domingo, 30 de agosto de 2009

Pré-sal : O petróleo é de quem?

No Rio o jornal "O Dia" vem promovendo uma campanha "nacionalista" tipo "O petróleo é nosso", no caso, do Rio de Janeiro, na disputa pelos royalties do petróleo da camada pré-sal. Já "O Globo"entende que o assunto vem tratado de forma ideológica, com o interesse do governo de estatizar tudo. E os governadores dos estados onde há descobertas dessas jazidas falam muito, como se não houvesse o artigo 177 da Constituição Federal de 1988, que diz:

"Art. 177 - Constituem Monopólio da União:
I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;"

Para começar o debate, portanto, é preciso tirar esse clima emocional e agir em cima da lei. O que existe é o monopólio da União, e a ela caberá apresentar a proposta que distribua da melhor maneira possível essa riqueza, a começar pelo modelo de negócio de exploração, garantindo a maior soberania possível e rendimentos para o país na lavra das reservas.

Os estados onde não há jazidas descobertas têm razão em reivindicar, porque o dispêndio para prospecção, pesquisa de novas tecnologias, investimentos via Petrobrás ou outra empresa que venha a ser criada para ser gestora da exploração, infra-estrutura portuária, defesa com novos armamentos (vide os R$ 20 bi em submarinos) e preparo das forças armadas, tudo isso por conta do tesouro nacional, afinal, o erário bota dinheiro em tudo isso, mesmo na parte da União nos investimentos da Petrobrás.

Esse recurso vem de todos os estados, através da captação de impostos federais, e os investimentos com os recursos de todos serão direcionados para os estados que se negam a partilhar as receitas, como se as jazidas lhe pertencessem. Os empregos serão gerados no Rio, SP, Espírito Santo e Santa Catarina, absorvendo investimentos de todos para privilegiar essas unidades federativas.

A União tem duas alternativas: "carimbar" recursos para distribuição entre todos os estados e pagar "royalties" aos estados produtores, ou levar tudo para o Tesouro Nacional e fazer a receita entrar no orçamento normalmente, distribuindo o "plus" através da negociação política, e pagando bônus menores aos estados produtores que os atuais, já que a exploração no pré-sal é extremamente mais cara que o petróleo de águas menos profundas. Lula já disse que é a favor da distribuição dos resultados, inclusive com a criação de um Fundo Social para fins de acabar com os problemas sociais.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, está fazendo todo esse estardalhaço sem muitos fundamentos, e tem lugar na mídia porque sua visão bate de frente com a de Lula, o que interessa aos abutres que querem a divisão da base aliada para enfraquecer o governo e levar a definição do marco regulatório para o próximo governo. O petróleo é do Rio, mas também de todos os estados, porque pertence à União.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Lina ou Francenilda?

Hoje o Supremo Tribunal Federal rejeitou a acusação contra o ex-ministro Palocci de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo, que disse ter testemunhado a presença do político numa casa de "entretenimento masculino" em Brasília, fazendo negócios escusos. O episódio derrubou o ex-presidente da CEF e o próprio ministro. A documentação mostrou depósitos na conta do caseiro em valores relativamente altos, e houve, na época, insinuações que teria recebido da oposição para testemunhar contra o ministro. Moral da estória: o ministro está liberado do processo, com direitos políticos intatos, e o pobre caseiro não consegue emprego pela deduragem.

A ex-secretária da Receita Federal Lina foi lançada aos holofotes e aos leões pela oposição, na tentativa de desmoralizar a pré-candidata oficial de Lula, Dilma Roussef, dizendo que a ministra pediu para acelerar o processo de fiscalização sobre empresas do filho de José Sarney, dando a entender que era para arquivar o caso. O caso esbarrou na negativa da ministra sobre a existência da tal reunião, na ausência de provas em agenda e, por fim, pela negativa do Planalto apresentar fitas e registros de acesso ao palácio, alegando razões burocráticas, privacidade, etc.

Vi anteontem no programa "Entre Aspas" da Globonews uma mesa de debate com três debatedores da área tributária, sendo um deles o ex-secretário Everardo Maciel, uma série de ataques a Lina. O tema do programa era a influência política na Receita. Todos os entrevistados disseram que nunca viram isso por lá. Maciel chegou a dizer que, se Lina teve a tal reunião e se houve a tal ingerência, deveria ter denunciado na época e, por não tê-lo feito, incidiu em prevaricação. Noutro momento a palavra "desastrosa" foi usada para qualificar o trabalho da equipe de Lina, que não teria planejado a fiscalização para 2009, o que teria sido uma das causas da queda de arrecadação. Por fim, os debatedores foram unânimes em dizer que a Petrobrás fez a operação contábil correta, não havendo motivos para a quebra de sigilo que gerou a CPI em andamento no congresso. Alguém chegou a dizer que a equipe não tinha conhecimento técnico para entender a contabilização. Pasmem: isso foi numa empresa da Globo, que vem jogando toda a lenha na fogueira para criminalizar Dilma e o Governo no episódio.

O mais interessante da manipulação neste caso é que eu não vi em em nenhuma entrevista ou depoimento ela afirmar que alguém pediu para encerrar a investigação, apenas para acelerá-la. O governo mostrou hoje que o contrato dos equipamentos de gravação de imagens previam o armazenamento por um mínimo de 30 dias, e não os 6 meses divulgados ontem na mídia. E ainda mostrou um relatório com os registros que seriam das visitas de Lina ao Planalto, nenhum com a data da tal reunião. Daqui a pouco o caso cai em esquecimento, e a ex-secretária Lina, exposta irresponsavelmente à execração pública pelos poderosos, pode ter perdas à sua imagem e reputação e eventuais prejuízos à sua carreira, a exemplo de Francenildo. No fim, fica o dito pelo não dito, e a corda arrebenta do lado do mais fraco.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Suplicy : cartão vermelho para Sarney

Apesar de tudo, ainda existe vida no PT. Anteontem o senador Suplicy interrompeu o discurso onde Sarney queria fazer entender que tudo tinha voltado ao normal no senado para dizer que as coisas não estavam resolvidas depois do vergonhoso episódio da anistia pelo Conselho de Ética. Ontem, nitidamente nervoso por razões de foro íntimo e por pressões palacianas e burocráticas do partido como as que fizeram Mercadante revogar o irrevogável, Suplicy mostrou um cartão vermelho, como se expulsando Sarney da presidência do senado.

Sarney não estava presente, e a ação de Suplicy foi rebatida pelo senador Heráclito Fortes (DEMo), que foi eleito junto com ele para a direção do senado. Disse que Suplicy devia mostrar o cartão vermelho para Lula, que teria sido o mentor da operação que manteve Sarney a ferro e fogo no cargo. O bate-boca acabou com o senador Mão Santa mandando um suco de maracujá para acalmar Suplicy e botando panos quentes em tudo. Sarney, como sempre, deve ignorar a pequena rebelião e Suplicy deve levar uma "chamada" do politburo estalinista do PT.

Rebelião na Receita Federal - corporativismo x aparelhamento

É desejável que a máquina do Estado seja republicana, que não sofra intervenções políticas de governos dos diversos matizes ideológicos. O Estado, a serviço de um grupo político, é uma arma poderosa na perseguição a opositores e privilegiamento aos seguidores. Para garantir a utópica isenção da máquina pública é que existem a estabilidade e o acesso por concursos públicos.

Os neoliberais, no desmonte do Estado, criaram as Agências Reguladoras e os marcos regulatórios para diversos negócios nas áreas mais rentáveis, como energia, telecomunicações e transportes, ao mesmo tempo que desmontaram a participação estatal nessas áreas. Somente a Petrobrás sobreviveu, mesmo com a criacão da ANP. Para essas agências foram criadas regras de nomeação para os cargos de direção que praticamente tiram do governo o poder de gestão. O mesmo queriam para o Banco Central, que o governo Lula vem informalmente aceitando, com os superpoderes do tucano Meireles à frente da instituição, apesar dos clamores por queda na taxa de juros.

No caso da Receita Federal há verdades para todos os gostos. Os demissionários ocupavam cargos de confiança, mutáveis a cada alteração de comando, como ocorreu com a demissão da ex-secretária Lina. Foram escolhidos por ela, e o novo secretário Cartaxo pode mantê-los ou substituí-los dentro das suas alçadas administrativas. Preferiram deixar os cargos e sair municiando a campanha oposicionista, demonstrando que não eram tão "técnicos" e "isentos" assim. Como naquela estória: se alguém vir um jabuti numa árvore será porque alguém o colocou lá, já que jabutis não sobem em árvores. Alguém os nomeou, e esse alguém era indicado por um governo, que é eleito e tem suas visões políticas.

O aparelhamento político do Estado é um vício de todos os governos. A contrapartida é o corporativismo, a criação de "núcleos duros" dentro das instituições, grupelhos de poder que regem, fora do alcance político externo, todas as políticas de promoções, nomeações nas carreiras, criando um poder acima do poder externo baseado no "beija-mão" , tipo "eu te promovo, você me deve fidelidade". É a degeneração dos princípios da autonomia e independência, que valem apenas perante a sociedade que elege os dirigentes que nomeiam legitimamente os gestores maiores, e passam todo o poder a esquemas corporativos.

No governo Lula não foi diferente. Nomeações políticas em escalões normalmente abrangidos por planos de carreira até hoje acontecem, detonando as regras no preenchimento de cargos e funções. Isso cria revoltas nos escalões mais baixos contra a intervenção política, que ajuda o discurso do "hardcore" do poder interno na defesa dos seus interesses. Numa certa empresa de economia mista , o poder interno detonou quase todos os dirigentes nomeados pelo PT, até porque estes não tinham as condições técnicas para os cargos e pisaram na bola. Agiram como anticorpos à gestão governamental. E ganharam o apoio dos escalões inferiores, colocando-se como seus "protetores".

Na defesa dos seus privilégios, o grupo seguia o discurso de "empresa de mercado" para blindar da intervenção política a instituição. Eram politicamente neoliberais, mas em alguns momentos juraram amores ao petismo para sobreviver. Apesar de continuarem ativos e operantes, viram o governo intervir pesadamente para mudar a orientação da empresa e fazê-la servir como instrumento de política pública no combate à crise econômica. Como bons camaleões, adaptaram-se aos novos tempos e aparentam rezar pelo novo catecismo, protegendo-se como grupo, esperando a hora de dar um novo bote. Ninguém entregou seus cargos no episódio da intervenção.

É bastante digno que uma equipe entregue seus cargos logo que o chefe que os nomeou seja exonerado, afinal, no caso de Lina houve ruptura da confiança que a colocou como secretária, e isso se propaga aos demais. É diferente de um licenciamento ou saída a pedido, quando os nomeados devem aguardar o retorno ou a nomeação de um novo dirigente para serem mantidos ou substituídos, sem solução de continuidade na gestão. Deviam ter entregado os cargos logo que ela saiu, e não agora que se criou antipatia interna pelo uso de Lina como arma para destruir a candidatura Dilma. O uso político e demagógico dessas exonerações é uma outra forma de intervenção na Receita Federal, pois fortalece as "patotas" corporativas de altos cargos que resistem a qualquer governo para a manutenção de benesses, em detrimento do interesse público.

Aposentados : acordo para regra de ganho real

Os reajustes para aposentados e pensionistas com ganhos reais têm sido aplicados ao piso do benefício, não se refletindo nos proventos de quem recebe mais. A fórmula acertada ontem entre o governo e as centrais sindicais será o ponto de partida para a recuperação do poder de compra das aposentadorias, dilapidado por décadas pela falta de política de reajustamento.

Em janeiro de 2010, a correção levará em conta a inflação de 2009 mais 50% do crescimento do PIB registrado em 2008. Ou seja, algo entre 6% e 7%. O número não está definido porque os dois indicadores ainda não foram fechados. Em janeiro de 2011, o reajuste usará a inflação de 2010 e a metade da expansão econômica em 2009. A informação é do Correio Braziliense.

O acerto prevê ainda a votação, o mais rápido possível, do projeto que cria uma política de valorização do salário mínimo até 2023. Pelo texto, o valor será corrigido pela inflação mais o PIB cheio de dois anos antes, beneficiando 18 milhões de aposentados, segundo o Correio. Nunca na história deste país ....

Como seria normal, o tablóide oposicionista O Globo botou a matéria na página 10, com pequena chamada na capa, onde privilegiou espaços para manchetes negativas ao governo. Na TV, as matérias mostram mais a preocupação com o gasto público que com o benefício na economia que o aumento da renda pode fazer alavancando o consumo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Desocupação em SP: cadê Serra, cadê Cassab?

As cenas violentas da desocupação de um terreno em São Paulo ontem mostraram gente desesperada por ficar na rua, barracos demolidos, pancadaria, bombas e tudo de desumano que o ato podia fazer. Nenhuma linha foi dita sobre a falta de política habitacional da prefeitura e do governo do estado, onde estão aboletados, respectivamente, Gilberto Cassab (DEM) e José Serra (PSDB), sendo este o responsável pela PM que agiu na violenta reintegração do terreno. Nem que há recursos federais para habitação que estão sendo sub-utilizados por falta de interesse ou de projetos.

E fica por isso mesmo. O que fizeram a Prefeitura e o governo do estado para resolver pacificamente a questão? Absolutamente nada! Essas pessoas ficarão à mercê de novos grileiros, que lhes venderão espaços em outras áreas, repetindo o probema. Se a desocupação fosse no Pará ou na Bahia, estados governados pelo PT, a matéria sobre o assunto seria destaque nacional responsabilizando as autoridades por tudo, com direito a iradas entrevistas esculachando os governantes. Assim é a nossa mídia direitista: mostra o que é bom para ela, e oculta o que é ruim. Podem procurar em todas as notícias por providências dos governos que nada será encontrado.

Cadê Sarney? Cadê Virgílio?

Passada uma semana do vergonhoso arquivamento dos processos contra Sarney (PMDB) e Artur Virgílio (PSDB), flagrados em ilegalidades e imoralidades que deveriam cassar seus mandatos, o que se vê hoje na imprensa, em especial O GLOBO, é a contínua e maçante fritura do senador Aloísio Mercadante (PT), que revogou o irrevogável ao voltar atrás na sua renúncia à liderança da bancada por ordem de Lula.

Pouco se falou das manifestaçõs Fora Sarney que aconteceram no sábado em diversas cidades ( no Rio, na porta do senador Paulo Duque, o arquivador geral do senado) e não se deu destaque à cobrança feita pelo senador Suplicy (PT) a Sarney por providências saneadoras, em meio a um longo e chato discurso onde Sarney tecia considerações sobre os 55 anos da morte de Vargas e aos 100 anos de morte de Euclides da Cunha. De Virgílio, aí é que o abafamento é total, já que é "da casa" da mídia. Sarney ganhou mais essa.

Febeapá : CPI para gravações do acesso ao Planalto

Tendo perdido a batalha Lina x Dilma, já que a ex-secretária não conseguiu provar sequer se esteve com a ministra, a direita correu atrás de motorista que não quer se identificar para dizer que a levou ao Planalto (qualquer turista vai lá) e das gravações das câmeras de segurança. Perdendo de novo, já que o Planalto não as retém pelo prazo de quase um ano, que seria o necessário para ver as imagens de novembro passado requisitadas, agora já pensam em chamar o responsável pela segurança institucional para depor no Senado, "preocupados com a segurança do presidente", segundo o senador Demóstenes Torrres (tinha que ser do DEM).

Por que ele não pede o plano de segurança do palácio, que deve ter as rotinas de arquivamento de documentos de registros de acesso, como prazo para guardar gravações, etc? Todo mundo ali segue rotinas escritas, que mandam passar em detetores de metais, raios-x e toda aquela parafernália que fica na portaria do prédio, no térreo. Na garagem seria diferente? Claro que isso não interessa, porque o importante é manter o fogo contra o governo e gerar notícias na imprensa golpista.

A gravação de imagens de câmeras recentemente é feita em discos rígidos de computadores (HDs). Realmente se pode guardar anos de registros a partir da criação de cópias de seguranças em DVDs convencionais ou blu-ray, de maior capacidade, já que nos sistemas de gravação em fita, por economia, guardam-se as imagens por um período máximo de 6 meses para reaproveitar as fitas. Esse sistema mais antigo ainda é o predominante nos órgãos públicos, não sei se é o caso do Planalto, que agora está em reformas e, se for o caso, deve atualizar tudo. Armazenar dados custa dinheiro, espaço e deve ter uma finalidade. No caso do Planalto, a não ser para fins de picuinhas políticas, mostrando quem anda por lá, não há interesse de segurança no arquivamento de longo prazo. Nem tesouraria de banco faz isso.

Nesse momento de geléia moral geral da política, besteirol como esse só ganha holofotes graças ao PRG - Partido da Rede Globo - que destila ódio diário contra tudo e todos os que se oponham aos seus interesses. Hora de relembrar o escritor brasileiro Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que no seu livro Febeapá - Festival de besteiras que assola o país - ironizava a ditadura militar ao potencializar o absurdo dos valores da direita da época, e propor a CPI das gravações de acesso ao Palácio do Planalto, tendo como justificativa o risco que a Presidência da República corre por não gravar infinitamente o tráfego de pessoas nos seus corredores.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Rio : pequenos sucessos no combate ao crime

Os tablóides do Rio , todos os dias mostram a queda de algum bandido de primeiro escalão, seja do segmento das drogas, seja da milícia ou da área de roubos e furtos. Isso mostra avanços que estão sendo conseguidos pelo melhor planejamento das ações policiais, com mais uso de inteligência e tecnologias. Tais notícias, quando considerada a existência de mais de 600 comunidades dominadas pelo crime, indicam que seriam necessários quase dois anos, à base do desmanche de uma quadrilha por dia, para cobrir toda a jurisdição.

O governo do Rio tem experimentado a política de ocupação cidadã de comunidades, através das Unidades Policiais de Pacificação (UPP), já implantadas na Cidade de Deus, Santa Marta, Batam e Chapéu Mangueira, envolvendo um contingente de 500 policiais. O secretário de Segurança José Beltrame diz já ter planejado a ocupação de mais 40 comunidades, e que o seu limite é o contingente policial disponível. A técnica é abafar o crime organizado nos locais, e reimplantar a presença do Estado no local, trazendo direitos de cidadania em todas as áreas, e organizando a população para criar "anticorpos" ao domínio do crime.

O morro Dona Marta virou vitrine do projeto. Com a supressão das redes criminosas, os serviços públicos voltaram a ser direito de todos, e a ação social tenta mudar a cultura dos mais de 50 anos de domínio pela lei do crime. Políticas de inclusão social, de criação de emprego e renda, mutirões e obras públicas fazem parte do pacote. Na Cidade de Deus, o BOPE ainda ocupa locais onde remanescem atividades do tráfico. Ontem houve até concerto de música na CDD, com a presença da Orquestra do Theatro Municipal.

Apesar do sucesso restrito às comunidades, a quebra do poder paralelo do crime no Rio não parece uma tarefa viável. Quando se tira uma quadrilha de um território, ela migra para outro, e começam os choques pelos mercados mais rentáveis. Essa exportação do crime pode se destinar a outros municipios e estados. Além disso, qual seria o contingente policial necessário para cobrir toda a cidade, já que a média até aqui é de 50 policiais por comunidade? Será que esses contingentes policiais não criarão novas milícias, que são quadrilhas de policiais que tomaram o poder e extorquem os moradores comunidades? O desenho das ocupações atenderá a uma estratégia permanente ou se limitará a pressões políticas para valorização das áreas mais ricas da cidade?

Flamengo : adeus, Andrade.

O pouco que o Flamengo fez desde que Andrade assumiu como técnico pode ser atribuído mais à garra que às estratégias. Os fracassos sucessivos estão sendo atribuídos aos desfalques e à venda de jogadores, mas o que se vê é a desmotivação, a falta de futebol individual. Em suma: a falta de liderança, que faz o time parecer mais um bando apático que uma equipe focada em objetivos. Hora de buscar um técnico de mais carisma, que consiga organizar o time e superar a desídia. Ontem perdeu de 3 x 0, um verdadeiro baile do Avaí.

Já o Fluminense, coitado, parece ter empacado na lanterna e vai perdendo os pontos mais fáceis, como ontem contra o Barueri no Maracanã. Depois do jogo, encontrei um dos poucos tricolores uniformizados que foi ao estádio e ouvi um mar de lamúrias, já antecipando a tragédia da segundona. Para animá-lo, lembrei que mais vale estar em último na primeira divisão que em primeiro na segundona, como é o caso do orgulhoso Vasco, que parece ter encontrado sua verdadeira vocação: ser o primeiro entre os segundos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Neveslandia : as pirâmides do faraó Aécio

Nunca tinha ouvido falar ou lido sobre a obra do novo centro administrativo do governo mineiro, em construção a todo vapor na área do antigo Jockey Clube em Belo Horizonte, pela bagatela de R$ 1,2 bilhões, 26% a mais que o licitado, apenas em obras civis, fora mobiliário, instalações de informática, etc. Essa quantia distoa do discurso do governo Aécio Neves, do PSDB e candidato a candidato à presidência em 2010, que pregava a austeridade, negou reajustes a servidores e praticamente não realizou investimentos no seu governo.

O projeto é de Niemeyer, talvez o seu mais ousado, com o prédio do governo suspenso por cabos em uma laje apoiada em 4 grandes pilares, com 150 metros de vão livre, um recorde mundial. Tirando-se as considerações ao espetacular projeto, o que temos é uma obra faraônica, que Aécio quer inaugurar a toque de caixa para associar a sua modernidade à sua imagem. Algo que o também mineiro JK fez com Brasília, e deu certo.

"Neveslândia", como o projeto faraônico tem sido chamado por alguns dos seus críticos, é tocada por diversos empreiteiros contribuintes de campanhas do PSDB. Não aparece na mídia nacional porque não interessa à direita abrir flancos para ataques a Aécio. Como a imprensa de Minas é toda controlada pelos mesmos grupos, praticamente não há vozes distoantes. Se fosse coisa de Lula, o pau cairia sobre a obra faraônica implacavelmente. Coisas da política. Se for presidente do Brasil, Aécio poderá, a partir das suas pirâmides, prometer levar o mar até Minas.

Lula: O Planalto não é dono do PT !

A degeneração do PT começou quando seus membros eleitos passaram a ter mais poder sobre as decisões partidárias que as instâncias, montando feudos em torno dos seus mandatos. Isso vem de muito longe. E chegou ao ápice com o governo Lula, onde aconteceu a mais devastadora inversão: o partido passou a se submeter sistematicamente aos desejos do Palácio do Planalto, em nome da disputa de poder, como se suas instâncias e decisões democráticas fossem um obstáculo à agilidade necessária à gestão. E assim foi se amoldando aos valores vigentes na política de varejo, esses que estão expostos na crise do senado.

Hoje Lula é o PT, e José Dirceu continua mandando muito nessa relação, mesmo sem os direitos políticos. Lula reclama que a senadora Marina não o procurou para dizer que sairia do partido, assim como não o consultou para deixar o Ministério do Meio Ambiente, pressionada pelos licenciamentos ambientais de projetos como estradas e hidrelétrica, para os quais o Planalto queria soluções políticas e não técnicas. Marina, enquanto senadora, deve satisfações ao PT, e não ao chefe do executivo. Já com o senador Flávio Arns, que disse repudiar a atitude anti-ética do PT ao anistiar Sarney no Conselho de Etica por ordem do Planalto, foi tratado por Lula com desprezo, com se estar no primeiro mandato fosse demérito e ainda como se divergir das ordens dos chefes fosse "criar encrenca" com o partido.

Lula deveria ter mais humildade e respeitar os responsáveis por hoje estar fazendo um dos melhores governos da história: os milhares de petistas que estão nos movimentos e nos cargos públicos trabalhando em meio a imensas dificuldades para mudar a cultura direitista de mais de 500 anos no poder. E ouvir as críticas dos que estão nessa tarefa, e dos "encrenqueiros" que estão no partido mesmo com os erros cometidos porque são os testemunhos do PT original, e querem incomodar ao mostrar as incoerências. Ao se aliar cada vez mais ao PMDB, Lula vai incorporando os valores do fisiologismo e ficando restrito ao toma lá, dá cá do mercado da política de varejo, abandonando a estratégia de mudar radicalmente e de forma irreversível a realidade a favor dos oprimidos. Está deixando de ser uma oportunidade mal aproveitada de fazer o novo para se diluir no atraso histórico.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Arraial do Cabo (RJ) - Museu Oceanográfico da Marinha







Em Arraial do Cabo tem muitas praias e paisagens fantásticas, mas na praça próxima à Praia dos Anjos fica o Museu Oceanográfico da Marinha, com ingressos a R$ 3, que tem desde documentos náuticos a equpamentos de exploração submarina, aquários com espécies da região e informações sobre a vida marinha. Recomendado para todas as idades, com muita coisa interessante.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

PT : autoritarismo destroi o partido

Dois fatos importantes hoje: os três senadores petistas livraram a cara de Sarney e Artur Virgílio na Comissão de Ética do senado por ordem do centralismo burocrático da direção do partido, e a saída de Marina Silva, depois de 30 anos de militância fiel, corajosa e honesta.

Mercadante tentou justificar a votação que livrou os picaretas da condenação por decoro por ser fiel à defesa do governo e por atender a resolução da direção do partido. Colocou a liderança do partido no senado à disposição, depois do vergonhoso episódio. Berzoini, presidente do PT, declarou que, apesar de entender que o mandato pertence ao partido, que não lutariam para tomar a vaga de Marina. O senador Arns se declarou envergonhado com o rompimento do PT com a ética do seu programa, e também deve sair.

As empresas Globo preferem associar a saída de Marina às disputas com Dilma Roussef por causa de licenciamentos ambientais para obras do PAC. Essa é a versão que entendem dar mais prejuízos a Lula, mesmo que não seja o todo da verdade.

Marina soltou nota justificando sua saída a partir da falta de espaço no PT para a defesa de políticas ambientais sustentáveis. Por outro lado, Marina elogiou o empenho do deputado Sarney Filho, do PV maranhense, pelo seu compromisso com as politicas ambientais desde que era ministro do meio-ambiente. Pode estar saindo da frigideira para cair no fogo, caso o PV continue alinhado com o PSDB e o DEM, partidos que representam interesses de latifundiários e do agronegócio em expansão em áreas de proteção ambiental, como a Amazônia e o Cerrado.

De cisão em cisão, o PT se empobrece e fica cada vez mais parecido com o PMDB. Os fins, cada vez mais, justificam os meios, na manutenção do poder. O trator de Lula fez do PT um saco de pancadas, com a imposição da candidatura Dilma e um discurso à direita. Marina não buscou o PSOL como os seguidores de Heloisa Helena, expulsos do partido por se negarem a votar na reforma da previdência que prejudicou os trabalhadores. Ela deve ir para o PV que, por sua vez, é em vários estados legenda de aluguel do PSDB e noutros é aliado explícito da oposição de direita. Se Marina fosse para o PSOL, o estrago seria bem maior, já que os dissidentes internos do PT tenderiam a ir para essa legenda mais que para o PV.

No fundo de tudo isso, está a degeneração da democracia interna, desde que se contemporizou na manutenção da bandidagem do mensalão ao mesmo tempo que se expulsava gente sinceramente comprometida com os trabalhadores. A crise não pára por aí, mas o estalinismo de José Dirceu e seus seguidores não se preocupa com o pensamento das bases, já que substituiram a militância ideológica pelos cabos eleitorais da política tradicional. Pela porta aberta por Marina pode sair o que restou de essência ao PT.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Arraial do Cabo (RJ) - Prainhas do Atalaia

As prainhas do Pontal do Atalaia podem ser acessadas por estrada de terra ou por passeio de barco, que pode ser contratado na Praia dos Anjos com preços entre R$ 25 e R$ 40 por pessoa. Em frente às prainhas o mar é da cor de esmeralda, e do outro lado da baía encontra-se a ilha do Farol ou ilha de Cabo Frio, com praia de areias também muito brancas.

Na prainha aluga-se pranchas de sandboard por R$ 5 e, com alguma persistência é possível descer a pequena duna sem passar vergonha. Do outro lado do Pontal estão as paisagens belíssimas da Praia Brava e da Praia Grande.






Congresso : de pizzas a abobrinhas

Enquanto as vergonhosas maracutaias de Sarney e Artur Virgilio são arquivadas numa grande pizza, a oposição, inflada pela Rede Globo, investe tudo na grande questão nacional do momento: Dilma falou ou não com Lina? Tenham dó! Mesmo que a ex-secretária de fazenda conseguisse provar (o que não fez no depoimento de hoje no Congresso) que conversou naquele dia com a Ministra Dilma, como iria provar se houve pressão para abafar as investigações sobre as empresas do filho de Sarney, Fernando Sarney, como a imprensa afirma?

A própria Lina disse que teria sido pedido para acelerar a investigação, e que ela não entendeu como pressão. A falta de agenda, de projetos e de propostas para o Brasil pelo DEMO e tucanos levam a isso. Vão arranjar o que fazer para justificar todo esse gasto com essa vadiagem de picuinhas, mediocridade e abobrinhas! Até oposição o PT fazia melhor que eles.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

TomiFlu : efeitos secundários

Aqui no Rio um remédio amargo tem sido aplicado para o mau futebol: o TomiFlu. O campeonato brasileiro chegou ontem à sua metade, e o Fluminense marcou até agora 15 pontos. Se repetir a campanha, chegará aos 30, muito abaixo dos cerca de 45 pontos necessários para se manter na primeira divisão. O histórico não leva à crença na cura da doença, que causa náuseas, crises de choro e convulsões na torcida pó-de-arroz.

Para piorar a situação, o time das Laranjeiras contratou o técnico Renato Gaúcho, que tem no seu currículo a experiência de ter levado o Vasco à segundona no ano passado, depois de ter deixado o mesmo Fluminense em péssima situação no campeonato brasileiro após o fracasso na Libertadores da América. Continuando a overdose de TomiFlu, o péssimo futebol poderá criar resistência e levar o clube a efeitos de segundona.

domingo, 16 de agosto de 2009

Cabo Frio (RJ) - Praia da Concha


Essa praia fica no litoral norte de Cabo Frio, no rumo de quem vai para Búzios, e fica a 2 km por estrada de terra a partir da estrada de Peró. A enseada tem sua entrada estreita, dando à praia o formato de concha.
Ao chegar, você verá uma barraquinha onde há o cartaz "recepção", que na verdade é uma parada forçada pelos donos de quiosques para angariarem turistas para seus restaurantes. Acredito que na alta estação a praia fique lotada e os preços disparem, a começar pelo de estacionamento ilegalmente cobrado pelos flanelinhas. Em Cabo Frio, ao pagar um estacionamento legalizado de R$ 3,00, você pode usar a mesma tarjeta por até 6 horas para parar em qualquer outro lugar permitido.

sábado, 15 de agosto de 2009

Cabo Frio (RJ) - Praia do Foguete


O formato da caixa d`'agua que existe no Clube Militar parece ter sido a origam do nome da Praia do Foguete, que fica na fronteira de Cabo Frio com Arraial do Cabo, no litoral norte do estado do Rio.
Com grandes espaços vazios, a área ainda não foi destruida pela especulação imobiliária. Pelo contrário, ainda há lagoas bem preservadas, em trechos junto ao mar. Com boas pousadas, a preços abaixo dos praticados na Praia do Forte, e sem a muvuca de tráfego do centro de Cabo Frio, a Praia do Foguete é uma boa opção para quem quer ficar bem de frente para a praia, em tranqulidade, ouvindo o barulho das ondas com vento constante à noite. E é um bom ponto de apoio para conhecer Arraial (6 km), Cabo Frio (4 km), Búzios (24 km) e S. Pedro da Aldeia (18 km).

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Os dois palanques de Gabeira

Enquanto a midia faz a festa das especulações envolvendo eventual candidatura da senadora petista Marina Silva à presidencia pelo PV em 2010, a armadilha para a ilibada petista vai se tornando mais clara. O candidato à prefeitura pelo PV do Rio, no ano passado, o deputado Fernando Gabeira, deverá ser candidato ao governo estadual em 2010, e, não fosse o fator Marina, já ensaiava o mesmo arco de alianças preferenciais com os tucanos e os demos, através do apoio recíproco ao candidato do PSDB, José Serra.

Mesmo com a eventual candidatura de Marina pelo seu partido, Gabeira não abriria mão de apoiar o candidato Serra, o que mostra que toda a manobra envolvendo a acreana não teria consistência, seria apenas uma armadilha para dividir os votos da candidatura governamental e jogar o tucano no segundo turno, descartando Marina. No ano passado estranhei muito que amigos referenciados no PT tivessem votado em Gabeira para a prefeitura, mesmo apoiado pelo ex-prefeito Cesar Maia, do DEMO, e com vice do PSDB. Gabeira, que tem uma biografia de luta, ainda não foi suficientemente desmascarado como adesista da direita. Ainda acreditam no seu passado, e não enxergam seu compromisso atual com a nefasta elite que combateu nos anos 70.