Há algum tempo, queria que o governo botasse dinheiro público na Varig para salvá-la e à polpuda verba de patrocínios culturais. Depois, mostrou a bunda ao público que vaiou uma de suas peças teatrais, levando um processo que chegou ao STF (que coisa, julgar um bundão!), sendo absolvido em situação de empate. Agora quer a privatização da Petrobrás, porque diz estar cheia de petistas. E cheia de dinheiro para patrocínios culturais também que, criteriosamente, que esperamos estarem sendo destinados a produções artísticas de qualidade. Gerald Thomas, para a imensa maioria que não o conhece, é produtor teatral. Produz para poucos, mas faz estardalhaço para muitos, o que o torna ao mesmo tempo desconhecido no que faz e popular pelo que diz.
Infelizmente, a produção cultural depende muito do patrocínio oficial e do mecenato, ou seja, de pessoas ricas bancarem os projetos, ou o próprio governo. A Lei Federal 8313, de Incentivo à Cultura, conhecida também por Lei Rouanet, prevê incentivos a quem queira financiar projetos culturais, com deduções de até 100% do valor do investimento no imposto de renda. Como o financiamento das empresas usa o benefício da lei, e ainda rende dividendos de marketing societal pela "promoção à arte e cultura" nos balanços e propagandas, quem banca mesmo tudo isso é o dinheiro do contribuinte, via abatimentos do imposto de renda. A gente é mecenas e nem sabe disso...
Isso leva uma parte dos produtores culturais a andar de pires na mão atrás desses recursos, e, nesse processo, acabam adaptando suas criações aos ditames dos patrocinadores e à ideologia dominante do Estado ou de governos. E também cria vícios, quando alguns figurões do "métier" cultural julgam que estão sendo discriminados, porque não conseguem acessar às fontes. E, claro, também cria muitos rancores. Tem um ex-cineasta muito conhecido que só conseguiu rodar filmes no tempo da ditadura com as verbas da Embrafilme. Hoje destila seu ódio ao governo como comentarista num programa de TV. Não sei se é o caso do Gerald Thomas, mas é estranho querer acabar com o que chama de "petismo" na Petrobrás entregando-a aos tubarões. Ainda bem que ele não é médico, porque seu método o levaria a matar os pacientes para curar as gripes. É um bom nome para ministro da Cultura tucano ou do DEMo.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Gerald Thomas quer privatização da Petrobrás
terça-feira, 9 de junho de 2009
PIB cai no 1° trimestre de 2009
Ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não arriscaria palpite sobre a variação do PIB no 1° trimestre de 2009. Só podia afirmar que seria negativo, e que não daria palpite, como economista, porque certamente iria errar como todos os demais. Nisso ele acertou. O mercado esperava uma queda entre 1% e 2,5% na comparação com o último trimestre de 2008, e deu -0,8%. Como há números e números e maneiras políticas de explorá-los, a mídia tratou de informar que "o Brasil entrou em recessão técnica", negada pelo IBGE, por estar há dois trimestres com o PIB em queda, como se estivesse nivelado com os desabamentos das economias centrais, que já afundam há mais de 3 trimestres como os EUA, que tiveram variação de -5,7% no primeiro trimestre de 2009. Não importa o que venha a ser "recessão técnica": o importante é a mídia dar combustível para a direita bater no governo.
O mercado reagiu diferente. O indicador foi muito melhor que os mais otimistas pensaram, e isso vai significar mais entrada de capital estrangeiro que está rodando o mundo em busca de oportunidades. Isso vai criar mais problemas cambiais, a não ser que a reunião do COPOM, que começa hoje, faça cortes mais corajosos na taxa de juros para adequar a demanda por títulos públicos às necessidades de financiamento das dívidas governamentais, evitando a entrada maciça de capitais especulativos.
Amanhã será dia de mais um "nunca na história deste país": os juros básicos devem cair para a casa de um dígito. Isso é bom, pois reduz o montante da dívida que compromete o orçamento público ao tirar dinheiro de investimentos e programas sociais para dar aos rentistas. É insuficiente, porque o crédito ao consumidor e aos pequenos produtores continua escasso e caro por causa do cartel dos bancos, que ainda mantém elevados "spreads", a despeito da tentativa do governo botar os bancos públicos para forçar a concorrência oferecendo crédito a juros menos extorsivos.
Os dados do IBGE mostram que, comparados os PIBs dos últimos quatro trimestres com os dos quatro trimestres imediatamente anteriores, o crescimento foi de 3,1%. Isso quer dizer que, com toda a crise, o crescimento anualizado conseguiu ficar no azul. Outro dado interessante é ver que houve forte queima de estoques (tabela II.1) nos dois piores trimestres da crise, o que tem forte correlação com a queda de 9,3% na produção industrial e no investimento. A crise fez a indústria parar de produzir e de investir, na expectativa de melhor visualização do cenário, e queimar os estoques, que agora terão que ser repostos com investimentos e produção. Como disse Mantega, os números apresentados são agora vistos "pelo retrovisor", ou seja, representam uma história já passada, e a tendência agora é de melhoria de indicadores. Tomara que, mesmo sendo economista, esteja certo.
Demorou, mas a Globo conseguiu...
Passada uma semana do acidente do vôo 447 da Air France, o trabalho de assistência aos familiares das vítimas, blindando-as do assédio da mídia sensacionalista para preservar a privacidade no momento de dor não resistiu mais à realidade dos corpos resgatados, e da certeza do pior para todos. As pessoas começaram a vir a público apontar culpados para a sua perda, e se tornam vítimas da vigarice midiática.
Ontem no portal G1, da Globo, finalmente os abutres conseguiram fisgar duas pessoas para esculachar Lula, colocando-se como povo desassistido, já que o rei da Espanha e o presidente francês foram falar com os familiares. No Brasil, a visita de vice-presidente não valeu, teria que ser do titular. Se Lula largar as tarefas institucionais para ir a todo velório de destaque na mídia, não fará mais nada. Mais virá por aí, mas, por ora, a amostra está em http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1187487-5602,00.html
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Vôo 447 : buscas mostram defesa frágil
Na entrevista coletiva do Ministro da Defesa Nelson Jobim na última quinta-feira, quando ainda não havia qualquer pista do paradeiro do avião e poucos destroços tinham aparecido, algum repórter perguntou se os eventuais destroços estariam em águas territoriais brasileiras. Jobim respondeu que sim, e disse que hoje o Brasil tem soberania sobre 200 milhas do oceano para efeitos de subsolo e de coluna d'água, ou seja, pesca e riquezas sob o fundo do mar são exclusivamente nossas. E disse que logo teremos uma extensão de soberania por mais 150 milhas de subsolo, e, nesse caso, as águas dentro dessa área não serão de nossa exclusiva soberania.
Com a nossa soberania sobre tamanha área oceânica, que precisa ser guardada pelo poder militar, em especial pela Marinha e Aeronáutica, o que vemos nas buscas ao AF 447 é o baixo poder de resposta das forças armadas. Navios militares levando 3 dias para chegar a um local dentro do nosso território, e poucos aviões com autonomia para buscas nessa área mostram que, se estivéssemos sendo invadidos por forças estrangeiras, praticamente chegariam ao nosso litoral sem nenhum obstáculo. Apesar do grande esforço da FAB e da Marinha, que têm mostrado capacidade técnica humana e profissionalismo no trabalho de resgate, faltam equipamentos e efetivos à altura do desafio de guardar as águas territoriais. O detalhe é que qualquer potência que nos queira ameaçar por mar virá pelo Atlântico norte, tendo como porta de entrada exatamente a região onde hoje temos dificuldades até de autonomia de aviões para chegar lá. Nossos ""amigos" americanos reativaram a Quarta Frota para patrulhar o Atlântico Sul e o Caribe, a pretexto de combater o tráfico de drogas e fazer missões de ajuda humanitária...
Quando militares vêm a público denunciar problemas para a segurança territorial, geralmente referem-se à Amazônia e, via-de-regra, são do Exército. Assim foi no recente episódio da reserva indígena Raposa Serra do Sol. A probabilidade de uma ação hostil de país vizinho com efetivo atingimento de alvos estratégicos, via Amazônia, é praticamente zero, dada a distância a percorrer em território brasileiro para atingir a primeira grande cidade, que é Manaus. Além disso, o SIVAM, Sistema de Vigilância da Amazônia, informaria sobre a invasão bem antes de qualquer ataque importante, que poderia ser dissuadido se tivéssemos bons aviões de combate.
Um ataque vindo da Argentina ou da Bolívia também seria detetado e poderia ser interceptado antes de atingir alvos estratégicos como refinarias, oleodutos, centrais nucleares, indústrias de base, etc.
Vindo pelo Oceano Atlântico, um ataque seria devastador, com potencial de atingir todos os grandes portos, estaleiros, plataformas de petróleo e gás, usinas de Angra, as capitais litorâneas e até capitais mais ao interior, como São Paulo e Porto Alegre, através de mísseis lançados por navios e bombardeios por aeronaves baseadas em porta-aviões. Em poucos dias o Brasil seria dominado pelo agressor, que, considerada a perspectiva de ataque em busca de recursos como o petróleo, certamente não seria um dos nosso vizinhos pobres, mas uma superpotência. Perto da importância estratégica do petróleo, as ameaças sobre a Amazônia são fichinha. Além do mais, se continuar a ganância dos ruralistas sobre as terras amazônicas, logo não haverá Amazônia para mais ninguém, pelo menos do ponto de vista da sustentabilidade ecológica.
Quando da descoberta de petróleo na camada pré-sal, Lula disse que os recursos dessa riqueza deveriam servir para a erradicação da miséria e para o reequipamento militar de defesa das águas territoriais. A oposição vem bloqueando a criação do marco regulatório para o pré-sal como forma de atrasar a sua exploração e, talvez, aguardar que um governo do estilo FHC ganhe em 2010 para entregarem tudo sem ninguém precisar vir aqui ameaçar. É o neocolonialismo travestido de neoliberalismo do DEMo e dos tucanos. A CPI da Petrobrás também tem o mesmo sentido de travar a exploração soberana e a criação, ainda neste governo, das bases para ambos os programas propostos por Lula.
O Brasil precisa continuar um país pacífico, mas isso não quer dizer indefeso. Os recursos do pré-sal devem financiar projetos sociais de combate à miséria com ênfase para a educação, e o reequipamento e a adequação de contingentes para termos uma força de dissuasão rápída, eficaz, que iniba qualquer plano de potências entrangeiras se apossarem das nossas riquezas, com ênfase para o pré-sal e a Amazônia, como previsto na Estratégia Nacional de Defesa, recém-lançado pelo governo federal.
Rio : paisagem da Vista Chinesa
sábado, 6 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Vôo 447 : Fritura de Jobim?
Anteontem vi a entrevista coletiva do ministro Nelson Jobim, onde detalhava num telão a operação de busca de destroços do avião do vôo 447 da Air France, em águas territoriais brasileiras próximas aos penedos de São Pedro e São Paulo. A impaciência do ministro com a ignorância de alguns repórteres deu margem a momentos de sarcasmo pela autoridade, incompatíveis com a natureza do assunto tratado. "Você não aprendeu na escola o que é raio do círculo?", disse Jobim a uma pessoa que não entendia muito de geometria. Depois perguntaram a ele quanto é uma millha náutica, e ele disse que não sabia (Jobim é advogado) e passou a questão aos subordinados que depois de algum tempo informaram uma distância já convertida.
Jobim comanda o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, que não têm mais "status" de ministérios, como na época da ditadura. Jobim representa a autoridade civil sobre o poder militar. Pode não ter nada a ver, mas, no meio da entrevista, afirmou categoricamente que os destroços encontrados pela FAB seriam do Airbus. Achei precipitado, porque tem muito lixo nos oceanos e, sem uma coleta para verificação, seria temerário dar uma informação vital como essa se não fosse respaldada na certeza dos seus subordinados que estão fazendo o trabalho de campo.
Ontem um oficial subordinado a Jobim informou que os destroços capturados pela Marinha não são do avião. Imediatamente, a mídia botou Jobim na fritura, fazendo crer que o material colhido era o mesmo avistado dias antes pelos aviões. Questiono: passaram uma informação falsa ao ministro para comprometê-lo, ou a mídia distorceu a informação do Brigadeiro para criar crise entre ele e os subordinados, e entre a opinião pública e o ministro? Aguardo para os noticiários de hoje algum vestal da oposição dizendo que vai chamar o ministro para dar satisfações no Congresso. Tal divergência de informações desqualifica as autoridades brasileiras na busca aos destroços. Só falta alguém propor que os franceses venham fazer esse trabalho, a partir da suposição da incapacidade dos militares brasileiros o fazerem.
Ainda no contexto de fritura, O GLOBO de hoje traz manchete na página 15 "Lula não vai à missa hoje no Rio", reforçando a sua "desumanidade" ao parecer não dar atenção aos parentes das vítimas e ontem, no Espaço M, da Globonews, quicou uma bola entre os apresentadores no sentido de que Lula deveria largar tudo e ficar com os parentes das vítimas para dar um "fim harmonioso" ao episódio trágico, já que possivelmente não haverá corpos a enterrar. Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente, a direita acaba de aprovar uma Medida Provisória para facilitar a destruição da Amazônia a partir de benefícios à grilagem, o Ministro Minc está com a cabeça a prêmio e o PT quer que Lula vete projetos lesivos ao desenvolvimento sustentável. Com um pauta dessas, de fato, não tem como ir a missa nenhuma, nem para pedir ajuda para aguentar tanto problema.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Lula tem que vetar MP da grilagem e defender Minc
Enquanto todo mundo está atento à queda do avião e à fritura em alta temperatura do ministro do Meio-Ambiente, Carlos Minc, pela extrema direita ruralista, o Senado aprovou a medida provisória (MP n º 458/2009) que regulamenta a situação fundiária da Amazônia Legal, alterada pela relatora, senadora Kátia Abreu (PLV nº9/2009), abrindo brechas para entregar terras da união a vigaristas que não precisarão sequer comprovar o uso da terra para serem beneficiados com até 1500 hectares.
A bancada do PT no Senado lançou nota onde pede ao presidente Lula vetos aos artigos que dilapidaram o texto original da medida provisória para beneficiar a grilagem. Gostando ou não das pavonagens de Minc, se Tasso Jereissati e Ronaldo Caiado estão enfurecidos, pedindo a cabeça dele, apoio o ministro e concordo com ele: deve estar no caminho certo. Ruralista revoltado é meio-ambiente preservado e pequeno produtor estimulado. Espero que Lula vete os artigos que beneficiam a grilagem, e defenda o seu ministro da fritura, mostrando que o seu governo se diferencia dos antecessores nas questões da terra e do meio-ambiente.
Vasco: o sofrimento não pode parar
Mesmo com o seu time disputando a Série B do campeonato brasileiro, a torcida vascaína alimentava o sonho de Cinderela de ver, por um toque de fada, o seu time aspirar à participação na Taça Libertadores da América se ganhasse a Copa do Brasil. Por um momento, estava entre os 4 finalistas, coisa que outros grandes times não conseguiram.
Um simples 1 x 0 levaria o time à final, mas o jogo contra o Corinthians acabou empatado sem gols e, pelo critério do gol fora de casa, o time acabou desclassificado. Às doze badaladas a carruagem voltou a ser melancia, os cavalos voltaram a ser ratos e o Vasco voltou à segunda divisão. Sem deixar sapatinho de cristal...
Pior que o a queda, o coice. A torcida que foi ao jogo acabou agredida pela violentíssima torcida do Timão, morrendo um torcedor no confronto, e pegou fogo num dos ônibus que os levaram a São Paulo. E, diferentemente do grito de guerra "O sentimento não pode parar", é o sofrimento que vai continuar. Sentimento, só o de consternação com a segunda divisão.
OEA tira veto a Cuba
A notícia não mostra o esforço feito pela diplomacia brasileira, tendo à frente o chanceler Amorim, que mediou interesses americanos com os da Alba - Alternativa Bolivariana, que reúne, entre outros, Venezuela e Nicarágua. Depois de muito vaivém para a elaboração de um texto de resolução que contemplasse todos os interesses, Celso Amorim conseguiu convencer os nicaraguenses e venezuelanos a aceitarem os termos e permitirem o fim da suspensão de Cuba, aprovada há 47 anos por pressão americana em meio à guerra-fria.
A reabilitação permite que Cuba volte à OEA. A questão é se eles querem voltar, já que Fidel, mesmo afastado do poder, mas muito influente, escreveu o artigo "Cavalo de Tróia" chamando a OEA cúmplice de crimess contra o país. Por outro lado, a comunidade cubana exilada em Miami repudiou a suspensão do veto, pelo regime cubano não respeitar liberdades individuais, direitos humanos, etc.
Como escrevi no "post" anterior, novamente "business is business". Cuba tem as condições que fazem da China uma reserva de caça mundial de mais-valia sem riscos, dado o controle social, formação do povo e baixos salários. O fim do embargo, num próximo passo, nada mudará o seu regime, apenas permitirá que o capitalismo volte a explorar em terras cubanas de forma ordenada.
Isso seria bom para os capitalistas americanos, que não precisariam dar a volta ao mundo para instalar uma fábrica. Cuba facilita a gestão e a logística, fica junto ao maior mercado do mundo e não tem os problemas do México. Obama não vacilará em encerrar embargo, se a burocracia cubana topar, apesar da gritaria da comunidade cubana da Flórida, estado onde os democratas sempre perdem eleições.
A exemplo do fim do veto na OEA, a diplomacia brasileira será fundamental para construir a solução para o fim do embargo. É por essas e por outras que Obama chama Lula de "o cara"! Corre até o rumor de que Obama quereria Lula como presidente do Banco Mundial, a partir de 2011, já que entende de povo, de pobre, e tem boas relações em todo o mundo, coisas que a dinastia de americanos à frente do banco nunca entendeu bem.
China : 20 anos do massacre de Tiananmen
Em 4 de junho de 1989 a praça Tiananmen, ou Paz Celestial, no centro de Pequim, foi palco da repressão à manifestação de mais de 100 mil estudantes, intelectuais e trabalhadores que criticavam a burocracia do Partido Comunista Chinês (PCC), pela sua centralização e corrupção, e os traumas da transição da economia ao capitalismo. A repressão foi violenta, eliminando centenas de opositores ao regime.
A cena mais emblemática foi a do rebelde desconhecido parando sozinho uma fileira de tanques. Significou a fragilidade do indivíduo diante do Estado, ou, numa maior escala, dos cem mil contra um billhão sob controle do PCC. Como "business is business", o mundo dito livre gritou e esperneou, mas continuou investindo por lá e fez da China a fábrica do mundo, crescendo a incríveis taxas anuais, melhorando a renda e o consumo e, paradoxalmente, aumentando a confiança no PCC como "guia genial do povo".
O rígido controle social da mão-de-obra e a inexistência de organizações livres de trabalhadores, obtido pela opressão, desrespeito a direitos humanos e muita propaganda, pode sofrer críticas, mas é a alma do sucesso chinês. Sua força de trabalho é gigantesca, educada, barata e, principalmente, disciplinada pelo controle social. É tudo que o capitalismo quer! Gerar mais-valia infinita, sem contestação, bastando fazer acordos com a burocracia estatal para a partilha dos lucros.
No frigir dos ovos, os mortos de Tiananmen podem ser mártires da luta pela liberdade, mas sua eliminação atendeu tanto a interesses da burocracia dita comunista como ao capitalismo pseudo-libertário.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Soldier Motors : a estatal de Obama
A concordata da GM não apenas detonou um símbolo do capitalismo americano. Fez também com que o mito da "mão invisível" do mercado desse vez a uma pisada integral deste na jaca da estatização. Nunca na história deste país (Brasil), que tem tradição estatizante, nem daquele país (EUA), se estatizou uma empresa automobilística. Aqui a coisa não causaria espanto, já que governos das mais diversas esferas já concederam benefícios fiscais e terras para atrair fábricas, doações que não significaram participações acionárias. Lá na América, os 60% de controle governamental sobre a GM são considerados pela cultura liberal de mercado como quase comunismo. Há quem chame o presidente de "Camarada Obama".
O governo do Canadá ficou com 12% do controle, para sustentar suas fábricas. O fundo de pensão dos funcionários, responsável por meio milhão de benefícios, ficou com 17,5%. O resto ficou com os credores. Por aqui, o presidente da GM Brasil foi à TV afirmar que nada mudará, e que a empresa seria independente nas suas atividades. A coisa não deve ser bem assim, porque há uma clara dependência tecnológica da matriz para as suas inovações, novas linhas de produtos, etc.
O governo americano diz não querer influir na gestão da empresa, que apresentou um programa de recuperaçao. A GM, nos áureos tempos, criou o conceito de "obsolescência descartável", fabricando veículos que se degradariam com o tempo, obrigando à aquisição de um novo. Desprezou as inovações introduzidas nos veículos pela concorrência japonesa e desrespeitou leis ambientais. Essas críticas partem do artigo "Adeus GM", do cineasta americano Michel Moore. Ele propõe que o governo americano, na condição de acionista majoritário, redirecione as atividades da GM, como durante a segunda guerra mundial, onde a empresa mudou grande parte das atividades para fabricar aviões e armas em curto espaço de tempo.
Moore quer que Obama suspenda a fabricação de carros pela empresa, e use seus recursos materiais e humanos para fabricar produtos para a sustentabilidade ambiental, como a produção de energia limpa. Propõe ainda uma sobretaxa na gasolina para forçar a substituição dos veículos gastadores por outros mais econômicos, além de gastar os US$ 30 bi, que iriam para a montadora quebrada, em trens-bala para cruzar o país.
O que era General e dominava o mercado mundial passou a ser um Soldado, mandado pelo governo americano. E, o que é pior, dirigido pela mesma burocracia que levou a empresa ao buraco. Haja impressora de dólares para fazer frente à quebradeira americana...
PS: o "General" do nome da empresa quer dizer "geral" e nada tem a ver com a função militar colocada no trocadilho acima.
Airbus e Air France teriam caixa-preta 2
No primeiro "post"que fiz sobre o desaparecimento do vôo 447 da Air France questionei se não haveria uma forma de transmissão de dados em tempo real entre o avião e algum centro de monitoramento. Hoje O GLOBO traz a entrevista com um profissional da Funenseg, especializado em riscos aéreos, que a Airbus e as empresas aéreas que possuem os aviões de sua fabricação recebem parâmetros dos sistemas em tempo real, mas não os dados de voz, que ficam na caixa-preta (que, na verdade, é de cor laranja).
Esses dados são valiosos, e podem comprometer a imagem seja da Air France ou da Airbus, empresas francesas que enfrentam forte concorrência de mercado. Daí a França ter mandado dois minissubmarinos não-tripulados capazes de atingir grandes profundidades para buscar o artefato.
Estranhamente, o governo brasileiro, que segundo Lula tem condições de fazer tais buscas, abre mão da sua soberania para permitir que estrangeiros façam isso, sob risco de ocultação ou malversação de informações que poderão eximir de culpas as empresas e jogar responsabilidades sobre as autoridades nacionais, já que o acidente se deu dentro da nossa área de domínio territorial.
Cultura racista em jogo no Senado
Recente pesquisa no site do Senado apontou que, entre os que o acessaram e lá votaram, apenas 2,7% são favoráveis às chamadas cotas raciais (termo questionável), que 45% seriam contra e 52% seriam a favor de cotas sociais. O senador Demóstenes Torres, do DEMo, viu nesse resultado de pesquisa uma prova cabal da rejeição da sociedade à proposta de "divisão da sociedade por raças". A senadora Serys Slhessarenko, do PT, que irá votar na Comissão de Justiça do Senado em proposta já aprovada na Câmara, desqualificou a pesquisa pelo baixo rigor científico. Essa proposta prevê a reserva de 50% das vagas nas universidades federais para alunos oriundos de escolas públicas e, entre essas, se subcotas raciais para os que se autodeclararem negros, pardos e indígenas.
Hoje a coluna de Elio Gaspari, publicada na Folha com o título "As cotas desmentiram as urucubacas" traz dados e argumentações que afirmam que o sistema de cotas produziu resultados positivos acima dos esperados, como, por exemplo, que o aproveitamento dos alunos que entraram para as universidades pelo sistema está acima do rendimento dos não-cotistas, assim como há uma menor evasão. Tudo isso a despeito das falácias e pragas rogadas pela cultura racista vigente.
É fértil a criatividade para jogar fumaça e encobrir a cultura de dominação racial branca sobre as demais, num mundo onde todos querem ser vistos como modernos e sem preconceitos. O cerne da questão se resume a "quero essa vaga para o meu filho e não para alguém de outra raça que não merece", isso para não usar as adjetivações usuais dos racistas enrustidos.
A cota social, e não racial, seria um subterfúgio válido por permitir fraudes como as 1.800 havidas no Prouni, de acesso ao programa por comprovação falsa de renda baixa. No sistema de cotas fica mais complicado que filhos de brancos burlem a comprovação. Branco é maneira de dizer, já que séculos de miscigenação colocaram no DNA de quase todos os brasileiros os genes de muitos grupos étnicos. A questão é mais cultural, porque ressalvadas as raríssimas exceções, toda a riqueza e poder no Brasil estão nas mãos de pessoas "brancas".
Não se trata a desigualdade com igualdade. Uma nação socialmente democrática precisa ter igualdade em todos os seus segmentos. Na Constituição temos o princípio da igualdade entre gêneros e raças, e o da gratuidade da educação pública. A promoção da igualdade passa pela consciência da desigualdade. Quando partidos estabelecem cotas de mulheres para suas candidaturas, estão tentando corrigir a distorção que leva uma grande maioria de homens aos cargos eletivos, e que dificilmente será corrigida mantendo-se a regra de igualdade, já que a cultura machista sempre preferirá homens nessas funções. O mesmo se pode dizer da cultura racista dominante, que disputará ideologicamente espaços com base na "igualdade de oportunidades" que historicamente privilegiou os seus.
Nos Estados Unidos, país dito democrático, a segregação tirou por séculos os direitos civis dos negros, que foram sendo conquistados na luta, por ações afirmativas e por cotas. O senado brasileiro, casa do conservadorismo, poderá ter mais uma mácula se optar pela perpetuação da cultura de dominação racial se rejeitar o projeto em tramitação ou dilapidá-lo. Ali estão muitos dos herdeiros dos senhores de engenho e da aristocracia escravagista e de tudo farão para impedir políticas de igualdade de qualquer espécie.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Vôo 447 : tragédias da mídia
Deixei a TV ligada ontem o dia todo para acompanhar o sumiço do vôo 447, alternando Globonews, CNN, TV5Monde, Bandnews e Recordnews. Na falta de novidades, qualquer coisa servia para mostrar atualização. Numa delas, depois de repetir a vinheta por horas, acrescentaram o prefixo da aeronave como relevante. Por volta do meio-dia, ouvi de relance, na tv francesa, falarem em 60 brasileiros. Às 3 da tarde a Globo mostrou o relações públicas da Air France no Brasil falando em percentuais de nacionalidades, cabendo aos canais de mídia fazerem as contas chegando a cerca de 80 brasileiros. Depois, o número passou a oscilar entre 57 e 58 dependendo da fonte (ANAC e Air France).
Ainda falando em cálculo, na CNN leram a nota da Aeronáutica brasileira e os comentaristas aparentavam bater cabeças com fusos horários. Já no Datena a coisa estava risível. Em poucos minutos, vi passarem imagens de um grande aeroporto ao fundo, enquanto o apresentador falava que eram imagens do aeroporto de Fernando de Noronha. Depois, perceberam a mancada e ele retificou. Depois falou que haviam caças na busca aos destroços, e que o tempo que levariam de Natal a Noronha era praticamente nenhum, porque eram supersônicos. Acho que confundiu com a nave de Startrek, que chega à velocidade da luz. Logo em seguida um reporter retificou que, na verdade, não haviam caças na busca. Depois que o Datena disse que o avião da Air France estava voando a 11 mil km de altitude, mudei de canal, porque ele devia estar falando de um vôo espacial, já que a Estação Espacial Internacional orbita a 360km de altitude. Confundiu metros com quilômetros.
A mídia convocou para entrevistas pilotos, peritos e engenheiros, que davam as informações com as devidas ressalvas dada a falta de dados, mas depois, na boca dos repórteres, viravam "verdades" fora de contexto. A idéia do raio ter causado a pane elétrica e a queda, apesar de muito remota pela redundância dos sistemas e pelo efeito de Gaiola de Faraday (que tem campo elétrico nulo no seu interior e cargas uniformemente distribuídas no exterior, blindando a parte interna de choques ao ser energizada), foi colocada pelos especialistas como quase impossível, mas povoou, com ilustrações e filmes, os noticiários quase como uma explicação final.
Estranhamente, uma hipótese de explosão por bomba ou qualquer outra causa, foi rechaçada categoricamente pela mídia brasileira, mas vem sendo levantada na França. Ninguém fala nisso por aqui. Seria uma dessas possibilidades que fazem um sistema automático disparar alertas, mas impedem os pilotos de fazerem procedimentos de emergência ou comunicarem o problema. Essa possibilidade eximiria de responsabilidades dois ícones do capitalismo francês, a Air France e a Airbus, fabricante do avião. Do outro lado do Atlântico, o jornal americano Washington Post tem uma matéria onde se pergunta: "Como pode um jato tão moderno simplesmente desaparecer? " Claro que isso não deve ter muito a ver com o fato das concorrentes da Airbus, Boeing e Douglas, serem americanas.
A imagem da Air France ficou positiva na assistência aos parentes, tirando-os da exposição pública no momento de dor, mas deixou a mídia sem as imagens fortes de choros e revoltas vistas na época do "caos aéreo". E também não permitiu a exploração política, afinal, não havia ninguém esculachando as autoridades brasileiras. Foi aí que vi na Globonews a entrevista de um professor descendo a ripa na ANAC, porque não apareceu no episódio, porque estaria omissa, porque nenhum titular apareceu para dar declarações, que não tinha lista dos passageiros até aquela hora, etc. Segundo a imprensa, as autoridades estavam cumprindo normas brasileiras, que exigem o contato com todas as famílias antes da divulgação. Esse vôo era uma Babel: 31 nacionalidades presentes. Devem estar até agora procurando contatos.
No fim da tarde, a Globonews mostrou Lula em El Salvador. Estranhei a insistência na abordagem. Lula disse o que era cabível: falou com Sarkhozy, que também não sabia o que dizer, que acreditava em Deus e que até o fim esperaria uma boa notícia, que estava solidário com a dor das famílias, etc. Isso em poucos segundos. Aí o assunto acabou, e os repórteres pareciam querer mais. E Lula repetia. E a matéria não acabava. Então alguém pergunt0u se ele decretaria luto. Ele disse que a decretação legalmente competia ao vice, José Alencar, que estava em exercício na presidência no Brasil, e que já estava fazendo de tudo para as buscas, que o representaria junto às famílias, etc. Ficou a sensação que esperavam ouvir dele que abandonaria toda a missão na América Central e voltaria para ver as famílias.
A idéia de mostrar Lula como omisso progrediu nas empresas Globo. O Jornal "O Globo" de hoje mostra a seguinte manchete na sua capa : "Sarkozy vai e Lula manda vice". O texto esclarece o assunto, mas quem lê apenas o titulo fica com a impressão de pouco caso do presidente, porque o da França foi lá consolar as famílias, e o do Brasil ... mandou o vice. No caderno especial, página 9, outra manchete, esta em destaque: "Sarkozy consola parentes; Lula estava longe". Novamente a indução: Lula estava longe, ou seja, não se envolveu, é a idéia subliminar. A "desumanidade" do presidente fica explicitada, na mesma página, ao se destacar uma mensagem da coluna "O leitor opina", que normalmente fica no primeiro caderno do jornal, e que diz: "O presidente Lula deveria ter interrompido sua agenda para dar suporte e acompanhar de perto essa tragédia, mas preferiu seguir com a sua agenda. Enquanto isso, o presidente francês estava no aeroporto Charles de Gaulle o mais rápido que pôde." Xeque-mate!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Rio: a volta do Imperador
R$ 1,3 milhões, números muito altos para um jogo contra um time que está em último na tabela, na quarta rodada do campeonato.
O jogo foi diferente. Finalmente, o Flamengo tinha em campo um artilheiro, um matador, imprevisível, daqueles que fazem coisas que surpreendem o adversário. Ainda está pesado, fora de forma, mas por três oportunidades criou real perigo. Numa delas fez o gol. Os demais jogadores também entraram no clima da festa e buscaram mostrar qualidade, o que fez prevalecerem jogadas individuais que prejudicaram o conjunto, daí o ralo resultado de 2 x 1.
Para mim, o departamento de marketing do Flamengo escalará o time daqui para a frente. Toda a programação financeira do clube tem Adriano como o pilar central. O time terá que mostrar resultados para ganhar dinheiro, ou queimará a imagem de todos. Depois de se livrar de Sousa e Obina, que não vinham rendendo, poderá chegar a vez do técnico Cuca, mediano demais para os interesses comerciais do clube. A fama de Cuca é de retranqueiro, daí ter vencido somente agora o primeiro campeonato de sua carreira, depois de muitos vice-campeonatos. O Flamengo ainda está sem patrocinador, e bons resultados podem valorizar um eventual contrato. Ou muda para tornar o time mais agressivo, ou dança por não interessar aos superiores interesses do "business". O fato é que nunca houve um momento tão bom para isso, já que o Flamengo é o único time carioca que nunca andou pelos tenebrosos caminhos de divisões inferiores.
Isso foi decisivo para a minha felicidade, neste domingo de ver um parente tomar a decisão de parar de sofrer e vestir um manto sagrado. Comemorou muito no estádio, depois de 13 anos sendo tripudiado por gastar sua fé em um time que hoje anda pelos vales sombrios da segundona. Uma evolução dessas não tem preço.
Festa do marketing no Maracanã
O desaparecimento do vôo 447 da Air France
Acordei com a notícia do sumiço do Airbus 330 da Air France, que saiu ontem do Rio às 19:15 rumo a Paris. Além da comoção que normalmente esse tipo de notícia me traz, fico mais impressionado porque ontem, nesse horário, estava no Galeão despachando familiares e ainda entrei amigos que também seguiriam viagem para outros destinos. Perdi meu padrinho aos 3 anos, quando o seu avião se acidentou num subúrbio do Rio vindo de Brasília às vésperas do Natal de 1959, e isso trouxe traumas à família que, por exemplo, impediram o meu pai de entrar um avião por toda a sua vida por receio de acidentes.
A gente nunca pensa que isso vai acontecer conosco ou com conhecidos, porque avião é estatisticamente o meio de transporte mais seguro, as aeronaves têm cada vez mais tecnologias redundantes e seguras, pilotos mais bem treinados, etc. Mas acontece, e aí vem a inevitável reflexão.
Passadas 12 horas do desaparecimento, as informações da TV e internet não são conclusivas. Na CNN um dado chamou a atenção, que foi o informe meteorológio mostrando a zona de convergência tropical, aquele fenômeno que está causando as grandes enchentes do nordeste. Elas estariam mais ou menos onde calculei, com base nos dados da Aeronáutica (decolagem às 19:30h e velocidade de 800km/h antes de sumir do radar de Fernando de Noronha) e da Air France (comunicação automática dos sistemas de manutenção do avião reportando falha elétrica às 23:14h), a cerca de 800 km de Noronha, 1200 de Natal e 1400 de Praia, nas ilhas de Cabo Verde, segundo medições no Google Earth. Algo em torno das coordenadas 3 graus norte e 30 graus oeste.
Se caiu na hora do informe automático, foi mais perto do litoral brasileiro que da África, em águas internacionais, a 3200 km do Rio. Confirmada a queda, será a primeira na história da aviação de um avião comercial nessa rota. Apesar do avião ter um emissor de sinais à prova de destruição, que deve estar junto a possíveis destroços, questiono por que não há programas de rastreamento, a exemplo do Latitude, que forneçam, em tempo real, a posição das aeronaves por sistema de GPS, ficando a informação na dependência de sistemas mais arcaicos, como os radares e rádios.
Até hoje permanecem também os mitos sobre uso da telefonia celular a bordo, e a internet poderia ser facilmente acessível por sistemas de satélite. Meios alternativos de comunicação podem, se não salvar, pelo menos ajudar a elucidar as tragédias, permitindo aprimoramentos. Apesar da improbabilidade, resta-nos torcer que o piloto tenha conseguido pousar o aparelho, e que existam sobreviventes entre os 228 ocupantes.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
A tragédia da barragem do Piauí
Construída há 10 anos no governo do atual senador Mão Santa, a barragem do Algodão vinha preocupando a população e as autoridades desde que as fortes chuvas elevaram o nível à iminência do sangramento. Naquele momento, em 5 de maio, segundo informações da Emgerpi (Empresa Gestora de Recursos do Piauí), começou a preocupação com o surgimento de indícios de problemas que poderiam desestabilizar o maciço próximo ao sangradouro.
Obras emergenciais foram iniciadas pelo governo estadual, com o apoio do Exército, para estabilizar a lateral da barragem. A continuidade da elevação do nível do reservatório levou o engenheiro responsável pela represa a ordenar a evacuação das 2500 famílias da área, o que foi feito por volta do dia 14 de maio. As chuvas continuaram e ontem a ombreira lateral do sangradouro se deslocou no dia 27/5, e a defesa civil e os bombeiros reforçaram a evacuação. A operação de retirada das pessoas durou 15 dias, sendo os assistentes sociais homenageados pelo seu trabalho junto à população na véspera do colapso da barragem, que fez gerou uma onda que se propagou pela calha do rio, destruindo propriedades, matando pessoas e obstruindo a BR-343, isolando o litoral do resto do estado.
Quem não tem estas informações e viu a matéria no Jornal Nacional, ficou revoltado com a informação do repórter baseada em relatos de pessoas que estavam na área de risco dizendo que o engenheiro responsável disse que a barragem não romperia, e que poderiam voltar às suas casas, o que seria paradoxal diante de todo um ambiente de insegurança da estrutura que mereceria a manutenção do estado de alerta até a conclusão dos reforços.
Hoje o William Bonner deve fazer o Jornal Nacional direto do local, ressaltando a gravidade do caso, dadas as 4 mortes até agora, e os 9 desaparecidos. Se a idéia for de angariar solidariedade aos que perderam tudo, será válido o esforço. No entanto, suspeito que tamanho esforço de reportagem tenha sentidos políticos, já que o governo estadual é de Wellington Dias, do PT. Segundo informação de um repórter local, o governador de Minas, Aécio Neves, já teria mandado um helicóptero se deslocar para ajudar. O governador do Ceará, Cid Gomes, também mandou um. Considerando a imundície política do Piauí, isso vai render muita baixaria em cima da manipulação dos infelizes atingidos pelo desastre.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
O que é a crise das Coréias?
É difícil analisar a crise da Coréia do Norte com base nos dados das mídias pró-americanas. Procurando no site de propaganda do regime de Kim Jong Il, a agência oficial de notícias da Coréia do Norte , chegamos aonde dói o calo: a Coréia do Sul aderiu à Proliferation Security Initiative (PSI), uma dessas medidas imperialistas do Governo Bush que, a título de deter a disseminação de armas de destruição em massa, incita ao desrespeito a leis internacionais que regem o transporte, na forma de abordagem, vistoria e apreensão de materiais em barcos suspeitos, por exemplo.
Considerando que qualquer barco que passe pelo litoral oeste da península da Coréia, vindo da Coréia do Norte, forçosamente passará em frente à costa da Coréia do Sul, e que o atual governo deste país vem adotando uma postura mais rígida em relação à Coréia do Norte, uma abordagem hostil será questão de tempo. A ditadura dinástica da Coréia do Norte, que é uma aberração da aberração do estalinismo, resolveu dar uma demonstração de força, fazendo testes com mísseis e bomba nuclear.
A China, que pode fechar a Coréia do Norte bastando cortar os 8o% da energia elétrica que fornece ao vizinho, pediu para Kim Jong Il pegar leve. Até o Irã condenou o teste nuclear, dizendo ser contra o desenvolvimento de armas atômicas. A paranóia chegou ao Japão e principalmente à Coréia do Sul. O fato é que todo mundo sabe que se alguém der um passo além do Paralelo 38N, as consequencias serão inimagináveis, já que dois milhões de soldados, inclusive americanos, estão na área, e a Coréia do Norte tem armamento para fazer um bom estrago até no Japão. A geopolítica indica que tudo deve terminar numa pizza, com um novo "cala-boca" para a Coréia do Norte, mas ninguém pode garantir que alguma insanidade possa ocorrer por parte de qualquer dos lados.