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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Aeroportos : Mídia mente no atacado e comemora "privatização"

Manchete do jornal "O Globo" de hoje : "PT faz em aeroportos sua primeira grande privatização". No caderno de economia a manchete é "Enfim, aeroportos privados". Todo o resto da mídia oposicionista tenta vender o mesmo peixe para igualar Dilma a FHC, o PT ao PSDB e dizer que a privataria tucana foi correta, só agora compreendida. Coisas do tipo "Dilma mentiu dizendo que não ia privatizar e enganou eleitores".

Vamos a alguns dados diferenciais:
- A INFRAERO, empresa pública, administra 63 aeroportos. Desses, três tiveram sua gestão concedida a grupos privados por leilão, ficando os demais sob completo controle da INFRAERO, que continua estatal. Não haverá, portando, demissões em massa, como nas privatizações de FHC, tendo os trabalhadores dos aeroportos concedidos 5 anos de estabilidade e outras garantias de direitos;
- Não houve dinheiro público no processo. O BNDES, se vier a financiar algo, será nas obras de investimento. Nas entregas de patrimônio de FHC não bastou o preço vil: o BNDES patrocinou, e ainda tomou calote;
- Os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília estão em cidades muito atrativas para os investidores capitalistas, com possibilidade de altos retornos, daí os ágios conseguidos nos leilões terem surpreendido. O Fundo Nacional de Aviação Civil, para onde irá o dinheiro das concessões, será totalmente gerido pela INFRAERO e deverá melhorar os aeroportos de áreas menos atrativas para o capital. Na prática, os mais caros renderão recursos para os deficitários, que são essenciais, principalmente, para a nova classe média que está no interior do país e sofre mais no acesso ao transporte aéreo;
- Não acabou o "Fla x Flu" ideológico sobre privatização, como disse a economista Elena Landau, que era diretora de privatização do BNDES na época da privataria. Dilma continua contra as privatizações de setores essenciais e de empresas como BB, CEF, Petrobrás e outras que, por pouco, não entraram no ralo da bandalheira privatista;
- A INFRAERO controlará 49% desses aeroportos concedidos. No caso de Guarulhos, o consórcio Invepar, controlado pela OAS com recursos de fundos de pensão como a PREVI (BB), FUNCEF (CEF) e PETROS (Petrobrás), ou seja, dinheiro dos funcionários e aposentados dessas empresas, tem 90% dos 51% das cotas. O governo ainda manterá forte presença na gestão desses aeroportos via fundos de pensão, cujos fundos são usados como se fossem extensão do Tesouro Nacional, apesar de serem privados.
- Ao contrário do que está acontecendo nos países falidos da Europa e no Brasil de FHC, as concessões estão sendo feitas em condições extremamente favoráveis ao patrimônio público, sem pressões de instituições internacionais como o FMI, etc;
- A INFRAERO receberá 10% do faturamento bruto de Guarulhos, 5% de Viracopos e 2% de Brasília.

Que a Globo e todos os demais cúmplices da privatização de FHC queiram dizer que o rumo adotado pelo seu chefe era o correto, faz parte. Que certos setores de esquerda entrem nesse discurso, é por falta de conhecimento para não dizer má-fé. A tarefa no momento é ligar os holofotes na privatização feita por FHC , Serra e seus amigos (Daniel Dantas, Ricardo Sérgio, etc). A CPI da Privatização tem que sair e mostrar, cada vez mais claramente, que o modelo adotado lesou o país e enriqueceu os amigos do poder.

Lula privatizou o BEC, o BEM e outras empresas já marcadas para morrer desde o período FHC, mas atacou a terceirização e a entrega da gestão, mesmo nas mãos do governo, a interesses privados. No BB, por exemplo, ainda vemos esse tipo de gestão orientada pelo mercado, privatizada na prática, mas mesmo Lula deu uma cacetada para romper o cartel do crédito caro e obrigou o banco a emprestar dinheiro, o  que foi essencial para a estratégia anti-crise. Ainda há muito a fazer por lá, mas Dilma não é Lula e está de olho nesse modelo herdado dos tucanos, sem concessão nem privatização.