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sexta-feira, 28 de março de 2014

Mensalão tucano vai para o esquecimento

Alegando que o deputado Eduardo Azeredo (PSDB/MG), por ter renunciado ao mandato, deixou de ter o foro especial no STF, o processo do Mensalão Tucano foi mandado para a 1a instância da justiça comum mineira, onde prescreverá sem ninguém ser punido. Jogada de mestre que, por outro lado, cria um desequilíbrio em relação ao Mensalão do PT, onde pessoas que não tinham foro privilegiado acabaram sendo julgadas e condenadas sem direito a segunda instância. Agora os réus da AP 470 poderão recorrer à Corte da OEA, com base nessa decisão, para pedir novo julgamento.
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/134727/Azeredo-abre-janela-para-r%C3%A9us-da-AP-470-irem-%C3%A0-OEA.htm

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Documentos do processo do "mensalão" saem das gavetas de Joaquim Barbosa

Acho que o Ministro Joaquim Barbosa vai dar um jeitinho de voltar mais cedo das férias na Europa. Bastou deixar o Ministro Lewandovsky sentar-se à sua mesa para expor documentos até então ocultos no circo do Mensalão. Esse documento abaixo, do Instituto de Criminalística, desmente a versão de que Henrique Pizzolato tivesse poderes para manipular verbas da Visanet. Isso desmancha toda a versão de Barbosa e Gurgel, parceiros na acusação ao PT na Ação Penal 470.

O blog "O Cafezinho" está publicando peças do Inquérito 2474, que originou a Ação Penal 470, vulgo "processo do mensalão", que foram descartadas e arquivadas em sigilo de justiça. Nessa documentação há provas que podem mudar a história do julgamento, como a inexistência de dinheiro público nas campanhas do PT. Recomendo acompanhar o destrinchamento da papelada em
http://www.ocafezinho.com/2014/01/24/o-inquerito-2474-derruba-as-teses-do-mensalao/
nn
Laudo do Instituto de Criminalística tira responsabilidade de Pizzolato na gestão de verbas da Visanet

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Barbosa julga "mensalão" mas recebe "diarião"

Como pode um servidor público em férias receber diárias para participar de eventos privados? Não fosse o Estadão informar isso muitos achariam mentira o presidente do STF, Joaquim Barbosa, implacável perseguidor dos "mensaleiros" até acima da lei, receber um "diarião" por onze dias em viagem à Europa.
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,stf-paga-diarias-de-barbosa-na-europa,1118519,0.htm

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Doação de empresa é a mãe de todas as corrupções

Está no Supremo Tribunal Federal a decisão sobre o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas. A Ação Direta de Inconstitucionalidade foi impetrada pela OAB, que pede a declaração de inconstitucionalidade de trechos das leis das Eleições e dos Partidos Políticos.  Já tem votos contrários dos ministros Luiz Fux e Joaquim Barbosa.

O PT apóia a OAB. A Procuradoria Geral da República também. O PSDB e o PMDB são contra, mas dissimulam colocando-se contra a "ingerência do Supremo" em assuntos de natureza legislativa. Até a revista VEJA assumiu que se não houver o financiamento público reinará o caixa dois, mesmo entrando em contradição com o discurso que fez por oito anos no processo do mensalão, onde dizia ser desvio de dinheiro público. A ação tramita há mais de um ano e o Congresso não se antecipou para propor alternativa legislativa.

Por que é importante deixar apenas as doações individuais, mesmo assim limitadas a um valor de teto? Porque o voto é individual, não é de pessoa jurídica. O cidadão vota e cobra o programa de governo. A empresa não vota e controla o mandato exigindo contrapartidas ao "investimento".

Há quem preveja um "festival de caixa dois" caso sejam suspensas as contribuições. O mensalão foi caixa-dois, começado justamente pela campanha de Eduardo Azeredo, do PSDB mineiro.

No seu voto, o ministro Luiz Fux disse que quem quer cometer o crime que se disponha a cumprir a sanção correspondente, ou seja, o fim do financiamento não estimula o caixa 2, que atualmente é apenas crime eleitoral, prescrevendo 15 dias depois da diplomação dos eleitos (fonte: Congresso em Foco).

O financiamento privado de partidos e eleições é a origem de uma parte dos superfaturamentos em fornecimentos aos governos. Aí estão os casos dos trens paulistas para ilustrar como funciona o esquema, que na verdade é caixa-dois mesmo. E como nesse universo de crimes eleitorais ninguém passa recibo, apenas o que está declarado no TRE pelas empresas aparentemente entra no caixa de partidos e campanhas. O "por fora" serve para irrigar campanhas e fortunas pessoais. Tem até "sobra de campanha" com "recursos não declarados".

Exigir o fim do financiamento privado de campanhas fortalece a democracia. Não se pode admitir que empresas determinem quem representará o povo. Nem que tomem o dinheiro público para dar uma parte a esses financiamentos, na forma de superfaturamentos ou privilégios. O STF tem a obrigação de votar contra essa imoralidade, para que valha imediatamente, nas próximas eleições. Não se adia inconstitucionalidade.

Partidos com militantes serão os mais favorecidos, pois têm como arrecadar em eventos, com venda de rifas, materiais, etc. No meu tempo de militante do PT, antes do financiamento privado e do caixa-dois que contribuíram para algumas campanhas ricas em detrimento dos demais candidatos, todo mundo corria atrás de convencer pessoas a patrocinar as lutas do partido e das suas campanhas. Quem sempre viveu nas tetas do poder público e favorecendo empresas é que vai ter problemas.











domingo, 17 de novembro de 2013

FANOAPÁ 0050 : "Obrigado Joaquim Barbosa"... pelo quê mesmo?

Fiquei fora do ar por 3 dias sem internet nem TV. Voltando ao mundo, encontro as repercussões do tal "mensalão do PT". A primeira foi uma imagem do presidente do STF, Joaquim Barbosa, onde se agradece por haver "honrado o dia da República". Em seguida liguei a TV e vi o jornalista da Globo Merval Pereira pouco à vontade dizer que Genoíno tem razão ao pedir prisão domiciliar por razões médicas. Que José Dirceu tem direito a fazer cumprir de imediato sua sentença de regime semi-aberto. Que Pizzolato tem base jurídica para não ser julgado na Itália pela sua dupla cidadania. E abro o jornal vendo a coluna da jornalista Dora Kramer (artigoTampa da Panela) onde afirma que o julgamento não interessa eleitoralmente a Dilma... nem a Aécio Neves, pois em 2014 o mensalão tucano estará na pauta política!


Afinal, entre mortos e feridos, qual o saldo do Mensalão? O primeiro, a favor da democracia, foi a sociedade questionar o STF e por tabela a justiça e os juízes, acabando com a aura de superioridade ética e intocabilidade que tacitamente gozavam. O segundo foi a exposição da mídia como "parte interessada", propondo campanha de linchamento, dando ao julgamento ares de político e de exceção, o que está sendo agora explorado pelos condenados que são do PT. Em terceiro, e que talvez tire o sossego de Dora e Merval, militantes pró-tucanos, é que o resultado pode ser um bumerangue para os interesses que defendem.

O PT foi atingido? Desmoralizado? Vai perder votos? Creio que não como gostariam seus inimigos com mais noção de conjuntura. Em pleno escândalo, mesmo com a campanha partidária da mídia, Lula se reelegeu e fez sua sucessora que tem grandes chances de se reeleger. O PT ganhou a cidade de São Paulo e cresceu bancadas. Seus "presos políticos" não foram tão punidos como pretendiam os algozes. Genoíno pode vir a cumprir pena livre de dia e em casa à noite. Dirceu pode vir a cumprir a pena em regime aberto, ou seja, vida normal com alguns compromissos de apresentação à justiça, por falta de vagas para o execução de sua pena em regime semi-aberto. Delúbio Soares vai pelo mesmo rumo. E o único que iria para a cadeia, mesmo com o argumento forçado do "dinheiro público" da empresa privada Visanet, Henrique Pizolatto, se mandou para a Itália onde deverá que passar seus últimos dias no exílio.

Em cana mesmo estão os condenados do núcleo central do Mensalão, como Marcos Valério. Que poderão vir a cumprir penas maiores, dependendo dos desdobramentos da nova caixa de Pandora que se abre: o julgamento da mãe de todos os mensalões, o dos tucanos mineiros. Que agora será cobrado por mais de 1 milhão de petistas e outros indignados com a farsa, já que o ânimo do judiciário não parece o mesmo aplicado contra o PT e se faz corpo mole para que prescreva a ação. Milhões enxergam, ao contrário de Têmis, deusa grega da Justiça, que o judiciário e a mídia atuam ideologicamente a favor de um grupo em detrimento de outro.

Para a população que se encheu de ódio ao PT pela campanha midiática diuturna do Mensalão, o caso está encerrado com a aparente punição dos responsáveis. Uns poucos vão dizer que falta prender Lula, possivelmente por considerarem criminoso um homem nordestino pobre ter chegado à presidência e ter iniciado o melhor ciclo de promoção da justiça social da história. Para eles, Lula é "o chefe da quadrilha".

Enquanto a massa da direita comemora ou quer mais, a mídia parece ter pisado no freio. Com a campanha petista pelo julgamento dos mensaleiros do PSDB, com o escândalo dos trens em São Paulo mostrando cada vez mais o partidarismo da justiça e da mídia, a impunidade do mensalão do DEM em Brasília, a corrupção na prefeitura paulista e outros casos que agora pularão para a luz dos holofotes, ficar pedindo punições mais severas será danoso a Eduardo Azeredo (ex-governador mineiro) e outros que fizeram campanha ou se apropriaram, comprovadamente, de dinheiro público.

Pelo desfecho do caso Mensalão, um analista de verniz maquiavélico diria que Dilma mandou Janot (ela não manda em tudo?), Procurador Geral da República, acelerar as prisões, para não contaminar o clima de 2014. Mais: sabiamente para botar na berlinda o PSDB e o DEM. Mais  ainda: para unificar o PT em torno dos seus "mártires", resgatando suas biografias de luta, fazendo circular o sangue circular nas veias do militante comum, que estava adormecido por discordâncias, voltando a ser "mil e tantos". Coincidentemente as condenações vieram na semana logo após o Processo de Eleições Diretas do PT (PED), que energizou os filiados do partido em discussões políticas. Merval e Dora podem ser parciais, mas são muito inteligentes e somatizaram essas preocupações em suas análises.

Obrigado, Joaquim Barbosa! Pelo quê mesmo? É a tal da Falta de Noção que Assola o País fazendo suas vítimas, que devem estar até agora embriagadas por um julgamento parcial, mesmo sem imagens de petistas algemados no camburão. Não têm capacidade de entender que o Mensalão virou um bumerangue para os que pretendiam criar um fato político capaz de enterrar o PT. Também escapou aos "vitoriosos" que o tribunal, onde os juízes foram nomeados por Dilma e Lula em sua maioria, julgou "republicanamente" contra os interesses dos que os nomearam, e que essa pizza mal cozida pode ser considerada satisfatoriamente como "justiça". Acabou o "Mensalão do PT", com os prejuízos há muito precificados politicamente, e a fila agora tem que andar. É a tal da "vitória de Pirro"

domingo, 22 de setembro de 2013

YOUTROUXA 0049 : "Dilma deve mandar investigar Lula e colocar mensaleiros na cadeia"

Compartilhar mensagens no Facebook é fácil. Basta clicar, escrever algo e mandar para toda a sua lista. Examinar o que se manda é mais difícil. E aí, meu amigo, minha amiga, o filme queima porque pode ser uma grande bobagem onde você está assinando embaixo.

Essa peça, que corre na internet com data de 22 de junho, no auge do "tsunami cívico" promovido pela Globo para derrubar Dilma.

Além de ter perdido o "timing", o material demonstra falta de conhecimento do funcionamento dos poderes no Brasil. Como é que Dilma vai abrir investigação contra alguém? É delegada de política? É do Ministério Público?  Como é que Dilma vai colocar condenados do mensalão na cadeia? É juíza? O Gushiken, que está no cartaz, foi inocentado pelo mesmo tribunal-show do Barbosão e já morreu. Querem prisão póstuma? Lula também está fora por completa falta de provas. Querem que Dilma investigue o quê? As "fortunas" de Lula e do seu filho Lulinha segundo as mentiras da direita atribuídas à Forbes?

Quem escreveu isso tem idéias autoritárias. Acha que Dilma pode ser uma ditadora que faz e acontece, como deve ser o modelo que defendem. Conseguiu quase 40 mil compartilhamentos  na  época e agora circula como material requentado.

Não tem mais #vemprarua da Globo, mascarados, anarquistas e nazistas atraindo incautos às ruas. A Globo saiu queimada por ter tentado manipular a opinião pública para derrubar Dilma e ainda foi flagrada sonegando impostos. Os mascarados foram desmascarados quando não tiveram mais o que dizer quando Dilma propôs uma Constituinte para passar a limpo todo o sistema político, dinheiro do pré-sal para a educação, recursos para transportes públicos e mandou importar médicos. Sumiram. Para completar o STF deixou de ser um circo onde juízes e procurador da república tentaram jogar para a torcida passando por cima do direito.

 Acorda, Brasil, e vê as besteiras que circulam por aí em seu nome.

domingo, 21 de julho de 2013

Mensalão : Embargos vão ser julgados a partir do dia 14 de agosto.

Sob denúncias de violação do estatuto do servidor na compra de apartamento em Miami, de estranhas parcerias com Luciano Huck envolvendo seu filho e de agir ditatorialmente ao bloquear uma lei aprovada pelo Congresso que criava novos tribunais, Joaquim Barbosa voltará ao palco a partir do dia 14 presidindo a apreciação dos embargos impostos pelos advogados da ação penal 470, chamada de Mensalão para dar mais impacto midiático.

Se nenhuma manobra obstaculizar a apreciação dos embargos, teremos dias tensos no final de agosto, já que no julgamento provas de inocência foram colocadas de lado pelo inquisidor geral da república e o tal do "domínio do fato" colocou na autoria dos crimes de formação de caixa dois gente que não estava no circuito. Além, claro, da overdose de penas para gerar prisões.

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/109180/AP470-Embargos-devem-ser-julgados-a-partir-do-dia-14.htm
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/109175/S%C3%B3cio-de-offshore-Barbosa-viola-Estatuto-do-Servidor.htm

segunda-feira, 17 de junho de 2013

FANOAPÁ 0033 - Comandante da PM de São Paulo quer dirigir manifestações contra o PT

A que ponto chega a Falta de Noção que Assola o País! Hoje houve uma reunião da cúpula da segurança pública de São Paulo, responsável pelo massacre da quinta-feira, com os que apanharam na manifestação, no caso, os representantes do Movimento Passe Livre. Não houve pedidos de desculpas, apenas se disse que não haveria mais balas de borracha nem a presença ostensiva do choque. Já o cassetete e as bombas podem correr soltos.

Aí veio a falta de noção mais radical: queriam dar palpites na rota da manifestação e até no tema dos protestos. O Comandante da PM chegou a pedir que o protesto fosse contra o mensalão, ou seja, queria aparelhar a manifestação seguindo a linha política do governador do estado, responsável por toda a repressão até aqui!

Antes de protestar contra qualquer outra coisa, seria mais fácil o movimento por redução de preços nos transportes adotar a bandeira da segurança pública que apavora os paulistas. Terminais de bancos explodidos todos os dias, pessoas incendiadas, arrastões, criminalidade crescente, violência policial crescente, etc. O Comandante da PM deveria, antes de tudo, ter noção do que se passa antes de dar esse tipo de palpite, já que a segurança paulista tem muito trabalho a fazer antes de reclamar dos outros. 

domingo, 28 de abril de 2013

Mídia Bandida 016 : VEJA mente sobre PEC 33 (Legislativo x STF)

Mais uma capa de VEJA satanizando o PT
A agonia da VEJA está levando a revista a buscar fidelizar um leitorado cada vez mais à direita, raivoso, rancoroso, que espuma de ver alguém falar ou ler a sigla PT ou o nome LULA. Não são muitos, mas são uma verdadeira seita. Bebem cada palavra dos jornalistas da revista, participam das listas de leitores, cada um mais radical em seu fascismo, e distribuem nas redes sociais os detritos produzidos pelo seu guia intelectual.

A última da VEJA foi mentir sobre a PEC 33, como se "os réus e radicais do PT" estivessem atacando a justiça para fugir à prisão no julgamento do Mensalão. A mentira começa com a tempestividade: o projeto de emenda constitucional 33/2011 do deputado piauiense Nazareno Fonteles (PT) é de 25/05/2011, muito antes do julgamento do mensalão.

Afinal, o que diz a PEC 33? Altera a quantidade mínima de votos de membros de tribunais para declaração de inconstitucionalidade de leis; condiciona o efeito vinculante de súmulas aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal à aprovação pelo Poder Legislativo e submete ao Congresso Nacional a decisão sobre a inconstitucionalidade de Emendas à Constituição.

Por que todos os membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votaram pela admissibilidade (ou seja, enviar ao plenário do Congresso) a PEC 33, inclusive os deputados Ronaldo Caiado (DEM), o relator João Campos (PSDB), Esperidião Amin (DEM), Eduardo Azeredo (PSDB) e outros de diversos partidos? A questão é que já há algum tempo o STF, na ausência de agilidade do Congresso, tem legislado, e isso causa conflito entre poderes. É uma espécie de revanche corporativa.

Evidentemente que a PEC 33, além de exigir maior quórum para derrubar leis por inconstitucionalidade, passando de 6 para 8 votos o mínimo, nitidamente tenta dar ao Congresso Nacional a palavra final sobre constitucionalidade das leis, o que afronta o princípio constitucional da separação de poderes. O STF foi consultado sobre a constitucionalidade da PEC e nos próximos dias dará seu posicionamento, certamente pela inconstitucionalidade, e o assunto deverá morrer.

E a VEJA, o que fez? Aproveita-se mais uma vez da desinformação dos seus próprios leitores e dos seguidores fiéis que sequer são leitores mas compartilham suas mensagens para difundir a mentira, o terror, o ódio e o rancor ao PT, como forma de criar massa crítica furiosa para o que vem por aí: a possível revisão de sentenças no processo do Mensalão. Agora as provas "esquecidas" e os princípios jurídicos pisoteados pelo show de Joaquim Barbosa vão aparecer com mais nitidez, e coisas como o "domínio do fato" adaptado para enquadrar José Dirceu, o "dinheiro público" da empresa privada Visanet e o tal bônus de volume da Globo vão ter sua apreciação.

Por que a culpa é do PT? Por que o golpe é do PT? Ao final do post segue a lista dos presentes à CCJ no dia da votação tipo "quem for a favor fique como está". Ninguém foi contra, havendo dois votos em separado. Vejam o filminho da TV Câmara, é rápido e mostra a verdade.

Para completar o inferno astral da VEJA, passado o Dia das Mães toda a mídia vai se voltar para a Copa das Confederações, a começar pela Globo, que é parceira do evento, e que desde já começou a trégua em relação aos estádios, infra, tudo. Agora tudo é festa, tudo está bonito, Brasil, zil, zil, salve a seleção, e tome Galvão. O comércio todo empenhado em faturar com a festa. E o mensalão? E o superfaturamento dos estádios? E por que o governo não investiu em outras coisas na educação e saúde? Nada disso sobreviverá ao tsunami do futebol, pois não haverá pauta para más notícias. Nesse período a VEJA ficará pregando sozinha em praça pública.

No mais, cansou de mentira, inveja, ódio, terror, rancor e armações? Dê o primeiro passo para melhorar sua vida e ver o mundo com os seus próprios olhos:

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CÂMARA DOS DEPUTADOS

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 33, DE 2011

III - PARECER DA COMISSÃO

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em reunião ordinária realizada hoje, opinou pela admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição nº 33/2011, nos termos do Parecer do Relator, Deputado João Campos. Os Deputados Paes Landim e Vieira da Cunha apresentaram votos em separado.
Estiveram presentes os Senhores Deputados:
Décio Lima - Presidente, Mauro Benevides - Vice-Presidente, Alceu Moreira, Alessandro Molon, Andre Moura, Antonio Bulhões, Arnaldo Faria de Sá, Arthur Oliveira Maia, Benjamin Maranhão, Beto Albuquerque, Bonifácio de Andrada, Bruna Furlan, Cândido Vaccarezza, Danilo Forte, Delegado Protógenes, Dr. Grilo, Edson Silva, Eduardo Cunha, Eduardo Sciarra, Esperidião Amin, Fábio Ramalho, Fabio Trad, Felipe Maia, Félix Mendonça Júnior, Heuler Cruvinel, João Campos, João Paulo Cunha, João Paulo Lima, José Genoíno, Jutahy Junior, Leonardo Gadelha, Leonardo Picciani, Luiz Couto, Luiz Pitiman, Marcelo Almeida, Márcio França, Marcos Rogério, Mendonça Prado, Odair Cunha, Onofre Santo Agostini, Osmar Serraglio, Paulo Magalhães, Paulo Maluf, Renato Andrade, Ricardo Berzoini, Ronaldo Fonseca, Sandra Rosado, Sergio Zveiter, Valtenir Pereira, Vicente Candido, Vieira da Cunha, Vilson Covatti, Alberto Filho, Assis Melo, Davi Alves Silva Júnior, Dudimar Paxiuba, Eduardo Azeredo, Efraim Filho, Geraldo Simões, Gorete Pereira, João Dado, Laercio Oliveira, Luciano Castro, Márcio Macêdo, Ricardo Tripoli e Sandro Alex.
Sala da Comissão, em 24 de abril de 2013.

Deputado DÉCIO LIMA
Presidente



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Futebol & Política : A hora de cair a ficha

Assisto no jogo Brasil X Chile a torcida mineira gritando "olé" para criticar o time de Felipão, desorganizado, sem tática, mais uma vez dando um espetáculo medíocre. Um elenco de bons jogadores desperdiçado por falta de criatividade, de tática, troca de passes sofrível, Ronaldinho sumido. Enfim, mais do mesmo que vemos há alguns anos. O jogo termina com 2 x 2 e vaias da torcida.

Acontece que há 20 minutos essa mesma torcida estava no paraíso, gritando "Brasil, Brasil", pois o time ganhava de 2x1 de virada. Nesse momento ninguém estava preocupado com nada, apenas se comemorava. Mas a ficha deve ter caído para algumas pessoas da política. E se o time dá certo? E se o Brasil ganha a Copa das Confederações?

O futebol tem o dom de alienar grandes massas. Na ditadura militar foram construídos estádios em todas as capitais. O campeonato nacional tinha tantos times como a Copa do Brasil, só que a fórmula forçava que quase todos os dias houvesse jogos. Para completar, a seleção ganhou a Copa de 1970, enquanto se matava e torturava nos cárceres da ditadura.

A oposição está na pior. Praguejou que os estádios não ficariam prontos. A vida mostrou que havia de inveja ao desejo do Brasil passar por um vexame internacional na capacidade de organizar um grande evento. Agora o discurso é do superfaturamento de obras. Como no início houve muitos alertas sobre a possibilidade de corrupção, os tribunais de contas apertaram na fiscalização e dificilmente se comprovará desvios.

Os estádios estão lindos. Se a seleção perder, o prejuízo já está precificado e não será debitado da conta política de Dilma. E se o time ganha? E se o povão desperta para o patriotismo? E se descobrem que o Brasil não está ruim, como diuturnamente a mídia bombardeia? Nessa hora Dilma aparece faturando, e aí a direita toma mais uma pá de cal. Essa partida de hoje deve ter feito a ficha deles cair.

Para completar a rodada, o Borusia Dortmund, da Alemanha, meteu 4 gols no Real Madrid. Todos do atacante Lewandowski. No STF rola a expectativa sobre novos julgamentos de acusados do Mensalão, e o inquisidor Barbosa se deixou flagrar em foto numa festa tucana em Minas, levantando a suspeita de aliança na chapa do PSDB. Pior: de estar sendo parcial no julgamento para obter ganhos políticos. Vai que tudo isso leva a um revés no teatral e farsesco julgamento sem provas, e o ministro Lewandowsky desta vez mete uma goleada nele?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Mensalão : STF deixa Gurgel pendurado no pincel

Apesar da pressão da mídia e da direita, a mesma que já fez o STF condenar a penas exageradas alguns réus praticamente sem provas, o presidente Joaquim Barbosa teve que se curvar à pressão política, em especial do presidente da Câmara, Marcos Maia, e teve que negar o pedido de prisão imediata dos condenados, incluindo-se parlamentares.

Marcos Maia chegou a oferecer asilo nas dependências do Congresso para evitar que os parlamentares fossem presos antes do trânsito em julgado das sentenças, como manda a lei. Ainda há o conflito de poderes na questão da cassação, que o STF considerou prerrogativa sua, mesmo com a constituição afirmando o contrário. Alguém jogou panos quentes, possivelmente a presidente do outro poder, o executivo, Dilma, e chamou todo mundo à razão.

Joaquim Barbosa nada mais fez que cumprir a lei. Como ainda cabem recursos e os condenados são réus primários sem periculosidade, com passaportes retidos e proibidos de sair do país sem autorização do STF, Barbosa negou o pedido do Procurador Geral da República para prisão imediata. Ou seria imidiática?

Gurgel, que é lento na hora de apurar denúncias contra Cachoeira, foi com sede demais ao pote para ganhar uns 15 minutos de fama. Barbosa arrancou-lhe a escada, e ficou pendurado no pincel. Com isso, a Globo perdeu o seu Especial de Fim de Ano. E o SBT já desceu a ripa em Barbosa, dizendo que agindo assim quer virar político e ser candidato em 2014.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Valério : "Onde é que eu assino, dotô?"

O Brasil não é um país sério, disse De Gaulle uma vez. Ligo a TV e vejo a Globo fazendo estardalhaço com uma matéria do Estadão sobre um depoimento de Marcos Valério, operador dos mensalões do PT e do PSDB, feito à Procuradoria Geral da República. Sigiloso, mas o jornal paulista "obteve com exclusividade", o que para bom entendedor é o mesmo que dizer "comprado de algum corrupto que teve a papelada em mãos".

Os termos da "confissão", para fins de redução de pena através de delação premiada, parecem ter sido feitos para sair na imprensa. Como se alguém dissesse : "olha, prá valer algum dia de redução de pena tem que botar o Lula no topo da quadrilha, dizer que o PT ameaçou te matar porque só tem bandido, etc. " Nos tempos da ditadura tais "depoimentos" eram usados para incriminar pessoas que se pretendia prender ou eliminar. A diferença era a tortura que precedia a assinatura do papel.

Isso foi em 24 de setembro. O Procurador Geral da República e os presidentes do STF, atual e anterior, sabiam da tal "confissão" mas não deram importância. Tocaram o julgamento do Mensalão sem nada mais acrescentar aos autos. A mídia, entretanto, quer um terceiro tempo do Mensalão, agora com Lula no topo do "domínio do fato".

O que o STF tem mais a fazer é liquidar esse julgamento com a já esperada crise institucional, ao meter o bedelho em assuntos do Legislativo na cassação de deputados, e tocar o julgamento da mãe de todos os mensalões, o de Minas, como a mídia chama para não colar a tarja "do PSDB", da sua base aliada.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Nota do PT sobre o julgamento do Mensalão

Reproduzimos abaixo a nota oficial do PT sobre o julgamento da Ação Penal 470 (mensalão). O partido afirma que o STF não garantiu o amplo direito de defesa, deu valor de prova a indícios, provocou insegurança política (principalmente pelo "domínio do fato" sem provas) e fez um julgamento político.

http://www.pt.org.br/noticias/view/nota_do_pt_sobre_a_acaeo_penal_470

14/11/12 - 18h14
Nota do PT sobre a Ação Penal 470
Rui Falcão (D), presidente nacional do PT,junto com o secretário de Comunicação, André Vargas (PT-PR) - Foto: Luciana Santos/PT

Leia o documento aprovado nesta quarta-feira durante reunião da Comissão Executiva Nacional do PT, em São Paulo


O PT E O JULGAMENTO DA AÇÃO PENAL 470
O PT, amparado no princípio da liberdade de expressão, critica e torna pública sua discordância da decisão do Supremo Tribunal Federal que, no julgamento da Ação Penal 470, condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados.
1. O STF não garantiu o amplo direito de defesa
O STF negou aos réus que não tinham direito ao foro especial a possibilidade de recorrer a instâncias inferiores da Justiça. Suprimiu-lhes, portanto, a plenitude do direito de defesa, que é um direito fundamental da cidadania internacionalmente consagrado.
A Constituição estabelece, no artigo 102, que apenas o presidente, o vice-presidente da República, os membros do Congresso Nacional, os próprios ministros do STF e o Procurador Geral da República podem ser processados e julgados exclusivamente pela Suprema Corte. E, também, nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os ministros de Estado, os comandantes das três Armas, os membros dos Tribunais superiores, do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática em caráter permanente.
Foi por esta razão que o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, logo no início do julgamento, pediu o desmembramento do processo. O que foi negado pelo STF, muito embora tenha decidido em sentido contrário no caso do “mensalão do PSDB” de Minas Gerais.
Ou seja: dois pesos, duas medidas; situações idênticas tratadas desigualmente.
Vale lembrar, finalmente, que em quatro ocasiões recentes, o STF votou pelo desmembramento de processos, para que pessoas sem foro privilegiado fossem julgadas pela primeira instância – todas elas posteriores à decisão de julgar a Ação Penal 470 de uma só vez.
Por isso mesmo, o PT considera legítimo e coerente, do ponto de vista legal, que os réus agora condenados pelo STF recorram a todos os meios jurídicos para se defenderem.
2. O STF deu valor de prova a indícios
Parte do STF decidiu pelas condenações, mesmo não havendo provas no processo. O julgamento não foi isento, de acordo com os autos e à luz das provas. Ao contrário, foi influenciado por um discurso paralelo e desenvolveu-se de forma “pouco ortodoxa” (segundo as palavras de um ministro do STF). Houve flexibilização do uso de provas, transferência do ônus da prova aos réus, presunções, ilações, deduções, inferências e a transformação de indícios em provas.
À falta de elementos objetivos na denúncia, deducões, ilações e conjecturas preencheram as lacunas probatórias – fato grave sobretudo quando se trata de ação penal, que pode condenar pessoas à privação de liberdade. Como se sabe, indícios apontam simplesmente possibilidades, nunca certezas capazes de fundamentar o livre convencimento motivado do julgador. Indícios nada mais são que sugestões, nunca evidências ou provas cabais.
Cabe à acusação apresentar, para se desincumbir de seu ônus processual, provas do que alega e, assim, obter a condenação de quem quer que seja. No caso em questão, imputou-se aos réus a obrigação de provar sua inocência ou comprovar álibis em sua defesa—papel que competiria ao acusador. A Suprema Corte inverteu, portanto, o ônus da prova.
3. O domínio funcional do fato não dispensa provas
O STF deu estatuto legal a uma teoria nascida na Alemanha nazista, em 1939, atualizada em 1963 em plena Guerra Fria e considerada superada por diversos juristas. Segundo esta doutrina, considera-se autor não apenas quem executa um crime, mas quem tem ou poderia ter, devido a sua função, capacidade de decisão sobre sua realização. Isto é, a improbabilidade de desconhecimento do crime seria suficiente para a condenação.
Ao lançarem mão da teoria do domínio funcional do fato, os ministros inferiram que o ex-ministro José Dirceu, pela posição de influência que ocupava, poderia ser condenado, mesmo sem provarem que participou diretamente dos fatos apontados como crimes. Ou que, tendo conhecimento deles, não agiu (ou omitiu-se) para evitar que se consumassem. Expressão-síntese da doutrina foi verbalizada pelo presidente do STF, quando indagou não se o réu tinha conhecimento dos fatos, mas se o réu “tinha como não saber”...
Ao admitir o ato de ofício presumido e adotar a teoria do direito do fato como responsabilidade objetiva, o STF cria um precedente perigoso: o de alguém ser condenado pelo que é, e não pelo que teria feito.
Trata-se de uma interpretação da lei moldada unicamente para atender a conveniência de condenar pessoas específicas e, indiretamente, atingir o partido a que estão vinculadas.
4. O risco da insegurança jurídica
As decisões do STF, em muitos pontos, prenunciam o fim do garantismo, o rebaixamento do direito de defesa, do avanço da noção de presunção de culpa em vez de inocência. E, ao inovar que a lavagem de dinheiro independe de crime antecedente, bem como ao concluir que houve compra de votos de parlamentares, o STF instaurou um clima de insegurança jurídica no País.
Pairam dúvidas se o novo paradigma se repetirá em outros julgamentos, ou, ainda, se os juízes de primeira instância e os tribunais seguirão a mesma trilha da Suprema Corte.
Doravante, juízes inescrupulosos, ou vinculados a interesses de qualquer espécie nas comarcas em que atuam poderão valer-se de provas indiciárias ou da teoria do domínio do fato para condenar desafetos ou inimigos políticos de caciques partidários locais.
Quanto à suposta compra de votos, cuja mácula comprometeria até mesmo emendas constitucionais, como as das reformas tributária e previdenciária, já estão em andamento ações diretas de inconstitucionalidade, movidas por sindicatos e pessoas físicas, com o intuito de fulminar as ditas mudanças na Carta Magna.
Ao instaurar-se a insegurança jurídica, não perdem apenas os que foram injustiçados no curso da Ação Penal 470. Perde a sociedade, que fica exposta a casuísmos e decisões de ocasião. Perde, enfim, o próprio Estado Democrático de Direito.
5. O STF fez um julgamento político
Sob intensa pressão da mídia conservadora—cujos veículos cumprem um papel de oposição ao governo e propagam a repulsa de uma certa elite ao PT - ministros do STF confirmaram condenações anunciadas, anteciparam votos à imprensa, pronunciaram-se fora dos autos e, por fim, imiscuiram-se em áreas reservadas ao Legislativo e ao Executivo, ferindo assim a independência entre os poderes.
Único dos poderes da República cujos integrantes independem do voto popular e detêm mandato vitalício até completarem 70 anos, o Supremo Tribunal Federal - assim como os demais poderes e todos os tribunais daqui e do exterior - faz política. E o fez, claramente, ao julgar a Ação Penal 470.
Fez política ao definir o calendário convenientemente coincidente com as eleições. Fez política ao recusar o desmembramento da ação e ao escolher a teoria do domínio do fato para compensar a escassez de provas.
Contrariamente a sua natureza, de corte constitucional contra-majoritária, o STF, ao deixar-se contaminar pela pressão de certos meios de comunicação e sem distanciar-se do processo político eleitoral, não assegurou-se a necessária isenção que deveria pautar seus julgamentos.
No STF, venceram as posições políticas ideológicas, muito bem representadas pela mídia conservadora neste episódio: a maioria dos ministros transformou delitos eleitorais em delitos de Estado (desvio de dinheiro público e compra de votos).
Embora realizado nos marcos do Estado Democrático de Direito sob o qual vivemos, o julgamento, nitidamente político, desrespeitou garantias constitucionais para retratar processos de corrupção à revelia de provas, condenar os réus e tentar criminalizar o PT. Assim orientado, o julgamento convergiu para produzir dois resultados: condenar os réus, em vários casos sem que houvesse provas nos autos, mas, principalmente, condenar alguns pela “compra de votos” para, desta forma, tentar criminalizar o PT.
Dezenas de testemunhas juramentadas acabaram simplesmente desprezadas. Inúmeras contraprovas não foram sequer objeto de análise. E inúmeras jurisprudências terminaram alteradas para servir aos objetivos da condenação.
Alguns ministros procuraram adequar a realidade à denúncia do
Procurador Geral, supostamente por ouvir o chamado clamor da opinião pública, muito embora ele só se fizesse presente na mídia de direita, menos preocupada com a moralidade pública do que em tentar manchar a imagem histórica do governo Lula, como se quisesse matá-lo politicamente. O procurador não escondeu seu viés de parcialidade ao afirmar que seria positivo se o julgamento interferisse no resultado das eleições.
A luta pela Justiça continua
O PT envidará todos os esforços para que a partidarização do Judiciário, evidente no julgamento da Ação Penal 470, seja contida. Erros e ilegalidades que tenham sido cometidos por filiados do partido no âmbito de um sistema eleitoral inconsistente - que o PT luta para transformar através do projeto de reforma política em tramitação no Congresso Nacional - não justificam que o poder político da toga suplante a força da lei e dos poderes que emanam do povo.
Na trajetória do PT, que nasceu lutando pela democracia no Brasil, muitos foram os obstáculos que tivemos de transpor até nos convertermos no partido de maior preferência dos brasileiros. No partido que elegeu um operário duas vezes presidente da República e a primeira mulher como suprema mandatária. Ambos, Lula e Dilma, gozam de ampla aprovação em todos os setores da sociedade, pelas profundas transformações que têm promovido, principalmente nas condições de vida dos mais pobres.
A despeito das campanhas de ódio e preconceito, Lula e Dilma elevaram o Brasil a um novo estágio: 28 milhões de pessoas deixaram a miséria extrema e 40 milhões ascenderam socialmente.
Abriram-se novas oportunidades para todos, o Brasil tornou-se a 6a.economia do mundo e é respeitado internacionalmente, nada mais devendo a ninguém.
Tanto quanto fizemos antes do início do julgamento, o PT reafirma sua convicção de que não houve compra de votos no Congresso Nacional, nem tampouco o pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve, da parte de petistas denunciados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal.
Ao mesmo tempo, reiteramos as resoluções de nosso Congresso Nacional, acerca de erros políticos cometidos coletiva ou individualmente.
É com esta postura equilibrada e serena que o PT não se deixa intimidar pelos que clamam pelo linchamento moral de companheiros injustamente condenados. Nosso partido terá forças para vencer mais este desafio. Continuaremos a lutar por uma profunda reforma do sistema político - o que inclui o financiamento público das campanhas eleitorais - e pela maior democratização do Estado, o que envolve constante disputa popular contra arbitrariedades como as perpetradas no julgamento da Ação Penal 470, em relação às quais não pouparemos esforços para que sejam revistas e corrigidas.
Conclamamos nossa militância a mobilizar-se em defesa do PT e de nossas bandeiras; a tornar o partido cada vez mais democrático e vinculado às lutas sociais. Um partido cada vez mais comprometido com as transformações em favor da igualdade e da liberdade.
São Paulo, 14 de novembro de 2012.
Comissão Executiva Nacional do PT.

VISANET bancou evento de juízes. Marcos Valério organizou.

A pergunta que não quer calar: por essas circunstâncias, os nossos magistrados não seriam partícipes do Mensalão? O patrocínio para o evento organizado pela DNA Propaganda teve recursos da Visanet e do Banco do Brasil, com show de Daniela Mercury e tudo. O evento aconteceu em setembro de 2003, envolvendo as mesmas pessoas que agora foram julgadas no STF por uso de recursos da Visanet. Na época, 3.100 magistrados participaram do encontro. Um dos documentos apresentados mostram distinção entre recursos do BB e da Visanet, que durante o julgamento da AP 470 foram julgados como sendo da mesma origem.

http://megacidadania.com/2012/11/14/stf-e-3-100-juizes-se-beneficiaram-do-dinheiro-da-visanet/

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Mensalão : Relator confunde corrupção com feladaputice aliada

Hoje no julgamento do Mensalão vimos mais uma daquelas coisas incríveis que o promotor, digo, relator Joaquim Barbosa jogou prá arquibandada aplaudir: réus do PL, partido do finado José Alencar, que foi vice-presidente de Lula e, portanto, partido organicamente da base de apoio, foram condenados por corrupção passiva por receberem dinheiro do criminoso caixa dois petista não para pagar despesas de campanha, mas para pagar pelos votos a favor do governo.

Pergunta que não quer calar: já existe no Código Penal o crime de feladaputice? Quer dizer então que não basta o partido-líder da coligação colocar vice-presidente, ministro dos transportes e mais uma porrada de cargos para consolidar a aliança com o PL, que ainda tem que dar uma grana por fora para garantir a votação de uns sacanas em matérias que deveriam ser de interesse do programa da coligação?

Alô Ministro Barbosa: o caso não seria de corrupção, mas de mau-caratismo mesmo, se não for acerto de campanha. Isso é ilegal? Se for, deveriam condenar toda a classe política, de todos os partidos. E deveria condenar o PT pela estupidez de pagar por algo que já viria no  pacote da coligação partidária. Crime de malversação do dinheiro do caixa-dois existe?

Direção do PT manda militantes defender mensaleiros

Cada vez mais se confirma o pior cenário que descrevi num outro post, "Pós-PT : O que fazer com o seu legado positivo". A direção nacional do PT, majoritariamente ligada ao grupo que está sendo julgado pelo Mensalão, lutará até o fim para defender seu líder José Dirceu, e não haverá qualquer tipo de autocrítica ou avaliação ética interna caso todos venham a ser condenados. Ninguém será punido pelo partido, essa é a vontade deles, a não ser que, numa remota possibilidade, as oposições internas venham a ganhar as próximas eleições internas.

Para dar mais ênfase à defesa aos que, no mínimo, praticaram o crime de "caixa dois" e meteram a mão no dinheiro de propaganda da Visanet, a Direção Nacional, numa nota que deveria ser para motivar a campanha na reta final, parece só tê-la feito com o sentido de pedir a defesa de Lula e das lideranças mensaleiras contra mentiras, etc. Sabem da onda que vem por aí de ataques ao PT a cada nova audiência do STF. Há uma sincronia entre o julgamento e as campanhas da direita, e vão deixar para o segundo turno a condenação de José Dirceu e da alta cúpula do PT, seguida de um amplo ataque da direita. Segue a nota.

Eleições 2012 - Comissão esteve reunida na segunda-feira (17), em São Paulo

A Comissão Executiva Nacional do PT, reunida no dia 17 de setembro, avaliou a conjuntura internacional e nacional, em especial a situação eleitoral, aprovando ao final a seguinte nota:
1.O PT apóia as medidas adotadas pela presidenta Dilma e pelo governo brasileiro, em defesa da economia popular e dos interesses nacionais. Estas medidas –entre as quais se destaca a redução da taxa de juros e das tarifas de energia elétrica— já se demonstraram essenciais para proteger o Brasil dos impactos da crise internacional, que continua se agravando.
2.A vitória do PT nas eleições municipais de 2012 deve ser vista nesta mesma perspectiva: trata-se de fortalecer nosso projeto nacional, de um Brasil soberano, politicamente democrático e socialmente justo.
3.Tendo isto em vista, a Comissão Executiva Nacional do PT convoca a militância petista, nossos filiados e filiadas, nossos simpatizantes e eleitores, nossos parlamentares e governantes, para uma batalha do tamanho do Brasil: em cada cidade, pequena, média ou grande, trata-se de obter grandes votações, elegendo vereadores e vereadoras, prefeitos e prefeitas. E fazendo a defesa de nosso Partido, do ex Presidente Lula, de nossos mandatos e lideranças, bem como do legado dos nossos governos,  que melhoraram as condições de vida e fortaleceram a dignidade do povo brasileiro.
4.A mobilização geral de nossa força militante é a condição fundamental para nosso sucesso nos dias 7 e 28 de outubro. Pois é a militância consciente quem desfaz as mentiras, demarca o campo, afirma nosso projeto, reúne nossas bases e alianças, construindo vitórias não apenas eleitorais mas também políticas.
5.Em cada bairro, em cada escola, em cada empresa, em cada movimento social, nas redes sociais, a militância petista - com nossa estrela e bandeiras - está chamada a mais uma vez cumprir seu papel histórico, de arquiteta e alicerce das grandes mudanças no Brasil.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Pós-PT : O que fazer com o seu legado positivo?

A construção do PT se deu num ambiente único, onde forças únicas coexistiam cada qual com seus valores e, ao se juntarem, produziram o mais espetacular movimento de transformação de baixo para cima já visto no Brasil. Do PT saiu a CUT, que também revolucionou o sindicalismo. Um novo tipo de fazer política, rompendo com as tradições do estalinismo, unindo desde militantes religiosos a ultra-esquerdistas num só partido democrático, ético, esse foi o grande avanço político brasileiro da década de 80 e início dos anos 90.

Milhões de pessoas filiaram-se ou simplesmente acreditaram no PT como a esperança do novo, do socialismo para acabar com as injustiças, e foram às ruas pagando para fazer campanhas, enfrentando o debate com os inimigos dos trabalhadores, trazendo para o movimento os alienados. O PT deu sentido à militância como exercício cotidiano, incansável, de propagar a mudança, a esperança, e de combater o medo de lutar.

Esse sonho de milhões de idealistas não foi compartilhado por todos que estavam no partido. Havia quem pensasse em chegar ao poder por vias mais rápidas que as necessárias para construir uma revolução, através de táticas pragmáticas, cedendo terreno ideológico, aliando-se a quem se pretendia derrotar, renegando princípios. A partir dos anos 90 a militância ficava perplexa a cada ato desse grupo que se tornou hegemônico no partido, mas insistia no PT como o melhor instrumento de combate às injustiças.

A cada tentativa de eleição de Lula, uma nova rebaixada no programa do partido, um arco maior de alianças, mais descaracterização. A desconfiança começou a superar a esperança e a criar o medo de estarmos criando um monstro que iria nos devorar depois. O Lula que venceu a eleição de 2002 não carregava mais na sua bagagem as mesmas idéias de 1989. O PT também não.

A militância ainda resistiu frente às tentativas golpistas da direita no início do governo Lula. Os que o cercavam, entretanto, não quiseram empolgar os milhões que votaram e apoiaram  para ir às ruas e avançar nas conquistas com apoio popular. Preferiram usar o instrumental dos que combatiam. Buscaram a construção de uma base aliada sem ética, corrupta, através da cooptação por benesses. Assumiram o controle dos movimentos sociais pelo fisiologismo. Dissolveram o conteúdo de classe do partido.

Onde foi parar essa militância original, que encarou a ditadura, que fez as greves, que construiu o PT com suor e sangue? Certamente não está mais no PT, mesmo que muitos ainda estejam filiados e não participem mais das suas instâncias internas. Algumas correntes internas viraram partidos ou grupamentos independentes, exacerbando suas próprias características ideológicas, como o PSTU e o PCO.

O expurgo do grupo de Heloísa Helena também jogou para fora muitos insatisfeitos, que acabaram fazendo do PSOL um bote salva-vidas enquando o PT afundava nas suas práticas equivocadas. O grupo da ex-ministra Marina Silva, que era mais próxima da corrente majoritária, engoliu sapos o quanto pode, até debandar também numa aventura para o PV, anexo tucano.

A imensa maioria dos anônimos militantes, entretanto, ficou órfã. Continuam identificando o inimigo de classe, defendem Lula e Dilma dos seus ataques para não haver recuo ao passado, mas não se articulam mais. Cada um luta com o que tem. Incluo-me entre estes fazendo o combate e a conscientização pelo blog, por discussões em redes sociais.

Ainda há no PT alguns focos de resistência isolados em correntes e, particularmente, em Fortaleza. Tenho recebido informes de um campanha mobilizada, animada, com as pessoas se atirando em defesa do candidato do partido, Elmano de Freitas, apoiado pela prefeita Luiziane Lins.

Embora não esteja mais entre os quadros do partido em Fortaleza (mudei de domicílio eleitoral) e tenha restrições a algumas questões pontuais do governo na capital cearense, sinto um gostinho, uma certa felicidade, por ter feito algo que produziu esse resultado, com a campanha de resistência de 1992, da qual falarei em outro post, comemorando seus 20 anos. No Rio, essa militância viva, de ex-petistas e petistas, está na campanha de Marcelo Freixo, do PSOL. Apoio as campanhas desses dois candidatos pelo aspecto "militância" acima do que venham a propor. A cultura militante por causas justas precisa ser animada e preservada.

O julgamento do "Mensalão do PT" é político, e pretende ser um marco no combate à corrupção, que vai além das provas jurídicas. Se o mesmo rigor for aplicado ao "Mensalão do PSDB", poderemos começar um novo patamar ético na política. No PT haverá repercussões que poderão abalar sua atual direção, identificada com os que degeneraram o partido nos últimos 20 anos. Os condenados não contarão com a unanimidade do partido para defendê-los publicamente, e alguém certamente proporá um tribunal interno, que não houve desde que surgiram os escândalos. A direção do PT poderá mudar, mas nada que realimente a esperança do que foi feito no passado.

Dilma é neófita no PT. Mais técnica que política. Graças a ela Lula teve alguma realização concreta para exibir e ganhar sua reeleição, pois Dilma rompeu a inércia e incompetência de José Dirceu na Casa Civil e botou o país para andar. Dilma pegou o bonde do PT andando, filiando-se já no governo Lula, e nunca participou ativamente das suas discussões internas.

Vem governando à margem do partido, e não se envolve na defesa pública de nenhum dos envolvidos em escândalos. Ela encarna, de certa forma, um pouco do legado do PT pré-degeneração, aquela coisa do Modo Petista de Governar, de fazer reformas positivas para os mais pobres, de promover a inclusão, o combate aos preconceitos, etc. Conquistou o respeito de setores que antes eram oposição ao PT da degeneração por questões éticas, e a simpatia de parte do "limbo militante", que lhe dá apoio crítico.

O julgamento do Mensalão não será o fim do PT, como quer a direita. Poderá despertar um novo renascer no partido que tantas mudanças já fez. Ou, o mais provável, longe de uma refundação do PT, a construção de uma nova alternativa que aproveite o legado positivo construído coletivamente pelo partido e dê um novo alento à luta por transformações, reagrupando a militância que rejeita a corrupção, o hegemonismo e a arrogância dos porcos que se sentaram à mesa, como em "A Revolução dos Bichos", de George Orwell. Uma coisa certamente unirá a todos: o desejo de nunca mais voltarmos aos anos pré-2002. É daqui prá melhor.

Nesse sentido está também o texto do filósofo e teólogo Leonardo Boff, que nunca foi filiado ao partido, e, por razões outras, vai no mesmo sentido do que escrevi acima. Ele fala em preservar "a causa do PT". Eu falo em "pós-PT, entendendo que o atual partido continuará sob controle da mesma direção que o levou à degeneração, virando uma espécie de partido de centro, tipo PMDB, com grande máquina eleitoral, conchavos, armações, etc. Não acredito em virada de mesa interna nem em expurgo da turma do Mensalão, mas na construção de um novo partido. Segue o link do seu texto "Manter viva a causa do PT : Para além do "Mensalão" ".

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mensalão : Clímax, anticlímax e decepção

Terminada a primeira "fatia" do julgamento, já houve material para a direita fazer sua festa midiática. A capa de "O Globo" de ontem deveria vir com a tarja "Edição Histórica" e a orientação para as pessoas guardarem. Deputado petista condenado por corrupção, dizia o título. Se fosse de outro partido diriam "fulano de tal condenado por corrupção".

Parecia que dançavam embriagados em cima da sepultura do PT e de Lula. Uma celebração orgástica. Hoje, a ressaca. Pesquisa em São Paulo mostra a força de Lula como cabo eleitoral, com o candidato Haddad, o mesmo da foto Lula + Maluf, encostando em José Serra, que goza de rejeição crescente de 43% atuais. Erraram profundamente.

Como diriam os palpiteiros econômicos da TV, o mercado já "precificou" o mensalão desde 2006, quando Lula se reelegeu. O  único elo entre a bandalheira e o Palácio do Planalto foi inocentado por unanimidade. A acusação de Pizzolato contra Gushiken mostrou-se falsa e sem provas.

Agora o julgamento entra em banho-maria midiático. Julgamento do baixo clero do esquema. Até agora, nada de mensalão provado. Vão pegar mais uns corruptos de varejo, uns criminosos do sistema financeiro, outros criminosos eleitorais, mas a nova tentativa de empolgar a opinião pública virá com o julgamento de Dirceu, Genoíno e Delúbio. Os dois últimos vão pegar alguma coisa porque cometeram crime eleitoral, que não é uma bobagem à toa, dá cana também.

Quanto a Dirceu pairam dúvidas. Na defesa de Genoíno foi dito que Dirceu era o presidente de fato do PT, e que Genoíno era apenas um testa-de-ferro. Isso não vale muito, porque as decisões no PT, pelo estatuto, envolvendo recursos, são de responsabilidade primeira do presidente e do tesoureiro.

A questão é que o tribunal vem flexionando temerosamente o direito à inocência quando não há provas. Alguns ministros querem que, na falta de provas, o inocente mostre sua inocência! Para eles, não basta ser inocente por falta de provas, tem que parecer inocente.

Quanto aos estragos, Dilma parece que não está nem aí para o que vai acontecer ao magote de patifes que jogou o PT na lama. Seu governo está à margem do partido, restrito ao grupo palaciano. Acredita que esse isolamento não fará respingar lama na sua imagem, o que é bastante razoável. Se Dirceu for condenado e enfraquecido no partido, o que restou do PT mais autêntico poderá tomar o comando da sigla. Dilma está mais para essa banda do partido que para o esquema de Dirceu.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Mensalão : Subversões do direito fariam Kafka corar

Até começar o julgamento do Mensalão a gente acreditava que o ônus da prova é do acusador, ou seja, da promotoria, no caso o Ministério Público. Na falta delas, ou na dúvida, o réu deve ser absolvido. O que diversos ministros do STF é, no mínimo, uma nova formulação do direito. O MP não apresenta provas, mas evidências. A defesa diz que não há provas sobre a acusação. O juiz disse que, apesar de não ter provas, o réu tem que mostrar seu álibi, ou seja, transferiu ao acusado o ônus da defesa sem provas! Quem é inocente terá que provar que é inocente, no entender de vários dos nossos juízes!

Outra novidade é a interpretação dos recursos destinados a uma sociedade de direito privado, como a Visanet ou o condomínio de um prédio. Quando eu pago o condomínio, não carimbo o meu dinheiro. Ele vai para o caixa (ou conta) de um ente privado, que tem seus critérios para gasto dos recursos conjuntos de todos os condôminos ou sócios. Suponhamos que o síndico, por falha ou dolo, tenha contratado um serviço qualquer com um terceiro que não foi feito, mas foi pago. Mais ainda, se o serviço for prestado à sociedade privada pela empresa de um dos sócios. Como dizer que o dinheio mal usado ou malversado era oriundo do próprio condômino, suponhamos, uma empresa pública.

O que se está fazendo é pegar todos os casos onde a defesa diz não haver provas para a sustentação da acusação e considerar isso insuficiente. Deve ser dito explicitamente: o réu não fez isso, motivo pelo qual não tem provas...E apresentar álibis, provas materiais e testemunhas da inocência. A primeira coisa que passa pela idéia é o livro "O Processo", de Franz Kafka, onde o personagem sabe que está sendo acusado de algo que não sabe sequer do que se passa, mas tem que provar a inocência.

Há crimes evidentes, que devem ser julgados de forma pertinente. No caso do dinheiro da Visanet, como bem disse o ministro Lewandowski, o peculato não é por causa de dinheiro público, mas por um funcionário público cometer peculato porque usou o cargo para obter vantagens em cima de recursos públicos ou privados. Do jeito que a coisa vai, caracterizará uma corte de exceção com o risco da imagem do tribunal sofrer com um julgamento mais político que jurídico.

Mensalão : Voto de Peluso foi o esperado

Não foi à toa que a mídia insistiu para que o ministro César Peluso desse seu voto antes da aposentadoria: condenou a todos por tudo, deixou a dosimetria das penas incluindo até a cassação dos direitos políticos do deputado João Paulo Cunha, que por ter sido na época o segundo na linha sucessória para eventual vacância da presidência, mereceria punição exemplar : 3 anos e 50 dias de reclusão. Para Henrique Pizzolato ele entendeu que o dinheiro do fundo Visanet era individualizado pelos sócios, ou seja, como se tivesse carimbo "esse dinheiro é do BB" nas cédulas usadas para o desvio no marketing. Para Pizzolato, 2 anos e 6 meses de reclusão.