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sábado, 18 de janeiro de 2014

Rolezinhos : A tragédia da intolerância pode ser pior

Do Facebook
 O que era para ser zoação, brincadeira e ocupação pacífica e democrática de espaços urbanos já trouxe consequências trágicas ao nosso conceito de sociedade como "civilizada" e "moderna". A intolerância invisível saiu do armário de forma surpreendente, o que é positivo, porque se está demonstrando que há muito o que fazer para combater o fascismo arraigado na nossa elite e em parte do povo em geral.

Casos escabrosos de intolerância acontecem todos os dias mas não ganham as manchetes. Bastou os meninos se mexerem que tivemos ciência de coisas repugnantes como:

- adolescente coloca em site de venda de mercadorias "negro africano em bom estado de saúde" como objeto; http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/03/20/anuncio-vende-negro-africano-em-bom-estado-de-saude-policia-apura.htm

 - condomínio de luxo na Barra da Tijuca (Rio) barra trabalhadores que iam fazer exame admissional numa clínica por "poluição visual e mau cheiro".
http://extra.globo.com/casos-de-policia/condominio-de-luxo-na-barra-acusado-de-discriminar-trabalhadores-poluicao-visual-mau-cheiro-disse-administrador-11313131.html

- explosão de comentários racistas nas redes sociais
 http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/127189/Criminaliza%C3%A7%C3%A3o-de-%E2%80%9Crolezinhos%E2%80%9D-gera-explos%C3%A3o-de-racismo-na-internet.htm

Do Facebook
Se a tragédia da revelação de tamanha intolerância já choca, poderíamos ter visto episódios similares ao da Boate Kiss em shoppings lotados. A imagem ao lado mostra o potencial risco de queda das grades nas escadas e andares diante da pressão exercida por uma grande massa de pessoas se espremendo contra elas, em alturas capazes de provocar letalidades em caso de queda. Graças à boa qualidade da construção as contenções se mostraram resistentes, mas bastaria um tiro ou corre-corre por outra razão para levar tudo abaixo.

Uma perigosa mistura de gestores despreparados com fascistas sem noção e polícia truculenta  poderia ter levado centenas de jovens à morte numa tragédia que escancararia ao mundo como nossa sociedade é mesquinha, cruel e atrasada. O pior é que tudo que os jovens querem é lugar ao sol, andar de cabeça erguida em qualquer lugar e ter o mesmo padrão de vida da elite que os discrimina. Imaginem a violência física e moral se fosse um movimento politizado contra essa minoria nos moldes da luta de classes? O Brasil é o único lugar no mundo onde a ínfima elite chama a imensa massa para a briga.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

YOUTROUXA 0011 - "Vamos publicar fotos de bandidos na internet e linchá-los"

https://www.facebook.com/rogerioforcolen2
Nessa onda de um bando de covardes ditos "de bem" querer que a polícia saia matando gente há uma modalidade perigosa, podendo ser fatal pois a barbárie está aí, propagada pela direita: botar fotos nas redes sociais de pessoas que dizem ser bandidos e promover o linchamento.

Vai que pegam uma foto tua, montam um currículo de crimes e espalham pelas redes sociais? De repente, você está passeando com a tua família e alguém identifica e faz o alarde, especialmente porque você não estará armado nem em atitude potencialmente agressiva. Vai ser linchado ali mesmo, por gente "de bem", sem direito sequer a saber o porquê.

Alguns comentários sobre a matéria da foto, extraídos do Facebook, onde a violência "justiceira" parece se justificar com a violência da pessoa da foto:
"brasil de ipocrisias de governantes corruptos o povo de bem pede socorro ,sou a favor de pena de morte para estes tipos de vermes"
"vai chegar o tempo que a propria população vai fazer justiça com as proprias mãos vai ser preciso so do rrabecão!!!!!!!!!!!"
"quem que pendurar ele em um pau de arara peladão e tds os dias um atortura pq cadeia e´muito pouco pra esse tipo de caso cadeia e morte não faz o cara sofre vai comer e beber as minhas custas tem que ser torturado tds os dias ai que delicia"
"A criminalidade tá imperando porque isso é uma sociedade anonima que é composta por deputados, senadores, e policiais."
"essa raça maldita tem que morre tudo e da pior forma mais antes de morre tem que sofre bastante..."
 "forcolen. sapatadas sapatadas nesse vagabundo ."


Pior ainda é ganhar dinheiro em cima disso com propaganda não oficial de procurados. Essa foto circula como produzida pelo programa televisivo do apresentador Rogério Forcolen, o Cidade Alerta. Até isso tem que ser checado, porque pululam perfis falsos no Facebook. Apesar do perfil atribuído ao apresentador da Record constar como "oficial", é fácil fazer perfis "oficiais falsos".

E a promoção da violência com prêmios? Pague uma ligação de celular para descarregar o ódio e concorra a prêmios na tal "sapatada premiada". Por que não distribuem logo pedras para a turba ensandecida jogar em cima do primeiro que acharem "com cara de bandido" pelas ruas?

Apologia à violência é crime, segundo o art. 286 do Código Penal, que diz:
" Incitar, publicamente, a prática de crime:
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa."

Tem gente sendo presa por isso. É crime tanto para o apresentador de TV como para quem compartilha  comentários incitando a mais violência, pregando o linchamento, assassinato, tortura. Para a pessoa "de bem" que vai presa porque queria mais violência, o paradoxal é que vai frequentar a mesma cadeia onde estão aqueles que gostaria de ver maltratados.

Esse é mais um absurdo que a turma do "Viva a Morte!" está disseminando em setores culturalmente debilitados e fascistóides da classe média. Se é para ter certeza do procurado, deve-se procurar sites oficiais, como o da Polícia do Rio de Janeiro - http://www.procurados.org.br/. Mesmo assim, se encontrar algum, chame a polícia e não se arrisque a fazer "justiça" com as próprias mãosE você, meu amigo, minha amiga, vai continuar compartilhando essas coisas? Teu filme...

domingo, 14 de abril de 2013

Tesouros escondidos em negativos, slides e filmes

Aprox 1917, em Niterói ou Campos : meus bisavós,
avô materno (de farda), tios-avós e amigos
Houve tempo em que fotos tinham negativos. Nunca pensei em escrever isso mesmo ainda existindo os processos tradicionais de fotografia, mas a massa das novas gerações desconhece isso, e a cultura do descartável faz com que se jogue fora possíveis preciosidades dos seus antepassados. Isso é muito comum quando um parente idoso falece e se encontra em gavetas alguns envelopes com negativos, rolos de filme ou caixas de slides cujo projetor não existe mais e mesmo que fosse disponível poucos saberiam como usá-lo. Resultado: história de pessoas, locais e eventos jogados fora para sempre.

Tive a sorte de poder guardar tais registros ao longo de toda a vida, e de conseguir resgatar películas do acervo de meus avós maternos, onde encontrei até fotos de mais de 100 anos. Como a qualidade dos negativos foi preservada em envelopes esquecidos e nunca manuseados, um bom scanner consegue capturar em alta resolução os grãos e uma posterior edição faz o documento parecer novo. Sempre que posso pego uma pilha de negativos e trabalho no escaneamento, organização, datação, identificação de pessoas, em suma, na arqueologia da família que desperta curiosidades sobre a história em geral.

Documentos dos antepassados também contam muita coisa. Certidões de casamento, batismo, atestados de óbito, nascimento, declarações de imposto de renda, escrituras de bens, radiografias, receitas médicas, convites de festas, documentos de veículos, enfim, a pessoa pode morrer, mas seu passado continua disponível. E quando se trata de família esses objetos podem explicar o seu próprio passado, porque as decisões tomadas pelos mais antigos certamente te afetaram. Positiva ou negativamente.

Essas buscas podem te levar a deliciosos cafés com pessoas idosas que adorarão relembrar momentos. Ou a procurar fazer contato com pessoas com quem a relação não é tão boa assim, mas dispõe de grande memória para identificar pessoas, datas e locais. No fim todo mundo pode ganhar com isso, basta que se dê de brinde o resultado da pesquisa.

Os negativos (e positivos, no caso de slides), se estiverem em boa qualidade, são melhores que as fotos impressas. E trazem mais informações. Antigamente fotografia era muito cara. Para se ter idéia de um passado recente, há menos de 10 anos revelar um filme e imprimir fotos 9 x 15 cm estava na faixa de R$ 1  por foto. Hoje se consegue imprimir fotos em meio digital por R$ 0,30. Por isso os rolos de filme, e geral de 12, 24 e 36 fotos, eram cuidadosamente gastos. Sim, porque o filme também era caro!

Não tinha a facilidade de sair apertando o disparador como hoje, batendo milhares de fotos que podem ser instantaneamente vistas e descartadas. O mais próximo disso era a foto Polaroid, revelada na hora, sem negativo, caríssima.

Os rolos de filme, em geral, traziam numeração das fotos, o que permite que se sequencie historicamente os fatos, facilitando a datação. Um rolo trazia vários eventos, que podiam ter anos de distância entre si. Para quem tinha recursos mais modestos o jeito era revelar o filme e mandar imprimir apenas as melhores fotos, o que faz do negativo mais precioso ainda, pois pode-se encontrar material inédito.

Os slides eram a melhor maneira de expulsar visitas de casa, porque exigiam projetor, tela, organizar cada foto (sempre vinha alguma de cabeça para baixo ou invertida), tirar da caixinha, botar no pente ou carrossel, isso tudo no escuro. E invariavelmente paredes serviam de telas, com pregos, imperfeições, etc. Era cansativo. No final disso tudo, os slides e a história ficavam esquecidos. Pior: para fazer foto a partir de slide era preciso um processo intermediário, pois o filme era positivo, daí ter que ser feito o negativo para daí fazer a foto. Se era mais barato o slide, fazer fotos a partir deles era muito mais caro. Em geral, ninguém tem álbuns feitas a partir do material dos slides.

E as fotos que eram doadas? Simplesmente sumiam dos álbuns, a não ser que alguém tivesse a disciplina de procurar o envelope com o negativo em meio a uma porção deles, na película identificar a foto, ir à loja de revelação mandar fazer aquela foto, esperar alguns dias (ou até mais, quando não se fazia revelação no Brasil), buscar a cópia e entregar à pessoa. Era mais fácil tirar do álbum e dar de presente. Ou seja: as coleções de fotos das famílias certamente estão desfalcadas, e os negativos podem repor essas perdas.

Praticamente terminei todo o meu acervo, digitalizando inclusive as fotos impressas. Um trabalho épico, pela quantidade de elementos. Parti agora para as fotos dos parentes, afinal, todo mundo participava de quase tudo e havia mais de uma pessoa batendo fotos de outros ângulos. Agora a tarefa é hercúlea, pois há negativos de tamanhos grandes, que precisam ser escaneados por partes e depois fundidos por software especial. Há até negativos em chapa de vidro, para os quais não tenho uma solução ainda. Fora a sujeira que tem que ser removida antes do trabalho.

Quando contrasto uma foto impressa de 20 anos atrás com o negativo a qualidade da escaneada do negativo é muito superior. Além de tudo, como a impressão de fotos era um processo químico, os fixadores podiam não ser de qualidade, bem como o papel fotográfico, e a reação continuar com a ação do tempo, da luz, da temperatura, etc.

Fica a dica para não jogar fora o passado que pode estar guardado nesses pedaços de acetato. Até naqueles monóculos de quermesse. Quem sabe no futuro um parente ou amigo não se interessa e revela curiosidades da sua vida trazendo de volta as imagens das tuas origens? É uma viagem ao passado.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

FANOAPÁ 0010 - Posar ao lado de restos de homem-bomba

Desse jeito o FANOAPÁ - Falta de Noção que Assola o País - vai precisar ter um especial para os Estados Unidos, porque os caras de lá não param de fazer bizarrices. Em especial os sem-noção das forças armadas no Afeganistão, reincidentes em escândalos que rendem mais violência e ódio.

Em janeiro apareceram em fotos mijando sobre o corpo de um talibã morto. Em fevereiro queimaram o Corão, livro sagrado dos muçulmanos. Em março um maluco matou 17 pessoas desarmadas. A cagada de abril está na mídia hoje: publicaram fotos de soldados junto com restos de uma pessoa que explodiu, com sorriso e tudo.

O governo americano chegou a pedir ao jornal Los Angeles Time para censurar o assunto, mas os caras não perdoaram e mandaram ao vento mais esse grande feito da US Army. Uma das fotos está no link http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2012-04-18/soldados-dos-eua-posaram-com-restos-mortais-de-homensbomba-afega.html

Desse jeito, até desocuparem o país, os afegãos chegarão à conclusão que o Talibã era bom e eles não sabiam. E que Bin Laden era um moderado.