Até agora foram publicados menos de 1% dos documentos vazados da diplomacia norte-americana e alguns padrões começam a surgir em meio às denúncias. O mais marcante é a agressiva defesa dos interesses comerciais em todo o mundo. Diplomatas relatam demandas para encaixar fornecimentos.
Exemplo: ao avaliarem que o espaço aéreo de Brasília é vulnerável, abrem perspectiva para algum fornecedor americano oferecer produtos de defesa. O mesmo em relação às redes de cabo submarino. Até aí, faz parte do trabalho das embaixadas, localizar oportunidades de negócios para produtores dos seus países. O que se vê, entretanto, é que a diplomacia também faz lobby, e cria ambiente para a corrupção de autoridades nos países onde atuam. Exemplos: o entreguismo de José Serra na questão do pré-sal e o interesse do senador Heráclito Forte nos jatos militares americanos. Isso é concorrência desleal.
Parte dos relatos mostra a visão nada sociológica ou antropológica dos funcionários americanos. Avaliações permeadas de preconceitos, feitas a partir da comparação dos valores da América com os dos "outros", aparecem em todo lado. Aí aparece o besteirol, que mais parece fofoca que trabalho de diplomatas. Fulano parece o Batman, o outro é maluco, etc.
Mais um elemento importante no caso Wikileaks é o controle das empresas americanas em caso de conflito com outros países, pelo governo dos EUA. Assim que começou o vazamento das informações, a Paypal, Visa, Mastercard e outras empresas passaram a bloquear as fontes de recursos do Wikileaks. Agora o Google tem um mapa com todos os sites-espelho do Wikileaks, facilitando o combate pela via virtual. Empresas que parecem multinacionais sem bandeira estão aí trabalhando pelos EUA, na hora que a coisa pega.
Esse é o risco, por exemplo, de termos equipamentos militares americanos. Em caso de conflito com eles, aviões podem ficar no chão por comandos de software, e sistemas como o SIVAM - Sistema de Vigilãncia da Amazônia - fornecidos pela empresa americana Raytheon, podem sair do ar ou mesmo passar a fornecer informações ao Tio Sam.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Wikileaks revela concorrência desleal americana
Bingos rejeitados na Câmara
Por 212 a 144 votos, os deputados rejeitaram a proposta de legalização de bingos no Brasil. Se fosse aprovada a legalização, haveria impostos sobre os ganhos e os apostadores vitoriosos teriam que informar on-line à Receita Federal os valores recebidos. O deputado Paulinho da Força Sindical, um dos defensores da proposta, disse que a legalização poderia gerar 300 mil novos empregos. O deputado Ivan Valente, do PSOL, disse que o projeto facilitaria a lavagem de dinheiro.
Até a proibição em 2004, os bingos fizeram a miséria de muita gente, em especial de idosos, aposentados, e gente que se viciou na jogatina. Os exploradores do jogo não pararam nesse tempo, mantendo bingos clandestinos às custas de corrupção de autoridades. Na minha visão, a abertura dos bingos levaria à posterior liberação de cassinos, com tudo de ruim que isso pode significar: alta criminalidade, prostituição, falências pessoais, drogas, etc. Fizeram bem em barrar.
Interclubes : Mazemba detona o Inter
Bem que torci para o Inter, mas não deu jeito. O time parecia estar cansado, apático, sem garra, não mostrou o futebol que o levou até as finais do Mundial Interclubes. Agora é torcer para o Mazemba ser campeão, detonando a Inter de Milão. É aquela coisa de torcer sempre pelo mais fraco.
A CBF resolveu desconhecer geografia e que o Brasil é uma república federativa com 27 estados e um Distrito Federal. Resolveu reconhecer como campeões brasileiros todos os times que um dia disputaram um campeonato de dois ou mais estados. Assim, do nada, o Santos e o Palmeiras passaram a ser octocampeões, passando o Flamengo e o São Paulo, que são hexa. Até o Fluminense, que deve aos cartolas estar hoje na primeira divisão, foi novamente agraciado com um título fajuto, e assim passa a ser tri. Pouca vergonha...
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Pré-sal : Wikileaks entrega José Serra
Quando se dizia que havia uma orquestração entre a oposição brasileira e grupos petroleiros internacionais para derrubar ações da Petrobrás e impedir sua capitalização, para usar politicamente uma CPI para barrar a regulação do pré-sal e outras artimanhas, muitas pessoas não acreditavam. Agora documentos diplomáticos americanos relatam articulações entre José Serra e as oposições com empresas como a Chevron, para evitar a mudança do marco regulatório e permitir a entrega das jazidas a esses grupos.
A Petrobrás fez tudo certinho, e o governo suspendeu os leilões de novas áreas de exploração, dando tempo para que as prospecções continuassem. E o governo aprovou o regime de partilha no lugar do de concessão, que era apoiado pela grande mídia e pela oposição. Serra prometeu a uma representante americana até mudar as regras do jogo, caso fossem aprovadas no congresso por Lula e ele ganhasse as eleições. O entreguista acabou entregue pelo Wikileaks.
Valeu, Wikileaks. A turma da Petrobrax não esperava que a casa caisse assim. Não bastasse a derrota acachapante nas eleições, a denúncia da traição deve jogar a última pá de cal nessa turma. Queremos mais!
Engenheiros : maiores reajustes no último ano
Segundo pesquisa da Catho, empresa de alocação de recursos humanos, os salários nas diversas áreas de engenharia e arquitetura tiveram reajustes nos últimos 12 meses maiores que os das demais categorias. A retomada do crescimento demanda profissionais da área, que não são oferecidos pelas universidades, causando essa valorização. Uma boa notícia para os engenheiros, que comemoraram no dia 11/12 sua data, com reajustes de até 17,6%. Clique aqui para mais detalhes e para ver as tabelas da Catho.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Rio : combate ao abuso policial
Encerrada a "batalha do Alemão e Vila Cruzeiro", o governo do Estado do Rio viu-se obrigado a colocar à disposição dos moradores das áreas ocupadas pelas forças de segurança um ônibus da corregedoria, para receber denúncias de abusos policiais. Invasões violentas, roubo de dinheiro e bens, destruição de patrimônio, ameaças, tortura, enfim, tudo que no jargão carioca se enquadra como "esculacho" aconteceu por lá, em nome da busca de criminosos, armas e drogas.
Em nome da péssima relação entre policiais e pobres alguns governos proibiram que as forças de segurança subissem as favelas, favorecendo a instalação permanente do domínio territorial do tráfico pelas facções criminosas. Essa má relação também contribuiu para que a "ordem" do tráfico fosse preferível à do estado de direito. Junto com o assistencialismo do tráfico, a polícia foi durante muito tempo odiada pelas populações das comunidades carentes.
A experiência das UPP tenta mudar essa visão, e hoje há um retorno positivo do domínio policial nas áreas pacificadas. Ajuda também a entrada de serviços públicos e assistência social, na tentativa de mostrar que o estado é melhor que o bandido do tráfico ou da milícia. Como os criminosos praticamente destruíram as organizações sociais independentes, pelo menos as que não cooptaram, há um vazio de resistência organizada aos abusos policiais.
Uma tentativa interessante de promover a cidadania contra os abusos, da comunidade do Morro Dona Marta, que teve apoio de entidades de direitos humanos, é a cartilha Abordagem Policial, que mostra o que é legal e ilegal nas ações dos policiais em relação aos cidadãos. Clique aqui para ver a íntegra do documento.
Datena prega preconceito contra ateus
No seu programa Brasil Urgente, o apresentador da Rede Bandeirantes José Luiz Datena passou 50 minutos dizendo que um crime bárbaro só poderia ter sido cometido por ateus, e coisas do gênero, desconhecendo que uma concessão pública de TV não pode ser usada para fins preconceituosos.
O Ministério Público Federal em São Paulo quer uma retratação de Datena . A ação civil pública, com pedido de liminar, solicita que a Rede Bandeirantes de Televisão seja obrigada a exibir, durante o programa "Brasil Urgente", um quadro com retratação das declarações ofensivas às pessoas ateias, bem como esclarecimentos à população acerca da diversidade religiosa e da liberdade de consciência e de crença no Brasil, com duração de no mínimo o dobro do tempo usado para exibição das mensagens ofensivas (fonte: Isto é On Line).
O MPF deveria levar sua iniciativa aos demais programas que usam concessões públicas para pregar preconceitos e princípios religiosos, fazendo prevalecer o princípio constitucional da laicidade do estado. Nenhum instrumento público pode ser usado para fins religiosos, e a falta de um limite a essa irregularidade está levando a atitudes como a de Datena, de ofender as pessoas que não têm um ou mais deuses como referências espirituais. Basta ligar a TV para ver discursos preconceituosos em relação a opções sexuais, pregando a submissão da mulher, combatendo o aborto, fazendo política partidária e de religião contra religião.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Tasso : ódio e rancor até o último discurso
Depois de ser esculachado com uma derrota significativa, o mentor da "Era das Mudanças" no Ceará, Tasso Jereissati, despediu-se no senado com um discurso de 40 minutos de rancor e ódio a Lula, a o PT e a tudo que se possa ter sido feito no Brasil por outro que não seja ele mesmo. E o que fez Tasso ao longo de 24 anos de vida política, até o seu "canto do cisne" no último dia 8?
Em primeiro lugar, ficou muito rico. Em segundo lugar, deixou seus apoiadores ricos. Acabou com a agricultura no Ceará. Quebrou o Banco do Nordeste. Fez do Ceará um paraíso da exploração, com guerra fiscal e incentivo à instalação de empresas explorando cooperativas de mão-de-obra fraudulentas. Tratou com violência os movimentos sociais. Manteve as mídias sob controle, sempre enaltecendo a sua "obra". Intolerância com as vozes distoantes foi a sua marca, mesmo do seu campo aliado. Fez muitos inimigos, e afastou para o campo governista outros a quem maltratou.
Foi para o Senado como uma das principais e mais truculentas vozes tucanas. E perdeu a eleição para dois candidatos aliados de Lula, com o Ceará dando a Dilma uma das suas maiores votações. Chegou a tentar obter o apoio do governo estadual, aliado de Lula, mas mesmo essa humilhação não foi suficiente para tirá-lo, espera-se, definitivamente do cenário político. Caiu em desgraça, e agora vai ter que voltar à vida normal de muito rico, mas sem a marra que tinha anteriormente. Adeus, Galeguim.
Escravidão : só mudou o chicote
Sou um dos poucos ouvintes eventuais da Voz do Brasil, programa oficial ameaçado pela grande mídia a pretexto da baixa audiência em horário nobre. Vez por outra aparece uma notícia que não sai em nenhum lugar, e na última quarta-feira ouvi que os trabalhadores de processamento de aves, aqueles que desossam, separam os cortes e embalam os animais, são vítimas de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) devido à grande quantidade de movimentos que fazem com alta frequência, tangidos por exigências de produtividade.
O problema piorou com o forte ritmo de exportações, com a exigência de padrões internacionais, com o domínio do setor por empresas multinacionais e com a vantagem competitiva do Brasil no cenário da gripe aviária. A CUT quer que o Ministério do Trabalho ponha fim a essa crescente superexploração, que vem levando cada vez mais mulheres à doença, com sequelas definitivas. Tenta-se estabelecer limites ao trabalho tangido por metas abusivas, comum a várias categorias, até urbanas, como a dos bancários.
Juntei essa informação que não foi repetida pela grande mídia, parceira por ação ou omissão do capital explorador, com estudos da Universidade de Brasília, publicados pela sua excelente revista Darcy (número 5 - nov/dez 2010), consolidados no dossiê "Um novo retrato da escravidão". No texto "A escravidão reescrita" o pesquisador Flávio Versiani afirma que as senzalas lotadas de escravos não correspondem à realidade do Brasil durante o Império, e que a imagem mais correta seria a de famílias com um ou dois trabalhadores negros. Em Recife, os pequenos senhores correspondiam a mais de 70% dos proprietários de escravos, que eram usados em trabalhos domésticos, fretes e entregas, trabalhos manuais ou podiam ser terceirizados.
No texto "A lógica econômica do trabalho escravo", o mesmo autor afirma que a maximização do trabalho de um escravo era obtida por métodos diferentes entre os aplicados nas atividades braçais e os das mais "qualificadas". A dos primeiros era obtida pela coação do chicote do feitor, que os colocavam em atividades repetitivas por até 18 horas diárias. A produtividade poderia aumentar à medida que as ameaças se intensificassem. Assim, o trabalho escravo, em especial nos cafezais e culturas da cana, era incomparavelmente mais barato que o assalariado.
Já nos serviços onde a qualidade é mais importante que a quantidade (artesanato, mineração, culinária, pecuária), o controle não pode ser apenas pela coerção. A maximização da produtividade teria que contar com a cooperação do escravo, e para isso o uso de incentivos seria mais eficaz: melhor alimentação, melhores acomodações, promessa de alforria e outras "vantagens" sobre os cativos da atividade agro-exportadora. As relações de trabalho se aproximariam mais das entre patrões e trabalhadores livres, com maior custo.
Conclui o autor que, ao contrário da afirmação de Gilberto Freyre sobre a existência de uma escravidão comparativamente "benigna" no Brasil que no sul dos EUA, onde predominava a grande exploração agrícola dos escravos e, portanto, majoritariamente de gestão coercitiva, essa menor coerção não teria nada de benevolente. Os senhores simplesmente seguiriam a lógica dos seus interesses econômicos. Olhando para o nosso mercado de trabalho capitalista, a princípio de trabalhadores livres, vemos os mesmos princípios de gestão de recursos humanos usados desde os tempos mais primórdios. O chicote se sofisticou.
Wikileaks : Não à censura e liberdade para Assange!
Pode ser que daqui a alguns anos um outro site jornalístico independente como o Wikileaks venha a revelar documentos da diplomacia americana acertando com as autoridades suecas o mandado de prisão para tirar de circulação Julian Assange por crimes de estupro e assédio atribuídos a ele. Assim como ficou comprovado na baixa qualidade da diplomacia americana em 1500 dos 230.000 documentos confidenciais em poder do Wikileaks, agora tentam calar o criador do site forçando a sua prisão, mas antes de Assange se entregar, até para garantir a sua vida para não sofrer nas mãos de agentes das CIA da vida, foram criados 350 sites-espelho do Wikileaks e espalhados por centenas de jornalistas os documentos, que estão sendo analisados para evitar que pessoas venham a ter suas vidas em risco com a divulgação.
Wikileaks não é uma organização terrorista. É jornalismo investigativo da melhor qualidade, que não teme as consequências pela divulgação da verdade, doa a quem doer. Cinco grandes jornais são parceiros na divulgação dos documentos, e o financiamentro da instituição sem fins lucrativos tem outras fontes além das que o governo americano está pressionando para tentar sufocar o site e censurar a verdade sobre as suas tramóias e artimanhas imperialistas no mundo.
Em todo o mundo há declarações de apoio à verdade, porque as pessoas precisam saber o que se esconde atrás de fachadas de falsidade. Da parte do governo brasileiro há interesses em saber como Obama atraiçoou Lula no episódio do acordo nuclear com o Irã e no boicote a Honduras, durante o golpe que depôs Zelaya. Em ambos os casos a diplomacia americana concordou com a iniciativa do Brasil, e depois puxou o tapete. Talvez por isso Lula tenha defendido ontem a libertação de Julian Assange e tenha se colocado contra a censura ao Wikileaks. Quem não deve não teme.
A oposição, tradicional colaboradora dos americanos em conspirações anti-nacionais, deve estar tão preocupada quanto a turma do Obama. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, já foi um dos dedurados por dizer que um diplomata do Itamaraty é anti-americano. E o povo que tem instituições de fachada da CIA, como não deve estar tremendo, hem? Hoje vi colunistas criticando Lula porque não fez nenhuma declaração em defesa de Yoani Sánches, blogueira cubana perseguida pelo regime castrista, que chegou a pedir ajuda ao governo brasileiro para sair de Cuba, como forma de obter do Brasil algum tipo de declaração contra a falta de liberdades democráticas na ilha. Faço votos que os documentos cheguem ao detalhamento das mídias sustentadas pelo ouro de Tio Sam.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
CONTRAF-CUT : funcionário do BB deve bater a própria carteira
Quando coloquei no meu perfil do blog que fui sindicalista no tempo que sindicato defendia trabalhador, algumas pessoas não entenderam, afinal, defender a classe operária não é o papel de uma entidade da classe operária? Bem, a coisa não é tão dicotômica quanto os manuais da luta de classes nos ensinam: há os trabalhadores, há os patrões e há os pelegos, aqueles que tiram dos trabalhadores, falando em seu nome, para dar aos patrões, em troca de vantagens.
Quando o patrão é um banqueiro, categoria que controla o poder independentemente do governo, a coisa fica mais flagrante. Quem mais ganhou dinheiro fácil no governo Lula foi a banca brasileira, apenas com a manutenção das altas taxas de juros e as abusivas taxas de serviço. Os bancos públicos não escaparam a essa regra: o BB teve os maiores lucros da história, e os maiores entre todos os bancos. Sindicato de trabalhador defender mais lucros aos banqueiros, portanto, é um crime. Pior ainda quando faz campanha para convencer as pessoas do lado mais fracos - bancários, aposentados e pensionistas - a abrir mão dos seus futuros e dar dinheiro da aposentadoria para engordar lucros de bancos.
Absurdo? Infelizmente, não. Resumindo o caso, os funcionários do Banco do Brasil fizeram poupanças na PREVI, durante toda a sua vida laboral, para ter um complemento de aposentadoria que mantivesse seu poder aquisitivo. O BB dava uma parte também. A princípio, era de 2 para 1. Recentemente, de 1 para 1. Pela lei, fundo de pensão só tem uma finalidade: prover benefícios aos empregados. E não foi feito para dar lucro, ou superávit. Nos planos de Benefício Definido, os cálculos atuariais são feitos para que, ao morrer o último beneficiário, seja encerrada com saldo zero sua contabilidade. Se por algum motivo acontecerem superávits, a Lei Complementar 109 diz que depois de 3 ocorrências consecutivas, deve ser revisto o plano de benefícios para que tais valores excedentes componham as reservas em benefício dos associados.
O superávit atual teve várias origens: o arrocho salarial de 8 anos da era FHC, a fraude na legislação que embasou a demissão voluntária de dezenas de milhares de funcionários em 1995, a supervalorização de ativos de renda variável no governo Lula, em especial ações (índice Bovespa, em 8 anos, saiu de 10 mil para 70 mil pontos), e artifícios como a Parcela Previ, que reduziram os valores de benefícios.
Espertamente, o governo Lula editou a resolução CGPC 26, ilegal porque se coloca acima da LC 109, que afirma que os superávits devem ser também benefício do patrocinador, como se este fosse um trabalhador beneficiário da aposentadoria. A partir dessa ilegalidade, contestada em várias ações na justiça, o Banco do Brasil passou a creditar em seus balanços valores relativos a reduções nas suas obrigações previdenciárias com os funcionários. Desde 2008 isso acontece, inflando direitos da empresa, sem que a PREVI tenha concordado com isso. Ou seja: há o crédito no ativo do BB, sem o débito na PREVI.
Agora que o BB quer lançar ações na bolsa de Nova Iorque, consultorias externas exigem a regularização desse desequilíbrio contábil, e uma grande operação de convencimento dos funcionários, aposentados e pensionistas foi montada para doar R$ 7,5 bilhões da PREVI ao BB. Nessa operação montou-se uma farsa com entidades ditas representativas de segmentos dos funcionários, que agora querem promover um plebiscito propondo que seus "representados" digam: SIM, EU QUERO DAR DINHEIRO QUE É MEU PARA ENGORDAR O BALANÇO DO BANCO DO BRASIL!
A exemplo dos colonizadores que aportaram por aqui há cinco séculos, oferecem aos incautos dinheirinho na mão na hora, em troca do próprio futuro. Espelhinhos e miçangas, em troca de territórios, é o que a CONTRAF-CUT e outras entidades propoem aos trabalhadores. A cortina de fumaça do plebiscito, que não é previsto estatutariamente na PREVI, é para avalizar os votos de dirigentes eleitos que são dessas entidades "representativas".
Por trás dessa gentileza dos dirigentes sindicais está a pressão de um governo para dar um fim a essa fragilidade contábil que pode trazer problemas ao mercado. Nisso deverá haver a contrapartida do fisiologismo, com cargos para dirigentes sindicais amestrados. Mais tarde, se a operação de auto-batimento de carteiras dos associados da PREVI der certo, o governo e seus pelegos, que têm a totalidade dos cargos de direção no mais rico fundo de pensão do país, usarão seus recursos em investimentos de risco, pouco atrativos para os capitalistas. Isso, claro, se não fizerem novas operações de saque para enriquecer mais o BB.
Ibicuí (RJ) - A Capri brasileira


Há quase 40 anos, quem andava pela estrada Rio-Santos, sem asfalto a partir de Itaguaí (RJ), deparava-se primeiro com a visão panorâmica de belas praias, como Itacuruçá e Muriqui, e mais adiante com uma praia com uma península, espremida entre a verde Serra do Mar e a Baía de Sepetiba, no litoral sul fluminense, onde havia uma placa junto a uma descida, que dizia : "Ibicuí, a Capri brasileira".
Quem botou aquilo lá fazia referência à ilha italiana de Capri, no Mar Tirreno, que, guardadas as imensas diferenças, tem um povoado de mesmas configurações geográficas, e tem águas azuis e verdes que não vemos em Ibicuí. Mas não deixa de ser comparável enquanto recanto isolado, limitado, espremido, com águas tranquilas, quase paradas. Diferentemente de outras praias mediterrãneas italianas, Capri não tem linha de trem passando próxima à praia, aproveitando a planície. Ibicuí tem uma linha que liga Santa Cruz a Mangaratiba, que já teve trem de passageiros e hoje é utilizada pela MBR para transportar minério de ferro para um terminal numa ilha próxima. Infelizmente, a estação não foi preservada e hoje parece ter virado uma casa.
Por essa linha de trem passou a minha família nos anos 40. Meu avô construiu uma casa depois do atual Ibicuí Iate Clube, já demolida para retificação do trecho da ferrovia, de onde tenho no memorial da família fotos de toda a enseada. No início dos anos 70, ia com amigos numa longa viagem acampar na praia de Ibicuí e em Junqueira, praia que fica entre Ibicuí e Mangaratiba, onde há uma ilha bem em frente à costa.
Os acampamentos não eram bem vistos por contrabandistas que desembarcavam mercadorias de navios na baía com lanchas possantes, e tinham um certo poder local para mandar as autoridade tirar a gente de lá. Nem precisava: tínhamos muitos colegas de escola com casa por lá, e passamos a acampar em quintais.
No verão de 1975 fiz com um colega uma aventura que quase me custou a vida. Fomos do Rio a Ibicuí de bicicleta. Saímos do bairro de São Francisco Xavier às 3 da manhã para fugir ao sol causticante de janeiro. O caminho mais curto seria a Avenida Brasil, mas o tráfego intenso seria um risco grande. Como alternativa, subimos o Alto da Boa Vista, Barra, Grota Funda ( a serra), baixada de Guaratiba, chegando a Santa Cruz por volta de uma da tarde, com o sol castigando.
Detalhes: eu estava numa Monareta, bicicleta de cross que tinha aro 18, e o meu colega estava numa Monark aro 28. Nada de marchas para aliviar. De carga, mochilas, uma barraca, cantis com água, biscoitos e sanduíches. Até acabar o asfalto em Itaguaí, a uns 30 km de Ibicuí, a coisa foi até bem. Depois, acabou-se a planície e começou o poeiral. Parávamos mais que andávamos, esperando a poeira baixar. Carregamos mais as bicicletas montanhas acima que pedalamos.
Chegamos a Ibicuí às 7 da tarde (no horário de verão carioca o sol se põe quase às 20h). Encontramos os amigos e amigas que não acreditavam na façanha. Fomos até a praia onde entrei de bicicleta e tudo. Aí começou a cobrança do exagero: cãimbras por todo o corpo. Eu tinha perdido muita água e peso na aventura. Passei quase 3 dias estirado numa rede. Quase morri na brincadeira.
Se fosse falar de tudo de bom que Ibicuí deixou nas minhas lembranças precisaria de muitos posts e espaços para fotos. Passei décadas sem ir lá. O transporte de passageiros acabou, a estrada foi asfaltada, a especulação tomou conta, a orla foi urbanizada e os verões tornaram a pequena praia intransitável, lotada por veranistas. Agora tenho disponível a casa de pessoa da família, a meia-encosta, de onde pode-se ver toda a baía, com Ibicuí como uma pequena jóia encrustada na montanha, à beira do mar tranquilo. Andando pelas suas ruas, cenas do passado retornaram à mente, trazendo saudades e, ao mesmo tempo, a felicidade por ter vivido bons momentos ali, sentado na areia, vendo o mar, a Restinga da Marambaia e a Ilha Grande emoldurando a baía de Sepetiba, curtindo boas companhias.
Para conferir Ibicuí e as praias de Mangaratiba, o caminho de quem sai do centro do Rio é pegar a Avenida Brasil até o fim (uns 55 km), pegar a estrada duplicada que vai até Itacuruçá e seguir pela Rio-Santos no rumo de Mangaratiba. Pelo caminho há outros lugares interessantes para visitar. Ibicuí fica a uns 100 km do centro do Rio. Evite o final de semana, porque a estrada fica muito cheia.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Fluminense Zerocampeão
Quem nunca come melado acaba se lambuzando quando consegue algum. A nova geração de tricolores, que tem menos de 26 anos, finalmente viu o time ser campeão. Alguns talvez sejam muito novos para lembrar que o Fluzão tem passivos: foi para a segunda divisão, depois para a terceira, e voltou por manobras de cartolas, nunca conquistando em campo sua reascenção. Deve, portanto, dois campeonatos.
Hoje vi os alegres tricolores com faixas alusivas a um tricampeonato. Como assim? É a segunda vez que ganham um Brasileirão. Aí colocaram como título nacional uma vitória em 1970 no torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, ou Taça de Prata, disputado basicamente entre os grandes times do Rio e São Paulo.
É, tudo bem, para quem tem nada, depois de compensar dois títulos com dois rebaixamentos, ficar com um Campeonato Rio-São Paulo ampliado como título é confortante. Algo como os mil gols do Romário, que no final da conta tinha até os feitos em peladas com amigos. Eles precisam disso. Parabéns, Flu. Vão ganhar também a Taça Delivery, oferecida pelos times de São Paulo que entregaram os jogos para evitar que o Corinthians fosse campeão. No fim de tudo, este também foi um campeonato Rio-São Paulo, onde um time carioca venceu pelo favor dos paulistas.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Brasil reconhece fronteiras de 1967 da Palestina
O Ministro Jobim, citado numa das fofocas da diplomacia americana publicadas no Wikileaks, não deixa de ter razão ao confidenciar a um representante dos EUA que o Ministério das Relações Exteriores tem viés anti-americano. Em mais um ato de soberania, o governo brasileiro reconheceu as fronteiras de 1967 do Estado Palestino. Falando de outra forma: disse que Israel apoderou-se ilegalmente de boa parte das terras dos palestinos.
A essa altura algum despreparado diplomata americano deve estar fazendo uma correspondência em linguagem nada protocolar, dizendo que o governo brasileiro segue as ordens do Irã e apoia o terrorismo palestino... Os americanos assistem calados ao contínuo roubo de terras palestinas, e depois falam de uma solução negociada para o conflito do Oriente Médio...
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Brasileirão : mala branca x entrega, que vergonha!
Hoje vi gente aqui no Rio reclamando do preço do ingresso para a "final" onde o Fluminense deve sair campeão. Não achei nada de mais, considerando que o time é campeão a cada 26 anos, e desta vez, com favorecimento por vergonhosa entrega de jogos de arquiinimigos do Corinthians, como o São Paulo e o Palmeiras. E talvez o Guarani, que também é paulista.
Nada a comemorar num título obtido a esse preço. Mesmo assim a torcida espalha na atmosfera carioca o cheiro de naftalina das bandeiras tiradas dos baús e camisetas que esconderam desde que o time foi para a terceira divisão e voltou por cartolagem, sem ascensão por vitórias nas divisões inferiores.
Igualmente sem méritos futebolísticos, mas por arranjos conjunturais.
O campeonato do Fluminense é fato consumado. Uma alegria para eles, que logo se desfará com a realidade: metade do prêmio em dinheiro será confiscado pela Justiça do Trabalho, para pagar dívida trabalhista com o jogador Magno Alves, do Ceará (R$ 4 milhões). Pelo menos o campo das Laranjeiras ficará mais um tempo sem ameaças dos sem-terra (terra improdutiva).
A remota possibilidade de fazer a torcida tricolor chorar, espernear e cortar os pulsos é o Guarani endurecer o jogo. Hoje começaram a surgir notícias de "malas brancas", ou "incentivos" em dinheiro para os jogadores do Guarani, já rebaixado para a segundona, forçarem a barra contra o tricolor carioca, para viabilizar as chances do Corinthians ou Cruzeiro serem campeões. Até Ronaldo Gordo disse que pagaria do bolso um "prêmio" aos jogadores do Guarani, o que seria atrativo, considerando que as cifras podem passar de R$ 100 mil para cada um, dinheiro que os atletas não verão por muito tempo.
Assim sendo, é lamentável o final desse campeonato brasileiro, sem ética nem pudor. Ainda acho que, na cartolagem, o preferido seria o Corinthians para campeão, como incentivo para construir o estádio para a abertura da Copa em São Paulo. Será que desta vez o Fluminense vai ao Mundial?
PSDB e DEMO votam contra soberania no pré-sal
Ontem foi votado na Câmara dos Deputados o modelo de partilha dos recursos que serão obtidos com a exploração do petróleo da camada pré-sal. Passou a proposta do governo, de criação do Fundo Social, que destinará recursos para a educação, saúde e esportes. De contrabando, foi aprovada a emenda Simon, que destina recursos do pré-sal para todas as unidades federativas, eliminando os "royalties" que interessam principalmente ao Rio e Espírito Santo. Lula deverá vetar esse item, abrindo discussão sobre mecanismos de compensação dos estados que hoje recebem "royalties" e não recebem ICMS pelo petróleo, que poderão falir sem esses recursos.
O mais importante foi que o novo sistema eliminará o atual mecanismo de concessão. Agora a produção terá que ser partilhada entre quem explorar e a União. Os leilões terão por critério de decisão a maior parcela a ser oferecida à União. A Petrobrás será a única operadora dos campos, podendo formar parcerias com um mínimo de 30% de participação.
Um projeto dessa envergadura, que fortalecerá a Petrobrás e dará recursos para o Brasil dar um salto de qualidade nos seus investimentos sociais deveria ser uma unanimidade dos políticos. Não foi. O PSDB e o DEMO, mesmo tendo recebido um duro recado nas urnas, votaram contra, porque atendem aos interesses externos, do capital internacional, que era favorecido com o sistema de concessão. Não querem saber de Fundo Social, de resgatar o povo da miséria. Que afundem junto com as brocas de prospecção da Petrobrás, e vão ser anti-brasileiros lá nas profundas.
Confira aqui quem foram os traíras. Aqui vai um resumo por partidos:
Por 204 votos a favor, 66 contra, 2 abstenções e 3 obstruções, os deputados aprovaram na noite desta quarta-feira (1º) o projeto do marco regulatório do pré-sal, que institui o modelo de partilha e cria o Fundo Social. Os 71 traidores (66 contra + 2 abstenções + 3 obstrução) votaram contra o povo brasileiro ficar com uma parcela maior da riqueza, e entregá-las para os estrangeiros. Por isso o voto dele significa que foi um voto de lesa-pátria e de lesar o povo brasileiro.
Tucanos e DEMos são os partidos mais traidores do Brasil:
PSDB: 94% de traição (34 do contra e 2 a favor)
DEMOS: 92% de traição (22 do contra e 2 a favor)
PR: 33% de traição (7 do contra e 14 a favor)
PPS: 25% de traição (1 do contra e 3 a favor)
PV: 13% de traição (1 do contra * Gabeira, e 7 a favor)
PDT: 13% de traição (2 do contra e 13 a favor)
PSB: 11% de traição (2 do contra e 16 a favor)
PMDB: 3% de traição (1 do contra * Raul Henry, e 37 a favor)
PTC: só um deputado presente (Paes de Lira/SP) e fez obstrução.
PCdoB, PHS, PMN, PP, PRB, PSC, PSOL, PT, PTB só tiveram votos a favor, nenhuma traição.
O levantamento não levou em conta os deputados faltosos, computando apenas os que compareceram à sessão.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
EUA : o vazamento da lama diplomática
O site Wikileaks, focado na publicação de documentos vazados, tem 230 mil documentos internos da diplomacia americana entre telegramas e cartas das últimas quatro décadas, onde fica claro o preconceito dos seus informantes em relação a lideranças de muitos países. A falta de profissionalismo das relações exteriores fica demonstrada no linguajar usado. E até a Hillary Clinton, responsável pela política externa, mandou diplomatas espionarem em 33 países e a ONU.
Esse tipo de "informação" municiou a campanha militar de George W. Bush contra o Iraque, por conta de armas de destruição em massa nunca encontradas. Nem o Brasil escapou: os fofoqueiros norte-americanos disseram que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, teria dito que um diplomata do Itamaraty seria anti-americano.
O Departamento de Estado americano parece um queijo suíço, cheio de buracos por onde saem documentos confidenciais. Estado mínimo, terceirização e precarização do funcionalismo público tem dessas coisas. O mais preocupante não é nem o que o Wikileaks divulgou: ontem a imprensa disse que um vírus criado para dominar instalações nucleares, chamado Stuxnet, foi roubado por hackers.
O material roubado pode permitir o controle remoto de usinas nucleares, levando-as a vazamentos ou explosões pela manipulação dos sistemas automáticos de controle. Uma hipótese que rola pelos meios especializados é que o Stuxnet tenha sido desenvolvido para tirar de controle dos iraquianos as suas usinas nucleares. Adivinhem por quem? É por essa incompetência de guardar coisas perigosas que o mundo deve se livrar de arsenais nucleares, antes que um micreiro barato faça uma guerra no mundo real.
Rio: golpe no tráfico - desdobramentos
Hoje serão encaminhadas para incineração 30 toneladas de maconha e quase uma tonelada de cocaína, apreendidos nas operações policiais no Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro. A apreensão é da ordem de 5 vezes tudo o que foi apreendido no ano passado. Além disso, motos, carros e armamentos foram recolhidos e muita coisa ainda está enterrada ou emparedada por lá.
Esse ativo do tráfico levou décadas para ser acumulado. Cresceu junto com a ramificação do crime nas instâncias de poder. Hoje há policiais, delegados, militares, advogados, juízes, parlamentares, secretários e empresários na folha do crime. E redes de extorsão em atividades que vão da vigilância de veículos à segurança de ruas e comércio. Fora os "serviços" de internet, gás, TV a cabo. A maior perda não foi apenas a econômica: a substituição do poder nessas áreas levará ao descrédito do tráfico como poder "legitimado" pelo assistencialismo.
No Rio há outro tipo de crime organizado menos visível, que envolve jogo e prostituição. Desde que o Barão de Drumond criou o Jogo do Bicho e este se tornou contravenção anos depois, famílias de bicheiros tornaram-se famosas por ações de visibilidade social, como o patrocínio de Escolas de Samba e clubes de futebol. A corrupção das autoridades tornou-se endêmica, a ponto de uma pessoa de fora da cidade chegar por aqui e achar que o Jogo do Bicho e os caça-níqueis serem atividades legais, praticados às vistas dos policiais. Os bicheiros também atuam em áreas de contrabando, mas pouco se misturam com o mundo do tráfico. Não deverá faltar dinheiro para o Carnaval, porque não é a praia do tráfico.
O poder do tráfico vinha das armas e também do assistencialismo, das políticas de "responsabilidade social" nas áreas dominadas. Lideranças sociais legítimas foram assassinadas e em seu lugar foram colocados interlocutores do tráfico, que levavam aos chefões algumas reivindicações importantes para a manutenção do poder, como a construção de lavanderias, banheiros, patrocínios, etc. Sem os recursos para isso, e com a intenção do Estado se fazer presente, a clientela lumpesina do crime abandonará os chefões e cairá nas malhas assistenciais públicas.
Muita gente graúda também sentirá a falta das receitas dos "arregos" do crime. Pelo menos por um bom tempo, até que se rearticulem. Políticos eleitos pelo tráfico correrão risco de não se reelegerem. As milícias policiais também estão de olho no espólio. Se o Secretário de Segurança não mantiver mão forte no processo de formação das novas UPPs, uma forma degenerada de poder poderá surgir nessas áreas.
Rio : polícia faz vista grossa a saques no Alemão
Apesar da população carioca "de bem" ter apoiado a ocupação das favelas da Penha, no último sinal de semana, e da operação ter sido muito bem sucedida, mesmo considerando a fuga de alguns chefões, houve abusos policiais. Relatos de moradores que tiveram suas casas destruídas durante as operações de busca, roubos de dinheiro, permissão de saques a bens nas mansões do tráfico, tudo isso comprometeu a polícia, que terá que apresentar à sociedade os maus policiais que cometeram tais desmandos.
O caso mais flagrante foi mostrado pela TV Globo, na mansão de um dos traficantes do Complexo do Alemão. Pessoas da comunidade roubando de tudo, até torneiras da casa, diante de policiais que a tudo assistiam e permitiam, como se fosse parte do "justiçamento" dos bandidos. Roubos com aquiescência policial, que deveriam preservar o patrimônio para posterior desapropriação com base na Lei 11343, que no seu capítulo IV fala do confisco de bens obtidos de forma ilegal por via judicial:
CAPÍTULO IV
DA APREENSÃO, ARRECADAÇÃO E DESTINAÇÃO DE BENS DO ACUSADO
Art. 60. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade de polícia judiciária, ouvido o Ministério Público, havendo indícios suficientes, poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação penal, a apreensão e outras medidas assecuratórias relacionadas aos bens móveis e imóveis ou valores consistentes em produtos dos crimes previstos nesta Lei, ou que constituam proveito auferido com sua prática, procedendo-se na forma dos arts. 125 a 144 do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal.
A polícia pisou na bola, primeiro ao não preservar um patrimônio que seria confiscado, portanto, um bem público, e por permitir o crime de furto. É a tal da falta de noção que assola o país. O local poderia ser transformado num Museu do Tráfico, um marco para a sociedade ver que o tráfico, além de destruir vidas e famílias, é um negócio lucrativo que segue a lógica do capital: uns poucos ficam muito ricos às custas da miséria de muitos outrosEngenharia : Eclusas de Tucuruí concluídas
O Presidente Lula inaugurou ontem o sistema de eclusas da barragem de Tucuruí, obra que se arrastava há 29 anos, essencial para a transposição hídrica do centro-oeste para o norte. Eclusas são canais que têm comportas que permitem a elevação ou descida de navios entre os trechos de rios com desníveis.
Com a conclusão da obra, parte da produção de grãos do centro-oeste deixará de ser transportada por estradas para portos como o de Paranaguá (PR), podendo ser escoada, com custos até 75% menores, para o porto de Belém (PA), pela Hidrovia Tocantins / Araguaia. Mais uma grande realização da engenharia nacional. Detalhes técnicos neste link.