domingo, 22 de janeiro de 2012

O último Big Brother Brasil

Quando falo no "último" não me refiro ao de ontem, que como de praxe, não vi. Também não possuo bola de cristal em "full HD" para arriscar a me enquadrar como os charlatões de previsões furadas de fim de ano. O fato é que, pela primeira vez, um programa da Globo é questionado em muitos segmentos da sociedade, inclusive nos mais retrógrados.

Quem se dá ao desplante de , como partido ilegal, criar situações políticas para derrubar ministros de governos alheios, pode vir a ter um programa derrubado pela opinião pública e pela sociedade organizada. Pior: enquanto derruba ministros de Dilma e a presidente  ganha credibilidade recorde, (vide aqui pesquisa de ontem), a Globo tem sistematicamente perdido audiência.

O desserviço da Globo na formação do povo brasileiro vem de longe. Comecei a enxergá-lo quando fui para o Ceará há 29 anos. Tudo que via de lá pela Globo era bizarro, grotesco, deturpado. As novelas só abordavam o lado atrasado da sociedade. As notícias colocavam os nordestinos como pessoas de pouca credibilidade, fazendo coro com as elites que até hoje acham que não se deve fazer nada para melhorar as condições de vida de lá. E, pior: por lá achavam que o sul maravilha era um lugar onde tudo era permitido, pelo que viam nas novelas, ou seja: bandalheira, corrupção, etc.

Imaginem uma sociedade sendo marretada todos os dias com valores que são necessários ao alinhamento com potências culturalmente colonialistas e a uma sociedade de consumo que precisa abrir novas demandas na mente das pessoas? Ajuda muito a entender porque minimizamos os escândalos, compactuamos com as violências ético-morais, corroboramos com o atraso em alguns aspectos e engolimos coisas que nos empurram goela abaixo.

Lembra quando lançavam algum videogame violento, da quantidade de "experts" que apareciam dizendo que aquilo fazia mal à formação das pessoas? E quanto às redes sociais da internet? Tudo isso faz mal, né? E a televisão? E a baixaria empurrada como coisa aceitável? Segundo os Titãs, a televisão nos deixa burros, muito burros demais. Agora a Globo oculta um crime e logo reeditará a célebre frase de Maluf:
o cara estuprou mas não matou. Beleza: ninguém morreu, foi só um probleminha de namorados, bola prá frente, é o que pretendem os donos do bordel. O detalhe é que ninguém quer engolir mais essa, e os holofotes agora estão todos nos deslizes do programa.

Tirando uns dois ou três idiotas que saíram por aí imitando o GTA e alguns jogos de guerra, como aqueles das escolas americanas, milhões de pessoas jogaram e jogam seus games com a perfeita noção do que é real e do que é ficção, afinal, são desenhos e o jogador pode alterar o rumo das coisas pela sua intervenção. Na internet, após uma fase de iniciação, onde as pessoas fazem muitas bobagens, logo teremos uma geração que deixará de vacilar conhecendo bem os recursos e armadilhas.

Já a televisão está aí há 60 anos, mostrando gente de verdade a espectadores passivos, em matérias jornalísticas selecionadas a partir de interesses em mostrar versões que propiciem o domínio das massas. Nos países ditos "civilizados" ou "avançados" há leis proibindo que um grupo de comunicação vire oligopólio, justamente em defesa da democracia, propiciando a pulverização de meios e visões. Enquanto eles têm leis, aqui temos os políticos com seus meios de comunicação proibidos (vide Aécio e a Rádio Arco-Iris) em mãos de laranjas, e um império de TV, rádio, internet, TV a Cabo, jornais, revistas, abrangendo todo o país, chamado Rede Globo.

No livro "1984" de George Orwell, o Big Brother era um estado opressor, que tudo via nas vidas dos cidadãos, e reescrevia a história para manipular o presente atendendo a interesses ideológicos. Derrubar o BBB da Globo seria um primeiro passo para a sociedade mostrar que não quer falsamente participar de algo que já vem todo decidido de cima, mas muito pouco para derrotar o verdadeiro Big Brother, aquele que se pretende a dominar as nossas vidas. A hora é de protestar contra a baixaria, sem esquecer da luta maior, que é acabar com a imposição de valores nocivos à sociedade por um grupo de comunicações. 

Um comentário:

  1. Veja diariamente o indicador de notícias mais lidas dos principais portais de notícias. Em todas elas, principalmente na Folha, informações sobre o BBB constam entre as mais lidas.

    ResponderExcluir