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sexta-feira, 13 de junho de 2014

FANOAPÁ 0071 - Vem aí o EXOCÉREBRO para os deficientes de noção!

Ontem era para a abertura da Copa coroar o trabalho de uma equipe de brasileiros que desenvolveu uma estrutura capaz de receber impulsos cerebrais e executar movimentos, o chamado EXOESQUELETO, ou esqueleto externo. Um paraplégico daria o primeiro chute numa bola para mostrar um pouco da nossa tecnologia. A Globo, geradora das imagens para todo o mundo, se "esqueceu" desse momento, mostrando a imagem por apenas 2 segundos para mostrar depois que Galvão & abobrinhas amestradas terminassem seu brilhante debate. Ninguém viu.

Como hoje grandes autoridades da falta de noção se dedicaram a minimizar o trabalho científico, proponho que a equipe do prof. Nicolelis desenvolva um EXOCÉREBRO, ou seja, um cérebro auxiliar para permitir que sem-noção pensem um pouco antes de falar ou fazer bobagens.

Que sirva, por exemplo, para que pessoas que hoje curtiram o xingamento à presidente ontem tenham a capacidade de perceber que esse gesto é pura FANOAPÁ - Falta de Noção que Assola o País. Ou concluir que o Marcelo fez o gol contra por uma questão racial. Ou torcer pelo gol contra mesmo sendo fotografado por adversários políticos? E apanhar de graça da polícia para gerar imagens midiáticas? Esse tipo de utilidades.

Desde já o Roger pode ser uma cobaia. Lobão vai ter que esperar por um modelo mais possante. Deve ficar caro, mas a elite tem dinheiro para pagar por eles. Gastam R$ 990 por um ingresso para a Copa, por que não um EXOCÉREBRO? Para os sem-noção não tão abastados mas suficientemente abestados há a opção de oferecer o dispositivo através do SUS, com aplicação por cirurgiões cubanos.

sábado, 5 de outubro de 2013

2014 - A direita arma seu exército para tentar derrotar Dilma

Hoje termina o prazo para as filiações partidárias e o cenário para 2014 começa a ficar mais claro. Há a candidatura favorita de Dilma e várias na oposição. Algumas concorrem entre si para ver quem enfrentará a presidente no segundo turno, mantidas as condições estatísticas atuais.

Tirando as candidaturas de afirmação ideológica na faixa de até 2% dos votos os demais são frutos de uma mesma árvore. Para os tucanos, principal partido sobrevivente a 10 anos de Lula/ Dilma, a vez sempre será deles. Ainda vão enfrentar uma disputa interna pesada entre Serra, que se manteve no partido e tem votos, e Aécio, que não sobe nas pesquisas e se revela um péssimo candidato, fadado ao fracasso. Para eles, os demais seriam apenas figurantes ou auxiliares na tarefa de colocar seu candidato no segundo turno.

Um outro afluente importante do rio da direita é o DEM, quase extinto, mas ainda colaborando com segmentos na área do agronegócio e grupos de extrema-direita com dinheiro. Não têm chances eleitorais, mas num eventual governo Serra teriam espaços para tentar sair do gueto. São a

Outro que baterá implacavelmente em Dilma será o partido do Paulinho da Força. É a divisão sindical. O Solidariedade, a exemplo do seu homônimo polonês, quer ser num eventual governo tucano o colaborador de classes, apoiando a perda de direitos trabalhistas como "avanços da modernidade da relação capital x trabalho", tomando o papel que hoje cabe à CUT enquanto mecanismo de amortecimento das lutas sociais.

Na área de meio-ambiente, juventude e fundamentalismo religioso "sem direita nem esquerda" tiveram a baixa com a negação do registro do partido Rede de Marina Silva, mas Eduardo Campos, que marchou para o suicídio saindo da base aliada e fechando acordos com o DEM, ganha sobrevida com a filiação dela ao PSB. Sua candidatura servirá enquanto não ameaçar os tucanos, responsáveis pelos seus tais 20 milhões de votos com o apoio da Globo nas eleições passadas.  Se ameaçar Aécio será detonada.

Há a divisão kamikaze, com o PPS de Roberto Freire, que ganhará espaços de mídia para fazer parte do jogo sujo de denuncismo e insuflamento de ódio ao PT.

E o PSDB vem com seus tradicionais aliados do setor financeiro e da mídia, em meio a denúncias cada vez mais frequentes de corrupção envolvendo especialmente os governo paulistas, o mensalão de Minas, etc.

Aparentemente separados, mas aliados pelo mesmo propósito de tomar o poder e desmantelar todos os avanços dos últimos 10 anos, marcharão juntos para tentar evitar a reeleição de Dilma, que ainda tem que enfrentar os quinta-colunas da sua base aliada que contribuem para o ataque externo. A sorte está lançada.


PS às 20h de 05/10/13 - Quando escrevi o post, ainda não sabia que Marina seria vice do Eduardo Campos, e isso vai ter efeito negativo em ambos os eleitorados. Eduardo Campos vem se aproximando do DEM, que é o responsável pela aprovação do Código Florestal combatido pelos aliados de Marina. Por outro lado há o desconforto de pessoas do PSB com a aproximação do fundamentalismo religioso com a chegada de Marina. Foi um negócio de oportunidade, cujas consequências não foram avaliadas corretamente. Para o PSDB, apesar de Aécio dizer que a dobradinha fortalece a oposição, não foi nenhuma maravilha, pois quanto mais candidaturas melhor para forçar o segundo turno. O raivoso Roberto Freire do PPS também estrebuchou porque achou que ganharia de graça Marina e seus patrocinadores para a legenda.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

FHC : A farsa desmentida por ex-colega economista

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, numa tentativa de sair do ostracismo político a partir da popularidade de Lula, fez-lhe uma carta onde coloca-se como salvador da pátria injustiçado, e exalta as "maravilhas" do seu governo, às vésperas das eleições de 2010, onde Dilma e Serra eram candidatos. Por amor à verdade, o economista e cientista político Theotônio dos Santos, que também escreveu sobre a Teoria da Dependência, resolveu escrever uma carta aberta a FHC onde desmente alguns dos seus mitos ligados à eficiência do Plano Real. Muito interessante, vale a pena ler o texto abaixo, extraído do blog do autor. A seguir vai a carta de FHC a Lula. Esse debate merece ser passado adiante.
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http://theotoniodossantos.blogspot.com.br/2010/10/carta-aberta-fernando-henrique-cardoso.html

Carta aberta a Fernando Henrique Cardoso
Meu caro Fernando,
Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).
Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.
O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você... Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. 
No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?
Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.
Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.
E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. UM GOVERNO QUE CHEGOU A PAGAR 50% AO ANO DE JUROS POR SEUS TÍTULOS, PARA EM SEGUIDA DEPOSITAR OS INVESTIMENTOS VINDOS DO EXTERIOR EM MOEDA FORTE A JUROS NORMAIS DE 3 A 4%, NÃO PODE FUGIR DO FATO DE QUE CRIOU UMA DÍVIDA COLOSSAL SÓ PARA ATRAIR CAPITAIS DO EXTERIOR PARA COBRIR OS DÉFICITS COMERCIAIS COLOSSAIS GERADOS POR UMA MOEDA SOBREVALORIZADA QUE IMPEDIA A EXPORTAÇÃO, AGRAVADA AINDA MAIS PELOS JUROS ABSURDOS QUE PAGAVA PARA COBRIR O DÉFICIT QUE GERAVA. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. VERGONHA FERNANDO. MUITA VERGONHA. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo...te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.
Terceiro mito - Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição uns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.
Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONÔMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar... Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais. 
Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.
Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora. 
Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder. 
Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço
Theotonio Dos Santos
thdossantos@terra.com.br, /theotoniodossantos.blogspot.com/

Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 
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Aos que não tiveram acesso à carta de Fernando Henrique segue abaixo seu conteúdo.
CARTA ABERTA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO A LULA / PT
SEM MEDO DO PASSADO
Fernando Henrique Cardoso 
O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? 
Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo. 
Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. 
Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. 
Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país. 
Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores. 
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010.
“Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”. (José Eduardo Dutra) 
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores. 
É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil). 
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mensalão : Clímax, anticlímax e decepção

Terminada a primeira "fatia" do julgamento, já houve material para a direita fazer sua festa midiática. A capa de "O Globo" de ontem deveria vir com a tarja "Edição Histórica" e a orientação para as pessoas guardarem. Deputado petista condenado por corrupção, dizia o título. Se fosse de outro partido diriam "fulano de tal condenado por corrupção".

Parecia que dançavam embriagados em cima da sepultura do PT e de Lula. Uma celebração orgástica. Hoje, a ressaca. Pesquisa em São Paulo mostra a força de Lula como cabo eleitoral, com o candidato Haddad, o mesmo da foto Lula + Maluf, encostando em José Serra, que goza de rejeição crescente de 43% atuais. Erraram profundamente.

Como diriam os palpiteiros econômicos da TV, o mercado já "precificou" o mensalão desde 2006, quando Lula se reelegeu. O  único elo entre a bandalheira e o Palácio do Planalto foi inocentado por unanimidade. A acusação de Pizzolato contra Gushiken mostrou-se falsa e sem provas.

Agora o julgamento entra em banho-maria midiático. Julgamento do baixo clero do esquema. Até agora, nada de mensalão provado. Vão pegar mais uns corruptos de varejo, uns criminosos do sistema financeiro, outros criminosos eleitorais, mas a nova tentativa de empolgar a opinião pública virá com o julgamento de Dirceu, Genoíno e Delúbio. Os dois últimos vão pegar alguma coisa porque cometeram crime eleitoral, que não é uma bobagem à toa, dá cana também.

Quanto a Dirceu pairam dúvidas. Na defesa de Genoíno foi dito que Dirceu era o presidente de fato do PT, e que Genoíno era apenas um testa-de-ferro. Isso não vale muito, porque as decisões no PT, pelo estatuto, envolvendo recursos, são de responsabilidade primeira do presidente e do tesoureiro.

A questão é que o tribunal vem flexionando temerosamente o direito à inocência quando não há provas. Alguns ministros querem que, na falta de provas, o inocente mostre sua inocência! Para eles, não basta ser inocente por falta de provas, tem que parecer inocente.

Quanto aos estragos, Dilma parece que não está nem aí para o que vai acontecer ao magote de patifes que jogou o PT na lama. Seu governo está à margem do partido, restrito ao grupo palaciano. Acredita que esse isolamento não fará respingar lama na sua imagem, o que é bastante razoável. Se Dirceu for condenado e enfraquecido no partido, o que restou do PT mais autêntico poderá tomar o comando da sigla. Dilma está mais para essa banda do partido que para o esquema de Dirceu.

domingo, 8 de julho de 2012

SP : CPI do Cachoeira começa a morder Serra e a Delta

Em recente reunião da CPI do Cachoeira a oposição ficou feliz com a convocação do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, de quem acham que conseguirão informações para comprometer governos da base aliada do governo, em especial o do Rio, dada a relação de camaradagem do construtor com o governador Sérgio Cabral.

Ficaram irados, entretanto, com a convocação do engenheiro Paulo Souza, conhecido como Paulo Preto, que assinou em São Paulo o maior dos 27 contratos da Delta com os governos Serra e Alckmin. O governo de São Paulo tem quase R$ 1 bilhão em contratos com a empresa, sendo o maior deles de R$ 415,1 milhões (valores corrigidos). No governo Alckmin foram contratos de R$ 178,5 milhões, enquanto no governo Serra foram R$ 764,8 milhões.

O PSDB está no pior dos mundos: praticamente comprovada a participação do governador de Goiás no esquema, só falta terem uma derrota no principal aparelho que controlam: o governo de São Paulo. E arrebentar com a campanha de José Serra à prefeitura de São Paulo. O DEM também está em baixa, com a abertura do processo contra o mensalão em Brasília, onde há provas cabais de participação dos envolvidos. Quanto ao PT, até aqui há um julgamento no Supremo que começará no dia 2 de agosto onde se acha que não há provas suficientes para pegar peixes graúdos como José Dirceu. A novidade é o prefeito de Palmas, no Tocantins, pego numa gravação pedindo grana a Cachoeira.

O nome de Paulo Preto foi citado pela primeira vez num debate da campanha eleitoral de 2010 pela então candidata Dilma Roussef, que pediu explicações sobre o sumiço de R$ 4 milhões de recursos da campanha do PSDB atribuído pelo tesoureiro do partido ao engenheiro. Dilma também se baseou em informações do PSDB para pedir a Serra que confirmasse se Paulo Preto tinha autorização para pedir dinheiro em nome da sua campanha. Serra se calou. Preferiu dizer que não conhecia a pessoa.

Dias depois, Paulo Preto fez a seguinte ameaça: "Ele (Serra) me conhece muito bem. Não se deixa um líder ferido na estrada. Não cometam esse erro". Apareceram fotos de Serra junto com Paulo Preto em uma obra. Afinal, ele admitiu: "Evidentemente que eu conhecia o trabalho do Paulo Souza. Ele é muito competente e ganhou até prêmio de engenheiro do ano. A acusação contra ele é injusta. Ele é totalmente inocente. Nunca recebi nenhuma acusação a respeito dele durante sua atuação no governo". Parece que o recado foi bem entendido. A partir daí Serra responderia grosseiramente a qualquer indagação sobre o assunto.

O que não ficou claro era de onde Paulo Preto arrecadou o dinheiro que teria dado sumiço, e quem lhe deu poderes para falar em nome da campanha de Serra para conseguir recursos junto aos fornecedores. Talvez agora na CPI alguma luz seja jogada sobre o caso, abrindo a blindagem sobre a caixa-preta dos governos tucanos em São Paulo. Para fugir ao foco, a mídia deverá jogar tudo contra Cabral, do Rio. Na época, dias depois da denúncia, inventaram a estória da bolinha de papel que teria ferido a cabeça de Serra...



domingo, 4 de março de 2012

FANOAPÁ 0007 - Zé Serra : Que país é este?

Gente colonizada que viveu nos EUA com bolsa de estudo para pensar como americano é dose. Quando chegam por aqui acabam colaborando para a Falta de Noção que Assola o País. O eterno candidato José Serra, agora pleiteando a prefeitura de São Paulo, em entrevista ontem ao Jornal da Band chamou o Brasil de "Estados Unidos do Brasil". O apresentador Boris Casoy replicou, perguntando se não seria República Federativa do Brasil o correto. Serra disse que é tudo a mesma coisa. Mudou? Quando?

A falta de noção mereceu destaque na internet e até gozação do candidato do PT à prefeitura, o ex-ministro Fernando Haddad. Até a Globo teve que falar do assunto. O Brasil não se chama mais Estados Unidos desde 1968, desde a ditadura militar, que mesmo submissa não queria dar tanto na vista. Como Serra é cria dos Estados Unidos, deve ter pensado que o nosso país, por achar ser filial, deve ter o mesmo nome.

Mais uma grande performance do candidato tucano que o PT gosta. Ele consegue detonar o PSDB por dentro, não tem muita noção, busca toda a escória do arco da sociedade para se aliar e invariavelmente perde. Foi vice a presidente por duas vezes. Serra está para o PT como o Vasco está para o Flamengo. É a alegria da galera.

Desse jeito vou ter que mudar um post do ano passado, onde Serra disse que ia comer todo mundo, com o título "Serra, o Comedor Geral da República". O problema é que se eu botar "Serra : O Comedor Geral dos Estados Unidos" pode haver protestos da parte norte-americana, em especial da Secretária de Estado Hillary Clinton, que não aceitará tirar do seu marido esse título. 

sábado, 28 de janeiro de 2012

FHC descarta Serra por Aécio

Mais uma pedra se move na tática tucana para 2014: o presidente honorário do PSDB, o ex-presidente FHC, declarou à revista britânica "The Economist" que seu candidato será Aécio Neves. A Globo já tinha feito a mesma opção, mas Serra conseguiu passar por cima de tudo e sair candidato nas eleições passadas. A matéria foi publicada no mesmo dia que pesquisas mostravam o recorde de aprovação de Dilma e de seu governo.

Pensava que a Globo daria uma mãozinha ao seu candidato na minissérie "O Brado Retumbante". O ator até era parecido com o Aécio, mas se fosse ele rejeitaria qualquer outra comparação com o personagem Paulo Ventura, que se mostrou vacilante, mulherengo, usou do poder para se encontrar com amante, levou um par de chifres quando a mulher o largou por um argentino, entrou em depressão e embriaguez, foi rejeitado pela assessora que era apaixonada por ele, quase largou a política e só se candidatou à reeleição após ouvir os conselhos do pior presidente que o antecedera. Um desastre, mas "honestinho".

Aécio é mulherengo, gostaria muito da capital no Rio de Janeiro, foi pego dirigindo com carteira vencida e recusou bafômetro em blitz da Lei Seca, tem rádio em nome de laranjas e outros problemas na sua ficha corrida, mas para o bem dele a comparação deveria ficar por aí... A Globo exagerou na sua tolerância com um homem cheio de defeitos que poderia ser o salvador da pátria na sua visão.