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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Rio : A nova fronteira do crime

O processo de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de Janeiro seguiu a lógica de livrar do domínio do tráfico primeiro as localidades de maior potencial econômico (Zona Sul, Centro, Tijuca), para golpear o caixa dos traficantes, e depois liberar as áreas sujeitas a movimentações da Copa de 2014 e Olímpíada de 2016. O desenho da zona livre de domínio armado é um arco que passa pela Rocinha, Gávea, Tijuca, Grajaú, Rocha, Vila Isabel, Mangueira, Providência e Centro.

Daí para fora, há a Cidade de Deus e o BATAN, na região de Jacarepaguá, e o complexo Alemão / Cruzeiro, tomado em represália a ações de vandalismo na cidade. Fora dessa "zona de exclusão do tráfico armado", continua o vale-tudo, com os criminosos mais discretos nos massacres, para não despertar a antecipação da implantação de uma UPP, como foi no Alemão, ou dos milicianos, policiais-bandidos que disputam áreas da cidade para impor esquemas mafiosos de proteção.


Hoje o principal foco do crime, e provavelmente deverá ser o próximo alvo das UPPs, é o complexo do Jacarezinho. Vários enfrentamentos têm acontecido por lá nos últimos meses, com incursões do Bope, mas o domínio é do tráfico e se estende por áreas adjacentes, praticamente se juntando ao poderoso "bunker" da Favela da Maré e outras que se espraiam pela linha 2 do Metrô e Av. Brasil. Creio que o provável redesenho deverá ampliar o arco de segurança até Madureira, onde grandes investimentos de urbanização foram feitos, e até os limites dos municípios da Baixada Fluminense. Nessas áreas estão hoje grandes casas de abelhas da criminalidade, com muitos fugitivos das regiões liberadas.

As fotos que ilustram este post foram tiradas hoje. Uma delas é na avenida Leopoldo Bulhões, em Manguinhos, também conhecida como Faixa de Gaza, que fica entre a linha do metrô e as favelas adjacentes à  FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz). O apelido não é à toa: nos últimos anos verdadeiras batalhas campais aconteceram ali, a ponto de ninguém de bom senso andar por lá, preferindo os engarrafamentos da Av. Brasil e da Linha Vermelha. A outra foto é de uma das muitas cracolândias da região. Essa fica na Av. Dom Helder Câmara.

Uma UPP nessa região, envolvendo Benfica, Barreira do Vasco e Maré, integraria da Mangueira e Morro dos Macacos ao Complexo do Alemão, dando um duro golpe no crime reorganizado nessa região, libertando mais alguns milhares de pessoas do domínio do crime e permitindo a presença do estado na área, como foi em outras, melhorando a qualidade de vida da população. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Cracolândia : A derrota de Alckmin e Kassab

Depois de fazer grande alarde com a operação policial que desalojou uma multidão de viciados da região conhecida como Cracolândia e mostrar a mídia cenas de limpeza do local, agora as autoridades não sabem o que fazer com a volta dos mortos-vivos da droga ao local, com o apoio de entidades de defesa dos direitos humanos e críticas do Ministério Público e de profissionais de saúde.

Pior: a "higienização" da Luz seria uma ação pedida pelos especuladores imobiliários para a "requalificação" da área e implantação do projeto "Nova Luz". Na prática, uma ação similar à de retirada forçada de favelas, da implosão (fracassada) do Moinho e outras que os governos demo-tucanos praticam quando pesssoas (ou "não pessoas", como diria Noam Chomsky) se colocam entre os empreendedores e seus lucros em meio ao ambiente público.

São Paulo, estado e capital, parte da premissa que polícia é instrumento de ação social. Estudantes rebeldes? Polícia neles! Professores em greve? Porrada neles! Cracudos na rua? Enxota eles! Alckmin e Kassab estão conseguindo algo inédito: quebrar a blindagem midiática que reserva São Paulo da exposição dos erros dos seus governantes. O pior é que o fascismo demo-tucano está virando exemplo para outros governos de mesmo perfil. Nada a ver com as UPPs do Rio, nem com o programa federal de combate ao crack. Simplesmente, empurrar um problema de um lugar interessante à especulação (e, quiçá, financiamento de campanhas pelas empreiteiras) para outras áreas da cidade. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

SP : Duas implosões desastrosas

No domingo passado a prefeitura de Kassab não perdeu tempo: tentou implodir o prédio do Moinho, que fica ao lado de uma favela incendiada, alegando risco de queda. Só a parte do incêndio deu certo no processo de desalojar a favela do Moinho para favorecer a especulação: o prédio do moinho ficou com boa parte em pé, após as explosões. A "faxina social" de Kassab bateu nesse obstáculo.

Seguindo a mesma lógica, a prefeitura e a polícia implodiram a cracolândia do centro da cidade. A TV agora mostra que foi feita limpeza de lixo, lavadas as ruas, os moradores estão satisfeitos com a polícia o tempo todo no local, etc. Aí vem a pergunta incômoda: onde foram parar os zumbis que ali estavam largados pelo poder público para morrer? Espalharam-se pelo centro da cidade, criando várias mini-cracolândias. Longe da visão da mídia, que tinha na cracolândia uma das poucas coisas criticáveis em Sampa.

A elite demo-tucana e Kassab têm vontade de acabar com a pobreza, ao estilo deles. Ou melhor, do Justo Veríssimo, personagem de Chico Anísio que tinha como bordões "eu tenho horror a pobre" e "eu quero que pobre se exploda". Esbarram na teimosia humana de resistir a planos tão "magnânimos" como os de tirarem a miséria da vista das pessoas "de bens". Dilma tem outras maneiras de buscar acabar com a miséria absoluta, assistindo ás pessoas necessitadas, como no programa Brasil sem Miséria, que não tem  fogo, dinamite nem polícia para sumir com a pobreza.