sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Debate da Band : vice acha que Serra foi "light"

O truculento vice de Serra, Indio da Costa, comentou que o candidato foi "light" no enfrentamento com os adversários no debate de ontem da Band. Depois de ter feito estardalhaço com acusações infundadas ao governo, de colaboração com as FARC, e de ter recebido o "cala-boca" da coordenação da campanha, deve ter sido difícil para Indio fazer o comentário "light" sobre Serra.

Na verdade, o DEMO deve estar espumando de ódio dele, porque além de ter apenas tentado se promover no estilo Maluf (Serra fez em São Paulo e vai fazer no Brasil), em determinados momentos tentou entrar no "clubinho" de petistas e ex-petistas, lembrando suas raízes de esquerda no combate à ditadura, como presidente da UNE, e do exílio.

No próximo debate deviam mandar o Indio da Costa. Ficaria mais explícito o significado da candidatura demo-tucana com alguém explicitamente defendendo o latifúndio, a supressão de direitos trabalhistas, a privatização das poucas estatais que resistiram a FHC, a entrega do pré-sal aos estrangeiros, entre outras coisas ocultas até aqui. Indio, quando vereador no Rio, quis aprovar lei que multaria quem desse esmolas e outra para proibir comércio ambulante. Acho que o DEMO deveria tomar uma atitude, afinal, estão apoiando de graça uma candidatura "esquerdista". Para eles, Serra está muito pelego.

Debate da Band : PT 3 x 1 PSDB

Quem viu pela primeira vez um debate com os atores Dilma, Serra, Marina e Plínio ficou com a impressão de ver 3 visões do PT contra o PSDB. Num certo momento, Marina diz que deu a licença ambiental para a transposição de águas do Rio São Francisco e que não discordava no todo da usina hidrelétrica de Belo Monte. Noutro momento vê Plínio Sampaio dizer que elaborou o programa de Lula.

Ver José Serra falar em fortalecer as estatais não tem preço. Vê-lo falar dos seus 14 anos de exílio porque defendia a reforma agrária também foi impagável. Nessa hora, esqueceu-se dos aliados do DEMO e resolveu resgatar algum verniz de esquerda.

Plínio usou bem o seu espaço, que aliás não era só dele. Falou muito em discriminação e em muro separando as pessoas, mas não citou que candidatos como Zé Maria do PSTU ou Ivan Pinheiro do PCB foram barrados de participar porque os partidos não têm representação no Congresso. Atuou para diferenciar-se das outras três candidaturas, criticando o seu "bom-mocismo" e confrontando-as com propostas do movimento social sobre limitação do latifúndio, redução da jornada de trabalho e anistia a desmatadores. Ganhou com o debate.

Marina teve a oportunidade de mostrar inteligência e boa fluência de idéias, com humildade. Não escondeu sua participação no governo Lula e não jogou pedras nele. Focou na defesa do ambiente e dos mais necessitados. Ganhou com o debate.

Dilma começou nervosa. Cuspiu muitos números e polarizou com José Serra. Apresentou resultados das políticas do atual governo, e se comprometeu a fazer mais. Praticamente não citou o nome de Lula, mas falava como se já governasse. Não perdeu, e se ganhou, foi pouco.

Serra buscou polarizar com Dilma, mas não conseguiu muita coisa com isso. Entrou no jogo do governo Lula x governo FHC, onde Dilma tem muito mais a mostrar. Se foi ao debate querendo mostrar mais capacidade, experiência e coerência que Dilma, não conseguiu. Nas considerações finais, quase chorou, falando da sua trajetória. Pode ganhar um prêmio Molière, como consolação.

De qualquer forma, foi um debate muito diferente dos anteriores. Dos três candidatos originários do PT, Dilma é a que tem menos história partidária. Plínio e Marina vêm dos primórdios da luta de formação do partido, e dele saíram por divergirem dos rumos do governo Lula. Dilma se filiou já no governo Lula. Já Serra tentou resgatar sua "porção esquerda" e ficou esquisito. Juro que queria ver a reação do pessoal do DEMO quando falou coisas heréticas para os seus aliados de direita.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pesquisa CNT / Sensus - Dilma 10% sobre Serra

Mais uma pesquisa mostra o distanciamento entre a candidata do PT, Dilma Roussef, do candidato do PSDB, José Serra. A CNT/Sensus, publicada hoje, traz Dilma com 41,6% contra Serra com 31,6%. Marina Silva (PV) aparece com 8,6%. Em relação à pesquisa anterior, de maio, Dilma cresceu (teve 35,7%), Serra caiu (teve 33,2%) e Marina cresceu (teve 7,2%).

ENEM : nova falha questiona credibilidade

Enquanto o Exame Nacional do Ensino Médio não servia de prova para acesso a universidades, os erros nos seus processos não pareciam ter maior gravidade. O que se fazia com os seus resultados era a aferição no nível de ensino das escolas do ensino médio em todo o país, comparando a qualidade das instituições e permitindo ações para corrigir desigualdades, especialmente na área pública.

Recentemente foram divulgados os números do ENEM de 2009, que mostraram que 97% das escolas da rede estadual foram reprovadas porque tiveram média abaixo de 500 pontos. Das mil melhores, 887 são particulares, 85 federais, 26 estaduais e duas municipais. No Rio, o Instituto de Aplicação da UERJ, onde estudei (na época era Colégio de Aplicação), ficou em quarto lugar, atrás de três grandes escolas privadas. O Aplicação está a anos-luz dessas três em termos de qualidade de instalações, equipamentos, informática, mas consegue manter-se pela qualidade de professores e alunos, apesar de ser uma instituição estadual.

Agora o ENEM serve de base para acesso às universidades, e o rigor na segurança dos processos deveria ser outro. No ano passado, houve vazamento de provas, causando um enorme prejuízo de imagem ao exame, além de material. Agora, vazam os dados dos alunos de exames anteriores. Nada tão grave quanto o desvio de provas, mas que tira a credibilidade no processo de unificação dos vestibulares em todo o país.

Vou fazer o ENEM deste ano, para incentivar um filho que também fará vestibular. Mudou muita coisa desde os antigos vestibulares, pois a prova tem alcance nacional, não cabendo regionalidades, que pegavam principalmente em literatura, história e geografia. A inscrição não é para um determinado curso ou universidade: é uma espécie de certificação, onde através da pontuação se escolhe uma vaga em qualquer curso ou instituição. Um aluno pode pretender fazer medicina, que é a mais difícil, e não obter escores suficientes para esse curso, mas bastantes para fazer farmácia, e tenta se encaixar numa instituição com esse curso.

O preocupante da gente fazer essas provas é aferir que o ensino médio vem caindo muito com o passar do tempo. Fiz vestibular unificado e para o IME em 74, novamente o unificado em 79, e para a UFC em 1999. Neste último, que também foi para incentivar um filho e um enteado, fiz as provas com muita paciência, trabalhando logicamente as opções da múltipla escolha, e consegui coisas surpreendentes, como acertar 12 das 15 em química sem abrir um livro. Terminei a primeira fase em 6° lugar para Administração, e achei aquilo um absurdo. Na segunda fase, com provas de matemática, história e redação, fiquei mais surpreso ainda ao conseguir o 1° lugar. Vamos ver neste ano o que vai dar. Se conseguir pontuação para algum curso importante, mesmo sem estudar, será mais uma constatação da falência do atual nivel médio.

RJ: Feira Literária de Parati - FHC hostilizado

Há dois anos viajei a Parati, no litoral sul fluminense, e por incrível coincidência cheguei quando começava a Feira Literária Internacional de Parati - FLIP. É o maior evento do gênero no país, e acontece todo ano. Muito organizada, com painéis de debates com autores, exposições, lançamentos, shows e uma versão para crianças, a Flipinha, e outra para adolescentes, a Flipzona. A cidade fica lotada de turistas. Por isso mesmo acabei num quartinho de pousada bem ruinzinho, que era a única coisa que encontramos.

Neste ano, a FLIP resolveu polemizar ao trazer para o debate de abertura, que tem como tema Gilberto Freire, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, algo como um jabuti numa árvore. Jabutis não sobem em árvores, alguém coloca lá, e parece ter sido isso que aconteceu, já que FHC está numa escalada para sair do ostracismo, cavando espaços em programas de TV, enterros e batizados. O próprio FHC se disse surpreso com o convite, afinal, tudo que fez relativamente ao tema foi um prefácio para um livro de Gilberto Freire. Algumas pessoas na cidade entenderam que a estranha presença de FHC na FLIP em ano eleitoral teria cunho político, e protestaram.

Fora isso, Parati, ou Paraty é uma cidade encantadora, e a FLIP não deixará de ser o grande evento literário por conta dessa presença indesejada. Há muito mais na cidade, como a arquitetura colonial, as comidas e cachaças, os passeios de barco, a bela e preservada praia de Trindade. Paraty, assim como FHC, teve sua época na história. A diferença é que a cidade está sendo preservada para levar seu legado às gerações futuras. Já FHC parece ter sido fadado ao esquecimento, assim como a sua "grande obra", e nem os seus correligionários o querem por perto.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ANAC : sindicato das empresas aéreas

No domingo fui ao Galeão e vi no Terminal 1, que é todo da GOL na parte de vôos domésticos, a imensa confusão que se armava, sem saber do que se tratava. Simplesmente a GOL errou na escalação das suas equipes e ficou sem gente para levar diversos vôos, que acabaram cancelados e causaram um grande tumulto em diversos aeroportos.

A ANAC, que é uma dessas agências criadas pelo governo FHC para tirar do estado o controle sobre diversos setores vitais, não aplicou nenhuma sanção sobre a GOL. E a imprensa do caos aéreo aproveita a oportunidade para jogar a população contra o governo e para propor a privatização da INFRAERO. Mais uma vez uma empresa faz o caos e quem paga o pato é o governo.

PS: depois do post, a ANAC multou a GOL em R$ 2 milhões, entendendo que o problema teve origem na desorganização da escala de tripulantes. Deve ter havido muita pressão do governo. O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, chegou a declarar que não havia nenhuma "conspiração" , que a multa da ANAC seria uma solução satisfatória e que mantinha o presidente Lula informado com freqüência. Atraso de avião virou assunto de estado no Brasil...

DF : Roriz tem ficha suja

Hoje o Tribunal Regional Eleitoral do DF, por 4 x 2, indeferiu a candidatura do ex-governador Joaquim Roriz ao governo distrital, com base na Lei da Ficha Limpa. Roriz renunciou em 2007 ao senado para escapar da Comissão de Ética. Cabe recurso da decisão.

A disputa para o governo distrital ganhará nova dinâmica com a saída de Roriz com base na ética. Quem também sofre com a queda de Roriz é José Serra, que tinha o seu apoio. Pior: a decisão do TRE mostra que tipo de aliado os tucanos têm no DF.

Eleições 2010 - Candidatos debatem amanhã na Band

Nesta quinta, 5 de julho, será dado o primeiro passo na campanha televisiva, com o debate às 22h promovidos pela Rede Bandeirantes de TV. Confirmaram a presença: Dilma (PT), Serra (PSDB), Marina (PV) e Plínio Arruda (PSOL). Não tivemos informação sobre o convite, se foi extendido aos demais candidatos que nas pesquisas pontuam com menos de 1%.

A minha expectativa é do debate ser morno, tipo início de jogo de futebol, com todo mundo se defendendo e tentando ao máximo mostrar ser simpático. Terá como principal concorrente o jogo São Paulo X Internacional, pelas semifinais da Taça Libertadores, que começará na Globo às 21:50h.

Irã : Mídia apedreja Lula

Hoje pela manhã, em meio à notícia de um possível atentado contra o presidente do Irã, Ahmadinejad, a Globo deitou e rolou na crítica a Lula, que anteontem ofereceu asilo a uma iraniana condenada à morte por apedrejamento por adultério. Seguiram a linha do artigo do colunista Jackson Diehl, do Washington Post, inimigo mortal de qualquer diálogo com o Irã. Mirian Leitão captou bem o espírito da coisa no seu blog, dizendo que Lula errou duas vezes no episódio.

No seu artigo de ontem, "Lula Apedrejado", Diehl tenta colocar na intenção humanitária de Lula o adjetivo de ingênua, e ainda tacha o presidente brasileiro de "amigo de ditadores". E ainda que Lula mais uma vez foi humilhado por Ahmadinejad, pois o governo iraniano teria tornado letra morta a proposta de acordo nuclear promovida pelo Brasil e Irã, logo após a histórica reunião de Lula com Ahmadinejad em maio. Já o Departamento de Estado americano mostrou-se simpático à iniciativa de Lula, esperando que seu prestígio junto a Ahmadinejad consiga resgatar a mulher.

A Globo vai mais ainda. Quer reacender a imagem do "Lula ignorante", que sempre cultivaram mas, diante da popularidade acachapante do presidente, vinham maneirando. Tentam trabalhar a dicotomia Lula X diplomacia brasileira, ao dizer que a proposta de asilo seria pessoal e não do governo. Colocam a proposta em confronto com a atitude do governo brasileiro diante dos prisioneiros cubanos, e como mais um erro de política externa. Citam a condenação uníssona da imprensa americana e israelense a Lula, mas não falam da repercussão positiva na Europa, menos submissa a Israel, que informa sobre a iniciativa favorável aos direitos humanos.

Os filhos de Sakineh Ashtiani fizeram uma campanha mundial contra a sua condenação, que teve o apoio de artistas brasileiros como Chico Buarque, Caetano Veloso, do ex-presidente FHC e de Yoko Ono. A declaração de Lula veio no sentido de apoiar o movimento.

A proposta de Lula conseguiu abrir espaços na fechada mídia iraniana e dar destaque em todo o mundo para a barbaridade do apedrejamento em obediência à Charia, base do direito islâmico, de natureza religiosa, que coloca a mulher num patamar muito inferior ao do homem. O apedrejamento da adúltera também está no Antigo Testamento. No Brasil o adultério foi considerado crime pelo Código Civil até 2005.

Apesar da negativa do Irã, Lula insiste na proposta, deixando o Irã em posição desconfortável, pois a execução de Sakineh poderia abalar a relação com o Brasil, um dos poucos países que tenta evitar o total isolamento iraniano e abrir caminho para a intervenção EUA - Israel. Anteontem o governo Obama disse que retirará boa parte do contingente do Iraque, podendo recolocá-lo em outro "front", como o Afeganistão. Ou começar uma nova aventura no Irã, como já antecipou uma alta autoridade americana.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ministério da Saúde adverte : FHC tira sono

Ontem à noite estava sem sono e liguei a TV para dormir vendo alguma coisa chata. Encontrei Marília Gabriela entrevistando FHC. Entre continuar sem sono e ver o que o ex-presidente tinha a dizer, vi parte do programa, o que me fez perder o resto do sono e ter uma noite péssima.

FHC piorou muito na arrogância, no cinismo e sarcasmo. Deve estar se achando uma divindade. Num trecho da entrevista, sempre pontuando entre o seu governo e o de Lula, FHC disse que Lula era um bom surfista, mas que quem criou a onda foi ele! Se a Marília botasse mais pilha, ele teria dito que descobriu o Brasil, e quem sabe que tinha criado o universo em seis dias. A tudo o que tinha de ruim acrescentou a megalomania esquizofrênica, ou seja, fala de uma obra gigantesca, que levou o Brasil ao paraíso, que só ele viu. Esse tipo de programa devia ter uma tarja de advertência do Ministério da Saúde...

Pesquisas : O insustentável peso de Serra

Pesquisa longe da data da votação numa eleição cabe tudo. Os institutos de pesquisa só não podem errar muito na boca-de-urna, senão é desmoralizante. O que o Ibope e o Datafolha estão fazendo parece pirotecnia ou montanha-russa, ao sabor dos interesses da campanha de Serra. Já o Vox Populi vem registrando a evolução sem nenhum sobressalto, e apresentando resultado parecido com o que o Ibope apresentou no dia 31/7.

Olhando o gráfico de evolução dos resultados das pesquisas na página do Ibope temos que em 3/6 Dilma e Serra empatavam em 37%. Três semanas depois, no dia 21/6, com Serra exposto irregularmente em vários programas eleitorais gratuitos, aparecem em nova pesquisa: Dilma 38%, Serra 32%. Praticamente uma semana depois, justo na crise de escolha do vice de Serra, o Ibope "empata" Dilma e Serra em 36%, e agora, em 31/7, Dilma volta à dianteira com 39% a 34%.

Incrivelmente, uma semana antes, o Datafolha apresentava Serra com 37% e Dilma com 36%, enquanto na véspera dessa pesquisa o Vox Populi dava 41% de Dilma contra 33% de Serra. Se é difícil entender a disparidade com base apenas na metodologia, quase impossível é inferir sobre as variáveis que fizeram tais "oscilações" detetadas pelo Datafolha e Ibope. No último mês, Lula foi silenciado na grande mídia. Só aparecia sua imagem para levar porrada. Praticamente não falou mais de Dilma, enquanto Serra era multado em mais R$ 35 mil por campanha antecipada. Então, por que Dilma subiu e Serra caiu, segundo o Ibope? Por que na versão do Vox Populi há uma tendência de subida de Dilma e de queda de Serra, abrindo uma vantagem cada vez maior da candidata do PT? Só metodologia explica?

Ainda há um fato curioso: apesar de ter conseguido furar o esquema de polarização da grande mídia e conseguir aparecer bastante, a candidata Marina Silva vê seus votos estagnados. Marina tem mesmo só 8%? E Serra, tem realmente os tais 33% ou 35%? O que aconteceria com uma queda vertiginosa de Serra, para baixo dos 30%, além do estouro da boiada dos seus apoiadores para o lado de Dilma ou de Marina? Considerando-se que tem um debate na Band na próxima quinta-feira, dia 5/8, onde todos os principais candidatos participarão, uma nova safra de pesquisas já pode estar em gestação, articulada com uma grande campanha de mídia, para mostrar a "vitória" de Serra no debate, e alavancar o enorme peso da falta de proposta e da rejeição que o empurram para baixo.

Rio : Milagre tira 2 pontos do Flamengo

Apesar de estar a 4 km do estádio do Maracanã, não me dispus a ir ao jogo Flamengo 0 x 0 Vasco por dois motivos: ingressos só na mão de cambistas e porque esse é um jogo previsível, daqueles que a gente sabe que o Mengão ganha e a curiosidade fica por conta do resultado. As imagens na TV mostram que não sou o único a pensar assim: a torcida cruzmaltina era visivelmente maior no estádio. Eles acreditam em milagres. E ele acabou acontecendo, pela obra e graça do goleiro Fernando Prass, que impediu dois gols feitos do Mengão. E o empate tirou dois pontos certos do time da Gávea no Brasileirão.

Num deles o goleiro fez tres defesas incríveis, uma em seguida à outra. Se Mano Menezes foi ao Maracanã observar algo para levar ao time da CBF, certamente saiu interessado no goleiro vascaíno. No segundo lance de gol, uma falta aos 47 minutos, para ser batida por Petkovic, um vascaíno uniformizado que estava no bar onde assisti o fim do jogo disse: "de novo, não!". O vascaíno de memória tem um trauma com falta em fim de jogo batida pelo Pet : o penúltimo tricampeonato do Flamengo foi conquistado em cima do time deles, nas mesmas condições.

Apesar do novo Estatuto do Torcedor ter entrado em vigor, dois torcedores do Flamengo foram baleados por um mau vascaíno num ponto de ônibus quando iam ao jogo. O bom sofredor não faz isso, apenas chora, como a nova geração que há 8 anos não vê o time de São Cristóvão ganhar um título. Alguns diriam que a conta está errada, apresentando o título de campeão da segunda divisão do Brasileirão do ano passado. De fato, foi uma conquista, mas daquelas que as pessoas de bom senso fariam questão de esconder, por ser vergonhoso o time andar pelo pântano da segundona.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Rio : UPP reduz armas, mas tráfico não pára

Amanhã será inaugurada a Unidade de Polícia Pacificadora do Andaraí, que fica no conjunto de comunidades que margeiam parte do Grajaú e Andaraí. Desde junho os morros foram tomados pela polícia, desde o Borel, na Tijuca, passando pelo Morro da Cruz, Andaraí e indo até a Divinéia, fechando o arco daquela vertente montanhosa.

Aqui na banda do Grajaú onde moro, que é mais próxima do Andaraí, desde abril não se ouvem os pontuais tiroteios das 6 da tarde. Agora, nem o foguetório anunciando a chegada de drogas. Está tudo muito tranquilo. Na Tijuca tenho amigos e parentes que relatam que a tomada dos morros anteriormente dominados por facções do tráfico também reduziu os tiroteios. Na Zona Sul, idem.

A política de segurança estadual está atingindo o principal objetivo estratégico, que é recuperar para o domínio do estado as áreas dominadas acintosamente pelo tráfico. O Secretário Beltrame, da Segurança Pública, sempre disse que tráfico existe em qualquer lugar do mundo, mas como no Rio, com domínio territorial por exércitos muito bem armandos de criminosos, não existe em lugar nenhum. Somem os bandidos encapuzados com fuzil, ficam visíveis os policiais, mas o tráfico continua. Como em qualquer lugar do mundo.

Os traficantes recolheram seus armamentos para complexos como a Maré e o Alemão, e ficam tranquilos porque onde já tinham suas bocas sabem que não haverá mais tentativas de invasão por outras facções. A ilusão de pacificação também permite que a população suba o morro sem problemas, frequente bares e lugares com vistas muito bonitas, como no morro do Pavão-Pavãozinho, e compre drogas sem os riscos do tempo do confronto.

Serra paga militância e usa servidores

Já se foi o tempo que o PT tinha na sua militância o seu principal diferencial. Lula chegou a dizer que um militante era "mil e tantos", e era verdade. Fazíamos campanhas suicidas, sem dinheiro, sem veículos e até sem material. Os tempos mudaram e hoje o PT perdeu boa parte da militância pela descrença em muita coisa do partido, mas ainda tem gente que faz campanha espontaneamente.

Já os tucanos nunca tiveram militância. O DEMO, nem pensar, já que para eles militância é coisa de comunista. E o modo de fazerem campanha estava explícito hoje em Palmas, Tocantins, onde militantes pagos e funcionários públicos em horário de expediente foram forçados a engrossar uma passeata com o candidato tucano, apoiado pelo governador. Caso para o Tribunal Eleitoral apurar. Falando em campanha irregular, Serra foi multado pelo TSE em R$ 15 mil por campanha antecipada e o PSDB- RS em R$ 40 mil por ter usado o programa partidário local para promover o candidato ainda não registrado.

domingo, 25 de julho de 2010

O Brazil de Stallone não é tão bonzinho assim

Não foi novidade o ator Silvester Stallone falar bobagens sobre o Brasil em entrevista onde falava do seu filme "Os Mercenários" que estreará no Brasil em 13 de agosto. Andou fazendo piadinhas para o nível do seu público entender, dizendo que o Brasil é um lugar onde se pode explodir tudo que as pessoas agradecem, esculhamba a segurança do Rio, que desperdiçou recursos públicos para garantir sua equipe, enfim, algo muito pouco inteligente do ponto de vista do marketing para quem vai vender ingressos em salas de projeção brasileiras.

Para ele deve ter sido perfeitamente natural o comentário, haja vista a natureza da sua obra cinematográfica. Nos filmes "Rocky, o Lutador", a mensagem é a capacidade do norte-americano de se superar e vencer seus inimigos. Em "Rambo" vai mais além: tenta mostrar que as autoridades americanas foram burocráticas e fracas no trato da guerra do Vietnam, e um só soldado vai lá, explode tudo, mata todos e liberta prisioneiros que o governo relutava em aceitar que existissem.

Stallone personifica a truculência imperialista no cinema. A América é a número 1 e os outros são o resto do mundo. Brasileiros, franceses, italianos, ingleses, vietnamitas, africanos, japoneses e outros povos são sistematicamente discriminados por esse tipo de cinema, que vende muito no segmento que frequenta o péssimo sistema educacional americano e que desconhece onde fica o Oriente Médio e até hoje diz que a capital do Brasil é Buenos Aires. Stallone agora já sabe que é o Rio de Janeiro...

O inédito nisso foi a reação organizada, em especial dos jovens que frequentam as redes sociais e o microblog Twitter, que fizeram tantos acessos com a campanha "Cala a boca Stallone" que rapidamente o assunto atingiu a marca dos 220.000 comentários, o que chama a atenção da imprensa mundial ligada em manifestações desse gênero. Os comentários vão da indignação ao chamamento ao boicote ao filme, passando pela crítica ao comportamento dos brasileiros que abrem as portas a qualquer estrangeiro que chega por aqui, faz o que quer e ainda tem os agradecimentos da plebe tupiniquim.

O fato é que Stallone acabou pedindo formalmente desculpas aos brasileiros, demonstrando que existe vida inteligente na sua assessoria de imprensa. Brasileiro é muito bonzinho, como dizia a atriz Kate Lira num programa humorístico de alguns anos atrás, e isso é verdadeiro. Somos hospitaleiros, recebemos bem (nem todos, mas a maioria) e gostamos de mostrar as coisas boas do nosso país. E, a não ser que concordemos com Stallone, que diz ao mundo, no atacado, que somos um bando de idiotas e depois nos pede desculpas no varejo, deveríamos nos abster de ver seus filmes, e, o pior, ainda pagar por isso. Há coisas melhores no cinema.

sábado, 24 de julho de 2010

Datafolha aposta no empate de Dilma e Serra

Pesquisa publicada hoje mostra Serra com 37% das preferências e Dilma com 36%, em empate técnico. Marina aparece com 10% e Zé Maria (PSTU) com 1%. Ontem a pesquisa do Vox Populi apresentou Dilma 8 pontos percentuais à frente de Serra. No segundo turno, Dilma teria 46% e Serra 45%.

Por que tanta divergência entre as pesquisas, já que a técnica estatística é semelhante? A diferença principal está na metodologia de coleta de dados das pesquisas. Enquanto o Vox Populi vai aos domicílios e segrega a pesquisa por faixas de renda, etárias, por sexo e educação, o Datafolha entrevista nas ruas.

Como a pesquisa do Vox Populi é veiculada pela Band e a do Datafolha tem mais divulgação pela grande mídia como a Globo e a Veja, a verdade a ser construída manterá a hipótese do empate.

Combate à corrupção : pingo d'água no oceano

Denunciar corrupção é muito bom, especialmente se for ao vento, sem qualquer responsabilidade pela apuração dos fatos e criação de mecanismos de supervisão para evitar novos eventos. Para a imprensa, significa audiência garantida. Para as pessoas, ficam as sensações de indignação ao ódio, passando pelo prazer sádico de ver gente indo presa ou sendo levada à execração pública. O difícil é zelar por fazer as coisas direito, em um mundo onde as oportunidades estão escancaradas aos ladrões.

Participei da Conferência Latino-Americana Brasil -OCDE que teve como foco a integridade empresarial. Mesmo com inscrições livres e gratuitas, o evento não atraiu um grande público. Os que lá estavam eram brasileiros de ministérios, da CGU, de tribunais, de grandes empresas e uns poucos de entidades representativas de trabalhadores. Havia os estrangeiros membros de governos e de entidades multilaterais. Pouca imprensa. Umas 300 pessoas no máximo. Na abertura estavam representantes da ONU, OEA, Banco Mundial, OCDE, o Ministro da Transparência do Equador, o Ministro de Administração do México, o vice-presidente da Colômbia e o ministro da Controladoria Geral da República, Jorge Hage.

A corrupção é um fenômeno global, e por isso as iniciativas de maior vulto partem de organizações multilaterais, buscando estabelecer padrões de controle e supervisão entre os países. Tudo começou com o escândalo do suborno de ministros do Japão pela empresa americana Lockheed, na década de 70. Em seguida vários casos de propina entre empresas e países do primeiro mundo passaram a prejudicar a livre concorrência entre as empresas, e a causar grandes prejuízos aos países. Esses e outros aspectos da corrupção, associados ao tráfico de armas e drogas, lavagem de dinheiro e a aspectos ético-morais desestabilizantes de sociedades engrossaram os esforços que levaram à confecção da Convenção da ONU contra a Corrupção, que o Brasil assinou em 2003. Essa convenção foi ratificada por decreto presidencial de 2006 e deve ser cumprida pelo Brasil e pelos países-membros signatários. Virou lei para o Brasil.

O evento realizado em São Paulo foi muito denso e informativo. Um dos painéis tratava do preço pago pela sociedade pela corrupção. Empresas de grande porte como a Petrobrás, Siemens, Nokia e Philips mandaram representantes para falar das políticas e posturas anticorrupção adotadas no âmbito corporativo. A representante da Siemens falou do imenso prejuízo material e de imagem causado à empresa ao ser flagrada num escândalo de pagamento de propinas a autoridades de diversos países da ordem de US$ 1,4 bi. Só em multas e prejuízos, a empresa teve US$ 1,6 bi, fora os custos de processos, etc. Depois do ocorrido, a empresa resolveu tomar medidas para proibir as práticas anti-éticas e patrocinar um programa da ONU para a educação anticorrupção.

A idéia do encontro, onde a CGU tem a parceria com o Instituto Ethos, entidade empresarial com 12 mil associados com a missão de promover a integridade corporativa, é de estimular acordos setoriais de empresas para que não aceitem envolvimento em situações de suborno e corrupção, além de buscar um patamar ético para as disputas no mercado. Considero que essa é uma missão quase impossível, pois o capital não tem ética: escraviza, corrompe, mata, tudo em nome dos lucros acima de qualquer consideração moral ou ética. O máximo que se pode conseguir é uma "paz armada", onde todo mundo vigia todo mundo, até porque acordos amistosos entre concorrentes para dividir mercados significam cartelização.

Por um lado foi bom ter visto que há iniciativas institucionais para tentar freiar a corrupção, que carreia um bom pedaço do PIB mundial para o crime e submete países e pessoas à miséria. Por outro, ficou a impressão de utopismo da tarefa, pois tudo que se fez e se faz é embrionário, extremamente pequeno diante do problema, coisa de uma pequena vanguarda, e que não consegue trazer, até aqui, as pessoas comuns para uma grande mudança de posturas para eliminar a corrupção. A esperança está no sucesso do movimento que resultou na Ficha Limpa de candidatos ás eleições, que deu ao judiciário instrumentos para cortar pela raiz, mesmo que parcialmente, o acesso de corruptos às decisões sobre os recursos do estado.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vox Populi : Dilma amplia diferença sobre Serra

Pesquisa Vox Populi / TV Bandeirantes de hoje mostra Dilma Roussef (PT) com 41% (40% na anterior) contra 33% de José Serra (35% na anterior). No segundo turno, a candidata de Lula também teria 8% de vantagem sobre Serra. Dilma tem a menor rejeição (17% contra 24% de Serra), lidera entre homens e mulheres e escolaridades, e apenas é superada por Serra na região Sul (39% a 35%) e na Sudeste (36% a 34%) e entre os eleitores de maior renda (37% a 36%).

Em alguns dias vão sair as pesquisas do Datafolha e Ibope. É bom lembrar que às vésperas da confirmação da candidatura de Serra mostraram empate técnico entre os dois principais candidatos, mesmo depois de terem dado Dilma à frente. Acho até bom que deem alguma esperança aos demo-tucanos, senão a campanha vai baixar a um nível inimaginável, se a inexorável derrota ficar muito clara para eles.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mídia quer o "Eduardojorgegate"

O destaque dado pelo PRG (Partido da Rede Globo) ao acesso de alguém na Receita Federal a dados sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, ganhou requintes teatrais hoje no Bom Dia Brasil. Sem botar direto a culpa no PT e em Dilma, os apresentadores bateram bola com insinuações como " o acesso foi feito na região do ABC paulista" e outro disse que foi em Santo André. Ressaltaram que o acesso é crime. Por fim, uma apresentadora falou que a Polícia Federal só entrará no caso após a investigação pela Receita, e Renato sentenciou : "o resultado só deverá aparecer depois que o caso tiver esfriado". O que seria "esfriado"? Depois das eleições, impedindo o uso político-eleitoral pelos tucanos para vender a imagem do "estado policial" petista?

O ruim dos políticos terem rabo preso é a eterna paranóia de serem descobertos em alguma falcatrua ou crime, daí andarem sempre de antenas ligadas. Qualquer um de nós outros tem seus dados fuxicados por funcionários públicos e empresas privadas a todo momento, e a gente só sabe de alguma coisa quando acontece um problema. Há algum tempo era possível comprar bancos de dados de CPFs e do imposto de renda nas mãos de piratas de software. Também não é impossível que espiões do mercado furtem bases de dados de uma empresa e as vendam a concorrentes, daí recebermos tantas malas diretas oferecendo coisas de fornecedores para quem jamais passamos os nossos dados.

Essas coisas podem ser obtidas através do uso de senhas roubadas, que deixam seus donos como responsáveis pelos acessos, como pode ser o caso da funcionária da Receita que foi afastada da função pela acusação de ter "logado" o sistema para acessar irregularmente informações de Eduardo Jorge e agora estar servindo de "boi de piranha". Conhecendo a capacidade de armação dessa turma da direita, não seria demais também supor que um esquema bem articulado poderia criar essa situação para botar a culpa em algum aloprado do PT e criar um "Watergate" tupiniquim, com direito a toda a teatralização de CPIs e abordagem escandalosa na mídia para atacar o governo e a candidatura Dilma. O candidato tucano Serra já diz que não acha estranho o uso da máquina pelo PT para quebrar sigilos, em sintonia com a campanha da mídia.

Afinal, fica a pergunta: como é que a gente sabe se um remoto funcionário da Receita acessou nossos dados? Talvez tenha que perguntar ao jornalista Claudio Humberto, aos tucanos ou à Globo como proceder.

Desemprego cai a 7%

Em plena crise mundial, que destrói postos de trabalho principalmente na Europa e Estados Unidos, temos no Brasil a queda da taxa de desemprego de 7,5% em maio para 7% em junho, um dos melhores resultados históricos. Apesar da maior massa de pessoas aptas a consumir e demandar bens no mercado, o Conselho de Política Monetária reduziu o ritmo de elevação da taxa de juros SELIC para 0,5% na reunião de ontem, mostrando que o risco inflacionário que poderia se associar ao rápido crescimento da produção estaria sob controle.

Apesar dos resultados positivos excepcionais diante da conjuntura mundial, o ministro Guido Mantega tem sido alvo de críticas de ex-dirigentes da área econômica, que questionam a forte capitalização do BNDES pelo Tesouro Nacional e a forte concessão de crédito para o setor produtivo. Mantega diz que o BNDES empresta recursos que serão ressarcidos ao Tesouro e que essas operações seriam as responsáveis pelo aquecimento da economia e pelo nível de renda e emprego que tiraram o Brasil da crise antes dos outros países.

Esse é um debate que deveria ser colocado a limpo na campanha presidencial. Durante muito tempo os seguidores de FHC e a mídia insistiram na crença da continuidade dos fundamentos neoliberais do governo anterior a Lula. Durante a crise de 2008, insistiram que o Brasil deveria cortar gastos e aumentar as taxas de juros para suportar a crise, o que foi radicalmente negado pelo governo Lula, que apostou no crescimento e venceu a crise, que virou marolinha, sem prejudicar programas sociais e os níveis de emprego.