slk". Deixo a critério dos leitores as especulações inevitáveis que resultarão desse aprendizado.

Como as mercadorias estão globalizadas e as propagandas idem, você não precisa nem ler para saber o que é uma caixa de sabão em pó ou uma margarina. Aqui e ali você vê uma fruta ou legume que não tem a menor idéia do que seja, mas são exceções. Até na nota de supermercado há o que aprender. Veja a foto. Se passasse um mês aqui aprenderia a ler. Falar e entender é outra coisa.

Ainda no mercado vi a outra situação: diversas placas, mesma mensagem, seta desviando alguma coisa. Do texto, a única palavra que dava sentido era "rekonštrukciou", ou seja, mudaram alguma coisa por causa de obra. Como o caminho para os caixas estava bloqueado, entendi. Esse foi um caso sem maiores riscos, mas vai que fosse um desvio numa estrada? Ou uma indicação tipo "caiu a ponte adiante" e você não dá bola? Veja a foto e a tradução:
Zona de dinheiro
Caros clientes
Pedimos desculpas para as condições de compra devido à dificuldade de reconstrução

Tudo ia bem no supermercado. Passei no caixa, embalei (aqui ainda tem sacolinha plástica, o que já é proibido em outros países ou pago (caro) à parte), paguei em dinheiro, peguei as compras e ouvi a caixa tentando desesperadamente me falar algo como"vráti". O cliente seguinte também. Olhei as sacolas, a carteira, e só entendi quando o cliente mostrou o troco em cima de uma plataforma. Na falta de saber como se agradece, mandei um "thank you" a todos e fui embora refletindo sobre o ocorrido.

Chegando ao hotel, peguei o livro de frases e vou devorá-lo até seguir daqui a pouco para a Bulgária, onde a situação será bem pior: lá tudo é escrito em alfabeto cirílico, e praticamente ninguém sabe inglês.

domingo, 11 de setembro de 2011

De Brasília a Bratislava, na Eslováquia






Saímos de Brasília no sábado, dia 10/9, pontualmente às 11:15 h pela TAP, em vôo operado pela TAM, chegando a Salvador às 13:40, onde curiosamente nos deparamos com a espera para abrirem o check-in da TAP e depois, da sala de embarque internacional. Parece que o movimento não é tão grande, e formaram-se grandes filas e ambas as oportunidades. Apesar do horário para embarque ter sido marcado para 16:25, o embarque internacional só abriu por volta de 16:40. Depois, fluiu bem, não prejudicando o vôo, que acabou atrasado em meia hora por outras razões. Partimos para a escala em Lisboa às 17:55h num Airbus A330.


Vôo tranquilo, apesar de uns sacolejos na região de Cabo Verde, faltando 4 h para chegar, a cerca de 3.000 km de Lisboa. Duração de 10h. Nas telas em frente às cadeiras, o painel de dados mostrava que durante boa parte do vôo o avião andou a mais de 900km /h, recuperando parte do atraso. Chegamos a Lisboa às 05:50h (fuso de Lisboa - 4 horas a mais que Brasília).

Uma dica: pelo meio da viagem, ajuste logo todos os relógios para a hora do destino (câmeras e computadores também), de modo que em nenhum lugar fique a hora de origem. Ajuda na adaptação. Dormir também ajuda, mas infelizmente não tenho essa facilidade, e passei a viagem entre filmes e vendo a evolução da viagem no painel de dados. Em nada ajuda ficar a toda hora falando no horário brasileiro, porque a vida, a partir da chegada ao destino, será ditada pelo horário local. Qualquer coisa, calcule o horário brasileiro, que passa a ser um dado de menor importância diante do que vem pela frente. Nos relatos, usarei sempre a hora local, salvo nota em contrário.

O aeroporto internacional de Lisboa é muito amplo, parecendo maior que os do Brasil. Aliás, parece que estamos em casa, porque o fluxo de brasileiros é imenso, e logo de cara a gente vê propagandas turísticas do Ceará e do Banco do Brasil por todo lado. Até quiosque das Havaianas tem. Muito limpo e organizado. Migração rápida, sem burocracia. Embarque idem. Pessoas muito atenciosas e educadas.

O vôo da TAP para Viena, marcado para a 09:00h, foi remarcado para as 09:25h e só decolou às 09:45h. A justificativa da empresa foi falta de pessoal, por isso viajaram com a equipe mínima exigida pelas normas de segurança, e pagamos o pato por ter sido suspenso o serviço de bordo. É dessas coisas que não escapa à suspeita de corte de gastos, o mesmo que eleva o desemprego em Portugal a níveis absurdos.

O serviço de bordo de toda a viagem pela TAP pareceu inferior ao prestado por outras empresas que já viajamos. No võo houve vendas a bordo. Tinha telefone por satélite nos controles que ficam nas cadeiras, com ligações por 8 euros o minuto. Não foram disponibilizados jogos nos displays, e os filmes eram passados todos no mesmo horário, não sendo individualizada a escolha.

A duração do trecho foi de 3 horas, cruzando Portugal, Espanha, França, Suíça, Alemanha e Áustria. Apesar do dia em Lisboa ter amanhecido sem nuvens, apenas na metade da França saímos de nuvens, e pudemos ver que não havia uma só montanha com neve nos Alpes. Para quem é chegado a geografia, nessa hora faz a diferença ter em mãos os mapas baixados para o celular, que juntos com as informações técnicas da tela da cadeira dão uma boa visão dos principais pontos sobrevoados.

No trecho para Viena, cruzamos mais um fuso horário. Passamos a ficar com 5 horas a mais que o Brasil. Novamente, muda tudo nos relógios, celulares, notebooks, etc. Chegamos às 13:45h, e o dia estava quente, mais de 30 graus. Depois de uma peregrinação para conhecer o aeroporto, jà que servirá de embarque e desembarque para as outras viagens parciais da jornada, tomamos uns chopes enquanto aguardávamos o ônibus para Bratislava às 15:30h.

No aeroporto de Viena também pesquisamos locação de veículos, e achamos caro em relação ao que constava na internet. E uma novidade: aluguel de carro elétrico, para mais de uma semana, na faixa de 39 euros por dia. O problema é que ainda não há infra de tomadas para abastecê-los, e o alcance é limitado. Deve ser bom para andar na cidade de Viena, curtas distâncias.

O aeroporto de Viena é grande e parece um pouco antigo. Ali você percebe que está na fronteira de um outro mundo, até pelas operadoras aéreas. E pelas pessoas, do Leste Europeu, turcos, gregos, árabes e alguns asiáticos. A praça de alimentação é pequena, relativamente às dimensões do aeroporto. Pelo menos a do desembarque, e pode haver outras. O serviço de informações é preciso. Não há assédio dos tradicionais esquemas de carregadores de bagagens e taxistas.

No aeroporto há trens frequentes para Viena e ônibus também para Budapeste, Praga e Bratislava. As passagens são compradas na Vienna Airport Lines, que fica ao lado do Mc Donalds, por 7,70 euros. Há descontos para estudantes dentro de certa faixa etária. Paga-se 1 euro para cada volume colocado no bagageiro, na hora do embarque. Para quem vai a Bratislava, há 3 operadoras, mas apenas a Slovak vai para a rodoviária central (Autobusova Stanica), que fica na Myliév Nivy. De lá para o centro histórico a distância é na base de 800m, com calçadas que permitem arrastar uma mala pesada a pé.

Do aeroporto de Viena são 66 km para Bratislava e 222 para Budapeste. A estrada que o ônibus pegou não permitia velocidades acima de 70km/h. Outra coisa notável foi, em alguns trechos, placas indicam a proibição de ultrapassagens até onde a linha de separação das duas faixas (mão e contramão) é descontínua, o que no Brasil significa ultrapassagem permitida. Esses dados são importantes para a reprogramação de etapas futuras, porque estimamos velocidades maiores para os trechos fora de auto-estradas nos cálculos de tempos de percursos.

A rodoviária de Bratislava não é melhor nem pior que outras que a gente conhece pelo Brasil. Coisa da década de 60, sem grandes manutenções. Grandes painéis mostram que de lá partem ônibus para grande parte das cidades dos países da região. Os preços parecem razoáveis, e alternativa do ônibus vai ser levada em conta no planejamento complementar da viagem.



Como chegamos num domingo de sol forte, o centro histórico estava muito movimentado, mas isso é papo para outro post. Felizmente, apesar de termos viajado na data dos 10 anos do atentado do World Trade Centar, não houve nenhuma novidade nos vôos, nem medidas excepcionais de segurança. O terror ficou por conta de uma criança que passou todo o vôo de Lisboa a Viena com alguma dor, chorando e gritando o tempo todo. Agora são 6 da manhã e vou tentar por o sono e o jet-lag em dia.

PS: as fotos ficaram fora de ordem. Depois ajeito.


Europa Oriental : Planejando a viagem - parte 3

(continuação de Europa Oriental : Planejamento de viagem - parte 2)
ORDENANDO OS ROTEIROS

Esse é um trabalho interativo muito difícil, ainda mais com os condicionantes desta viagem. O melhor é lançar em planilhas as datas e os prováveis locais e submeter aos demais acompanhantes quantas vezes forem necessárias até chegar a um acordo. Na elaboração das propostas, levar em conta as informações de eventos locais que poderão ser visitados, adequação a finais de semana de algumas localidades, etc.

Até agora só consegui fechar o roteiro para os primeiros 20 dias, porque das informações obtidas nessa primeira fase da jornada sairá a validação da próxima. Se a barra pesar muito, temos a opção de ficar o resto do tempo entre Bratislava e Viena como moradores locais, já que não pagaremos hospedagem por lá.

O importante é a definição dos tempos parciais: serão 4 dias para Moscou, de tanto a tanto, e com base nisso a gente arruma as visitações, passeios, etc. O planejador poderá apresentar aos demais um projeto, já levando em consideração os horários de abertura dos locais de interesse, os roteiros a pé e interconexão com outros meios de transportes, a importância de cada coisa e a relação de coisas que, a princípio, serão descartadas por falta de tempo/prioridade.

Essas interações democráticas têm o preço alto da indefinição por longo prazo, por isso duas coisas normalmente acontecerão: razoável consenso ou aprovação por maioria. De antemão, antes de pensar de embarcar numa aventura dessas, você escolherá pessoas razoáveis, sem frescuras, que tenham afinidade com o teu ritmo, interesses e velocidades, ou que confiem o suficiente em você para aceitar tuas propostas sem questionar, e obterá o consenso. Se a coisa complicar e chegar ao impasse, votação será necessária, gerando insatisfações. O tempo para a busca do consenso deverá ser limitado, senão as etapas seguintes poderão ficar comprometidas, tanto em custos como em indisponibilidade de ingressos, hotéis, etc, por falta de decisões tempestivas.

AMARRAÇÃO DA PROGRAMAÇÃO

Com o roteiro aprovado, hora de fazer as compras possíveis para o momento. No caso desta viagem, cuja data de ida e volta já são conhecidas, em primeiro lugar compramos as passagens desses trechos. Quando se compra o ticket aéreo em ida e volta, o preço cai muito em relação ao que seria voltar de um lugar diferente da chegada. Nem sempre se pode fazer isso, pois há viagens sequenciais, ao longo de uma linha sem retorno. Como temos um ponto fixo de apoio, ir e voltar a Bratislava em diversas pequenas viagens durante a semana foi a solução que adotamos, com os seguintes trechos (alguns ainda sujeitos a reprogramação:
- Bratislava - Bulgária - Bratislava
- Bratislava - Romênia - Bratislava
- Bratislava - Alemanha - Áustria - Bratislava
- Bratislava - Moscou - Bratislava
- Bratislava - Polônia - República Checa - Bratislava
- Bratislava - Eslovênia - Croácia - Hungria - Eslováquia - Bratislava
- Viena - Itália - Áustria - Viena

Quando digo "Bulgária" isso quer dizer a capital, Sófia, e mais algumas cidades. Algumas coisas serão avaliadas no local. Pode ser que a cidade-alvo não demande o tempo planejado, e sobre para outras coisas. Apenas na Rússia é que nos limitaremos a Moscou, sem visitar outras cidades. O grupo tem que estar sintonizado com a possibilidade de mudanças a cada momento, pois reprogramações são possíveis. Em alguns casos , as coisas acontecem como na poesia Cantares, do poeta espanhol António Machado, onde um trecho diz: "Caminhante, não há caminho - o caminho se faz ao andar". Basta um mala-sem-alça no grupo para que este adquira a velocidade do mais lento.

ARMADILHAS AÉREAS

É muito comum ouvirmos falar em promoções de empresas européias que têm passagens aéreas de baixo custo. Na hora de ver preços, aparecem coisas muito baratas, porque os vôos chegam e partem de aeroportos longínquos das cidades, com acessos difíceis (nem todos), com escalas terríveis e altos custos por bagagem, sem serviço de bordo, etc. Fazendo a conta dos custos de tempo (em viagem, é dinheiro mesmo!), transportes, alimentação e riscos de vários transbordos de modais de transportes, a gente vê que a vantagem não é tão grande assim, em alguns casos.

Outra cilada é a das tarifas dos aeroportos. Entre no site do Decolar.com, Booking.com ou similares e marque um trecho em passagem internacional. Aparecerá um valor. Anote-o. Avance para o passo seguinte da compra. Aparecerá outro valor, contemplando acréscimos que podem chegar a valores bem maiores que o valor anterior. Esse é o valor real.

Em geral, empresas de grande porte admitem que o passageiro leve duas malas com o máximo de 36 kg cada. Uma mala a mais, mesmo respeitando os 72 kg totais, será sujeira a uma tarifa absurda, da ordem de 30 euros ou até mais. Quanto mais malas, mais caro, porque em algumas empresas o valor da quarta mala é maior que o da terceira.

Leve a bordo tudo que puder de valor, documentos e registros da viagem (fotos, arquivos, etc), porque malas têm o péssimo vicio de sumir ou aparecer abertas. Observar rigorosamente o que é permitido levar, por causa das medidas de segurança. Além do mais, dependendo do aeroporto, você poderá ser submetido a um "baculejo" pesado, e ter que mostrar tudo que tem na bolsa, passar por escanner de corpo, etc.

Quando definir a empresa aérea, verificar o terminal do aeroporto onde irá parar e de onde irá retornar. Dependendo do aeroporto, a romaria de um terminal a outro pode levar tempo suficiente para você perder o vôo. Chegar com mais de duas horas de antecedência é adequado, porque zebras podem acontecer na imigração, e isso tem que constar na sua programação com alguma folga para engarrafamentos, etc.

Sabendo o terminal, hora de examinar as opções de transporte ao hotel. Em geral os sites de aeroportos têm esse tipo de informações, e até alertas para as máfias do transporte que rondam as salas de embarque. Táxis e vans piratas podem ser armadilhas. O melhor é pegar um ônibus para um metrô e de lá chegar a cidade, onde se pode pegar um táxi com menos riscos. Pelo menos em tese, e isso se o taxista te entender. É importante ter noção das distãncias, e um mapa mostrando até os trajetos não seria um luxo, já que os recursos disponíveis na internet hoje permitem fazer isso com precisão.

Imperialismo não aprendeu nada com o 11 de setembro



Se a intenção dos autores do ataque às torres do World Trade Center em 11 de setembro de 2001 foi de combater as políticas de intervenção e exploração do imperialismo no mundo árabe / muçulmano, o tiro saiu pela culatra.


Ao invés de uma autocrítica da atuação dos Estados Unidos e demais potências do capitalismo como novos cruzados em busca de riquezas no mundo árabe, o que aconteceu foi o aprofundamento das agressões, da exploração, e a aplicação de políticas de terra arrasada. Literalmente, arrasada, como no Afeganistão, Iraque e agora a Líbia.

Nada mudou na postura dos colonialistas, que se tornaram reféns do terror sem cara, sem hora para atacar, sem limites de violência. Essa situação agrada, entretanto, aos seus políticos sem escrúpulos, que alimentam com pesadas verbas as indústrias de armas e de segurança, e usam o temor como plataforma eleitoral.

Suas mídias fazem crer que alguns povos são culturalmente violentos, inimigos da liberdade e da democracia, e agora, 10 anos depois dos ataques que mataram 3 mil pessoas nos Estados Unidos e depois fizeram centenas de milhares de mortos na invasão americana ao Iraque e Afeganistão, tudo que fazem é colocar os americanos no papel de vítimas. E esconder os que morreram na "reação" ao ataque.

Bilhões de dólares foram queimados em armas e munições nesses 10 anos, ao invés de ajudarem a construir relações internacionais mais equilibradas, ajudar a acabar com a vergonhosa fome na Somália e em outros países vítimas das políticas imperiais, pagar melhor pelas "commodities" que adquirem a preços vis, etc. Se tivessem aprendido algo, buscariam atenuar as tensões com novas posturas, não com mais mortes e destruição. Saddam morreu, Bin Laden tomou sumiço, a Al Qaeda praticamente foi esfacelada, mas em nome da luta anti-terror ainda se praticam ataques aos direitos dos cidadãos, às leis internacionais e aos direitos humanos.

Que o 11 de setembro de 2011 sirva para a reflexão dos povos em nome de quem se usou a brutal violência no atentado, e dos que sacrificam a vida de milhões para garantir privilégios e riquezas a alguns. E que ninguém tente usar os aviões nos quais estarei viajando nesse dia para fazer novas demonstrações de intolerência, de protesto, seja lá o que for, usando vidas humanas como meios.

Nas fotos, o Memorial do 11 de setembro, que fica a poucos metros do canteiro de obras de reconstrução das torres do WTC, que tem a maquete dos novos prédios e dos jardins com água caindo nos lugares onde se projetavam as torres derrubadas. Uma justa homenagem às pessoas que nada tinham a ver com as políticas imperialistas e perderam suas vidas estupidamente numa guerra que não lhes pertencia.

sábado, 10 de setembro de 2011

Globo : Tudo pelos juros altos

Enquanto bancos patrocinarem telejornais e forem os principais anunciantes em revistas semanais, esses órgãos de comunicação não terão autonomia nem credibilidade para falar de economia. Principalmente de assuntos onde há interesse de banqueiros.


Depois que o Banco Central rompeu a lógica do "mercado" e baixou os juros, a campanha dos banqueiro tem sido arrasadora. Primeiro, bateu-se no governo porque o Banco Central teria perdido sua "autonomia", ou seja, o BC teria que continuar servindo aos banqueiros, não ao governo.

Depois que vários analistas disseram que a decisão foi correta devido ao aprofundamento da crise econômica nos países ricos, mudou o eixo do ataque: agora é a "escalada de alta" do dólar, que vai encarecer os importados, e assim destruir a âncora cambial que segura os preços no mercado interno.

Até o menino que vende balas no sinal sabe que ao apontar o viés de queda de juros, haveria uma acomodação nos diversos segmentos do mercado. Capitais migrariam dos títulos públicos para ações, e os estrangeiros poderiam repatriá-los pela perda de atratividade. Momentaneamente, o dólar teria mais procura por este motivo, e como manda a lei da oferta e da procura, subiria de preço.

Nada mais natural na economia, e nada sistêmico, como a Globo tenta empurrar na patuléia, para fazer o discurso da irresponsabilidade do governo diante do cenário de alta de inflação para dizer que a solução está na elevação da taxa de juros. O Brasil tem reservas gigantescas em dólares, e o BC, mesmo diante de um ataque especulativo contra a moeda, poderia destinar uma pequena parte à venda no mercado, esfriando as cotações. E poderia atuar junto à demanda, baixando o IOF sobre certos investimentos. Tudo muito tranquilo, sem pânico. A Globo acha que não.

Europa Oriental : Planejando a viagem - parte 2

Continuação de Europa Oriental : Planejando a viagem - parte 1


INFORMAÇÕES

Ainda nas informações preliminares, é importante saber se há horário de verão, e como está a duração do dia nos países a visitar. Ainda é verão, e em alguns lugares há luz do dia até as 19h, mas logo virá o outono, e acontecem casos, como em Moscou, do dia clarear por volta das 8 da manhã e escurecer às 3 da tarde. Esse dado é fundamental para a programação.

Mapas hoje há em várias fontes, de GPS a celulares, Google Earth, sites de turismo. Optamos por não levar o GPS, que é muito visível, preferindo baixar os mapas dos países gratuitamente do site da Nokia para os nossos celulares. Há relatos de insegurança em alguns dos lugares, e quanto mais discretos formos, até na vestimenta, para não parecermos turistas, melhor. Nada de exibir laptops ou outros aparelhos em público. Nada de bolsas para câmeras, objetivas, etc. Pode parecer exagero, mas é melhor prevenir.

Apesar de ninguém pretender aprender várias línguas em curto espaço de tempo (só se fosse como em Matrix, onde faziam "download" de conhecimentos direto no cérebro), é importante dar uma olhada geral para ter um mínimo de noção. Desde que começamos a busca de dados imprimimos uma tabela comparativa do alfabeto latino com o cirílico, para exercitar a transliteração de palavras do russo ou do búlgaro. Em poucos dias dá para aprender os macetes.

Demos uma olhada nas características de cada língua, nos fonemas, nas aglutinações, uso de diacríticos (tipo trema, acentos e outros símbolos que se anexam às letras), e obtivemos algumas palavras básicas à sobrevivência (bom dia, tarde, noite, obrigado, por favor, desculpe, quanto custa, onde é, números, dias da semana, meses do ano, etc). No roteiro encararemos as línguas alemã (Áustria e Alemanha), eslava (Checa, Slovakia, Slovenia, Croácia, Bulgária, Rússia, Polônia), húngara e romena. Nas eslavas há diferenças de país a país, mas as coisas são, com muito boa vontade, um pouco parecidas. O húngaro parece coisa de outro planeta. Onde se fala alemão, em geral uma boa parte das pessoas fala inglês. Na Romênia, a língua parece latina, mas é muito diferente. Onde o alfabeto é cirílico, depois da transliteração é possível até achar coisas conhecidas.

Dos relatos, soubemos que em grande parte dos lugares o inglês é pouco falado ou entendido, mais entre os jovens globalizados. Isso vale para lugares-chaves, como aeroportos, serviços de informação, sites de transportes, recepções de hotéis, táxis, lojas, etc. O problema de perguntar algo na língua nativa é que a gente até consegue se fazer entender, mas não vai entender nada da resposta, contando com uma boa vontade do interlocutor que sabemos não ser uma característica de vários dos povos a visitar. Vamos levar em mãos um livrinho de conversação, formato de bolso, com minidicionário para cada linguagem, editado pela Lonely Planet, de título "Prasebooks Eastern Europe".

Sabendo pelos relatos que as comunicações serão complicadas, seja por celulares ou internet, a experiência diz que velhas fórmulas analógicas farão a diferença. Não que estejamos encarando a viagem como uma aventura na selva, no deserto ou no mar, mas informações impressas, alguns mapas de mão e um guia geral são formas de prevenção válidas. Compramos por uma ninharia, perto do tamanho do livro, o guia da Lonely Planet de título "Eastern Europe", que tem 179 mapas, e informações gerais muito importantes, condensando informações anteriormente descritas. Tem 1044, e pesa uns 300g, mas poderá ser um importante apoio, se for difícil usarmos coisas mais modernas.

DINHEIRO
Sobre dinheiro para a viagem, usam o Euro a Alemanha, Itália, Áustria, Eslováquia e Eslovênia. Na Rússia usa-se o Rublo, na Croácia o Kuna, na Hungria o Florim (forint), na Bulgária o Lev, na Romênia o Leu, na Polônia o Zloty, na República Tcheca, a Coroa Tcheca. No site do Banco Central há um aplicativo de conversão de moedas. É fundamental ter noção do que representam essas moedas na correlação com reais para não pagar preços distorcidos, usando índices fáceis de fazer contas. Exemplo: divida um preço em rublos por 20 e terá mais ou menos o equivalente em reais (o índice de multiplicação é de 0,055 na cotação atual).

Não é conveniente mostrar euros na carteira em lugares onde há outras moedas, porque alguns espertos irão querer fazer a conversão 1 para 1, ou seja, que você pague um euro para algo que custa uma unidade de moeda local, sempre mais barata. Aliás, não é bom mostrar a carteira em lugar nenhum. Quem morou no Rio sabe como é isso, e ela deve ir no lugar mais escondido possível, para evitar os batedores de carteira. Nesses casos, andar com dinheiro na cueca ou nas meias não é coisa só para político brasileiro. Ande com o básico num bolso (da frente da calça), em moeda local.

Pesquisamos alternativas para pagamentos no exterior, e concluímos que o melhor é levar cartão Travel Money e alguns euros em espécie. Antes de mudar a taxação sobre compras no exterior para 6,38% usávamos os cartões de crédito como melhor alternativa. Agora o cuidado é maior, para não pagarmos um monte de impostos. No débito, há taxas por utilização. No dinheiro em espécie, as arapucas das casas de câmbio, que sempre pagarão uma cotação vil em moeda local.

O melhor que achamos é fazer saques em caixas eletrônicos no Travel Money, mesmo pagando tarifas, para obter moedas locais. Os valores serão determinados em etapas posteriores do planejamento, já que pagar em Travel Money é o mesmo que em cartão de crédito. Só que no cartão se parcela, vem na fatura dias depois, etc. No Travel Money, você paga antecipadamente quando faz a carga dos valores. Tem até 18 meses para usar, e se sobrar saldo, pode ser recomprado pelo seu banco.

Pagar passagens e hotéis em sites nacionais é a melhor opção, pois são transações no Brasil, normais, sem sobretaxas. E evitam navegações em sites complicados, em línguas iningeligíveis.

Como pagamentos de pequeno valor podem não gerar recibos, levaremos uma pequena caderneta para anotar os gastos. Fazer o acompanhamento orçamentário diário, mesmo que aproximado, é vital numa viagem dessa envergadura.

Se sobrar dinheiro em espécie de moedas de pouca circulação, o melhor é torrá-lo, ficando com quantias irrisórias apenas como souvenir. Imediatamente esse dinheiro deverá ser retirado do bolso, da carteira, para não confundir, enrolando em papel, botando em sacos, etc. Quanto mais organizada for o dinheiro, melhor será depois da viagem para fazer balanços e acertos de contas.






sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Europa Oriental : Planejando a viagem - parte 1

No post anterior (Europa Oriental : Muito a ver) falamos de países novos no mapa-mundi, tantos que fica difícil estabelecer quais visitar. Essa viagem, que começará no sábado em Brasília, teve que se condicionar a alguns parâmetros que determinarão a escolha dos países, a logística, o tempo dedicado a cada lugar, os custos, etc. Aqui vão os elementos centrais:

- Em todos os finais de semana haverá atividades compartilhadas com as pessoas que conhecemos em Bratislava, ou seja, todas as sextas à tarde temos que estar por lá;
- Nos finais de semana também poderá acontecer de percorrermos uma cidade próxima a Bratislava (até 400km) encontrando nossos amigos no destino, e de lá sairmos para outros lugares;
- No fim da viagem, 10 dias serão para um tour passando pela Itália até Roma, saindo e retornando de Viena, onde chegaremos e sairemos na volta para o Brasil;
- Em Bratislava ficarão as bagagens, indo conosco mochilas com as coisas básicas para a viagem e para evitar roubos em transportes. Toda roupa será lavada lá;
- As hospedagens serão em hotéis de duas ou três estrelas (no máximo). Nem hostel, nem hotel cheio de atrações. Apenas para dormir, em locais seguros, de fácil acesso aos locais de interesse e aos meios de transporte;
- Duração total da viagem : 50 dias;

Outro fator que acabou se tornando imperativo foi o tempo para planejamento. A idéia surgiu a partir do incentivo dos amigos que irão a Bratislava, há cerca de um mês. Não houve, portanto, tempo para tirar vistos de diversos países, restringindo-se o escopo a países que não exigem visto de brasileiros. Foram descartados e ficam para outra vez:
- Ucrânia
- Moldávia
- Bielorrússia
- Sérvia
- Bósnia e Herzegovina
- Macedônia
- Montenegro
- Kosovo (além do visto, é zona de conflito);

Por questão de distâncias comparadas com o tempo disponível, também foram descartados, ficando para próximos roteiros de viagem, um pelo norte europeu e outro pelo sul:
- Estônia
- Letônia
- Lituânia
- Kaliningrado (território russo entre a Lituânia e a Polônia)
- Albânia
- Grécia
- Turquia

Sobraram portanto: Eslováquia, Áustria, Alemanha, República Tcheca, Polônia, Hungria, Bulgária, Romênia, Itália, Croácia, Eslovênia e Rússia (apesar de Moscou ficar a 2000 km).

A decisão de incluir Moscou, apesar da distância, é de melhor compreensão histórica do período da Guerra Fria, onde a União Soviética tinha papel fundamental de liderança no Leste Europeu e dominava politicamente todos os países ditos socialistas.

Selecionados os países-alvos, passamos a examinar o que o mercado de turismo brasileiro oferece de pacotes para a região. Essa checagem é importante para ver o que a indústria turística considera fundamental visitar, e até para evitar que, depois de tanta aventura e sufoco, aquele teu amigo que pegou um pacote venha a dizer: "e aí, visitou tal lugar manjado, que todo mundo vai?". Se não tiver ido, ainda vai ouvir: "ah, então não viu nada!". Cria-se num caderno ou planilha uma página para cada país, anota-se as cidades recomendadas e as atrações mais cotadas. Nada deve ser descartado, a princípio.

Outro aspecto da checagem é verificar quanto se paga, em que condições, pelo que está sendo oferecido. Isso é importante para balizar o orçamento da viagem, ou seja, se o teu roteiro alternativo estiver mais caro que o padronizado, desconfie e refaça as contas, de modo que sempre saia mais barato, mesmo fazendo muito mais coisas.

Ler relatos é muito importante também, como os do Trip Advisor, do Mochileiros. com e fazendo no Google a pergunta : "o que ver em tal lugar". Neste caso, sempre irá aparecer um site oficial de turismo do lugar, com mais informações sobre o que os locais acham importante que você conheça da cultura, da natureza e das opções de lazer deles. Fora as compras.

Nos relatos sempre aparecem dicas interessantes, porque são feitos por pessoas que viajaram fora dos esquemas de empresa de turismo. Neles também estão as advertências para as ciladas que podem aparecer em atrações ditas imperdíveis, mas que podem tomar seu tempo e dinheiro e, pior, te impedir de ver coisas melhores.

Outras fontes de informação obrigatórias:
- sites de clima : verificar o comportamento das chuvas e temperaturas no período da viagem;
- sites de eventos : levantar o que há de festividades em cada local no início de viagem;
- informações históricas e geográficas dos países e cidades : a Wikipedia é um bom começo;
- notícias dos jornais locais : fundamental, pois há inquietações por toda a Europa e pode-se evitar ficar no meio de um conflito;
- moedas : pegar cotações, pois nem todos os países estão na zona do Euro;
- dados de embaixadas brasileiras nos países-alvos;
- filiações dos países a organismos regionais : os da Comunidade Européia têm acordos de vistos, de seguros, de trânsito, de moedas,e há países onde existem especificidades;

Na próxima parte do post, falaremos sobre a continuação do planejamento, com mais detalhamentos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Europa Oriental : Muito a ver


Na Guerra Fria, que separou países do bloco dito comunista dos demais do mundo capitalista, havia uma barreira invisível, ideológica, e mesmo física, que impedia conhecer a região liderada pela União Soviética, o Leste Europeu. Terminado o conflito, com o colapso das burocracias estalinistas, essas áreas da Europa Oriental tornaram-se acessíveis, mas as barreiras continuam: burocráticas, linguísticas,culturais, etc.


O mapa da região mudou muito. As duas Alemanhas viraram uma só. A Tchecoslováquia se dividiu em República Tcheca e República Eslovaca. A Iugoslávia implodiu, aparecendo países como a Eslovênia, Croácia, Bósnia e Hezergovina, Macedônia, Montenegro e Sérvia.

Ainda há conflito separatista no Kosovo. Estônia, Letônia, Lituânia, Moldávia, Ucrânia e Bielorrússia saíram do domínio da URSS e hoje lutam por um lugar ao sol no mundo ocidental.

E Kaliningrado, um território russo que fica entre a Polônia e a Lituânia, e poucos sabem que existe? A Rússia recupera-se do baque do fim da União Soviética, e hoje quer ser uma potência com ares ocidentais, abrindo-se ao turismo.

Cada um desses países agora tenta atrair turistas, mas a oferta não tem a contrapartida adequada nos roteiros oferecidos pelas principais operadoras de viagens brasileiras. Como o nosso turista não é muito chegado a aventuras, preferindo a comodidade, a virtual segurança e o parcelamento de pagamentos dos pacotes de viagens, temos brasileiros restritos às opções de Praga, Budapeste, Viena, Moscou e São Petersburgo, naquele esquema de city-tour, tira uma foto aqui, vai a um museu ali, tarde livre para compras, uma ópera para ninguém entender mas tirar onda de culto porque foi por lá, etc.

Nada contra esse esquema. Pensando friamente, quem se aventura a ir a esses países que chegaram à festa do capitalismo justo quando ela está acabando, sem a cobertura de uma operadora de turismo e dos seus contatos, é guerreiro. Poucos são os que praticam, por exemplo, seus conhecimentos de alguma língua estrangeira, preferindo encontrar brasileiros que passem as dicas.

No sufoco, usa-se o "the book is on the table" com mímicas, desenhos e outros recursos comunicativos para superar a barreira linguística. E quando o alfabeto não é o latino, mas o cirílico, ou contém um "c" com acento circunflexo de cabeça prá baixo em cima, e a língua é o búlgaro, o romeno, o eslovaco, o esloveno, o húngaro, o croata, o polonês, o russo, entre outros, tudo na mesma viagem?

Tudo é difícil, mas o retorno pode ser excepcional. É Europa, teve guerras, impérios, reis, castelos, idade média, intrigas religiosas, muitos traçados de fronteiras, histórias e estórias que beiram o fantástico, culturas milenares, mas é tudo muito diferente, instigante. Império Bizantino. Império Austro-Húngaro. Bálcans. Muito a pesquisar, muito a ver, a ouvir, a comer e beber, muita análise sociológica e antropológica e até diversão, numa jornada de quase 50 dias, com narrativas no Blog do Branquinho sempre que as condições de internet e o tempo de parada permitirem. Acompanhe essa jornada aqui.




quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Brasil exporta "água virtual" em seus produtos


Da janela do avião, anteontem, voando do Rio para Brasília, vi um cenário em Minas e Goiás que pouco se diferenciava do que conheci no Nordeste em plena seca. O diferencial estava em alguns campos com agricultura irrigada, quase sempre de soja, que estavam verdejantes pelo uso da água dos ainda perenes rios que cortam o cerrado. Queimadas enormes destruíam áreas secas, em especial as de vegetação nativa.

O nível da barragem de Três Marias, como mostra uma foto, está baixo, para perenizar o rio São Francisco Veio a reflexão: quanto sacrificamos de água potável na produção de soja, um dos principais produtos da pauta de exportação? E na carne? No fim das contas, o que exportamos mesmo é água.
A água existente hoje é a mesma de 2000 anos atrás, mas a população da época era 3% da atual. Como continua crescendo, é previsível uma crise global de abastecimento desse recurso, daí haver vários fóruns no mundo discutindo os cuidados na preservação da água para não chegarmos ao extremo de guerras por água.
O Brasil tem 19% de toda a água doce do planeta, o que é bom, mas tem usado boa parte do recurso em produtos que, na prática, valem mais pela água que embutem no processo de fabricação que pelas matérias-primas ou trabalho incorporado. Essa água que não aparece no produto final é conhecida como "água virtual". Hoje os fóruns sobre uso e preservação de água buscam criar ferramentas de gestão para o recurso, e mudar hábitos de consumo para impedir a aceleração da escassez.
Aqui vai uma tabela com as quantidades de água necessárias para produzir algumas coisas que consumimos e em boa parte exportamos:

Tabela - Quantidade de Água Virtual de Alguns Produtos
Produto Unidade de Medida Volume Específico (litros de água/unidade de medida do produto)

ArrozKg2.500
AveiaKg2.374
AvesKg3.650
Azeite de OlivaKg11.350
AzeitonaKg2.500
BananaKg500
BeterrabaKg193
BatataKg132
Cana de açúcarKg318
Carne de boiKg17.100
Carne de porcoKg5.250
LaranjaKg380
LegumesKg1.000
LeiteLitro800
ManteigaKg18.000
MilhoKg1.025
Óleo de palmaKg2.000
Óleo de sojaKg5.405
OvosKg3.700
PãoKg150
QueijoKg5.280
Raízes e TubérculosKg1.000
SojaKg2.525
TomateKg105
TrigoKg1.575
UvaKg455


Fonte: Jornal Folha do MEIO AMBIENTE, junho de 2006.

Aí vem os questionamentos: com é que gastamos 17 mil litros de água para termos à mesa um mísero quilo de carne bovina? E 2.525 litros de água para um quilo de soja? Só para darmos a dimensão correta, na safra 2009/2010 o Brasil produziu 67 milhões de toneladas de soja. Façamos a conta:
67.000.000.000 de kg de soja x 2.525 l de água/kg = 169.175.000.000.000 litros de água para produzir a safra, ou 169.175.000.000 metros cúbicos de água, ou ainda 169,175 x 109 m³.

O reservatório da Hidrelétrica de Itaipu, a maior do Brasil e até pouco tempo atrás a maior do mundo, armazena, no seu nível máximo normal, 29 x 109 m³ de água. Comparando as duas quantidades, o Brasil gasta quase 6 Itaipu de água para produzir soja. Considerando-se que a expectativa de exportação de soja em grãos (sem considerar o óleo e o farelo, também em imensas quantidades), é de cerca de 32 milhões de toneladas, exportaremos mais de 3 Itaipus somente nesse item. Fora a carne bovina...

Como a soja tem preços cada vez mais atrativos para os produtores, a gente entende o porquê da truculência dos produtores em forçar a aprovação de um novo Código Florestal que permita o desmatamento cada vez maior de áreas de matas nativas para ampliar as áreas de plantio. E o poderoso lobby dos ruralistas contra a transposição de águas do Rio São Francisco para acabar com a sede de mais de 13 milhões de pessoas, para que sobre para as suas lavouras. E porque o nível de algumas barragens de vez em quando chega a níveis críticos em épocas de seca, comprometendo até a geração de energia, porque a água é cada vez mais captada para irrigação e não chega aos reservatórios com a mesma vazão de anos anteriores.