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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

MÍDIA BANDIDA 0037 : BAND usa aposentados do BB para atacar Pizzolato

Reporcagem da Band manipula ato de aposentados do BB
Um grupo de 150 aposentados do Banco do Brasil se reuniu ontem em frente à sede da PREVI, em Botafogo, Rio de Janeiro, para protestar contra o fim de um benefício que reduzirá os benefícios a partir de janeiro. As faixas dos manifestantes não continham absolutamente nada falando de Henrique Pizzolato, ex-funcionário do BB e ex-dirigente da PREVI, condenado no processo do Mensalão e atualmente foragido.

Apesar de convocada, a mídia não compareceu para entrevistar, mas um carro da Band foi visto algumas vezes circulando na área. Para surpresa geral, a matéria que saiu no site da emissora foi distorcida para dizer que o protesto era contra o Pizzolato e também contra a perda do benefício. A matéria é tão ruim que deixa entender que o protesto foi na porta da sede do BB, não da PREVI.

Isso é bom acontecer porque ainda há muita gente crédula achando que a mídia está ao lado do povo e das suas lutas. Só se coloca ao lado dos mais fracos quando há interesse em fazer política com isso. No mais, prevalece a visão dos que patrocinam seus telejornais.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mensalão : Clímax, anticlímax e decepção

Terminada a primeira "fatia" do julgamento, já houve material para a direita fazer sua festa midiática. A capa de "O Globo" de ontem deveria vir com a tarja "Edição Histórica" e a orientação para as pessoas guardarem. Deputado petista condenado por corrupção, dizia o título. Se fosse de outro partido diriam "fulano de tal condenado por corrupção".

Parecia que dançavam embriagados em cima da sepultura do PT e de Lula. Uma celebração orgástica. Hoje, a ressaca. Pesquisa em São Paulo mostra a força de Lula como cabo eleitoral, com o candidato Haddad, o mesmo da foto Lula + Maluf, encostando em José Serra, que goza de rejeição crescente de 43% atuais. Erraram profundamente.

Como diriam os palpiteiros econômicos da TV, o mercado já "precificou" o mensalão desde 2006, quando Lula se reelegeu. O  único elo entre a bandalheira e o Palácio do Planalto foi inocentado por unanimidade. A acusação de Pizzolato contra Gushiken mostrou-se falsa e sem provas.

Agora o julgamento entra em banho-maria midiático. Julgamento do baixo clero do esquema. Até agora, nada de mensalão provado. Vão pegar mais uns corruptos de varejo, uns criminosos do sistema financeiro, outros criminosos eleitorais, mas a nova tentativa de empolgar a opinião pública virá com o julgamento de Dirceu, Genoíno e Delúbio. Os dois últimos vão pegar alguma coisa porque cometeram crime eleitoral, que não é uma bobagem à toa, dá cana também.

Quanto a Dirceu pairam dúvidas. Na defesa de Genoíno foi dito que Dirceu era o presidente de fato do PT, e que Genoíno era apenas um testa-de-ferro. Isso não vale muito, porque as decisões no PT, pelo estatuto, envolvendo recursos, são de responsabilidade primeira do presidente e do tesoureiro.

A questão é que o tribunal vem flexionando temerosamente o direito à inocência quando não há provas. Alguns ministros querem que, na falta de provas, o inocente mostre sua inocência! Para eles, não basta ser inocente por falta de provas, tem que parecer inocente.

Quanto aos estragos, Dilma parece que não está nem aí para o que vai acontecer ao magote de patifes que jogou o PT na lama. Seu governo está à margem do partido, restrito ao grupo palaciano. Acredita que esse isolamento não fará respingar lama na sua imagem, o que é bastante razoável. Se Dirceu for condenado e enfraquecido no partido, o que restou do PT mais autêntico poderá tomar o comando da sigla. Dilma está mais para essa banda do partido que para o esquema de Dirceu.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Mensalão : Voto de Peluso foi o esperado

Não foi à toa que a mídia insistiu para que o ministro César Peluso desse seu voto antes da aposentadoria: condenou a todos por tudo, deixou a dosimetria das penas incluindo até a cassação dos direitos políticos do deputado João Paulo Cunha, que por ter sido na época o segundo na linha sucessória para eventual vacância da presidência, mereceria punição exemplar : 3 anos e 50 dias de reclusão. Para Henrique Pizzolato ele entendeu que o dinheiro do fundo Visanet era individualizado pelos sócios, ou seja, como se tivesse carimbo "esse dinheiro é do BB" nas cédulas usadas para o desvio no marketing. Para Pizzolato, 2 anos e 6 meses de reclusão. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Mensalão : Julgamento acelera e condena Pizzolato

Agora à tarde, contrariando as expectativas, não houve o confronto entre relator e revisor e o julgamento andou. Votaram 4 ministros (agora a ministra Carmem Lúcia está votando).

O ex-Diretor de Marketing do BB, Henrique Pizzolato, já está condenado. Tem contra si 6 dos 11 votos até aqui. Marcos Valério e seus sócios devem pegar várias condenações.

O deputado João Paulo Cunha está na corda bamba, com o placar de 4 x 2 contra ele, já contado o voto em andamento. Apenas Dias Toffoli e Lewandowsky votaram pela sua inocência.

Mesmo com essa aceleração, dificilmente haverá como terminar o julgamento até as eleições, deixando o "filé" para depois : José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares.

Outra coisa notável é o empenho do ministro relator Joaquim Barbosa na defesa da sua visão, intervindo a toda hora, parecendo mais um promotor que juiz.

Em algum lugar no PT deve ter gente grande tirando do freezer uma tal CPI da Privataria Tucana. Pelo andar da carruagem, não apenas o baixo clero vai ser punido, e alguma compensação à perda de imagem terá que ser feita.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mensalão : Chapa esquenta para Pizzolato e Valério

Quem viu ontem a transmissão do julgamento da Ação Penal 470, vulgo Mensalão, não precisou ter muita bagagem jurídica para ver que as provas apresentadas pelo relator Ricardo Lewandowsky falaram por si.

O ministro aprofundou seu relato apresentando documentos e testemunhos que derrubam qualquer tese da defesa, em especial em relação ao ex-Diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, que teve o seu voto pela condenação por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. A defesa dele não conseguiu credibilidade para a tese de ter recebido R$ 326 mil do Banco Rural em sacos de papel através de um contínuo sem saber o que era e ter repassado ao PT a uma pessoa que não conhecia. Também não escapou à acusação de peculato alegando que o dinheiro desviado da Visanet era privado, porque o crime se aplica a bens públicos ou privados.

O esquema com Marcos Valério e seus sócios também teve condenação pedida por diversos crimes, entre eles o de lavagem de dinheiro e corrupção ativa. A não ser que os demais juízes encontrem nos autos outros documentos que relevem a importância do que foi apresentado, a tendência será do voto baseado no do relator. Assim como a acusação e o relator, o revisor também votou pela inocência de Luiz Gushiken, ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, por falta de provas. Havia sido citado por Pizzolato com mandante dos pagamentos na sua alegação de ter "cumprido ordens".

Segundo Lewandowsky, havia na diretoria de marketing do BB "uma balbúrdia" na gestão de Pizzolato. Serviços não pagos, notas frias, adiantamentos por serviços não executados com as empresas de Valério, etc. A auditoria interna do banco pegou tudo, mas nenhuma providência interna foi tomada contra Pizzolato. Nem qualquer processo na justiça para buscar ressarcimento houve.

Muito estranho para uma empresa muito rígida com seus funcionários nesse tipo de questão. Se chega uma caixa de canetas numa agência alguém tem que atestar o recebimento, conferir a mercadoria e colocar no estoque. Como é que mais de R$ 70 milhões em serviços não executados de marketing não foram fiscalizados? Como é que a Visanet, dona do dinheiro, empresa que conta com o Bradesco como acionista majoritário, deixou passar isso? Será que esse tipo de prática parou? Será que foi só no BB? A essas questões o julgamento não irá responder.