terça-feira, 30 de junho de 2009

Fora Sarney V : até tu, DEM?

Quem pariu Sarney que o crie, era a regra até hoje. Fundador do Partido da Frente Liberal, o PFL ou Pefelê, para participar na chapa de Tancredo Neves na transição do regime militar, a velha raposa da Arena e tradicional aliado de qualquer governo, Sarney não poderia contar com as punhaladas que os seus velhos camaradas do DEM lhe deram hoje, ao pedirem o seu afastamento da presidência do Senado.

Quem o colocou na presidência do senado, disputando com o senador Tião Viana do PT do Acre, foi o DEMo, que compõs a chapa colocando o senador Heráclito Fortes como substituto imediato de Sarney. O PSDB tem outras razões para pedir a sua saída, já que se essa agonia durar mais, não sai CPI para fazer escândalo contra o governo. Acaba o ano, e Sarney fica lá, combalido, mas segurando as pontas.

Por incrível que pareça, Sarney agora vai depender do PT para sobreviver. Não que isso seja conseguido por piedade, mas sob ameaça do PMDB subscrever a CPI do DNIT, que o governo não quer. Chantagem é com eles mesmos. Sarney vai esperar tocar o gongo, já que está perto do recesso, e vai tentar ganhar fôlego nesse período.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Brasil não reconhece golpistas de Honduras

Além de uma dura nota do Itamaraty exigindo a imediata e incondicional reposição do presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, o presidente Lula disse no programa de rádio hoje que o Brasil não reconhecerá o governo dos golpistas. "Não podemos aceitar ou reconhecer qualquer novo governo que não seja o do presidente Zelaya, porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia. E nós não podemos aceitar mais, na América Latina, alguém querer resolver o seu problema de poder pela via do golpe", disse Lula.

A declaração do Brasil, junto com a posição norte-americana, da OEA e da União Européia de isolar o governo golpista é um duro recado às tentativas aventureiras, em especial das direitas, de tentar tomar o poder na marra derrubando governos legalmente eleitos. Hoje Honduras deve estar sob greve geral. Aqui em Brasília, circulam pela internet convocações para uma vigília em frente à Embaixada de Honduras, que fica na SHIS QI 19 Conj. 7, casa 34 - Lago Sul. Há consulados no Rio e em São Paulo (vide link). Todo apoio ao povo hondurenho!

Internet: a mídia da Multidão?

Multidão, no caso, é o conceito usado pelo filósofo italiano Antonio Negri em livro do mesmo nome para caracterizar os que estão à margem do poder do Império. Conceito este que também desenvolveu em livro homônimo. De formação marxista, Negri participou de movimentos libertários na Itália, entre os quais o Poder Operário e o Autonomia Operária, grupos de esquerda que divergiam do Partido Comunista Italiano. Foi preso e exilado por "crimes de pensamento" contra o estado italiano. Nos livros tem a co-autoria do filósofo americano Michael Hardt

Eu estava tentando ordenar os fatos recentes de resistências civis aos resultados das eleições do Irã e agora, ao golpe em Honduras, onde as pessoas comuns enfrentam forças poderosas e emitem pedidos de socorro ao mundo e se organizam por redes baseadas em internet e telefonia celular, mostrando imagens normalmente censuráveis pelos governos, que não conseguem controlar tais meios. Cheguei à obra de Antonio Negri que, se explica algumas coisas, é contestada filosoficamente por outros intelectuais e correntes marxistas.

Encontrei num artigo da Carta Maior o seguinte texto: "Ao colonizar e interligar de maneira cada vez mais profunda um número maior de aspectos da vida, o Império está na realidade criando a possibilidade de um novo tipo de democracia. Convergindo numa comunidade globalmente interligada em redes, diferentes grupos e indivíduos podem associar-se em fluidas matrizes de resistência; deixando de constituir ‘massas’ silenciosas e oprimidas, podem formar uma multidão, com o poder de forjar uma alternativa democrática à atual ordem mundial. "

Em síntese, Negri considera que o mundo está irreversivelmente globalizado e que uma só nação, entidade ou grupo empresarial sozinho não dá as cartas no todo. O Império seria o guarda-chuva do capitalismo sem fronteiras. Do outro lado, os povos nacionais também estariam se globalizando na Multidão, passando por cima do tradicional conceito de luta de classes e englobando os excluídos como os de gênero, raças, os pobres não proletários, etc. Polêmico, dá o que pensar. Tem muito mais coisas interessantes, que ficariam extensas aqui. Vale a viagem pelos links.

Bancos : os verdadeiros ladrões

Na atual crise, a ajuda a bancos em 1 ano superou a ajuda dos últimos 50 anos a países pobres. Essa ajuda pública chegou aos US$ 18 trilhões aos bancos. O Brasil paga juros escorchantes que alimentam a agiotagem nacional, que nada de braçada em meio à crise.

Merece leitura o artigo do jornalista Milton Temer, presidente da Fundação Lauro Campos, ligada ao PSOL, entitulado "O verdadeiro ladrão". O título vem de uma citação de Bertold Brecht, não sabia se o verdadeiro ladrão era o que assaltava ou o que fundava um banco.

domingo, 28 de junho de 2009

Militares de Honduras sequestram e exilam presidente

Poucas horas antes do plebiscito sobre uma reforma constitucional, militares tomaram o Palácio Presidencial de Honduras, prenderam e deportaram o presidente Manuel Zelaya para a Costa Rica. Os movimentos populares convocaram greve geral a partir de amanhã. O golpe teve como motivação a possibilidade da aprovação de reformas sociais que desagradariam à elite conservadora local. O congresso conservador e o judiciário são cúmplices do golpe.

Obama disse que os EUA não têm nada a ver com o golpe e pede respeito às instituições democráticas . O governo brasileiro rechaçou o golpe e pede a imediata reposição do presidente Zelaya. Este, por sua vez, pede que o povo resista pacificamente. A União Européia e a OEA condenaram o golpe. Já o presidente do congresso de Honduras leu uma carta falsa de renúncia de Zelaya, e declarou que não houve golpe, apenas se fez cumprir uma determinação judicial para prender o presidente por julgarem o plebiscito ilegal.

As próximas horas dirão se teremos um revés dessa ação marginal de sequestro e desestabilização democrática de Honduras, um péssimo precedente que remete aos anos de chumbo da América Latina. A ordem institucional tem que ser respeitada e os golpistas punidos. Se a moda pega, aqui no Brasil podemos ver grupelhos de fascistas incitando os militares à aventura de fechar o congresso e destituir o presidente, como se isso fosse resolver a origem da bandalha. Pelo contrário, o que está aí foi gestado em plena ditadura, na falta de liberdade democrática.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fora Sarney IV - Roseana foi fantasma por "ato secreto"

A bandalheira do Senado vem de longe. Quando Sarney ainda era vice de Tancredo, sua filha ganhou um emprego no Senado por um "ato secreto", conforme mostra a Revista Veja de 14/05/1986 . (edição 923). No mesmo trem da alegria entrou um primo do então governador e hoje senador Agripino Maia, mostrando que agora estamos vendo práticas consolidadas há muitas décadas.

O "trem da alegria" aconteceu em 14/01/85, às vésperas do Colégio Eleitoral do congresso que elegeria indiretamente o sucessor do ditador militar João Figueiredo. O presidente do Senado, Moacyr Dalla, do PDS do Espírito Santo, resolveu agradar aos seus colegas para angariar apoios, e criou 60 cargos de "assessor técnico" com salários de R$ 25 mil cruzados (uns US$ 1.800 da época, que valiam muito mais que hoje), cujo preenchimento se deu mais por critérios genealógicos que curriculares, diz a matéria.

O marido de Roseana, que à época da reportagem era secretário particular do já presidente Sarney, disse que "nem Roseana sabia disso". Ou seja, assim como Sarney não sabia do dinheiro que entrava na sua conta, nem da nomeação do neto para um cargo no senado, nem do mordomo de Roseana, Murad não sabia que a sua mulher "trabalhava" no Senado!

O Brasil perdeu uma grande oportunidade de varrer parte da corrupção quando se demoliu ( na ditadura Geisel) no Rio o Palácio Monroe a pretexto da passagem do Metrô. Nesse prédio funcionou o Senado no tempo que a capital era no Rio. Poderiam ter implodido com a instituição Senado junto. Como dizia o ex-senador Darcy Ribeiro, o Senado é o paraíso, com a vantagem de não se precisar morrer para chegar lá. Fora Sarney! Não precisamos de Senado.

Praia de Maragogi (AL)




Maragogi fica no litoral norte de Alagoas, quase na fronteira com Pernambuco. É uma das muitas praias bonitas da região, mas tem uma boa infra-estrutura hoteleira com preços razoáveis. Tem um folclore rico, e sua história é muito interessante. E ainda os corais, que podem ser acessados por barcos em passeios na base de R$ 40 por cabeça. Há passeios mais longos,de dia inteiro, percorrendo diversas praias, um pouco mais caros. Os principais corais estão com visitas restritas pelo Ibama, podendo ser visitados apenas a partir de certas alturas de marés.





Optamos pelo passeio oferecido pelo restaurante Ponto de Embarque, porque tinha uma lancha rápida e o tempo era curto. Levam no barco cervejas, refrigerantes e água, vendidos à parte. Também oferecem máscaras para mergulhos "snorkel"
e equipamentos para mergulho com tanque de oxigênio. E o serviço de fotografia subaquática, que achei muito bem pago pelo resultado obtido. Mais informações turísticas neste link.







quarta-feira, 24 de junho de 2009

MP da Grilagem : Pressão para Lula vetar itens

Lula tem até amanhã (quinta) prazo para assinar a Medida Provisória que irá privatizar 67 milhões de hectares da Amazônia. Originalmente concebida para regularizar as terras de pequenos agricultores, foi manipulada pelos interesses do agronegócio para expandir os benefícios para empresas e pessoas que não moram nas propriedades. A pressão popular terá um papel importante na tomada de decisão do Lula que ainda não decidiu o que vetar, portanto ainda há chances de convencê−lo a vetar as partes mais perigosas.

Diversas manifestações foram feitas pelo país e no exterior pedindo o veto aos itens que os ruralistas colocaram de contrabando no projeto original. Uma delas está no link a seguir, para enviar uma mensagem padronizada à Presidência da República. O teor da mensagem é:

"Prezado Presidente Lula,
Eu estou escrevendo para expressar a minha preocupação com a Medida Provisória 458. A MP 458 deve regularizar as terras de pequenos agricultores e não de empresas privadas ou pessoas que não moram na propriedade. Além do mais, o tempo mínimo para venda das propriedades de todos os tamanhos deve ser 10 anos, para assim se evitar a especulação comercial na região. É sensato beneficiar pequenos agricultores que irão trabalhar com o governo para proteger a floresta, mas certamente não especuladores e empresas que não tem compromisso nenhum com a preservação da Amazônia.
Eu gostaria de pedir portanto que vossa excelência:
1. Vete os incisos II e IV do artigo 2º que permite a “ocupação e exploração indireta”
2. Vete artigo 7º que permite título às empresas privadas
3. Mantenha o prazo para venda de terras regulamentadas em 10 anos para todos os tamanhos de propriedades
Nos próximos dois dias você terá a oportunidade de tomar uma decisão que irá afetar as futuras gerações, não somente do nosso país, como do mundo todo. Esperamos que vossa excelência cumpra as expectativas do povo brasileiro, mostrando o seu compromisso com o bem do qual mais temos orgulho – a floresta Amazônica.
Por favor, faça a escolha certa e vete os pontos acima.
Atenciosamente,"

Clique no link para ver essa mensagem e coloque os dados pedidos. Essa movimentação já conseguiu até agora quase 7 mil assinaturas. Vale a pena.

http://www.avaaz.org/po/lula_prazo_final/98.php/?cl_taf_sign=927d7e75a9f5794be03105919687d03e

terça-feira, 23 de junho de 2009

Lula : melhor dar dinheiro a pobre que desonerar

"O Cara" voltou a ser elogiado por Obama, que o acha um exemplo de pragmatismo e faz um bom governo. Bem, para quem viu agência de risco dizer que, por enquanto, os EUA continuam com classificação AAA+, como quem diz que isso pode ser revisto e a solidez americana ser questionada, olhar para o que parece dar certo parece dar algum alento. Assim como Obama, muitos investidores e aplicadores estão acreditando no que Lula diz lá fora sobre o Brasil, e acham que estamos no caminho certo, até trazendo dinheiro para cá.

O fato é que a desoneração de impostos como a CPMF não trouxe benefício aos preços finais. O volume que deixou de ser pago ficou nos lucros das cadeias produtivas. Não é qualquer desoneração que dá bons resultados, como no caso do IPI dos produtos da construção civil e da linha branca, e mesmo dos automóveis, que merece ser revisto a favor da produção de modelos mais eficientes, que deveriam ter menores impostos. O maior imposto que pagamos é a taxa de juros, que sangra dinheiro que deveria ir para investimento para pagar gordas rendas a especuladores. Nem baixando bastante a SELIC vimos resultados bons para os tomadores de dinheiro. O cartel dos bancos continua praticando altas taxas de juros, altas tarifas, penalizando a economia.

Hoje o noticiário mostrou que a arrecadação da Previdência bateu novo recorde, por causa da geração de novos empregos em meio à crise. E que o rombo da previdência ficará em R$ 40 bi neste ano. Esse é o maior programa de transferência governamental, maior que o bolsa família e todas as desonerações a pequenas e micro empresas. E os programas de renda mínima têm contrapartida, combatendo o argumento preconceituoso da elite exploradora tipo "dar dinheiro a pobre gera preguiça e engorda o dono do boteco".

Não é isso que a economia mostra. Aliás, boa parte desse povo que fala contra os programas de renda mínima ou é mal intencionado ou desconhece macroeconomia. Nunca viram o que os R$ 465 do velhinho do Funrural fazem pela economia de um pequeno município do nordeste, quando se considera o agregado. Há lugares onde o dinheiro de aposentadorias que circula no comércio supera o Fundo de Participação dos Municípios, o ISS e o IPTU somados.

Lula está correto quando diz que cada centavo dado a pobre vira consumo. Está falando de menos de R$ 100 por mês! Dinheiro para comprar praticamente nada, mas que é todo gasto, gerando efeito multiplicador na economia desde os mais longínquos pontos da cadeia do mercado capitalista. Isso é melhor que investimentos concentrados em grandes obras, para a economia e para a difusão da riqueza. Ambos têm que ser feitos. E é essa combinação que não deixou o Brasil ir para o atoleiro na mesma intensidade das grandes economias, que não têm como fazer políticas públicas por terem optado pelo tal "estado mínimo" e entregado à "mão invisível" do capital a tarefa de fazer justiça social.

Infelizmente, muita gente pensa como um empreiteiro que desabafou comigo que o Bolsa Família estava encarecendo a mão-de-obra, porque o peão não queria mais trabalhar pela merreca que ele oferecia. De fato, para quem trabalha explorando a necessidade de famintos, tais programas são uma subversão, porque trazem um mínimo de dignidade. Nossos liberais não têm nada de modernos defendendo a desoneração de impostos. Querem isso para eles, impostos para os outros e benesses governamentais para os seus negócios, e muita mão-de-obra indigente de baixo custo e pouca resistência à exploração. Além do mais, quem paga mesmo imposto é pobre, seja no seu salário, seja na comida ou nas tarifas públicas. Rico cria caixa-2, suborna fiscais e lava dinheiro. Nem todos, mas muitos fazem isso porque acham injusto pagar impostos para não darem dinheiro a pobres.

Gripe suína : na iminência de um morto

O morto, no caso, não é do jogo de buraco. O Brasil ultrapassou os 300 casos de gripe suína sem óbitos. A Argentína já tem 10! E a nossa classe média, aproveitando a miséria que está por lá com a moeda deles valendo a metade da nossa, foi no feriado de Corpus Christi e voltou trazendo muita contaminação. Os casos se multiplicaram.

Até aqui, a doença não causou maior estardalhaço. Ninguém está batendo no governo, por não ter prevenção, etc e tal. Mas, como a estatística é algo que funciona, em algum momento algum contaminado será requisitado pela morte. E tudo mudará: faltam hospitais, faltam políticas de saúde, o governo não faz nada, e por aí vai.

Hoje o Ministério da Saúde recomendou: visitar a Argentina e o Chile pode ser fatal à saúde. Já tem cidade na fronteira do Rio Grande do Sul em estado de emergência, e escolas em São Paulo antecipando férias porque seus alunos importaram o vírus. Um andar inteiro do prédio da Vale foi mandado para casa, porque apareceram casos da gripe. Todo cuidado é pouco, para não se virar estatística nem ficar negativamente famoso.

Paraty (RJ) : Praia de Trindade












A Vila de Trindade fica numa praia na divisa RJ/SP, dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina. É distrito de Paraty, distando uns 40 km de lá. Fica a umas 4h de viagem do Rio, vindo pela Dutra e descendo por Lidice e Angra dos Reis.

Conheci o lugar em 1979, quando a Rio-Santos era muito precária, e o acesso à praia era uma ladeira íngreme e enlameada, mas que não era problema para um Fuscão 72. Salvo se chovesse, o que era iminente. Deixei a barraca e os mantimentos na praia, e deixei o carro no alto da ladeira, pois sabia que não sairíamos de lá se a pista enlameasse, voltando a pé para a praia. Na descida, vimos que haviam pessoas nos acompanhando clandestinamente, pelo meio do mato. Num certo momento, vi sobre a mata o cano de uma espingarda. Continuamos andando, e chegamos à barraca sem abordagens.


O lugar era muito selvagem. Não tinha energia. E parecia fantasma, não se via quase ninguém, apesar de vermos casas dos nativos caiçaras. No único boteco do lugar, que era tipo quiosque rústico, de palha de coco, soubemos que havia uma multinacional reivindicando a posse do lugar, para construir um condomínio de luxo, e que os caiçaras se armaram e patrulhavam a estrada para combater eventuais pistoleiros enviados pelos grileiros. Era sinistro. Quase guerrilha. Considerando que era tempo de ditadura, os caiçaras tiveram muita coragem de encarar uma multinacional da especulação imobiliária.


Conseguimos sair de lá no dia seguinte numa caminhonete que foi comprar peixe, e tivemos que empurrá-la bastante nos atoleiros da ladeira, pois chovera muito à noite. Tirei poucas fotos e mal vi o lugar. Só pensava em sair de lá. Recentemente estive lá 3 vezes, e pude conferir que os caiçaras ganharam a disputa com os grileiros, o local virou uma Área de Preservação Ambiental e hoje tem um punhado de boas pousadas, algumas diretamente na frente do mar. De preferência fora de feriadões e de finais de semana. Come-se boa comida do mar.


Hoje o problema é a superlotação de turistas, que exaurem os recursos do lugar e deixam poluição, alojados em grandes acampamentos O ecossistema é frágil. Os nativos já pediram ao Ibama para tentar controlar a quantidade de pessoas que descem por lá, a exemplo de Fernando de Noronha. As belezas naturais não são narráveis por fotos. A estrada da ladeira está asfaltada, mas não é qualquer carrinho 1.0 que sobe se estiver cheio.



CARAS de pau: Agaciel e seus amigos senadores

Consultório de dentista não deixa muita opção: ou se fica tenso ouvindo o barulho agudo da broca torturando o paciente anterior, ou se lê revista Caras para não ter que ler alguma revista de produtos odontológicos. Hoje fui ao dentista e vi que, na Caras da semana passada, havia uma matéria sobre o casamento da filha do ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, que teve como padrinho o senador José Sarney e contou com a presença de vários senadores, como Renan Calheiros, Garibaldi Alves e Mão Santa.

Todo esse prestígio mostra que, apesar dos dissabores, Agaciel ainda tem sólidas amizades entre os senadores. Passado o casório, alguns daqueles a quem serviu pedem a sua prisão ou o acusam de chantagista. Vide a matéria em http://www.caras.com.br/edicoes/815/textos/filha-de-agaciel-maia-se-casa-na-capital-federal/

Fora Sarney III - funcionário da Fundação Sarney recebe do Senado

Sarney é a bola da vez mesmo. O escândalo do dia foi a descoberta de um funcionário da Fundação Sarney, que trabalha no Maranhão, recebendo do gabinete do senador maranhense Epitácio Cafeteira. Era a ponta do iceberg. Essa Fundação, que abriga o memorial do ex-presidente, foi instalada num prédio público reformado pelo governo estadual, e doado a Sarney por uma lei do então governador Cafeteira. É fácil o compadrio com dinheiro alheio, já que Cafeteira também aparece no rolo do neto de Sarney empregado pelo Senado em "atos secretos".

A maré não está mesmo boa para Sarney: a Justiça Federal, a pedido do Ministério Público, anulou a doação do prédio público à Fundação Sarney por ilegalidade. Hoje o senador Cristóvão Buarque pediu o afastamento de Sarney do cargo por 60 dias, alegando que as investigações estão muito lentas. Hoje diversos senadores cobraram de Sarney agilidade, e alguns se disseram chantageados por Agaciel, o ex-diretor geral. Chegaram a pedir prisão para Agaciel. Tem gente com muito medo, já que pode haver muito mais bandalheira "secreta" envolvendo gente que tenta mostrar seriedade, mas tem o rabo preso.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Brasília : o discurso sem prática da coleta seletiva de lixo

O prédio onde moro tem separação de lixo orgânico e outros materiais, oferecidos à coleta em dois contêineres na rua. Quando o caminhão passa, leva tudo junto. Antes disso, a miserável indústria da catação de lixo carrega o que pode nas suas carroças, muitas vezes com crianças misturadas aos restos do consumo da classe média. O material é levado para áreas públicas ao longo das vias, onde em acampamentos improvisados o lixo é separado para venda aos sucateiros, que pagam ninharias aos catadores.

Isso acontece em Brasília, no Plano Piloto. Lixo residencial. E na máquina pública, responsável por grande parte do PIB do DF? Hoje uma manchete do Correio Brasiliense mostrou mais um escândalo nosso de cada dia: nem o Ministério do Meio-Ambiente dá fim adequado aos seus rejeitos, apesar do discurso da sustentabilidade. Em toda a Esplanada dos Ministérios há o mesmo padrão. E o que dizer do prédio do Centro Cultural Banco do Brasil, que nos últimos tempos serve de substituto ao Palácio do Planalto, que está em obras, onde até documentos institucionais se misturam a outros lixos sem serem fragmentados? Desse edifício saem as políticas de responsabilidade sócio-ambiental do BB, e também não fazem o dever de casa.

Falta a Brasília um programa de coleta seletivo que incentive as pessoas e empresas a disporem seus resíduos de forma que permita o máximo de reciclagem, com agregação de valor, criando emprego, renda e acabando com as condições indignas de trabalho dos catadores e com a sua exploração pelos atravessadores de sucatas. Sem que as pessoas e gestores vejam que o discurso se traduz numa prática "prá valer", vamos ver mais e mais discursos vazios e muito lixo jogado em aterros sanitários ou em lixões "in natura", contribuindo para vários tipos de poluição.

sábado, 20 de junho de 2009

Fora Sarney II : o mordomo de Roseane

Que tal ter um mordomo que ganha R$ 12 mil de dinheiro público para cuidar das suas coisas particulares? Os Sarney têm, na casa da atual governadora do Maranhão em Brasília. Além, claro, dos empregos para cunhados, sobrinhos, etc e tal, sem a obrigação de ir trabalhar.

Não adianta o governo defender Sarney, como nos processos anteriores onde se deixou a corda esticar até o fim, porque desta vez há um interesse maior: a defesa da instituição Senado, cidadela maior do legislativo conservador. É lá que se barram os projetos de interesse popular, e de lá que saem os privilégios da elite. Até a Globo já andou fritando o seu concessionário do Maranhão.

Para não entregarem os dedos, vinte senadores pediram uma comissão externa para apurar os casos que Sarney não queria, envolvendo Ministério Público e TCU. E alguns tentam salvar o barco com uma reforma administrativa que, no frigir dos ovos, trocará seis por meia dúzia. Falta pressão social, nas ruas, e isso é difícil, porque quem tem o controle do movimento social é o PT, e a direita só faz movimento em aeroporto, e todos são cúmplices dessa bandalheira, por ação ou omissão. Fora Sarney, punição para todos os envolvidos e fim do Senado, é o mínimo que se pode propor para botar um perfuminho nessa podridão.

Paraty (RJ) : A cidade histórica


A cidade foi fundada em 1667, e era o principal porto de escoamento das riquezas extraídas de Minas Gerais através da Rota do Ouro. Também tinha importantes engenhos de cana de açúcar e até hoje fabrica excelentes cachaças. Decaiu após a abertura de outra estrada de acesso a Minas a partir do Rio de Janeiro.



O seu centro histórico data do século XIX, com ruas em calçamento tipo "pé-de-moleque" fechadas ao tráfego para melhor preservação. Sucessivas intervenções eliminaram elementos urbanos que descaracterizavam a cidade, no esforço de candidatura ao reconhecimento como Patrimônio Mundial da UNESCO, o que pode acontecer no próximo dia 30 de junho, em Sevilha.






Paraty (RJ) : Feira Literária Internacional















Vai acontecer de 01 a 05 de julho, na cidade histórica de Paraty, litoral sul do Estado do Rio, a FLIP 2009, reunindo autores renomados da literatura brasileira e internacional. Estive lá na versão do ano passado, e considero que a beleza de Paraty junto com a movimentação dos eventos da Feira fica melhor ainda. A cada versão, a feira vem melhorando tanto em público como em debates e atividades culturais paralelas.


No ano passado, o homenageado foi Machado de Assis, mas também teve homenagem aos 50 anos de Bossa Nova. Recomendo reservar hotéis e comprar os ingressos com antecedência, para evitar sufoco na hora. A prefeitura disponibiliza rede de internet sem fio em todo o centro histórico, bastando acessar o site indicado acima e fazer o cadastro. Neste ano uma das atrações será Chico Buarque. No dia 3/7, haverá show com Francis e Olivia Hime. Vide fotos da decoração do centro histórico da cidade, no evento do ano passado.











sexta-feira, 19 de junho de 2009

Esporte: da paixão popular a negócio


Ganhei um ingresso para ver o jogo de vôlei Brasil 3 x 2 Finlândia que foi hoje em Brasília. Eu não ia a um jogo de vôlei desde antes do marketing descobri-lo como filão. Naquele tempo, a coisa era semi-profissional, com muita garra dos atletas, muito suor na camisa e pouca badalação. O jogador tinha uma profissão e tocava o esporte nas horas vagas. Com o vôlei dando ibope como esporte da juventude, tornando-se o segundo esporte nacional, a transmissão de jogos passou a fazer parte de um modelo de negócios milionário.








Hoje a TV marca o horário para o jogo, não importando se as pessoas poderão frequentá-lo. Os melhores jogos só passam nos canais por assinatura, ou seja, para ver se paga. Para um patrocinador a visualização da marca por mais de duas horas por jogo custa pouco, comparada à propaganda comercial em meio à programação das emissoras. E o retorno torna atrativos outros patrocinadores. E faz os jogadores virarem mercadorias, negociados para o exterior por altos valores.




A dificuldade para a torcida começa pela quantidade pequena de ingressos posta à venda. Metade do Ginásio Nilson Nelson foi reservada a convites distribuídos pelos patrocinadores, com direito a ganhar um kit de camisa e dois troços de plástico inflável que serviam para bater um contra o outro para fazer barulho. Uma ampla faixa da arquibancada foi dedicada a alunos da rede pública de ensino. Um setor para o SESI. Devem ter sobrado poucos ingressos para venda, de cadeiras, para deleite dos cambistas que os vendiam abertamente nas entradas do ginásio.

Como o importante era o espetáculo, e não o foco no jogo, não faltaram as brincadeiras de animadores, musiquinhas de academia de ginástica e muita coreografia. Se perguntassem às pessoas por que estavam ali, a grande maioria diria que veio porque ganhou o ingresso, ou porque a escola botou ônibus. Ali não estava jogando o Brasil. Quando terminou o segundo set, houve uma debandada dos alunos de escolas, porque os ônibus deviam ter horários de retorno. Como o jogo se arrastou para o "tie-break", ao meio-dia houve outra debandada das pessoas que tinham algum compromisso. No fim, creio que havia metade do público inicial.



Bastava o jogo parar por tempo pedido por algum técnico que entrava em campo o circo do merchandising, tipo Chacrinha, onde pessoas jogavam de tudo para a platéia, usando estilingues, bazucas de ar comprimido ou simplesmente arremessando com as mãos. Num momento entrou um jacaré, símbolo do time, voando amarrado a uma corda no teto. Um grupo de percussão da Universidade de Goiás teve que se submeter ao ridículo de entrar na quadra e tocar 30 segundos, porque o merchandising ocupou o resto do tempo. Depois entraram num intervalo e tocaram mais uns 2 minutos. Em poucas oportunidades de ouviu o côro "Brasil, Brasil". Era mais festa que jogo. O mais importante, para efeito da transmissão de TV, era mostrar uma platéia de figurantes muito energizada valorizando o espetáculo, e lançaram mão de várias técnicas para manter o povo gritando o tempo todo, por emoções do jogo ou não.

Por fim, o jogo teve poucas emoções e muitos erros do time brasileiro, que poderia ter fechado a partida por 3 x 0 se tivesse focado no objetivo. Foi cansativo. Rolou um pouco de sofrimento. Acho que todo esse circo acaba prejudicando a concentração até dos jogadores. Havia momentos de muita garra e disposição para ganhar um ponto, que no momento seguinte era desperdiçado com um saque na rede ou para fora. Novamente, em suma: vôlei só na televisão ou a gente jogando.








quinta-feira, 18 de junho de 2009

Lula na Playboy com Valesca Popozuda

Agora a oposição enlouquece: a revista Playboy fez um ensaio fotográfico com a cantora de funk Valesca Popozuda, que aparece numa posição sensual beijando uma foto de Lula num quadro. Já tem advogado dizendo que, se quiser, Lula pode até tirar a revista de circulação, por dano à imagem do presidente. Imaginem se "o cara" vai querer tirar de circulação uma das poucas publicações onde aparece sendo desejado por alguém? Já posso ver as vestais do Congresso dizendo que só compraram a revista para ver o Lula ... Para quem quiser conferir se a barba do presidente foi pelo menos retocada com "photoshop", aqui vai o link.

Carne desmata a Amazônia

Ninguém gasta dinheiro para desmatar a Amazônia apenas por vilania. Tudo é para abrir espaços para atividades de exploração econômica, a começar pela venda das madeiras extraídas. E o governo é ineficiente no combate ao desmatamento, pois sequer há um mapeamento de propriedades confiável, muita grilagem, pouca estrutura de fiscalização e muita corrupção.

Essa luta chegou ao Congresso, onde os ruralistas enxertaram numa Medida Provisória que tinha como objetivo regularizar o uso da terra alguns itens que facilitam a entrega de terras públicas à grilagem. Tentaram até derrubar o ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, porque ele também vem combatendo a proposta dos ruralistas de alterar o código florestal para reduzir as áreas de preservação em cada propriedade.

A ONG Green Peace tomou a iniciativa de estudar a cadeia produtiva da carne, gerou o documento "A farra do boi na Amazônia" e repassou ao Ministério Público um relatório que aponta a relação entre o desmatamento irregular e o fornecimento a frigoríficos e destes a supermercados como Wal Mart, Carrefour e Pão de Açúcar, que já se comprometeram a exigir dos fornecedores a certificação de origem dos produtos a partir de fazendas regulares. Simples e eficiente. Poderiam fazer o mesmo com as cadeias produtivas da soja e do etanol.